{2}NAUM{/}
{C}A RU\u00cdNA DO OPRESSOR{/}

A actividade prof\u00e9tica de Naum desenrolou-se entre 663 e 612 a.C., as datas da tomada de Tebas e da queda de N\u00ednive, respectivamente. A Ass\u00edria, j\u00e1 respons\u00e1vel pelo desmantelamento do reino do Norte e da sua capital, Samaria, em 722 a.C., tentava agora consolidar o seu poderio, mediante campanhas sucessivas a Ocidente, cobrindo a Palestina e o Egipto de destrui\u00e7\u00f5es e impostos. Ao sul da Mesopot\u00e2mia, por\u00e9m, erguia-se lentamente o novo imp\u00e9rio babil\u00f3nico que, aliado aos Medos, poria termo \u00e0 supremacia ass\u00edria.
Neste contexto sombrio que pesava sobre Jud\u00e1, o profeta Naum trouxe aos oprimidos uma mensagem de {N}consola\u00e7\u00e3o e reconforto{/}, como o seu pr\u00f3prio nome indica. Apesar da arrog\u00e2ncia e da for\u00e7a dos inimigos, Deus \u00e9 mais forte, \u00e9 soberano da Hist\u00f3ria. A queda de N\u00ednive, uma das capitais ass\u00edrias, est\u00e1 iminente.
Esta certeza de f\u00e9 palpita no salmo inicial [Na_1,2] [Na_1,8], recebe novos contornos na sec\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia [Na_1,9] [Na_2,3] e \u00e9 celebrada na \u00faltima parte [Na_2,4] [Na_3,19] com tons extremamente vivos. A cidade \u00e9 s\u00edmbolo [Na_1,8]; o castigo \u00e9 li\u00e7\u00e3o de alcance generalizado [Na_3,6].
A ru\u00edna de N\u00ednive [Na_2,4] [Na_3,19], com o afluir dos assaltantes e o desabar das muralhas, com a carnificina e a ironia do destino, \u00e9 evocada de maneira t\u00e3o grandiosa que estamos em presen\u00e7a dum grande profeta da B\u00edblia. As atrocidades cometidas pelos ass\u00edrios em Tebas [Na_3,8] [Na_3,11], no Egipto, alimentam a profecia do que vai acontecer \u00e0 moribunda N\u00ednive. Deus, ciumento e vingador, cheio de furor para o inimigo cl\u00e1ssico de Israel, \u00e9, ao mesmo tempo, bom e acolhedor para os perseguidos. Esta maneira de ver, eivada de nacionalismo, est\u00e1 longe do Evangelho e at\u00e9 do universalismo do II Isa\u00edas. Afirma, no entanto, uma certeza vincada e profunda: Deus acompanha os acontecimentos da Hist\u00f3ria, nada Lhe \u00e9 alheio. As grandes pot\u00eancias sucedem-se e batem-se na \u00e2nsia de dominar o mundo e os humanos. N\u00e3o s\u00e3o eternas. E a \u00faltima palavra pertence a Deus{C}.{/}

