{2}AGEU{/}
{C}REESTRUTURAR O POVO DE DEUS{/}

Findo o cativeiro na Babil\u00f3nia, gra\u00e7as ao \u00e9dito de Ciro, do ano 538 a.C., adivinha-se a alegria do grupo de israelitas regressado \u00e0 Palestina sob a chefia de Zorobabel (cf. [Esd_1,1] [Esd_2,1]). Mas o del\u00edrio do retorno cedo empalidece no confronto com o dia a dia banal e dif\u00edcil. Das casas deixadas, parte era um amontoado de ru\u00ednas, parte estava ocupada por estranhos. O entusiasmo inicial deu para restabelecer parcialmente o culto (cf. [Esd_3,1]); n\u00e3o deu, por\u00e9m, para reconstruir o Templo nem para levantar as muralhas da cidade. Os recursos financeiros escasseavam e os conflitos internos, deflagrados na corte persa com a morte de Cambises em 522, deram largas \u00e0s intrigas paralisantes dos samaritanos, adiando projectos em Jerusal\u00e9m.
Essa meia frustra\u00e7\u00e3o chegara j\u00e1 ao ano 520, quando o profeta Ageu entra em cena, com uma miss\u00e3o precisa: reunir os compatriotas \u00e0 volta da causa comum que era a reconstru\u00e7\u00e3o do Templo. As quatro exorta\u00e7\u00f5es, que perfazem o seu livrinho, est\u00e3o datadas de Agosto a Dezembro de 520 a.C., Outono em que o governador Zorobabel e o sacerdote Josu\u00e9 encetaram as obras. Se o Templo for reerguido, tudo correr\u00e1 melhor, pois Deus habitar\u00e1 de novo no meio do seu povo e espalhar\u00e1 a abund\u00e2ncia das suas b\u00ean\u00e7\u00e3os.
A mensagem, pouco depois retomada por Zacarias, d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 profecia do p\u00f3s-ex\u00edlio cuja palavra chave \u00e9 {N}restaura\u00e7\u00e3o{/}, em contraste evidente com os pronunciamentos anteriores e contempor\u00e2neos do ex\u00edlio, centrados nos termos {N}castigo {/}e {N}consola\u00e7\u00e3o, {/}respectivamente. Est\u00e1 em embri\u00e3o a nova comunidade da Palestina; vai nascer o Juda\u00edsmo.
O Templo vir\u00e1 a ocupar um lugar insubstitu\u00edvel no novo arranjo institucional. Atingir\u00e1 dimens\u00f5es magn\u00edficas na \u00e9poca de Herodes. Albergar\u00e1 muita sinceridade e tamb\u00e9m algum aproveitamento de \u00edndole humana, denunciado pelo pr\u00f3prio Jesus (cf. [Mc_11,11] [Mc_11,15] a [Mc_11,17]). Em contexto diferente, o mesmo Jesus anunciou a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo seu pr\u00f3prio corpo [Jo_2,21]. Esse, sim, haveria de ser o lugar de encontro com Deus, o s\u00edmbolo da unidade do povo.
