{2}CARTA DE S\u00c3O JUDAS{/}
{C}N\u00c3O DESANIMAR NA F\u00c9{/}

Esta pequena carta atribu\u00edda a S. Judas, irm\u00e3o de S. Tiago e parente de Jesus, provavelmente foi escrita no fim do s\u00e9c. I. Seja quem for o autor, ele conhece bem a literatura judaica do seu tempo, os textos chamados ap\u00f3crifos, que ele cita, e dos quais est\u00e1 muito pr\u00f3ximo pelo estilo.
\u00c9 um discurso violento mas, ao mesmo tempo, estranho e surpreendente; muitos pormenores nele acenados s\u00e3o-nos totalmente desconhecidos. Entretanto, o cerne da sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante claro: a necessidade de defender o essencial da f\u00e9 com unhas e dentes e de denunciar com coragem as aberra\u00e7\u00f5es de um misticismo imoral. Parece que o autor ataca alguns grupos que pretendiam possuir uma forma particular de conhecimento e provocavam a desuni\u00e3o da comunidade, at\u00e9 mesmo nas reuni\u00f5es. A essas pessoas que se consideravam \u00abespirituais ent\u00e3o e que chegavam a negar que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor, o autor acusa-os de estarem dominados pelos seus interesses e instintos e n\u00e3o pelo Esp\u00edrito.
Esta violenta interven\u00e7\u00e3o deve ter tido certo \u00eaxito, pois \u00e9 retomada na segunda carta de Pedro, embora com alguns retoques. N\u00e3o devemos admirar-nos com a sua viol\u00eancia, que chega a usar formas injuriosas. Trata-se, frequentemente, de f\u00f3rmulas fixas na literatura religiosa da \u00e9poca. Mais digna de nota \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o profunda da carta: n\u00e3o permitir que o mist\u00e9rio crist\u00e3o enfraque\u00e7a.
Nesta acusa\u00e7\u00e3o contra os que pervertem a f\u00e9 em Cristo e a f\u00e9 crist\u00e3, o autor cita os \u00edmpios mais famosos da B\u00edblia: o povo revoltado no deserto [Nm_14,26] - [Nm_14,35], os misteriosos seres celestes de [Gn_6,1] [Gn_6,3], Sodoma e Gomorra [Gn_19,1] a [Gn_19,29], Caim [Gn_4,1] a [Gn_4,24], Cor\u00e9 [Nm_16,1] - [Nm_16,35].
