{N}GEOGRAFIA{/}

{C}\u00abDeus escolheu o que \u00e9 fraqueza no mundo,
para confundir o que \u00e9 forte\u00bb{/} [1Cor_1,27].
Estas palavras de Paulo na sua primeira Carta aos Cor\u00edntios reflectem 
perfeitamente a situa\u00e7\u00e3o da Palestina no conjunto da geografia humana. 
Aquela terra, pequena e pobre, que nada parecia predestinar para jogar um 
papel importante na Hist\u00f3ria, foi escolhida por Deus no mist\u00e9rio da sua 
sabedoria para celebrar a sua alian\u00e7a com o homem: aqui \u00aba Palavra fez-se 
Homem e habitou entre n\u00f3s\u00bb [Jo_1,14].
Fechada entre o Mediterr\u00e2neo a oeste e a plan\u00edcie do Jord\u00e3o a leste, a 
Terra Santa \u00e9 formada por tr\u00eas zonas paralelas que se estendem de norte 
para sul.
1. A oeste uma plan\u00edcie costeira, orlada por um cord\u00e3o ininterrupto de 
dunas de areia e cortada pelo espor\u00e3o do Carmelo, recebe sucessivamente 
os nomes de plan\u00edcie de Zabul\u00e3o, plan\u00edcie de Saron e Sefel\u00e1.
2. V\u00eam depois as diversas montanhas que constituem a cadeia central do 
pa\u00eds, tamb\u00e9m ela cortada pela plan\u00edcie transversal de Yizreel: a norte, 
os montes da Alta Galileia, dos quais se desprendem mais a sul os cumes 
isolados do Tabor e de Mor\u00e9; no centro do pa\u00eds, os montes da Samaria e da 
Judeia prolongam essa cadeia que se afunda progressivamente a sul de 
Hebron, para reaparecer, mais longe, no Negueb.
3. Essa linha de cumes domina, na borda oriental, a depress\u00e3o de Ghor, 
que se inscreve no quadro mais geral da grande falha que desde o norte da 
S\u00edria se estende at\u00e9 aos grandes lagos africanos. No fundo desta 
depress\u00e3o, o Jord\u00e3o, que nasce no sop\u00e9 do Hermon, a norte do pa\u00eds, desce 
at\u00e9 ao Mar Morto depois de haver alimentado com as suas \u00e1guas o lago de 
Tiber\u00edades.
Mesmo no extremo norte do pa\u00eds, M\u00e9tula est\u00e1 na latitude 33\u00ba17' norte.
A sul, Taba, a 8 km. de Elat, marca a fronteira a 29\u00ba30' de norte.
Jerusal\u00e9m est\u00e1 a 35\u00ba13 de longitude este e a 31\u00ba46' de latitude norte: a 
diferen\u00e7a hor\u00e1ria com Greenwich \u00e9 aqui de duas horas e vinte minutos.
{K}- A PLAN\u00cdCIE COSTEIRA{/}

Formada por aluvi\u00f5es arrancados pelas chuvas de Inverno aos relevos 
calc\u00e1rios da cadeia central, a plan\u00edcie costeira aparece hoje como uma 
zona pr\u00f3spera de cultivo. Mas este aspecto moderno corre perigo de nos 
fazer esquecer que durante mil\u00e9nios, e em particular durante o per\u00edodo 
b\u00edblico, uma grande parte desta plan\u00edcie era insalubre e inadequada para 
a agricultura. De facto, ao longo da costa, o cord\u00e3o de dunas impediu o 
fluxo das \u00e1guas que descem da cordilheira central em direc\u00e7\u00e3o ao mar, e 
os aluvi\u00f5es amontoados sobre um banco de are\u00edsca imperme\u00e1vel (derivada da 
transforma\u00e7\u00e3o de areias anteriores) converteram-se em p\u00e2ntanos.
{K}DRENAGEM DOS P\u00c2NTANOS{/}

Parece que na \u00e9poca romana j\u00e1 se fez um esfor\u00e7o para sanear a plan\u00edcie 
costeira: \u00e9 prov\u00e1vel que ent\u00e3o se tenha aberto atrav\u00e9s do cord\u00e3o litoral 
uma passagem para as \u00e1guas do Nahal Poleg, a norte da actual Telavive. 
Mas foi preciso esperar at\u00e9 ao s\u00e9culo XIX para que os t\u00e9cnicos modernos 
tirassem pleno proveito da plan\u00edcie litoral: ao mesmo tempo que se 
drenava a \u00e1gua da superf\u00edcie em grandes represas para secar os p\u00e2ntanos e 
criar reservas para as culturas em risco, perfurava-se o estrato de 
are\u00edsca a fim de facilitar o fluxo das \u00e1guas em profundidade, favorecendo 
assim a forma\u00e7\u00e3o de estratos fre\u00e1ticos novos.
O saneamento da costa trouxe como consequ\u00eancia directa um desenvolvimento 
espectacular da agricultura, que agora pode aproveitar plenamente o bom 
regime pluvial da regi\u00e3o. De facto, durante o Inverno as chuvas frias 
alternam com chuvas mais suaves, assegurando uma quantidade de \u00e1gua anual 
equivalente a 600 mm.
As planta\u00e7\u00f5es de bananais s\u00e3o particularmente pr\u00f3speras na parte norte da 
plan\u00edcie do Saron dominada pelo maci\u00e7o do Carmelo. Mais a sul, e em toda 
a parte central da plan\u00edcie costeira, campos de algod\u00e3o e de milho, 
cultiva\u00e7\u00f5es hort\u00edcolas de todo o g\u00e9nero estendem-se at\u00e9 perder de vista, 
enquanto os citrinos, em especial as laranjeiras, cujos frutos s\u00e3o 
exportados para o mundo inteiro, alinham-se em fileiras regulares sobre 
as antigas dunas de areia avermelhada. Mais a sul, quando se entra na 
Sefel\u00e1, o \u00abPa\u00eds Baixo\u00bb da Palestina, o territ\u00f3rio dos antigos filisteus 
(que deixaram o seu nome por deforma\u00e7\u00e3o, {N}Palestina,{/} ao conjunto do 
Pa\u00eds), encontram-se nas colinas baixas os olivais e as vinhas, 
cultiva\u00e7\u00f5es familiares \u00e0s paisagens mediterr\u00e2nicas.  
{K}A URBANIZA\u00c7\u00c3O DA COSTA{/}

Esta r\u00e1pida cultiva\u00e7\u00e3o provocou um desenvolvimento consider\u00e1vel do 
habitar e um crescimento econ\u00f3mico que se manifesta tanto no plano 
industrial como no sector terci\u00e1rio. As tr\u00eas cidades: Haifa, Telavive e 
Ashdod albergam actualmente, com os seus extensos arredores, mais de 
metade da popula\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.
A ind\u00fastria pesada e as refinarias encontram-se na zona industrial de 
Haifa, a qual ocupa a zona sul da plan\u00edcie de Zabul\u00e3o. A lapida\u00e7\u00e3o de 
diamantes, na qual o pa\u00eds ocupa o primeiro lugar a n\u00edvel mundial, as 
f\u00e1bricas agro-alimentares, as ind\u00fastrias qu\u00edmicas, as mais diversas 
manufacturas asseguram, com a implanta\u00e7\u00e3o das sedes sociais dos Bancos e 
das Sociedades nacionais e estrangeiras, a prosperidade da zona 
habitacional de Telavive.
O espor\u00e3o rochoso do litoral, formado principalmente por estratos de 
are\u00edsca emergidos, tinha permitido desde a antiguidade a implanta\u00e7\u00e3o de 
portos med\u00edocres. Tantura (ou Dor), a Torre de Estraton, que veio a ser 
Cesareia nos tempos de Herodes o Grande, Arsuf e Jope (a actual Jafa) s\u00e3o 
os mais conhecidos. A ponta formada pela costa a uma vintena de 
quil\u00f3metros ao norte do Carmelo protegia a marina de Aco, chamada mais 
tarde Ptolemaida e depois S\u00e3o Jo\u00e3o de Acre, mas teve de esperar at\u00e9 
finais do s\u00e9culo XIX para que nascesse e crescesse o porto de Haifa. De 
alguns anos para c\u00e1, o porto de Ashdod, a sul, imp\u00f5e-se pela import\u00e2ncia 
das mercadorias exportadas; com efeito, chegam ali os produtos minerais 
extra\u00eddos da regi\u00e3o do Mar Morto e tratados em grandes instala\u00e7\u00f5es 
qu\u00edmicas do Negueb.
{K}- A CADEIA CENTRAL{/}

A leste da plan\u00edcie costeira eleva-se a cordilheira central da Palestina. 
\u00c9 o prolongamento para sul da cadeia do L\u00edbano, que atinge os 3000 metros 
no cume de Tr\u00edpoli, descendo depois, com altitudes e caracter\u00edsticas 
muito diferentes, desde a Alta Galileia ao Negueb.
{K}A ALTA GALILEIA{/}

No norte do Pa\u00eds, na Alta Galileia, o maci\u00e7o \u00e9 elevado; a altitude m\u00e9dia 
\u00e9 de 800 m., mas os cumes ultrapassam facilmente os 1000 metros; o mais 
importante \u00e9 o monte Meron (1208 m.). Um contraforte sobe para oeste at\u00e9 
alcan\u00e7ar o Mediterr\u00e2neo; na vertente oriental, o despenhadeiro domina de 
500 a 700 metros o planalto do Jord\u00e3o, ao qual se une por declives 
acentuados. A floresta primitiva, solidamente enraizada num calc\u00e1rio 
duro, resistiu bastante bem ao corte an\u00e1rquico que, durante s\u00e9culos, 
fustigou esta regi\u00e3o. Na antiguidade, e at\u00e9 bem recentemente, esta 
plan\u00edcie da Alta Galileia foi pouco habitada. Entre as cidades que se 
situam sobre os patamares deste maci\u00e7o da Alta Galileia, a mais c\u00e9lebre \u00e9 
Safed,  p\u00e1tria dos artistas e lugar destacado da Cabala desde o s\u00e9culo 
XV. 
Uma depress\u00e3o que permite a passagem de Aco para o planalto do Jord\u00e3o 
marca o limite entre a Alta e a Baixa Galileia. Aqui o maci\u00e7o \u00e9 menos 
homog\u00e9neo: falhas transversais cortam as linhas de colinas que pouco 
ultrapassam os 500 m. No meio do planalto encontram-se alguns montes 
ins\u00f3litos e solit\u00e1rios, como o monte Turan, que divide ao meio a rica 
plan\u00edcie de Bet-Netofa, e o monte Tabor, com os seus 588 metros de 
altitude no rebordo norte da plan\u00edcie de Yizreel, que divide em duas. H\u00e1 
que acrescentar, embora seja diferente, o maci\u00e7o do Carmelo: no flanco 
oriental, as ramifica\u00e7\u00f5es descem, numerosas e paralelas, at\u00e9 \u00e0 plan\u00edcie 
costeira, acabando ami\u00fade em ravinas. Pelo contr\u00e1rio, a vertente oriental 
domina, numa linha de cumes arredondados mas com declives pronunciados, o 
rio Quison.
Nas colinas, a amendoeira convive com a oliveira e \u00e1rvores de fruta, ao 
passo que nas plan\u00edcies o algod\u00e3o desenvolve-se ao lado dos cereais e das 
culturas hort\u00edcolas tradicionais. As cidades mais importantes continuam a 
ser Nazar\u00e9, l\u00e1 no alto, e Afula, na plan\u00edcie, mas a regi\u00e3o \u00e9 
suficientemente rica para acolher povoados numerosos e populosos.
{K}UMA ZONA BAS\u00c1LTICA{/}

Os calc\u00e1rios que formam os relevos da Baixa Galileia est\u00e3o cobertos, nas 
proximidades do lago, por um espesso estrato de basaltos procedentes de 
diversos movimentos tect\u00f3nicos, os quais, j\u00e1 na era Quatern\u00e1ria, 
sacudiram a regi\u00e3o; o mais importante e recente \u00e9 a erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica de 
Jebel Druze, cujas lavas se estenderam numa \u00e1rea de 100 km. de raio, 
rebaixando amplamente, a oeste, a falha do Jord\u00e3o. A decomposi\u00e7\u00e3o dos 
calc\u00e1rios pela eros\u00e3o deu origem a uma terra parda que se acumulou na 
plan\u00edcie. Nas mesetas bas\u00e1lticas, um fen\u00f3meno de eros\u00e3o e de decomposi\u00e7\u00e3o 
parecido deu origem a uma cor parda mais escura, mas tamb\u00e9m muito f\u00e9rtil.
{K}A REGI\u00c3O CENTRAL{/}

Um conjunto de colinas pouco elevadas d\u00e1 continuidade ao relevo entre o 
Carmelo e os montes da Samaria; mas aqui a altitude distingue-se 
claramente, e, dos dois montes c\u00e9lebres que marcam a passagem onde est\u00e1 
assente a cidade actual de Naplus, o Ebal e o Garizim, o primeiro eleva-
se a 930 m. e o segundo a 880 m. A leste, o conjunto do maci\u00e7o mant\u00e9m-se 
elevado por cima de Ghor, mas recortes profundos e numerosos permitem-lhe 
voltar a unir-se, ao passo que a oeste passagens relativamente c\u00f3modas 
d\u00e3o acesso \u00e0 plan\u00edcie costeira. As colinas despidas, onde o calc\u00e1rio 
cinzento se estende em grandes estratos, alternam com as zonas altas 
cobertas de hortas cuidadosamente plantadas em terra\u00e7os mantidos \u00e0 custa 
de trabalho incans\u00e1vel. Como na Galileia, as pequenas plan\u00edcies do 
interior aproveitam as terras de decomposi\u00e7\u00e3o dos calc\u00e1rios arrastados 
pelas chuvas para o sop\u00e9 das colinas.
Mais a sul, a cadeia central toma o nome de montes de Efraim. As pequenas 
plan\u00edcies interiores d\u00e3o lugar a vales mais estreitos que se unem por 
desfiladeiros pouco elevados, determinando assim um caminho natural 
norte-sul utilizado durante mil\u00e9nios. A altitude m\u00e9dia desta passagem 
anda \u00e0 volta de 600 m, mas dominam-na montes mais elevados; o mais alto 
ultrapassa os 1000 metros.
O planalto de Benjamim prolonga sem interrup\u00e7\u00f5es a montanha de Efraim 
para sul: uma linha de colinas, a mais meridional das quais \u00e9 o Monte das 
Oliveiras (818 m.), forma o seu bordo oriental, dominando os declives do 
deserto de Jud\u00e1: estamos ao n\u00edvel de Jerusal\u00e9m.
{K}NAS PROXIMIDADES DO NEGUEB{/}

O bosque que cobre as colinas atrav\u00e9s das quais se abre uma passagem 
natural para a plan\u00edcie costeira prolonga-se a sul pela vertente oeste da 
cadeia central, a qual toma o nome de montes da Judeia. Por cima do 
planalto, que se eleva at\u00e9 1000 m. junto a Hebron, a terra de origem 
calc\u00e1ria est\u00e1 bem trabalhada: vinhas e olivais, figueiras e \u00e1rvores de 
fruto comp\u00f5em, a partir da Primavera, uma paisagem agrad\u00e1vel, onde os 
diferentes tons de verdes da folhagem se harmonizam com a brancura 
luminosa dos estratos de calc\u00e1rio e o pardo-avermelhado da terra. 
Bruscamente, a sul de Hebron, a cadeia central afunda-se e remata 
provisoriamente num ros\u00e1rio de colinas cada vez mais baixas, que 
desaparecem por alturas de Bersabeia. Mas volta a reaparecer bem 
depressa, com um comprimento de uma centena de quil\u00f3metros, no Negueb; a 
sua altitude a princ\u00edpio aproxima-se dos 600 m, mas a sul ultrapassa uma 
vez mais os 1000 m. As estruturas mais importantes desta linha de relevos 
s\u00e3o os Makhteshim: o Makhtesh H\u00e1-Gadol, o Makhtesh Ha-Qatan e o Makhtesh 
Ramon. Estes amplos c\u00edrculos oblongos, de 10 a 35 km. de comprimento, 
derivam das pregas da depress\u00e3o jord\u00e2nica: ao estender-se, os estratos 
superiores dos cumes assim formados tornaram-se presa f\u00e1cil da eros\u00e3o, 
que as escavou at\u00e9 ao ponto de fazer reaparecer no fundo desses c\u00edrculos 
as rochas primitivas e deixar ao seu redor leitos de estratos de pedras 
erguidas e abruptas.

{K}- A DEPRESS\u00c3O ORIENTAL{/}

A leste da cadeia central, que se estende de norte para sul do pa\u00eds, 
encontra-se a depress\u00e3o jord\u00e2nica, prolongada pelo Mar Morto e pela 
depress\u00e3o do Arab\u00e1. Esta linha de fractura da crosta terrestre n\u00e3o \u00e9 
sen\u00e3o um anel da falha profunda que come\u00e7a na S\u00edria, continua por Bec\u00e1 no 
L\u00edbano e, depois de atravessar toda a Palestina, prolonga-se pelo golfo 
de Ellat e o Mar Vermelho antes de morrer nos grandes lagos da \u00c1frica 
oriental.
{K}O ALTO JORD\u00c3O{/}

A norte, o fundo da depress\u00e3o est\u00e1 ainda a algumas centenas de metros de 
altitude. \u00c9 da\u00ed que as nascentes do Jord\u00e3o, em particular as de Banias e 
D\u00e3, misturam a pouco e pouco as suas \u00e1guas com uma nascente situada mais 
acima, no outro lado da fronteira libanesa, para formar o rio.
Esta regi\u00e3o estava noutro tempo marcada pela presen\u00e7a de um lago, o lago 
de Hul\u00e9, rodeado de p\u00e2ntanos. Estes aparecem nos atlas antigos, mas \u00e9 
in\u00fatil procur\u00e1-los nos mapas modernos, porque ali, como noutras partes do 
pa\u00eds, obras importantes transformaram p\u00e2ntanos insalubres e in\u00f3spitos 
numa magn\u00edfica zona de cultivo. Hoje, numerosos \u00abkibutzim\u00bb e \u00abmoshavim\u00bb, 
tal como a cidade de Quiriat Shemon\u00e9, testemunham a profunda 
transforma\u00e7\u00e3o do alto vale do Jord\u00e3o.
Mais al\u00e9m a depress\u00e3o, coberta de um espesso estrato de basaltos, inclina 
o seu declive para sul. Entre o antigo lago de Hul\u00e9 e as margens do lago 
de Tiber\u00edades, o desn\u00edvel atinge uns 400 m. As terras aqui s\u00e3o f\u00e9rteis, 
mas precisam, para serem cultivadas, de serem limpas continuamente das 
pedras de origem vulc\u00e2nica, porque os campos est\u00e3o cheios delas.
{K}O LAGO DE TIBER\u00cdADES{/}

Com o lago de Tiber\u00edades, o fundo da depress\u00e3o abre-se ainda mais: forma 
uma cova que as \u00e1guas do alto Jord\u00e3o enchem, juntamente com algumas 
nascentes espalhadas ao longo das margens; o curso inferior do rio 
transporta o que resta at\u00e9 ao Mar Morto, constituindo-se assim no 
vazadouro do lago.
Enquanto os pequenos vales do noroeste, o de Magdala e o de Ginosar, 
est\u00e3o bem explorados, o vale do nordeste (chamado de Betsaida) est\u00e1 ainda 
em prepara\u00e7\u00e3o. As duas margens, ocidental e oriental, fechadas entre o 
lago e as vertentes mais pr\u00f3ximas, v\u00eaem multiplicar-se os bananais e as 
diversas culturas que confinam com as represas onde se pratica a 
piscicultura. 
Se as \u00e1guas sulfurosas das nascentes quentes de Hammt-Tiberias fazem 
renascer termas esquecidas desde h\u00e1 s\u00e9culos, o lago atrai cada vez mais 
os turistas nacionais e estrangeiros, o quais enriquecem os hot\u00e9is e os 
parques de  campismo, cujo n\u00famero n\u00e3o cessa de aumentar ao redor do 
Tiber\u00edades.
{K}O BAIXO JORD\u00c3O{/}

A partir daqui, o corredor recupera o declive para sul. A sua largura \u00e9 
bastante regular, uns dez quil\u00f3metros, mais ou menos. As terras de 
aluvi\u00e3o e a presen\u00e7a de numerosos \u00abtells\u00bb faz crer na presen\u00e7a de um 
assentamento muito antigo; mas as recentes escava\u00e7\u00f5es feitas no lugar 
pr\u00e9-hist\u00f3rico de Oubeidiyeh obrigam-nos a procurar a presen\u00e7a do homem 
aqui, n\u00e3o s\u00f3 nos tempos hist\u00f3ricos, mas nos albores da aventura humana, 
h\u00e1 uns 850.000 anos!
Quando a meseta de basalto, dominada pelas ru\u00ednas do castelo medieval de 
Belavista, se prolonga para leste numa trintena de quil\u00f3metros, desemboca 
no Yarmuk, o qual se une ao Jord\u00e3o depois de um longo percurso na 
pofundidade de um vale estreito e bel\u00edssimo.
De vez em quando, a depress\u00e3o alarga-se provisoriamente para acolher um 
afluente do Jord\u00e3o, cujos aluvi\u00f5es fertilizaram o estu\u00e1rio: em 
particular, ao n\u00edvel de Beth-Shean e um pouco mais abaixo, na foz do wadi 
Farah. \u00c0 medida que nos aproximamos do Mar Morto, vemos que a falta de 
chuva ocasiona a secagem das margens: depois do wadi Farah a paisagem 
torna-se des\u00e9rtica. O frondoso o\u00e1sis de Jeric\u00f3, com as suas cultiva\u00e7\u00f5es, 
os seus palmares, as suas suma\u00famas e as suas inolvid\u00e1veis buganv\u00edlias \u00e9 
uma excep\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, mas n\u00e3o deve a sua prosperidade s\u00f3 \u00e0s generosas 
fontes que derramam as suas \u00e1guas frescas e saud\u00e1veis nos jardins.
{K}O MAR MORTO{/}

A alguns quil\u00f3metros de Jeric\u00f3, a plan\u00edcie barrenta e salina choca contra 
as paredes rochosas do deserto de Jud\u00e1, a oeste, e da meseta 
transjord\u00e2nica a leste; porque o Mar Morto ocupa daqui em diante, com a 
massa das suas \u00e1guas salobras, a quase totalidade da depress\u00e3o que se 
abre aqui um pouco inferior a 800 m., ao passo que a superf\u00edcie das \u00e1guas 
est\u00e1 a menos de 400 m. De vez em quando, uma nascente traz, como em Ain 
Feskha ou Engadi, as suas \u00e1guas doces para fertilizar e cultivar uma 
modesta plan\u00edcie costeira, mas em todas as demais partes a paisagem \u00e9 de 
uma formid\u00e1vel grandeza, abrasada por um sol implac\u00e1vel cujo calor se 
acumula nas paredes rochosas como que para as fazer brilhar melhor. Pelas 
falhas profundas e desgarradas, que ocupam de oeste para leste a 
plan\u00edcie, torrentes improvisas derramam algumas vezes ao ano no Mar Morto 
\u00e1guas torrenciais que se acumularam mais acima nos solos demasiado 
ressecados para poder absorv\u00ea-las
Com a pen\u00ednsula de Lisan, ao n\u00edvel da antiga fortaleza de Masada, o fundo 
do Mar Morto levanta-se bruscamente e a depress\u00e3o do sul n\u00e3o tem mais que 
alguns metros de profundidade. \u00c9 daqui que se extraem os abundantes e 
variados produtos minerais que justificam as instala\u00e7\u00f5es industriais da 
regi\u00e3o.
Entra-se ent\u00e3o no Arab\u00e1, um longo vale des\u00e9rtico entre o Negueb e os 
montes de Edom pelo qual se chega, depois de um percurso de uns 200 km., 
ao golfo de Eilat.

{K}- O CLIMA{/}

Com as particularidades que o relevo explica, a Palestina goza de um 
clima subtropical. Diversamente das nossas terras ocidentais, aqui s\u00f3 h\u00e1 
duas esta\u00e7\u00f5es: o Ver\u00e3o, de Maio a Outubro; e o Inverno, de Novembro a 
Abril.  Apenas durante o Inverno caem as chuvas, mais ou menos abundantes 
segundo as regi\u00f5es. Tanto o fim do Ver\u00e3o como do Inverno s\u00e3o marcados por 
ventos quentes procedentes do deserto, os quais afectam mais 
particularmente a zona leste e sul do pa\u00eds.
O clima da plan\u00edcie costeira \u00e9 mediterr\u00e2nico: quente e h\u00famido no Ver\u00e3o, e 
temperado no Inverno. A presen\u00e7a do Mediterr\u00e2neo atenua as varia\u00e7\u00f5es de 
temperatura entre o dia e a noite. A pluviometria ultrapassa os 500 mm. 
por ano no norte e centro, sendo inferior no sul. Quanto a temperaturas, 
n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m de 28\u00ba no Ver\u00e3o e s\u00f3 descem abaixo de 11\u00ba no Inverno.
A cadeia central tem um clima relativamente mais agreste: a temperatura 
aqui \u00e9 inferior em 7\u00ba relativamente \u00e0 costa, e os cumes aparecem cobertos 
de neve no Inverno. Ao contr\u00e1rio, no Ver\u00e3o a temperatura sobe facilmente 
aos 30\u00ba, mas as noites s\u00e3o frescas. Os aguaceiros s\u00e3o abundantes e as 
precipita\u00e7\u00f5es oscilam entre 700 e 900 mm ao ano. A vertente ocidental \u00e9 
mais beneficiada com as chuvas que procedem do mar do que a vertente 
oriental.
A depress\u00e3o oriental \u00e9 a regi\u00e3o mais quente da Palestina, com 
temperaturas que podem ultrapassar os 40\u00ba no Ver\u00e3o, junto ao Mar Morto. 
As chuvas s\u00e3o escassas, mas violentas com frequ\u00eancia, e os \u00abuedis\u00bb 
transportam ent\u00e3o impressionantes caudais de \u00e1gua que cortam as 
comunica\u00e7\u00f5es durante algumas horas.
O Negueb possui um clima seco em todas as esta\u00e7\u00f5es, pois as chuvas s\u00e3o 
muito raras; \u00e9 o regime da estepe. O Inverno n\u00e3o \u00e9 frio, mas no Ver\u00e3o as 
temperaturas podem atingir, na depress\u00e3o oriental, os 40\u00ba.

{N}GEOLOGIA{/}

{K}UM OLHAR SOBRE A FORMA\u00c7\u00c3O DA PALESTINA{/}

No final da era Secund\u00e1ria, durante os \u00faltimos per\u00edodos do Cret\u00e1ceo, h\u00e1 
mais de cem milh\u00f5es de anos, o mar de T\u00e9tis cobria ainda a quase 
totalidade da Palestina; ent\u00e3o, segundo o ciclo habitual da {C}litog\u00e9nese{/} 
(forma\u00e7\u00e3o das rochas), os sedimentos arrancados, em especial pela eros\u00e3o, 
aos relevos j\u00e1 emergidos das regi\u00f5es vizinhas, depositam-se no fundo do 
mar e formam, sob a ac\u00e7\u00e3o combinada dos elementos qu\u00edmicos mantidos em 
dissolu\u00e7\u00e3o na \u00e1gua e das press\u00f5es exercidas pelos novos estratos de 
sedimentos, os diferentes calc\u00e1rios que formar\u00e3o mais tarde o essencial 
da cadeia central: cenomanense, turonense (que por vez se tornaram 
dolom\u00edticos devido ao seu forte conte\u00fado de carbono de magn\u00e9sio) e 
santonense, misturados com argila mole.
Durante a era Terci\u00e1ria (come\u00e7ada h\u00e1 uns 70 milh\u00f5es de anos), a retirada 
progressiva do mar p\u00f5e a descoberto os relevos submersos at\u00e9 ent\u00e3o e, 
durante o Plioceno, que marca o fim da era Terci\u00e1ria (come\u00e7ado h\u00e1 11 
milh\u00f5es de anos), o litoral situa-se na base das colinas que hoje 
confinam, a leste, com a plan\u00edcie costeira: \u00e9 ent\u00e3o que come\u00e7a a formar-
se a pouco e pouco, pela ac\u00e7\u00e3o combinada das areias arrastadas pelo Nilo 
e os sedimentos arrancados aos relevos definitivamente emersos.
No fim do Plioceno e durante o Pleistoceno (come\u00e7ado h\u00e1 1 milh\u00e3o de 
anos), a g\u00e9nese da grande depress\u00e3o origina, de maneira ocasional, 
transforma\u00e7\u00f5es nos relevos, e o tra\u00e7ado actual da plan\u00edcie costeira s\u00f3 se 
fixar\u00e1 nos \u00faltimos mil\u00e9nios antes da nossa era.
{K}UM OLHAR SOBRE A FORMA\u00c7\u00c3O DA DEPRESS\u00c3O JORD\u00c2NICA{/}

Segundo a \u00abteoria das placas\u00bb terminada por volta de 1960 pelos 
geof\u00edsicos, o estrato superior da crosta terrestre \u00e9 constitu\u00eddo por 
placas m\u00f3veis sobre uma crosta viscosa. Para o fen\u00f3meno que aqui nos 
interessa, temos que tomar em considera\u00e7\u00e3o tr\u00eas dessas placas: a placa 
euroasi\u00e1tica (que cobre a totalidade da Europa e da \u00c1sia, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o da 
\u00cdndia); a placa africana (que se estende amplamente tanto para leste como 
para oeste do actual continente; e a placa ar\u00e1bica (muito mais pequena e 
encaixadas entre as outras duas). O deslocamento paralelo, mas em sentido 
inverso, destas \u00faltimas (a placa africana desliza para sul, ao passo que 
a ar\u00e1bica sobe para norte) ocasionou aquilo que se chama uma \u00abfalha 
transformante\u00bb. O fen\u00f3meno come\u00e7ou h\u00e1 uns 3 milh\u00f5es de anos.
Trezentos mil anos antes, um importante deslizamento de basalto tinha 
preenchido um vale anterior; mas quando o trabalho da crosta terrestre 
fez aparecer a actual depress\u00e3o jord\u00e2nica, sucederam-se v\u00e1rios lagos de 
\u00e1gua doce, que depositaram estratos de marga de uma espessura superior a 
50 metros. A extens\u00e3o e a regress\u00e3o desses lagos estavam ligadas \u00e0s 
altern\u00e2ncias de per\u00edodos h\u00famidos e per\u00edodos mais secos, correspondendo 
aproximadamente aos per\u00edodos glaciares e interglaciares conhecidos na 
Europa durante a era Quatern\u00e1ria, embora n\u00e3o se tenha podido ainda 
estabelecer seriamente nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre os dois fen\u00f3menos.
H\u00e1 uns 600.000 anos, novos deslizamentos de lava que atingiram 10 metros 
de espessura estenderam-se por toda a depress\u00e3o, cobrindo as margas 
lacustres anteriores.
Um \u00faltimo lago, desta vez salobro, apareceu ainda, ocupando toda a 
depress\u00e3o desde norte do lago de Tiber\u00edades at\u00e9 ao sul do Mar Morto. Isto 
h\u00e1 uns 60.000 anos. Mas o clima mais seco que se estabeleceu ent\u00e3o na 
regi\u00e3o durante o Musteriense recente (h\u00e1 cerca de 50.000 anos) causou uma 
regress\u00e3o progressiva do lago, deixando atr\u00e1s de si sedimentos de marga 
g\u00edpseos e salinos com a espessura de 40 m. Enquanto o lago se retirava 
para sul, o Jord\u00e3o alongava o seu curso sobre as margas descobertas. A 
configura\u00e7\u00e3o actual do vale e do Mar Morto, formado pelas \u00e1guas salobras, 
data s\u00f3 de h\u00e1 uns 20.000 anos.

{N}UM OLHAR SOBRE A ARQUEOLOGIA{/}

Todo o peregrino que vem \u00e0 Terra Santa e todo o viajante que percorre o 
vale mediterr\u00e2nico descobre at\u00e9 que ponto as escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas 
enriqueceram o nosso conhecimento do passado. Pouco a pouco cidades 
antigas que n\u00e3o eram mais que um nome num atlas ou num livro de Hist\u00f3ria 
recuperam o seu rosto: aqui encontramo-nos com os alicerces de uma 
muralha ou da porta de uma cidade; um pouco mais al\u00e9m com os fundamentos 
de um templo ou de um pal\u00e1cio; no museu anexo ao lugar, com est\u00e1tuas ou 
vasos de cer\u00e2mica datados ou postos em correla\u00e7\u00e3o com este ou aquele 
acontecimento que marcou a hist\u00f3ria dessa cidade. N\u00e3o s\u00e3o simples 
\u00abpedras\u00bb o que visitamos, mas a hist\u00f3ria de um povo que descobrimos por 
detr\u00e1s e gra\u00e7as a esses vest\u00edgios pacientemente exumados e interpretados 
pelos arque\u00f3logos. Esse trabalho, essa ci\u00eancia interdisciplinar, tem na 
Terra Santa uma Hist\u00f3ria de mais de um s\u00e9culo.
{K}OS PIONEIROS{/}

H\u00e1 150 anos, Edward Robinson e Eli Smith dedicam-se na Palestina \u00e0 busca 
e identifica\u00e7\u00e3o dos lugares b\u00edblicos. As suas pacientes investiga\u00e7\u00f5es e 
as perguntas feitas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es \u00e1rabes que habitavam ent\u00e3o o pa\u00eds, 
permitiram-lhes elaborar listas que nos nossos dias continuam a ter muito 
interesse. A conserva\u00e7\u00e3o dos nomes dos antigos lugares atrav\u00e9s dos 
s\u00e9culos, por vezes milen\u00e1rios, podem parecer surpreendentes \u00e0 primeira 
vista; mas se recordarmos que desde esses tempos t\u00e3o remotos o pa\u00eds foi 
sempre povoado maioritariamente por semitas, o fen\u00f3meno n\u00e3o \u00e9 de todo 
incompreens\u00edvel.
Em 1865 cria-se a \u00abPalestine Exploration Fund\u00bb, e o capit\u00e3o ingl\u00eas 
Charles Warren \u00e9 encarregado por ela de empreender escava\u00e7\u00f5es em 
Jerusal\u00e9m. Se os m\u00e9todos dos jovem oficial nos fazem sorrir hoje, tamb\u00e9m 
certificam a sua vontade e a da Sociedade que lhe encomendou que 
actualizasse os vest\u00edgios ocultos do passado.
{K}FLINDERS PETRIE (1853-1942){/}

Uma dupla intui\u00e7\u00e3o iria fazer de Flinders Petrie, que trabalhou no final 
do s\u00e9culo XIX no \u00abtell\u00bb El-Hesi por conta da Palestine Exploration Fund, 
o pai da arqueologia palestinense. De uma s\u00f3 vez p\u00f4s em evid\u00eancia o 
interesse da abertura de uma \u00abvala estratigr\u00e1fica\u00bb e a import\u00e2ncia da 
olaria como instrumento para a fixa\u00e7\u00e3o da data dos diversos estratos 
arqueol\u00f3gicos encontrados. A sua intui\u00e7\u00e3o foi decisiva para o futuro. 
Sendo um \u00abtell\u00bb (simplificando ao m\u00e1ximo) uma sobreposi\u00e7\u00e3o de cidades, 
cada uma reconstru\u00edda sobre as ru\u00ednas da anterior, poder-se-ia 
legitimamente pensar que, abrindo no flanco de um tell uma vala vertical, 
apareceriam no corte da vala os vest\u00edgios sobrepostos das diversas 
cidades que ali se foram sucedendo.
Quanto \u00e0 ind\u00fastria da olaria, que precederia de uns 2000 anos a primeira 
metalurgia, Flinders Petrie pressentia que ela teria variado segundo as 
\u00e9pocas e as regi\u00f5es, permitindo assim distinguir e datar os diversos 
estratos nos quais tinha sido encontrada. \u00c9 f\u00e1cil compreender que a 
realidade ia ser muito mais complexa: a reconstru\u00e7\u00e3o de uma cidade sobre 
as ru\u00ednas de outra mais antiga teria podido fazer-se depois de um per\u00edodo 
mais ou menos longo; os alicerces de um edif\u00edcio novo podiam estar 
sobrepostos aos elementos arquitect\u00f3nicos mais antigos; a utiliza\u00e7\u00e3o de 
novo, pelos novos construtores, de pedras anteriormente trabalhadas, era 
descoberto frequentemente. No campo da olaria, influ\u00eancias culturais 
estrangeiras poderiam ter influ\u00eddo num artes\u00e3o local e dado origem a 
formas compostas e degeneradas; a actividade comercial, as desloca\u00e7\u00f5es 
das popula\u00e7\u00f5es teriam certamente levado olarias para muito longe do seu 
lugar de origem: cabia, portanto, aos arque\u00f3logos do s\u00e9culo XX verificar 
e precisar as intui\u00e7\u00f5es de Flinders Petrie.
{K}UMA INVESTIGA\u00c7\u00c3O INTERDISCIPLINAR{/}

Hoje, a \u00abcer\u00e2mica\u00bb \u00e9 estudada muito de perto e sob muitos aspectos. A 
forma\u00e7\u00e3o da massa (a sua origem mineral, a sua prepara\u00e7\u00e3o, as t\u00e9cnicas de 
trabalho e de cozedura), a forma e a decora\u00e7\u00e3o do objecto (o perfil, os 
m\u00e9todos de decora\u00e7\u00e3o, os materiais utilizados, o grafismo) s\u00e3o outros 
tantos elementos que permitem ao especialista datar a olaria, determinar 
a sua origem geogr\u00e1fica e, frequentemente, o seu uso.
A arquitectura possui tamb\u00e9m os seus crit\u00e9rios pr\u00f3prios de an\u00e1lise: 
material utilizado, talhe das pedras, disposi\u00e7\u00e3o das pedras, trabalho dos 
elementos decorativos... N\u00e3o podemos igualmente ignorar a epigrafia 
(estudo dos documentos gravados ou escritos) e, para per\u00edodos mais 
recentes, a numism\u00e1tica (estudo das moedas). Aos dados fornecidos pelas 
diversas disciplinas  juntam-se, para determinar a data dos terrenos e 
dos restos humanos, animais ou vegetais, as an\u00e1lises do c\u00e9lebre m\u00e9todo do 
Carbono 14.
{K}O \u00abCARBONO 14\u00bb{/}

Este m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o foi aperfei\u00e7oado pelo qu\u00edmico americano Willard 
Frank Libby em 1947, o qual descobriu o processo de forma\u00e7\u00e3o desse 
is\u00f3topo de carbono na atmosfera. Depois da sua penetra\u00e7\u00e3o no estrato de 
ar que rodeia a Terra, prot\u00f5es de origem gal\u00e1ctica produzem neutr\u00f5es que 
num primeiro momento se fixam nas mol\u00e9culas de oxig\u00e9nio e de azoto do ar 
para contribuir depois para a produ\u00e7\u00e3o do carbono 14; o g\u00e1s carb\u00f3nico 
fixado pelas c\u00e9lulas clorof\u00edlicas dos vegetais superiores cont\u00e9m 
0,0000000012{K} de carbono 14, o qual, embora m\u00ednimo, pode mesmo assim ser 
medido. Com os seus catorze neutr\u00f5es  reunidos em torno dos seus seis 
neutr\u00f5es, distingue-se do Carbono 12, presente maioritariamente na 
atmosfera (98,89{K}), e do Carbono 13, igualmente presente, mas em muito 
menor quantidade (1,108{K}).
Esse carbono \u00e9 radioactivo: enquanto vivos, um ciclo de forma\u00e7\u00e3o e de 
desintegra\u00e7\u00e3o mant\u00e9m nos vegetais clorof\u00edlicos uma radioactividade 
constante; mas quando est\u00e3o mortos, a radioactividade diminui para metade 
cada 5.568 anos. Medindo em laborat\u00f3rio a perda de radioactividade do 
carbono presente nas c\u00e9lulas clorof\u00edlicas dos vegetais, obt\u00e9m-se a data 
em que deixaram de viver. Os animais n\u00e3o t\u00eam a faculdade de assimilar o 
carbono, como os vegetais, mas como os vegetais s\u00e3o a fonte alimentar dos 
herv\u00edboros, o carbono que n\u00e3o p\u00f4de ser assimilado directamente fixa-se 
ent\u00e3o em forma de calc\u00e1rio nos ossos ou nos tecidos, onde pode ser 
analisado.
Na realidade, as coisas s\u00e3o muito mais complexas, mas tendo em conta 
certos par\u00e2metros, hoje melhor conhecidos, consegue-se determinar a data 
relativamente precisa para o resto dos seres vivos que n\u00e3o remontam a 
mais de 40.000 anos.
Uma das grandes figuras da arqueologia palestiniana, logo a seguir \u00e0 
Segunda Guerra Mundial, iria fazer progredir os m\u00e9todos de trabalho: em 
1952, Kathleen Kenion aplicava em Jeric\u00f3 uma t\u00e9cnica de escava\u00e7\u00e3o 
aperfei\u00e7oada oito anos antes por Mortimer Wheeler. Depois de um tra\u00e7ado 
topogr\u00e1fico e uma delimita\u00e7\u00e3o orientada da zona de trabalho, corta-se o 
terreno em quadrados de 4 m. de lado, deixando entre eles uma vala de 1 
m. de largura. Cada quadrado \u00e9 explorado metodicamente, cada vest\u00edgio 
(fragmento de olaria, moeda, elemento de constru\u00e7\u00e3o...) cuidadosamente 
registado. Este m\u00e9todo vem sendo aperfei\u00e7oado com a pr\u00e1tica, mas continua 
a ser, nos nossos dias, a base de orienta\u00e7\u00e3o das escava\u00e7\u00f5es 
arqueol\u00f3gicas.
