{N}GALILEIA{/}

{C}Terra de Zabul\u00e3o, terra de Neftali, caminho do mar, regi\u00e3o do outro lado 
do rio Jord\u00e3o, Galileia dos que n\u00e3o s\u00e3o judeus!
O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os 
que viviam na regi\u00e3o escura da morte.{/}
Situada na parte norte da Palestina b\u00edblica, a Galileia \u00e9 uma terra de 
contrastes, tanto no aspecto geogr\u00e1fico como no humano.
A Alta Galileia alcan\u00e7a a sua altitude m\u00e1xima a 1.208 metros de altura 
com o Monte Meron, e caracteriza-se pelo seu relevo acidentado: a 
presen\u00e7a de escarpas rochosas e despenhadeiros fizeram dela uma regi\u00e3o 
isolada e fechada em si mesma, desprovida de qualquer tipo de vias 
naturais de acesso.
Ao contr\u00e1rio, os vales da Baixa Galileia, como verdadeiros corredores, 
permitiram a passagem de popula\u00e7\u00f5es muito diversas. Na zona central da 
Baixa Galileia, em redor do lago de Tiber\u00edades, assentaram cidades e 
aldeias que agruparam uma popula\u00e7\u00e3o bastante inst\u00e1vel que se renovava 
continuamente: cananeus, israelitas, ass\u00edrios, gregos e romanos 
sucederam-se por m\u00e9rito de uma Hist\u00f3ria assinalada por cont\u00ednuas 
invas\u00f5es. Na origem destes factos, a Galileia converteu-se no s\u00edmbolo da 
universalidade da salva\u00e7\u00e3o, tal como anunciara a profecia de Isa\u00edas 
[Is_8,23] - [Is_9,1] retomada por Mateus.
Na Galileia, Jesus mostra \u00e0s multid\u00f5es os sinais do Reino, atrav\u00e9s de 
ensinamentos e milagres. Depois afasta-Se de l\u00e1 para subir a Jerusal\u00e9m. 
N\u00e3o obstante, ser\u00e1 na Galileia que Jesus Se manifestar\u00e1 aos disc\u00edpulos 
depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, para os enviar a todo o mundo.
{K}UMA HIST\u00d3RIA AGITADA E DOLOROSA{/}

As cidades cananeias foram numerosas na Galileia desde os come\u00e7os do III 
mil\u00e9nio. Meguido, Tanac, Afula, Jasor, Bets\u00e3 e muitas outras mais. Os 
reinos eram tantos, quantas as cidades: cada rei exercia a sua autoridade 
sobre uma cidade e sobre as aldeias e povoados vizinhos. As tribos 
n\u00f3madas, que mais tarde formar\u00e3o o povo de Israel, apascentavam os seus 
rebanhos nas terras que os agricultores cananeus deixavam livres. Pouco a 
pouco estes n\u00f3mades ir-se-\u00e3o urbanizando e impondo nos diversos sectores 
da Palestina.
A realidade hist\u00f3rica desta ocupa\u00e7\u00e3o realizada por etapas e que s\u00f3 
terminou nos tempos da monarquia, \u00e9 apresentada no livro de Josu\u00e9 como 
uma epopeia grandiosa, onde a conquista do pa\u00eds de Cana\u00e3 \u00e9 efectuada 
pelas tribos unidas, com Josu\u00e9 \u00e0 cabe\u00e7a: Josu\u00e9 venceu todos estes reis e 
apoderou-se de todas estas terras de uma s\u00f3 vez, porque Jav\u00e9 combateu em 
favor de Israel [Js_10,42].
Em 735-732 a.C., Acaz, rei de Jud\u00e1, recusa-se a integrar a coaliza\u00e7\u00e3o 
urdida pelos reis de Damasco e da Samaria contra a Ass\u00edria, pelo que se 
v\u00ea obrigado a pedir ajuda a Teglat-Falasar III. O soberano ass\u00edrio 
aproveitar\u00e1 ent\u00e3o a ocasi\u00e3o para alargar o seu territ\u00f3rio. Depois de 
invadir a S\u00edria, invade a Galileia e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o. Um pouco 
mais tarde cair\u00e1 a Samaria (721 a.C). O reino de Israel \u00e9 apagado 
definitivamente do mapa e a regi\u00e3o \u00e9 anexada por N\u00ednive com o nome de 
prov\u00edncia de Meguido.
As ocupa\u00e7\u00f5es estrangeiras suceder-se-\u00e3o umas atr\u00e1s das outras na 
Galileia: ass\u00edrios, caldeus, persas e gregos administrar\u00e3o cada um por 
sua vez esta prov\u00edncia.
Entre 104 e 103 a.C., Arist\u00f3bulo, um dos pr\u00edncipes da dinastia Asmoneia 
(os descendentes dos Macabeus), ornado com os t\u00edtulos de Sumo Sacerdote e 
Rei dos Judeus, empreende a reconquista da Galileia e anexa-a \u00e0 Judeia. 
Samaria havia sido conquistada alguns anos antes por seu pai Jo\u00e3o 
Hircano, no decurso de duas campanhas vitoriosas (108 e 107 a.C.).
\u00c0 morte de Herodes, a tetrarquia da Galileia passa para um de seus 
filhos, Herodes Antipas, que a governa entre 4 e 5 d.C. Mas Antipas \u00e9 
deposto pelo imperador Caio Cal\u00edgula, e a Galileia \u00e9 entregue nas m\u00e3os de 
Herodes Agripa. Sete anos mais tarde, o rei morre subitamente (44 d.C.) 
em Cesareia Mar\u00edtima, enquanto presidia, com grande pompa, aos Jogos 
quinquenais institu\u00eddos pelo seu antepassado Herodes o Grande. O reino \u00e9 
ent\u00e3o reintegrado na subprov\u00edncia da Palestina e fica sob a autoridade 
dos procuradores romanos.
{K}SOBRE TI, GALILEIA, BRILHOU UMA GRANDE LUZ{/}

Este per\u00edodo de ocupa\u00e7\u00e3o constituir\u00e1 o marco hist\u00f3rico do acontecimento 
que deu pleno sentido \u00faltimo a toda a aventura humana. Em Jesus, filho da 
Virgem de Nazar\u00e9, o pr\u00f3prio Deus entra na nossa Hist\u00f3ria para salvar 
todos os homens.
Em Nazar\u00e9 da Galileia, a Palavra fez-Se carne e fixou a sua tenda entre 
n\u00f3s [Jo_1,14]. Maria deu a Jesus n\u00e3o s\u00f3 a sua natureza humana, mas tamb\u00e9m 
com ela \u00abo necess\u00e1rio humano\u00bb para fazer d'Ele um homem completo, 
radicado num povo, numa terra e numa Hist\u00f3ria: Jesus \u00e9 filho de Israel, \u00e9 
galileu e viveu na aldeia de Nazar\u00e9.
{K}JESUS NA GALILEIA{/}

A maior parte do minist\u00e9rio de Jesus desenrola-se na Galileia. Depois de 
trinta anos de vida oculta em Nazar\u00e9, percorrer\u00e1 a Galileia, atravessar\u00e1 
o lago v\u00e1rias vezes, ensinar\u00e1 as multid\u00f5es e multiplicar\u00e1 os milagres. 
Mas tamb\u00e9m surgir\u00e3o obst\u00e1culos que O obrigar\u00e3o a abandonar a regi\u00e3o: 
Herodes, inquieto pelos \u00eaxito crescente da prega\u00e7\u00e3o de Jesus, decide p\u00f4r-
lhe fim; al\u00e9m disso, os chefes do povo, os escribas e os fariseus 
dificultam-Lhe cada vez mais a actividade apost\u00f3lica, ao ponto de 
declararem abertamente que Jesus expulsa os dem\u00f3nios pelo poder de 
Belzebu, o pr\u00edncipe dos dem\u00f3nios.
As pr\u00f3prias multid\u00f5es galileias, t\u00e3o fervorosas em segui-l'O, descobrem 
que se tinham enganado a respeito da sua mensagem; depois da 
multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, Jesus repara que est\u00e3o verdadeiramente dispostas 
a faz\u00ea-l'O seu rei [Jo_6,15].
Os galileus s\u00f3 pensam num messianismo terreno e temporal... Ent\u00e3o Jesus 
deixa a Galileia e retira-Se para o territ\u00f3rio de Filipe, e dali sobe a 
Jerusal\u00e9m para a consuma\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal. Mas ser\u00e1 na Galileia que 
Jesus, j\u00e1 ressuscitado, Se re\u00fane com os disc\u00edpulos para os enviar em 
miss\u00e3o: Ide, pois, e fazei com que todos os povos se tornem meus 
disc\u00edpulos... Eu estarei convosco todos os dias at\u00e9 ao fim do mundo 
Deste modo, sobre esta terra da Galileia encontram-se unidos quer o 
enraizamento carnal de Jesus no tempo e no espa\u00e7o, quer a revela\u00e7\u00e3o da 
dimens\u00e3o universal da sua Pessoa: a sua salva\u00e7\u00e3o chega a todo homem para 
al\u00e9m das fronteiras da  Geografia e da Hist\u00f3ria.

{K}- CESAREIA DE FILIPE{/}

\u00abJesus foi para a regi\u00e3o de Cesareia de Filipe. Quando estava ali, 
perguntou aos seus disc\u00edpulos: "Quem dizem os homens que \u00e9 o Filho do 
Homem?"\u00bb. 
No extremo norte do Pa\u00eds, encontra-se Banias (a antiga Cesareia de 
Filipe). \u00c9 um verdadeiro ref\u00fagio de verde e de frescura, aos p\u00e9s do Monte 
Hermon. Este f\u00e9rtil lugar recebe as \u00e1guas das principais nascentes do 
Jord\u00e3o. O actual nome de Baneias encontra-se associado ao de P\u00e3, o deus 
da natureza para os gregos, cujo culto foi implantado desde que esta 
terra ficou sob o poder de Alexandre Magno.
{K}A ANTIGA CESAREIA DE FILIPE{/}

\u00c0 morte de Herodes o Grande, seu filho Filipe herda as prov\u00edncias 
situadas a leste e a norte do lago de Tiber\u00edades. Filipe engrandeceu e 
embelezou a cidade de Baneias, constru\u00edda ao lado das nascentes do 
Jord\u00e3o. Converteu-a na sua capital e deu-lhe o nome de Cesareia de 
Filipe, em homenagem ao imperador Augusto. Ao vir para este lugar - 
depois do discurso do P\u00e3o da Vida e da deser\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o - Jesus 
subtrai-Se \u00e0 autoridade de Herodes Antipas, o mesmo que havia mandado 
decapitar Jo\u00e3o Baptista. E ali coloca aos disc\u00edpulos a pergunta decisiva: 
\u00abE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u00bb.

{K}- BETS\u00c3 - CIT\u00d3POLIS{/}

A import\u00e2ncia de Bets\u00e3, ao longo de toda a sua hist\u00f3ria, explica-se pela 
sua situa\u00e7\u00e3o excepcional: situada no vale do Jord\u00e3o, marca a extremidade 
oriental da plan\u00edcie de Jezrael, a qual se estende para oeste at\u00e9 \u00e0 
plan\u00edcie costeira pelo passo de Meguido. A sua riqueza agr\u00edcola  valeu-
lhe a fama e a prosperidade.
Nos tempos b\u00edblicos foi uma das cidades cananeias que resistiram ao 
ataque das tribos: nas suas muralhas foram dependurados os cad\u00e1veres do 
rei Saul e de seu filho, ambos ca\u00eddos na batalha de Gelbo\u00e9.
{K}UM LUGAR PRIVILEGIADO{/}

A regi\u00e3o de Bets\u00e3 \u00e9 uma plan\u00edcie de origem aluvial, onde os vales se 
desenham suavemente na paisagem; as numerosas nascentes que descem dos 
montes de Gelbo\u00e9 fizeram desta terra uma zona de cultivo continuamente 
cobi\u00e7ada desde o II mil\u00e9nio a.C. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o que a 
tornava guardi\u00e3 de uma encruzilhada de rotas importantes, que uniam a Via 
Maris com o Jord\u00e3o, e Jeric\u00f3 com Tiber\u00edades, esta cidade conheceu uma 
hist\u00f3ria longa e agitada. 
{K}EM PODER DOS CANANEUS{/}

Uma aldeia do IV mil\u00e9nio a.C. deixou alguns vest\u00edgios no lugar. Depois, 
no III mil\u00e9nio, estabeleceu-se no norte do pa\u00eds a cultura cananeia. As 
escava\u00e7\u00f5es de Bets\u00e3 trouxeram \u00e0 luz numerosos fragmentos de jarros e 
objectos de osso com incrusta\u00e7\u00f5es parecidas com as encontradas em Jeric\u00f3 
e que s\u00e3o da mesma \u00e9poca. Esta rica cultura deve ter acompanhado a 
hist\u00f3ria da cidade at\u00e9 princ\u00edpios da nossa era, com um eclipse no s\u00e9culo 
XVI a.C. Nesta \u00e9poca a cidade deve ter sofrido a passagem incessante dos 
ex\u00e9rcitos vitoriosos da XVIII dinastia eg\u00edpcia, que haviam partido \u00e0 
conquista das ricas cidades s\u00edrias. A partir do s\u00e9culo XIV, os fara\u00f3s 
dedicam-se a manter o dom\u00ednio sobre Cana\u00e3.
Depois da destrui\u00e7\u00e3o das cidades cananeias do vale do Jord\u00e3o, levada a 
cabo por Seti I, o Egipto instala centros administrativos e guarni\u00e7\u00f5es 
nas cidades mais importantes, e explora as riquezas agr\u00edcolas da 
plan\u00edcie.
Em Bets\u00e3 descobriram-se a maior concentra\u00e7\u00e3o de monumentos eg\u00edpcios, fora 
do Egipto.
No s\u00e9culo XIII, com as mudan\u00e7as pol\u00edticas, sociais e econ\u00f3micas que 
afectaram o Pr\u00f3ximo Oriente, novos povos vindos da Gr\u00e9cia e da Anat\u00f3lia, 
conhecidos por \u00abPovos do Mar\u00bb, vieram instalar-se em Cana\u00e3. Mercen\u00e1rios 
filisteus arrolados no ex\u00e9rcito eg\u00edpcio residiram ent\u00e3o na cidade. Os 
filisteus, herdeiros das tradi\u00e7\u00f5es comerciais que fizeram a fortuna da 
Gr\u00e9cia, n\u00e3o se contentaram com as suas posi\u00e7\u00f5es na costa, mas instalaram 
postos comerciais no interior do pa\u00eds.
{K}DE JOSU\u00c9 A SAUL{/}

Durante a parti\u00e7\u00e3o das terras entre as tribos, Bets\u00e3 ficou teoricamente 
para Manass\u00e9s. Mas os israelitas tiveram que contentar-se s\u00f3 com 
contemplar, do alto da montanha de Efraim, essa plan\u00edcie bem guardada 
pelos carros de ferro dos cananeus. \u00abEnt\u00e3o disse Josu\u00e9 \u00e0 gente de Jos\u00e9, 
aos homens de Efraim e Manass\u00e9s: V\u00f3s sois um povo numeroso e forte; por 
isso, n\u00e3o tereis apenas uma parte, mas a serra toda ser\u00e1 vossa. Embora 
seja um bosque, podeis cort\u00e1-lo e pertencer-vos-\u00e1 todo, at\u00e9 \u00e0s 
extremidades. Al\u00e9m disso, expulsareis os cananeus, embora estes tenham 
carros de ferro e sejam fortes\u00bb [Js_17,16] - [Js_17,18].
Os anos passam, e ante o perigo filisteu, os anci\u00e3os de Israel pedem um 
rei. E quando os filisteus - aliados aos cananeus - triunfam sobre Saul, 
dependuram o seu cad\u00e1ver e os de seus filhos nas muralhas de Bets\u00e3.
David consegue apoderar-se da cidade; e seu filho Salom\u00e3o incorpora-a, 
juntamente com Meguido e Tanac, no quinto distrito administrativo do seu 
reino.

{K}- CIT\u00d3POLIS, A CIDADE BAIXA{/}

No sop\u00e9 da colina onde assenta Bets\u00e3, estende-se a cidade baixa de 
Cit\u00f3polis. N\u00e3o se sabe como \u00e9 que recebeu este nome na \u00e9poca helen\u00edstica. 
Por isso a origem do nome de Cit\u00f3polis permaneceu no mist\u00e9rio. Desde o 
s\u00e9culo III a.C., a cidade pertence aos L\u00e1gidas (os sucessores de 
Alexandre Magno, que reinaram no Egipto de 306 a 30 a.C.).
Durante a guerra da independ\u00eancia empreendida pelos judeus contra os 
gregos, a cidade foi capturada por Jo\u00e3o Hircano nos finais do s\u00e9culo II 
a.C. Mas em 63 a.C. Pompeu, que se dirigia a Jeusal\u00e9m \u00e0 cabe\u00e7a do 
ex\u00e9rcito romano, arrebata a cidade ao reino asmoneu e concede-lhe, tal 
como a outras cidades da Dec\u00e1pole, uma relativa autonomia soba a tutela 
do governador da S\u00edria: fica ent\u00e3o a ser a capital da Dec\u00e1pole. A cidade 
conheceu ent\u00e3o um primeiro per\u00edodo de grande prosperidade. Alcan\u00e7a muita 
fama pelos trabalhos em metal e pelo desenvolvimento da ind\u00fastria t\u00eaxtil: 
os seus tecidos de linho eram c\u00e9lebres em todo o imp\u00e9rio romano.

{K}- CAN\u00c1{/}

Onde estava a aldeia de Can\u00e1 mencionada no Evangelho de Jo\u00e3o? Embora os 
especialista se inclinem actualmente para o lugar chamado Jirbet Qan\u00e1 
(Khirbet Qan\u00e1), um outeiro isolado a 14 Km. de Nazar\u00e9 e a 8 Km. de 
S\u00e9foris, a tradi\u00e7\u00e3o apontava como lugar do acontecimento, desde a \u00e9poca 
bizantina, o povoado de Kafr Can\u00e1, na estrada que desce de Nazar\u00e9 para 
Tiber\u00edades. Ali as c\u00fapulas e campan\u00e1rios convidam o peregrino a meditar 
no milagre das Bodas de Can\u00e1: foi o primeiro sinal milagroso, que Jesus 
fez em Can\u00e1 da Galileia. Assim manifestou a sua gl\u00f3ria e os disc\u00edpulos 
acreditaram n'Ele.
{K}UM LOCALIZA\u00c7\u00c3O CONTROVERSA{/}

A Can\u00e1 do Evangelho (Jirbet Qan\u00e1) situava-se perto da importante rota que 
passava pelo corredor natural que a zona norte da plan\u00edcie de Bet Netof\u00e1 
oferece, e que se encontrava por isso no trajecto normal de Nazar\u00e9 para 
Cafarnaum. Mas, quando Herodes Antipas construiu Tiber\u00edades, a nova 
capital, em lugar de S\u00e9foris, parcialmente destru\u00edda pelos romanos, a 
antiga rota foi progressivamente abandonada em favor de uma nova estrada 
que unia Nazar\u00e9 - actualmente frequentada pelos peregrinos crist\u00e3os - a 
Tiber\u00edades. Pois bem, esta estrada passava por um povoado cujo nome se 
pronunciava Can\u00e1, embora se escrevesse de modo diferente: a confus\u00e3o era 
f\u00e1cil, e bem depressa esse povoado foi considerado o lugar do \u00abprimeiro 
sinal\u00bb de Jesus.

{K}- CAFARNAUM{/}

Quando Jesus soube que Jo\u00e3o Baptista fora encarcerado, retirou-Se para a 
Galileia. N\u00e3o ficou em Nazar\u00e9, mas foi viver para Cafarnaum, na margem do 
lago, na fronteira entre Zabul\u00e3o e Neftali.
Cafarnaum encontra-se situada junto \u00e0 margem norte do Lago de Tiber\u00edades, 
a alguns quil\u00f3metros a oeste da foz do Jord\u00e3o que desagua no lago. O seu 
nome significa \u00abAldeia de Naum\u00bb, uma personagem que ningu\u00e9m, at\u00e9 hoje, 
p\u00f4de identificar. Referindo-se a ra\u00edzes hebraicas diferentes, Or\u00edgenes e 
S. Jer\u00f3nimo chegaram a interpreta\u00e7\u00f5es diferentes; o primeiro, 
interpretando \u00abnahum\u00bb como substantivo comum, d\u00e1 a Cafarnaum o 
significado de \u00abaldeia da consola\u00e7\u00e3o\u00bb; para o segundo significaria 
\u00abaldeia formosa\u00bb. O lugar j\u00e1 tinha sido povoado no s\u00e9culo XIII a.C. No 
tempo de Jesus era uma linda aldeola que obtinha o seu sustento da pesca 
no lago e do com\u00e9rcio.
As casas est\u00e3o colocadas num ch\u00e3o em forma de quadrado em redor da 
sinagoga. Uma dessas casas, a de Pedro, acolher\u00e1 Jesus durante a maior 
parte do seu minist\u00e9rio na Galileia; foi ali que pregou \u00e0 multid\u00e3o dos 
humildes e dos pequenos o an\u00fancio do Reino.
O per\u00edodo de expans\u00e3o de Cafarnaum situa-se que antes quer depois da era 
crist\u00e3. Mas Cafarnaum possui tamb\u00e9m uma pr\u00e9-hist\u00f3ria que remonta a um 
passado long\u00ednquo: em 1984 descobriram-se pedras de s\u00edlex no lugar, 
vest\u00edgios da \u00e9poca da pedra lavrada. Al\u00e9m disso, alguns muros cobertos 
pela sinagoga, conservavam restos de cer\u00e2mica que datam do s\u00e9culo XIII 
a.C.
{K}A CIDADE NO TEMPO DE CRISTO{/}

A cidade desenvolveu-se s\u00f3 a partir do s\u00e9culo V a.C. Gozava de uma 
situa\u00e7\u00e3o privilegiada: era a primeira cidade na margem do lago, na 
encruzilhada do Jord\u00e3o, e nesse sentido, cidade fronteiri\u00e7a entre a 
Galileia, feudo de Herodes Antipas, e os territ\u00f3rios de seu irm\u00e3o Filipe, 
que se estendiam a norte do lago, na margem oriental do Jord\u00e3o. A cidade 
encontrava-se sobre a importante rota romana que levava \u00e0 S\u00edria; a 
presen\u00e7a de uma pedra miliar como nome do imperador Adriano confirma-o. 
Esta situa\u00e7\u00e3o explica a presen\u00e7a de um lugar de cobrador de impostos no 
Evangelho de Mateus: \u00abJesus, ao sair dali, viu um homem no seu posto de 
cobrado de impostos, e disse-lhe: "Segue-Me". Mateus levantou-se e 
seguiu-O\u00bb. 
Segundo Santo Epif\u00e2nio, os judeus formavam a maioria da popula\u00e7\u00e3o de 
Cafarnaum at\u00e9 ao s\u00e9culo IV d.C. e impediam a perman\u00eancia na cidade a quem 
quer que \u00abn\u00e3o fosse da sua ra\u00e7a\u00bb; um sistema de exclus\u00e3o que tamb\u00e9m era 
praticado em Tiber\u00edades, S\u00e9foris e Nazar\u00e9. Apesar disso, alguns de entre 
os judeus aderiram ao cristianismo e formaram a comunidade judeo-crist\u00e3, 
\u00e0 qual se juntaram mais tarde outros crist\u00e3os de origem pag\u00e3. \u00c9 a estes 
\u00abgentios\u00bb, irm\u00e3os vindos do paganismo [Act_15,23], que se deve o projecto 
da primeira igreja octogonal que conserva o venerado lugar da casa de 
Pedro.
{K}ABANDONO E REDESCOBERTA DE CAFARNAUM{/}

A cidade foi abandonada nos finais da \u00e9poca bizantina, at\u00e9 aos princ\u00edpios 
do s\u00e9culo VI d.C., ficando em ru\u00ednas. As met\u00f3dicas escava\u00e7\u00f5es feitas a 
partir de 1968 sob a orienta\u00e7\u00e3o do P. Corbo, fizeram vir \u00e0 luz as ru\u00ednas 
desta \u00abcidade formosa\u00bb, como lhe chamava S. Jer\u00f3nimo. Nela podemos ver 
tr\u00eas sectores diferentes: a sinagoga, os bairros habitacionais e a \u00abCasa 
de Pedro\u00bb.
{K}A SINAGOGA{/}

As escava\u00e7\u00f5es permitiram estabelecer que a bela sinagoga, da qual hoje s\u00f3 
podemos contemplar as ru\u00ednas, tinha sido constru\u00edda sobre habita\u00e7\u00f5es que 
datam do per\u00edodo persa, grego e romano, e sobre as ru\u00ednas de uma sinagoga 
mais antiga. Esta sinagoga mais antiga, aquela em que Jesus pregou, foi 
destru\u00edda pelo terramoto de 419 d.C., o qual deixou em ru\u00ednas todos os 
grandes edif\u00edcios da regi\u00e3o. Segundo o Evangelho de Lucas, esta sinagoga 
tinha sido constru\u00edda gra\u00e7as \u00e0 liberalidade de um centuri\u00e3o romano 
[Lc_7,5].
Estas conclus\u00f5es arqueol\u00f3gicas foram confirmadas por Et\u00e9rio. Este nobre 
espanhol, que foi em peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa nos come\u00e7os do s\u00e9culo V, 
menciona na sua bit\u00e1cula de viagem a localiza\u00e7\u00e3o da sinagoga do s\u00e9culo I 
por debaixo da sinagoga nova, que o tinha enchido de admira\u00e7\u00e3o e da qual 
ainda se podem ver importantes elementos arquitect\u00f3nicos.
{K}JESUS NA SINAGOGA{/}

Jo\u00e3o situa na sinagoga de Cafarnaum o discurso sobre o \u00abP\u00e3o da Vida\u00bb que 
vem depois da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, e com o qual preenche o cap\u00edtulo 6 
do seu Evangelho. Com toda a certeza n\u00e3o se trata da sinagoga de calc\u00e1rio 
que n\u00e3o data para al\u00e9m do s\u00e9culo V d.C., mas do edif\u00edcio de basalto, mais 
antigo, cujos vest\u00edgios ainda hoje se podem observar.
{K}OS BAIRROS HABITACIONAIS{/}

Os habitantes eram agricultores, dedicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cereais e 
hortali\u00e7as, numa regi\u00e3o f\u00e9rtil onde abundam as oliveiras e as tamareiras; 
tamb\u00e9m era comum encontrar ali artes\u00e3os que fabricavam utens\u00edlios 
agr\u00edcolas em basalto negro: prensas de lagar de azeite, m\u00f3s e 
almofarizes, expostos hoje no museu de pedra, ao ar livre. Tamb\u00e9m eram 
numerosos em Cafarnaum os pescadores - encontraram-se anz\u00f3is em diversas 
casas - e foi de entre os pescadores que Jesus escolheu os primeiros 
disc\u00edpulos.
Do alto da escadaria da sinagoga podem ver-se os bairros habitacionais 
melhor conservados e a igreja octogonal que hoje abriga a casa de S\u00e3o 
Pedro. O plano de Cafarnaum respeitava o costume romano: as ruas 
cruzavam-se em \u00e2ngulo recto, criando assim espa\u00e7os quadrados nos quais se 
agrupavam as casas.
A pedra vulc\u00e2nica da regi\u00e3o serviu como material de base: de facto, tanto 
as paredes como os pavimentos s\u00e3o feitos de blocos de basalto. As v\u00e1rias 
divis\u00f5es da casa, atribu\u00eddas a cada uma das fam\u00edlia do cl\u00e3, eram 
cobertas. Reuniam-se ao redor de um pequeno p\u00e1tio, centro da vida 
quotidiana, que dava para a rua. As fam\u00edlias reuniam-se ali para tomar as 
refei\u00e7\u00f5es.
Os artes\u00e3os trabalhavam nesse mesmo lugar, e a\u00ed se encontraram fornos e 
pedras de moinho, que testemunham ainda as actividades quotidianas da 
popula\u00e7\u00e3o. As casas eram de um s\u00f3 andar. No entanto, uma escada permitia 
chegar ao telhado, que se apoiava numa estrutura leve coberta de barro 
misturado com palha.
Estes telhados, fr\u00e1geis e rudimentares, por um lado, e as escadas 
robustas que conduzem at\u00e9 eles, por outro, permitem-nos conhecer melhor a 
narra\u00e7\u00e3o que Marcos oferece, aquando da cura do paral\u00edtico [Mc_2,3] - 
[Mc_2,4].
\u00c0 vista destas constru\u00e7\u00f5es, a releitura das p\u00e1ginas do Evangelho, que nos 
falam de Jesus em Cafarnaum, tomam nova for\u00e7a. Poderia evocar-se a f\u00e9 do 
centuri\u00e3o que veio pedir a Jesus a cura do seu criado; ou a da 
hemorro\u00edssa, que deteve Jesus no caminho, enquanto Ele Se dirigia a casa 
de Jairo para lhe ressuscitar a filha; ou tamb\u00e9m imaginar Jesus que sai 
da sinagoga para ir a casa de Pedro, onde curaria a sogra deste prostrada 
pela febre; poder-se-iam, enfim, evocar as numerosas curas feitas ao 
entardecer, juntamente com os primeiros confrontos com os escribas e 
fariseus... Aqui Jesus, confirmado na sua miss\u00e3o pelo Baptismo no Jord\u00e3o, 
compartilhou a vida quotidiana do seu povo e revelou com milagres e 
palavras a novidade do Reino.
{K}A CASA DE PEDRO{/}

Por debaixo dos alicerces da igreja octogonal, foi encontrada a casa de 
Pedro; uma descoberta crucial, pois Jesus sentia-Se ali tanto a seu gosto 
que o Evangelho fala dela como se tratasse da sua pr\u00f3pria casa 
[Mc_2,1].{C}{/} Ela foi testemunha, por mais de dois anos, dos ensinamentos 
de Jesus aos seus disc\u00edpulos. E foi ali, precisamente, que Ele lhes 
explicou a par\u00e1bola da boa semente e do joio. A casa onde 
Jesus viveu data dos finais da \u00e9poca helenista. As escava\u00e7\u00f5es 
arqueol\u00f3gicas permitiram reconstruir a hist\u00f3ria dessa casa. Algumas 
l\u00e2mpadas e utens\u00edlios de cozinha pertencem a esta primeira \u00e9poca (s\u00e9culo 
II a.C. e I d.C.) dessa casa, uma entre outras que foi habitada pela 
fam\u00edlia de Pedro: nela foi acolhido Jesus. No finais do s\u00e9culo I, as 
paredes foram estucadas com cal; uma decora\u00e7\u00e3o modesta parece ter sido 
feita com incrusta\u00e7\u00f5es de pequenos fragmentos de l\u00e2mpadas herodianas, ou 
com pinturas. A casa de Pedro \u00e9 a \u00fanica que apresenta estes enfeites, 
embora j\u00e1 n\u00e3o seja, nessa altura, uma simples casa particular, mas j\u00e1 
convertida em lugar de reuni\u00e3o da comunidade crist\u00e3. Aumentando a 
aflu\u00eancia de pessoas, foi necess\u00e1rio deitar abaixo a parede interm\u00e9dia 
para duplicar a superf\u00edcie da \u00abigreja\u00bb.
{K}UMA BAS\u00cdLICA MUITO FREQUENTADA{/}

No s\u00e9culo IV, sob o reinado do imperador Constantino, a casa \u00e9 rodeada 
por um muro em redor, com a inten\u00e7\u00e3o de isolar a \u00e1rea sagrada. O edif\u00edcio 
\u00e9 transformado: no pavimento coloca-se um lajeado pol\u00edcromo; as paredes 
s\u00e3o recobertas  por uma nova capa de estuque pintado com decora\u00e7\u00f5es 
geom\u00e9tricas e florais, sem nenhuma representa\u00e7\u00e3o humana ou animal; 
inscri\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias l\u00ednguas, 151 em grego, 13 em sir\u00edaco, 9 em aramaico 
e 2 em latim demonstram a diversa origem dos peregrinos chegados a este 
lugar sagrado.
Et\u00e9rio precisa, na sua bit\u00e1cula de viagem, que \u00aba casa do pr\u00edncipe dos 
ap\u00f3stolos, em Cafarnaum, foi transformada em igreja, mas as paredes ainda 
se encontram de p\u00e9, tal como eram antes\u00bb. Alguns anos mais tarde \u00e9 
erguida uma igreja bizantina octogonal, cuja parte central est\u00e1 decorada 
com mosaicos, com representa\u00e7\u00f5es de animais, entre os quais se destaca o 
pav\u00e3o real, como s\u00edmbolo da imortalidade.

{K}- CORAZIM{/}

O lugar chamado Corazim, situado na sali\u00eancia de um pequeno vale que 
desce quase em linha recta at\u00e9 Cafarnaum, \u00e9 muito provavelmente a Corazim 
dos Evangelhos; tal como a muitas cidades nas margens do lago, Jesus 
censurou-Lhe severamente a sua falta de f\u00e9.
A cidade erguia-se, ao norte do lago, num lugar privilegiado, sobre uma 
colina a cujos p\u00e9s passava a antiga rota norte-sul, passo obrigat\u00f3rio dos 
comerciantes e mercadores, tal como em Cafarnaum, e isso representava uma 
fonte de desenvolvimento econ\u00f3mico.
{K}UMA CIDADE EM RU\u00cdNAS{/}

Segundo o testemunho de Eus\u00e9bio de Cesareia (267-340 d.C.), no seu 
Onomasticon, esp\u00e9cie de dicion\u00e1rio geogr\u00e1fico da Palestina b\u00edblica, 
Corazim n\u00e3o \u00e9 mais que um mont\u00e3o de ru\u00ednas. A cidade ter\u00e1 sido destru\u00edda 
por algum dos terremotos que devastavam periodicamente a Galileia? Esta 
seria a explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas uma lenda popular, conservada pela 
tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, conta que todos os esfor\u00e7os para reconstruir a cidade, e 
em particular a sinagoga, foram em v\u00e3o: qualquer trabalho realizado 
durante o dia, resultava destru\u00eddo durante a noite, devido \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o 
divina que pesa permanentemente sobre Corazim!

{K}- D\u00c3{/}

O lugar acha-se perto de uma das nascentes principais do Jord\u00e3o. Aqui a 
\u00e1gua surge de todo o lado, atrav\u00e9s de uma infinidade de finos jactos de 
\u00e1gua que brotam no sop\u00e9 do \u00abtell\u00bb, por debaixo das \u00e1rvores, debaixo das 
pedras, entre a verdura e a exuber\u00e2ncia natural dos loendros.
No final de uma caricata viagem atrav\u00e9s do pa\u00eds, a tribo de D\u00e3, que tinha 
recebido em heran\u00e7a as terras fronteiri\u00e7as com as cidades filisteias, 
veio at\u00e9 este lugar \u00e0 procura de calma e seguran\u00e7a.
A cidade de D\u00e3 ocupava a extremidade norte do pa\u00eds, ao passo que 
Bersabeia, nas margens do deserto, constitu\u00eda a fronteira meridional, 
segundo uma express\u00e3o frequente no Antigo Testamento: \u00abTodo o Israel, de 
D\u00e3 a Bersabeia\u00bb [1Sm_3,20]. A f\u00f3rmula designava, certamente, a extens\u00e3o 
do territ\u00f3rio, mas simbolizava mais ainda a unidade das doze tribos, 
unidade perdida depois do cisma.
{K}HIST\u00d3RIA DOS DANITAS{/}

Na reparti\u00e7\u00e3o da terra de Cana\u00e3, a tribo de D\u00e3 tinha herdado umas colinas 
situadas entre os montes de Jud\u00e1 e a plan\u00edcie filisteia. Mas, apesar das 
fa\u00e7anhas de Sans\u00e3o, her\u00f3i da tribo, estas pobres gentes eram fustigadas 
incessantemente pelos seus belicosos vizinhos: cansados de lutar, uma 
parte dos danitas procurou ref\u00fagio no norte. Apoderaram-se da antiga 
cidade cananeia de La\u00eds, a que chamaram D\u00e3. Ali instalaram um \u00eddolo, ao 
qual haviam consultado antes de fazer a migra\u00e7\u00e3o para o norte do pa\u00eds e 
que roubaram a um certo Micas.
A hist\u00f3ria, se n\u00e3o \u00e9 edificante \u00e9 pitoresca, e \u00e9 narrada nos cap\u00edtulos 17 
e 18 do livro dos Ju\u00edzes.
{K}O BEZERRO DE JEROBO\u00c3O{/}

Neste planalto da regi\u00e3o cananeia, as escava\u00e7\u00f5es deixaram a descoberto um 
santu\u00e1rio, com o seu altar e os seus objectos de culto, uma esp\u00e9cie de 
colheres para incenso, ou incens\u00f3rios. Em 1987 foi descoberto, debaixo do 
altar, um ceptro de bronze que deve ter pertencido muito provavelmente a 
um dos sacerdotes de D\u00e3. De facto, este tipo de ceptros era, na 
antiguidade, o s\u00edmbolo das fun\u00e7\u00f5es reais e sacerdotais. No mesmo s\u00edtio, 
uma inscri\u00e7\u00e3o em grego e aramaico rezava em forma de invoca\u00e7\u00e3o: \u00abAo Deus 
que est\u00e1 em D\u00e3\u00bb.
Nos finais do s\u00e9culo X a.C., depois da divis\u00e3o do reino, Jerobo\u00e3o I 
reabilitar\u00e1 este lugar sagrado, como far\u00e1 com Betel, para assim evitar 
que o povo continue a frequentar o Templo de Jerusal\u00e9m [1Rs_12,26] - 
[1Rs_12,27]. Jerobo\u00e3o erigiu ali grandes bezerros de ouro e proclamar\u00e1 
diante do povo reunido em assembleia: \u00abIsrael, aqui est\u00e1 o teu Deus, 
Aquele que te tirou da terra do Egipto\u00bb [1Rs_12,28].

{K}- HASOR{/}

Sobre a margem direita do Jord\u00e3o, a uns 15 Km. a norte do lago de 
Tiber\u00edades, Hasor domina a pequena plan\u00edcie de Hula, que se estende aos 
p\u00e9s dos montes da Galileia. A sua longa hist\u00f3ria come\u00e7a no s\u00e9culo XXVII 
a.C., e termina com a invas\u00e3o de Teglatfalasar em 734 a.C. Era uma 
fortaleza que guardava a passagem do Alto Jord\u00e3o, e esteve presente em 
todos os grandes conflitos do Pr\u00f3ximo Oriente antigo. A B\u00edblia menciona-a 
sobretudo durante a instala\u00e7\u00e3o das tribos em Cana\u00e3 e durante o per\u00edodo da 
monarquia.
{K}UM ENTREPOSTO COMERCIAL{/}

Gozava de uma situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica privilegiada: era a passagem 
obrigat\u00f3ria para as caravanas que transitavam de norte para sul, e de 
oeste para leste, estabelecendo assim rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Egipto, a 
S\u00edria e a Fen\u00edcia.
Desde o final do IV mil\u00e9nio, o Egipto e a Mesopot\u00e2mia, tal como outras 
na\u00e7\u00f5es do Pr\u00f3ximo Oriente, dominavam perfeitamente a metalurgia do 
bronze. Mas para isso era preciso importar as mat\u00e9rias primas necess\u00e1rias 
para esta liga: o cobre e o estanho. Hasor encontrava-se na encruzilhada 
da rota do estanho (que era trazido provavelmente do C\u00e1ucaso e do 
planalto iraniano, o actual Afeganist\u00e3o); e a rota do cobre, que vinha de 
Chipre e da Eubeia, ilha do mar Egeu. Na Idade do Bronze M\u00e9dio (2100-1500 
a.C.), Hasor converteu-se numa plataforma de interc\u00e2mbio deste mercado 
internacional.
{K}VINTE S\u00c9CULOS DE HIST\u00d3RIA{/}

No entanto, as origens da cidade remontam aos finais do IV mil\u00e9nio a.C. 
Alguns vest\u00edgios sepulcrais atestam a exist\u00eancia de uma cidade cananeia. 
Esta desaparece por volta de 2350 a.C., quando os ac\u00e1dios subiram da 
Mesopot\u00e2mia e edificaram um imp\u00e9rio que se estendeu do Golfo P\u00e9rsico at\u00e9 
Chipre. Aproveitando estas convuls\u00f5es pol\u00edticas, os amoritas subiram do 
deserto da S\u00edria e saquearam as pequenas cidades cananeias: Hasor foi uma 
delas.
No s\u00e9culo XVIII a.C. a cidade \u00e9 reconstru\u00edda e alargada para dar espa\u00e7o 
ao fluxo de popula\u00e7\u00e3o atra\u00edda pela prosperidade deste lugar de com\u00e9rcio; 
o pr\u00f3prio Hamur\u00e1bi manteve ali um posto comercial permanente, encarregado 
de vigiar o fornecimento do estanho.
{K}A \u00c9POCA EG\u00cdPCIA{/}

No s\u00e9culo XVI, os eg\u00edpcios expulsaram do seu pa\u00eds os hicsos, vindos da 
Palestina, e que dominaram durante longo tempo o vale do Baixo Nilo. 
Perseguindo os hicsos at\u00e9 Cana\u00e3, apoderaram-se da cidade e incendiaram-
na.
Mas logo a seguir, aproveitando o enfraquecimento do Egipto sob o reinado 
de Akenaton, os hititas exerceram uma press\u00e3o cada vez mais forte na 
regi\u00e3o. A luta entre eg\u00edpcios e hititas durou at\u00e9 \u00e0 \u00e9poca de Rams\u00e9s II, 
at\u00e9 \u00e0 famosa batalha de Cades junto de Orontes em 1286 a.C., que teve 
como consequ\u00eancia a reconcilia\u00e7\u00e3o dos dois advers\u00e1rios.
{K}HASOR INCENDIADA POR JOSU\u00c9{/}

Os textos b\u00edblicos deixam entrever que o avan\u00e7o das tribos na ocupa\u00e7\u00e3o do 
pa\u00eds inquietava os reis da Alta Galileia. Quando Jabin, rei de Hasor, 
soube do caso, enviou embaixadores a Jobab, rei de Merom, ao rei de 
Semeron, ao rei de Acsaf, aos reis que ocupavam as montanhas do norte e 
as estepes ao sul de Quineret, a plan\u00edcie e os montes de D\u00e3, aos cananeus 
de leste e do oeste, aos amorreus, heteus, ferezeus e jebuseus das 
montanhas, e tamb\u00e9m aos heveus que viviam nas encostas do monte Hermon, 
na regi\u00e3o de Masfa. 
Josu\u00e9, fortalecido pela promessa de Deus de dar ao seu povo esta terra 
como heran\u00e7a, foi capaz de vencer todos esses reis aliados, para depois 
se voltar contra Hasor: Israel incendiou todas as cidades, menos as 
situadas nos declives e nos montes; destas, s\u00f3 Hasor foi incendiada por 
Josu\u00e9 [Js_11,13]. Esta destrui\u00e7\u00e3o pelo fogo teve lugar no s\u00e9culo XIII 
a.C., o que \u00e9 confirmado pelas escava\u00e7\u00f5es.
{K}PER\u00cdODO MON\u00c1RQUICO (DO S\u00c9CULO X AO S\u00c9CULO VIII A.C.){/}

\u00ab\u00c9 o seguinte o relat\u00f3rio sobre os trabalhos for\u00e7ados que o rei Salom\u00e3o 
usou para construir o Templo de Jav\u00e9, o pal\u00e1cio real, o aterro, a muralha 
de Jerusal\u00e9m, Hasor, Meguido, Gazer\u00bb... [1Rs_9,15]. Deste modo, Salom\u00e3o 
fez de Hasor uma das tr\u00eas grandes fortalezas que protegiam o seu reino.
A muralha de Salom\u00e3o durou at\u00e9 \u00e0 invas\u00e3o de Ben-Adad I [1Rs_15,20]. Mais 
uma vez, Hasor ficou em ru\u00ednas.
Amri, e depois seu filho Acab reconstru\u00edram a cidade alargando-lhe as 
fronteiras. Empreenderam tamb\u00e9m grandes obras para levar a \u00e1gua ao 
interior da cidade, tal como fez mais tarde Ezequias em Jerusal\u00e9m.
{K}CUMPRE-SE A PALAVRA DOS PROFETAS{/}

Pouco antes da queda de Hasor ,em 733 a.C., d\u00e1-se um terramoto que 
provoca um grande inc\u00eandio e destr\u00f3i a cidade. Pela terceira vez durante 
a monarquia, a cidade \u00e9 reconstru\u00edda. O brilhante reinado de Jerobo\u00e3o II 
assegura a prosperidade do Reino de Israel; luxuosas resid\u00eancias erguem-
se na parte alta da cidade, e uma vez mais julga-se haver vencido a 
desgra\u00e7a, embora os profetas anunciem o ju\u00edzo de Deus sobre a Samaria. Em 
732, Hasor \u00e9 capturada e os seus habitantes deportados durante a campanha 
de Teglatfalasar III. A grande fortaleza do norte acaba para sempre.

{K}- O LUGAR ARQUEOL\u00d3GICO DE HASOR{/}

Poderia pensar-se que os resultados da escava\u00e7\u00f5es no lugar de Hasor s\u00f3 
interessam \u00e0 hist\u00f3ria b\u00edblica. Mas n\u00e3o, atrav\u00e9s deles podemos ter uma 
ideia do mundo no qual evolu\u00edram as personagens dessa \u00e9poca, bem como da 
longu\u00edssima hist\u00f3ria que fez amadurecer a sua cultura. Atrav\u00e9s de todas 
essas lutas e esfor\u00e7os humanos para melhorar o mundo e gozar uma vida 
melhor, est\u00e1 presente o des\u00edgnio de Deus, t\u00e3o presente ent\u00e3o como nos 
nossos dias.
{K}A CIDADE BAIXA{/}

Ocupada desde o s\u00e9culo XVIII a.C. at\u00e9 ser incendiada por Josu\u00e9, hoje 
apresenta-se-nos como uma vasta extens\u00e3o de terreno onde nada ou quase 
nada se nota do que foi descoberto. E no entanto, aqui foram encontradas 
dezenas de cad\u00e1veres de crian\u00e7as sepultadas em vasilhas, por debaixo do 
pavimento das casas do per\u00edodo anterior \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da cidade por 
Am\u00f3sis, fara\u00f3 fundador do Imp\u00e9rio Novo eg\u00edpcio. \u00c9 do mesmo per\u00edodo uma 
necr\u00f3pole subterr\u00e2nea, constitu\u00edda por t\u00famulos cavados na rocha, os quais 
comunicavam entre si atrav\u00e9s de um verdadeiro labirinto de galerias. Foi 
utilizada quase durante seiscentos anos.
Num santu\u00e1rio cananeu de forma rectangular, que se prolongava para oeste 
por ma esp\u00e9cie de pequena \u00e1bside, foram encontradas 8 pedras \u00abal\u00e7adas\u00bb de 
basalto, uma das quais tinha gravadas duas m\u00e3os levantadas para o disco 
lunar representado pela Lua em quarto crescente. Tamb\u00e9m em basalto, uma 
divindade cananeia e um le\u00e3o agachado, de feitura cananeia mas de 
ineg\u00e1vel inspira\u00e7\u00e3o hitita, demonstram que nesta regi\u00e3o, cobi\u00e7ada tanto 
por hititas como por eg\u00edpcios, subsistia ainda a influ\u00eancia cultural 
destas duas grandes pot\u00eancias.
Tamb\u00e9m foram descobertos outros dois santu\u00e1rios na cidade baixa. O 
primeiro consistia num p\u00e1tio rodeado de aposentos. No meio do p\u00e1tio, 
havia um altar de mais de dois metros c\u00fabicos. Nos aposentos havia pe\u00e7as 
de cer\u00e2mica espalhadas pelo ch\u00e3o, as quais evidenciam claramente a sua 
origem mic\u00e9nica, e sublinham a irradia\u00e7\u00e3o desta civiliza\u00e7\u00e3o, favorecida 
certamente por Micenas, mas tamb\u00e9m por Tirinto, Atenas, a ilha de Gla, 
Pilos, Orc\u00f3menos e tantas outras cidades independentes da Gr\u00e9cia dos 
s\u00e9culos XVI a XII a.C.
O outro templo, mais a norte, foi reconstru\u00eddo tr\u00eas vezes. Encontrou-se 
ali uma importante colec\u00e7\u00e3o de vasos, m\u00f3veis e objectos de culto em 
basalto.
{K}A CIDADE ALTA{/}

Com o correr dos s\u00e9culos, deu origem a um enorme \u00abtell\u00bb constitu\u00eddo por 
mais de vinte estratos sobrepostos. As escava\u00e7\u00f5es, que podem ser 
visitadas de uma extremidade \u00e0 outra, mostram ainda hoje os vest\u00edgios de 
dois mil anos de Hist\u00f3ria. No centro da acr\u00f3pole podem adivinhar-se os 
muros de um templo e de um pal\u00e1cio contempor\u00e2neo de Hamur\u00e1bi. Naquele 
tempo a cidade era rodeada por uma muralha cujo acesso era impedido por 
uma aterro. Nos tr\u00eas sectores das escava\u00e7\u00f5es da cidade alta conservam-se 
restos das fortifica\u00e7\u00f5es edificadas por Salom\u00e3o: um muro com casamatas, 
um basti\u00e3o de esquina, uma porta fortificada e uma torre de defesa. Sob o 
reinado de Amri efectuou-se a reconstru\u00e7\u00e3o desta pra\u00e7a forte; os arranjos 
podem ainda observar-se na modifica\u00e7\u00e3o da porta fortificada da \u00e9poca 
precedente, na cidadela do sector oeste e nas ricas habita\u00e7\u00f5es e armaz\u00e9ns 
que, tempos depois, n\u00e3o puderam escapar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ass\u00edria.
Visto esta amea\u00e7a ser iminente, procedeu-se a v\u00e1rios trabalhos urgentes: 
as casamatas dos muros nas extremidades leste e oeste foram enchidas 
apressadamente com pedras; conservou-se uma pequena porta secreta a 
noroeste, mas no \u00faltimo momento foi fechada com tijolos. Por detr\u00e1s desta 
muralha improvisada, e entre os muros calcinados do passadi\u00e7o, os 
arque\u00f3logos encontraram os cad\u00e1veres queimados dos \u00faltimos defensores. 
Corria o ano 732 a.C. e Teglatfalasar celebrava o d\u00e9cimo quarto ano do 
seu reinado.
Os \u00faltimos sobressaltos da hist\u00f3ria de Hasor podem ser lidos atrav\u00e9s das 
sucessivas reconstru\u00e7\u00f5es do sector oeste da cidadela, embora nessa altura 
a pra\u00e7a forte estivesse prestes a cair.

{K}- GERASA-KURSI
A CURA DE UM ENDEMONINHADO{/}

Este facto aconteceu em Kursi. Os tr\u00eas evangelhos sin\u00f3pticos contam-nos o 
epis\u00f3dio do endemoninhado possu\u00eddo por esp\u00edritos impuros, que foram 
enviados para uma vara de porcos, que logo se lan\u00e7aram ao mar da 
Galileia.
Os tr\u00eas evangelistas colocam este exorcismo precisamente depois do 
milagre da tempestade acalmada: Jesus e os ap\u00f3stolos chegaram \u00e0 outra 
margem do lago [Mc_5,1].
\u00c9 evidente que o caso se situa na Dec\u00e1pole (Dez Cidades). No ano 63 a.C., 
Pompeu tinha tirado estas dez cidades e aldeias delas dependentes ao 
reino asmoneu de Jud\u00e1, devido aos temores que o general romano ouvia 
quanto \u00e0 influ\u00eancia das comunidades judaicas dos arredores sobre estas 
povoa\u00e7\u00f5es de maioria pag\u00e3.
Mas, a partir da\u00ed, os manuscritos oferecem localiza\u00e7\u00f5es divergentes: 
alguns dizem no pa\u00eds dos gerasenos; outros, no pa\u00eds dos gadarenos; e 
outros ainda, no pa\u00eds dos gergeseus. As cidades de Gerasa e Gadara 
encontravam-se nos territ\u00f3rios situados a leste do Jord\u00e3o, mas demasiado 
longe do lago, para serem consideradas o lugar desta cura. Quanto a 
Gergesa, o nome \u00e9 desconhecido.
Apesar disso, a tradi\u00e7\u00e3o bizantina fixou o lugar do milagre em Kursi, 
situada no territ\u00f3rio da Dec\u00e1pole, aos p\u00e9s do Gol\u00e3, junto ao estu\u00e1rio do 
wadi Samak. Encontram-se ali os restos de uma aldeia da \u00e9poca romana, com 
o seu pequeno porto de pesca; e, um pouco mais afastado, um mosteiro 
bizantino, constru\u00eddo para comemorar este milagre no pa\u00eds dos gerasenos.{N}

{C}- O LAGO DE TIBER\u00cdADES E AS SUAS MARGENS{/}

Mar de Kineret, no Antigo Testamento, devido ao facto de os hebreus verem 
nele a forma de uma lira; lago de Genesar\u00e9, Mar da Galileia ou lago de 
Tiber\u00edades; qualquer que seja o nome que se lhe d\u00ea, ningu\u00e9m pode 
subtrair-se \u00e0 impress\u00e3o de serenidade que aqui produzem a luz, a 
transpar\u00eancia da \u00e1gua e a suavidade das colinas da Galileia.
O lago ocupa a depress\u00e3o de Ghor, falha geol\u00f3gica provocada pela 
separa\u00e7\u00e3o das placas terrestres. A superf\u00edcie do lago encontra-se mais ou 
menos a uns 200 metros abaixo do n\u00edvel do mar. \u00c9 alimentado pelo Jord\u00e3o, 
que o atravessa de lado a lado, assegurando assim a prosperidade da 
regi\u00e3o, como o atesta uma d\u00fazia de cidades situadas n\u00e3o longe das suas 
margens, na altura em que Jesus exercia o seu minist\u00e9rio na Galileia.
Junto ao lago, Jesus multiplicou os sinais, dirigidos principalmente aos 
seus disc\u00edpulos que havia escolhido de entre os pescadores, acostumados a 
enfrentar os caprichos da \u00e1gua e os elementos da natureza.
{K}A PESCA MILAGROSA{/}

[Lc_5,1] - [Lc_5,8]{N}{/} Lucas coloca esta narra\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do minist\u00e9rio 
de Jesus na Galileia.
{K}A TEMPESTADE ACALMADA{/}

Para l\u00e1 do milagre, Jesus anuncia a sua passagem pelo sil\u00eancio da morte e 
a sua vit\u00f3ria decisiva sobre as for\u00e7as do mal.
{K}AS PAR\u00c1BOLAS JUNTO AO LAGO{/}

As margens do lago albergavam v\u00e1rias aldeias de pescadores e 
agricultores, entre colinas arborizadas e pequenas plan\u00edcies f\u00e9rteis. 
Tudo isto serviu de refer\u00eancia para as par\u00e1bolas do Reino, as que, no 
Evangelho de Mateus, marcam o fim do minist\u00e9rio de Jesus na Galileia.
{K}- MAGDALA{/}

A antiga tradi\u00e7\u00e3o situou as ru\u00ednas da Magdala do Evangelho junto \u00e0 margem 
ocidental do lago, a cinco km. aproximadamente de Tiber\u00edades.
As escava\u00e7\u00f5es feitas entre a estrada e o lago trouxeram \u00e0 luz as ru\u00ednas 
de uma cidade romana, e mais abaixo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s casas, uma sinagoga 
constru\u00edda inteiramente em basalto. O estudo dos fragmentos de cer\u00e2mica e 
das moedas encontradas no lugar indicam que o lugar foi ocupado desde os 
finais do per\u00edodo helenista at\u00e9 \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo I d.C. Nessa 
altura a sinagoga foi inundada, invadida por nascentes minerais pr\u00f3ximas, 
e por isso foi transformada em colector de \u00e1guas.
Estamos aqui na terra natal de Maria de Magdala, mais conhecida por Maria 
Madalena, exorcizada por Jesus segundo relata Lucas no seu evangelho: 
\u00abJesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do 
Reino de Deus. Os Doze iam com Ele e tamb\u00e9m algumas mulheres que haviam 
sido curadas de esp\u00edritos maus e doen\u00e7as: Maria, chamada Madalena, da 
qual haviam sa\u00eddo sete dem\u00f3nios\u00bb [Lc_8,1] - [Lc_8,3].
Voltamos a encontrar-nos com Maria Madalena no Calv\u00e1rio, aos p\u00e9s da cruz, 
junto de Maria, a M\u00e3e de Jesus [Mc_15,41]. Ela foi tamb\u00e9m a primeira a 
quem apareceu Jesus ressuscitado, segundo narram os Evangelhos.

{K}- BETSAIDA{/}

Esta aldeia de pescadores, situada na margem esquerda do Jord\u00e3o (antes de 
desaguar no lago) tinha sido convertida por Filipe, Tetrarca da Galileia 
e filho de Herodes, numa nas principais  cidades do seu territ\u00f3rio, a que 
deu o nome de J\u00falias.
Betsaida, tal como Cafarnaum, tinha sido objecto de severas cr\u00edticas de 
Jesus: Ai de ti, Betsaida!; nelas expressa a sua profunda 
tristeza perante a incompreens\u00e3o das multid\u00f5es. Apesar disso, ela \u00e9 a 
terra natal do tr\u00eas primeiros disc\u00edpulos: Andr\u00e9, Pedro e Filipe.

{K}- O MONTE DAS BEM-AVENTURAN\u00c7AS{/}

A norte de Tabgha, levanta-se uma colina que domina uma boa parte das 
\u00e1guas do lago. \u00c9 este o lugar que se recorda desde a \u00e9poca das cruzadas 
como o s\u00edtio donde Jesus ensinou as Bem-aventuran\u00e7as, conhecidas tamb\u00e9m 
como Serm\u00e3o da Montanha. Diante de um amplo panorama impregnado de 
frescura e serenidade, esta colina, de modestas propor\u00e7\u00f5es, acolhe homens 
e mulheres vindos \u00e0 Galileia para contactar com a Sabedoria Divina, de 
cora\u00e7\u00e3o renovado pela gra\u00e7a da peregrina\u00e7\u00e3o.
Descendo de Nazar\u00e9, onde haviam contemplado o mist\u00e9rio do Verbo 
Incarnado, os peregrinos bizantinos paravam em Can\u00e1 para celebrar o 
primeiro sinal de Jesus. Retomando a caminhada, chegavam a Magdala, a 
terra natal de Maria Madalena. Mas na margem norte do lado, uma nova 
esta\u00e7\u00e3o os detinha, a \u00abuma l\u00e9gua\u00bb de Cafarnaum. Tratava-se de Tagbha (as 
sete fontes), lugar que se venera como o s\u00edtio onde Jesus pregou o 
\u00abSerm\u00e3o da Montanha\u00bb. A sul do caminho, perto do lago, encontrava-se a 
bas\u00edlica que recordava o milagre, ao passo que a norte, uma capelinha 
cont\u00edgua a uma pequeno mosteiro lembrava o ensinamento de Jesus. Ambos os 
edif\u00edcios, constru\u00eddos por volta do s\u00e9culo IV, foram completamente 
destru\u00eddos, provavelmente pelo terremoto de 419 d.C.
Oito s\u00e9culos mais tarde, os cruzados, preocupados em respeitar o texto 
evang\u00e9lico que fala de um \u00abmonte\u00bb, mudaram a venera\u00e7\u00e3o das bem-
aventuran\u00e7as para o pequeno planalto que domina o lago; e ali mesmo foi 
reconstru\u00edda em 1937 a actual bas\u00edlica.

{K}- NAZAR\u00c9{/}

\u00abNo sexto m\u00eas, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da 
Galileia chamada Nazar\u00e9. Foi a uma virgem, prometida em casamento a um 
homem chamado Jos\u00e9, que era descendente de David. E o nome da virgem era 
Maria\u00bb [Lc_1,26]
Tudo fica dito neste vers\u00edculo do Evangelho, a respeito da hist\u00f3ria 
\u00absagrada\u00bb que se cumpre neste povoado da Galileia. Por baixo da bas\u00edlica 
constru\u00edda com a ajuda dos cat\u00f3licos do mundo inteiro, os vest\u00edgios da 
antiga povoa\u00e7\u00e3o recordam o mist\u00e9rio: Aquele que nem os c\u00e9us nem os c\u00e9us 
dos c\u00e9us podem conter, tomou carne e sangue da Virgem Maria, para tornar-
Se para sempre a Alian\u00e7a entre Deus e os homens.
Depois de escalar os montes arborizados da Galileia, o peregrino chega ao 
cimo de uma colina rochosa que se levanta entre dois vales. Dali pode ver 
a seus p\u00e9s uma vasta depress\u00e3o rodeada de outeiros: avista-se ent\u00e3o uma 
verdadeira floresta de campan\u00e1rios e minaretes, no meio dos quais se 
destaca a majestosa e moderna bas\u00edlica da Anuncia\u00e7\u00e3o, cuja diversidade de 
materiais e decora\u00e7\u00f5es demonstra a universalidade de na\u00e7\u00f5es que receberam 
a promessa da salva\u00e7\u00e3o.
{K}A HIST\u00d3RIA DA CIDADE ATRAV\u00c9S DO SEU HABITAT{/}

Embora este povoado nunca tenha sido mencionado no Antigo Testamento, foi 
habitado muito antes do per\u00edodo patriarcal, desde finais do III mil\u00e9nio 
a.C., quando pequenas cidades cananeias independentes se estabeleceram 
perto das nascentes de \u00e1gua.
No per\u00edodo israelita, o habitat estende-se para sul, para ocupar, na 
\u00e9poca da monarquia, o promont\u00f3rio onde ficava a povoa\u00e7\u00e3o do tempo de 
Jesus.
A aus\u00eancia de vest\u00edgios correspondentes ao per\u00edodo que vai do s\u00e9culo VIII 
a.C. \u00e0 \u00e9poca helenista, deixa entender que a aldeia foi arrasada durante 
a invas\u00e3o ass\u00edria (735-721), e que n\u00e3o foi reerguida sen\u00e3o cinco s\u00e9culos 
mais tarde. As peregrina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, desde os primeiros s\u00e9culos da nossa 
era, acarretaram o desenvolvimento e a extens\u00e3o do povoado. Hoje Nazar\u00e9 \u00e9 
uma das principais cidades da Galileia: a cidade \u00e1rabe e a cidade judaica 
somam duzentos mil habitantes. 
{K}O POVOADO DE NAZAR\u00c9 NOS TEMPOS DE JESUS{/}

N\u00e3o resta nenhuma obra de alvenaria dessa \u00e9poca. S\u00f3 se conserva aquela 
parte das casas que estava colocada nas grutas naturais ou escavadas na 
rocha calc\u00e1ria. Essas depend\u00eancias serviam de armaz\u00e9ns e comunicavam por 
vezes umas com as outras por meio de estreitas galerias, nas quais se 
abriam cisternas e tulhas.
Algumas destas moradias remontavam \u00e0 idade do ferro. O que se descobriu 
em Nazar\u00e9 durante as escava\u00e7\u00f5es resume-se a umas dezenas de casas 
pertencentes a pequenos artes\u00e3os ou agricultores, mas permite-nos 
imaginar o escr\u00ednio onde nasceu e se desenvolveu a vida evang\u00e9lica: uma 
vida simples onde o homem vivia em primeiro lugar de amizade, de 
rela\u00e7\u00f5es: \u00abOnde est\u00e1 o teu tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o teu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. 
Com estas palavras Jesus consagrou a pobreza na qual passou 
toda a sua vida escondida: acaso n\u00e3o \u00e9 na op\u00e7\u00e3o por este tesouro que cada 
homem joga a sua pr\u00f3pria vida?
{K}A \u00abCASA DE MARIA\u00bb{/}

\u00c8 poss\u00edvel que, tal como sucedeu em Cafarnaum com a Casa de Pedro, a 
primeira comunidade de Nazar\u00e9 se tenha reunido na \u00abCasa de Maria\u00bb. Esta 
casa, muito simples, feita de pedras r\u00fasticas como as outras habita\u00e7\u00f5es 
em Nazar\u00e9, deve ter estado situada por cima ou em frente da \u00abGruta da 
Anuncia\u00e7\u00e3o\u00bb, que servia de arrecada\u00e7\u00e3o ou dispensa. Esta casa, onde muito 
provavelmente Maria recebeu o an\u00fancio do cumprimento da Promessa, iria 
converter-se no ponto de partida de uma longa sucess\u00e3o de edif\u00edcios 
religiosos.
As escava\u00e7\u00f5es empreendidas antes da constru\u00e7\u00e3o da moderna bas\u00edlica, 
come\u00e7ada em 1960, descobriram uma verdadeira sobreposi\u00e7\u00e3o de santu\u00e1rios. 
A sucess\u00e3o de edif\u00edcios, reconstru\u00eddos uns sobre os outros 
ininterruptamente, confirma a autenticidade do lugar pela continuidade de 
uma longa tradi\u00e7\u00e3o. Deste modo, partindo da bas\u00edlica actual, pode-se 
remontar no tempo at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria \u00abCasa de Maria\u00bb. O museu de Nazar\u00e9 
conserva algumas pedras da igreja sinagogal marcadas com numerosos 
grafitos que guardam, atrav\u00e9s dos tempos, as ora\u00e7\u00f5es dos primeiros 
peregrinos vindos aqui para proclamar a sua f\u00e9 e fazer os seus pedidos a 
Maria.
{K}AS PRIMEIRAS IGREJAS{/}

A \u00abCasa\u00bb de Maria, que sem d\u00favida se tornou pequena para acolher a 
comunidade crist\u00e3 de Nazar\u00e9, foi substitu\u00edda, a partir do s\u00e9culo II, por 
uma \u00abigreja sinagogal\u00bb. Esta permite aproximarmo-nos da vida lit\u00fargica 
destes irm\u00e3os dos primeiros tempos. Exemplo disso \u00e9 um baptist\u00e9rio 
extremamente simples, constitu\u00eddo s\u00f3 por uma pia e alguns degraus cavados 
na rocha calc\u00e1ria.

Uma pequena gruta, a alguns metros para oeste da gruta da Anuncia\u00e7\u00e3o, \u00e9 
chamada Gruta de Conon. De facto, as pinturas e grafitos fazem refer\u00eancia 
ao culto dos m\u00e1rtires. As paredes est\u00e3o cobertas de ramagens, algumas 
delas com flores. Esta decora\u00e7\u00e3o, frequente nas catacumbas romanas, 
proclama a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o, de que os m\u00e1rtires deram testemunho.
Aqui, neste \u00abmartyrium\u00bb, faz-se mem\u00f3ria de um parente afastado de Jesus, 
preso e martirizado em 249, na prov\u00edncia da Panf\u00edlia, na \u00c1sia Menor, 
durante a persegui\u00e7\u00e3o de D\u00e9cio; os Actos dos M\u00e1rtires e os grafitos 
tra\u00e7ados nessa gruta parecem levar-nos positivamente a essa conclus\u00e3o. Um 
mosaico votivo colocado \u00e0 entrada, tem a seguinte inscri\u00e7\u00e3o em grego: 
\u00abOferta de Conon, di\u00e1cono de Jerusal\u00e9m\u00bb. Este mosaico, da \u00e9poca 
bizantina, foi oferecido, no entanto, por um hom\u00f3nimo do m\u00e1rtir, 
porventura um seu parente.
{K}O BAPTIST\u00c9RIO DA IGREJA DE S\u00c3O JOS\u00c9{/}

A cripta da igreja conserva os vest\u00edgios de um baptist\u00e9rio judeo-crist\u00e3o. 
A presen\u00e7a destes dois baptist\u00e9rios, a uns cinquenta metros um do outro, 
s\u00f3 se pode compreender se se tiverem em conta as divis\u00f5es que marcaram a 
Hist\u00f3ria da Igreja atrav\u00e9s dos primeiros s\u00e9culos. Enquanto alguns 
crist\u00e3os de origem judaica progrediam numa Igreja cada vez mais aberta 
para acolher os pag\u00e3os, outros, recuando no caminho, fechavam-se cada vez 
mais na Lei, fragmentando-se numa multid\u00e3o de pequenas seitas, at\u00e9 se 
perderem  pouco e pouco e se separarem da Igreja-m\u00e3e.
Todo o simbolismo expresso no pavimento deste baptist\u00e9rio ter-se-ia 
perdido, se S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m, que foi Bispo desta cidade cerca do 
ano 350; n\u00e3o tivesse descrito, nas suas catequeses baptismais, o 
desenvolvimento da liturgia baptismal tal como se celebrava na Palestina. 
Deste modo, os sete rect\u00e2ngulos que conduzem \u00e0 pia baptismal evocam os 
seis anjos: Miguel, Gabriel, Uriel, Abrasax, Rafael e Azael, presidiam 
aos seis dias da primeira Cria\u00e7\u00e3o.
Quanto \u00e0 pedra de basalto negro cravada na parede, recordava a rocha da 
qual havia brotado \u00e1gua no deserto e, segundo a tradi\u00e7\u00e3o judaica 
[1Cor_10,4], acompanhou os israelitas at\u00e9 \u00e0 sua entrada na Terra 
Prometida.

{K}- S\u00c9FORIS{/}

As ru\u00ednas da cidade erguem-se a uns sete quil\u00f3metros, em linha recta, de 
Nazar\u00e9, dominando a plan\u00edcie de Bet Netof\u00e1, atravessada antigamente de 
leste para oeste pela estrada romana. Durante estes \u00faltimos anos foram 
efectuadas importantes escava\u00e7\u00f5es no lugar, as quais permitiram, entre 
outras coisas, desenterrar mosaicos romanos de grande beleza, testemunhos 
silenciosos do renascimento da cidade depois das perturba\u00e7\u00f5es que a 
sacudiram na \u00e9poca intertestament\u00e1ria.
{K}UM POUCO DE HIST\u00d3RIA{/}

Cidade da Baixa Galileia, ignorada durante a alta antiguidade, S\u00e9foris 
aparece pela primeira vez na \u00e9poca asmoneia, sob o reinado de Alexandre 
Janeu, e Fl\u00e1vio Josefo compraz-se em apresent\u00e1-la como a j\u00f3ia da 
Galileia.
Depois da conquista do pa\u00eds efectuada por Pompeu, passam apenas dez anos 
quando o legado da S\u00edria, Gab\u00ednio, faz dela a capital da Galileia. Fl\u00e1vio 
Josefo conta tamb\u00e9m como Herodes o Grande, depois de regressar de Roma, 
se apoderou da cidade de S\u00e9foris alguns anos mais tarde, pois esta se 
encontrava em poder dos partid\u00e1rios de Ant\u00edgono, o que conseguiu gra\u00e7as a 
um forte nev\u00e3o.
\u00c0 morte do rei, uma grande como\u00e7\u00e3o atingiu Jerusal\u00e9m, propagando-se por 
toda a Judeia e Galileia. Chamado por Sabino, que se encontrava com as 
suas tropas em dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o, o general Varr\u00e3o, legado da S\u00edria, vem 
de Antioquia para p\u00f4r ordem no pa\u00eds. S\u00e9foris foi duramente castigada: os 
habitantes que n\u00e3o foram crucificados foram vendidos como escravos.
\u00c0 morte de Herodes, a Palestina foi dividida em cinco tetrarquias, e a 
Galileia passou para o poder de Herodes Antipas. Este mandou reconstruir 
a cidade que tinha sido incendiada por Varr\u00e3o, fortificou-a e fez dela a 
capital provis\u00f3ria da Galileia.

{K}- NAIM E SUNAM
OS MORTOS LEVANTAR-SE-\u00c3O{/}

O povoado de Shunem fica na ladeira sul da colina, ao passo que Naim est\u00e1 
na ladeira norte.
Elias e Eliseu, dois profetas do Reino do Norte, tinham recebido a miss\u00e3o 
de reconduzir o cora\u00e7\u00e3o de Israel ao Deus \u00fanico, Senhor soberano da vida. 
Elias tinha ressuscitado o filho \u00fanico da vi\u00fava de Sarepta [1Rs_17,9] - 
[1Rs_17,24]; por sua vez, Eliseu, rezando na solid\u00e3o da sua casa, e 
imitando os gestos do Criador, que tinha soprado nas narinas do homem o 
sopro da vida, restituiu com vida um filhinho a sua m\u00e3e, a sunamita 
[2Rs_4,8] - [2Rs_4,37].
Dois s\u00e9culos mais tarde, o \u00fanico que pode dizer com toda a verdade \u00abEu 
sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u00bb ressuscitou o filho da vi\u00fava de Naim s\u00f3 com 
o poder da sua palavra [Lc_7,11] - [Lc_7,17].
{K}- TABGHA{/}

O lugar de Tabgha, as \u00absete fontes\u00bb, de acordo com a etimologia grega, 
encontra-se no sop\u00e9 do monte das Bem-aventuran\u00e7as, na margem ocidental do 
lago de Tiber\u00edades. Nos primeiros s\u00e9culos, os peregrinos paravam ali para 
comemorar, juntamente com o \u00abSerm\u00e3o da Montanha\u00bb, a \u00abMultiplica\u00e7\u00e3o dos 
P\u00e3es\u00bb.
 Esta pequena nascente termal, cujo manancial de \u00e1guas sulfurosas se 
demonstrava ben\u00e9fico para certas doen\u00e7as da pele, encontrava-se junto da 
Via Maris, descendo pela plan\u00edcie costeira em direc\u00e7\u00e3o ao alto Jord\u00e3o.
{K}UMA OU DUAS MULTIPLICA\u00c7\u00d5ES DOS P\u00c3ES?{/}

Lucas e Jo\u00e3o s\u00f3 falam de uma multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es. No tocante \u00e0s \u00abduas\u00bb 
multiplica\u00e7\u00f5es, ter\u00e1 havido duas narra\u00e7\u00f5es do mesmo acontecimento que, 
por erro, ou por raz\u00f5es teol\u00f3gicas, foram conservadas juntamente? Os 
pormenores que situam a primeira em ambiente judaico e a segunda em 
ambiente \u00abgrego\u00bb poder\u00e3o ter sido apenas um meio pedag\u00f3gico para lhes 
acrescentar significa\u00e7\u00f5es complementares.
 Por outro lado, Jo\u00e3o diz-nos que os judeus que beneficiaram do milagre 
alcan\u00e7aram Jesus em Cafarnaum atravessando o mar [Jo_6,22] e [Jo_6,25]. 
Por conseguinte tinham ficado na margem oriental do lago e do Jord\u00e3o, 
precisamente no lugar onde se situa a narra\u00e7\u00e3o da segunda multiplica\u00e7\u00e3o 
dos p\u00e3es, o que leva a pensar que n\u00e3o houve sen\u00e3o uma. Esta multiplica\u00e7\u00e3o 
deve situar-se na margem oriental do lago, perto de Kursi, onde um 
mosteiro bizantino a comemora.
Neste caso, o lugar de peregrina\u00e7\u00e3o de Tagbha deve ter sido uma 
desloca\u00e7\u00e3o, como tantas outras acontecidas na Palestina e noutros 
lugares. Quando, por raz\u00f5es pol\u00edticas, ou outras, um lugar de 
peregrina\u00e7\u00e3o se torna inacess\u00edvel, n\u00e3o tarda em aparecer noutro s\u00edtio um 
santu\u00e1rio onde os peregrinos poder\u00e3o comemorar o acontecimento.
\u00c9 poss\u00edvel pensar que, quando as peregrina\u00e7\u00f5es se multiplicaram, durante 
os primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, se procurou evitar a margem oriental 
do lago, zona des\u00e9rtica, in\u00f3spita e perigosa do planalto do Gol\u00e3. 
Escolheu-se ent\u00e3o Tagbha, a oeste, para ali comemorar o milagre dos p\u00e3es. 
Isto tinha outra vantagem: poder celebrar a multiplica\u00e7\u00e3o antes de chegar 
a Cafarnaum, alguns quil\u00f3metros mais adiante, o lugar onde Jesus tinha 
pronunciado o discurso do p\u00e3o da vida. A peregrina\u00e7\u00e3o pela Galileia 
compreendia dois momentos fortes: Nazar\u00e9 e Cafarnaum. Subindo de Nazar\u00e9 
para Can\u00e1, toma-se, a partir de Magdala, a antiga rota que seguia a 
margem do lago e conduzia a Cafarnaum, depois de haver feito uma paragem 
em Tagbha.
Esta explica\u00e7\u00e3o tem o seu interesse, j\u00e1 que se pode observar que ningu\u00e9m 
punha em d\u00favida, naquele tempo, a dupla multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, e Tagbha 
podia ter a sua tradi\u00e7\u00e3o, tal como Kursi a tinha na outra margem.
N\u00e3o obstante, \u00e9 cert\u00edssimo que as duas narra\u00e7\u00f5es da multiplica\u00e7\u00e3o dos 
p\u00e3es feitas por Marcos e Mateus fazem parte de um dos blocos mais antigos 
da tradi\u00e7\u00e3o oral, muito antes da redac\u00e7\u00e3o do Evangelho. O facto de Marcos 
e Mateus insistirem fortemente em que houve duas (Mc 8,19) e a diferen\u00e7a 
evidente do contexto destes dois acontecimentos, pesam muito fortemente a 
favor da sua autenticidade hist\u00f3rica. E quando o Evangelho fala de 
atravessar o mar, pode ter querido dizer simplesmente: alcan\u00e7ar outro 
ponto da margem (ver [Mc_6,45] e [Mc_8,13]).
{K}- O TABOR{/}

\u00abTeu \u00e9 o C\u00e9u, e a Terra Te pertence, Tu fundaste o mundo, e tudo o que 
nele existe. O Norte e o Sul, Tu os criaste. O Tabor e o Hermon aclamam o 
teu Nome\u00bb [Sl_89,12] - [Sl_89,13].
Para celebrar as maravilhas da Cria\u00e7\u00e3o, o salmista n\u00e3o hesita em 
associar, no seu louvor, o Tabor, modesta colina de 588 metros de 
altitude, ao Hermon, de cumes nevados. Dominando as plan\u00edcies calc\u00e1rias 
que percorrem o Nahal Tabor e seus afluentes, este monte solit\u00e1rio eleva-
se com aspecto acolhedor no sul da Baixa Galileia.
{K}O TABOR, MONTANHA SAGRADA DESDE A ANTIGUIDADE{/}

Com toda a certeza, foi um dos \u00ablugares altos\u00bb do culto cananeu. De 
facto, a B\u00edblia diz-nos que no s\u00e9culo VIII a.C. o profeta Oseias, no 
come\u00e7o do seu minist\u00e9rio no Reino de Israel, ergueu-se violentamente 
contra os respons\u00e1veis pol\u00edticos e religiosos; n\u00e3o eram acaso como uma 
rede armada sobre o Tabor [Os_5,1], uma armadilha para Israel, que o 
desviava da Alian\u00e7a empurrando-o para os \u00eddolos de Cana\u00e3?
A situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Tabor fazia dele um verdadeiro observat\u00f3rio de 
onde se podia vigiar a vasta plan\u00edcie de Jezrael. Aqui se situa no s\u00e9culo 
XII a.C. a reuni\u00e3o das tribos do norte da Palestina ap\u00f3s a convoca\u00e7\u00e3o de 
D\u00e9bora e Barac, e a vit\u00f3ria deste \u00faltimo sobre os pr\u00edncipes de Cana\u00e3 
[Jz_4,1] e [Jz_5,1].
{K}LUGAR TRADICIONAL DA TRANSFIGURA\u00c7\u00c3O DE JESUS{/}

O texto evang\u00e9lico n\u00e3o d\u00e1 indica\u00e7\u00e3o alguma a respeito da \u00abalta montanha\u00bb 
da Transfigura\u00e7\u00e3o; e, segundo parece, nos come\u00e7os do IV s\u00e9culo d.C., 
ainda n\u00e3o existia unanimidade acerca da localiza\u00e7\u00e3o deste epis\u00f3dio 
evang\u00e9lico. A Igreja de Jerusal\u00e9m celebrava-o no Monte das Oliveiras, 
outros pensavam no Hermon. Eus\u00e9bio de Cesareia, ao escrever sobre este 
tema cerca de 320 d.C., nada diz acerca da quest\u00e3o, mas alguns dec\u00e9nios 
mais tarde, S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m e S\u00e3o Jer\u00f3nimo reunidos por Eus\u00e9bio 
nessa altura, identificaram o Tabor com a \u00abalta montanha\u00bb a que Jesus 
subiu com Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, e na qual Se transfigurou. Os sucessivos 
santu\u00e1rios, bizantinos e depois dos cruzados, conservaram e deram cr\u00e9dito 
a  esta localiza\u00e7\u00e3o aos olhos dos peregrinos. 

{K}- JEZRAEL
A CIDADE DE JEZRAEL{/}

O termo engloba, de facto, duas realidades: uma cidade e uma regi\u00e3o. A 
cidade deu o nome \u00e0 plan\u00edcie. Um \u00abtell\u00bb no sop\u00e9 do monte Gelbo\u00e9 conserva 
os restos da cidade que conheceu um per\u00edodo de grande prosperidade nos 
tempos de Salom\u00e3o, e depois no reinado de Acab. Foi aqui que este \u00faltimo 
mandou construir a sua \u00abcasa de campo\u00bb (entre 874 e 853) e foi tamb\u00e9m 
aqui que mandou assassinar Nabot [1Rs_21,1].
{K}A PLAN\u00cdCIE DE JEZRAEL{/}

Estende-se desde o monte Gelbo\u00e9 at\u00e9 monte Carmelo, unindo a plan\u00edcie 
costeira com o vale do Jord\u00e3o, servindo tamb\u00e9m de fronteira natural entre 
a Galileia e a Samaria. O solo, rico de aluvi\u00f5es depositadas pelas 
numerosas nascentes que alimentam o Quison, fizeram desta plan\u00edcie o 
celeiro do pa\u00eds e deram-lhe o seu nome de \u00abYizreel\u00bb, que quer dizer \u00abDeus 
semeia\u00bb [Os_2,24] - [Os_2,25].
A plan\u00edcie de Jezrael \u00e9 o cen\u00e1rio de narra\u00e7\u00f5es populares, como a hist\u00f3ria 
de Gede\u00e3o, que derrota os madianitas ao surpreend\u00ea-los em pleno sono com 
um punhado de homens escolhidos de entre todos os que podiam combater, 
sem ter outras armas sen\u00e3o uma trombeta, uma tocha e um pote vazio 
[Jz_7,1].
