{N}A PLAN\u00cdCIE COSTEIRA{/}

{K}- ACO{/}

A uns doze quil\u00f3metros a noroeste de Haifa, a costa mediterr\u00e2nea desenha 
uma esp\u00e9cie de bico que aponta para o sul na direc\u00e7\u00e3o do Carmelo. Uma 
enseada natural, protegida na largura por essa sali\u00eancia da costa, serviu 
de porto desde a antiguidade, ajudada por um dique colocado para 
neutralizar os ventos de sudoeste, que produzem forte ondula\u00e7\u00e3o no lugar.
Deste modo, a pr\u00f3pria natureza tinha predisposto que este lugar se 
tornasse um ponto de encontro das actividades comerciais da regi\u00e3o.
Por Aco transitavam os produtos desembarcados pelos marinheiros 
provenientes das {N}\u00abilhas\u00bb{/} e as mercadorias que as caravanas que subiam 
pela rota que ia de Meguido para a \u00c1sia Menor transportavam.
A cidade mudou v\u00e1rias vezes de nome: foi Aco, enquanto cidade cananeia; 
{N}Ptolemaida,{/} no per\u00edodo helenista; S\u00e3o{N} Jo\u00e3o{/} de Acre, durante as 
Cruzadas; os \u00e1rabes chamaram-lhe Akka; depois recuperou o seu nome 
b\u00edblico de Aco.
{K}TELL-ACO{/}

Os primeiros habitantes da regi\u00e3o instalaram-se numa colina situada a mil 
e quinhentos metros a leste do porto actual. Esta popula\u00e7\u00e3o campestre 
deixou, como vest\u00edgios da sua passagem, numerosos fragmentos de cer\u00e2mica, 
encontrados em grutas cavadas directamente na rocha.
Cerca do ano 2000 a.C., os habitantes protegeram a sua cidade com 
muralhas que rodeiam a colina e cuja porta principal se abre para o mar. 
Nessa \u00e9poca, Aco \u00e9 mencionada pelo primeira vez nas f\u00f3rmulas de maldi\u00e7\u00e3o 
eg\u00edpcias. Um ou dois s\u00e9culos mais tarde, uma onda de urbaniza\u00e7\u00e3o invade a 
costa cananeia: a cidade desenvolve-se, gra\u00e7as \u00e0 sua actividade 
industrial e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es comerciais que se entrecruzam com a \u00c1sia Menor, 
Chipre e Micenas. Com certeza nessa altura deve ter sofrido tamb\u00e9m a 
ocupa\u00e7\u00e3o de algum dos povos vindos do mar.
Nos in\u00edcios do Bronze Recente (1500-1200 a.C.), os eg\u00edpcios expulsam os 
hicsos e v\u00eam ocupar a regi\u00e3o. Assim, os eg\u00edpcios conservar\u00e3o a estrutura 
pol\u00edtica das cidades-estado a eles submetidas.
{K}PER\u00cdODO ISRAELITA{/}

\u00c0 medida que Israel se foi fortalecendo, logrou sucessivamente impor a 
sua autoridade sobre os povos cananeus. No entanto, numerosas cidades 
conseguiram salvaguardar a sua autonomia: {C}Aser n\u00e3o conseguiu expulsar os 
habitantes de Aco, nem os de Sid\u00f3nia, de Maaleb, de Aczib, de Helba, de 
Afec e de Roob. Os aseritas, portanto, ficaram a morar no meio dos 
cananeus da regi\u00e3o{/} [Jz_1,31] - [Jz_1,32].
Depois de v\u00e1rios s\u00e9culos de decad\u00eancia, a cidade conheceu um novo per\u00edodo 
de grande prosperidade, nos s\u00e9culos VIII e VII a.C. Muito cobi\u00e7ada como 
cabe\u00e7a de ponte comercial e militar, sofreu o assalto dos ass\u00edrios 
comandados por Senaquerib nos princ\u00edpios do s\u00e9culo VII, e depois, no 
s\u00e9culo VI, o dos persas.
{K}PTOLEMAIDA{/}

A morte de Alexandre deixou o seu vasto imp\u00e9rio abandonado \u00e0 cobi\u00e7a dos 
seus amigos e companheiros de armas. Nestas lutas sem piedade, cidades e 
prov\u00edncias eram disputadas com avidez sem igual pelos sucessores do 
comandante maced\u00f3nio: os {C}l\u00e1gidas{/} do Egipto dominaram a Palestina de 323 
a 198 a.C. e foram os primeiros donos de Aco; deram-lhe o nome de 
Ptolemaida, em honra de Ptolomeu Filadelfo (285-246), o qual a 
engrandeceu consideravelmente. Conquistada por Ant\u00edoco II, passou para as 
m\u00e3os dos {C}sel\u00eaucidas.{/} Quando os judeus se rebelaram contra a persegui\u00e7\u00e3o 
religiosa empreendida por Ant\u00edoco Epif\u00e2nio, a cidade tomou o partido 
deste. Ser\u00e1 aqui que Trif\u00e3o aprisionar\u00e1 J\u00f3natas por meio de um ardil 
[1Mc_12,39] - [1Mc_12,48].
{K}PTOLEMAIDA VISITADA POR PAULO{/}

De regresso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo fez 
uma escala em Ptolemaida: {C}Continuando a nossa viagem por mar, de Tiro 
cheg\u00e1mos a Ptolemaida. A\u00ed cumpriment\u00e1mos os irm\u00e3os e fic\u00e1mos um dia com 
eles. No dia seguinte partimos e cheg\u00e1mos a Cesareia{/} [Act_21,7].

{K}- AMWAS - EMA\u00daS{/}

A primeira ideia que nos vem \u00e0 mem\u00f3ria ao ouvir o nome de Ema\u00fas \u00e9, sem 
d\u00favida, a narra\u00e7\u00e3o de Lucas conhecida por \u00abOs peregrinos de Ema\u00fas\u00bb. N\u00e3o 
obstante a import\u00e2ncia do epis\u00f3dio, \u00e9 muito dif\u00edcil determinar a 
localiza\u00e7\u00e3o exacta do lugar onde cearam os dois disc\u00edpulos com Jesus 
ressuscitado. A cidade \u00e9 conhecida atrav\u00e9s dos textos tardios do Antigo 
Testamento, mas a dist\u00e2ncia que a separa de Jerusal\u00e9m n\u00e3o concorda com a 
indicada pelos melhores manuscritos do evangelho.
No s\u00e9culo V a.C. existia a noroeste de Jerusal\u00e9m uma aldeia chamada 
Hamtham, o que significa nascentes quentes. Este lugar foi rebaptizado na 
\u00e9poca helen\u00edstica, chamou-se Amma\u00fas, e com esse nome o encontramos no 
primeiro livro dos Macabeus. Judas apodera-se da cidade depois de ter 
vencido G\u00f3rgias, o chefe dos gregos [1Mc_4,14]. Pouco depois o general 
s\u00edrio B\u00e1quides construir\u00e1 uma fortaleza em Ema\u00fas para bloquear a passagem 
para a Judeia.
{K}\u00c0 PROCURA DE EMA\u00daS{/}

A semelhan\u00e7a dos nomes  (Amma\u00fas e Ema\u00fas) levou os autores antigos, entre 
eles Or\u00edgenes (185-254) e S\u00e3o Jer\u00f3nimo (347-420), a localizar aqui o 
epis\u00f3dio dos Peregrinos de Ema\u00fas.
O local encontra-se a 30 km. a oeste de Jeusal\u00e9m; esta dist\u00e2ncia 
corresponde, com bastante exactid\u00e3o, aos 160 est\u00e1dios (29,6 km) 
registados por certos manuscritos de Lucas, mas n\u00e3o aos 60 est\u00e1dios (11,1 
km) mencionados na maioria dos textos antigos.
Por conseguinte, ser\u00e3o propostas outras localiza\u00e7\u00f5es que corresponder\u00e3o 
\u00e0s aldeias actuais de Abu-Gosh, El-Qubeibe, ou at\u00e9 Mosa, todas situadas a 
uma dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m que concordaria melhor com os dados fornecidos 
pela maioria dos manuscritos. Mas isso importa pouco, pois o essencial 
vai mais al\u00e9m da localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do local.
{K}O RELATO DOS DOIS PEREGRINOS{/}

A narra\u00e7\u00e3o come\u00e7a e acaba em Jerusal\u00e9m, e esta dupla caminhada, que passa 
por Ema\u00fas, far\u00e1 mudar tudo para os disc\u00edpulos, que haviam perdido a 
esperan\u00e7a. Jesus explica-lhes as Escrituras e faz-lhes percorrer o 
caminho que vai da f\u00e9 de Israel \u00e0 f\u00e9 no seu mist\u00e9rio de Morte e 
Ressurrei\u00e7\u00e3o. Assim, quando regressam a Jerusal\u00e9m, j\u00e1 trazem os olhos 
abertos e o cora\u00e7\u00e3o arde-lhes no peito: passaram do conhecimento de Jesus 
de Nazar\u00e9 ao reconhecimento do Senhor Ressuscitado.

{K}- AFEC - ANTIP\u00c1TRIDE{/}

Um combate memor\u00e1vel teve lugar em Afec nos dias de Samuel: Israel foi 
destro\u00e7ado pelos filisteus e a Arca capturada. Mil anos mais tarde, Paulo 
faria escala nesta cidade, nessa altura chamada Antip\u00e1tride: levavam-no 
sob escolta de Jerusal\u00e9m para Cesareia Mar\u00edtima.
Situada no eixo rodovi\u00e1rio norte-sul, a uns quinze quil\u00f3metros do 
Mediterr\u00e2neo, Afec estava no ponto de encontro de duas rotas importantes: 
a {N}\u00abVia Maris\u00bb,{/} ou Rota do Mar, que vinha do Egipto e, seguindo a costa, 
ia para norte; e a subida para Jerusal\u00e9m. Dominava tamb\u00e9m a estreita 
passagem entre as fontes do Yarkon e as colinas a leste; tirava proveito 
dos interc\u00e2mbios comerciais entre os grandes do Egipto, da S\u00edria, da 
Mesopot\u00e2mia e da Anat\u00f3lia. Documentos administrativos do s\u00e9culo XIII a.C. 
em ac\u00e1dico, eg\u00edpcio, e hitita, bilingues e trilingues, ilustram o papel 
que a cidade desempenhava no plano das rela\u00e7\u00f5es internacionais. 
Cerca do ano 1230 a.C., a conquista do pa\u00eds pelos eg\u00edpcios p\u00f4s termo aos 
bons tempos de independ\u00eancia e prosperidade; a cidade foi quase 
totalmente destru\u00edda: apenas ficou a fortaleza como resid\u00eancia para o 
governador eg\u00edpcio.
{K}DERROTA DE ISRAEL E CAPTURA DA ARCA{/}

Recha\u00e7ados por Rams\u00e9s III, os {N}filisteus{/} (ou Povos do Mar) instalaram-se 
a sul da plan\u00edcie costeira da Palestina. Os conflitos entre os rec\u00e9m-
chegados e as tribos de Israel n\u00e3o se fizeram esperar, pois as tribos 
n\u00f3madas tamb\u00e9m procuravam lugar onde habitar. Provavelmente, nessa \u00e9poca 
Afec j\u00e1 estava em ru\u00ednas. Teve aqui lugar o epis\u00f3dio relatado no primeiro 
livro de Samuel: {C}Os filisteus come\u00e7aram o combate. Israel foi vencido e 
cada um fugiu para a sua tenda. A derrota foi grande, pois do lado de 
Israel foram mortos trinta mil guerreiros. A Arca de Deus foi tomada, e 
os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, morreram{/} [1Sm_4,10] - 
[1Sm_4,11].
{K}PAULO EM ANTIP\u00c1TRIDE{/}

Na \u00e9poca helen\u00edstica, o lugar tomou o nome de Pegae, que significa \u00abas 
fontes\u00bb. Herodes restaurou a cidade em 9 a.C., e deu-lhe o nome de 
Antip\u00e1tride, em honra de seu pai Ant\u00edpatro, ministro de Hircano II. 
Construiu um bairro comercial ao longo da rua principal, que mandou 
embelezar, formando assim o eixo principal, ladeado de lojas comerciais. 
A cidade servir\u00e1 ent\u00e3o de escala entre Jerusal\u00e9m e Cesareia, a nova 
capital.
O livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos refere que Paulo fez ali uma paragem na 
altura da sua transfer\u00eancia para Cesareia Mar\u00edtima: {C}O tribuno chamou 
dois centuri\u00f5es e ordenou: \u00abTende preparados, desde as nove horas da 
noite, duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros para 
irem at\u00e9 Cesareia. E tamb\u00e9m cavalos, para que Paulo possa viajar e ser 
conduzido s\u00e3o e salvo ao governador F\u00e9lix\u00bb... Conforme lhes fora 
ordenado, os soldados tomaram Paulo e levaram-no de noite at\u00e9 
Antip\u00e1tride. No dia seguinte, os soldados voltaram \u00e0 fortaleza e deixaram 
os cavaleiros seguir viagem com Paulo{/} [Act_23,23] ... [Act_23,31].
{K}- AZOTO (ASODO){/}

Na \u00e9poca dos Ju\u00edzes, esta cidade era uma das cinco que formavam a 
federa\u00e7\u00e3o filisteia, famosa pelo seu templo dedicado ao deus Dagon. Este 
pobre deus teve de sofrer a humilha\u00e7\u00e3o que lhe veio da presen\u00e7a da Arca 
Santa dentro dos muros do seu templo.
A tradi\u00e7\u00e3o guerreira pedia que os trof\u00e9us sagrados fossem guardados no 
Templo do deus dos vencedores. A Arca da Alian\u00e7a tinha sido capturada e 
colocada pelos filisteus no templo do seu deus Dagon. Estava cativo do 
\u00eddolo tamb\u00e9m o Deus de Israel? Ora \u00e9 aqui que a Arca inverte a situa\u00e7\u00e3o: 
Dagon \u00e9 ridicularizado, e os filisteus deixam de causar dano. A Arca fora 
capturada, mas Deus venceu, Ele continua Senhor da Hist\u00f3ria.
{C}Os filisteus tomaram a Arca de Deus e levaram-na de Ebenezer para Azoto. 
Tomaram a Arca de Deus e colocaram-na no templo de Dagon, junto \u00e0 est\u00e1tua 
de Dagon. Na manh\u00e3 seguinte os habitantes de Azoto levantaram-se e 
encontraram Dagon ca\u00eddo de bru\u00e7os diante da Arca de Jav\u00e9. Pegaram em 
Dagon e puseram-no novamente no seu lugar. Na manh\u00e3 seguinte levantaram-
se e de novo encontraram Dagon ca\u00eddo de bru\u00e7os diante da Arca de Jav\u00e9. A 
cabe\u00e7a de Dagon e as duas m\u00e3os cortadas estavam sobre a soleira da porta. 
S\u00f3 o tronco de Dagon estava no seu lugar{/} [1Sm_5,1] - [Sm_5,4].

{K}- ASCALON{/}

Por debaixo do parque nacional de Ashkelon (ou Ascalon, em tempos idos), 
uma vintena de cidades soterradas poderiam falar-nos dos cinco mil anos 
de ocupa\u00e7\u00e3o, desde 3500 a.C. at\u00e9 1500 d.C.
Cidade cananeia, conquistada pelos povos do mar no s\u00e9culo XII a.C., 
federou-se com Gaza, Asdod, Ecron e Gat para formar a \u00abPent\u00e1pole 
Filisteia\u00bb. Dizimada pelos caldeus, assediada por Alexandre Magno, 
embelezada pelos romanos e bizantinos, deu no entanto muito fio a torcer 
no tempo das Cruzadas, antes de desaparecer debaixo da areia.
A B\u00edblia s\u00f3 faz men\u00e7\u00e3o de Ascalon para situar nela uma personagem de 
grande colorido: Sans\u00e3o.
{K}O FAMOSO SANS\u00c3O{/}

A mem\u00f3ria conserva a imagem deste her\u00f3i lend\u00e1rio cuja for\u00e7a prodigiosa s\u00f3 
tinha igual na sua fraqueza pelas mulheres bonitas e, para c\u00famulo, pelas 
filhas dos filisteus, esses \u00abincircuncisos\u00bb que amea\u00e7avam continuamente 
os territ\u00f3rios ocupados pela tribo de D\u00e3. Pois bem, Sans\u00e3o \u00e9 um danita. 
Contrariamente aos outros Ju\u00edzes, Sans\u00e3o enfrenta apenas os filisteus. 
 S\u00f3 por altura da sua morte, em Gaza, Sans\u00e3o alcan\u00e7a a dimens\u00e3o de um 
her\u00f3i religioso de tr\u00e1gico destino. Encontrando-se prisioneiro e cego, 
depois de haver perdido o seu poder juntamente com a sua cabeleira, 
Sans\u00e3o dirige-se finalmente a Deus e pede-Lhe que lhe devolva a for\u00e7a de 
antes. Por ocasi\u00e3o de uma festa celebrada em honra do deus Dagon, em 
Gaza, Sans\u00e3o derruba as colunas que sustentam o edif\u00edcio, e morre 
juntamente com o rei dos filisteus sob os escombros. Converte-se assim em 
instrumento providencial da liberta\u00e7\u00e3o de Israel, porque Jav\u00e9 os entregou 
nas m\u00e3os dos filisteus... [Jz_13,1].

{K}- BET-SAMES{/}

Situada no extremo norte de Sefel\u00e1, ostenta o nome de \u00abCasa do Sol\u00bb, e a 
B\u00edblia d\u00e1-nos dela uma imagem serena e luminosa: {C}Os habitantes de Bet-
Sames ceifavam o trigo no vale{/} [1Sm_6,13]. A riqueza agr\u00edcola dos campos 
circundantes, com os numerosos lagares de vinho e azeite encontrados no 
local, assegurou durante longo tempo a prosperidade desta cidade dada em 
heran\u00e7a aos levitas, no momento da reparti\u00e7\u00e3o da terra de Cana\u00e3. A cidade 
ofereceu pousada \u00e0 Arca quando subia de regresso a Jerusal\u00e9m [2Sm_6,1].
{K}AS AVENTURAS DA ARCA{/}

Quando se sobe da plan\u00edcie costeira para Jerusal\u00e9m, segue-se com muita 
probabilidade o caminho que utilizou a Arca da Alian\u00e7a quando deixou o 
pa\u00eds dos filisteus para se dirigir \u00e0 cidade de David. Hoje o peregrino 
passa em frente do santu\u00e1rio de Qiryat Yearim, dedicado \u00e0 Virgem Maria, 
que a Igreja invoca com o t\u00edtulo \u00abArca da Alian\u00e7a\u00bb. Honrosa analogia que 
compara a Arca Santa com Aquela que trouxe no seio o Verbo feito carne, 
nascido do seu ventre e do Pai Eterno, para ser para sempre a Alian\u00e7a  
entre Deus e o homem.
A Arca da Alian\u00e7a de Jav\u00e9 era o sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a de Deus no meio 
do seu povo: continha dentro de si {C}as \u00abDez Palavras\u00bb inscritas na pedra 
pela pr\u00f3pria m\u00e3o de Deus,{/} no Monte Sinai. Depois da entrada em Cana\u00e3, 
Josu\u00e9 colocou-a em Silo, convertendo assim esta pequena aldeia no 
santu\u00e1rio central de Israel.
Depois da derrota de Afec, os filisteus apoderam-se da Arca. Mas logo que 
a colocam numa das suas cidades, ela traz-lhes m\u00e1 sorte: os filisteus 
aprender\u00e3o, \u00e0 sua custa, que diante do Deus de Israel, os seus deuses s\u00e3o 
insignificantes e impotentes. Em Azoto, primeiramente [1Sm_5,6], depois 
em Gat e Acaron. Os sacerdotes filisteus descobrem a origem do mal e 
prop\u00f5em o rem\u00e9dio: {C}Eles assim fizeram. Tomaram duas vacas com crias e 
atrelaram-nas ao carro, deixando os bezerros no curral. Colocaram a Arca 
de Jav\u00e9 no carro e tamb\u00e9m o cofre com os ratos de ouro e as imagens dos 
tumores. As vacas foram logo pelo caminho de Bet-Sames. Iam mugindo, sem 
se desviarem nem para a direita nem para a esquerda. Os pr\u00edncipes dos 
filisteus acompanharam-nas at\u00e9 \u00e0s fronteiras de Bet-Sames{/} [1Sm_6,10] - 
[1Sm_6,12].
De Bet-Sames a Arca \u00e9 transportada para os montes, para Cariat-Iarim, 
lugar que apesar disso nunca se converteu em lugar de culto para Israel. 
Nos livros de Samuel, a narra\u00e7\u00e3o das aventuras da Arca desenrola-se em 
paralelo com a hist\u00f3ria de Samuel e a aproxima\u00e7\u00e3o da monarquia. Assim, s\u00f3 
com David, o rei segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus, a Arca chega ao seu destino 
final, pois David f\u00e1-la subir para Jerusal\u00e9m [2Sm_6,1].

{K}- O CARMELO{/}

A sua cabe\u00e7a que se alteia como o Carmelo,
E os seus cabelos cor de p\u00farpura
Prendendo um rei nas tran\u00e7as{/} [Ct_7,6].
No poema do  C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos - que celebra o amor humano e as 
n\u00fapcias de Deus com a Humanidade - a cabe\u00e7a da bem-amada, altiva, soberba 
e sedutora, \u00e9 como o Monte Carmelo. Este monte levanta-se como uma 
carranca de proa sobre o Mediterr\u00e2neo, dominando a ba\u00eda de Haifa. O 
profeta Isa\u00edas conta o seu cume coroado de pinheiros e verdes azinhais; e 
as encostas, cobertas de vinhedos e olivais em socalcos [Is_35,1].
Esta crista rochosa, de tons suaves que v\u00e3o do cinzento ao rosado, e que 
se destacam no azul do c\u00e9u, conserva ainda algo da gl\u00f3ria de Elias, o 
profeta que surgiu {C}como um fogo, e a sua palavra queimava como um facho. 
Fez vir contra eles a fome e, por causa do seu zelo, reduziu-os a um 
pequeno n\u00famero. Por ordem do Senhor, ele fechou o c\u00e9u e, por tr\u00eas vezes, 
fez descer o fogo{/} [Ecl_48,1] - [Ecl_48,4].
A vertente ocidental deste maci\u00e7o montanhoso \u00e9 sulcada por numerosos 
{C}wadis{/} que desembocam no Mediterr\u00e2neo entre Haifa e Cesareia Mar\u00edtima. 
As suas paredes acham-se perfuradas de grutas algumas das quais, ocupadas 
desde a \u00e9poca Musteriense (90.000-35.000 a.C.), deram uma contribui\u00e7\u00e3o 
fundamental para o conhecimento da rela\u00e7\u00e3o entre o {C}homem de Neanderthal{/} 
e o {C}homo sapiens sapiens{/} (Cf. Introdu\u00e7\u00e3o, pr\u00e9-hist\u00f3ria). 
Um modesto vale separa o Carmelo dos montes da Samaria. A vertente 
oriental, muito abrupta, domina a grande ba\u00eda de Aco e a rica plan\u00edcie 
que atravessa o Quison.
{K}O CARMELO, MONTANHA SAGRADA{/}

Na lista das conquistas de Tutm\u00f3sis III, no s\u00e9culo XV a.C., o Carmelo 
aparace com o nome de Rosha Qadesh (montanha santa). Muito antes da \u00e9poca 
b\u00edblica, antes que Elias e Eliseu, seu disc\u00edpulo, ali residissem, a 
majestade deste promont\u00f3rio j\u00e1 tinha atra\u00eddo os navegadores fen\u00edcios, que 
edificaram nele um templo a Baal.
{K}ELIAS, O PROFETA QUE SURGIU COMO UM FOGO{/}

No cap\u00edtulo 17 do primeiro livro dos Reis, Elias levanta-se contra Acab, 
rei de Israel (875-853 a.C.) e declara-lhe com a firmeza que lhe confere 
o seu minist\u00e9rio da Palavra: {C}\u00abPela vida de Jav\u00e9, o Deus de Israel, a 
quem sirvo: nestes anos n\u00e3o haver\u00e1 orvalho nem chuva, a n\u00e3o ser quando eu 
mandar\u00bb{/} [1Rs_17,1].
Acab tinha casado com Jezabel, filha de Elbaal, rei dos sid\u00f3nios e sumo 
sacerdote de Melkart, o Baal t\u00edrio mais tarde identificado com H\u00e9racles 
no per\u00edodo helen\u00edstico. Instigado pela esposa, Acab come\u00e7ou a servir Baal 
e prostrava-se diante dele, enquanto ela urdia intrigas, matava \u00e0 espada 
os profetas de Jav\u00e9 e fazia toda a esp\u00e9cie de maquina\u00e7\u00f5es para substituir 
Jav\u00e9, o Deus de Israel, pelos Baales fen\u00edcios, deuses dos elementos e da 
fertilidade.
Dia ap\u00f3s dia a seca assolava com maior crueldade a Israel. Acab mandou 
ent\u00e3o buscar Elias. Ei-lo de novo diante do rei: {C}Pois bem! Manda reunir 
todo o Israel comigo no monte Carmelo, com os quatrocentos e cinquenta 
profetas de Baal, que comem \u00e0 mesa de Jezabel\u00bb{/} [1Rs_18,17] - 
[1Rs_18,20].
{K}EL MUHRAQ\u00c1: O SACRIF\u00cdCIO DO CARMELO{/}

\u00c9 o lugar tradicional do sacrif\u00edcio do Carmelo. Apesar da Alian\u00e7a selada 
com Deus no monte Horeb, o povo de Israel acomoda-se bastante bem \u00e0 
religi\u00e3o que encontrou em Cana\u00e3, o culto \u00e0s for\u00e7as da natureza. Baal \u00e9 o 
deus da tempestade e da chuva; Aser\u00e1, sua irm\u00e3, que ser\u00e1 mais tarde a 
Astart\u00e9 dos gregos, \u00e9 a deusa do amor e da fecundidade.
Elias est\u00e1 ali, diante dos inimigos da sua f\u00e9, os quatrocentos e 
cinquenta profetas de Baal. Far\u00e1 Deus cair o fogo do c\u00e9u sobre o 
sacrif\u00edcio que Lhe preparou?
{C}Ao chegar a hora da oferta, o profeta Elias aproximou-se e rezou: \u00abJav\u00e9, 
Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Israel, que todos saibam hoje que Tu \u00e9s 
Deus em Israel, que eu sou teu servo e que foi por tua ordem que eu fiz 
todas estas coisas. Responde-me, para que este povo reconhe\u00e7a que Tu, 
Jav\u00e9, \u00e9s o Deus verdadeiro, e que \u00e9s Tu que convertes os seus cora\u00e7\u00f5es\u00bb. 
Ent\u00e3o Jav\u00e9 mandou um raio que consumiu a v\u00edtima, a lenha e as pedras e as 
cinzas, e secou a \u00e1gua que estava no rego. O povo viu tudo isso e 
prostrou-se no ch\u00e3o, exclamando: \u00abJav\u00e9 \u00e9 o Deus verdadeiro!{/} [1Rs_18,36] 
- [1Rs_18,39].
O sinal divino de que foram testemunhas os filhos de Israel justifica a 
f\u00e9 de Elias, confirma-o como profeta e traz de novo o povo para o seu 
Deus, o \u00fanico que pode e quer intervir na hist\u00f3ria dos homens. Mas 
faltava ainda uma conclus\u00e3o a esta interven\u00e7\u00e3o divina, um sinal que 
viesse a fortalecer a f\u00e9 reencontrada: esse sinal ser\u00e1 a chuva.
{C}Elias disse a Acab: \u00abVai comer e beber, pois j\u00e1 se ouve o barulho da 
chuva\u00bb. Enquanto Acab foi comer e beber, Elias subiu ao topo do monte 
Carmelo{/} [1Rs_18,41] - [1Rs_18,42].
Ent\u00e3o, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de Elias respondem as nuvens com tal superabund\u00e2ncia, que 
a estrada de Jezrael amea\u00e7ava ficar intransit\u00e1vel.
Como se poderia separar o Carmelo da figura de Elias, eleito por Deus 
para ser sua testemunha? Ele tornou-se, mesmo com risco da pr\u00f3pria vida, 
o campe\u00e3o do Deus \u00fanico. Este Tesbita, ciumento pelo amor de Jav\u00e9, 
prefigura todo o grande movimento prof\u00e9tico. Ele n\u00e3o ser\u00e1 apenas o 
ardente defensor da Santidade de Deus; mas, tal como muitos outros 
profetas, experimentar\u00e1 na prova e no abandono a ternura deste Deus a 
quem serve.
{K}SUBIREI \u00c0 TUA MONTANHA SANTA{/}

No s\u00e9culo IV a.C., no {C}P\u00e9riplo,{/} o Guia do Mediterr\u00e2neo dos navegantes e 
ge\u00f3grafos gregos, o Carmelo \u00e9 citado como montanha sagrada de Zeus.
Uma descoberta feita no jardim do mosteiro das Carmelitas confirma a 
implanta\u00e7\u00e3o de um culto pag\u00e3o na \u00e9poca romana: um p\u00e9 de dimens\u00f5es 
monumentais, restos de uma est\u00e1tua colossal do s\u00e9culo II ou III a.C. que 
tinha uma inscri\u00e7\u00e3o, um ex-voto dedicado a Zeus Heliopolitano do Carmelo. 
Segundo T\u00e1cito e Suet\u00f3nio, o imperador Vespasiano (69-79 d.C.) teria 
vindo para consultar o or\u00e1culo dos deus do Carmelo.
Santu\u00e1rios judaicos, crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos sucederam-se um ap\u00f3s outro 
sobre a montanha. A festa de Santo Elias re\u00fane todos os anos, na gruta 
chamada de Santo Elias, uma multid\u00e3o heterog\u00e9nea de peregrinos: crist\u00e3os 
latinos, gregos e ortodoxos, israelitas, mu\u00e7ulmanos e drusos.

{K}- CESAREIA MAR\u00cdTIMA{/}

A cidade de Cesareia Mar\u00edtima \u00e9 mencionada quinze vezes no livro dos 
Actos dos Ap\u00f3stolos: Pedro baptiza nela Corn\u00e9lio, um centuri\u00e3o da guarda 
do procurador romano; Paulo passa nela v\u00e1rios meses depois da sua pris\u00e3o 
em Jerusal\u00e9m; Filipe regressa ali depois do encontro com o eunuco da 
rainha da Eti\u00f3pia, na estrada para Gaza; Filipe, com as quatro filhas 
profetisas, recebe nela a Paulo e seus companheiros depois da sua 
terceira viagem mission\u00e1ria por terras da Acaia e \u00c1sia Menor [Act_21,8].
Nos finais da \u00e9poca romana, e nos tempos de Biz\u00e2ncio, Cesareia \u00e9 honrada 
com a presen\u00e7a activa de grandes figuras da Igreja: Or\u00edgenes e a sua 
escola de teologia, P\u00e2nfilo de Beirute com a sua insigne biblioteca, 
Eus\u00e9bio, Bispo e autor da Primeira Hist\u00f3ria da Igreja.
Durante as Cruzadas, Cesareia conhecer\u00e1 ainda uma certa celebridade: 
cabe\u00e7a de ponte entre o Ocidente e os Estados latinos da Terra Santa, 
ser\u00e1 testemunha da passagem de inumer\u00e1veis cavaleiros, e finalmente de 
S\u00e3o Lu\u00eds, o qual reedificar\u00e1 pela \u00faltima vez as suas muralhas.
{K}CESAREIA VISTA POR FL\u00c1VIO JOSEFO{/}

Ou\u00e7amos o que nos diz o historiador judeu Fl\u00e1vio Josefo: \u00abCesareia 
encontra-se na Fen\u00edcia, foi constru\u00edda no lugar onde se embarca para ir 
para o Egipto. Est\u00e1 situada entre Jope e Dora, duas localidades costeiras 
cujos portos s\u00e3o pouco seguros, pois s\u00e3o a\u00e7oitados continuamente pelo 
vento chamado "africus". Este vento forte levanta uma tal quantidade de 
areia contra a praia do mar, que os pilotos se v\u00eaem ami\u00fade obrigados a 
lan\u00e7ar a \u00e2ncora no mar alto. Por isso Herodes mandou edificar este porto, 
para ali abrigar um grande n\u00famero de navios\u00bb (Antiguidades Judaicas, 
XV,13). A actividade comercial que se exercia entre Roma e Egipto por um 
lado, e entre Roma, China e \u00cdndia, por outro, tinha grandes vantagens em 
utilizar um porto de escala como Cesareia: Herodes pensava converter 
Cesareia na plataforma de interc\u00e2mbio de todo este tr\u00e1fego, e era 
necess\u00e1rio faz\u00ea-lo em grande.
\u00abHerodes tinha notado, relata-nos Fl\u00e1vio Josefo, que na costa havia um 
lugar chamado Torre de Straton, situa\u00e7\u00e3o que parecia muito favor\u00e1vel. 
Mandou construir ali uma cidade de tra\u00e7ado e eleg\u00e2ncia extraordin\u00e1rios; 
n\u00e3o s\u00f3 os pal\u00e1cios foram constru\u00eddos sumptuosamente em m\u00e1rmore branco, 
como tamb\u00e9m as vivendas particulares foram edificadas com grande 
requinte\u00bb (A.J. 15,13). E para que nada faltasse na nova cidade, mandou 
colocar nela um mercado que parecia ser o maior do mundo, um teatro e um 
anfiteatro t\u00e3o majestosos como os demais (G.J. 1,16).
{K}O PORTO{/}

Os molhes apoiavam-se num espor\u00e3o rochoso natural, e eram feitos de 
blocos pr\u00e9-fabricados. Tratava-se de enormes pedregulhos que eram 
submergidos, deixando \u00e0s ondas o trabalho de os recobrir de areia. Uma 
vez acabada a infra-estrutura do molhe, foram constru\u00eddos um muro e as 
suas torres voltadas para o mar, casas e armaz\u00e9ns diversos voltados para 
a doca. O dique propriamente dito era refor\u00e7ado na sua parte exterior, do 
lado do mar, a todo o comprimento, por um muro quebra-ondas.
Os arque\u00f3logos puderam verificar a veracidade das afirma\u00e7\u00f5es de Fl\u00e1vio 
Josefo: \u00abHerodes mandou submergir pedras de grandes dimens\u00f5es, de 
cinquenta p\u00e9s de comprimento, dezoito de largura e nove de altura. 
Algumas eram ainda maiores. A extens\u00e3o deste dique era de duzentos p\u00e9s. 
Um dos seus lados era para suster a viol\u00eancia das ondas; o outro 
suportava uma muralha dotada de torres. A maior e mais elegante foi 
dedicada por Herodes a Druso, filho da imperatriz L\u00edvia, esposa de 
Augusto. No lado esquerdo da entrada do porto havia uma torre edificada 
sobre uma ampla plataforma capaz de resistir \u00e0 viol\u00eancia da ondula\u00e7\u00e3o; no 
lado direito, duas grandes colunas ultrapassavam em altura as duas 
torres\u00bb (A.J. 15,13).
Dos tr\u00eas molhes constru\u00eddos, n\u00e3o resta mais do que um, pois o r\u00e1pido 
afundamento do espor\u00e3o marinho originou o desmoronamento dos diques{C}.
{N}A CIDADE HERODIANA{/}

Podem ver-se junto ao mar, a norte do quadril\u00e1tero fortificado pelos 
cruzados, duas grandes torres de origem herodiana; a mais pr\u00f3xima do mar 
apoia-se numa base de di\u00e2metro superior e tem uma constru\u00e7\u00e3o mais tosca; 
isto faz pensar que este alicerce deve ter pertencido ao mesmo do molhe 
vizinho, submerso, a famosa \u00abTorre de Straton\u00bb, que foi o primeiro 
alicerce portu\u00e1rio, sem d\u00favida muito mais modesto, constru\u00eddo ali por um 
rei de Sid\u00f3nia no s\u00e9culo IV a.C.
Destas duas torres partia um muro que delimitava o centro urbano, 
deixando no exterior o hip\u00f3dromo, o teatro e o anfiteatro. Para assegurar 
a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e0 cidade, construiu-se um aqueduto que trazia a 
\u00e1gua captada a sul do Carmelo. Constru\u00eddo no primeiro trecho por 
canaliza\u00e7\u00f5es em cer\u00e2mica sustentadas por um pequeno muro que chegava at\u00e9 
\u00e0 costa, o aqueduto continuava para sul apoiado em arcadas. A pouca 
firmeza do solo e o passar do tempo danificaram a obra, que teve de ser 
restaurada e refor\u00e7ada nos s\u00e9culos seguintes. Tra\u00e7aram-se v\u00e1rias 
avenidas, amplas, paralelas \u00e0 costa, desde o teatro at\u00e9 ao muro onde 
desembocava o aqueduto sobre arcos, a norte da cidade. Essas largas 
avenidas eram cortadas por ruas transversais dando origem a quadrados de 
80 m. de lado: este plano quadriculado \u00e9 chamado \u00abhipod\u00e2mico\u00bb, do nome do 
seu inventor, Hipodamos de Mileto, urbanista do s\u00e9c. V a.C.
Um sistema de esgotos inteligentemente estudado assegurava a limpeza da 
cidade: \u00abDebaixo da terra foram constru\u00eddos compridos subterr\u00e2neos 
regularmente espa\u00e7ados, que desciam para o mar; mas outro atravessava-os 
levando as \u00e1guas pluviais e todas as imund\u00edcies da cidade. De tempos a 
tempos o mar invadia este subterr\u00e2neo e assegurava assim a limpeza das 
ruas\u00bb (A.J. 15,13).
{K}O P\u00d3DIO CENTRAL{/}

No centro da cidade, um p\u00f3dio apoiava-se sobre umas salas abobadadas, 
perfeitamente vis\u00edveis do lado da costa: \u00abDetr\u00e1s do porto havia uns 
grandes dep\u00f3sitos abobadados, para armazenar toda a esp\u00e9cie de 
mercadorias, tal como havia outras ab\u00f3badas em forma de arcada que 
serviam para alojar os marinheiros. Diante da entrada do porto construiu-
se um templo de uma grandiosidade e beleza excepcionais, em honra de 
Augusto; podia contemplar-se uma est\u00e1tua deste nobre imperador, t\u00e3o 
grande como de J\u00fapiter Ol\u00edmpico que lhe havia servido de modelo, e uma 
segunda est\u00e1tua de iguais dimens\u00f5es representando Roma\u00bb (G.J. 1,16).
{K}PILATOS, PREFEITO DA JUDEIA{/}

No sop\u00e9 de alguns degraus, foi encontrada uma pedra com uma inscri\u00e7\u00e3o 
inesperada, quando se realizavam as escava\u00e7\u00f5es do teatro, a sul da cidade 
romana. Tratava-se, com efeito, de uma lousa de pedra calc\u00e1ria 
reutilizada e que primitivamente deve ter pertencido a algum edif\u00edcio 
p\u00fablico da cidade. Nesta pedra podia ler-se o seguinte:
S TIBERIEUM
NTIUS PILATVS
ETVS IVDA...E
Esta lousa tem o particular interesse de sublinhar a presen\u00e7a de P\u00f4ncio 
Pilatos como prefeito da Judeia nesta cidade de Cesareia, sede do governo 
romano na{C}{/} Palestina: isto vem corroborar as refer\u00eancias hist\u00f3ricas 
fornecidas pelos evangelhos.
{K}O TEMPLO DE MITRA{/}

Uma das belas salas abobadadas situadas ao longo da costa foi 
transformada, no s\u00e9culo II, em Templo de Mitra. Este culto de origem 
iraniana, conheceu um per\u00edodo de eclipse durante a reforma de Zaratustra 
(s\u00e9culo VI a.C.), mas com a chegada dos aquem\u00e9nidas ao poder, e a 
ascens\u00e3o de Ciro ao trono da P\u00e9rsia, saiu da sombra. Estendeu-se 
rapidamente ao mundo helen\u00edstico, e depois entre os romanos, onde 
adquiriu um lugar destacado entre as religi\u00f5es mist\u00e9ricas. Esses cultos 
eram tidos em grande estima nessa altura, pois a religi\u00e3o oficial de Roma 
era incapaz de satisfazer as aspira\u00e7\u00f5es religiosas das pessoas. 
Exclusivamente reservado aos homens, o culto de Mitra recrutava os seus 
adeptos entre os soldados, aos quais se proporcionava um caminho de 
inicia\u00e7\u00e3o em sete etapas, para chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.
Comemorando o mito do deus que, depois de matar o touro cujo sangue havia 
fecundado a terra, subia ao c\u00e9u para proteger os seus adoradores, os 
iniciados ofereciam, por sua vez, um touro em sacrif\u00edcio.
Este culto atra\u00eda a este lugar tanto os soldados como os marinheiros. As 
pinturas murais do santu\u00e1rio subterr\u00e2neo retratam diversas cenas do mito 
de Mitra. Os arque\u00f3logos calcularam que este lugar data do s\u00e9culo II 
d.C., por conseguinte \u00e9 de pouco posterior \u00e0 \u00e9poca apost\u00f3lica.
{K}AS VIS\u00d5ES DE PEDRO E DE CORN\u00c9LIO{/}

Eram estas as caracter\u00edsticas (excepto o templo de Mitra) do porto e da 
cidade de Cesareia, na \u00e9poca em que se deram os acontecimentos narrados 
por Lucas no livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos. Aqui Corn\u00e9lio, centuri\u00e3o da 
coorte it\u00e1lica, recebe, com o an\u00fancio da Boa Nova, o sacramento do 
Baptismo, das m\u00e3os de Pedro [Act_10,1].
O epis\u00f3dio da convers\u00e3o de Corn\u00e9lio marca uma viragem decisiva na vida da 
jovem Igreja. O lugar \u00e9 rico de significado: edificada sobre a costa da 
Palestina, olhando para o Mediterr\u00e2neo e para Roma, a cidade de Cesareia 
Mar\u00edtima era, desde havia quase 35 anos, a capital romana da prov\u00edncia da 
Judeia. Como um viandante que avan\u00e7a em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 costa, ao chegar a 
Cesareia, Pedro podia, ou fazer marcha atr\u00e1s e fechar a Igreja entre os 
limites estreitos da Palestina judaica, ou ent\u00e3o aventurar-se neste mar 
que se abria diante dele para se deixar levar at\u00e9 Roma, a capital pag\u00e3, a 
\u00abnova Babil\u00f3nia\u00bb que encarnava todo o pecado do mundo [Ap_17,5]. O 
Esp\u00edrito inclinar-se-\u00e1 para esta segunda op\u00e7\u00e3o: descer\u00e1 sobre os pag\u00e3os 
reunidos em volta de Corn\u00e9lio, e Pedro v\u00ea-se obrigado a baptiz\u00e1-los.
{C}Pedro ainda estava a falar, quando o Esp\u00edrito Santo desceu sobre todos 
os que ouviam a Palavra. Os fi\u00e9is de origem judaica, que tinham ido com 
Pedro, ficaram admirados por o dom do Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m ser derramado 
sobre os pag\u00e3os. De facto, eles ouviam-nos falar em l\u00ednguas estranhas e 
louvar a grandeza de Deus. Ent\u00e3o Pedro disse: \u00abSer\u00e1 que podemos negar a 
\u00e1gua do baptismo a estas pessoas que receberam o Esp\u00edrito Santo, da mesma 
forma que n\u00f3s recebemos?\u00bb Ent\u00e3o Pedro mandou que fossem baptizados em 
nome de Jesus Cristo.{/} [Act_10,1] ...[Act_48,1].
Pedro voltar\u00e1 a Cesareia, porventura pela \u00faltima vez, depois da sua 
liberta\u00e7\u00e3o milagrosa durante a persegui\u00e7\u00e3o ordenada por Herodes Agripa I 
(41-44 d.C.). Os Actos dizem-nos que Pedro desceu da Judeia para 
Cesareia, onde permaneceu algum tempo{C}{/} [Act_12,19].
{K}PAULO EM CESAREIA{/}

Paulo tamb\u00e9m passou por l\u00e1 repetidas vezes: quando regressou a Tarso, 
depois da sua convers\u00e3o e da sua passagem por Jerusal\u00e9m [Act_9,30]; no 
regresso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, ocasi\u00e3o em que sa\u00fada a Igreja 
[Act_18,22]; tamb\u00e9m no seu regresso de Mileto, depois da terceira viagem: 
desta vez encontra-se com Filipe, um dos \u00absete\u00bb, e com as suas quatro 
filhas \u00abprofetisas\u00bb. Mais tarde regressa a Cesareia j\u00e1 sob escolta: est\u00e1 
preso depois de da sua captura no Templo de Jerusal\u00e9m. Durante dois anos 
esperou ali a sua transfer\u00eancia para Roma, pois havia apelado para C\u00e9sar, 
o que lhe era permitido pela sua cidadania romana.
{C}Alguns dias depois, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram 
cumprimentar Festo. Como se demorassem alguns dias, Festo exp\u00f4s ao rei o 
caso de Paulo, dizendo: \u00abEst\u00e1 aqui um homem que F\u00e9lix deixou como 
prisioneiro. Quando eu estive em Jerusal\u00e9m, os sumos sacerdotes e os 
anci\u00e3os dos judeus apresentaram acusa\u00e7\u00f5es contra ele e pediram-me que o 
condenasse. Mas eu respondi-lhes que os romanos n\u00e3o costumam entregar um 
homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores\u00bb.{/}

E como Agripa manifesta interesse em ver Paulo, preparam uma audi\u00eancia 
real com numerosos convidados, durante a qual o r\u00e9u  poder\u00e1 justificar-
se.
Eis aqui como Paulo d\u00e1 testemunho e narra como se encontrou com Jesus{C}{/} 
ressuscitado:{C} Paulo estava assim a falar em sua defesa, quando Festo 
interrompeu em alta voz: \u00abEst\u00e1s a ficar louco, Paulo. Todo esse saber 
leva-te \u00e0 loucura!\u00bb Mas Paulo respondeu: \u00abN\u00e3o estou louco, excelent\u00edssimo 
Festo, mas digo palavras verdadeiras e sensatas. O pr\u00f3prio rei, a qum me 
dirijo com toda a coragem, certamente est\u00e1 a par destas coisas. Acredito 
que nada disto lhe \u00e9 desconhecido, porque estas coisas n\u00e3o aconteceram 
num lugar distante. Rei Agripa, acreditas nos Profetas? Eu sei que 
acreditas\u00bb. Ent\u00e3o Agripa disse a Paulo: \u00abAinda um pouco, e convences-me a 
tornar-me crist\u00e3o!\u00bb Paulo respondeu: \u00abAinda um pouco ou ainda muito, 
tomara que Deus fizesse que n\u00e3o somente tu, mas todos os que me escutam, 
se tornassem como eu, mas sem estas correntes!\u00bb{/} [Act_25,13] - 
[Act_26,29].
{K}A CIDADE BIZANTINA{/}

Nos come\u00e7os da \u00e9poca bizantina, Cesareia conheceu um desenvolvimento 
inigual\u00e1vel. Descobriram-se umas termas que datam desse per\u00edodo, as que{C}{/} 
foram constru\u00eddas a norte da cidade, e que estavam equipadas \u00e0 maneira 
cl\u00e1ssica de ent\u00e3o: frigidarium, tepidarium, caldarium e latrinas. Tamb\u00e9m 
se reconstru\u00edram sinagogas e se edificou uma bas\u00edlica e se levantou um 
grande edif\u00edcio administrativo a sul do p\u00f3dio central. As primeiras 
escava\u00e7\u00f5es realizadas neste lugar trouxeram \u00e0 luz dois mosaicos que 
aludem a um texto de S\u00e3o Paulo [Rm_13,3]. Pois bem, n\u00e3o se trata de um 
lugar crist\u00e3o, mas de um edif\u00edcio administrativo. Isto suscita uma 
pergunta que n\u00e3o deixa de ser interessante: Este par\u00e1grafo da carta aos 
Romanos era acaso um texto suficientemente conhecido para ter lugar nas 
reparti\u00e7\u00f5es do governador, ou, pelo contr\u00e1rio, tratava-se de uma senten\u00e7a 
popular que incitava os contribuintes que vinham pagar os seus impostos, 
a n\u00e3o defraudar o fisco? Ou seja, teria Paulo utilizado na sua carta esta 
senten\u00e7a para apoiar as suas declara\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 submiss\u00e3o \u00e0s 
autoridades civis?
{K}OR\u00cdGENES EM CESAREIA{/}

Durante a \u00e9poca bizantina, Cesareia ocupa novamente um lugar importante{C}{/} 
na Hist\u00f3ria da Igreja na Palestina. Em primeiro lugar est\u00e1 Or\u00edgenes, que 
ilustra esta cidade com a sua presen\u00e7a e as suas obras. Chega pela vez \u00e0 
Palestina, proveniente de Alexandria. Alexandre, Bispo de Jerusal\u00e9m, que 
o conhece bastante bem, convidou-o para comentar as Escrituras. Regressa 
segunda vez em 230 d.C. Teoctisto, Bispo local e amigo de Or\u00edgenes, 
confere-lhe nessa ocasi\u00e3o a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Furioso, Dem\u00e9trio, 
Bispo de Alexandria, expulsa Or\u00edgenes e pro\u00edbe-o de ensinar na c\u00e9lebre 
metr\u00f3pole eg\u00edpcia.
O desterrado fixa-se ent\u00e3o definitivamente em Cesareia, onde fica et\u00e9 250 
d.C. Durante a persegui\u00e7\u00e3o de D\u00e9cio \u00e9 preso e torturado e, segundo o seu 
disc\u00edpulo P\u00e2nfilo, teria morrido em Tiro dois ou tr\u00eas anos mais tarde, em 
consequ\u00eancia do supl\u00edcio que padeceu.
Durante esses vinte anos que passou em Cesareia, Or\u00edgenes levou a cabo um 
trabalho consider\u00e1vel: obras de exegese, homilias, uma suma teol\u00f3gica, e 
numerosos tratados pol\u00e9micos e apolog\u00e9ticos. \u00c9 a ele que devemos a 
primeira obra de cr\u00edtica textual sobre os textos sagrados: \u00abAs H\u00e9xaplas\u00bb. 
Nelas mostra, em seis colunas paralelas, o texto hebraico do Antigo 
Testamento, o transcrito por ele mesmo em caracteres gregos, mais as 
quatro vers\u00f5es gregas que circulavam na \u00e9poca: os \u00abSetenta\u00bb, \u00c1quila, 
S\u00edmaco e Teodoci\u00e3o.
Entre os seus disc\u00edpulos, grandes mestres espirituais como Greg\u00f3rio de 
Nisa, Atan\u00e1sio, e ainda Evaristo, o P\u00f4ntico, d\u00e3o testemunho da riqueza da 
sua vida m\u00edstica; e grandes pastores como Firmiliano de Cesareia da 
Capad\u00f3cia, Greg\u00f3rio, Bispo de Nova Cesareia, estudaram aos p\u00e9s de 
Or\u00edgenes na escola de Cesareia. Mas ser\u00e3o as figuras de P\u00e2nfilo de 
Beirute e de Eus\u00e9bio, Bispo da cidade Mar\u00edtima, que mais se mantiveram 
ligados a Cesareia, pois ser\u00e1 ali que far\u00e3o frutificar a sua heran\u00e7a 
b\u00edblica.
{K}P\u00c2NFILO E EUS\u00c9BIO{/}

De origem fen\u00edcia, P\u00e2nfilo come\u00e7a os estudos junto de Pierius, um dos 
mestres da c\u00e9lebre escola neoplat\u00f3nica. Provavelmente veio para Cesareia 
atra\u00eddo pelo brilho e a influ\u00eancia de Or\u00edgenes. Ordenado sacerdote por 
Ag\u00e1pio, Bispo local, retoma por sua conta o trabalho daquele que admira: 
assim desenvolve consideravelmente a biblioteca fundada por Or\u00edgenes e 
abre por sua vez uma escola de teologia.
Eus\u00e9bio \u00e9 eleito para Bispo de Cesareia em 313 d.C. Aproveitando o grande 
n\u00famero de obras e documentos reunidos primeiro por Or\u00edgenes, e depois por 
P\u00e2nfilo, empreende a redac\u00e7\u00e3o de uma Cr\u00f3nica Eclesi\u00e1stica da Hist\u00f3ria 
Universal, e ainda uma Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica que constitui ainda hoje uma 
fonte de capital import\u00e2ncia acerca dos primeiros s\u00e9culos da Igreja. 
Quando rebenta a crise do arianismo, Eus\u00e9bio de Cesareia, de temperamento 
conciliador e preocupado sobretudo com a unidade da Igreja, mostra-se 
acolhedor para quem \u00e9 perseguido pelo Bispo de Alexandria. Esta loucura 
valer\u00e1 a Eus\u00e9bio cair por sua vez sob a vingan\u00e7a de Mac\u00e1rio de Jerusal\u00e9m. 
Perante esta crescente agita\u00e7\u00e3o, re\u00fane-se o Conc\u00edlio de Niceia que 
condenar\u00e1 \u00c1rio (325 d.C.).

{K}- MEGUIDO{/}

Meguido guardava e vigiava o desfiladeiro que corta os \u00faltimos apoios do 
Carmelo e a encruzilhada sobre a qual este pendia.
Esta pra\u00e7a forte ocupava uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de vital import\u00e2ncia 
sobre a \u00abRota do Mar\u00bb citada pelo profeta Isa\u00edas [Is_8,23], cujo tra\u00e7ado 
ser\u00e1 retomado pela Via Maris  na \u00e9poca romana. Era passagem obrigat\u00f3ria 
para qualquer rela\u00e7\u00e3o comercial ou campanha militar entre o Egipto, \u00c1sia 
Menor e Mesopot\u00e2mia. A norte, a estrada prolonga-se para Tiro, Sid\u00f3nia e 
Anat\u00f3lia, que foi durante quase um mil\u00e9nio o pa\u00eds dos Hititas. Para 
oriente chega-se at\u00e9 \u00e0 S\u00edria e Mesopot\u00e2mia, costeando pelo sul a plan\u00edcia 
pantanosa de Jezrael; dali passa pelo sop\u00e9 de Bet-Sean at\u00e9 Damasco, 
depois de atravessar o Jord\u00e3o passando pela ponte das Filhas de Jacob.
A sua longa hist\u00f3ria explica-se por esta situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica 
privilegiada, e pela nascente que brotava aos seus p\u00e9s. Isto explica 
tamb\u00e9m o porqu\u00ea de tantas destrui\u00e7\u00f5es e reconstru\u00e7\u00f5es, mas revela-nos ao 
mesmo tempo porque \u00e9 que, na B\u00edblia, Meguido se ergue como o lugar 
simb\u00f3lico de todas as grandes batalhas. Sobretudo no Apocalipse, Meguido 
converte-se no cen\u00e1rio do triunfo definitivo de Deus e do seu Cristo 
sobre os poderes do mal em v\u00e3o amotinados para um derradeiro combate 
[Ap_16,16].
{K}A CIDADE CANANEIA{/}

A hist\u00f3ria come\u00e7a no III mil\u00e9nio, quando uma popula\u00e7\u00e3o cananeia constr\u00f3i 
no flanco oriental do Tell um primeiro templo. Muito depressa Meguido - e 
com ela toda a Palestina - se v\u00ea arrastada pelas vicissitudes de uma 
hist\u00f3ria na qual o Egipto e a Mesopot\u00e2mia, seus ambiciosos e belicosos 
vizinhos, ser\u00e3o quem ergue a batuta. Por voltas de 2300 a.C. desenvolve-
se na Mesopot\u00e2mia a civiliza\u00e7\u00e3o ac\u00e1dica com a sua organiza\u00e7\u00e3o de cidades-
estado. Entre os dois imp\u00e9rios, ac\u00e1dico e eg\u00edpcio, que repartem entre si 
o Pr\u00f3ximo Oriente, nascem e desenvolvem-se um certo n\u00famero de cidades 
independentes, como Ebla, na S\u00edria, ou Meguido, Gazer e Siqu\u00e9m, na 
Palestina. Estas cidades de cultura siro-cananeia dar\u00e3o passagem livre 
aos n\u00f3madas. O desmoronamento dos dois rivais, nos finais do III mil\u00e9nio, 
favorecer\u00e1, durante algum tempo, o desenvolvimento dos Estados siro-
palestinianos.
{K}SOB A DOMINA\u00c7\u00c3O EG\u00cdPCIA{/}

A partir de 1570 a.C., o Egipto, que se libertou dos pr\u00edncipes 
estrangeiros, inicia uma ascen\u00e7\u00e3o espectacular: durante quatro s\u00e9culos o 
pa\u00eds de Cana\u00e3 viver\u00e1 sob o chicote eg\u00edpcio.
Em 1468{C}{/} a.C., o fara\u00f3 Tutm\u00f3sis III derrota em Meguido os ex\u00e9rcitos das 
cidades-estado da S\u00edria e Palestina, que se haviam aliado contra o 
Egipto. Seti I restabelecer\u00e1 a autoridade do Egipto depois da crise 
provocada por Ak\u00e9naton, e os seus sucessores Rams\u00e9s II e Menepta 
prosseguir\u00e3o a sua obra.
Durante todo este per\u00edodo eg\u00edpcio, Meguido foi uma cidade opulenta, 
enriquecida pelo seu com\u00e9rcio e pelo interesse que lhe dedicavam os 
fara\u00f3s.
{K}FORTALEZA REAL{/}

Quando os israelitas se imp\u00f5em na Palestina, nos tempos de Josu\u00e9 e dos 
Ju\u00edzes, Meguido \u00e9 j\u00e1 uma cidade pr\u00f3spera que aproveitou do 
enfraquecimento do Egipto, sob a XX.\u00aa dinastia, para recuperar a sua 
independ\u00eancia. Mas um inc\u00eandio assolar\u00e1 a cidade durante o s\u00e9culo X.
A capital import\u00e2ncia de Meguido para a defesa do reino n\u00e3o passa 
despercebida a Salom\u00e3o, que acaba de subir ao trono de Jerusal\u00e9m; com 
Jasor e Gazer, esta cidade fortificada vigia e protege os caminhos de 
acesso \u00e0 capital. Meguido \u00e9, pois, uma das cidades constru\u00eddas pelo rei 
israelita mediante trabalhos for\u00e7ados [1Rs_9,15]. A cidade converte-se 
desde ent\u00e3o no centro administrativo da regi\u00e3o de Jezrael e de Bet-Sean. 
Mas ser\u00e1 parcialmente destru\u00edda quando o fara\u00f3 Sesac invadir o reino de 
Robo\u00e3o, em 924. O monarca eg\u00edpcio far\u00e1 dela a base estrat\u00e9gica para os 
seus ataques contra as cidades da Palestina. Para imortalizar a sua 
vit\u00f3ria, o fara\u00f3 deixar\u00e1 em Meguido uma estela com o seu nome.
{K}A VIAGEM FATAL{/}

Bem fortificada, Meguido era um ref\u00fagio seguro em caso de necessidade: se 
Ocozias tivesse sido mais veloz que os soldados de Je\u00fa, teria podido 
servir-se dela! {C}Vendo isto, Ocozias, rei de Jud\u00e1, fugiu pelo caminho de 
Bet-G\u00e3. Je\u00fa perseguiu-o e gritou: \u00abMatai tamb\u00e9m Ocozias!\u00bb Este foi ferido 
no seu carro, na subida de Gaver, perto de Jeblaam. Refugiou-se em 
Meguido, onde morreu. Foi levado num carro pelos seus servos para 
Jerusal\u00e9m e enterrado no seu t\u00famulo, juntamente com os seus antepassados, 
na cidade de David.{/}

Em 732, Jasor e Meguido, as duas grandes fortalezas do norte, cair\u00e3o nas 
m\u00e3os do rei ass\u00edrio Teglatfalasar III. Este decidir\u00e1 a iminente queda do 
reino de Israel.
{K}JOSIAS E NECAO EM MEGUIDO{/}

No s\u00e9culo VII, Josias, rei de Jud\u00e1, aproveitando o enfraquecimento da 
Ass\u00edria, intenta conquistar o reino do norte para o reunir a Jud\u00e1 e 
restabelecer o antigo reino de Israel, restaurando assim a unidade de 
Estado em torno de Jerusal\u00e9m e do seu Templo purificado. Mas este 
projecto contrariava a pol\u00edtica do Egipto. Dia ap\u00f3s dia, Babil\u00f3nia ia 
adquirindo maior poder na Mesopot\u00e2mia, e ao Egipto interessava manter o 
equ\u00edbrio das for\u00e7as entre ass\u00edrios e caldeus. De facto, no ano 612 a.C., 
N\u00ednive ca\u00eda diante dos ex\u00e9rcitos de medos e babil\u00f3nios. Por essa raz\u00e3o, 
no mesmo ano da sua coroa\u00e7\u00e3o (609 a.C.), o fara\u00f3 Necao corre em socorro 
da Ass\u00edria, sua inimiga de outrora. A possibilidade de um renascimento da 
Ass\u00edria, salva no \u00faltimo momento pelo Egipto, inquietava o rei Josias que 
sempre havia sonhado com a reconquista do antigo reino de Israel. Por 
isso subiu a Meguido para intentar cortar a passagem ao fara\u00f3; mas 
infelizmente encontrou a morte na altura do encontro com Necao.
{K}A MORTE DO \u00abJUSTO\u00bb{/}

Josias fez o que Jav\u00e9 aprova e seguiu em tudo o comportamento do seu 
antepassado David, sem se desviar, nem para a direita, nem para a 
esquerda {N}{/}[2Rs_22,2]. Assim come\u00e7a a narra\u00e7\u00e3o da vida de Josias no 
segundo livro dos Reis. O seu reinado foi assinalado pela descoberta do 
livro da Lei no Templo, e por uma profunda reforma: {C}Nenhum dos reis 
anteriores se voltou para Jav\u00e9 como ele se voltou de todo o cora\u00e7\u00e3o, de 
toda a alma e com toda a sua for\u00e7a, conforme a Lei de Mois\u00e9s. Mesmo 
depois, n\u00e3o surgiu outro como ele{/} [2Rs_23,25]. Pois bem, {C}no seu tempo, 
o fara\u00f3 Necao, rei do Egipto, subiu para se ir encontrar com o rei da 
Ass\u00edria, junto ao rio Eufrates. O rei Josias marchou contra ele, mas, na 
primeira batalha em Meguido, Necao matou-o. Os servos de Josias 
transportaram o seu corpo num carro, levaram-no de Meguido para 
Jerusal\u00e9m, e sepultaram-no no seu t\u00famulo{/} [2Rs_23,29] - [2Rs_23,30].
Deste modo, Josias, que tinha feito sempre o que \u00e9 recto aos olhos de 
Jav\u00e9, morria jovem ainda, ao passo que Manass\u00e9s e tantos outros haviam 
desfrutado de uma longa vida e de uma morte serena, depois de anos de 
infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a. Tal como a morte de Mois\u00e9s diante da Terra 
Prometida, a morte de Josias em Meguido aparece como a nega\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a 
divina. No regresso do cativeiro, os sacerdotes tentar\u00e3o responsabilizar 
com este castigo a uns e outros, argumentando que Mois\u00e9s havia duvidado 
de Deus e havia batido duas vezes na rocha, o que n\u00e3o tinha em conta o 
texto  mais antigo do livro{C}{/} do \u00caxodo (Comparar [Ex_17,1] - [Ex_17,6] e 
[Nm_20,11] - [Nm_20,13]). Quanto a Josias, {C}n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o ao que Necao 
lhe dizia em nome de Deus.{/} (Comparar [2Rs_23,29] e [2Cr_35,20] - 
[2Cr_35,24]. Mas era necess\u00e1rio imaginar a Justi\u00e7a de Deus \u00e0 luz da dos 
homens?
{K}O LUGAR ARQUEOL\u00d3GICO{/}

O Tell de Meguido, que conta uns vinte estratos, \u00e9 testemunha de uma 
sucess\u00e3o quase ininterrupta de habitantes e civiliza\u00e7\u00f5es. O grande n\u00famero 
de {N}\u00f3straka{/} (peda\u00e7os de cer\u00e2mica) descobertos pelos arque\u00f3logos, 
permitiu a estes calcular a data (ou antiguidade) dos estratos, o mais 
antigo dos quais remonta aos finais da era neol\u00edtica (V mil\u00e9nio a.C.): 
encontraram-se utens\u00edlios de s\u00edlex e ossadas numa gruta, ao n\u00edvel do solo 
virgem.
{K}O ESPA\u00c7O SAGRADO NO SECTOR ORIENTAL{/}

Os sucessivos lugares de culto destacam a perman\u00eancia do sagrado neste 
lugar. Um primeiro templo remonta ao per\u00edodo calcol\u00edtico (3300-3200 
a.C.). Era de tra\u00e7ado rectangular, com um tecto amparado por duas colunas 
de madeira, que se apoiavam numas pedras planas enterradas no solo. 
Diante da entrada, uma esp\u00e9cie de p\u00f3dio p\u00f4de servir de pedestal \u00e0 est\u00e1tua 
do deus cananeu honrado neste lugar, ou como mesma para as oferendas.
Nos princ\u00edpios do III mil\u00e9nio, construiu-se um pouco mais acima um 
magn\u00edfico altar de pedras n\u00e3o aparelhadas, colocadas de tal maneira que 
formavam um cone truncado. Ao v\u00ea-lo, v\u00eam \u00e0 mem\u00f3ria as prescri\u00e7\u00f5es de Jav\u00e9 
a Mois\u00e9s: {C}Ali construir\u00e1s um altar para Jav\u00e9 teu Deus, um altar com 
pedras n\u00e3o trabalhadas com ferro. Constr\u00f3i o altar de Jav\u00e9 com pedras 
brutas, e oferece sobre ele holocaustos a Jav\u00e9 teu Deus{/} [Dt_27,5] - 
[Dt_27,6]. Durante quase um mil\u00e9nio, os cananeus oferecer\u00e3o os seus 
holocaustos sobre este altar, como atestam as cinzas e ossadas 
encontradas no recinto sagrado.
Por voltas de 2300 a.C., tr\u00eas templos vir\u00e3o instalar-se  em volta do 
altar cananeu. Estes santu\u00e1rios estiveram em uso mais de dez s\u00e9culos. Nos 
objectos encontrados no lugar p\u00f4de verificar-se a influ\u00eancia de culturas 
estrangeiras: s\u00edria, anat\u00f3lica, mesopot\u00e2mica e egeia. Aqui, o objecto que 
mais se destaca \u00e9 o que parece ser um belo altar cananeu, talhado numa s\u00f3 
pedra, com quatro chifres que simbolizam a for\u00e7a do deus, capaz de 
alargar-se aos quatro pontos do Universo; foi datado como pertencente ao 
s\u00e9culo X a.C., e portanto contempor\u00e2neo de Salom\u00e3o.
{K}O \u00abSINNOR\u00bb{/}

Meguido gozava de uma situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica privilegiada; apesar disso, 
era necess\u00e1rio poder suster um ass\u00e9dio sem ver-se obrigado \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o por 
falta de \u00e1gua. Por isso, os arquitectos da cidade constru\u00edram aqui - tal 
como em Jasor, Gazer e Jerusal\u00e9m - um {C}sinnor.{/} No interior da cidade foi 
cavado um amplo po\u00e7o quadrado, dotado de uma escada que permitia alcan\u00e7ar 
um n\u00edvel interm\u00e9dio entre o da cidade e o da nascente. Entretanto, abria-
se um canal subterr\u00e2neo horizontal que partia da nascente e ia dar ao 
fundo do po\u00e7o quadrado. Isto permitia \u00e0 \u00e1gua fluir at\u00e9 \u00e0 extremidade do 
canal. Assim a gente da cidade s\u00f3 tinha que descer pelo po\u00e7o quadrado 
para tirar \u00e1gua por meio de c\u00e2ntaros. Para completar o trabalho, a 
entrada da gruta de donde brotava a \u00e1gua foi obstru\u00edda na parte exterior.
{K}DA GUERRA SANTA AO COMBATE ESPIRITUAL{/}

Muito frequentemente os homens confundem a guerra santa ou as guerras de 
religi\u00e3o com o combate espiritual a que nos convida a Revela\u00e7\u00e3o, pois a 
viol\u00eancia habita no cora\u00e7\u00e3o humano, e a Deus nunca Lhe bastar\u00e1 a sua 
paci\u00eancia de Pai para levar o homem, das guerras de religi\u00e3o ao combate 
espiritual. As guerras inumer\u00e1veis que acompanham toda a Hist\u00f3ria da 
Salva\u00e7\u00e3o s\u00e3o a prova comprovante disso. Fortaleza v\u00e1rias vezes 
conquistada e reconquistada, testemunha de tantas batalhas e mortes, 
Meguido tinha que ficar na mem\u00f3ria de Israel como um outeiro ao mesmo 
tempo estrat\u00e9gico e simb\u00f3lico: ali aconteceram vit\u00f3rias e derrotas 
decisivas para o reino de Israel. E ali tamb\u00e9m Jo\u00e3o contempla - no seu 
Apocalipse - as for\u00e7as do mal, que se re\u00fanem para um \u00faltimo combate 
contra Deus:
{C}O sexto Anjo despejou a sua ta\u00e7a sobre o grande rio Eufrates. A \u00e1gua do 
rio secou e os reis do Oriente ficaram com o caminho livre para atacar. 
Nesse momento eu vi: da boca do Drag\u00e3o, da boca da Besta e da boca do 
falso profeta sa\u00edram tr\u00eas esp\u00edritos impuros que pareciam sapos. S\u00e3o 
esp\u00edritos de dem\u00f3nios. Fazem maravilhas, e v\u00e3o at\u00e9 aos reis de toda a 
Terra, a fim de os reunir para a guerra no Grande Dia do Deus todo-
poderoso... Os esp\u00edritos reuniram os reis no lugar que, em hebraico, se 
chama Harmagedon (isto \u00e9, outeiros de Meguido){/} [Ap_16,13] - [Ap_16,16].
