{N}OS ASMONEUS{/}

{K}ANT\u00cdOCO IV EPIF\u00c2NIO{/}
Ant\u00edoco III morreu e deixou dois filhos um dos quais, Seleuco IV Filopator subiu ao trono de seu pai, enquanto que o outro estava retido em Roma como ref\u00e9m.  O novo rei obteve a liberta\u00e7\u00e3o do seu irm\u00e3o a troco do seu pr\u00f3prio filho Dem\u00e9trio. Reinou uma d\u00fazia de anos no fim dos quais foi assassinado pelo seu ministro Heliodoro. O tio ent\u00e3o tirou o trono ao seu sobrinho. Ant\u00edoco fez-se aclamar rei sob o nome de Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio. Tal golpe de estado dividiu as classes dirigentes. A esses fermentos internos de divis\u00e3o juntava-se ainda a presen\u00e7a cada vez mais pesada de Roma: pelo tratado de Apameia, os sel\u00eaucidas tinham perdido a parte ocidental do seu imp\u00e9rio, e embora tivessem anexado a Palestina tinham que ter em conta o Egipto, n\u00e3o porque fosse tem\u00edvel, mas porque tinha o apoio de Roma.

{K}O SACRIL\u00c9GIO{/}
Foi o que aconteceu em 168 a.C.: Ant\u00edoco dirigiu-se contra o Egipto. Triunfou sem problemas sobre ex\u00e9rcito enviado contra si por Ptolomeu VI Filom\u00e9tor. Ant\u00edoco saboreava  j\u00e1 a sua vit\u00f3ria quando um emiss\u00e1rio do Senado romano, Pomp\u00edlio Laenas, fez-lhe um ultimato: tinha que abandonar imediatamente o Egipto se n\u00e3o quisesse haver-se com Roma. Ant\u00edoco preferiu a humilha\u00e7\u00e3o a uma derrota prov\u00e1vel e voltou para a sua terra. Como a raz\u00e3o da guerra era o dinheiro, Ant\u00edoco deitou m\u00e3o a um m\u00e9todo que j\u00e1 tinha experimentado. Como todos os templos possu\u00edam um tesouro, o rei apoderou-se do tesouro do templo de Jerusal\u00e9m. A ira dos judeus n\u00e3o tardou em manifestar-se. Ant\u00edoco respondeu com uma violenta persegui\u00e7\u00e3o contra todos os que continuavam apegados \u00e0 Lei: profanou o Lugar Santo, proibiu o culto israelita, substituindo-o pelo de Zeus Olimpo, e mandou os seus soldados aos campos para obrigar  todas as pessoas a submeter-se \u00e0 sua vontade. Nessa altura formou-se um grupo de resist\u00eancia em redor do sacerdote {N}Matatias{/} e a revolta depressa se transformou numa guerra de independ\u00eancia.

{K}HELENISMO E JUDA\u00cdSMO{/}
Uma degrada\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida da situa\u00e7\u00e3o seria incompreens\u00edvel se todos os motivos da insurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se tivessem acumulado lentamente. 
As campanhas de Alexandre, a implanta\u00e7\u00e3o das col\u00f3nias maced\u00f3nicas, e a funda\u00e7\u00e3o dos reinos helen\u00edsticos  (isto \u00e9, herdeiros de Alexandre e da cultura hel\u00e9nica ou grega) n\u00e3o deixaram de ter a sua influ\u00eancia nas comunidades da {N}Di\u00e1spora{/} (quer dizer nas comunidades judaicas dispersas entre as outras na\u00e7\u00f5es) que aumentava dia a dia. Dispersos no Pr\u00f3ximo Oriente, os judeus descobriram uma cultura desconhecida at\u00e9 ent\u00e3o mas que n\u00e3o deixava de os seduzir. Na Palestina, os Ptolomeus tinham multiplicado a cria\u00e7\u00e3o de cidades de acordo com o modelo grego, entre as quais se contava Ptolomaida ou Nisa-Scit\u00f3polis. At\u00e9 em Jerusal\u00e9m, o sumo sacerdote {N}Jas\u00e3o{/} manifestava a sua admira\u00e7\u00e3o pelo helenismo. Estava pronto a comprometer-se por escrito por cento e cinquenta talentos se fosse autorizado a construir por sua conta um gin\u00e1sio e uma escola militar [2Mc_4,9], favorecendo assim a instala\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es que repugnavam \u00e0 consci\u00eancia judaica. A partir da\u00ed, o fosso que separava os que recusavam  qualquer evolu\u00e7\u00e3o, querendo manter uma fidelidade sem falhas \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es antigas, e os que atra\u00eddos pelo modernismo, se atreviam a adquirir tudo o que podia servir para Israel.

{K}OS SUMOS SACERDOTES DIVIDIDOS{/}
A disc\u00f3rdia tinha atingido as grandes fam\u00edlias sacerdotais. Essas rivalidades levaram pouco a pouco o poder pol\u00edtico a intrometer-se na atribui\u00e7\u00e3o do soberano pontificado.  Ant\u00edoco, cuja situa\u00e7\u00e3o financeira era dif\u00edcil, depressa passou do seu papel de \u00e1rbitro ao papel de decisor e foi assim, que desde os primeiros anos do seu reinado come\u00e7ou a troca  dos sumos sacerdotes: Onias, que tinha fama de piedade e de fidelidade \u00e0 Lei, estava no cargo, quando um certo Jas\u00e3o que queria esse posto, o fez desacreditar perante o rei, a quem prop\u00f4s uma grande quantia de dinheiro. Ent\u00e3o, o rei dep\u00f4s Onias e substituiu-o por Jas\u00e3o. Tr\u00eas anos depois apresentou-se Menelau que ofereceu mais e obteve o cargo, e Jas\u00e3o n\u00e3o teve outro rem\u00e9dio sen\u00e3o fugir. Estas pr\u00e1ticas s\u00f3 podiam acarretar o descr\u00e9dito de Ant\u00edoco e dos partid\u00e1rios dos gregos.

{K}JUDAS MACABEU (166-160 A.C.){/} 
Matatias{/} organizou uma expedi\u00e7\u00e3o com os seus primeiros partid\u00e1rios para destruir os altares pag\u00e3os e para circuncidar \u00e0 for\u00e7a todas as crian\u00e7as incircuncisas que se encontravam no territ\u00f3rio de Israel [1Mc_2,45] - [1Mc_2,46]. Alguns meses mais tarde morreu (166 a.C.). Sucedeu-lhe seu filho Judas, o Macabeu. Os seus irm\u00e3os e todos os que tinham seguido seu pai deram-lhe o seu apoio e prosseguiram com entusiasmo a guerra [1Mc_3,1] - [1Mc_3,2]. Ant\u00edoco n\u00e3o levou a s\u00e9rio esse levantamento. Contentou-se em enviar contra os rebeldes um destacamento comandado por um certo Apol\u00f3nio. Como este foi derrotado por Judas, o governador L\u00edsias, que tinha a seu cargo o reino na aus\u00eancia do rei, atacou G\u00f3rgias com um ex\u00e9rcito muito grande. Foi uma nova derrota para os sel\u00eaucidas. L\u00edsias decidiu-se ent\u00e3o a assumir a direc\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es. A derrota das suas tropas tamb\u00e9m o obrigou a fugir de Antioquia.

{K}A RESIST\u00caNCIA ATINGE O AUGE{/}
Estes \u00eaxitos inesperados refor\u00e7aram a confian\u00e7a dos Judeus e levaram-nos \u00e0queles que por medo se tinham mantido \u00e0 margem do conflito. Era para todos evidente que Deus manifestava novamente a sua protec\u00e7\u00e3o para com o seu povo.  J\u00e1 que o inimigo  tinha sido repelido para longe de Jerusal\u00e9m, era a altura de recuperar o Templo: a purifica\u00e7\u00e3o do Lugar Santo profanado h\u00e1 tr\u00eas anos pelos gregos era o principal objectivo do projecto de Judas. A consagra\u00e7\u00e3o do novo altar e do santu\u00e1rio celebrou-se no dia 25 do nono m\u00eas {C}com c\u00e2nticos acompanhados de c\u00edtaras, harpas e c\u00edmbalos{/} [1Mc_4,54]. A festa de Janukka ia comemorar nos s\u00e9culos seguintes a {N}Dedica\u00e7\u00e3o{/} do Templo, que aconteceu no ano 164 a.C.
O santu\u00e1rio libertado e purificado tornou-se de novo no lugar onde a comunidade da Judeia podia livremente celebrar o seu Deus, mas era preciso ir socorrer os irm\u00e3os mais afastados, pois as vit\u00f3rias de Judas apenas tinham exacerbado o \u00f3dio dos \u00abGregos\u00bb contra os Judeus. Judas juntamente com o seu irm\u00e3o {N}J\u00f3natas{/} dirigiram-se a Galaad para ali exercer repres\u00e1lias sangrentas e para repatriar para Jerusal\u00e9m essas comunidades oprimidas. Sim\u00e3o, um terceiro filho de Matatias chegou \u00e0 Galileia para uma miss\u00e3o semelhante. 
Entretanto tinha morrido Ant\u00edoco IV, deixando um filho de apenas oito anos. Censurado pela popula\u00e7\u00e3o grega e pelos seus partid\u00e1rios judaicos que reclamavam a ajuda do poder, L\u00edsias,{N}{/} que entretanto se tinha proclamado regente do reino, decidiu dirigir um golpe definitivo. Judas e os seus foram derrotados e Jerusal\u00e9m ficou em m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o. Providencialmente as contendas entre L\u00edsias e Filipe, a quem Ant\u00edoco IV no seu leito de morte tinha confiado o reino, salvaram a Cidade Santa. 
L\u00edsias prop\u00f4s ent\u00e3o ao seu rei que assinasse a paz com Judas para ficar livre por esse lado. O rei enviou ent\u00e3o gente para fazer a paz com os judeus que aceitaram. O rei e os chefes comprometeram-se com juramento, e os gregos, s\u00fabditos do rei, que estavam cercados pelos judeus, sa\u00edram da cidadela.
\u00c9 muito prov\u00e1vel que neste ano tenha sido publicado o livro de {N}Daniel{/}, obra de um dos mestres da  Lei que tinham sofrido a persegui\u00e7\u00e3o. Os acontecimentos mais recentes e o fim da persegui\u00e7\u00e3o eram para ele o prel\u00fadio de uma justi\u00e7a de Deus que se ia deixar cair sobre o perseguidor e colocar o seu povo acima de todas as na\u00e7\u00f5es. 
No entanto, nada se tinha ajustado de modo definitivo. A narrativa do primeiro livro dos Macabeus diz-nos que quando o rei subiu ao monte Si\u00e3o e viu as suas defesas, quebrou o seu juramento e mandou destruir o muro que o cercava [1Mc_6,60] - [1Mc_6,62]. Essa prevarica\u00e7\u00e3o do rei inquietou com justa raz\u00e3o a Judas: as hostilidades recome\u00e7aram passado pouco tempo, Judas teve ainda tempo de assinar um pacto de alian\u00e7a com Roma, mas os seus dias estavam contados. Morreu num combate desigual, preferindo a morte \u00e0 fuga. Era o ano 160 a.C.

{K}J\u00d3NATAS (160-143 A.C.){/}
As intrigas de pal\u00e1cio e os assassinatos pol\u00edticos levaram a apresentar o trono ao filho de Seleucos IV que reinou com o nome de{N} Dem\u00e9trio{/} I Soter. Com ele os partid\u00e1rios dos \u00abgregos\u00bb fustigaram e confundiram os partid\u00e1rios da resist\u00eancia. {C}Submeteram todos os que tinham combatido ao lado de Judas a persegui\u00e7\u00f5es e inquisi\u00e7\u00f5es e faziam-nos comparecer  perante B\u00e1quides que os castigava e humilhava. Israel experimentou uma opress\u00e3o t\u00e3o terr\u00edvel como n\u00e3o tinha tido desde o fim do tempo dos profetas.{/}
Foi ent\u00e3o que J\u00f3natas aceitou assumir a autoridade e a sucess\u00e3o do seu irm\u00e3o Judas  [1Mc_9,23] - [1Mc_9,31].

{K}O JOGO DUPLO{/}
Os assuntos da corte de Antioquia n\u00e3o se acertavam: surgiu um rival contra Dem\u00e9trio, {N}Alexandre Balas{/}, que se fazia passar por um dos filhos de Ant\u00edoco Epif\u00e2nio. Dem\u00e9trio procurou ganhar a J\u00f3natas com toda a esp\u00e9cie de belas promessas: Mais adiante teria direito a formar um ex\u00e9rcito, a fabricar armas e a apresentar-se como aliado do rei. Acreditando nestas autoriza\u00e7\u00f5es reais, J\u00f3natas instalou-se em Jerusal\u00e9m e p\u00f4s-se a reconstruir a cidade [1Mc_10,10].
Alexandre (Balas) fez imediatamente uma contra-oferta: concedeu a{N} J\u00f3natas{/} o cargo de sumo sacerdote e o cobi\u00e7ado t\u00edtulo de \u00abamigo do rei\u00bb. Sem qualquer escr\u00fapulo J\u00f3natas aceitou todas estas prerrogativas das m\u00e3os do usurpador. Em 153 a.C., por alturas da Festa das Tendas, fez a sua entrada solene no Templo, revestido com as vestes de sumo sacerdote.
Dem\u00e9trio quis oferecer-lhe ainda mais, mas desta vez J\u00f3natas n\u00e3o lhe deu import\u00e2ncia. Passado algum tempo este rei morria num combate com Alexandre Balas. Este \u00faltimo n\u00e3o lhe sobreviveu por muito tempo. Morreu em 145 a.C. e Dem\u00e9trio II, filho de Dem\u00e9trio, reinou sem ter oposi\u00e7\u00e3o. Em Jerusal\u00e9m J\u00f3natas continuou com o seu jogo duplo entre os v\u00e1rios pretendentes ao trono, acabou por cair numa cilada em Ptolomaida e foi executado pouco depois (143 a.C).

{K}O NASCIMENTO DE UMA DINASTIA{/}
Sim\u00e3o{/}, outro filho de Matatias, depois da pris\u00e3o de J\u00f3natas, tinha aumentado de import\u00e2ncia. Continuou a luta contra os Sel\u00eaucidas, expulsou definitivamente a guarni\u00e7\u00e3o grega que apesar disso ocupava a cidade de Jerusal\u00e9m, e ao apoderar-se do territ\u00f3rio de Joppe, conseguiu uma entrada importante no Mediterr\u00e2neo. Consegui que Antioquia o isentasse de todos os impostos, e desde o in\u00edcio da revolta, foi o primeiro a cunhar a sua pr\u00f3pria moeda.
Sim\u00e3o, atrav\u00e9s de um decreto que emanava dos judeus e dos sacerdotes, e datado de 140 a.C. recebeu o t\u00edtulo de Pr\u00edncipe e de Sumo Sacerdote dos judeus. Assim, a comunidade judaica sob a autoridade de Sim\u00e3o, recuperou uma completa autonomia tanto no plano religioso como no plano pol\u00edtico.
A fam\u00edlia de Matatias estava, portanto instalada \u00e0 frente da comunidade de Jerusal\u00e9m ou mais exactamente \u00e0 frente do estado de Israel, porque na realidade tratava-se nesse momento de um estado, e nessa fam\u00edlia o poder seria transmitido de modo heredit\u00e1rio, como bem depressa se verificou \u00e0 morte de Sim\u00e3o. Os seus descendentes passaram \u00e0 hist\u00f3ria com o nome de Asmoneus.

{K}UM PRIMEIRO BALAN\u00c7O{/}
Durante toda a vida de Sim\u00e3o, a Judeia ficou em paz... Cada um p\u00f4de cultivar em paz os seus campos; a terra dava as suas colheitas e as \u00e1rvores da plan\u00edcie davam os seus frutos. Os anci\u00e3os sentavam-se nas pra\u00e7as, todos a falar de prosperidade, enquanto os jovens se revestiam de gl\u00f3ria, usando as suas vestimentas de guerra. Consolidou a paz no pa\u00eds, e trouxe grande felicidade para Israel... Cada um podia ficar sentado debaixo da sua parreira e da sua figueira sem que ningu\u00e9m o incomodasse{N}{/} [1Mc_14,4]; [1Mc_14,12]. 
Este elogio do governo de Sim\u00e3o pode dar ideia de que tudo estava no melhor dos mundos. Mas, na realidade, muitos judeus viam com maus olhos que o poder militar, pol\u00edtico e religioso estivesse todo reunido nas m\u00e3os de um soberano estranho \u00e0 dinastia de David como a de Sadoc. 

{K}AS PRIMEIRAS CONTENDAS{/}
As primeiras dissens\u00f5es apareceram na comunidade judaica quando no ano 153 a. C. J\u00f3natas aceitou de Alexandre Balas o t\u00edtulo de sumo sacerdote. De facto, J\u00f3natas pertencia \u00e0 tribo de Levi, \u00e0 descend\u00eancia de Aar\u00e3o, mas n\u00e3o era da linhagem de Sadoc, o \u00fanico habilitado, segundo uma tradi\u00e7\u00e3o antiga, a dar um sumo sacerdote a Israel. Por isso, J\u00f3natas passava por um sacerdote ileg\u00edtimo aos olhos dos elementos mais religiosos da comunidade, os {N}Hassidim{/}. A isso se juntava a condi\u00e7\u00e3o de comandante chefe que fazia com que contra\u00edsse numerosas impurezas rituais incompat\u00edveis com a dignidade sacerdotal. As ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e o declive moral da dinastia real sob os reinados seguintes fizeram o resto: esses Hassidim afastaram-se cada vez mais do poder pol\u00edtico e formaram o movimento dos {N}fariseus{/} (separados).
Por essa altura e por essas mesmas raz\u00f5es, alguns leigos e sacerdotes afastaram-se do Templo de Jerusal\u00e9m onde oficiava um sumo sacerdote ileg\u00edtimo, e al\u00e9m disso indigno, e instalaram-se nas margens do Mar Morto para ali levarem uma vida de fidelidade total \u00e0 Lei da Alian\u00e7a: dando assim origem \u00e0{N}{/} Comunidade da{N} Alian\u00e7a{/}, mais conhecida pelo nome de Comunidade de {N}Qumran{/}.

{K}JO\u00c3O HIRCANO (134-104 A.C.){/}
O genro de Sim\u00e3o queria tomar o poder. No ano 104 a.C. convidou-o assim como aos seus dois filhos para a fortaleza de Dok e ali os matou. Mas Jo\u00e3o, outro filho de Sim\u00e3o, escapou aos assassinos [1Mc_16,21] e o sistema din\u00e1stico funcionou sem atropelos: de acordo com a vontade do povo, expressa alguns anos mais tarde, subiu ao trono com o nome de Jo\u00e3o Hircano I. 
No ano 138 a.C. quando Dem\u00e9trio II foi tornado prisioneiro pelos partos, Ant\u00edoco VII Evergetes substituiu-o no trono da S\u00edria. O novo rei n\u00e3o podia resignar-se \u00e0 perda da Palestina. Por isso, apesar dos tratados, promessas e garantias assinadas pelos seus predecessores, invadiu a Judeia e p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m onde Hircano se tinha refugiado. Como Ant\u00edoco n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de se apoderar da cidade, fez um acordo. Pouco tempo depois, Ant\u00edoco morria numa expedi\u00e7\u00e3o que tinha empreendido contra os Partos (ano 128 a.C.) e o seu irm\u00e3o foi incapaz de se impor pelas armas na Palestina. Jo\u00e3o Hircano p\u00f4de ent\u00e3o continuar com a pol\u00edtica da reconquista. 
O filho de Sim\u00e3o voltou primeiro para a Transjord\u00e2nia, onde se apoderou de v\u00e1rias cidades. Atravessando de novo o Jord\u00e3o, derrotou Siqu\u00e9m. O templo de {N}Garizim{/} foi arrasado e o pa\u00eds inserido de boa ou m\u00e1 vontade no caminho da observ\u00e2ncia da Lei. A oposi\u00e7\u00e3o continuou, no entanto, forte, o que fez com que a Samaria, a capital da regi\u00e3o, fosse completamente devastada em 107. Durante esse tempo o sul da Palestina, a Idumeia, foi tamb\u00e9m conquistada e os seus habitantes foram obrigados a circuncidar-se. Jo\u00e3o Hircano apoderou-se ainda de J\u00e2mnia, de Azoto e dos seus arredores, ampliando assim a sua janela para o Mediterr\u00e2neo. A ajuda de Roma permitiu que mantivesse as conquistas e a independ\u00eancia. 

{K}ENTRE FARISEUS E SADUCEUS{/}
As raz\u00f5es que tinham levado os {N}fariseus{/} a afastarem-se do pai, pioraram mais ainda com o filho. Jo\u00e3o Hircano que tinha simpatias marcadas pelo helenismo encontrou, muito naturalmente, os seus melhores amigos entre os Saduceus.
Os{N} Saduceus{/}, que muito provavelmente devem este nome a Sadoc, o sumo sacerdote que consagrou Salom\u00e3o e que desempenhou o seu cargo no templo acabado de construir, tinham manifestado a sua tend\u00eancia para o helenismo antes da rebeli\u00e3o macabeia. Paradoxalmente mostravam-se conservadores em mat\u00e9ria religiosa, para eles apenas a Lei valia. Recusavam portanto, a tradi\u00e7\u00e3o oral, contrariamente aos fariseus que lhe atribu\u00edam uma import\u00e2ncia igual \u00e0 da Tor\u00e1. Por isso, os saduceus n\u00e3o acreditavam na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, o que lhes parecia uma novidade, enquanto que os fariseus aceitaram-na em nome da tradi\u00e7\u00e3o oral. Mas esse rigor dos saduceus caminhava ao lado de uma real abertura nos outros campos: do mesmo modo que os pr\u00edncipes asmoneus (descendentes dos Macabeus), mostravam-se realistas tanto no plano pol\u00edtico como no plano cultural.
Uma vez que o cargo de sumo sacerdote era nessa altura assumido pelo rei, a aristocracia sacerdotal que assegurava a viv\u00eancia do culto de Jerusal\u00e9m, via-se obrigada a entrar em acordos com o poder pol\u00edtico que cada vez mais se apoiava em not\u00e1veis abertos ao helenismo para a administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.

{K}ARIST\u00d3BULO O TERR\u00cdVEL (104-103 A.C.){/}
Pela morte do seu pai, Arist\u00f3bulo, o mais velho dos seus filhos, tomou oficialmente - e pela primeira vez nos Asmoneus - o t\u00edtulo de rei. Mandou meter na pris\u00e3o a sua m\u00e3e, ordenando que a deixassem morrer de fome. Tr\u00eas dos seus irm\u00e3os foram tamb\u00e9m presos. O mais novo, Ant\u00edgono, foi perdoado e at\u00e9 foi associado durante algum tempo ao poder, mas, depressa foi acusado ao seu irm\u00e3o mais velho e foi assassinado. Embora o seu reinado tenha durado apenas dois anos, Arist\u00f3bulo teve tempo para reconquistar a Galileia. \u00c0 sua morte no ano 103 a.C., a vi\u00fava, Salom\u00e9 Alexandra, liberta os tr\u00eas irm\u00e3os presos e leva ao trono o irm\u00e3o mais velho, com quem casa. Desde o in\u00edcio o novo rei manifesta a sua simpatia pela cultura grega helenizando o seu nome. Da\u00ed em diante ser\u00e1 conhecido n\u00e3o pelo nome de J\u00f3natas, mas pelo de Alexandre Janneu. 

{K}ALEXANDRE JANNEU (103-76 A.C.){/}
Alexandre continuou com a pol\u00edtica expansionista dos seus antecessores. Apoderou-se do Carmelo e da plan\u00edcie de Saron, e no sul, de Gaza e dos territ\u00f3rios que se estendem at\u00e9 ao Egipto (96). No mesmo ano apodera-se de Gadara e de Amathonte, na Transjord\u00e2nia, mas bem depressa sofre uma grande derrota perante o rei dos Nabateus. Os opositores de Alexandre acham que chegou o momento da insurrei\u00e7\u00e3o e chegam mesmo a chamar o rei de Antioquia, Dem\u00e9trio III (95-88), mas um levantamento nacional salva uma vez mais a dinastia. Nesta altura tem lugar a selvagem  extermina\u00e7\u00e3o dos descontentes. No ano 83 a.C., Alexandre termina a conquista da Transjord\u00e2nia com a tomada de Gerasa, Pela e Dion. Em todas as cidades reconquistadas, Alexandre imp\u00f5e pela for\u00e7a o juda\u00edsmo. Nessas condi\u00e7\u00f5es a unidade do reino n\u00e3o podia ser sen\u00e3o fr\u00e1gil. Para reprimir os movimentos subversivos, apoiou-se em mercen\u00e1rios vindos da \u00c1sia Menor. 

{K}O CONFLITO COM OS FARISEUS{/}
Podia esperar-se que a lembran\u00e7a da barb\u00e1rie do seu irm\u00e3o Arist\u00f3bulo, que ele pr\u00f3prio juntamente com a sua m\u00e3e e os seus irm\u00e3os tinha sofrido, faria nascer no rei sentimentos mais nobres, mas n\u00e3o foi assim. Alexandre Janneu imp\u00f4s a sua autoridade pelo medo, e reduziu ao sil\u00eancio qualquer oposi\u00e7\u00e3o, por meio de repres\u00e1lias de uma tal crueldade que as vit\u00f3rias militares, com as quais devolveu as fronteiras do tempo de Salom\u00e3o a Israel, n\u00e3o as fizeram esquecer pelos seus contempor\u00e2neos. Foi assim que mandou massacrar 6.000 fariseus para vingar a afronta de que foi objecto na celebra\u00e7\u00e3o da festa das Tendas enquanto oficiava como sumo sacerdote no Templo. Pouco tempo depois, mandou crucificar 800 dos seus opositores, mandando degolar \u00e0 vista dos justi\u00e7ados as suas mulheres e filhos, enquanto se banqueteava junto de suas amantes e cortes\u00e3os ao p\u00e9 das cruzes. 

{K}ALEXANDRA (76-67){/}
Quando Alexandre Janneu morreu, a sua vi\u00fava, Salom\u00e9 Alexandra, exerceu o poder tal como ele pr\u00f3prio tinha decidido. Mas como ela n\u00e3o podia ser "o" Sumo Sacerdote, confiou esse cargo ao mais velho dos seus filhos, Jo\u00e3o Hircano II. Durante os nove anos que durou o seu reinado, Alexandra conduziu habilmente os assuntos do reino, procurando por todos os meios manter a paz.
Com o apoio da rainha, os fariseus tinham entrado no Grande Conselho do Sin\u00e9drio, que at\u00e9 a\u00ed estava apenas aberto aos Anci\u00e3os e \u00e0 aristocracia sacerdotal (os Saduceus). A sua subida ao poder fez-se \u00e0 custa dos saduceus. Um grupo de descontentes encontrou em Arist\u00f3bulo II, o irm\u00e3o do sumo sacerdote, um chefe. Colocou-se \u00e0 frente da oposi\u00e7\u00e3o do governo de sua m\u00e3e, contestando a influ\u00eancia crescente dos fariseus nos assuntos do pa\u00eds. Salom\u00e9 Alexandra contudo, soube evitar o pior, mas quando morreu em 67 as diferen\u00e7as levaram \u00e0 guerra civil. 

{K}OS IRM\u00c3OS INIMIGOS{/}
Como Jo\u00e3o Hircano era o mais velho era a ele que cabia por direito o trono, mas Arist\u00f3bulo, seu irm\u00e3o, n\u00e3o pensava assim. No mesmo dia em que a sua m\u00e3e caiu doente da enfermidade que a levaria \u00e0 morte, apoderou-se de vinte e duas pra\u00e7as fortes do reino, assegurando assim o dom\u00ednio das opera\u00e7\u00f5es. Aos poucos, foi-se impondo nesta guerra civil. Obrigado a render-se, Jo\u00e3o Hircano assinou um tratado com o seu irm\u00e3o: dava-lhe a coroa e ficava com o cargo de sumo sacerdote.
Mas tudo ficou em nada quando entrou em cena uma outra personagem. Um certo Ant\u00edpatro, pai do futuro rei Herodes o Grande, que se p\u00f4s ao lado de Jo\u00e3o Hircano. Como conhecia o car\u00e1cter vacilante desse pr\u00edncipe, viu ali a oportunidade de satisfazer as suas pr\u00f3prias ambi\u00e7\u00f5es. Conhecia bem Nabateia, vizinha de Idumeia, onde o seu pai tinha sido governador. Assim, combinou com o rei Aretas de Nabateia que lhe entregaria as cidades que lhe tinham sido tiradas por Alexandre Janeu a troco da ajuda armada que ele daria a Jo\u00e3o Hircano. Arist\u00f3bulo  desta vez  foi obrigado a bater em retirada e foi para Jerusal\u00e9m onde se fechou assediado pelas tropas de Aretas e de  Hircano.
