{N}1,{/}1: (1-7) A primeira p\u00e1gina deste livro cobre s\u00e9culos de vida. Com a morte de Jos\u00e9 e seus filhos, a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia passa gradualmente a hist\u00f3ria de um povo, conforme a promessa de Gn 46,3. J\u00e1 era povo numeroso (v. 7); faltava cumprir a promessa da posse de uma terra.

{N}1,{/}8: (8-22) Temendo a revolta deste povo ou o seu alinhamento com eventuais invasores, a autoridade imp\u00f5e trabalhos for\u00e7ados, decide oprimir, constrangendo semi-n\u00f3madas ao peso da constru\u00e7\u00e3o civil. No intuito de controlar o seu crescimento, decreta a morte dos filhos var\u00f5es; medida parcialmente ineficaz, porque havia parteiras tementes a Deus, a respeitar a fonte da vida.

{N}2,{/}1: (1-10) A coragem da m\u00e3e hebreia e o encantamento da filha do Fara\u00f3 preservam a vida daquele que havia de ser o chefe da liberta\u00e7\u00e3o e asseguram--lhe instru\u00e7\u00e3o cuidada. Mois\u00e9s entra, assim, no rol das grandes personalidades da Hist\u00f3ria.

{N}2,{/}11: (11-22) Embora educado com requintes de corte, Mois\u00e9s {C}sai{/} e {C}v\u00ea{/} a situa\u00e7\u00e3o degradante dos seus irm\u00e3os. N\u00e3o hesita em defender um deles, mesmo matando um eg\u00edpcio. O burburinho foi tamanho que Mois\u00e9s teve de fugir para Madi\u00e3, povo semi-n\u00f3mada ligado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es patriarcais (cf. Gn 25,2), onde o seu gesto de solidariedade com as filhas de Raguel (ou Jetro, em 3,1;4,18) lhe valeu uma casa e uma esposa.

{N}2,{/}23: (23-25) O clamor do povo oprimido toca o cora\u00e7\u00e3o de Deus que Se lembra da sua alian\u00e7a com os patriarcas. N\u00e3o que a tivesse esquecido, mas porque chegara o momento de transpor nova etapa.

{N}3,{/}1: (1-6) No sossego das pastagens, do ritmo dos rebanhos, Mois\u00e9s ia pensando certamente na sorte dos seus. E, no mist\u00e9rio dum fogo que arde sem consumir, capta a presen\u00e7a do \u00abDeus de Abra\u00e3o, Isaac e Jacob\u00bb, e atam-se muitos n\u00f3s no seu \u00edntimo.

{N}3,{/}7: (7-10) A repress\u00e3o do povo precipita a interven\u00e7\u00e3o de Deus. Ao longe desvenda-se o horizonte: liberta\u00e7\u00e3o em vista da posse total duma terra onde corre leite e mel. O des\u00edgnio divino desafia a colabora\u00e7\u00e3o humana: \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s.

{N}3,{/}11: (11-15) Os di\u00e1logos vocacionais encerram o interrogar-se, como o sentir-se pequeno face \u00e0 grandeza da tarefa futura. Deus assegura que estar\u00e1 com Mois\u00e9s, mas este gostaria de algo mais para apresentar ao povo como credencial ou contraprova. E Deus diz o seu nome: \u00abEu sou Aquele que sou\u00bb (v. 14). Neste ponto alto da B\u00edblia, anda tudo \u00e0 volta do nome divino Jav\u00e9 (ou Jahv\u00e9) e da sua etimologia que toca o verbo ser. Mas a f\u00f3rmula \u00e9 polivalente e permite v\u00e1rias leituras: \u00abSou Aquele que sou\u00bb, o Ser por excel\u00eancia, o Acto puro, em contraste com o nada dos \u00eddolos; \u00abSou Quem sou\u00bb e n\u00e3o digo a ningu\u00e9m o meu nome verdadeiro; \u00abSerei Aquele que for\u00bb, isto \u00e9, embora sendo o Deus dos patriarcas, vou mostrar-vos aquilo de que sou capaz: a promessa vai mesmo cumprir-se, para admira\u00e7\u00e3o de todos.

{N}3,{/}16: (16-22) O resto da narrativa esbo\u00e7a um verdadeiro programa para os come\u00e7os da ac\u00e7\u00e3o libertadora, anotando algumas das personagens chamadas a intervir no longo processo.

{N}4,{/}1: (1-9) Os resqu\u00edcios de d\u00favida ser\u00e3o vencidos pelo poder misterioso concedido a Mois\u00e9s. Se os sacerdotes e magos eg\u00edpcios transformam uma serpente em pau, imobilizando-a, o enviado de Deus n\u00e3o ficar\u00e1 atr\u00e1s. Ali\u00e1s, estes prod\u00edgios anunciam outros mais espectaculares (cf 7,8-25).

{N}4,{/}10: (10-17) Uma \u00faltima objec\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s: n\u00e3o tem facilidade de palavra e h\u00e1 muito \u00e9 defeituosa a sua articula\u00e7\u00e3o oral. Como poderia dirigir-se ao povo? A solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 chamar Aar\u00e3o para seu porta-voz, \u00e0 maneira de profeta que pronuncia a mensagem transmitida por Deus (cf 7,1; Jr 1,9; 15,19).

{N}4,{/}18: (18-26) Feita as despedidas, Mois\u00e9s p\u00f5e-se a caminho do Egipto, onde arrancar\u00e1 o dif\u00edcil processo do \u00eaxodo. No caminho, Deus ataca misteriosamente o seu enviado, quer para o confirmar na sua for\u00e7a, quer para sublinhar a circuncis\u00e3o do filho ou os perigos dos primog\u00e9nitos a salvar mediante o sinal do sangue (v. 23; cf 12,13).

{N}4,{/}27: (27-31) O encontro de Mois\u00e9s com Aar\u00e3o e os anci\u00e3os gera ades\u00e3o e esperan\u00e7a. O conjunto diz sim ao projecto de Deus e est\u00e1 disposto a empreender a sua concretiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.

{N}5,{/}1: (1-14) O primeiro passo \u00e9 a dilig\u00eancia junto do Fara\u00f3 para que deixe o povo de Israel ir ao deserto para celebrar uma festa (talvez a peregrina\u00e7\u00e3o primaveril dos pastores, depois integrada na P\u00e1scoa, cf 23,14-17). Feito em nome do \u00abDeus dos hebreus\u00bb, o pedido foi rejeitado pela auto-sufici\u00eancia fara\u00f3nica que ignora e desdenha tal deus, acusa os chefes de subverter o povo e manda redobrar a repress\u00e3o: continuar a fabricar a mesma quantidade de tijolos e restolhar antes a palha pelos campos.

{N}5,{/}15: (15-21) O mal-estar agrava-se. Os inspectores israelitas encontram-se em situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel: sofrem as consequ\u00eancias da audi\u00eancia de Mois\u00e9s com o Fara\u00f3. N\u00e3o seria melhor deixar estar tudo como estava?

{N}5,{/}22: (5,22-6,13) O sabor a fracasso leva Mois\u00e9s a desanimar e a interpelar Jav\u00e9 que o enviou. O Senhor, por\u00e9m, n\u00e3o desarma e anuncia as \u00abpragas\u00bb que se aproximam. A sequ\u00eancia reafirma vigorosamente a voca\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s (cf. 3,7-22); as afirma\u00e7\u00f5es divinas marcam as grandes etapas da salva\u00e7\u00e3o, desde a elei\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o \u00e0 entrada na Terra Prometida (cf. Dt 26,5-10; Js 24,2-13).

{N}6,{/}14: (14-27) De inspira\u00e7\u00e3o sacerdotal, esta genealogia retoma a de Gn 46, parando em Levi, com o prop\u00f3sito de mostrar que Mois\u00e9s e Aar\u00e3o s\u00e3o irm\u00e3os e que a tribo de Levi fornece os principais her\u00f3is da sa\u00edda do Egipto.

{N}6,{/}28: (6,28-{N}7,{/}7{N}) {/}O texto conclui a nova vers\u00e3o do chamamento ou voca\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, sublinhando o que foi dito em 3,16-22 e 4,10-17. A liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obra puramente humana; a iniciativa pertence a Deus.

{N}7,{/}8: (8-13) Come\u00e7a o confronto: de um lado, Jav\u00e9, o Deus libertador; do outro, o Fara\u00f3, o soberano opressor. Mois\u00e9s e Aar\u00e3o s\u00e3o enviados pelo primeiro em vista da obra da liberta\u00e7\u00e3o. Os magos sustentam e apoiam o poder do Fara\u00f3.
Apesar do resultado do confronto inicial, \u00abo cora\u00e7\u00e3o de Fara\u00f3 endureceu-se... como Jav\u00e9 havia predito\u00bb (v. 13). O {C}endurecimento{/} do Fara\u00f3 aparece como refr\u00e3o ao fim de cada {C}praga{/}. Os tr\u00eas verbos ent\u00e3o empregados - endurecer, obstinar-se, tornar inflex\u00edvel - exprimem o fechar-se sobre si mesmo, a falta de maleabilidade. Ora \u00e9 o Fara\u00f3 que se fecha, ora \u00e9 Deus que lhe endurece o cora\u00e7\u00e3o. O autor debate-se com o mist\u00e9rio do mal: Porque \u00e9 que o ser humano, respons\u00e1vel, n\u00e3o quer ver? Como \u00e9 que, mau grado isso, o projecto salv\u00edfico de Deus acaba por se realizar?

{N}7,{/}14: (14-24) A {C}primeira praga{/} atinge as \u00e1guas do rio Nilo (v. 17), o centro da vida eg\u00edpcia. Mas, a calamidade, mesmo ampliada pela vers\u00e3o sacerdotal (v. 19), n\u00e3o abala o poder do Fara\u00f3; os seus magos conseguem efeitos parecidos.

{N}7,{/}25: (7,25-8,11) A {C}segunda praga{/} cobre todo o territ\u00f3rio eg\u00edpcio, incluindo a casa do Fara\u00f3. Os magos realizam prod\u00edgio semelhante, mas s\u00e3o incapazes de conter os efeitos da praga. As negocia\u00e7\u00f5es entre o Fara\u00f3 e Mois\u00e9s ocultam uma esperteza fara\u00f3nica de curto alcance.

{N}8,{/}12: (12-15) A {C}terceira praga{/} aflige homens e animais, e p\u00f5e a claro a impot\u00eancia dos magos. O seu poder j\u00e1 n\u00e3o acompanha as maravilhas de Mois\u00e9s e Aar\u00e3o: \u00abH\u00e1 nisto o dedo de Deus\u00bb.

{N}8,{/}16: (16-28) A {C}quarta praga{/} estabelece uma distin\u00e7\u00e3o entre a regi\u00e3o habitada pelos hebreus e o restante territ\u00f3rio eg\u00edpcio. Aflora o tema da elei\u00e7\u00e3o de Israel (cf. 9,4.26; 10,23; 11,7; 33,16). Nas negocia\u00e7\u00f5es, o Fara\u00f3 inicia uma s\u00e9rie de concess\u00f5es (cf. v. 21 e 24; 10,7-11.24) que Mois\u00e9s n\u00e3o aceita porque incompat\u00edveis com a liberdade de servir a Deus.

{N}9,{/}1: (1-7) A {C}quinta praga{/} visa a generalidade dos animais usados nos transportes e alimenta\u00e7\u00e3o; continua a poupar os que pertencem aos israelitas, facto que o Fara\u00f3 n\u00e3o pode deixar de verificar.

{N}9,{/}8: (8-12) A {C}sexta praga,{/} na linha das terceira e quarta, tamb\u00e9m afecta directamente os magos que j\u00e1 n\u00e3o conseguem ficar de p\u00e9 ao lado do Fara\u00f3.

{N}9,{/}13: (13-35) A {C}s\u00e9tima praga,{/} introduzida com alguma solenidade (\u00abDesta vez...\u00bb, v. 14), vai desenrolar-se sob a forma de imponente trovoada (v. 24) - coisa rara em certas regi\u00f5es do Egipto em que chove uma vez cada dez ou quinze anos - e obt\u00e9m resultado apreci\u00e1vel: certos ministros deram ouvidos \u00e0 amea\u00e7a (v. 20), abrigaram o gado e os escravos, e ficaram irmanados com os israelitas (v. 26; cf. Is 19,24-25); e, por outro lado, o Fara\u00f3 reconhece o seu pecado (v. 27).

{N}10,{/}1: (1-20) A {C}oitava praga{/} acelera as negocia\u00e7\u00f5es. Os pr\u00f3prios ministros fazem press\u00e3o sobre o Fara\u00f3, que prop\u00f5e outra concess\u00e3o ardilosa: deixar sair apenas os homens (vv. 10-11), para garantir o seu regresso. O teor do v. 2 mostra que estas narrativas eram destinadas ao ensino religioso e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 (cf. Dt 4,9; 6,20-23).

{N}10,{/}21: (21-29) A {C}nona praga{/} usa todo o vigor da oposi\u00e7\u00e3o entre {C}luz{/} e {C}trevas{/}; aquela, obra de Deus, estas evocando a aus\u00eancia divina (cf. Gn 1,2-4; Is 9,1; Jo 1,5). O Fara\u00f3 disp\u00f5e-se a ceder mais um pouco: deixar deslocar ao deserto toda a popula\u00e7\u00e3o israelita, mas sem levar quaisquer bens. Mois\u00e9s n\u00e3o arreda um mil\u00edmetro. E as negocia\u00e7\u00f5es entram no impasse, com Mois\u00e9s amea\u00e7ado de morte.

{N}11,{/}1: (1-10) O an\u00fancio da {C}d\u00e9cima praga{/} assinala o ponto mais alto do confronto entre Jav\u00e9 e o Fara\u00f3. A morte atingir\u00e1 todos os recantos e casas, sem poupar o pr\u00f3prio herdeiro do trono. Al\u00e9m disso, os hebreus ganham a simpatia do povo (cf. 3,21-22) e de uma parte dos ministros.

{N}12,{/}1: (1-14) A {C}P\u00e1scoa{/} era primitivamente um rito anual de pastores n\u00f3madas que, para celebrar a vida da fam\u00edlia e dos rebanhos, comiam festivamente um cordeiro. Com o acontecimento hist\u00f3rico do \u00eaxodo, o ritual adquire um sentido novo: a P\u00e1scoa ser\u00e1 o memorial do Deus vivo que salva o povo de Israel, fazendo-o passar da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade, da morte \u00e0 vida. A esperan\u00e7a que a P\u00e1scoa alimentava atingiu a plena realiza\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo, \u00abnossa P\u00e1scoa\u00bb (1Cor 5,7) e novo \u00abcordeiro pascal\u00bb (cf. Jo 19,14; Lc 22,15-16).
{N}12-15: {/}Mais do que relato da sa\u00edda do Egipto, estes cap\u00edtulos apresentam-se como textos {C}lit\u00fargicos,{/} de \u00e9pocas diversas, que alternam narrativas e rituais, e dizem como celebrar o {C}memorial{/} desse \u00eaxodo do Egipto.

{N}12,{/}15: (15-20) \u00c9 prov\u00e1vel que a festa anual dos {C}P\u00e3es sem fermento{/} (\u00e1zimos) decorresse da festa rural, celebrada ao come\u00e7o da colheita da cevada, como rito de renova\u00e7\u00e3o e recome\u00e7o. Da\u00ed o cuidado em n\u00e3o misturar o resto da colheita anterior com o produto da nova, e o zelo em eliminar o fermento, bocado de massa da \u00faltima fornada. Com a entrada em Cana\u00e3, Israel adoptou a festa, incutiu-lhe novo significado relacionando-a com a sa\u00edda do Egipto (cf. 12,39). Neste cap\u00edtulo (vv. 1-20) a P\u00e1scoa e os \u00c1zimos aparecem juntas, mas os calend\u00e1rios mais antigos referem ainda separadamente os \u00c1zimos (cf. Ex 23,15; 34,18).

{N}12,{/}21: (21-28) O ritual da P\u00e1scoa, ao longo de todas as gera\u00e7\u00f5es, mant\u00e9m viva a mem\u00f3ria daquela liberta\u00e7\u00e3o que, por ser exemplar e divina, se actualiza sempre que preciso, independentemente dos tempos e dos espa\u00e7os. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa tem, al\u00e9m disso, dimens\u00e3o educativa.

{N}12,{/}29: (29-36) A d\u00e9cima praga marca o ponto culminante do confronto, com a derrota do povo opressor. Agora \u00e9 o Fara\u00f3 quem toma a iniciativa de convocar Mois\u00e9s e Aar\u00e3o, para conceder tudo quanto antes fora reclamado em v\u00e3o.

{N}12,{/}37: (37-42) Chegados a este ponto, n\u00e3o foi dif\u00edcil obter a ades\u00e3o da \u00abimensa multid\u00e3o\u00bb (v. 38), na partida para Sucot. A noite da liberta\u00e7\u00e3o transforma-se em vig\u00edlia a ser celebrada para todo o sempre. \u00c9 preciso saber que Jav\u00e9 \u00e9 o Deus que liberta; esquecer isto \u00e9 voltar aos \u00eddolos que produzem escravid\u00e3o e morte.

{N}12,{/}43: (43-51) S\u00e3o normas complementares para a celebra\u00e7\u00e3o. S\u00f3 pode participar na P\u00e1scoa quem pertencer \u00e0 mesma comunidade de destino. No decurso do tempo, a circuncis\u00e3o torna-se sinal dessa perten\u00e7a. Mas o texto deixa entrever algumas incertezas acerca de quem faz parte ou n\u00e3o da \u00abcomunidade de Israel\u00bb (v. 47).

{N}13,{/}1: (1-2) \u00c0 maneira de prim\u00edcias, o primeiro filho era o respons\u00e1vel pela descend\u00eancia, pela vida. Consagr\u00e1-lo era reconhecer que Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor da vida e da continuidade do povo.

{N}13,{/}3: (3-10) Novas orienta\u00e7\u00f5es rituais ligam a sa\u00edda hist\u00f3rica exemplar do Egipto \u00e0 festa dos P\u00e3es sem fermento.

{N}13,{/}11: (11-16) Nos mais antigos c\u00f3digos (\u00cax 22,28-29; 34,19-20), todos os primog\u00e9nitos pertencem a Jav\u00e9. Deste modo, o crente manifestava que n\u00e3o era senhor absoluto de nada. Os animais eram oferecidos em sacrif\u00edcio; os humanos eram consagrados e resgatados, pois Israel tinha horror pelos sacrif\u00edcios humanos (cf. Lv 18,21): Jav\u00e9 \u00e9 o Deus da vida e n\u00e3o da morte. O texto presente liga essa consagra\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda do Egipto e \u00e0 \u00faltima praga.

{N}13,{/}17: (17-22) Evitando o caminho \u00f3bvio junto \u00e0 costa, escolhe-se o deserto rumo ao Mar Vermelho, deserto que haveria de ser lugar de aprendizagem. Nessa caminhada, Deus acompanha continuamente (dia e noite) o seu povo, guiando-o de maneira a n\u00e3o desanimar nem voltar para tr\u00e1s (v. 17).

{N}14,{/}1: (1-14) A autoridade eg\u00edpcia arrepende-se e decide perseguir os hebreus. Estes enfrentam o primeiro obst\u00e1culo: o Mar pela frente, o ex\u00e9rcito perseguidor por tr\u00e1s. E a tenta\u00e7\u00e3o era mesmo voltar para tr\u00e1s e acomodar-se de novo \u00e0 escravid\u00e3o.

{N}14,{/}15: (15-31) Com toques \u00e9picos, a narrativa mostra os israelitas a atravessarem a \u00abp\u00e9 enxuto\u00bb (v. 16), enquanto os perseguidores se afundam nas \u00e1guas. O Mar Vermelho tra\u00e7ava a linha divis\u00f3ria entre a opress\u00e3o e a liberdade; ficava para tr\u00e1s a exist\u00eancia escravizada e estava aberto o rumo para a vida.

{N}15,{/}1: (1-21) Chegados a local seguro, bem podiam os israelitas louvar a vit\u00f3ria de Deus sobre as for\u00e7as que os amea\u00e7avam. Talvez elaborado a partir do canto de Maria (vv. 20-21), um dos textos mais antigos do Antigo Testamento, o hino desenvolve o tema da salva\u00e7\u00e3o miraculosa operada pelo poder e solicitude de Jav\u00e9 em favor do seu povo, pormenorizando o descalabro das for\u00e7as eg\u00edpcias (vv. 1-12), abarcando as outras maravilhas do \u00eaxodo e da conquista de Cana\u00e3 (vv. 14-18), e mesmo a constru\u00e7\u00e3o do templo (v. 13).

{N}15,{/}22: (22-27) No deserto, a necessidade b\u00e1sica dum povo que caminha \u00e9 a \u00e1gua. A efic\u00e1cia do acompanhamento divino transforma as \u00e1guas amargas ou salgadas (Mara) da morte em fonte de vida. A marcha no deserto est\u00e1 cadenciada por murmura\u00e7\u00f5es do povo: por causa da sede (vv. 24-25; 17,3; Nm 20,2); por causa da fome (Ex 16,2; Nm 11,4); por causa dos perigos da guerra (Nm 14,2). S\u00e3o problemas reais que denunciam a falta de maturidade do conjunto que, volta e meia, olha com saudade para aquilo que deixou.

{N}16,{/}1: (1-35) A murmura\u00e7\u00e3o avoluma-se e tende a adulterar sistematicamente o sentido da sa\u00edda do Egipto. Israel tem dificuldade em assumir essa aventura dif\u00edcil. Falta p\u00e3o. O Sinai conta com passagens sazonais de codornizes; o man\u00e1 poderia ser secre\u00e7\u00e3o dum arbusto da regi\u00e3o, que solidifica e serve de alimento. Para l\u00e1 desses fen\u00f3menos naturais, o texto fala duma interven\u00e7\u00e3o especial de Deus para alimentar o seu povo. A colheita do man\u00e1 obedece \u00e0 viv\u00eancia da fraternidade, entregue nas m\u00e3os de Deus: todos t\u00eam igual direito; a abund\u00e2ncia cobre as necessidades do dia; \u00e9 proibido acumular excedentes.
No epis\u00f3dio enxertou-se a lei do repouso sab\u00e1tico (vv. 27-30). E tamb\u00e9m isso marca a passagem da vida escrava para a vida livre; o dia de Jav\u00e9 \u00e9 para os seres humanos se retemperarem e reencontrarem com os seus projectos de vida. Relativamente ao man\u00e1, \u00e9 comida insossa (cf. Nm 11,4-6; 21,5), manjar delicioso oferecido por Deus (cf. Sl 105,40; 78,24-25; Ne 9,15-20; Sb 16,20-21) e, na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, figura da Eucaristia (cf. Jo 6,26-58; 1Cor 10,3).

{N}17,{/}1: (1-7) Mais um passo na reflex\u00e3o de Israel sobre a marcha no deserto; prova\u00e7\u00f5es de fome (16), de sede (17,1-7) e de guerra (17,8-16); prova\u00e7\u00f5es de f\u00e9 (17,7). O Senhor estar\u00e1 ou n\u00e3o connosco? (v. 7). Onde se ver\u00e1 a sua presen\u00e7a operante e atenta? O mesmo cajado, que venceu o opressor, torna-se agora instrumento de vida, fazendo brotar \u00e1gua do rochedo. {C}Massa{/} significa tenta\u00e7\u00e3o, provoca\u00e7\u00e3o (provocar Deus, isto \u00e9, desafi\u00e1-l'O, exigir a sua interven\u00e7\u00e3o como direito adquirido, cf. 17,2; Is 7,12); {C}Meriba{/} significa discuss\u00e3o.

{N}17,{/}8: (8-16) Os amalecitas, inimigos proverbiais de Israel, simbolizam os obst\u00e1culos exteriores que dificultam a constru\u00e7\u00e3o dum povo justo. E a vit\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 conseguida de modo exemplar: luta corajosa de Josu\u00e9 e guerreiros, intercess\u00e3o permanente de Mois\u00e9s (vv. 11-13).

{N}18,{/}1: (1-12) O regresso da mulher e dos filhos de Mois\u00e9s mostra que a fase mais dif\u00edcil j\u00e1 passou. As boas rela\u00e7\u00f5es com os madianitas tornam natural este encontro de Mois\u00e9s com Jetro, seu sogro e sacerdote de Madi\u00e3. O chefe de outro credo religioso ouviu falar das maravilhas operadas por Deus em favor de Israel e, informado em pormenor, irrompe numa explos\u00e3o laudativa, que inclui uma confiss\u00e3o de f\u00e9 no \u00fanico Deus verdadeiro que salva e liberta.

{N}18,{/}13: (13-27) A prop\u00f3sito da sugest\u00e3o de Jetro, o autor sanciona com a autoridade de Mois\u00e9s a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade israelita, descentralizando poderes e instituindo, a v\u00e1rios n\u00edveis, respons\u00e1veis pelo bem comum (cf. Nm 11,11-30; Dt 1,9-18; 17,8-13).

{N}19,{/}1: (1-9) A sa\u00edda do Egipto e a marcha no deserto encaminham para a alian\u00e7a no Sinai, iniciativa divina que pede resposta do lado humano. Na afirmativa, Israel ser\u00e1 {C}propriedade especial{/} de Deus, {C}reino de sacerdotes{/} e {C}na\u00e7\u00e3o santa,{/} o que lhe d\u00e1 cariz \u00fanico no concerto dos povos. O povo diz {C}sim{/}. Deus fala na \u00abespessura da nuvem\u00bb, mostrando que est\u00e1 presente.
  19-24: A alian\u00e7a no Sinai apela ao empenhamento de todo um povo que recebe uma Lei: o Dec\u00e1logo e o C\u00f3digo da Alian\u00e7a. \u00c9 a constitui\u00e7\u00e3o de um povo, baseada na liberdade, vida e dignidade, onde a verdadeira autoridade \u00e9 exercida por Deus. Acrescido de desenvolvimentos posteriores, este corpo de leis veio a ser, mais tarde, o alvar\u00e1 do Juda\u00edsmo, identificado com a sabedoria (cf. Eclo 24,9-27) e reavaliado por Paulo (cf. Gl 3 e Rm 7).

{N}19,{/}10: (10-25) Israel captou a transcend\u00eancia de Deus que o guiava no decurso duma trovoada de montanha, aqui evocada como liturgia: recinto sagrado (v. 12), purifica\u00e7\u00e3o ritual dos participantes (vv. 14-15), instrumentos lit\u00fargicos (vv. 13.16.19) e os sacrif\u00edcios do cap\u00edtulo 24. Sempre indescrit\u00edvel, a experi\u00eancia de Deus reveste aqui a import\u00e2ncia de sinais externos como o fumo, fogo, rel\u00e2mpagos, trov\u00f5es e tremor de terra.

{N}20,{/}1: (1-21) O {C}Dec\u00e1logo{/} ou {C}Dez Mandamentos{/} s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da Lei moisaica, sancionado por Jesus Cristo (cf. Mc 10,17-21). Mais do que simples leis, s\u00e3o princ\u00edpios que orientam para uma nova compreens\u00e3o e pr\u00e1tica de vida. Cobrem todo o campo da vida religiosa e moral. Chegou at\u00e9 n\u00f3s em duas vers\u00f5es diferentes: esta aqui e Dt 5,6-21. Na origem, limitava-se por certo a f\u00f3rmulas curtas (como nos vv. 13-16); depois conheceu desenvolvimentos que explicam as diverg\u00eancias.
{C}Introdu\u00e7\u00e3o{/} (v. 2): A iniciativa parte de Deus que j\u00e1 deu provas. Fez sair o povo da terra do Egipto, libertou da morada da escravid\u00e3o. A evoca\u00e7\u00e3o destes benef\u00edcios d\u00e1 for\u00e7a \u00e0s exig\u00eancias que seguem (cf. Jz 6,8-10; Am 2,10).
{C}1{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (vv. 3-6): Este Deus \u00e9 o \u00fanico verdadeiro. Da\u00ed a proibi\u00e7\u00e3o de servir a outros deuses. O povo tem de escolher: ou servir a Jav\u00e9 que, no seu amor, d\u00e1 liberdade e vida, ou servir os outros deuses, que s\u00e3o engano e morte. Pro\u00edbe fabricar \u00eddolos (cf. Ex 32,1); \u00e9 Deus ciumento, cujo amor n\u00e3o tolera (deuses) rivais, pelos estragos que provocam na vida dos humanos. Imposs\u00edvel representar o verdadeiro Deus; as imagens, ou at\u00e9 ideias, correm sempre o perigo de Lhe prestarem mau servi\u00e7o.{C}
2{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 7): Proibi\u00e7\u00e3o de usar o nome de Deus em vista de coisa v\u00e3 ou falsa, o que inclui qualquer uso abusivo do nome divino, desde o jurar falso a pr\u00e1ticas obscuras, como magia e maldi\u00e7\u00e3o. O nome do Deus libertador n\u00e3o pode nunca ser aduzido para gerar opress\u00e3o ou injusti\u00e7a, a n\u00edvel de pessoas ou grupos.
{C}3{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (vv. 8-11): O \u00abS\u00e1bado\u00bb, como sugere o sentido da palavra hebraica, \u00e9 para {C}parar,{/} \u00e9 para {C}descansar,{/} tal como o Criador fez outrora (cf. Gn 2,1-3). S\u00f3 assim poder\u00e1 ser consagrado ao Senhor, perspectiva que ajudar\u00e1 cada um a tomar consci\u00eancia da sua vida, que \u00e9 comunit\u00e1ria e divina. A componente humanit\u00e1ria (v. 10; cf. \u00cax 23,12; Dt 5,14) do mandamento divino pro\u00edbe explorar o trabalho do irm\u00e3o, do escravo ou do emigrante. Institui\u00e7\u00e3o antiga, o \u00abS\u00e1bado\u00bb assumiu no p\u00f3s-ex\u00edlio a import\u00e2ncia de tra\u00e7o caracter\u00edstico do Juda\u00edsmo (cf. Ne 13,15-22); tornou-se fardo pesado que Jesus n\u00e3o acarinhou (cf. Mc 2,27-28; Mt 12,1).
{C}4{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 12): Honrar ou glorificar os pais \u00e9 reconhecer-lhes a sua real import\u00e2ncia de instrumentos de Deus, fonte de vida (cf. Eclo 3,1-16), mesmo quando s\u00e3o velhinhos (cf. Mc 7,10-11) e antes do respeito devido a outros poderes e autoridades.
{C}5{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 13): Claro e curto, \u00e9 o mandamento central. Visa proteger a vida. Condena quem mata (pessoa, grupo ou sistema), seja morte instant\u00e2nea, seja morte lenta. E h\u00e1 vidas que mais parecem mortes.
{C}6{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 14): Incide prioritariamente sobre o respeito pela rela\u00e7\u00e3o matrimonial. H\u00e1 que respeitar a pr\u00f3pria fam\u00edlia {C}e tamb\u00e9m{/} a fam\u00edlia do outro.
{C}7{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 15): Raptar algu\u00e9m \u00e9 roubar-lhe a liberdade; mas a proibi\u00e7\u00e3o abarca toda a esp\u00e9cie de furtos de bens de outrem, isolados ou organizados, feitos \u00e0s claras ou sob outros pretextos (lucro, desvios, leis econ\u00f3micas...).
{C}8{/}.{C}\u00ba mandamento{/} (v. 16): Pro\u00edbe dizer mal dos semelhantes, difamar o pr\u00f3ximo, fugir ao encargo de depor em favor do restabelecimento da verdade. Condena a corrup\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a que colecciona falhas, provoca atrasos, se escuda no legalismo e d\u00e1 demasiado ouvidos \u00e0 riqueza e poderes.
{C}9{/}.{C}\u00ba e 10{/}.{C}\u00ba mandamentos{/} (v. 17): Pro\u00edbem a cobi\u00e7a a todos os n\u00edveis e sob todas as formas. Destronam a ambi\u00e7\u00e3o pessoal e tamb\u00e9m qualquer sistema que adopte como meta transcendente o {C}ter mais,{/} incentivando espertezas e tramas, idolatrando a riqueza.

{N}20,{/}22: (22-26) Antes da reforma deuteron\u00f3mica (cf. Dt 12,5), o c\u00f3digo da Alian\u00e7a admitia a pluralidade de lugares de culto, devendo estes manter-se distantes do luxo dos grandes templos. Achava-se que a pedra em bruto se prestava mais para o servi\u00e7o divino

{N}21,{/}1: (1-11) Entre israelitas, a escravatura existia apenas por raz\u00f5es de d\u00edvidas ou pobreza, e era limitada no tempo. Ao s\u00e9timo ano, o escravo podia voltar a ser livre.

{N}21,{/}12: (12-17) Numa sociedade que n\u00e3o tinha estruturas para conter a criminalidade, a pena de morte \u00e9 aplicada aos casos mais graves. Mesmo assim, a legisla\u00e7\u00e3o previa a possibilidade de defesa do r\u00e9u, para que ele pudesse provar a sua inoc\u00eancia. Para isso, existiam as cidades de ref\u00fagio (cf. Dt 19,1-13 e Js 20, 1-9).

{N}21,{/}18: (18-27) Os ferimentos n\u00e3o mortais exigem indemniza\u00e7\u00e3o correspondente ao per\u00edodo de inactividade. Os vv. 23-25 encerram a famosa \u00ablei do tali\u00e3o\u00bb, princ\u00edpio jur\u00eddico segundo o qual a pena deve ser proporcional \u00e0 ofensa ou dano causado. Ela representa uma melhoria, comparativamente \u00e0 lei do mais forte referida em Gn 4,23-24. H\u00e1, por\u00e9m, conflitos que s\u00f3 o perd\u00e3o resolve (cf. Mt 5,38-42): metas evang\u00e9licas.

{N}21,{/}28: (28-36) Para os antigos agricultores, os bois puxavam o arado e eram imprescind\u00edveis. Como todos os camponeses os possu\u00edam, os problemas causados por eles tinham interesse generalizado.

{N}21,{/}37: (21,37-22,3) O roubo de animais previa tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es e tr\u00eas penas correspondentes: com os animais abatidos ou vendidos, o ladr\u00e3o restitu\u00eda cinco ou quatro por um; com os animais em seu poder, restitu\u00eda dois por um; se n\u00e3o tinha com que pagar, era vendido como escravo. A vida humana (v. 2) \u00e9 o valor m\u00e1ximo.

{N}22,{/}4: (4-14) Os vv. 4-5 visam proteger os campos cultivados contra a irresponsabilidade dos criadores de gado ou de pessoas que fazem queimadas. Os vv. 6-14 prev\u00eaem a indemniza\u00e7\u00e3o no caso de danos \u00e0 propriedade alheia, confiada, emprestada ou alugada.

{N}22,{/}15: (15-16) Para evitar que a mulher se torne marginalizada, a lei visa proteg\u00ea-la perante o arb\u00edtrio masculino, dentro de uma sociedade machista.

{N}22,{/}17: (17-27) Os vv. 20-26 condenam a explora\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. O imigrante, o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o pobre s\u00e3o pessoas que n\u00e3o podem defender-se: devem ser protegidas pelo direito. As necessidades vitais do homem est\u00e3o acima de qualquer direito de propriedade.

{N}22,{/}28: (28-30) A oferta, seja da abund\u00e2ncia dos produtos da terra seja dos primog\u00e9nitos, \u00e9 para recordar ao homem que tudo \u00e9 dom de Jav\u00e9. O animal dilacerado (v. 30) n\u00e3o pode ser comido, porque n\u00e3o foi abatido de acordo com o ritual.

{N}23,{/}1: (1-9) Estas leis s\u00e3o aplica\u00e7\u00f5es do oitavo mandamento e orientam a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a em tribunais, onde muitas vezes o poderoso prevalece, distorcendo o direito contra o pobre e o inocente. O \u00abadvers\u00e1rio\u00bb dos vv. 4-5 \u00e9 a pessoa com quem se trava uma causa judicial. O v. 9 estimula a solidariedade: o povo deve respeitar aqueles que vivem na mesma situa\u00e7\u00e3o em que ele viveu no passado.

{N}23,{/}10: (10-13) O ano de descanso para a natureza era certamente um costume dos antigos; aqui, por\u00e9m, o costume adquire sentido social: \u00e9 uma oportunidade para os pobres terem acesso aos produtos do campo. O v. 12 comenta o 3.\u00ba mandamento, dando-lhe motiva\u00e7\u00e3o social: descanso para escravos e inimigos. O v. 13 pro\u00edbe prestar culto a tudo aquilo que provoque opress\u00e3o e escravid\u00e3o (outros deuses).

{N}23,{/}14: (14-19) As tr\u00eas grandes festas religiosas de Israel marcam o ritmo da vida agr\u00edcola e lembram que Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor da vida: na Primavera, a {C}festa dos P\u00e3es sem fermento{/} (\u00c1zimos) que inclu\u00eda ou se identificava com a P\u00e1scoa (cf. \u00cax 12,15-20); a {C}festa da Ceifa,{/} tamb\u00e9m chamada \u00abfesta das Semanas\u00bb (cf. Ex 34,22), celebrada sete semanas (cf. Dt 16,9) ou cinquenta dias (cf. Lv 23,16) depois da P\u00e1scoa (donde lhe vem o nome grego) de \u00abPentecostes\u00bb, cf. Tb 2,1; 2Mc 12,32), marcava o fim da colheita do trigo e, tardiamente, foi associada \u00e0 alian\u00e7a e dom da Lei no Sinai; no Outono, a {C}festa da Colheita,{/} conhecida ainda por \u00abfesta das Tendas\u00bb (cf. Dt 16,13; Lv 23,24), durante a qual se improvisavam cabanas de folhagem, como as usadas na apanha da fruta e vindima, no intuito de reviver os acampamentos do povo no deserto (cf. Lv 23,42-43).

{N}23,{/}20: (20-33) O c\u00f3digo de leis sabe que o povo vai rumo \u00e0 Terra Prometida e encerra com esta exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 {C}fidelidade{/} a Jav\u00e9. H\u00e1 que seguir \u00abo anjo\u00bb ou mensageiro que tem autoridade divina, servir o Senhor e rejeitar alian\u00e7as com outros povos, para manter \u00e0 dist\u00e2ncia os seus deuses. A lentid\u00e3o na conquista do territ\u00f3rio tem v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es (vv. 29-30; cf. Jz 2,20-3,6; Sb 12,3-18). As fronteiras do v. 31 s\u00e3o as do imp\u00e9rio de David e Salom\u00e3o (cf. 1Rs 5,1): golfo de \u00c1kaba, Mediterr\u00e2neo, deserto do Sinai e Eufrates.

{N}24,{/}1: (1-11) Conhecidas as cl\u00e1usulas em documento escrito por Mois\u00e9s ou pelo pr\u00f3prio Deus (24,4.12), o rito da alian\u00e7a - sacrif\u00edcios, sangue e banquete de comunh\u00e3o - mostra o acordo entre as partes: Deus, representado pelo altar, e o povo. O Novo Testamento apresentar\u00e1 a Nova Alian\u00e7a selada com o sangue de Jesus (cf. Mt 26,28).

{N}24,{/}12: (12-18) Em tom repetitivo, o texto evoca mais uma vez a gl\u00f3ria e a majestade de Deus que contacta com Mois\u00e9s. A dura\u00e7\u00e3o de quarenta dias e quarenta noites (v. 18) \u00e9 simb\u00f3lica e prepara a sequ\u00eancia da narrativa, no cap\u00edtulo 32.

{N}25,{/}1: (25-31) Estes cap\u00edtulos, mais 35-40, obra da escola \u00absacerdotal\u00bb, pr\u00f3xima de Ez 40-48, foram redigidos durante ou depois do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, \u00e9poca em que o culto se tornou elemento determinante para o povo judeu conservar as suas tradi\u00e7\u00f5es e sobreviver sob o imp\u00e9rio persa. Conjugam elementos antigos, como a Arca e a Tenda, que remontam a Mois\u00e9s, com desenvolvimentos t\u00edpicos do templo de Salom\u00e3o, hist\u00f3rico ou idealizado. Apresentadas aqui como determina\u00e7\u00f5es formais de Jav\u00e9 comunicadas a Mois\u00e9s, sugerem o car\u00e1cter divino das institui\u00e7\u00f5es religiosas e s\u00e3o apelo ao respeito e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do \u00fanico Deus libertador.

{N}32,{/}1: (1-6) Pensando que Mois\u00e9s tivesse desaparecido ou morrido (cf. 24,18), o povo sentiu necessidade de um chefe e pediu a Aar\u00e3o um deus palp\u00e1vel. O bezerro de ouro - imagem de touro, s\u00edmbolo da divindade no antigo Oriente - pretende ser uma representa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de Jav\u00e9, suscept\u00edvel de manipula\u00e7\u00e3o. Obviamente, contraria os mandamentos iniciais do Dec\u00e1logo.

{N}32,{/}7: (7-14) Diante da infidelidade do povo, Jav\u00e9 quer abandonar o projecto e recome\u00e7ar tudo de novo, apenas com Mois\u00e9s. Mas este intercede chamando a aten\u00e7\u00e3o para o compromisso assumido com este povo concreto, sujeito a fraquezas e ambiguidades.

{N}32,{/}15: (15-24) Ao chegar ao arraial infiel, Mois\u00e9s atira as t\u00e1buas ao ch\u00e3o e parte-as: o comportamento do povo foi uma viola\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a. Reduzido a p\u00f3, o bezerro era mesmo \u00eddolo, sem qualquer poder. Aar\u00e3o procura desculpar-se, quando o importante \u00e9 avaliar e corrigir o erro.

{N}32,{/}25: (25-29) Diante dum desvio que compromete a totalidade dum projecto e dum povo, a atitude de Mois\u00e9s, apoiado por levitas fi\u00e9is, mostra a necessidade de cortar o mal pela raiz.

{N}32,{/}30: (30-35) A intercess\u00e3o de Mois\u00e9s ocasiona a tomada de posi\u00e7\u00e3o de Jav\u00e9: s\u00f3 \u00e9 punido ou banido do livro quem prevaricou. Quem erra, tem de arcar com as consequ\u00eancias (cf. \u00cax 20,6).

{N}33,{/}1: (1-6) Como ir\u00e1 Deus acompanhar este povo de \u00abcabe\u00e7a dura\u00bb? O povo penitencia-se. O projecto mant\u00e9m-se. Deus vai continuar a acompanhar, mas a certa dist\u00e2ncia. J\u00f3ias e enfeites ficam para tr\u00e1s, no Horeb - outro nome do Sinai.

{N}36,{/}7: (7-11) A {C}tenda da reuni\u00e3o{/} ou do {C}encontro{/} \u00e9 uma esp\u00e9cie de Sinai port\u00e1til, colocado fora do acampamento, onde Mois\u00e9s consulta e dialoga \u00abface a face\u00bb (v. 11; cf. Dt 34,10) com Jav\u00e9. A sociedade precisa de Deus, mas n\u00e3o pode encarn\u00e1-l'O numa institui\u00e7\u00e3o ou pensar que O controla.

{N}36,{/}12: (12-17) A interven\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s vem do v. 6 e apresenta a Jav\u00e9 a sua relut\u00e2ncia em avan\u00e7ar sozinho. O povo vai sentir a falta da presen\u00e7a divina. Est\u00e1 igualmente comprometido o testemunho que deveria dar, ao contactar com outros povos.

{N}36,{/}18: (18-23) A intimidade do di\u00e1logo leva Mois\u00e9s a querer aproximar-se o mais poss\u00edvel da realidade divina; ousa pedir para ver a \u00abgl\u00f3ria\u00bb (a realidade \u00edntima) de Deus. A resposta encerra recusa e concess\u00e3o. Imposs\u00edvel ver a Deus face a face, pela frente, e ficar vivo; poder\u00e1 v\u00ea-l'O de costas, depois de passar (cf. 1Rs 19,11-14; Mt 17,1-8). Os humanos podem verificar os efeitos da sua gl\u00f3ria, o seu \u00abresplendor\u00bb, na Hist\u00f3ria e na Cria\u00e7\u00e3o.

{N}34,{/}1: (1-9) A sec\u00e7\u00e3o 34,1-28 \u00e9 a vers\u00e3o javista da alian\u00e7a, paralela \u00e0 de 191-20,21 e inserida aqui como renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a. Mois\u00e9s procura a todo o custo salvar o projecto, incidentalmente interrompido. Defendeu o povo (cf. 32,11-14); trata agora de atrair a miseric\u00f3rdia de Jav\u00e9. Segue-se, pois, a apresenta\u00e7\u00e3o do {C}Deus da alian\u00e7a{/}: fiel, misericordioso, compassivo, que acalenta a justi\u00e7a.

{N}34,{/}10: (10-28) A alian\u00e7a \u00e9 renovada com o olhar na vida em Cana\u00e3: Israel n\u00e3o poder\u00e1 alinhar com o sistema global que l\u00e1 vai encontrar. Chama-se tamb\u00e9m a este texto o {C}Dec\u00e1logo,{/} pelas semelhan\u00e7as com \u00cax 20,1-21. Mas, a perspectiva \u00e9 diferente: precavendo a atrac\u00e7\u00e3o dos costumes e ritos cananeus, as normas inculcam a necessidade duma distancia\u00e7\u00e3o, pro\u00edbem a idolatria, recomendam o S\u00e1bado e concentram-se no culto: festas, prim\u00edcias e sacrif\u00edcios.

{N}34,{/}29: (29-35) Devido ao encontro com o Senhor, o rosto de Mois\u00e9s reflectia a gl\u00f3ria divina. O termo hebreu {C}q\u00e2ran,{/} resplandecer, est\u00e1 associado a {C}q\u00e8r\u00e8n,{/} que significa corno. Da\u00ed a tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da Vulgata: \u00abA sua fronte tinha cornos\u00bb, e a sua representa\u00e7\u00e3o na arte, como o {C}Mois\u00e9s{/} de Miguel \u00c2ngelo. Paulo relembra esta passagem para dizer que o crist\u00e3o irradia a imagem de Deus (2Cor 3,7-8.18).

{N}35,{/}1: (35-40) Estes cap\u00edtulos relatam a execu\u00e7\u00e3o das ordens dadas em \u00cax 25-31, sobre a constru\u00e7\u00e3o e equipamento do santu\u00e1rio, repetindo-as quase literalmente. Fica claro que as indica\u00e7\u00f5es fornecidas foram cumpridas \u00e0 risca.

