{N}1,{/}1: (1-28) \u00c9 um momento importante na hist\u00f3ria de Israel: o povo vai passar da organiza\u00e7\u00e3o tribal \u00e0 institui\u00e7\u00e3o da monarquia, dos ju\u00edzes aos reis. Samuel, profeta (3,20) e juiz sucessor de Eli (4,18;7,15), \u00e9 o homem de transi\u00e7\u00e3o que abre as portas \u00e0 nova fase.
Como em outros casos (Isaac, Sans\u00e3o e Jo\u00e3o Baptista), o nascimento de Samuel \u00e9 apresentado de forma milagrosa. Da mulher est\u00e9ril e humilhada (figura do povo) nasce, por gra\u00e7a de Jav\u00e9, aquele que ser\u00e1 o s\u00edmbolo da fidelidade ao Senhor.

{N}2,{/}1: (1-10) Este c\u00e2ntico \u00e9, de facto, um hino messi\u00e2nico, bastante posterior aos acontecimentos, colocado na boca de Ana por causa da alus\u00e3o \u00e0 mulher est\u00e9ril do v. 5. Traduz a esperan\u00e7a dos \u00abpobres\u00bb (cf. Sf 2,3) na instaura\u00e7\u00e3o do reino da justi\u00e7a, na invers\u00e3o radical das condi\u00e7\u00f5es; no fim, evoca o rei-messias.
Chamou-se-lhe o modelo do {C}Magnificat{/} e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que esteve presente na redac\u00e7\u00e3o do c\u00e2ntico de Maria (cf. Lc 1,46-56 e nota).

{N}2,{/}11: (11-36) No confronto do jovem e humilde Samuel com os filhos do sacerdote Eli, enquanto Samuel serve o Senhor, os outros pensam na carne dos sacrif\u00edcios. O seu mau procedimento (vv. 12-17) e endurecimento (vv. 22-25) n\u00e3o ficar\u00e3o impunes (vv. 27-17). \u00c0 queda da fam\u00edlia de Eli contrap\u00f5e-se o crescer progressivo de Samuel. Talvez, de longe, este cap\u00edtulo explique como, no tempo de Salom\u00e3o, o sumo sacerdote em Jerusal\u00e9m n\u00e3o seja Abiatar, descendente de Eli, mas sim Sadoc (cf. 1Rs 2,27.35).

{N}3,{/}1: (3,1-4,1) Ao narrar a voca\u00e7\u00e3o de Samuel, a B\u00edblia inicia a grande lista dos profetas, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 serem porta-vozes de Jav\u00e9: eles anunciam claramente o que Jav\u00e9 est\u00e1 realizando ou vai realizar dentro da Hist\u00f3ria. \u00c9 interessante notar que a fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica aparece em Israel antes de surgir e se formar o Estado com autoridade pol\u00edtica central. A B\u00edblia quer mostrar que o profeta \u00e9 aquele que mant\u00e9m viva a consci\u00eancia cr\u00edtica e religiosa do povo escolhido por Deus.
O texto faz pensar na voca\u00e7\u00e3o de cada pessoa. Deus chama cada um de n\u00f3s para exercer uma fun\u00e7\u00e3o dentro do projecto de Deus. Projecto esse que \u00e9 voltado para a liberdade e a vida. Cada pessoa \u00e9 um modo de Deus dizer a palavra que constr\u00f3i a sociedade e a Hist\u00f3ria. \u00c9 preciso que cada um aprenda a distinguir a voz de Deus que, por vezes, passa pelos clamores e necessidades dos irm\u00e3os.

{N}4,{/}1: (1-22) No s\u00e9culo XI, a amea\u00e7a contra a exist\u00eancia de Israel vinha da expans\u00e3o dos filisteus. Possu\u00edam o monop\u00f3lio do ferro (cf. 13,19-31) e lutavam com armas muito mais poderosas. A arca era uma esp\u00e9cie de sacramento da presen\u00e7a de Jav\u00e9, que apoiava a luta e a vida das tribos. Ela foi tomada pelos filisteus, e esse facto mostra, por um lado, que o projecto de Jav\u00e9 estava em perigo; por outro lado, indica que o sistema das tribos n\u00e3o era suficiente para conter o avan\u00e7o de um forte inimigo externo. O contexto pedia a monarquia.

{N}5,{/}1: (1-12) Os filisteus tentam assimilar Jav\u00e9 junto com o deus deles. Mas o Deus vivo torna-Se, para os id\u00f3latras, um Deus de morte: Ele n\u00e3o s\u00f3 destr\u00f3i os \u00eddolos, mas tamb\u00e9m castiga quem os adora.

{N}6,{/}1: (6,1-7,1) O regresso da arca lembra a sa\u00edda de Israel do Egipto (cf. v. 6). O facto de as vacas n\u00e3o voltarem para os seus bezerros mostra que foi Jav\u00e9 quem castigou os filisteus. Os vv. 19-20 sugerem que, embora pr\u00f3ximo e \u00edntimo do povo, Jav\u00e9 deve, ao mesmo tempo, ser temido e respeitado. 

{N}7,{/}2: (2-17) O cap\u00edtulo \u00e9 conclus\u00e3o de 1-7 e mesmo do tempo dos Ju\u00edzes, como sugere a recapitula\u00e7\u00e3o dos vv. 13-17. A figura de Samuel \u00e9 apresentada como o ideal de uma autoridade voltada para a liberta\u00e7\u00e3o do povo. O autor certamente pretendeu fazer uma cr\u00edtica antecipada do sistema mon\u00e1rquico, que vai come\u00e7ar logo a seguir.

{N}8,{/}1: (1-22) Come\u00e7a aqui a vers\u00e3o desfavor\u00e1vel \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um poder pol\u00edtico central. O povo sente-se inseguro, v\u00ea a corrup\u00e7\u00e3o, e pede um novo regime. O grande risco desse novo regime ser\u00e1 o de abandonar o projecto de Jav\u00e9, para repetir exactamente o regime dos cananeus, que as tribos at\u00e9 agora tinham combatido. Samuel deixa tudo bem claro, ao mostrar \u00abo direito do rei\u00bb: em poucas palavras, o rei e sua corte formar\u00e3o uma classe que viver\u00e1 \u00e0 custa do povo. A resposta do povo (v. 20) mostra que, por tr\u00e1s do desejo de seguran\u00e7a, h\u00e1 um grande desconhecimento do que significa viver \u00abcomo as outras na\u00e7\u00f5es\u00bb. O texto faz pensar nas s\u00e9rias consequ\u00eancias de escolher um regime pol\u00edtico e votar em governantes. A escolha, esclarecida e livre, tem valor moral e, logo a seguir, pede vigil\u00e2ncia e avalia\u00e7\u00e3o. Esta vers\u00e3o continua em 10,17-27.
  8-12: Encontramos aqui duas vers\u00f5es diferentes sobre o aparecimento da monarquia em Israel. A primeira \u00e9 formada por 1Sm 8; 10,17-27; 12. Apresenta uma vis\u00e3o desfavor\u00e1vel \u00e0 monarquia, mostrando-a como algo amb\u00edguo e perigoso. A segunda vers\u00e3o est\u00e1 em 1Sm 9,1-10.16; 11. \u00c9 favor\u00e1vel, mostrando a monarquia como dom de Deus para libertar o povo. Conservando as duas vers\u00f5es, a B\u00edblia sugere que toda a autoridade \u00e9, no m\u00ednimo, {C}amb\u00edgua{/}: pode ser instrumento de Deus ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o do povo; mas quando se absolutiza, tentando ocupar o lugar de Deus, ela passa a explorar e oprimir o povo, tornando-se assim m\u00e1 e ileg\u00edtima.

{N}9,{/}1: (9,1-10,16) \u00c9 o come\u00e7o da segunda narrativa, favor\u00e1vel \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um poder pol\u00edtico central. Neste relato, a iniciativa \u00e9 de Jav\u00e9. Samuel unge secretamente Saul como rei, e os sinais que se seguem apresentam Saul como algu\u00e9m escolhido por Jav\u00e9. Aqui a institui\u00e7\u00e3o do poder central \u00e9 vista como dom de Jav\u00e9. A continua\u00e7\u00e3o do relato est\u00e1 em 1Sm 11.

{N}10,{/}17: (17-27) Temos aqui a continua\u00e7\u00e3o da primeira vers\u00e3o, desfavor\u00e1vel ao poder pol\u00edtico central, iniciada em 1Sm 8,1-22. Fica bem claro o contraste entre o regime tribal, inspirado por Jav\u00e9, e o regime mon\u00e1rquico, que Jav\u00e9 rejeita. A elei\u00e7\u00e3o do rei \u00e9 feita atrav\u00e9s de sorteio p\u00fablico. O v. 27 j\u00e1 mostra um in\u00edcio de descontentamento. 

{N}11,{/}1: (1-15) Continua aqui a segunda vers\u00e3o sobre o surgimento do poder central, iniciada em 1Sm 9,1-10.16. O sinal anunciado em 10,1.7 realiza-se agora: a chefia de Saul na liberta\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 um sinal de que ele foi escolhido por Deus. Dessa forma, a realeza aparece como continua\u00e7\u00e3o da era dos ju\u00edzes e n\u00e3o como ruptura. Talvez seja este o relato mais antigo sobre o surgimento da monarquia.
{N}
12,{/}1: (1-25) Ainda da vers\u00e3o anti-mon\u00e1rquica, este cap\u00edtulo relata a retirada de Samuel da cena p\u00fablica, para dar lugar a Saul. Acha que cumpriu a sua miss\u00e3o sem prejudicar, sem ter sido pesado a ningu\u00e9m (vv. 1-6); chama ao palco as \u00abjusti\u00e7as do Senhor\u00bb ou maravilhas que denunciam a infidelidade do povo (vv. 7-15); e, ap\u00f3s uma chuva milagrosa (vv. 16-18), leva o povo ao arrependimento, incutindo-lhe coragem e dando conselhos (vv. 19-25). Tal como os profetas que lhe suceder\u00e3o, Samuel n\u00e3o abandona o povo e insiste para que seja fiel ao projecto libertador de Jav\u00e9.

{N}13,{/}1: (1-15) Num momento dif\u00edcil, o rei Saul \u00e9 posto \u00e0 prova. Com medo de perder o povo, ele ultrapassa as suas fun\u00e7\u00f5es, usurpando uma que era pr\u00f3pria de Samuel; com isso, desobedece \u00e0quele que intercedia pelo povo diante de Jav\u00e9 (10,8; 12,23). Neste contexto desfavor\u00e1vel ao primeiro rei, o epis\u00f3dio ressalta o valor de J\u00f3natas e mostra que o Senhor rejeita Saul.

{N}13,{/}16: (16-23) Os filisteus dominavam a tecnologia do ferro, e isso garantia-lhes a supremacia sobre Israel. A situa\u00e7\u00e3o era cr\u00edtica, pois Israel dependia dos filisteus para a fabrica\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos instrumentos agr\u00edcolas. No campo b\u00e9lico, os filisteus boicotavam completamente os povos vizinhos na fabrica\u00e7\u00e3o de armas. \u00c9 nesse dif\u00edcil contexto que Israel busca um novo regime pol\u00edtico para preservar a sua autonomia. 

{N}14,{/}1: (1-52) Mais uma vez, Saul toma decis\u00f5es arbitr\u00e1rias que provocam des\u00e2nimo, ao inv\u00e9s de estimular a confian\u00e7a. Agindo com mais sabedoria e solidariedade, J\u00f3natas consegue lan\u00e7ar p\u00e2nico entre os inimigos. \u00c9 ele quem se torna o instrumento da vit\u00f3ria concedida por Deus ao povo. 

{N}15,{/}1: (1-35) Saul desobedece \u00e0 ordem de executar o exterm\u00ednio total, o ponto mais importante de uma guerra santa. Esse exterm\u00ednio visava impedir a contamina\u00e7\u00e3o religiosa, cultural e pol\u00edtica, e o desencadear de guerras que visassem unicamente acumular riquezas. A resposta de Samuel deixa bem claro: \u00abobedecer a Jav\u00e9 vale mais do que oferecer sacrif\u00edcios\u00bb (v. 22), isto \u00e9, a verdadeira f\u00e9 manifesta-se na execu\u00e7\u00e3o integral do projecto de Deus e n\u00e3o em actos religiosos que o possam comprometer. \u00c0 condena\u00e7\u00e3o da sua descend\u00eancia (13,13-14), soma-se agora a da sua pessoa. Est\u00e1 aberta a porta a David.

{N}16,{/}1: (1-13) As narrativas sobre Saul e David misturam diversas tradi\u00e7\u00f5es, muitas vezes bem diferentes entre si e at\u00e9 contradit\u00f3rias. A un\u00e7\u00e3o de Da-vid serve de contraste com a rejei\u00e7\u00e3o de Saul, e salienta que Deus n\u00e3o age segundo crit\u00e9rios humanos (v. 7).

{N}16,{/}14: (14-23) Cumpre-se o que Samuel havia anunciado em 1Sm 15,28: rejeitado por Deus e abandonado pelo profeta, Saul cai em crises man\u00edaco-depressivas. O servi\u00e7o de David como m\u00fasico da corte \u00e9 uma das vers\u00f5es sobre o in\u00edcio de sua rela\u00e7\u00e3o com Saul. David exerce poder sobre Saul atrav\u00e9s da m\u00fasica, porque \u00abJav\u00e9 est\u00e1 com ele\u00bb (v. 18).

{N}17,{/}1: (1-58) Outra vers\u00e3o da entrada de David para o servi\u00e7o de Saul. O texto deixa clara a superioridade b\u00e9lica dos filisteus, bem simbolizada no tamanho e nas armaduras de Golias, que provocam medo e inseguran\u00e7a no povo israelita. Na boca de David, por\u00e9m, manifesta-se a fonte de onde brota a for\u00e7a e a coragem dos fracos: Jav\u00e9 est\u00e1 do lado deles e ajuda-os a organizarem-se para vencer os poderosos.

{N}18,{/}1: (18,1-19,7) Por detr\u00e1s da crescente {C}inimizade{/} entre Saul e David, podemos vislumbrar a luta pelo poder entre Jud\u00e1 (David) e as tribos do Norte (Saul). O poder central (realeza) torna-se motivo de inveja, cobi\u00e7a e competi\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria da {C}amizade{/} entre J\u00f3natas e David antecipa o apoio necess\u00e1rio para que David chegue a tornar-se chefe de todo o povo. S\u00f3 Saul se deixa minar pela inveja.

{N}19,{/}8: (8-24) Na trama de persegui\u00e7\u00e3o de Saul contra David, este epis\u00f3dio ressalta que o profetismo tem a for\u00e7a de desnudar o rei, isto \u00e9, fazer com que o poder seja ironizado e submetido \u00e0 sua real condi\u00e7\u00e3o. O profeta, como defensor da rectid\u00e3o e justi\u00e7a divinas, colocar\u00e1 sempre um limite ao exerc\u00edcio de qualquer autoridade. 

{N}20,{/}1: (20,1-21,1) A amizade entre J\u00f3natas e David \u00e9 um exemplo de fraternidade (v. 17), porque mostra que as rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o acima da competi\u00e7\u00e3o pelo poder.

{N}21,{/}2: (2-16) David come\u00e7a aqui a sua vida de fugitivo, e precisa de recorrer \u00e0 protec\u00e7\u00e3o de Deus (\u00abp\u00e3es sagrados\u00bb), \u00e0 sua pr\u00f3pria for\u00e7a (\u00abespada\u00bb) e, sobretudo, \u00e0 pr\u00f3pria ast\u00facia.

{N}22,{/}1: (1-5) Come\u00e7a uma nova fase na vida de David. Perseguido e for\u00e7ado a abandonar o contacto com a corte, ele torna-se p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o que re\u00fane os marginalizados, endividados e descontentes. A voz do profeta mostra que David n\u00e3o deve ficar escondido, mas preparar-se para uma nova ac\u00e7\u00e3o.

{N}22,{/}6: (6-23) Com medo de perder o poder, Saul come\u00e7a a agir arbitrariamente: s\u00f3 v\u00ea \u00e0 sua volta conspiradores e inimigos, incita \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aceita a defesa do acusado, massacra toda uma popula\u00e7\u00e3o pela suposta culpa de uma s\u00f3 pessoa. Quando o poder passa a ser usado em proveito pessoal e n\u00e3o ao servi\u00e7o do povo, gera descontentamento e cai facilmente na tirania.

{N}23,{/}1: (1-28) Tr\u00eas grupos come\u00e7am a aparecer com clareza: o de Saul, preocupado em conter o movimento do seu rival; o de David, comprometido com a defesa das povoa\u00e7\u00f5es atacadas por filisteus; e o grupo dos filisteus, que exerce cont\u00ednua press\u00e3o sobre os territ\u00f3rios israelitas. Pouco a pouco desenha-se a derrota de Saul e o triunfo de David.

{N}24,{/}1: (1-23) David poderia matar Saul e usurpar o poder. A Hist\u00f3ria, por\u00e9m, mostra que ele, magn\u00e2nimo e leal, n\u00e3o chegou ao poder por essa via, e sim pelo reconhecimento progressivo das tribos (cf. 2Sm 2; 5).

{N}25,{/}1: (1-44) Embora nascida em ambiente patriarcal, a B\u00edblia conserva relatos que mostram o quanto eram importantes a presen\u00e7a e o discernimento das mulheres. Abigail \u00e9 um exemplo: enquanto seu marido rejeita grosseiramente qualquer tipo de liga\u00e7\u00e3o com o movimento de David, considerando-o marginal, ela percebe a import\u00e2ncia e grandeza desse grupo marginalizado e procura aliar-se a ele.

{N}26,{/}1: (1-25) Esta narrativa tem o mesmo sentido que a de 24,1-23; cf. nota.

{N}27,{/}1: (27,1-28,2) Entrando em aparente alian\u00e7a com os filisteus, David consegue v\u00e1rias coisas: escapar a Saul, desestabilizar a zona rural dos filisteus e conquistar a simpatia dos camponeses de Jud\u00e1. Pouco a pouco, vai-se delineando a ascens\u00e3o de David ao poder.

{N}28,{/}3: (3-25) O texto relata mais uma vez como Saul foi rejeitado e por fim substitu\u00eddo por David. Samuel repete o que j\u00e1 dissera quando em vida: o discernimento da Hist\u00f3ria pertence ao mundo dos vivos.

{N}29,{/}1: (1-11) O apelativo \u00abhebreus\u00bb provavelmente designa um grupo social chamado {C}hapiru{/}. Inicialmente, era um grupo formado de guerreiros mercen\u00e1rios que servia \u00e0s cidades-estados e, ao mesmo tempo, estava interessado em desestabiliz\u00e1-las. Mais tarde, esse apelativo estendeu-se a todos os descontentes com o sistema em vigor (cf. 1Sm 22,2). A estrat\u00e9gia de David talvez consistisse em abalar o sistema por dentro, mas foi convidado a abandonar o sossego ocasional das paragens filisteias.

{N}30,{/}1: (1-31) Novo e grande trunfo de David para ganhar a simpatia popular, \u00e9 a sua capacidade de distribuir igualitariamente os despojos conseguidos. Assim, o povo prepara-se para fazer subir David ao trono (cf. 2Sm 2,4).

{N}31,{/}1: (1-13) O primeiro livro de Samuel termina de modo sombrio: o povo \u00e9 derrotado, o rei suicida-se e os filisteus apoderam-se da regi\u00e3o mais f\u00e9rtil, isolando as tribos.

