{N}1,{/}1: (1-18) Elias n\u00e3o \u00e9 profeta de corte, ao servi\u00e7o da autoridade, mas porta-voz de Jav\u00e9. Por isso n\u00e3o obedece \u00e0s ordens do rei, pois o seu \u00fanico Senhor \u00e9 Jav\u00e9. Baal-Zebub significa \u00absenhor das moscas\u00bb; \u00e9 um nome depreciativo que deu origem \u00e0 forma Belzebu. Elias n\u00e3o teme essa divindade, que \u00e9 considerada \u00abchefe dos dem\u00f3nios\u00bb no Novo Testamento (cf. Mc 3,20-30).

{N}2,{/}1: (1-18) Este epis\u00f3dio \u00e9, de facto, a introdu\u00e7\u00e3o ao ciclo de Eliseu. Em contraste com o de Elias, este encerra um encadeado de cenas de cariz \u00abmaravilhoso popular\u00bb mais gratuito. A cena central pretende mostrar como Eliseu, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o divina, \u00e9 bem o herdeiro espiritual do profeta Elias, como comprova a sequ\u00eancia dos cap\u00edtulos. O profeta de Deus n\u00e3o teme nada nem ningu\u00e9m. O arrebatamento de Elias \u00e9 elemento sugestivo em vista da mensagem procurada. Sem que o teor do texto o diga, est\u00e1 impl\u00edcita a morte do profeta. Mas o desenrolar misterioso da cena deu azo \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do regresso de Elias na escatologia judaica e na esperan\u00e7a messi\u00e2nica (cf. Ml 3,23; Mc 9,2-13; Mt 17,1-13).

{N}2,{/}19: (19-22) A primeira ac\u00e7\u00e3o de Eliseu \u00e9 parecida com a do seu mestre Elias: dar vida ao povo. A \u00e1gua que matava a vida na raiz transforma-se agora em \u00e1gua pot\u00e1vel, que refaz as for\u00e7as. 

{N}2,{/}23: (23-25) Bem ao gosto do maravilhoso popular, o epis\u00f3dio, provavelmente inventado, quer inculcar nas crian\u00e7as que o profeta deve ser respeitado no meio do povo.

{N}3,{/}1: (1-27) O profeta de Jav\u00e9 \u00e9 respeitado al\u00e9m-fronteiras. Ele age n\u00e3o s\u00f3 proporcionando vida no dia a dia do povo, mas tamb\u00e9m tomando posi\u00e7\u00e3o nas grandes decis\u00f5es que afectam as rela\u00e7\u00f5es internacionais.

{N}4,{/}1: (1-7) Segundo o costume, em caso de n\u00e3o pagamento da d\u00edvida, o credor tinha o direito de levar pessoas escravas (cf. Ex 21,2-6; Dt 15,12-18; Mt 18,25). Era o que estava a acontecer a esta pobre vi\u00fava, prestes a perder os filhos. Mas havia um profeta que indicou o caminho da liberta\u00e7\u00e3o.

{N}4,{/}8: (8-37) Uma mulher rica vivia no meio do povo simples, sem quaisquer pretens\u00f5es. Deu acolhimento sincero ao profeta, sem exigir contrapartidas. A morte entrou-lhe em casa e vitimou o filho. N\u00e3o seria a ocorr\u00eancia devida \u00e0 presen\u00e7a do homem de Deus? Mas Deus ressuscitou o morto, confirmando que o profeta \u00e9 portador de vida.

{N}4,{/}38: (38-41) Mais do que um milagre, o texto mostra a habilidade de Eliseu em eliminar os efeitos nocivos de uma planta. Trata-se aqui da coloc\u00edntida, fruta amarga de violento efeito purgativo. 

{N}4,{/}42: (42-44) Eliseu recebe um presente e distribui-o \u00e0 comunidade. Deste modo, ensina que, havendo partilha, todos podem ficar satisfeitos, e ainda haver\u00e1 sobras. Cf. Mc 6,30-44 e nota.

{N}5,{/}1: (1-27) O \u00fanico Deus que pode curar \u00e9 Jav\u00e9, e Ele est\u00e1 ligado a um povo, a uma terra e a um projecto. O profeta realiza sinais que mostram a presen\u00e7a desse Deus no meio do seu povo. Uma das mo\u00e7as, escrava no estrangeiro, \u00e9 capaz de ver o seu Deus a ultrapassar as fronteiras para curar e dar vida, enquanto o pr\u00f3prio rei de Israel desconhece o facto. Ao ser curado, o estrangeiro aprende que a vida \u00e9 dom de Deus, e n\u00e3o objecto de troca. Por isso, reconhece que o \u00fanico Deus \u00e9 Jav\u00e9. Giezi, que vive ao lado do profeta, n\u00e3o compreende essa gratuidade e procura tirar proveito para se enriquecer, ganhando com isso a pr\u00f3pria ru\u00edna.

{N}6,{/}1: (1-7) O texto deixa claro que os profetas levam vida desprendida e pobre, sem grandes recursos (casa pequena, machado emprestado). E \u00e9 atrav\u00e9s dessa pobreza que Jav\u00e9 Se manifesta.

{N}6,{/}8: (8-23) O texto mostra que o profeta est\u00e1 profundamente inserido na vida do seu povo, inclusive em quest\u00f5es de espionagem internacional. Al\u00e9m disso, ele sabe criar estrat\u00e9gias e tomar decis\u00f5es diplom\u00e1ticas, para evitar conflitos maiores.

{N}6,{/}24: (6,24-7,20) Em situa\u00e7\u00e3o desesperada, a ang\u00fastia leva as pessoas a atitudes selvagens, como essa m\u00e3e que devora o pr\u00f3prio filho. Nesse momento, o profeta reabre o caminho da esperan\u00e7a, mostrando caminhos de vida. E a liberta\u00e7\u00e3o aparece no horizonte. Surge ent\u00e3o a novidade de Deus. A solu\u00e7\u00e3o encontrada, por\u00e9m, n\u00e3o ser\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o que Deus quer, se a vida n\u00e3o for repartida com todo o povo.

{N}8,{/}1: (1-6) A hist\u00f3ria da sunamita foi narrada em 4,8-37. O epis\u00f3dio mostra como as hist\u00f3rias dos profetas eram transmitidas, e como influenciavam nas decis\u00f5es da justi\u00e7a.

{N}8,{/}7: (7-15) Mostrando que o rei de Aram vai morrer, mas n\u00e3o dessa doen\u00e7a, Eliseu d\u00e1 a entender que o profeta \u00e9 capaz de discernir as intrigas de quem anda em busca do poder.

{N}8,{/}16: (16-24) \u00c9 tempo de decad\u00eancia em Jud\u00e1. O facto torna-se evidente pela independ\u00eancia que os reinos vassalos v\u00e3o conquistando. A esposa de Jor\u00e3o \u00e9 At\u00e1lia, e a sua hist\u00f3ria \u00e9 apresentada em 2Rs 11.

{N}8,{/}25: (25-29) A pol\u00edtica de alian\u00e7a entre os dois reinos continua. O texto funciona como introdu\u00e7\u00e3o aos cap\u00edtulos seguintes.

{N}9,{/}1: (1-13) Dependendo das circunst\u00e2ncias, a ac\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica influi e at\u00e9 interfere na pol\u00edtica de forma directa e decisiva. \u00c9 o que se verifica aqui. Nesse momento, e em nome de Deus, o profeta provoca uma corrente contr\u00e1ria, chegando mesmo a apontar um novo chefe. Cf. 1Rs 19,16.

{N}9,{/}14: (14-37) Elias tinha previsto o fim tr\u00e1gico da fam\u00edlia de Acab. Escolhido pelo c\u00edrculo prof\u00e9tico e apoiado pelo povo, Je\u00fa come\u00e7a a fazer justi\u00e7a, matando os reis Jor\u00e3o e Ocozias, bem como Jezabel, que tinha influ\u00eancia na pol\u00edtica dos dois reinos. Desse modo, Je\u00fa apresenta-se como instrumento da vingan\u00e7a de um povo que foi longamente oprimido por uma fam\u00edlia tir\u00e2nica. 

{N}10,{/}1: (1-36) O banho de sangue continua. Je\u00fa procura exterminar todos os que est\u00e3o ligados \u00e0 fam\u00edlia de Acab e ao culto de Baal. Jav\u00e9 quer acabar com todo o tipo de idolatria e opress\u00e3o. Cabe aos homens a dif\u00edcil tarefa de escolher os meios para realizar a vontade divina.

{N}11,{/}1: (1-20) At\u00e1lia era filha de Jezabel e tinha reinado, com Jor\u00e3o, sobre Jud\u00e1. Ela pretendia acabar com todos os descendentes de David. A ast\u00facia de outra mulher, a oposi\u00e7\u00e3o de sacerdotes, da guarda do Templo e do pal\u00e1cio e a revolta do povo, frustraram os seus planos. O documento da alian\u00e7a (v. 12) \u00e9 o contrato que traz os deveres e direitos do rei e do povo.

{N}12,{/}1: (1-22) Jo\u00e1s faz tudo o que pode para restaurar o Templo, que era importante para preservar a dinastia de David. Entretanto, exposto \u00e0s lutas internas e ataques externos, Jo\u00e1s acaba por ser v\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o. O cofre no Templo, colocado por Jo\u00e1s, era para evitar desvio de verbas.

{N}13,{/}1: (1-9) Retoma-se aqui o esquema da hist\u00f3ria apresentado pelo autor deuteronomista (cf. nota em Jz 2,6-3,6). O novo libertador \u00e9 provavelmente Jerobo\u00e3o II (veja 14,23-29).

{N}13,{/}10: (10-13) A express\u00e3o do v. 11, que aparece em todos os reis de Israel, provavelmente indica a separa\u00e7\u00e3o entre este e o Reino de Jud\u00e1.

{N}13,{/}14: (14-25) A morte de Eliseu n\u00e3o marca o fim do profetismo. Pelo contr\u00e1rio, Elias e Eliseu iniciaram o movimento prof\u00e9tico, que influenciar\u00e1 por s\u00e9culos a vida pol\u00edtica, social e religiosa de Israel. Os gestos simb\u00f3licos desenhados por Jo\u00e1s, a mando de Eliseu (vv. 16-19), agem eficazmente sobre os acontecimentos (v. 25).

{N}14,{/}1: (1-22) Amasias teve um reinado glorioso, por\u00e9m a sua ambi\u00e7\u00e3o levou-o a uma guerra desastrosa contra Israel. Terminou a vida tragicamente, vitimado por uma conspira\u00e7\u00e3o. O v. 6 mostra um grande progresso na legisla\u00e7\u00e3o: ao estabelecer que a puni\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve atingir parentes, evita a vingan\u00e7a desmedida e a m\u00e1 fama que algu\u00e9m carrega pela culpa de algum parente (cf. nota em Dt 24,16).

{N}14,{/}23: (23-29) Durante o governo de Jerobo\u00e3o II, Israel conhece grande desenvolvimento econ\u00f3mico, acompanhado pela acelera\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, denunciadas pelo profeta Am\u00f3s. Nesse mesmo tempo os levitas realizam a catequese que ir\u00e1 formar o n\u00facleo central do Deuteron\u00f3mio (Dt 12-28).

{N}15,{/}1: (1-7) Na B\u00edblia, este rei \u00e9 chamado tamb\u00e9m Azarias. Reinou at\u00e9 o ano 740 a.C., quando o profeta Isa\u00edas come\u00e7ou a exercer a sua actividade. 

{N}15,{/}8: (8-12) A partir do rei Zacarias come\u00e7a em Israel uma s\u00e9rie de golpes de estado que provocar\u00e3o a anarquia pol\u00edtica no pa\u00eds. \u00c9 durante esse per\u00edodo que Oseias exerce a sua actividade prof\u00e9tica. 

{N}15,{/}13: (13-16) O costume de rasgar o ventre das mulheres gr\u00e1vidas era condenado at\u00e9 mesmo pelo direito internacional (cf. Am 1,13).

{N}15,{/}17: (17-22) Pul \u00e9 Teglat-Falasar III, rei da Ass\u00edria, que estende o seu poder cada vez mais. Por enquanto ele satisfaz-se com o tributo, mas o Reino do Norte n\u00e3o escapar\u00e1 mais ao dom\u00ednio ass\u00edrio. 

{N}15,{/}23: (23-26) Faceia era protegido da Ass\u00edria, mas Faceia aproveita-se da preocupa\u00e7\u00e3o da Ass\u00edria com outras regi\u00f5es para matar o rei e usurpar o poder. \u00c9 prov\u00e1vel que o oficial Faceia pertencesse a um partido antiass\u00edrio.

{N}15,{/}27: (27-31) Faceia uniu-se ao rei de Aram numa tentativa de conter o avan\u00e7o ass\u00edrio, que j\u00e1 andava a conquistar territ\u00f3rios pertencentes aos dois reinos.

{N}15,{/}32: (32-38) Joat\u00e3o foi convidado a participar da coliga\u00e7\u00e3o contra a Ass\u00edria, mas preferiu manter posi\u00e7\u00e3o neutra, o que lhe valeu a hostilidade dos reis Rason e Faceia.

{N}16,{/}1: (1-20) Acaz tamb\u00e9m se recusou a participar da coliga\u00e7\u00e3o contra a Ass\u00edria, formada pelos reinos de Israel e Aram, que tentam invadir o reino de Jud\u00e1. Por isso, Acaz pede ajuda \u00e0 Ass\u00edria, entregando-se como vassalo. Cf. Is 7,1-17 e nota.

{N}17,{/}1: (1-6) Em 722 a.C., o Reino do Norte \u00e9 tomado pela Ass\u00edria e deixa definitivamente de existir. 

{N}17,{/}7: (7-23) O autor faz algumas reflex\u00f5es sobre a ru\u00edna de Israel, o Reino do Norte. O grande erro foi abandonar o projecto de Jav\u00e9, o Deus libertador, para servir os \u00eddolos e viver como as outras na\u00e7\u00f5es. Desse modo, Israel perdeu a pr\u00f3pria identidade, e a consequ\u00eancia foi perder tamb\u00e9m a sua terra. Outra grande li\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria: o povo dividido torna-se fraco e incapaz de resistir ao inimigo. Em tudo isto, est\u00e1 bem patente o jeito deuteron\u00f3mico de avaliar os acontecimentos.

{N}17,{/}24: (24-41) A mistura de israelitas do Norte com gente de outras na\u00e7\u00f5es formou o grupo dos samaritanos, que ser\u00e3o sempre mal vistos e rejeitados pelos israelitas do Sul. Ensinando uma nova forma de relacionamento humano e de adora\u00e7\u00e3o a Deus, Jesus quebrar\u00e1 essa \u00abmaldi\u00e7\u00e3o\u00bb que os judeus ortodoxos faziam cair sobre os samaritanos (cf. Lc 10,25-37; Jo 4 e notas).

{N}18,{/}1: (1-8) Ezequias \u00e9 elogiado porque, no seu tempo, foi feita uma tentativa de reforma pol\u00edtico-religiosa, que procurava reunir todo o povo em torno de um s\u00f3 Deus e de um s\u00f3 rei.

{N}18,{/}9: (9-12) Cf. nota em 17,1-6.

{N}18,{/}13: (13-16) A reforma iniciada por Ezequias foi interrompida por uma violenta invas\u00e3o dos ass\u00edrios, que conquistaram muitas cidades e recome\u00e7aram a cobrar tributo de Jud\u00e1.

{N}18,{/}17: (18,17-19,37) Cf. notas em Is 36-37.

{N}20,{/}1: (1-11) Cf. nota em Is 38,1-8.

{N}20,{/}12: (12-21) Cf. nota em Is 39,1-8.

{N}21,{/}1: (1-18) O longo reinado de Manass\u00e9s significou, para o povo, opress\u00e3o externa da Ass\u00edria e interna por parte da corte de Jerusal\u00e9m. Foi um retorno ao paganismo, principalmente atrav\u00e9s do culto dos astros. Quem mais sofreu, durante esse per\u00edodo, foi a popula\u00e7\u00e3o camponesa, explorada pelos ricos da cidade. A voz dos profetas \u00e9 impedida de comunicar a vontade de Jav\u00e9. A tradi\u00e7\u00e3o diz que o profeta Isa\u00edas foi morto durante o reinado de Manass\u00e9s.

{N}21,{/}19: (19-26) A conspira\u00e7\u00e3o de oficiais, talvez pertencentes ao partido antiass\u00edrio, deu ocasi\u00e3o ao surgimento de uma nova for\u00e7a pol\u00edtica no Reino do Sul. A gente do pa\u00eds ou da terra, isto \u00e9, a popula\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1, fiel \u00e0 dinastia dav\u00eddica (cf. 1Rs 12,20; 2Rs 14,21 e 23,30), colocou o menino Josias no trono e estabeleceu um regime voltado para os moldes javistas.

{N}22,{/}1: (1-10) O tempo de Josias \u00e9 marcado por um clima de reforma pol\u00edtico-religiosa. Aproveitando-se da instabilidade ass\u00edria, Josias retoma os ideais de Ezequias, procurando refazer o antigo imp\u00e9rio de Israel, com todas as tribos reunidas sob um \u00fanico chefe.
O Livro da lei \u00e9 certamente o n\u00facleo legislativo do Deuteron\u00f3mio (Dt 12-26). Este livro, nascido no meio das tribos do Norte, certamente j\u00e1 fora utilizado na reforma de Ezequias, que foi bruscamente interrompida com a invas\u00e3o de Senaquerib (701 a.C.). Perdido ou esquecido no Templo, o livro \u00e9 redescoberto no ano 622 e servir\u00e1 de est\u00edmulo radical para a reforma de Josias.

{N}22,{/}11: (11-20) Josias certamente imagina utilizar o livro como mais uma raz\u00e3o para a centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa. Contudo, era necess\u00e1rio verificar a autenticidade do livro. A profetisa Hulda n\u00e3o s\u00f3 responde afirmativamente, como tamb\u00e9m mostra que as maldi\u00e7\u00f5es contidas no livro se realizar\u00e3o de modo inevit\u00e1vel.

{N}23,{/}1: (1-3) O Deuteron\u00f3mio, aqui chamado Livro da Alian\u00e7a, \u00e9 solenemente proclamado e acolhido. De catequese dos levitas passa agora a Lei de Estado.

{N}23,{/}4: (4-14) Influenciado pelo Deuteron\u00f3mio, Josias procura, come\u00e7ando pela tribo de Jud\u00e1, remontar \u00e0 fonte da identidade javista do povo, a fim de o libertar das influ\u00eancias religiosas e culturais de povos estrangeiros (cananeus, ass\u00edrios, fen\u00edcios, eg\u00edpcios, moabitas, amonitas). N\u00e3o se trata de recusar o valor dos estrangeiros, mas de possibilitar o florescimento dos valores nativos, frequentemente abafados e at\u00e9 mesmo destru\u00eddos por influ\u00eancias estrangeiras.

{N}23,{/}15: (15-20) A reforma atinge as tribos do Norte, outrora Reino de Israel, e \u00e9 muito mais implac\u00e1vel, porque pretende destruir tudo o que poderia impedir a unifica\u00e7\u00e3o do povo \u00e0 volta do \u00fanico lugar de culto autorizado: o templo de Jerusal\u00e9m. O epis\u00f3dio do t\u00famulo do profeta refere-se a 1Rs 13.

{N}23,{/}21: (21-23) Sobre a festa da P\u00e1scoa, cf. Dt 16,1-8. Desse modo, Josias recupera uma importante tradi\u00e7\u00e3o do povo, ligada \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o e ao ideal de uma sociedade livre e fraterna.

{N}23,{/}24: (24-30) Josias \u00e9 o \u00fanico rei que recebe elogio incondicional do autor b\u00edblico. Aplicou a fundo a reforma deuteron\u00f3mica e reunificou o povo em torno do projecto de Jav\u00e9 (cf. Jr 22,15-16). 

{N}23,{/}31: (31-35) Com a morte de Josias, a reforma pol\u00edtica e religiosa \u00e9 completamente interrompida: por breve espa\u00e7o de tempo, o pa\u00eds fica sob o dom\u00ednio do Egipto. Como sempre, a maior v\u00edtima \u00e9 o povo, que deve pagar tributos ao dominador. 

{N}23,{/}36: (23,36-24,7) Muda a pol\u00edtica internacional: o imp\u00e9rio da Babil\u00f3nia apodera-se do M\u00e9dio Oriente, e o reino de Jud\u00e1 torna-se vassalo dos babil\u00f3nios. A tentativa de reforma prepara a fulminante ru\u00edna de Jud\u00e1. Sobre o comportamento de Joaquim, cf. tamb\u00e9m Jr 22,13-19.

{N}24,{/}8: (8-17) No reinado de Jeconias, d\u00e1-se o primeiro ex\u00edlio da comunidade de Jud\u00e1 (598 a.C.). Note-se quem era levado para o ex\u00edlio: a classe governante, os militares, os donos das propriedades e os intelectuais. O povo pobre permanecia na terra para trabalhar e pagar tributos ao dominador. O ex\u00edlio, portanto, era a maneira dr\u00e1stica de desarticular um povo, impedindo-o de se organizar novamente.

{N}24,{/}18: (24,18-25,7) Levado pela sua falta de tacto, Sedecias segue o conselho dos seus oficiais e op\u00f5e-se ao dom\u00ednio dos babil\u00f3nios. As consequ\u00eancias s\u00e3o desastrosas e, \u00e0 \u00faltima hora, o rei e o ex\u00e9rcito abandonam Jerusal\u00e9m, deixando a popula\u00e7\u00e3o entregue ao inimigo. O livro de Jeremias mostra como o profeta tentou, de todos os modos, refrear a pol\u00edtica suicida de Sedecias (cf. Jr 37-39).

{N}25,{/}8: (8-21) \u00c9 o segundo ex\u00edlio (587 a.C.). Desta vez, a deporta\u00e7\u00e3o \u00e9 maior e o saque \u00e9 completo. S\u00f3 fica no pa\u00eds o povo pobre, para servir de m\u00e3o-de-obra barata ao dominador.

{N}25,{/}22: (22-26) Um grupo de oficiais tenta ainda uma \u00faltima cartada, matando o governador Godolias, nomeado por Nabucodonosor. Sobre o que Jeremias pensa dessa atitude, cf. Jr 40-42.

{N}25,{/}27: (27-30) A hist\u00f3ria dos reis termina com leve fio de esperan\u00e7a: os privil\u00e9gios concedidos a Jeconias prenunciam o ressurgimento do povo. Este \u00faltimo acontecimento situa-se em 561 a.C.

