{N}1,{/}1: Estas refer\u00eancias valem apenas para Is 1-39. O nome Isa\u00edas significa Jav\u00e9 salva.
  1-5: Para compreender estes cinco cap\u00edtulos, \u00e9 importante ter presente o contexto hist\u00f3rico (cf., na Introdu\u00e7\u00e3o ao Primeiro Isa\u00edas, a parte referente ao primeiro per\u00edodo da actividade do profeta): o come\u00e7o da sua profecia coincide com um per\u00edodo de prosperidade em que se instala o luxo e cresce o grupo de propriet\u00e1rios que esmaga os pobres. Isa\u00edas reage de forma en\u00e9rgica \u00e0 disparidade social que se verifica dentro do seu pa\u00eds, e critica violentamente a falsa piedade e as pr\u00e1ticas religiosas que escondem opress\u00e3o. Mostra como a prosperidade n\u00e3o baseada na fraternidade \u00e9 falsa e provoca um orgulho id\u00f3latra, que leva ao esquecimento de Jav\u00e9, o \u00fanico Absoluto, o \u00fanico Santo.

{N}1,{/}2: (2-9) Este or\u00e1culo inicial, talvez dos \u00faltimos do profeta Isa\u00edas, com o pa\u00eds pilhado e Jerusal\u00e9m cercada, \u00e9 uma esp\u00e9cie de texto program\u00e1tico de toda a mensagem do profeta: a corrup\u00e7\u00e3o e o pecado instalaram-se em Jud\u00e1; provocaram a invas\u00e3o do inimigo; salva-se apenas um resto. A no\u00e7\u00e3o de {C}resto{/} ocupa lugar importante na mensagem do profeta. A experi\u00eancia mostrou-lhe que as cat\u00e1strofes enviadas por Deus deixavam um pequeno n\u00famero de resgatados - manifesta\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a e ber\u00e7o da alian\u00e7a. Outra no\u00e7\u00e3o prevalentemente isaiana aqui aflorada \u00e9 o Nome divino \u00abSanto de Israel\u00bb (v. 4; 6,3; cf. 2Rs 19,22; Jr 50,29).

{N}1,{/}10: (10-20) Tal como Am\u00f3s (5,21-25), Isa\u00edas condena os desvios do culto: o aparato espectacular e enganador, a sua coexist\u00eancia com o esquecimento dos mais elementares deveres para com o pr\u00f3ximo. Deus detesta o culto realizado por uma sociedade que se estrutura sobre a injusti\u00e7a. O que Deus quer, em primeiro lugar, \u00e9 uma vida social que defenda os fracos (\u00f3rf\u00e3o e vi\u00fava) e liberte os oprimidos. E Deus n\u00e3o obriga; convida o homem a decidir-se: a convers\u00e3o e a vida ou a teimosia e a morte.

{N}1,{/}21: (21-31) Na cidade de Jerusal\u00e9m impera a injusti\u00e7a porque os chefes corromperam-se, tornando-se inimigos dos oprimidos e, portanto, do pr\u00f3prio Deus. A purifica\u00e7\u00e3o, que se imp\u00f5e, trar\u00e1 \u00e0 cidade governantes e ju\u00edzes como os de antigamente. Os vv. 27-31 s\u00e3o provavelmente um aditamento que n\u00e3o se enquadra bem no estilo e pensamento global da primeira parte do livro.

{N}2,{/}1: (1-5) Este or\u00e1culo \u00e9 um acr\u00e9scimo posterior e relembra os temas do Terceiro Isa\u00edas (Is 56-66): no futuro, os povos pag\u00e3os dirigir-se-\u00e3o a Jerusal\u00e9m para participar da Alian\u00e7a, e ent\u00e3o haver\u00e1 paz definitiva. O Novo Testamento retoma o tema em Ap 21,1-22,5. O fim das guerras faz parte das representa\u00e7\u00f5es finais em que Deus destruir\u00e1 as armas. Aqui, recebida a instru\u00e7\u00e3o divina, as na\u00e7\u00f5es decidem abandonar as armas e a aprendizagem militar.

{N}2,{/}6: (6-22) A express\u00e3o \u00abcasa de Jacob\u00bb (vv. 5 e 6) atraiu para aqui este or\u00e1culo que parece endere\u00e7ado a Samaria (Israel), a viver um tempo de prosperidade e de abusos, antes da sua ru\u00edna de 722. A interven\u00e7\u00e3o fulgurante de Jav\u00e9, no {C}seu dia,{/} visa o orgulho, a auto-sufici\u00eancia humana, tipificada nas montanhas, fortalezas e barcos. No confronto com Deus, o \u00fanico Absoluto, toda a auto-sufici\u00eancia humana \u00e9 desmascarada e cai por terra, porque \u00e9 uma falsidade.

{N}3,{/}1: (1-15) O reino de Jud\u00e1 vive um per\u00edodo de anarquia, talvez devido \u00e0 passagem do rei Joat\u00e3o a Acaz. Este sobe muito jovem ao trono e quem governa \u00e9 a sua m\u00e3e. O Estado enfraquece e o povo sofre as consequ\u00eancias: aproveitando-se da situa\u00e7\u00e3o, os poderosos e chefes corrompem-se, semeando a viola\u00e7\u00e3o do direito, a injusti\u00e7a e a explora\u00e7\u00e3o dos pobres.

{N}3,{/}16: (3,16-4,1) O luxo e a riqueza das damas s\u00e3o um insulto \u00e0 dignidade dos pobres. O or\u00e1culo condena tamb\u00e9m a pr\u00e1tica da idolatria e da magia importadas. Enfeites e privil\u00e9gios v\u00e3o acabar; e as vi\u00favas que restarem ter\u00e3o de suplicar que um homem qualquer lhes d\u00ea descend\u00eancia. Cf. nota em Am 4,1-3.

{N}4,{/}2: (2-6) Este trecho liga-se ao ciclo messi\u00e2nico dos cap\u00edtulos 9 e 11. Depois de um passado sombrio e catastr\u00f3fico, entrev\u00ea-se uma sa\u00edda: de um resto escolhido por Deus brotar\u00e1 um povo novo, que ser\u00e1 fiel \u00e0 Alian\u00e7a com Deus. Para o autor, Jav\u00e9 renovar\u00e1 os prod\u00edgios do \u00eaxodo (cf. Ex 13,21ss).

{N}5,{/}1: (1-7) O canto da vinha... Vinha, s\u00edmbolo do amor (Ct 1,6-14), imagem de Israel rodeado de cuidados e mimos divinos. N\u00e3o produziu uvas boas. Da\u00ed a interpela\u00e7\u00e3o que come\u00e7a no v. 4. Nos evangelhos, a imagem deu a par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-34), e contrasta com a verdadeira vide (Jo 15,1-6).

{N}5,{/}8: (8-25) Seis maldi\u00e7\u00f5es (h\u00e1 quem acrescente a de 10,1-4) d\u00e3o a vis\u00e3o panor\u00e2mica da corrup\u00e7\u00e3o geral: a desmesurada ambi\u00e7\u00e3o dos poderosos a\u00e7ambarca a terra de Deus e dos pobres; a corrup\u00e7\u00e3o alastra, o senso moral perverte-se, o direito \u00e9 falsificado e as injusti\u00e7as multiplicam-se; a auto-sufici\u00eancia \u00e9 exaltada e chega mesmo a desafiar o pr\u00f3prio Deus. O profeta mostra, por\u00e9m, que Deus n\u00e3o fica passivo diante do orgulho humano: a condena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 severa.

{N}5,{/}26: (26-30) A corrup\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia do castigo explicam a invas\u00e3o do pa\u00eds pela Ass\u00edria, cujo emblema era o le\u00e3o e cujo ex\u00e9rcito era um dos mais poderosos e famosos na \u00e9poca.

{N}6,{/}1: (1-13) A narrativa da voca\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas compreende o contacto com o Senhor - uma certa experi\u00eancia do Deus transcendente e santo (vv. 1-4) -, a purifica\u00e7\u00e3o do mensageiro que, ent\u00e3o, se diz dispon\u00edvel (vv. 5-8), a entrega da mensagem (vv. 9-13). O apelo divino \u00e9 ponto de partida; a Hist\u00f3ria o lugar do exerc\u00edcio prof\u00e9tico; redige-se por fim o relato da voca\u00e7\u00e3o, tida e desabrochada. O raro teor da mensagem (vv. 9-10), retomada ali\u00e1s nos evangelhos a prop\u00f3sito das par\u00e1bolas (cf. Mt 13,13-15), explica-se pelo calibre dos ouvintes, rebeldes (9,8-9), duros de cora\u00e7\u00e3o (29,9-12) e fechados ao entendimento (30,9-11); deixa, no entanto, lugar \u00e0 exorta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica (v. 11) e \u00e0 convers\u00e3o dos desviados.
  6-12: Estes cap\u00edtulos formam o conjunto que se costuma denominar \u00abLivro do Emanuel\u00bb. A maioria dos or\u00e1culos pertence ao segundo per\u00edodo da actividade de Isa\u00edas (cf. Introdu\u00e7\u00e3o ao Primeiro Isa\u00edas). O rei Acaz teme pela seguran\u00e7a do reino de Jud\u00e1 e julga que a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em fazer alian\u00e7as estrat\u00e9gicas com este ou aquele pa\u00eds. Isa\u00edas op\u00f5e-se \u00e0 pol\u00edtica de Acaz, salientando que a seguran\u00e7a de Jud\u00e1 \u00e9 a presen\u00e7a de Jav\u00e9, o qual n\u00e3o trair\u00e1 a promessa feita a David (cf. 2Sm 7), desde que o povo seja fiel \u00e0 Alian\u00e7a. Nesse tempo de incerteza, brilha a promessa do Emanuel, o {C}Deus-connosco,{/} confirmando a presen\u00e7a de Jav\u00e9 como protec\u00e7\u00e3o para o seu povo.

{N}7,{/}1: (1-17) O reino do Norte (Efraim), cujo rei era Faceia, aliou-se a Rason, rei de Aram, numa tentativa de se precaver contra o perigo ass\u00edrio. Como o reino do Sul (Jud\u00e1) n\u00e3o assinou a coliga\u00e7\u00e3o, os aliados resolveram atacar Jud\u00e1 para o for\u00e7arem a alinhar ao seu lado. O rei Acaz teme o cerco e verifica as reservas de \u00e1gua da cidade. Nisto, Isa\u00edas vai ao seu encontro e tranquiliza-o, pois continua v\u00e1lida a promessa de que a dinastia de David ser\u00e1 perene, desde que se coloque total confian\u00e7a em Jav\u00e9. O sinal prometido a Acaz \u00e9 o seu pr\u00f3prio filho, do qual a rainha (a jovem) est\u00e1 gr\u00e1vida. Esse menino que est\u00e1 para nascer \u00e9 o sinal de que Deus permanece no meio do seu povo (Emanuel = Deus connosco). Para l\u00e1 do descendente imediato (Ezequias), leu-se o or\u00e1culo na perspectiva do an\u00fancio de outro filho de David que foi reunindo as prerrogativas messi\u00e2nicas. Mt 1,23 v\u00ea na jovem a figura da Virgem Maria, e no filho, a pessoa de Jesus.

{N}7,{/}18: (18-25) Isa\u00edas procura dissuadir o rei Acaz de fazer uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica para se proteger contra o perigo da liga formada por Aram e o reino do Norte. Aliar-se a uma grande pot\u00eancia traz o risco permanente de ser esmagado quando as grandes pot\u00eancias entram em choque. Na sua \u00e2nsia conquistadora, tanto o Egipto como a Ass\u00edria transformariam Jud\u00e1 num monte de ru\u00ednas.

{N}8,{/}1: (1-4) O filho de Isa\u00edas \u00e9 envolvido na profecia atrav\u00e9s do nome simb\u00f3lico que recebe e revela o que vai acontecer ao reino de Aram (Damasco) e a Efraim (Reino do Norte). De facto, em 732 a.C., os dois ca\u00edram em poder da Ass\u00edria e foram transformados em reinos vassalos.

{N}8,{/}5: (5-8) Jerusal\u00e9m \u00e9 abastecida de \u00e1gua pela fonte de Silo\u00e9, talvez um sinal da protec\u00e7\u00e3o de Deus. Mas, diante da amea\u00e7a da coliga\u00e7\u00e3o de Aram e Efraim, o rei Acaz e o povo pedem protec\u00e7\u00e3o \u00e0 Ass\u00edria. Essa protec\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, transformar-se-\u00e1 numa invas\u00e3o militar, que o profeta descreve como grande inunda\u00e7\u00e3o. Na maioria das vezes, a protec\u00e7\u00e3o dos poderosos significa ru\u00edna para os mais fracos.

{N}8,{/}9: (9-10) As grandes pot\u00eancias fazem planos ambiciosos para dominar, mas fracassar\u00e3o, porque Deus est\u00e1 com os fracos.

{N}8,{/}11: (11-15) Isa\u00edas rejeita qualquer tipo de apoio \u00e0 coliga\u00e7\u00e3o de Aram e Reino do Norte, mesmo que isso leve \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de subversivo. Ele insiste que o \u00fanico poderoso \u00e9 Jav\u00e9, a quem Jud\u00e1 deve temer. Porqu\u00ea n\u00e3o se apoiar n'Ele?

{N}8,{/}16: (16-20) Isa\u00edas remete-se ao sil\u00eancio sob o reinado de Ezequias, mas n\u00e3o volta as costas \u00e0 profecia. Os seus disc\u00edpulos sabem perfeitamente o que se passa. Al\u00e9m das palavras e ac\u00e7\u00f5es, a pr\u00f3pria exist\u00eancia e os acontecimentos da vida familiar dum profeta (cf. Os 1-3; Jr 16,1-8; Ez 24,15-24) s\u00e3o sinais carregados de significado. Os disc\u00edpulos n\u00e3o dever\u00e3o acreditar em nenhum press\u00e1gio que n\u00e3o esteja de acordo com a instru\u00e7\u00e3o dada por escrito pelo profeta.

{N}8,{/}21: (21-23a) Trata-se de um texto deslocado e truncado. Evoca o habitante escorra\u00e7ado de casa por causa da guerra, ou o viandante que contempla o pa\u00eds devastado. Estes vers\u00edculos ficariam melhor depois de Is 5,26-30.

{N}8,{/}23: (8,23b-9,6) Em 732 a.C., o rei da Ass\u00edria toma os territ\u00f3rios da Galileia e adjacentes, incluindo Zabulon e Neftali. O povo do Reino do Sul teme o avan\u00e7o ass\u00edrio, mas o profeta mostra que Jav\u00e9 libertar\u00e1 os oprimidos e trar\u00e1 a paz. Na base desta esperan\u00e7a luminosa est\u00e1 o nascimento do Emanuel (7,14): Ezequias, o filho herdeiro de Acaz e, para l\u00e1 dele, um chefe s\u00e1bio, fiel a Deus, duradouro e pac\u00edfico; ele perpetuar\u00e1 a dinastia de David, estendendo o seu reinado at\u00e9 \u00e0s regi\u00f5es agora dominadas pela Ass\u00edria e organizando uma sociedade fundada no direito e na justi\u00e7a. Mateus reinterpreta este or\u00e1culo, vendo a sua realiza\u00e7\u00e3o na vinda de Jesus \u00e0 Galileia (Mt 4,13-16).

{N}9,{/}7: (7-20) Este or\u00e1culo situa-se provavelmente no ano 739 ou 736 a.C., quando Israel tramava contra Jud\u00e1 ou se encontrava a bra\u00e7os com a vassalagem ass\u00edria. (O conjunto formado por 9,7-20 ficaria melhor depois de Is 5,25). O or\u00e1culo mostra que a arrog\u00e2ncia de um povo e de seus chefes n\u00e3o se deixa vencer nem mesmo pela derrota. Mas com Deus n\u00e3o se brinca.

{N}10,{/}1: (1-4) Mais uma maldi\u00e7\u00e3o na linha das seis de 5,8-25. Visa os grandes de Jud\u00e1, que fazem e aplicam as leis deixando que a injusti\u00e7a campeie e ignorando os desfavorecidos: humildes, pobres, \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas. \u00c9 um texto sugestivo para quem recebe mandato para elaborar ou rever uma Constitui\u00e7\u00e3o.

{N}10,{/}5: (5-16) Estamos no ano 701 a.C. O Reino do Norte (Israel) caiu em 722 nas m\u00e3os dos Ass\u00edrios. As cidades mencionadas no v. 9 foram submetidas por Sarg\u00e3o II entre 722 e 717; Jerusal\u00e9m foi seu vassalo cumpridor at\u00e9 ao fim de Acaz (716-715). Agora \u00e9 Senaquerib quem invade a Judeia e amea\u00e7a Jerusal\u00e9m (cf. 2Rs 18,13-16). O dominador estrangeiro \u00e9 instrumento nas m\u00e3os de Deus (vv. 5 e 6; 5,26-30; 7,18.20). Mas tal estatuto n\u00e3o justifica que abuse e se orgulhe de modo absoluto; por isso, tamb\u00e9m ser\u00e1 corrigido, como prev\u00eaem outros or\u00e1culos  contra a Ass\u00edria: 10,24-77; 14,24-27; 30,27-33 e 37,22-35.

{N}10,{/}17: (17-23) Depois de v\u00e1rias incurs\u00f5es, em 722 a.C., a Ass\u00edria destr\u00f3i Samaria, capital do Reino do Norte, e avan\u00e7a para o Reino do Sul, transformando-o em estado vassalo. Encontramos aqui um verdadeiro coment\u00e1rio sobre os nomes dos filhos de Isa\u00edas: Jud\u00e1 aliou-se com a Ass\u00edria, a qual dominou e despojou (\u00abPronto-saque-r\u00e1pida-pilhagem\u00bb). Mas, tendo provado o fracasso das alian\u00e7as humanas, um \u00abpequeno resto\u00bb voltar\u00e1, e aprender\u00e1 a colocar a sua confian\u00e7a em Jav\u00e9, tornando-se portador da salva\u00e7\u00e3o.

{N}10,{/}24: (24-27a) Na hist\u00f3ria de Jud\u00e1, dominado pela Ass\u00edria, repete-se a situa\u00e7\u00e3o dos hebreus escravos no Egipto. Por isso, Isa\u00edas recorda a liberta\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o eg\u00edpcia (Ex 14,16) e a vit\u00f3ria de Gede\u00e3o contra os madianitas (Jz 7,25): Jav\u00e9, o Deus da liberta\u00e7\u00e3o, continua a libertar os oprimidos que clamam por Ele.

{N}10,{/}27: (27b-34) Estes vers\u00edculos descrevem o itiner\u00e1rio seguido pelo ex\u00e9rcito ass\u00edrio. Trata-se de marcha inesperada, talvez para demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, sem contudo chegar a Jerusal\u00e9m. Os vv. 33-34 talvez ficassem melhor depois de Is 2,12-17 (cf. nota); foram colocados aqui para servir de moldura a 11,1-9.

{N}11,{/}1: (1-9) Isa\u00edas projecta para o futuro o ideal ut\u00f3pico de uma sociedade que chegou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena (cf. 6,13; 7,14 e nota em 8,23b-9,6). O rebento de David conta com os atributos do Esp\u00edrito - correspondentes aos da sabedoria personificada em Pr 8,12-14 - para o exerc\u00edcio da realeza e, em particular, para o cumprimento da justi\u00e7a, que n\u00e3o fica pelas apar\u00eancias (cf. 32,1-5) e, antes de mais, atende aos pobres (29,19-20; Sl 72,2-4.12-13). Aos seis iniciais, a edi\u00e7\u00e3o grega acrescentou mais um atributo - a piedade: e ficaram os sete dons do Esp\u00edrito Santo. O Novo Testamento v\u00ea o cumprimento do or\u00e1culo na pessoa de Jesus (cf. Mt 3,16); \u00e9 a partir da sua ac\u00e7\u00e3o que se constr\u00f3i o mundo novo, onde todas as coisas se reconciliam (Ef 1,10; Cl 1,20).

{N}11,{/}10: (10-16) Trata-se de um aditamento feito no tempo do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia ou logo depois. Deus, atrav\u00e9s de um novo \u00eaxodo, re\u00fane os exilados de todas as deporta\u00e7\u00f5es e refaz a identidade do seu povo. (Cf. Esd 1-3 que descreve o primeiro contingente de retorno \u00e0 Palestina). As divis\u00f5es internas ser\u00e3o todas sanadas, e o povo ter\u00e1 a vit\u00f3ria contra todos os inimigos.

{N}12,{/}1: (1-6) O livrinho do Emanuel termina com duplo canto de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, celebrando a ac\u00e7\u00e3o salvadora de Jav\u00e9, na qual se baseia a esperan\u00e7a e confian\u00e7a do povo, ao ouvir falar do regresso. O mesmo movimento dita o canto de Ex 15, ap\u00f3s a narrativa da sa\u00edda do Egipto.

{N}13,{/}1: (1-22) Trata-se de um or\u00e1culo do final do ex\u00edlio (560-540 a.C.). Os Medos unem-se aos Persas, e juntos se levantar\u00e3o contra a Babil\u00f3nia. A queda da Babil\u00f3nia \u00e9 imaginada segundo o modelo da queda de N\u00ednive (cf. Naum) e de Sodoma e Gomorra.
  13-23: Estes cap\u00edtulos agrupam uma s\u00e9rie de or\u00e1culos, a que se d\u00e1 comummente o nome de \u00abOr\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es\u00bb. Pertencem a circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas bastante diversas, e alguns s\u00e3o feitos por disc\u00edpulos de Isa\u00edas. Apresentam uma vis\u00e3o da Hist\u00f3ria a partir da f\u00e9: a Hist\u00f3ria \u00e9 governada por Jav\u00e9, que dirige os acontecimentos e age atrav\u00e9s das na\u00e7\u00f5es. Se estas se desviam do projecto de Deus, ficam expostas ao julgamento divino e \u00e0 pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o.

{N}14,{/}1: (1-2) A queda da Babil\u00f3nia reacende a esperan\u00e7a de liberta\u00e7\u00e3o para o povo judaico e de convers\u00e3o para os pag\u00e3os. Esses temas ser\u00e3o desenvolvidos pelo Segundo Isa\u00edas (Is 40-55) e Terceiro Isa\u00edas (Is 56-66).

{N}14,{/}3: (3-23) S\u00e1tira feroz, sob a forma de lamenta\u00e7\u00e3o f\u00fanebre, celebrando a queda e morte de um opressor. O poema toca sucessivamente a bonan\u00e7a ap\u00f3s a tempestade, a chegada \u00e0 mans\u00e3o dos mortos, o astro tombado das alturas e as condi\u00e7\u00f5es de vida entre os finados. Trata-se, provavelmente, de um texto escrito contra Nabucodonosor, rei da Babil\u00f3nia no tempo do ex\u00edlio. Os poderosos oprimem outros povos e pensam ser donos do mundo, como se fossem deuses. Para eles, Jav\u00e9 planeou um fim humilhante.

{N}14,{/}24: (24-27) Em 701 a.C., o ex\u00e9rcito de Senaquerib invade o Reino de Jud\u00e1 e cerca Jerusal\u00e9m. Uma epidemia, por\u00e9m, faz com que as tropas ass\u00edrias se retirem. Isa\u00edas v\u00ea nisso a m\u00e3o protectora de Jav\u00e9 sobre o pa\u00eds de Jud\u00e1. Plano de Deus e m\u00e3o estendida s\u00e3o temas bem isaianos (cf. 5,25; 8,10; 9,12; 10,23; 28,22).

{N}14,{/}28: (28-32) Aproveitando-se da morte de Teglat-Falasar III, rei da Ass\u00edria, a Filisteia procura reunir os pa\u00edses vizinhos para uma coliga\u00e7\u00e3o antiass\u00edria, convidando inclusive Ezequias, rei de Jud\u00e1. Isa\u00edas, por\u00e9m, mostra que os sucessores do rei da Ass\u00edria ser\u00e3o ainda mais perigosos. Jerusal\u00e9m pode confiar em Deus, que dirige a Hist\u00f3ria para salvar os fracos e oprimidos. Qualquer coliga\u00e7\u00e3o ou alian\u00e7a, que n\u00e3o se fundamente no projecto de Deus, pode ser desastrosa e falir.

{N}15,{/}1: (15-16) Em 701 a.C., Moab, povo rival de Jud\u00e1, foi completamente devastado pela Ass\u00edria. O profeta faz uma lamenta\u00e7\u00e3o, mostrando que esse povo foi punido pelo seu orgulho, e que os seus \u00eddolos n\u00e3o puderam salv\u00e1-lo. Em 16,1-6, por\u00e9m, o profeta pede que o rei Ezequias acolha e proteja os fugitivos de Moab. Essa atitude indica que no trono de David est\u00e1 um rei que zela pela justi\u00e7a e pelo direito. A quase transcri\u00e7\u00e3o de 16,6-10; 15,2-3.4-7 e 16,11-12 em Jeremias 48,29-38, n\u00e3o define a sua origem, pois estes or\u00e1culos eram an\u00f3nimos e incorporados em livros diferentes, desde que tidos por actuais.

{N}17,{/}1: (1-11) Estamos na \u00e9poca em que Efraim (Reino de Israel) e Damasco (reino de Aram) se uniram para lutar contra a Ass\u00edria, for\u00e7ando o rei de Jud\u00e1 a participar. Isa\u00edas anuncia a derrota da coliga\u00e7\u00e3o, lamentando a destrui\u00e7\u00e3o de Damasco. De facto, em 732 a.C., Damasco \u00e9 tomada pelos ass\u00edrios que, no espa\u00e7o de dez anos, v\u00e3o absorvendo tamb\u00e9m os territ\u00f3rios de Israel. Tal como as plantas que depressa crescem e rapidamente morrem, tal ser\u00e1 a sorte de Israel.

{N}17,{/}12: (12-14) Provavelmente \u00e9 um fragmento de hino celebrando a inexplic\u00e1vel derrota dos ass\u00edrios em 701 a.C., quando sitiavam Jerusal\u00e9m. O texto \u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do mito do caos: \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o conquistadora das na\u00e7\u00f5es que amea\u00e7a o povo de Deus.

{N}18,{/}1: (1-7) Por volta de 715 a.C., os et\u00edopes (\u00abpovo alto e bronzeado\u00bb) dominam o Egipto e mandam embaixadores a Jud\u00e1, convidando-o para uma coliga\u00e7\u00e3o contra a Ass\u00edria; esta, pouco a pouco, domina todo o M\u00e9dio Oriente. Isa\u00edas desaconselha esse tipo de alian\u00e7a, mostrando que a Ass\u00edria \u00e9 um pa\u00eds mais forte, que poder\u00e1 facilmente acabar com as pretens\u00f5es de qualquer movimento contra ela. O v. 7 \u00e9 uma releitura p\u00f3s-ex\u00edlica: no futuro, Jerusal\u00e9m ser\u00e1 o centro das na\u00e7\u00f5es, e todas reconhecer\u00e3o a soberania de Jav\u00e9, Senhor da Hist\u00f3ria.

{N}19,{/}1: (1-15) Este or\u00e1culo retoma o tema de 18,1-7. Apesar dos seus famosos s\u00e1bios, o Egipto experimentar\u00e1 a humilha\u00e7\u00e3o das derrotas, a seca e a invas\u00e3o.

{N}19,{/}16: (16-25) Trecho em prosa acrescentado ao livro original de Isa\u00edas, em \u00e9poca posterior, depois que muitos judeus se refugiaram no Egipto e formaram comunidades em v\u00e1rios lugares. O autor v\u00ea nisso uma provid\u00eancia de Jav\u00e9, para que o seu Nome seja anunciado; e vai mais longe ainda, ao vislumbrar a\u00ed o universalismo da salva\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 atingir todas as na\u00e7\u00f5es.

{N}20,{/}1: (1-6) A Ass\u00edria acabara de tomar uma cidade importante dos filisteus. Servindo-se desse acontecimento, Isa\u00edas faz um gesto simb\u00f3lico, para mostrar que o Egipto e a Eti\u00f3pia tamb\u00e9m ser\u00e3o despojados e dominados. Nenhuma na\u00e7\u00e3o pode oferecer seguran\u00e7a permanente. Portanto, aqueles que pretendem fazer alian\u00e7a com elas est\u00e3o, de facto, a provocar a ru\u00edna do pa\u00eds.

{N}21,{/}1: (1-10) Este or\u00e1culo refere-se provavelmente \u00e0 tomada da Babil\u00f3nia por Ciro, rei dos Medos e Persas, no ano 539 a.C. A express\u00e3o \u00abdeserto do mar\u00bb talvez se refira ao \u00abpa\u00eds do mar\u00bb, nome dado \u00e0 regi\u00e3o sul da Babil\u00f3nia. J\u00e1 o cap\u00edtulo 13 referia esta derrota. Aqui, encarnando o papel do vigilante, o poeta vibra intensamente (como Jeremias) com a queda de uma grande pot\u00eancia, pois v\u00ea nesse acontecimento o fim da opress\u00e3o.

{N}21,{/}11: (11-12) O sentido do texto \u00e9 obscuro. Talvez a \u00abnoite\u00bb se refira \u00e0 domina\u00e7\u00e3o estrangeira. As pessoas perguntam ao profeta: \u00abQuando vai acabar isto?\u00bb Ele responde que a Hist\u00f3ria \u00e9 um vaiv\u00e9m de sucessivas domina\u00e7\u00f5es, entremeadas por espa\u00e7os de liberta\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a.

{N}21,{/}13: (13-17) For\u00e7ados pelo ex\u00e9rcito ass\u00edrio, os n\u00f3mades dadanitas procuraram ref\u00fagio no o\u00e1sis de Tema. Isa\u00edas anuncia uma desgra\u00e7a para a tribo de Cedar, que, ao inv\u00e9s de acolher, hostilizou os perseguidos: Jav\u00e9 condena quem n\u00e3o ajuda os fracos.

{N}22,{/}1: (1-14) O or\u00e1culo foi pronunciado logo ap\u00f3s a retirada do ex\u00e9rcito ass\u00edrio que cercava Jerusal\u00e9m em 701 a.C. Para o profeta, a amea\u00e7a ass\u00edria \u00e9 um julgamento de Jav\u00e9, para que Jerusal\u00e9m se arrependa dos seus pecados. Em vez de reconhecer os pecados e converter-se, o povo vangloria-se e festeja, sem perceber que a retirada do inimigo \u00e9 apenas uma concess\u00e3o de Jav\u00e9, e o resto do pa\u00eds continuava a sofrer.

{N}22,{/}15: (15-25) Sobna \u00e9 ministro do rei Ezequias e respons\u00e1vel por uma pol\u00edtica de alian\u00e7as, contr\u00e1ria \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas (cf. Is 36-37). Sobna ser\u00e1 destitu\u00eddo do cargo, que passar\u00e1 a Eliacim. Um acr\u00e9s-cimo posterior (vv. 24-25) condena tamb\u00e9m a Eliacim, que certamente favorecia demasiado a pr\u00f3pria fam\u00edlia.

{N}23,{/}1: (1-18) As cidades de Tiro e S\u00eddon, gra\u00e7as ao seu com\u00e9rcio mar\u00edtimo, eram ricas pot\u00eancias e possu\u00edam v\u00e1rias col\u00f3nias, como em Cetim (Chipre) e T\u00e1rsis (Espanha). Quando Tiro e S\u00eddon se tornaram dependentes da Ass\u00edria, o profeta viu nisso o castigo de Deus: pot\u00eancias colonizadoras tornaram-se \u00abcol\u00f3nias\u00bb. O profeta usa uma compara\u00e7\u00e3o que ironiza a sorte de Tiro: era uma prostituta afamada e agora precisa apelar por todos os meios a fim de ser reconhecida. Os vv. 17-18 s\u00e3o um acr\u00e9scimo e mostram que Tiro h\u00e1-de readquirir a sua grandeza, mas para servir ao projecto de Jav\u00e9 e n\u00e3o para se gloriar da pr\u00f3pria auto-sufici\u00eancia.

{N}24,{/}1: (1-6) O projecto de Deus \u00e9 vida e liberdade para todos. Os homens abandonaram o projecto divino (v. 5). Vem a\u00ed a grande devasta\u00e7\u00e3o (vv. 1-3)) e a degrada\u00e7\u00e3o da Terra (vv. 4-6), tanto Israel como o mundo inteiro.
  24-27: Estes cap\u00edtulos s\u00e3o comummente chamados \u00abGrande Apocalipse de Isa\u00edas\u00bb. Foram escritos bem mais tarde e naturalmente n\u00e3o s\u00e3o do profeta. Este Apocalipse inspirou-se provavelmente numa cat\u00e1strofe pol\u00edtica de alguma na\u00e7\u00e3o, entre os s\u00e9culos V e IV a.C. O texto apresenta o julgamento final do Universo e a instaura\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Trata-se de uma grande confiss\u00e3o de esperan\u00e7a: o povo de Deus confia que ir\u00e1 triunfar, juntamente com o seu aliado divino, sobre todos os poderes hostis ao homem, a Deus e ao projecto de Deus.

{N}24,{/}7: (7-16a) O julgamento de Deus n\u00e3o \u00e9 um facto negativo; o seu objectivo \u00e9 a convers\u00e3o. \u00c0 lamenta\u00e7\u00e3o sobre a cidade desolada (vv. 7-13), corresponde liturgicamente a aclama\u00e7\u00e3o dos sobreviventes (vv. 14-16).

{N}24,{/}16: (16b-23) O texto \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de 24,1-6. Deus julga pessoalmente, renovando todos os julgamentos feitos na Hist\u00f3ria.

{N}25,{/}1: (1-5) Este hino celebra a justi\u00e7a de Deus, que condena o opressor e salva o oprimido (\u00abfraco e indigente\u00bb).

{N}25,{/}6: (6-12) A \u00faltima palavra de Deus sobre a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o julgamento, mas a comunh\u00e3o universal de todos entre si e com o pr\u00f3prio Deus (cf. 2Pd 1,4; Ap 21,1-22,5). \u00c9 o lado favor\u00e1vel do ju\u00edzo universal, evocado sob a imagem do banquete messi\u00e2nico, prel\u00fadio da par\u00e1bola do Evangelho (cf. Mt 22,2-10). Um redactor acrescentou os vv. 10-12, tomando Moab como s\u00edmbolo dos exclu\u00eddos dessa grande comunh\u00e3o, porque se negou a participar do projecto de Deus.

{N}26,{/}1: (1-6) Este c\u00e2ntico de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as liga-se ao que precede, 25,6-9, que refere a montanha de Si\u00e3o. Deus quer construir a cidade justa, a sociedade fraterna. Os orgulhosos e auto-suficientes invertem o projecto e erguem a injusti\u00e7a. Deus n\u00e3o pode deixar de a derrubar, perante a alegria dos pobres e oprimidos que se passeiam sobre as ru\u00ednas.

{N}26,{/}7: (7-19) A situa\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 cr\u00edtica e todos os projectos e tentativas parecem falhar. Contudo, um povo que acredita e se compromete com o projecto de Deus nunca desespera. A ora\u00e7\u00e3o transforma-se em s\u00faplica veemente: que Deus proceda rapidamente ao julgamento, para libertar o seu povo.

{N}26,{/}20: (26,20-27,1) E o apelo n\u00e3o fica sem resposta: o sangue dos justos e inocentes clama a Deus, que responde julgando e destruindo o orgulho e ambi\u00e7\u00e3o, geradores de opress\u00e3o e viol\u00eancia. Leviat\u00e3 \u00e9 o monstro marinho da mitologia b\u00edblica, s\u00edmbolo das for\u00e7as do mal.

{N}27,{/}2: (2-5) A vinha \u00e9 o povo de Deus. Deus cuida dele com todo o carinho, n\u00e3o deixando que os inimigos o oprimam. Ao mesmo tempo, Deus est\u00e1 sempre atento para agir contra os \u00abespinhos e ervas daninhas\u00bb (pecadores) que apare\u00e7am. Ver o paralelo da {C}cidade forte{/} (26,1-6) e o contraste com a vinha fortemente amea\u00e7ada de 5,1-7.

{N}27,{/}6: (6-9) Deus corrige os erros do seu povo, e muito mais os erros dos seus inimigos; \u00e9 que o povo conhece o seu projecto, enquanto os inimigos o desconhecem. Todavia, o abandono dos \u00eddolos vale \u00e0 comunidade o perd\u00e3o definitivo (cf. 17,8).

{N}27,{/}10: (10-11) Ao mesmo tempo que protege e renova o seu povo, Deus julga e destr\u00f3i a cidade dos opressores. 

{N}27,{/}12: (12-13) Jav\u00e9 recolher\u00e1, um a um, todos os membros do seu povo espalhados pelo mundo inteiro. Numa grande peregrina\u00e7\u00e3o, eles h\u00e3o-de retornar ao pa\u00eds e adorar a Jav\u00e9 em Jerusal\u00e9m.

{N}28,{/}1: (1-6) O profeta descreve a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica do Reino de Israel, no momento em que a Ass\u00edria, grande pot\u00eancia da \u00e9poca (\u00abhomem forte e robusto\u00bb), est\u00e1 pronta para invadir o pa\u00eds e destruir a sua capital, Samaria (722 a.C.). O curto or\u00e1culo introduzido aqui (vv. 5-6), descreve a esperan\u00e7a daqueles que ainda depositam em Jav\u00e9 a sua confian\u00e7a e esperam d'Ele a realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a na paz, e a coragem para enfrentar os inimigos na guerra.
  28-33: A maioria destes or\u00e1culos, dirigidos a Israel e Jud\u00e1 (cf. 2-12), pertence ao terceiro e quarto per\u00edodo da actividade de Isa\u00edas (cf. Introdu\u00e7\u00e3o ao Primeiro Isa\u00edas). A Ass\u00edria estende cada vez mais os seus dom\u00ednios, e o rei de Jud\u00e1 \u00e9 tentado a entrar num perigoso jogo de alian\u00e7as. Nesse tempo conturbado, Isa\u00edas salienta que s\u00f3 em Deus existe seguran\u00e7a, e retoma agora o que j\u00e1 dissera por ocasi\u00e3o da guerra siro-efraimita (segundo per\u00edodo da actividade do profeta).

{N}28,{/}7: (7-13) Os sacerdotes e falsos profetas de Jud\u00e1 tamb\u00e9m participam da anarquia reinante. Zombando, dizem que Isa\u00edas ensina coisas sem sentido, ou sem interesse, como se falasse a beb\u00e9s. Para sugerir esse linguajar s\u00e3o usadas palavras incompreens\u00edveis (v. 10) ou parte dum silab\u00e1rio para aprender a ler. Isa\u00edas replica repetindo os mesmos sons (v. 13). Riem da Palavra de Jav\u00e9?... Ser\u00e3o obrigados a ouvir a l\u00edngua estranha do inimigo que invadir\u00e1 o pa\u00eds.

{N}28,{/}14: (14-22) Diante do perigo de uma invas\u00e3o ass\u00edria, os conselheiros de Ezequias prop\u00f5em (pelos anos 704-702) uma alian\u00e7a com o Egipto (= \u00abmorte\u00bb: os eg\u00edpcios cultuavam o mundo dos mortos). O profeta, por\u00e9m, v\u00ea nessa alian\u00e7a uma ilus\u00e3o e uma farsa, pois um pacto com a falsidade n\u00e3o poder\u00e1 dar seguran\u00e7a a ningu\u00e9m. Isa\u00edas compara a Ass\u00edria com o flagelo do destruidor, que outrora passou e destruiu os eg\u00edpcios, para proteger os hebreus (cf. Ex 12,13). Mas agora, esse flagelo destruir\u00e1 tamb\u00e9m os israelitas. Somente apoiando-se em Deus e seguindo o seu projecto, \u00e9 que o povo encontrar\u00e1 for\u00e7as para resistir.

{N}28,{/}23: (23-29) O lavrador realiza diversas tarefas no tempo certo e sabe tratar os produtos do solo segundo conv\u00e9m a cada um. Da mesma forma, no momento certo, Deus trata o seu povo de acordo com as suas necessidades e comportamento. Ora aben\u00e7oa, ora corrige, para que o povo d\u00ea bons frutos.

{N}29,{/}1: (1-12) Ariel \u00e9 um antigo nome po\u00e9tico de Jerusal\u00e9m. A cidade conhecer\u00e1 a visita de Deus atrav\u00e9s das tropas ass\u00edrias no ano 701 a.C., quando estas a sitiaram completamente. A situa\u00e7\u00e3o era humilhante e sem sa\u00edda, mas Deus libertou-a, enviando uma peste que obrigou o ex\u00e9rcito ass\u00edrio a bater em retirada (cf. Is 36-37). Isa\u00edas v\u00ea nesse facto a interven\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Jav\u00e9 que arranca a cidade santa das m\u00e3os do inimigo.

{N}29,{/}13: (13-14) Sem liga\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, o culto a Deus cai no formalismo vazio e transforma-se na hipocrisia de uma religi\u00e3o falsa. Ultrapassando o \u00e2mbito do culto, Deus revela-Se e age nos acontecimentos, confundindo os planos que n\u00e3o coincidem com o seu projecto (cf. Is 1,10-20; Mt 15,7-9; 7,21).

{N}29,{/}15: (15-24) Os poderosos e influentes julgam-se absolutos e tentam ocupar o lugar de Deus, procurando dirigir o curso dos acontecimentos. Todavia, somente Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria; sabe dirigi-la e, volta e meia, n\u00e3o hesita em inverter os pap\u00e9is que os s\u00e1bios se arrogaram (cf. 28,9-13).

{N}30,{/}1: (1-7) Em 702 a.C., Ezequias, rei de Jud\u00e1, envia embaixadores ao Egipto para pedir apoio contra a Ass\u00edria. O profeta critica violentamente essa atitude, mostrando que tal iniciativa s\u00f3 levar\u00e1 \u00e0 decep\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 in\u00fatil recorrer a uma grande pot\u00eancia para se livrar de outra: nenhuma presta aux\u00edlio desinteressado. Al\u00e9m disso, o Egipto, nessa \u00e9poca, era uma pot\u00eancia decadente, \u00abum monstro inofensivo\u00bb. \u00c9 em si pr\u00f3prio que o povo deve encontrar for\u00e7a e coragem para n\u00e3o ceder \u00e0s amea\u00e7as externas das grandes pot\u00eancias.

{N}30,{/}8: (8-17) J\u00e1 que os ouvintes de Isa\u00edas n\u00e3o quiseram escut\u00e1-lo, o profeta interrompe a sua actividade por uns tempos. Antes, por\u00e9m, deixa por escrito os or\u00e1culos j\u00e1 pronunciados para que, no futuro, sirvam de prova contra a gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acolheu a palavra de Jav\u00e9. Quem recusa o apoio de Jav\u00e9 para confiar nas seguran\u00e7as humanas acaba sempre frustrado. E \u00e9 nesse momento que as pessoas recobram a consci\u00eancia e reconhecem os pr\u00f3prios erros.

{N}30,{/}18: (18-26) O trecho \u00e9 um aditamento feito talvez no tempo do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia. Um profeta actualiza os or\u00e1culos de Isa\u00edas frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos exilados, que j\u00e1 pagaram pelos seus pecados e esperam o retorno da miseric\u00f3rdia e gra\u00e7a de Jav\u00e9.

{N}30,{/}27: (27-33) Em 701 a.C., o ex\u00e9rcito ass\u00edrio invade Jud\u00e1 e cerca Jerusal\u00e9m. Uma peste, no entanto, faz com que o ex\u00e9rcito retire em debandada. O povo queima, ent\u00e3o, os cad\u00e1veres juntamente com as armas e carros que o ex\u00e9rcito havia abandonado (cf. Sl 46,9-11). Certamente, foi a grande fogueira e a derrota da Ass\u00edria que fizeram o povo lembrar o anjo exterminador de Ex 12 e a teofania do Sinai (cf. Ex 19). {C}Tofet{/} \u00e9 o lugar dos sacrif\u00edcios humanos ao deus Moloc no vale de Enom ou Geena, situado fora de Jerusal\u00e9m.

{N}31,{/}1: (1-9) Or\u00e1culo pronunciado em circunst\u00e2ncias id\u00eanticas \u00e0s de 30,1-7. \u00c9 in\u00fatil procurar refor\u00e7o no Egipto. Isa\u00edas mostra que o Egipto n\u00e3o \u00e9 deus e n\u00e3o pode oferecer nenhuma protec\u00e7\u00e3o. O povo deve procurar voltar a Jav\u00e9, isto \u00e9, viver de acordo com as normas da Alian\u00e7a. Al\u00e9m do mais, Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria: \u00e9 Ele quem desfar\u00e1 a opress\u00e3o ass\u00edria, libertando o povo.

{N}32,{/}1: (1-8) Isa\u00edas renova a esperan\u00e7a de que a dinastia dav\u00eddica produza um tempo de justi\u00e7a e paz, uma esp\u00e9cie de era paradis\u00edaca, num reino ideal. Em tal sociedade, j\u00e1 n\u00e3o ter\u00e1 mais lugar o {C}tolo{/} (uma esp\u00e9cie de \u00edmpio), que n\u00e3o tem considera\u00e7\u00e3o nem por Deus nem pelos irm\u00e3os. O tolo aqui \u00e9 retratado como a personagem Nabal (cf. 1Sm 25). O {C}nobre{/} \u00e9 a pessoa generosa, aberta a Deus e aos irm\u00e3os. 

{N}32,{/}9: (9-14) Nas v\u00e9speras da invas\u00e3o ass\u00edria, pelo ano 702, o profeta adverte as mulheres, talvez numa festa das vindimas: com a invas\u00e3o, vai terminar a alegria e tranquilidade, j\u00e1 que o pa\u00eds e a sua popula\u00e7\u00e3o ser\u00e3o dizimados, e s\u00f3 restar\u00e3o l\u00e1grimas e luto.

{N}32,{/}15: (15-20) Este passo liga-se ao ciclo dos or\u00e1culos do regresso do Ex\u00edlio e pretende reanimar no povo a esperan\u00e7a da restaura\u00e7\u00e3o, a qual se apresenta como nova Cria\u00e7\u00e3o, obra do esp\u00edrito de Deus. Objecto da esperan\u00e7a \u00e9 um mundo novo onde reine a justi\u00e7a e o direito que geram paz e prosperidade. 

{N}33,{/}1: (1-24) Dif\u00edcil de datar, o or\u00e1culo ajusta-se aos dias que precederam de perto o cerco de Senaquerib, quando de uma suposta embaixada de Ezequias, o qual teria oferecido ao rei ass\u00edrio tributos para que n\u00e3o tomasse Jerusal\u00e9m. O texto \u00e9 complexo: ap\u00f3s uma introdu\u00e7\u00e3o (v. 1), h\u00e1 um salmo de s\u00faplica e confian\u00e7a (vv. 2-6), uma lamenta\u00e7\u00e3o (vv. 7-9) e um an\u00fancio de restaura\u00e7\u00e3o (vv. 17-24). Os vv. 14-16 mostram que a pr\u00e1tica da verdade e da justi\u00e7a \u00e9 exig\u00eancia b\u00e1sica para a participa\u00e7\u00e3o no culto (Sl 15).

{N}34,{/}1: (1-17) O or\u00e1culo contra Edom (vv. 5-15) est\u00e1 precedido dum curto poema de alcance universal (vv. 1-4). Em 24,7-13 e 24,1-6 encontra uma estrutura semelhante. O julgamento de Jav\u00e9 sobre as na\u00e7\u00f5es \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0s grandes pot\u00eancias cuja fal\u00eancia se anuncia. Soa como grande intima\u00e7\u00e3o frente ao orgulho e injusti\u00e7a com que os poderosos desfiguram a integridade da vida humana.
  34-35: Estes cap\u00edtulos, escritos no per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico, formam o chamado \u00abPequeno Apocalipse de Isa\u00edas\u00bb e descreve, com imagens fortes, o julgamento das na\u00e7\u00f5es opressoras e a restaura\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, sinal de salva\u00e7\u00e3o numa terra nova e pacificada.

{N}35,{/}1: (1-10) O contraste entre este cap\u00edtulo e o anterior \u00e9 evidente: enquanto as pot\u00eancias dominadoras s\u00e3o arrasadas, ao povo de Deus est\u00e3o reservadas liberta\u00e7\u00e3o, alegria e vida em abund\u00e2ncia. Ser\u00e1 o tema dominante do Segundo Isa\u00edas (40-55).

{N}36,{/}1: (36,1-37,7) Em 701 a.C., Senaquerib invade a Judeia e est\u00e1 para cercar Jerusal\u00e9m. O porta-voz do ex\u00e9rcito ass\u00edrio prop\u00f5e a rendi\u00e7\u00e3o. A narrativa apresenta-se como desafio a Jav\u00e9, Deus de Israel, fazendo um confronto das for\u00e7as humanas e idolatrias com a f\u00e9 e com o \u00fanico Deus vivo. O profeta, que afirma a confian\u00e7a em Jav\u00e9 acima de todas as alian\u00e7as humanas, responde: \u00abN\u00e3o fiques com medo\u00bb.
  36-39: Estes cap\u00edtulos reproduzem, com pequenas diferen\u00e7as, a narrativa hist\u00f3rica de 2Rs 18,13-20,19, que relata a ac\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas na altura da campanha ass\u00edria contra Jerusal\u00e9m. Aqui, omite-se apenas 2Rs 18,14-16 (embaixada e tributo de Ezequias ao rei da Ass\u00edria), e acrescenta-se Is 38,9-20 (ora\u00e7\u00e3o de Ezequias, doente e curado). O profeta age esclarecidamente numa situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica para o pa\u00eds e a sua capital.

{N}37,{/}8: (8-38) Esta segunda vers\u00e3o dos mesmos factos apresenta mais claramente ainda o confronto entre o poderoso rei pag\u00e3o e o Deus Jav\u00e9, que protege Jerusal\u00e9m. O triunfo \u00e9 de Jav\u00e9: o ex\u00e9rcito bate em retirada por causa de uma epidemia, e Senaquerib tem fim tr\u00e1gico.

{N}38,{/}1: (1-8) Este epis\u00f3dio deve ter acontecido antes da invas\u00e3o de Senaquerib. O atraso no rel\u00f3gio de sol confirma que Isa\u00edas \u00e9 o porta-voz de Jav\u00e9. O texto destaca o valor da ora\u00e7\u00e3o confiante.

{N}38,{/}9: (9-20) O c\u00e2ntico atribu\u00eddo a Ezequias \u00e9 provavelmente p\u00f3s-ex\u00edlico. Evoca a tristeza de algu\u00e9m gravemente enfermo que sente a vida a esvair-se (vv. 9-14); depois agradece a Deus e canta a alegria de ter sido curado (vv. 15-20). A experi\u00eancia da alegria de viver \u00e9 adquirida atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia da ang\u00fastia da morte.

{N}39,{/}1: (1-8) Ao inserir este final no livro do Primeiro Isa\u00edas, o redactor quer mostrar como o profeta tinha raz\u00e3o ao condenar as alian\u00e7as com os ass\u00edrios ou qualquer outra pot\u00eancia estrangeira. O ex\u00edlio na Babil\u00f3nia foi a prova amarga para o povo que abandona o Deus vivo para se apoiar em falsos absolutos. 

{N}40,{/}1: (1-11) A primeira palavra (\u00abconsolai\u00bb \u00e9 utilizada 16 vezes neste livro) d\u00e1 o t\u00edtulo e o tom aos poemas: {C}Livro da Consola\u00e7\u00e3o{/}. O poema inicial substitui a narrativa de voca\u00e7\u00e3o de outros escritos prof\u00e9ticos: a mensagem de consola\u00e7\u00e3o (vv. 1-2), anunciando a Israel exilado o regressso \u00e0 sua Terra, iniciativa da palavra criadora e eficaz de Deus; a \u00abvoz\u00bb de Jav\u00e9 (vv. 3 e 6) \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o divina que substitui a teofania ou vis\u00e3o de Deus (cf. Is 6; Ez 1-3). Noutra aproxima\u00e7\u00e3o, ouvem-se sucessivamente: a voz do profeta aos seus irm\u00e3os (vv. 1-2), a voz do arauto (vv. 3-5), a voz doutros mensageiros (vv. 6-8); a voz de Jerusal\u00e9m que acolhe a mensagem e a envia \u00e0s cidades de Jud\u00e1 (vv. 9-11). Do fundo triste duma escravid\u00e3o sofrida brota a esperan\u00e7a alegre e libertadora (cf. \u00cax 3,7-9). Terminou o tempo da escravid\u00e3o e come\u00e7a um novo \u00eaxodo. Os evangelhos sin\u00f3pticos citam o texto para falar da liberta\u00e7\u00e3o definitiva trazida por Jesus Cristo (cf. Mt 3,3; Mc 1,3; Lc 3,4).
  40-55: O Segundo Isa\u00edas profetiza entre as primeiras vit\u00f3rias de Ciro (ano 550) e a sua entrada na Babil\u00f3nia (539), acolhido como libertador. Esta situa\u00e7\u00e3o nova oferece a Israel o novo \u00caxodo e a restaura\u00e7\u00e3o de Si\u00e3o.

{N}40,{/}12: (12-26) Os exilados deixaram-se vencer pelo des\u00e2nimo: quem \u00e9 Jav\u00e9 para realizar um novo \u00eaxodo? O profeta responde que Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor supremo do Universo e da Hist\u00f3ria; acima d'Ele n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m, e em suas m\u00e3os est\u00e3o todas as coisas e acontecimentos; Ele \u00e9 o Deus vivo e o \u00fanico autor da vida. Os outros deuses n\u00e3o passam de objectos impotentes, fabricados pela imagina\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnica do homem. Jav\u00e9 {C}faz e dirige tudo,{/} enquanto que os \u00eddolos s\u00e3o {C}feitos e transportados{/}.

{N}40,{/}27: (27-31) H\u00e1 exilados que pensam que Jav\u00e9 os abandonou: isto \u00e9 outro empecilho para que o novo \u00eaxodo se realize. O profeta mostra que o mesmo Deus eterno que criou o mundo \u00e9 quem d\u00e1 for\u00e7as ao cansado e firmeza aos fracos: Ele escolheu Israel e sustenta todos aqueles que n'Ele confiam.

{N}41,{/}1: (1-7) Ciro, rei dos persas, domina a \u00c1sia Menor e avan\u00e7a triunfalmente. As popula\u00e7\u00f5es tremem e n\u00e3o encontrar\u00e3o seguran\u00e7a nos deuses (vv. 6-7). Para o profeta, Ciro torna-se o instrumento do Deus Jav\u00e9, que \u00e9 o primeiro e est\u00e1 com os \u00faltimos, \u00e9 o aliado dos pobres e oprimidos.

{N}41,{/}8: (8-16) Israel nada tem a temer. O povo oprimido tem sempre um defensor (redentor; cf. Lv 25,23-25; Nm 35,19 e respectivas notas): \u00e9 o pr\u00f3prio Jav\u00e9, aquele que fez alian\u00e7a com Abra\u00e3o e Jacob. Por isso, o povo n\u00e3o deve perder a esperan\u00e7a, pois Jav\u00e9 estar\u00e1 sempre a seu lado para o arrancar de qualquer tipo de escravid\u00e3o.

{N}41,{/}17: (17-20: No primeiro \u00eaxodo, o povo bebeu \u00e1gua da rocha em pleno deserto (cf. Ex 17,1-7). Ora, a \u00e1gua \u00e9 elemento imprescind\u00edvel \u00e0 vida. Ela falta para os pobres e indigentes, e Jav\u00e9 em pessoa responder\u00e1 \u00e0 necessidade deles, transformando agora a terra seca em rios e o deserto em jardins, um novo para\u00edso terrestre. O novo \u00eaxodo ultrapassar\u00e1 as maravilhas do primeiro.

{N}41,{/}21: (21-29) Continua aqui a pol\u00e9mica contra os deuses babil\u00f3nicos, que eram empecilho para que os judeus exilados tivessem esperan\u00e7a de voltar \u00e0 pr\u00f3pria Terra. Em continua\u00e7\u00e3o a 40,12-26, o profeta agora mostra tamb\u00e9m que Jav\u00e9 \u00e9 o \u00fanico Senhor do futuro: s\u00f3 Ele soube anunciar que Ciro dominaria a Babil\u00f3nia. Os chamados outros deuses s\u00e3o, pura e simplesmente, inexistentes.

{N}42,{/}1: (1-9) \u00c9 o primeiro \u00abc\u00e2ntico do Servo de Jav\u00e9\u00bb. Quem \u00e9 esse Servo? Aqui, sem d\u00favida, Ciro. No contexto geral e segundo a vers\u00e3o grega, Israel. Para o Novo Testamento, o pr\u00f3prio Jesus. O Servo \u00e9 a grande novidade que Jav\u00e9 prepara: o mission\u00e1rio escolhido que, gra\u00e7as ao Esp\u00edrito de Jav\u00e9, recebe a miss\u00e3o de fazer surgir uma sociedade conforme a justi\u00e7a e o direito. Ele n\u00e3o submeter\u00e1 os fracos ao seu dom\u00ednio, mas o seu agir acabar\u00e1 por produzir uma transforma\u00e7\u00e3o radical: os cegos recuperar\u00e3o a vista e os presos ser\u00e3o libertos. Os evangelhos aplicam a Jesus a figura do Servo (cf. Mt 3,17 e paralelos; 12,17-21; 17,5).

{N}42,{/}10: (10-13) \u00c0 ac\u00e7\u00e3o de Jav\u00e9 atrav\u00e9s do Servo corresponde o reconhecimento e o louvor de todos os habitantes da Terra. O c\u00e2ntico novo \u00e9 o c\u00e2ntico da liberta\u00e7\u00e3o definitiva.

{N}42,{/}14: (14-17) Muitas vezes a ac\u00e7\u00e3o de Deus parece tardar na Hist\u00f3ria, mas ela vem e com duplo efeito: desastrosa para os que servem aos \u00eddolos, contrariando o projecto de Deus; e libertadora para todos os que s\u00e3o fi\u00e9is a esse projecto.

{N}42,{/}18: (18-25) Muitos exilados j\u00e1 est\u00e3o acomodados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do ex\u00edlio e n\u00e3o fazem caso do an\u00fancio prof\u00e9tico. \u00abCegos e surdos\u00bb (v. 18; 24,8) - r\u00e9plica do endurecimento proposto em 6,9-10 -, sofreram por causa do pecado e foram calcinados pela guerra (v. 25). Desse modo, toda a esperan\u00e7a de uma vida nova cai por terra.

{N}43,{/}1: (1-7) Mas agora, \u00e9 diferente: a destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 radical (v. 2). Jav\u00e9 fez uma alian\u00e7a com o seu povo, e dela jamais abrir\u00e1 m\u00e3o: est\u00e1 disposto a trocar tudo para libert\u00e1-lo e reuni-lo.

{N}43,{/}8: (8-13) Embora Israel n\u00e3o saiba compreender os acontecimentos da sua Hist\u00f3ria, essa pr\u00f3pria Hist\u00f3ria transforma-o em testemunha de Deus diante de todas as na\u00e7\u00f5es. \u00c9 olhando para dentro da sua Hist\u00f3ria que um povo pode compreender quem \u00e9 o Deus vivo e quais s\u00e3o os \u00eddolos que nada podem fazer.

{N}43,{/}14: (14-21) Mais um processo entre o Senhor e os israelitas (cf. 42,18-25; 50,1-3). Estes ofereceram sacrif\u00edcios e incenso... O Senhor devia-lhes obriga\u00e7\u00f5es; podia ter evitado o ex\u00edlio! A verdade \u00e9 que eles pecaram; da\u00ed os males sofridos. Ali\u00e1s, Deus n\u00e3o exige do povo sacrif\u00edcios de animais ou outras ofertas (cf. 1,11). A elei\u00e7\u00e3o divina \u00e9 gratuita (cf. Dt 7,6). E, a seguir, vem uma promessa de salva\u00e7\u00e3o (44,1-5).

{N}43,{/}22: (22-28) Jav\u00e9 \u00e9 um Deus que n\u00e3o exige do seu povo sacrif\u00edcios de animais ou qualquer outro tipo de ofertas; Ele n\u00e3o \u00e9 um Deus que cansa e massacra o povo com imposi\u00e7\u00f5es cultuais, mas est\u00e1 continuamente a perdoar. O povo, sim, cansa Deus com as suas transgress\u00f5es e pecados. Ora, a fidelidade a Deus n\u00e3o se mede pela quantidade de cerim\u00f3nias religiosas, mas por uma pr\u00e1tica de vida que d\u00e1 testemunho da alian\u00e7a com Deus.

{N}44,{/}1: (1-5) Jav\u00e9 nunca abandona o povo que Ele mesmo formou. Assim como o protegeu no passado, f\u00e1-lo-\u00e1 tamb\u00e9m no futuro. Transformar\u00e1 radicalmente a sua situa\u00e7\u00e3o, entregando-lhe o seu esp\u00edrito. Ser\u00e1 uma honra para todos dizer que pertencem a Jav\u00e9, pois essa perten\u00e7a dignifica a pessoa e f\u00e1-la participar de um povo aben\u00e7oado e admirado por todas as na\u00e7\u00f5es. Ver a correspond\u00eancia entre an\u00e1tema e b\u00ean\u00e7\u00e3o (43,28 e 44,3, como em Dt 13,13-19), entre desonra e prest\u00edgio (43,28 e 44,5) de \u00abJacob-Israel\u00bb.

{N}44,{/}6: (6-8) A liberta\u00e7\u00e3o de Israel torna esse povo um testemunho vivo de que Jav\u00e9 \u00e9 o \u00fanico Deus que liberta. Todos os outros que s\u00e3o tomados como absolutos n\u00e3o passam de \u00eddolos ilus\u00f3rios. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o do monote\u00edsmo absoluto.

{N}44,{/}9: (9-20) Nova s\u00e1tira contra os \u00eddolos. Quem fabrica \u00eddolos quer obter alguma vantagem. E quem se submete a eles s\u00e3o pessoas alienadas: n\u00e3o percebem quanto \u00e9 absurdo e degradante absolutizar aquilo que \u00e9 produto de m\u00e3os humanas.

{N}44,{/}21: (21-23) Enquanto os homens se alienam fabricando \u00eddolos para a sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, o Deus vivo forma um povo, perdoa-lhe os pecados e liberta-o da escravid\u00e3o.

{N}44,{/}24: (24-28) A salva\u00e7\u00e3o de Deus, projectada e iminente, ter\u00e1 como instrumento o soberano persa, Ciro. Nada custa ao Senhor do Universo e da Hist\u00f3ria operar esta maravilha, recorrendo a um estrangeiro.

{N}45,{/}1: (1-7) Este or\u00e1culo de investidura real retoma a voca\u00e7\u00e3o de Ciro (cf. 41,1-5). Antes designado de modo velado, a partir daqui Ciro \u00e9 chamado pelo seu nome (vv. 3 e 4; 46,8-13; 48,12-16) e apresentado como \u00abungido\u00bb, t\u00edtulo primitivamente reservado aos reis (2Sm 5,3) e sacerdotes (Ex 29,7), equivalente ao hebreu {C}meshiah,{/} traduzido em grego por \u00abcristo\u00bb. Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria. O Deus vivo n\u00e3o est\u00e1 confinado a um templo, nem a uma institui\u00e7\u00e3o, nem a determinada estrutura de religi\u00e3o: o lugar eminente do seu agir \u00e9 a Hist\u00f3ria e a vida. O v. 7 salienta que Jav\u00e9 criou todas as coisas, e sabemos, pela B\u00edblia, que toda a Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 boa (cf. Gn 1,4.10.12 etc. Eclo 39,12-35).

{N}45,{/}8: Justi\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre frutos do c\u00e9u e da terra, de Deus e do homem: Deus \u00e9 quem concede, e o homem recebe-as; Deus cria e realiza-as atrav\u00e9s da criatividade humana.

{N}45,{/}9: (9-13) Como Senhor da Hist\u00f3ria e do Universo, Jav\u00e9 age de forma soberana. \u00c9 in\u00fatil e rid\u00edculo levantar-Lhe obst\u00e1culos ou pedir-Lhe contas. Deus est\u00e1 com Ciro, para liberta\u00e7\u00e3o do seu povo (v. 13).

{N}45,{/}14: (14-25) A liberta\u00e7\u00e3o de Israel \u00e9 o meio pelo qual Jav\u00e9 Se manifesta ao mundo inteiro; todos o reconhecer\u00e3o pelo modo como Ele restabeleceu um povo que estava \u00abmorto\u00bb. Ali\u00e1s o Senhor oferece a todos os povos a salva\u00e7\u00e3o programada para o seu povo, mediante uma confiss\u00e3o de f\u00e9 (vv. 20-25) e o abandono dos \u00eddolos.

{N}46,{/}1: (1-13) O profeta antecipa a destrui\u00e7\u00e3o da Babil\u00f3nia, imaginando os seus habitantes a fugir e a transportar os seus \u00eddolos. Israel, por\u00e9m, n\u00e3o precisa de fazer isso, pois o seu \u00fanico Deus \u00e9 Jav\u00e9, e \u00e9 Ele quem leva o seu povo. Deus d\u00e1-lhe vida, enquanto os id\u00f3latras gastam energias na tentativa in\u00fatil de dar vida aos seus deuses.

{N}47,{/}1: (1-15) A salva\u00e7\u00e3o de Israel (46,13) vai estar associada, no tempo, \u00e0 queda e humilha\u00e7\u00e3o da Babil\u00f3nia, evocada aqui atrav\u00e9s desta longa lamenta\u00e7\u00e3o que conjuga acusa\u00e7\u00f5es, condena\u00e7\u00e3o e castigos, sem esquecer a inutilidade do culto idol\u00e1trico. Babil\u00f3nia foi dura e orgulhosa, a ponto de, mais tarde, ser a imagem-tipo do anticristo (Ap 17-18).

{N}48,{/}1: (1-15) Foi para manter o seu nome e a sua honra que Jav\u00e9, atrav\u00e9s dos profetas antigos, anunciara o ex\u00edlio; caso contr\u00e1rio, o povo poderia ver no ex\u00edlio um triunfo dos \u00eddolos pag\u00e3os. Com o mesmo intento, Jav\u00e9 agora vai realizar uma coisa completamente nova e desconhecida: vai libertar o seu povo mediante a ac\u00e7\u00e3o de um rei pag\u00e3o.

{N}48,{/}16: (16-19) Tal \u00e9 o des\u00edgnio testemunhado pelo profeta. O povo nunca se deveria ter afastado do projecto divino. Apesar de tudo, mesmo no ex\u00edlio. Deus continua fiel e agir\u00e1 novamente como redentor do seu povo.

{N}48,{/}20: (20-22) A queda do opressor torna-se para Israel a oportunidade para realizar um novo \u00eaxodo. O v. 22 \u00e9 um acr\u00e9scimo deslocado.

{N}49,{/}1: (1-9a) \u00c9 o segundo \u00abc\u00e2ntico do Servo de Jav\u00e9\u00bb (cf. nota em 42,1-9). Aqui se descrevem as caracter\u00edsticas da miss\u00e3o prof\u00e9tica: desde o in\u00edcio (ventre), o Servo recebe a miss\u00e3o (o nome) de anunciar a palavra de Jav\u00e9 para reunir e restaurar o seu povo disperso. Israel, dizimado, regressar\u00e1 portanto a Jerusal\u00e9m para de novo ser luz das na\u00e7\u00f5es; o humilhado passar\u00e1 a receber honras dos estrangeiros. A miss\u00e3o do Servo ultrapassa as fronteiras de uma na\u00e7\u00e3o, pois far\u00e1 com que o povo da alian\u00e7a se torne luz para os outros povos.

{N}49,{/}9: (9b-26) Os pensamentos derrotistas de Jerusal\u00e9m ficar\u00e3o refutados: n\u00e3o abandonada e destru\u00edda, mas mimada e repovoada (vv. 14-20); n\u00e3o sozinha, mas repleta de filhos (vv. 21-23); n\u00e3o eternamente cativa, mas libertada (vv. 24-26), perante o olhar de todos os vivos.

{N}50,{/}1: (1-3) Israel tem nos pr\u00f3prios pecados e na sua incredulidade as raz\u00f5es suficientes para explicar a sua separa\u00e7\u00e3o de Jav\u00e9. Apesar de tudo, Jav\u00e9 continua fiel e, como no primeiro \u00eaxodo, est\u00e1 disposto a lutar contra tudo e contra todos para libertar e reunir o seu povo. Este, por\u00e9m, parece n\u00e3o confiar em Jav\u00e9.

{N}50,{/}4: (4-11) \u00c9 o terceiro \u00abc\u00e2ntico do Servo de Jav\u00e9\u00bb (cf. nota em 42,1-9; 49,1-9a). A miss\u00e3o do Servo evoca os aspectos da sua exist\u00eancia: acolhimento da Palavra de Deus, fidelidade na sua transmiss\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e ataques dos advers\u00e1rios. Eles ser\u00e3o apanhados na mesma armadilha que lhe tinham preparado (v. 11). Tal foi a atitude de Jesus, e \u00e9 a caracter\u00edstica fundamental dos seus seguidores.

{N}51,{/}1: (1-8) Seguro o profeta no meio das persegui\u00e7\u00f5es (50,4-11), h\u00e1 que transmitir igual seguran\u00e7a ao grupo dos fi\u00e9is, que s\u00e3o vexados (v. 7). Os advers\u00e1rios desmoronar\u00e3o como roupa comida pela tra\u00e7a (v. 8; 50,9; 51,8).

{N}51,{/}9: (9-16) O povo de Deus n\u00e3o deve temer os opressores, pois o mesmo Jav\u00e9 que libertou os escravos do Egipto vai agir de novo, libertando o seu povo da nova escravid\u00e3o.

{N}51,{/}17: (51,17-52,6) \u00c9 um convite a Jerusal\u00e9m. Terminou o tempo do castigo; levante-se e passe a ta\u00e7a do furor aos advers\u00e1rios e opressores. A c\u00f3lera de Jav\u00e9 vira-se contra eles. Si\u00e3o vai recuperar o seu esplendor; o povo cativo vai experimentar o poder do seu Salvador contra aqueles que oprimiram o seu povo, agora liberto.

{N}52,{/}7: (7-10) O grande Evangelho (boa not\u00edcia) do Segundo Isa\u00edas \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o: os exilados v\u00e3o regressar da Babil\u00f3nia e Jav\u00e9 voltar\u00e1 a reinar em Si\u00e3o. A reconstru\u00e7\u00e3o, motivo de alegria para o povo, \u00e9 tamb\u00e9m sinal da miseric\u00f3rdia de Deus.

{N}52,{/}11: (11-12) Ao sair da opress\u00e3o, o povo n\u00e3o dever\u00e1 carregar nenhum vest\u00edgio da opress\u00e3o, que amea\u00e7aria transform\u00e1-lo tamb\u00e9m num opressor.

{N}52,{/}13: (52,13-53,12) \u00c9 o quarto \u00abc\u00e2ntico do Servo de Jav\u00e9\u00bb (cf. nota em 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-9) e, com ele, atingimos o cume da obra de Isa\u00edas. No poema dialogado, distinguimos: {C}a{/}) a voz de Deus que anuncia a exalta\u00e7\u00e3o do Servo, antes humilhado, perante a admira\u00e7\u00e3o geral (52,13-15); {C}b{/}) os reis ou multid\u00f5es (53,1-6) ficam estupefactos com o triunfo que contrasta com o sofrimento e desprezo, infligidos ao Servo por causa dos pecados de todos; {C}c{/}) o profeta (53,7-10) completa a reflex\u00e3o sobre a inoc\u00eancia e paci\u00eancia do Servo, oferecido em expia\u00e7\u00e3o; {C}d{/}) novo or\u00e1-culo divino (53,11-12) garante que o Servo ser\u00e1 recompensado, justificar\u00e1 e atrair\u00e1 multid\u00f5es humanas. Ao narrar a paix\u00e3o de Jesus, os evangelistas tiveram presente este c\u00e2ntico; muitos dos seus pormenores parecem cumpridos na vida e morte de Jesus.

{N}54,{/}1: (1-17) O profeta descreve a Jerusal\u00e9m restaurada: a liberta\u00e7\u00e3o faz surgir a esperan\u00e7a de uma nova era. De est\u00e9ril, vi\u00fava, abandonada, desmoronada e oprimida vai passar a m\u00e3e fecunda, esposa amada, unida a Deus por alian\u00e7a, magnificamente reconstru\u00edda, livre para a paz e para a escuta do Senhor. Essa imagem ideal de uma cidade perfeita e esplendorosa \u00e9 a utopia que incentiva e orienta o desejo dos homens por uma sociedade justa e fraterna. A imagem reaparecer\u00e1 em Ap 21-22.

{N}55,{/}1) (1-5: Este cap\u00edtulo \u00e9 uma esp\u00e9cie de ep\u00edlogo (cf. o pr\u00f3logo em 40,1-11) do Segundo Isa\u00edas, que reafirma a efic\u00e1cia da Palavra de Deus e o brilho do novo \u00eaxodo. O Senhor prop\u00f5e o alimento s\u00f3lido da sua mensagem que assegura vida plena e refaz a alian\u00e7a dav\u00eddica (cf. 59,21; Jr 31,31).

{N}55,{/}6: (6-11) Jav\u00e9 tem um projecto de verdadeira realiza\u00e7\u00e3o para a Hist\u00f3ria: {C}liberdade e vida para todos{/}. Esse projecto \u00e9 revelado aos homens atrav\u00e9s da {C}Palavra{/} que, gerando acontecimentos, concretiza o projecto de Deus. A sabedoria do homem consiste em procurar Jav\u00e9, isto \u00e9, converter-se a Ele, ouvir a sua Palavra e tornar-se aliado seu na luta em prol de liberdade e vida para todos.

{N}55,{/}12: (12-13) O livro come\u00e7ou com uma consola\u00e7\u00e3o para os exilados e termina afirmando a certeza da liberta\u00e7\u00e3o. A Natureza toda participar\u00e1 da vida nova de um povo livre (cf. Rm 8,18-23).

{N}56,{/}1: (1-8) O ex\u00edlio mostrou que Jav\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 ligado exclusivamente a uma Terra e a uma na\u00e7\u00e3o. Doravante, o povo de Deus est\u00e1 aberto aos pag\u00e3os, desde que aceitem viver segundo a justi\u00e7a e o direito. Essa abertura ultrapassa as restri\u00e7\u00f5es previstas pela Lei (Dt 23,2-9) e come\u00e7a a quebrar um nacionalismo fechado.
  56-66: \u00c9 o Terceiro Isa\u00edas, profeta an\u00f3nimo que actuou em Jerusal\u00e9m, nas primeiras e dif\u00edceis d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim do ex\u00edlio (entre 537 e 520), enfrentando o des\u00e2nimo da esperan\u00e7a, devido ao atraso da reconstru\u00e7\u00e3o, o culto dos \u00eddolos, a divis\u00e3o entre irm\u00e3os (judeus) e a presen\u00e7a de estrangeiros.

{N}56,{/}9: (56,9-57,2) O or\u00e1culo, que pode ser anterior ao ex\u00edlio, toca num tema caro a Jeremias (2,8.26-27) e a Ezequiel (34): a indignidade e corrup\u00e7\u00e3o dos chefes. Os pol\u00edticos e governadores do pa\u00eds (guardas e pastores) s\u00e3o acusados pelo profeta de n\u00e3o levarem a s\u00e9rio a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o e de agirem em vista dos pr\u00f3prios interesses. Para eles, o poder \u00e9 um meio para viverem tranquilos: s\u00e3o c\u00e3es {C}mudos,{/} pois n\u00e3o defendem o interesse da na\u00e7\u00e3o; s\u00e3o c\u00e3es {C}insaci\u00e1veis,{/} porque devoram os bens p\u00fablicos para fazerem fortuna pessoal. A nova era, na qual deveria imperar o direito e a justi\u00e7a, n\u00e3o progride, pois a corrup\u00e7\u00e3o dos governantes causa a desgra\u00e7a do inocente.

{N}57,{/}3: (3-13) Um desvio sempre amea\u00e7ador em Israel foi o fasc\u00ednio dos \u00eddolos. A idolatria consiste em concentrar o objectivo da vida em institui\u00e7\u00f5es, pessoas ou coisas, a tal ponto que estas acabam por dominar a vida toda (v. 11). A idolatria \u00e9 descrita pelo profeta em termos de prostitui\u00e7\u00e3o (v. 8). Quem teme e respeita como absoluto algo que \u00e9 simples meio para ajudar o homem a viver melhor a vida, ao inv\u00e9s de encontrar seguran\u00e7a, corre ao encontro da morte (v. 9), perdendo o sentido da pr\u00f3pria vida (vv. 12-13). Quem espera em Deus, viver\u00e1 tranquilo na Terra Prometida (v. 13).

{N}57,{/}14: (14-21) An\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o aos fi\u00e9is. Antes infelizes, por causa das suas faltas (v. 17), ser\u00e3o perdoados e reencontrar\u00e3o a paz (v. 19). Deus \u00e9 o verdadeiro Transcendente: ao inv\u00e9s de Se distanciar do homem, torna-Se solid\u00e1rio do mais fraco e toma par-tido em favor do oprimido. Os fortes e opressores (\u00edmpios, v. 21) ter\u00e3o esperan\u00e7a de vida quando se converterem a Jav\u00e9.

{N}58,{/}1: (1-12) O profeta tem de interpelar os seus irm\u00e3os, tem de condenar as suas faltas (v. 1), os jejuns empreendidos para apressar a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina (vv. 2-3). Ora, o verdadeiro jejum n\u00e3o se limita a uma pr\u00e1tica isolada e exterior (vv. 3-5); implica a rejei\u00e7\u00e3o de toda a injusti\u00e7a e a entrega ao servi\u00e7o dos outros (vv. 6-7). O culto exterior pode esconder a falta de compromisso com o projecto de Deus que \u00e9 procura de direito, justi\u00e7a e fraternidade. O passo inscreve-se no pensar dos grandes profetas sobre o culto (cf. Am 5,21). Da\u00ed a sua dimens\u00e3o evang\u00e9lica (cf. Mt 25,34-40).

{N}58,{/}13: (13-14) Guardar o s\u00e1bado \u00e9 um dos desafios. Zacarias debate quest\u00f5es parecidas. N\u00e3o est\u00e1 em causa a magia de determinado dia da semana, mas sim o ritmo de trabalho e descanso que Deus prop\u00f5e ao homem, atrav\u00e9s da observ\u00e2ncia do descanso semanal. Os humanos encontram-se com Deus e, livres do trabalho e do com\u00e9rcio, podem reunir-se como iguais para partilharem juntos a vida. Sobre a pervers\u00e3o do dia de s\u00e1bado, cf. Am 8,4-6.

{N}59,{/}1: (1-21) O texto apresenta uma {C}liturgia penitencial{/} dividida em tr\u00eas partes: 1) censuras e acusa\u00e7\u00e3o dos pecados do povo (vv. 1-8); 2) reconhecimento do pecado (vv. 9-15a); 3) reconcilia\u00e7\u00e3o, que renova a alian\u00e7a de Deus com o povo (vv. 15b-21). O pano de fundo s\u00e3o as d\u00favidas dos israelitas sobre o poder de Deus que parece tardar em intervir: n\u00e3o se v\u00eaem julgamento nem justi\u00e7a divina; a sua salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe. O poema refuta tais leituras e devolve algumas culpas para o campo dos queixosos.

{N}60,{/}1: (1-22) Os cap\u00edtulos 60-62 formam uma unidade para celebrar a glorifica\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. O primeiro mergulha-nos na situa\u00e7\u00e3o enfrentada pelo profeta Ageu (Ag 2,7-9), no Outono do ano 520: a cidade sai apenas da humilha\u00e7\u00e3o, conta com o altar, mas est\u00e1 sem muralhas, sem Templo e sem popula\u00e7\u00e3o suficiente. Quando tudo isso for conseguido, ent\u00e3o haver\u00e1 paz e a gl\u00f3ria de Jav\u00e9 irradiar\u00e1 por todo o Universo. Cf. Ap 21,9-22,5.

{N}61,{/}1: (1-11) Aqui, o arauto de Deus apresenta a sua miss\u00e3o (vv. 1-4), n\u00e3o esquecendo os pobres e oprimidos. A seguir, dirige-se aos irm\u00e3os, assegurando-lhes uma viragem espectacular da sua situa\u00e7\u00e3o (vv. 5-9), o que suscita, por parte da comunidade, um c\u00e2ntico de louvor ao Deus salvador (vv. 10-11). Os estrangeiros j\u00e1 n\u00e3o ir\u00e3o explorar, mas participar\u00e3o da partilha, atrav\u00e9s do trabalho (vv. 4-5). Dessa maneira, o povo ser\u00e1 sacerdote ou ministro de Deus (v. 6), isto \u00e9, ser\u00e1 oficiante de um culto que agrada a Jav\u00e9 (cf. cap. 58). Se h\u00e1 injusti\u00e7a no pa\u00eds, exige-se convers\u00e3o; se a injusti\u00e7a vem de fora por m\u00e3o de outros, dever\u00e3o ser enfrentados. Direito e justi\u00e7a s\u00e3o o fiel da balan\u00e7a (v. 8a); atrav\u00e9s deles haver\u00e1 alegria (v. 7), fidelidade a Deus (Alian\u00e7a, v. 8b), b\u00ean\u00e7\u00e3o e reconhecimento das na\u00e7\u00f5es (v. 9): \u00e9 o ano da gra\u00e7a de Jav\u00e9.

{N}62,{/}1: (1-12) A liberta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds (Jerusal\u00e9m e terra) \u00e9 dom de Jav\u00e9, o parceiro (noivo) da Alian\u00e7a (vv. 1-5). As sentinelas da cidade gritam continuamente para que o noivo (Jav\u00e9) venha depressa desposar a noiva (Jerusal\u00e9m) e traga consigo o dote (vv. 6-7): o grande presente de Deus para um pa\u00eds aben\u00e7oado \u00e9 usufruir dos frutos do trabalho atrav\u00e9s da partilha (v. 8). Todos os povos s\u00e3o convidados a participar nos dons gratuitos de Deus, no banquete universal das n\u00fapcias de Deus com o seu povo (vv. 10-12). 

{N}63,{/}1: (1-6) Como em Is 34-35, Edom \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s que oprimiram Israel. Usando a imagem do vinhateiro com as roupas manchadas pelo sumo da uva, Jav\u00e9 \u00e9 apresentado como o vingador de Israel e traz a roupa salpicada com o sangue dos povos, sobre os quais caiu a sua vingan\u00e7a em favor de Israel. \u00c9 uma imagem forte para mostrar que o opressor dever\u00e1 ressarcir todos os danos que tiver causado \u00e0s suas v\u00edtimas. Ver a vers\u00e3o alterada e aplicada ao Messias em Ap 19,13-16.

{N}63,{/}7: (63,7-64,11) Trata-se de uma s\u00faplica em quatro partes: medita\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (63,7-14); invoca\u00e7\u00e3o a Deus Pai (63,15-19a); pedido por uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus (63,19b-64,4a); confiss\u00e3o do pecado (64,4b-11). Na sua filigrana, este salmo, aut\u00eantico pren\u00fancio do \u00abPai-Nosso\u00bb, pode datar do in\u00edcio do ex\u00edlio ou dos primeiros tempos do regresso, com os fi\u00e9is desiludidos com as demoras da reconstru\u00e7\u00e3o. No meio do sofrimento, o povo relembra o passado e dirige a sua s\u00faplica a Deus, Pai e protector de Israel, \u00fanico que pode libertar o seu filho da mis\u00e9ria. Para o povo, a liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de honra para Jav\u00e9: que Ele perdoe aos filhos humilhados e lhes reavive a esperan\u00e7a.

{N}65,{/}1: (1-7) Jav\u00e9 denuncia e amea\u00e7a o povo que, em vez de recorrer a Ele, busca as pr\u00e1ticas pag\u00e3s, correndo atr\u00e1s de \u00eddolos. A na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o invoca Deus (v. 1) e o povo rebelde (v. 2) s\u00e3o aqui o reverso do povo eleito. Paulo, em Rm 10,20-21, altera os dados, vendo na primeira o mundo pag\u00e3o que ignora Deus, e no povo rebelde os filhos de Israel.

{N}65,{/}8: (8-16) Deus \u00e9 justo: quando o povo peca, Ele n\u00e3o o destr\u00f3i totalmente, mas retribui a cada um conforme o comportamento pessoal.

{N}65,{/}17: (17-25) Em contraste com os punidos, os servos fi\u00e9is ser\u00e3o cumulados de bens: Deus ouvi-los-\u00e1 antes que falem, responder-lhes-\u00e1 antes que pe\u00e7am. Tal \u00e9 o projecto divino: eliminar a morte prematura, favorecer a vida em plenitude, dar a cada um a felicidade de saborear o que semeou e colheu, acabar com a guerra, qualquer que ela seja. Est\u00e1 aqui presente o an\u00fancio de Isa\u00edas (11,7-9) para os tempos messi\u00e2nicos. E o N.T. n\u00e3o se cansou de descobrir tra\u00e7os deste cap\u00edtulo na ac\u00e7\u00e3o de Jesus (cf. 2Pd 3,13; Ap 21,1-22,5; Fl 2,16).

{N}66,{/}1: (1-4) A divis\u00e3o da comunidade entre fi\u00e9is a encorajar e perversos a condenar condiciona todo o cap\u00edtulo. A prop\u00f3sito do Templo, ao lado de bons adoradores, outros contentam-se com a reconstru\u00e7\u00e3o do Templo e uma religi\u00e3o ritual e formalista. Todavia, esse culto pode ser apenas idol\u00e1trico, pois oferecer sacrif\u00edcios sem praticar a vontade de Deus \u00e9 como realizar ritos m\u00e1gicos.

{N}66,{/}5: (5-24) Os exilados voltaram para a sua terra e as promessas ainda n\u00e3o se cumpriram. A comunidade atravessa um per\u00edodo de des\u00e2nimo e hesita\u00e7\u00e3o; por\u00e9m, os mais firmes permanecem confiantes. O profeta confirma a sua esperan\u00e7a mediante a vis\u00e3o de um povo novo, que nasce de Jerusal\u00e9m. A salva\u00e7\u00e3o e a paz v\u00e3o chegar, pois Jav\u00e9 julga o mundo. De todos os cantos da Terra os povos v\u00eam para se reunir com Israel na adora\u00e7\u00e3o ao Deus vivo.

