{N}1,{/}1: (1-3) Cf. a Introdu\u00e7\u00e3o para os dados cronol\u00f3gicos. Anatot \u00e9 uma cidade lev\u00edtica de Benjamim, a poucos quil\u00f3metros a norte de Jerusal\u00e9m, que se tornou col\u00f3nia ass\u00edria em 722 a.C. Esta origem de Jeremias explica a dist\u00e2ncia rural do profeta e a sua informa\u00e7\u00e3o sobre o que acontecia na capital.

{N}1,{/}4: (4-10) A voca\u00e7\u00e3o de Jeremias recebe a miss\u00e3o de anunciar o esfacelamento de toda uma estrutura social, a fim de assentar os alicerces de uma nova sociedade. A miss\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil, mas Jeremias n\u00e3o deve temer, pois Jav\u00e9 est\u00e1 com ele desde h\u00e1 muito e prepara as coisas com anteced\u00eancia.
  1,4-25,38: Esta parte cont\u00e9m as profecias (or\u00e1culos e ac\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas) de Jeremias contra o reino de Jud\u00e1. \u00c9 dif\u00edcil ver com clareza as situa\u00e7\u00f5es concretas de cada or\u00e1culo, mas o tema geral \u00e9 o confronto entre Jeremias e as estruturas sociais decadentes da sua \u00e9poca.

{N}1,{/}11: (11-19) As primeiras vis\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m revela\u00e7\u00f5es que confirmam a voca\u00e7\u00e3o. O nome hebraico (shoq\u00e1d) de {C}amendoeira{/} significa \u00abvigilante\u00bb, pois \u00e9 a primeira a dar flores, como que vigiando para anunciar a Primavera. Do mesmo modo, Jav\u00e9 est\u00e1 vigilante para que a sua palavra se cumpra no tempo certo (cf. 23,29; 44,29; 51,64; Mt 5,18). A vis\u00e3o da panela indica uma invas\u00e3o vinda do Norte e que se realizar\u00e1, caso o reino de Jud\u00e1 continue obstinado em viver um projecto que n\u00e3o est\u00e1 de acordo com o de Jav\u00e9.

{N}2,{/}1: (1-19) Retomando a imagem matrimonial e a evoca\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel do deserto (cf. Os 2,4-22), Jeremias abre o libelo acusat\u00f3rio contra Israel, esposa culpada (vv. 6-8) que abandonou o Senhor (vv. 2-3), a fonte de \u00e1gua viva (v. 13), por miragens enganadoras (v. 18). Sacerdotes, pastores e profetas tamb\u00e9m tra\u00edram e foram atr\u00e1s de Baal (v. 8).
  2,1-4,4: Estes or\u00e1culos representam, no geral, o primeiro per\u00edodo da ac\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias, desde a voca\u00e7\u00e3o ao ano 605. Estava presente a queda do reino do Norte (ano 722), e empreendeu-se a reforma religiosa sob Josias (ano 621). A relativa calma de Jud\u00e1 contrasta com o teor estranho da mensagem do profeta: um ex\u00e9rcito, vindo do Norte, vai abater-se sobre Jud\u00e1 e Jerusal\u00e9m, n\u00e3o deixando qualquer esperan\u00e7a aos vencidos, a menos que se convertam a tempo. Os conterr\u00e2neos n\u00e3o acreditam; sentem-se seguros, apoiados em institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o falham. Dentre eles destaca-se o Templo secular e inviol\u00e1vel (7,4-10). Uma sondagem mostra que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 geral (5,1-6). Jeremias tem que destoar.

{N}2,{/}20: (20-25) De noiva de Jav\u00e9, Israel transformou-se em prostituta de estrangeiros. A infidelidade desenfreada do povo da alian\u00e7a provoca um feixe de imagens sugestivas e desordenadas.

{N}2,{/}26: (26-37) As autoridades de Israel praticam todo o tipo de idolatria: adoram divindades estrangeiras, colocam plena confian\u00e7a na alian\u00e7a com as grandes pot\u00eancias e oprimem o povo pobre e inocente. Ainda por cima se dizem inocentes, clamam na hora do aperto, mas n\u00e3o se convertem (v. 30).

{N}3,{/}1: (1-5) A lei de Dt 24,1-4 proibia que, ap\u00f3s o div\u00f3rcio, o marido se unisse de novo \u00e0 mulher rejeitada se ela, no entretanto, tivesse pertencido a outro homem. Jav\u00e9 divorciou-Se da sua na\u00e7\u00e3o, Israel que fora infiel e aproveitou para se prostituir com muitos amantes. Ser\u00e1 poss\u00edvel, agora, regressar a Jav\u00e9? Tudo parece irrepar\u00e1vel, mas quando o esposo tra\u00eddo \u00e9 Jav\u00e9, nada est\u00e1 definitivamente perdido.
  3,1-4,4: A palavra-chave destes or\u00e1culos \u00e9 {C}retornar,{/} {C}voltar{/}: significa tanto a volta do ex\u00edlio, quanto a volta ou convers\u00e3o para Jav\u00e9.

{N}3,{/}6: (6-13) Desde 722 a.C. que Israel j\u00e1 n\u00e3o existe como reino e muitos israelitas est\u00e3o a sofrer a amargura do ex\u00edlio. A li\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o adiantou nada a Jud\u00e1, o reino irm\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, este comete desmandos ainda maiores que os cometidos por Israel. Vive na perf\u00eddia, na infidelidade e na mentira. Jeremias nunca perdeu a esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao reino do Norte (30-31). Ezequiel (16;23) desenvolveu o tema das duas irm\u00e3s.

{N}3,{/}14: (14-18) Este or\u00e1culo \u00e9 um aditamento posterior que pressup\u00f5e a queda de Jerusal\u00e9m no ano 587 a.C. Anuncia um futuro no qual n\u00e3o s\u00f3 Jud\u00e1 e Israel, mas tamb\u00e9m todas as outras na\u00e7\u00f5es se reunir\u00e3o em Jerusal\u00e9m. Essa reuni\u00e3o simboliza a sociedade ideal a que toda a humanidade aspira: uma comunh\u00e3o de todos ao redor de um governo s\u00e1bio e justo, de tal modo que a cidade se transforma em lugar da presen\u00e7a de Jav\u00e9.

{N}3,{/}19: (3,19-4,4) O trecho \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de 3,1-5, cujo tema \u00e9 a possibilidade de convers\u00e3o para os israelitas, apesar dos desmandos cometidos. A fidelidade de Jav\u00e9 \u00e0 alian\u00e7a feita com o seu povo \u00e9 o ponto de partida para o retorno. Os passos seguintes s\u00e3o a resposta do povo \u00e0 fidelidade de Jav\u00e9: confiss\u00e3o das pr\u00f3prias culpas, reconhecimento de que Jav\u00e9 \u00e9 o \u00fanico Absoluto, e fidelidade \u00e0 alian\u00e7a atrav\u00e9s da pr\u00e1tica do direito e da justi\u00e7a. S\u00f3 assim haver\u00e1 convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, que supera at\u00e9 impedimentos jur\u00eddicos. Sobre a circuncis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, cf. Dt 10,16; 30,6; Rm 2,25-29.

{N}4,{/}5: (5-22) Apesar das advert\u00eancias do profeta, o povo de Deus n\u00e3o enveredou pela fidelidade no direito e na justi\u00e7a. Jeremias percebe que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel: a morte aproxima-se, devastadora. O inimigo, ainda n\u00e3o determinado, vem do Norte (cf. 20,4). Come\u00e7a a grande ang\u00fastia de Jeremias, que ser\u00e1 sentida em grande parte do livro: ter que anunciar a destrui\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds, que ele tanto ama (vv. 19-21). A vis\u00e3o da panela a ferver (cf. 1,13-14) come\u00e7a a tornar-se realidade.

{N}4,{/}23: (23-31) A invas\u00e3o anuncia-se e Jeremias tem pesadelos que prev\u00eaem a destrui\u00e7\u00e3o mediante o ruidoso retorno ao caos primitivo (Gn 1,2). No meio desse quadro desolador, aparece tragicamente uma prostituta que se se enfeita e apresenta como mulher prestes a dar \u00e0 luz: \u00e9 Jerusal\u00e9m que procura ainda agradar, fazer acordos com aqueles que a desprezam e est\u00e3o para a destruir. Mas ela s\u00f3 consegue gerar a morte em seu pr\u00f3prio seio.

{N}5,{/}1: (1-10) Antes de pronunciar a condena\u00e7\u00e3o final, o Senhor quer fazer um levantamento dos males que invadiram Jerusal\u00e9m; o profeta acompanha-O. N\u00e3o h\u00e1 um homem verdadeiro, que seja recto e fiel, e possa salvar a cidade (v. 1; cf. Gn 18,20-33; Is 53; 1Jo 2,1). N\u00e3o ser\u00e1 ignor\u00e2ncia dos pequenos? N\u00e3o, porque os grandes, os que t\u00eam por fun\u00e7\u00e3o instruir o povo, tamb\u00e9m se perverteram (vv. 4-5). A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. O sal perdeu o sabor, n\u00e3o tem for\u00e7a (cf. Mt 5,13).

{N}5,{/}11: (11-19) Numa situa\u00e7\u00e3o dessas, a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a voz dos profetas. Entretanto, essa voz \u00e9 rejeitada por estupidez e fanatismo. Por isso, a pr\u00f3pria voz de Jav\u00e9 n\u00e3o encontra mais eco; assim, chega-se ao fundo do abismo, com a nega\u00e7\u00e3o do \u00fanico Absoluto: \u00abJav\u00e9 n\u00e3o existe\u00bb (v. 12). Morto Jav\u00e9 nas consci\u00eancias e na sociedade, s\u00f3 resta nascer a deusa Morte. Os vv. 18-19 s\u00e3o aditamento posterior, procurando amenizar a dureza do or\u00e1culo.

{N}5,{/}20: (20-31) Depois de notar que Deus \u00e9 poderoso e interv\u00e9m no ritmo das esta\u00e7\u00f5es sem que o povo se queira aperceber da sua presen\u00e7a, Jeremias denuncia os pais da morte que est\u00e1 para nascer: os injustos, os ateus pr\u00e1ticos, que formam o grupo que se enriqueceu com o roubo, a distor\u00e7\u00e3o do direito, a opress\u00e3o aos empobrecidos. A aliena\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto que o povo acha tudo isso normal e bom.

{N}6,{/}1: (1-8) Jeremias encena dois di\u00e1logos, convidando os habitantes de Jerusal\u00e9m a fugirem (cf 4,5-6) e, por outro lado, incitando os invasores a destru\u00edrem a cidade. Os motivos da cat\u00e1strofe s\u00e3o explicitados de novo: viol\u00eancia, opress\u00e3o, ferida e sofrimento. E Jav\u00e9 ainda lan\u00e7a um \u00faltimo apelo: \u00abEmenda-te, Jerusal\u00e9m!\u00bb

{N}6,{/}9: (9-15) Agora \u00e9 entre Jav\u00e9 e o profeta que se trava o di\u00e1logo. Haver\u00e1 algu\u00e9m que possa ser perdoado? A procura torna-se in\u00fatil. Pequenos e grandes, todos merecem castigo. Os chefes, profetas e sacerdotes, enganam o povo que, extraviado, perdeu mesmo o sentido do pecado.

{N}6,{/}16: (16-26) A situa\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto que s\u00f3 uma convers\u00e3o radical poderia afastar a desgra\u00e7a (v. 16). Em vez disso, por\u00e9m, o povo limita-se a um culto formal e vazio. Por isso, o invasor chegar\u00e1 e arrasar\u00e1 completamente o pa\u00eds: \u00e9 o julgamento de Jav\u00e9.

{N}6,{/}27: (27-30) A miss\u00e3o de Jeremias \u00e9 anunciar o projecto de Jav\u00e9, confrontando-o com o procedimento mau que grassa no pa\u00eds, para o p\u00f4r \u00e0 prova, numa \u00faltima tentativa de perd\u00e3o (cf. Jm 3,5; Mt 11,21). Mas o que existe est\u00e1 de tal modo identificado com a corrup\u00e7\u00e3o que o trabalho do profeta se torna in\u00fatil.

{N}7,{/}1: (1-28) Apesar de mem\u00f3rias reconfortantes (cf. 2Rs 19,32-34; Is 37,33-35), o Templo n\u00e3o \u00e9 seguran\u00e7a infal\u00edvel e fatal; Deus pode desertar (cf. Ez 11,23). Destinados a expressar e a promover a verdadeira rela\u00e7\u00e3o com Deus e com o pr\u00f3ximo, o Templo e o sistema cultual transformaram-se em v\u00e9u que encobre injusti\u00e7as contra o pobre e o fraco (vv. 1-15). \u00c9 in\u00fatil que o profeta interceda pelo povo, que vai ser castigado, apesar das suas observ\u00e2ncias religiosas, algumas idol\u00e1tricas (vv. 16-20). O povo rejeita a vontade de Deus, revelada no Sinai; a insist\u00eancia em contr\u00e1rio, do profeta, \u00e9 ineficaz (vv. 21-28). Jav\u00e9 salva, n\u00e3o atrav\u00e9s do culto, mas mediante a pr\u00e1tica da justi\u00e7a.
  7,1-8,3: O \u00abdiscurso \u00e0 entrada do Templo\u00bb foi pronunciado no come\u00e7o do reinado de Joaquim, pelo ano 608. Escandalizou, como consta do cap. 26. Talvez tenha sido retocado para reunir os grandes temas da prega\u00e7\u00e3o do profeta.

{N}7,{/}29: (7,29-8,3) \u00c9 o or\u00e1culo mais sombrio de Jeremias. Assinala a severidade do castigo. Em Israel, como noutras na\u00e7\u00f5es, h\u00e1 testemunhos de que se faziam sacrif\u00edcios de crian\u00e7as (Lv 18,21; Dt 18,10; Jz 11,29-39; Mq 6,7). A Jav\u00e9, por\u00e9m, o Deus da vida, n\u00e3o agrada a morte das suas criaturas (cf. Gn 22; Sb 1,12ss). Jeremias mostra que o castigo ser\u00e1 uma perp\u00e9tua maldi\u00e7\u00e3o: para os antigos, n\u00e3o sepultar ou violar os restos mortais causava perdi\u00e7\u00e3o eterna. Esse castigo \u00e9 o destino tr\u00e1gico daqueles que n\u00e3o souberam respeitar a vida ou que chamaram sacrif\u00edcio \u00e0quilo que, na verdade, era assassinato. Sobre {C}Tofet,{/} cf. Jr 19,1-15.

{N}8,{/}4: (4-13) Jeremias denuncia o descalabro generalizado. O povo anda perdido e obstina-se na sua maldade. Lei e sabedoria s\u00e3o deturpadas pelos escribas ou pela actividade legislativa da corte (cf. 31,33). Pequenos e grandes buscam o lucro, sacerdotes e profetas falseiam a mensagem. Alienado, o povo afoga-se no erro, chegando mesmo a perder o sentido da verdade: os p\u00e1ssaros migradores sabem voltar ao seu lugar de origem no momento certo; o povo, por\u00e9m, desorientado, n\u00e3o encontra mais o seu caminho.
  8,4-10,25: O conjunto re\u00fane or\u00e1culos pronunciados no tempo de Joaquim, por volta do ano 605, que abarcam mais censuras aos desvios do povo, uma lamenta\u00e7\u00e3o (9,9-12; 10,17-22) e uma ora\u00e7\u00e3o final (10,23-24). O projecto de Deus visa a liberdade e a vida. Quem o abandona corre o risco de caminhar ao encontro da escravid\u00e3o e da morte.

{N}8,{/}14: (14-23) A paga pelos desmandos concretiza-se na invas\u00e3o do inimigo. Embora a tenha previsto e anunciado, Jeremias agora solidariza-se e sofre juntamente com o povo frente \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e \u00e0 queda de Jerusal\u00e9m nas m\u00e3os do inimigo.

{N}9,{/}1: (1-10) Jeremias e o pr\u00f3prio Deus (vv. 6-8) denunciam a corrup\u00e7\u00e3o que toma conta de Jerusal\u00e9m: abandonado o projecto de Deus, a verdade desaparece das rela\u00e7\u00f5es humanas, para dar lugar \u00e0 mentira e \u00e0 falsidade. Cada qual passa a viver os seus planos de gan\u00e2ncia e grandeza.

{N}9,{/}11: (11-21) O or\u00e1culo refere-se a uma campanha de Nabucodonosor na Palestina em 602 a.C. (cf. 2Rs 24,1-10). Jeremias v\u00ea a invas\u00e3o como castigo das rela\u00e7\u00f5es pervertidas dentro do reino de Jud\u00e1. Da\u00ed a dispers\u00e3o, os lamentos e o trabalho das carpideiras, porque Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente a tanto sofrimento evit\u00e1vel.

{N}9,{/}22: (22-23) A verdadeira sabedoria \u00e9 conhecer a Deus, empenhado na vida dos humanos, tecida de solidariedade, direito e justi\u00e7a.

{N}9,{/}24: (24-25) O profeta alude a uma prov\u00e1vel coliga\u00e7\u00e3o entre Jud\u00e1 e os povos vizinhos contra Nabucodonosor. Esses povos tamb\u00e9m praticavam a circuncis\u00e3o como Israel; o profeta, por\u00e9m, mostra que s\u00f3 a circuncis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o - a convers\u00e3o ao projecto de Jav\u00e9 - \u00e9 que poder\u00e1 salvar o pa\u00eds da ru\u00edna total.

{N}10,{/}1: (1-16) Tarefa importante do profeta \u00e9 discernir a idolatria que domina a sociedade. Os \u00eddolos s\u00e3o deuses fabricados pelo pr\u00f3prio homem, s\u00e3o nadas com pretens\u00e3o de absolutos. O Deus verdadeiro \u00e9 o Criador e Senhor da Hist\u00f3ria; dirige-a com o seu projecto, virado para a liberdade e a vida.

{N}10,{/}17: (17-22) O texto continua o tema do cap\u00edtulo 9: quando os chefes abandonam o projecto de Jav\u00e9, o povo desorienta-se e dispersa-se.

{N}10,{/}23: (23-25) Uma ora\u00e7\u00e3o conclui os \u00faltimos tr\u00eas cap\u00edtulos, pressupondo talvez o ex\u00edlio. A fragilidade n\u00e3o deixa aos humanos a possibilidade de escolher o caminho. A comunidade pede que Jav\u00e9 fa\u00e7a justi\u00e7a, corrigindo o seu povo com miseric\u00f3rdia e castigando as na\u00e7\u00f5es que o destru\u00edram. Est\u00e1 em causa a gl\u00f3ria de Deus cioso e vingador (cf. Sl 79, 6-7; Ez 25; Eclo 36,1-17).

{N}11,{/}1: (1-14) Esta passagem, certamente inspirada em Jeremias (vv. 9-12), \u00e9 provavelmente obra de um redactor que pertencia \u00e0 escola deuteron\u00f3mica, fundada pelo rei Josias (cf. Introdu\u00e7\u00e3o ao Deuteron\u00f3mio). A primeira parte fala sobre a descoberta do \u00abLivro da Lei\u00bb (vv. 1-8), e a segunda mostra que a renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a foi apenas superficial (vv. 9-14). De facto, o movimento foi interrompido com a morte do rei Josias em 609 a.C.
  11,1-12,6: Em 622 a.C., durante uma reforma do Templo, \u00e9 encontrado um \u00abLivro da Lei\u00bb (cf. 2Rs 22-23). Esse achado faz com que o rei Josias promova uma reforma pol\u00edtico-religiosa, visando restaurar, em todos os n\u00edveis, a alian\u00e7a com Jav\u00e9. O livro de Jeremias, por\u00e9m, mostra que, apesar de o profeta ter colaborado no movimento, a reforma parece n\u00e3o ter produzido uma convers\u00e3o profunda.

{N}11,{/}15: (15-17) Jeremias critica os frequentadores do Templo, que vivem na idolatria e s\u00f3 recorrem a Jav\u00e9 na hora do aperto. Uma f\u00e9 que n\u00e3o tem consequ\u00eancias na vida pr\u00e1tica \u00e9 uma forma de querer enganar a Deus.

{N}11,{/}18: (11,18-12,6) \u00c9 a {C}primeira das cinco confiss\u00f5es de Jeremias {/}(cf. 15,10-21; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18): Chamam-se \u00abconfiss\u00f5es\u00bb a estes di\u00e1logos \u00edntimos do profeta com Deus. Al\u00e9m de notas pessoais, integram-se na sua prega\u00e7\u00e3o e mostram quanto custa ser testemunha do Senhor. Para Jeremias, profeta mau grado seu, a sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o desabrochar duma ambi\u00e7\u00e3o pessoal; \u00e9 sim, acolhimento, mal digerido, dum imperioso chamamento divino que desinstala e lhe cria s\u00e9rios problemas. Nesta \u00abprimeira confiss\u00e3o\u00bb, Jeremias enfrenta incompreens\u00f5es e conjuras dos seus conterr\u00e2neos de Anatot (11,18-23; 12,6), ou porque a reforma que apoiara os lesava pela aboli\u00e7\u00e3o do culto local, ou porque os seus pronunciamentos prof\u00e9ticos eram radicais. Al\u00e9m disso, esta pe\u00e7a inaugura, na B\u00edblia, a interroga\u00e7\u00e3o sobre a prosperidade dos maus (12,1-6) em contraste com a pouca sorte do justo, oprimido e reduzido \u00e0 mis\u00e9ria, problema amplamente debatido em Job (30; 40,1-5; 42,1-6) e na literatura sapiencial (Sb 2-5).

{N}12,{/}7: (7-17) Este or\u00e1culo \u00e9 um eco da situa\u00e7\u00e3o no tempo do rei Joaquim, quando Nabucodonosor investiu contra Jud\u00e1 entre 602 e 598 a.C. e v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es vizinhas se aproveitaram para devastar territ\u00f3rios de Jud\u00e1 (cf. 2Rs 24,1-3). Os vv. 14-17, acrescentados mais tarde, mostram que Jav\u00e9 julgar\u00e1 as na\u00e7\u00f5es inimigas; mas dar\u00e1 possibilidade para que tamb\u00e9m elas deixem a idolatria e fa\u00e7am parte da Alian\u00e7a.

{N}13,{/}1: (1-11) Gesto ou vis\u00e3o simb\u00f3lica, esta par\u00e1bola viva evoca o destino do povo infiel ao amor: Israel, que Jav\u00e9 atara como cinto, desligou-se e foi apodrecer no contacto com a idolatria babil\u00f3nica. Para l\u00e1 ser\u00e1 exilado.

{N}13,{/}12: (12-14) Atrav\u00e9s desta imagem directa e clara, Jeremias mostra que a confus\u00e3o e a desordem tomar\u00e3o conta do pa\u00eds, como se todos estivessem embriagados.

{N}13,{/}15: (15-17) Se o povo n\u00e3o se converter, o Dia de Jav\u00e9, esperado como dia de luz e alegria, transformar-se-\u00e1 em dia de trevas e julgamento.

{N}13,{/}18: (18-19) \u00c9 uma s\u00e1tira ao rei Joaquin, deposto em 597 a.C. por Nabucodonosor e levado para o ex\u00edlio juntamente com sua m\u00e3e e grande parte do escol de Jerusal\u00e9m. Nessa \u00e9poca, o pa\u00eds de Edom aproveitou para conquistar cidades do Sul (Negueb), que pertenciam ao territ\u00f3rio de Jud\u00e1 (cf. 2Rs 24,8).

{N}13,{/}20: (20-27) Jerusal\u00e9m caiu em poder dos inimigos. Ent\u00e3o pergunta-se: \u00abPorqu\u00ea?\u00bb Jeremias responde: Porque Jerusal\u00e9m abandonou Jav\u00e9 e caiu na \u00abprostitui\u00e7\u00e3o\u00bb, isto \u00e9, na idolatria que se arraigou na vida da cidade como as manchas na pele de um animal.

{N}14,{/}1: (14,1-15,4) Este or\u00e1culo, um longo di\u00e1logo entre o profeta e o seu Deus, marcado pela liturgia da lamenta\u00e7\u00e3o (cf. Sl 74), fica bem no reinado de Joaquim. A reforma de Josias falhou e Jud\u00e1 voltou \u00e0 decad\u00eancia cultual e moral da \u00e9poca do \u00edmpio rei Manass\u00e9s (15,4). Mois\u00e9s e Samuel intercederam pelo povo em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis do passado. No presente, duas desgra\u00e7as atingem o povo: uma seca devastadora (14,2-6) e diversos ataques do inimigo (14,17-18). O povo suplica (14,7-9.19-22), Jeremias intercede (14,13-16). Mas, a resposta de Jav\u00e9 \u00e9 negativa (14,10-12): o povo abandonou o projecto divino e n\u00e3o est\u00e1 disposto a uma convers\u00e3o sincera; por isso, ter\u00e1 que sofrer as consequ\u00eancias dessa escolha (15,1-4).

{N}15,{/}5: (5-9) O or\u00e1culo refere-se certamente \u00e0 primeira invas\u00e3o de Nabucodonosor, pouco antes do cerco de Jerusal\u00e9m, em 598 a.C., Jeremias interpreta o facto como o cumprimento da senten\u00e7a de Jav\u00e9 contra a corrup\u00e7\u00e3o da sociedade em Jerusal\u00e9m. 

{N}15,{/}10: (10-21) \u00c9 a {C}segunda confiss\u00e3o de Jeremias{/}  (cf. 11,18-12,6; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18). Votado por inteiro \u00e0 escuta da Palavra e \u00e0 actividade prof\u00e9tica, s\u00f3 encontrou incompreens\u00e3o e hostilidade. Cansado, interpela Jav\u00e9: N\u00e3o ser\u00e1 Deus um regato enganador, que promete mas n\u00e3o apaga a sede (cf. Job 6,15-20)? Apesar do mal-estar, Jeremias \u00e9 reconfirmado na sua ingrata miss\u00e3o. Deus quase repete o teor original da voca\u00e7\u00e3o (comparar vv. 19-20 com 1,9.17-19) e n\u00e3o faltar\u00e1 com o seu apoio.

{N}16,{/}1: (1-13) A vida de Jeremias transforma-se num or\u00e1culo vivo, simbolizando o distanciamento de Jav\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao seu povo: termina a alian\u00e7a (aus\u00eancia de matrim\u00f3nio), e tamb\u00e9m a solidariedade na tristeza e na alegria (vig\u00edlias pelos mortos e festas matrimoniais). Quando abandona Jav\u00e9 para seguir os \u00eddolos, o povo sofre as consequ\u00eancias dessa trai\u00e7\u00e3o. Desse modo tomar\u00e1 consci\u00eancia da sua aliena\u00e7\u00e3o e descobrir\u00e1 o caminho da convers\u00e3o.

{N}16,{/}14: (14-15) Estes vers\u00edculos foram acrescentados por um redactor que procurou moderar a severidade do or\u00e1culo anterior, anunciando a reuni\u00e3o e o regresso do seu povo \u00e0 sua Terra: o novo \u00eaxodo ser\u00e1 maior que o realizado outrora no Egipto, e vai inaugurar um novo modo de confessar a f\u00e9 (cf. 23,7-8).

{N}16,{/}16: (16-18) Este trecho continua 16,1-13: como castigo da idolatria, o povo ser\u00e1 pescado e ca\u00e7ado por uma na\u00e7\u00e3o id\u00f3latra. \u00c9 o julgamento de Jav\u00e9.

{N}16,{/}19: (19-21) Tamb\u00e9m estes vers\u00edculos foram acrescentados para dar um tom mais optimista ao conjunto. Anuncia que, no futuro, as na\u00e7\u00f5es rejeitar\u00e3o os seus \u00eddolos para terem unicamente Jav\u00e9 como Deus.

{N}17,{/}1: (1-4) O profeta denuncia o pecado que j\u00e1 forma o pano de fundo da consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o) e da religi\u00e3o (altares). O povo abandonou o projecto de Deus; Deus agora vai abandonar o povo aos projectos ambiciosos das na\u00e7\u00f5es.

{N}17,{/}5: (5-13) O homem \u00e9 um ser que busca seguran\u00e7a. Onde poder\u00e1 encontr\u00e1-la? Uns procuram-na em outras pessoas (vv. 5-6), outros ainda na riqueza acumulada gra\u00e7as \u00e0 injusti\u00e7a (v. 11). S\u00e3o seguran\u00e7as falsas, e s\u00f3 trazem frustra\u00e7\u00e3o. S\u00f3 a confian\u00e7a em Deus pode levar o homem a viver e agir com tranquilidade (vv. 7-8.12-13).

{N}17,{/}14: (14-18) \u00c9 a {C}terceira confiss\u00e3o de Jeremias{/} (cf. 11,18-12,6; 15,10-21; 18,18-23; 20,7-18). O profeta, obrigado a anunciar desgra\u00e7as, sofre forte oposi\u00e7\u00e3o de todos, e \u00e9 inclusive desacreditado, pois o que ele anuncia n\u00e3o se realiza imediatamente. Diante disso, Jeremias suplica para que Jav\u00e9 fa\u00e7a justi\u00e7a, realizando aquilo que Ele pr\u00f3prio mandara anunciar. 

{N}17,{/}19: (19-27) Trata-se de um aditamento p\u00f3s-ex\u00edlico, no estilo de Neemias 13,15-22 e da sensibilidade sacerdotal de Ezequiel (20,20; 22,26; 44,24): o futuro da na\u00e7\u00e3o depende da observ\u00e2ncia ou n\u00e3o do s\u00e1bado.

{N}18,{/}1: (1-17) Na linha do realismo prof\u00e9tico, Jeremias capta e transmite o significado do que v\u00ea na olaria: tal como o oleiro \u00e9 senhor do seu material (cf. Is 29,16; Eclo 33,13), assim Deus \u00e9 soberano com os seres humanos e com os povos. A estes compete ser criaturas e seguir o projecto divino. Quem opta por abandonar a fonte a acenar aos deuses, puros nadas, exp\u00f5e-se \u00e0 derrota e ao horror, provocando assobios e meneios de cabe\u00e7a.

{N}18,{/}18: (18-23) \u00c9 a {C}quarta confiss\u00e3o de Jeremias{/} (cf. 11,18-12,6; 15,10-21; 17,14-18; 20,7-18). Os contempor\u00e2neos conjuram contra Jeremias. Que raz\u00f5es invocam? O banir essa voz inc\u00f3moda n\u00e3o afectar\u00e1 a trilogia dos chefes espirituais que j\u00e1 deu provas na Hist\u00f3ria: sacerdotes, profetas e s\u00e1bios! Jeremias esteve do lado deles (v. 20); sente-se agora alvejado e sem defesa; pede justi\u00e7a a Deus.

{N}19,{/}1: (1-15) Diante de autoridades civis e religiosas, Jeremias realiza um gesto simb\u00f3lico: faz em cacos uma bilha, mostrando o que vai acontecer ao pa\u00eds. {C}Tofet,{/} palavra hebraica que quer dizer cremat\u00f3rio, \u00e9 o nome de uma colina perto de Jerusal\u00e9m, no vale de Ben-Enom, onde havia um antigo altar de Moloc em que se ofereciam sacrif\u00edcios humanos. Esse lugar tornou-se depois dep\u00f3sito de lixo e ficou conhecido como vale da {C}Geena,{/} tomado a seguir como representa\u00e7\u00e3o do Inferno. Jeremias mostra que Jerusal\u00e9m se transformar\u00e1 em lugar de sepultura.

{N}20,{/}1: (1-6) Para executantes e espectadores, os gestos simb\u00f3licos, al\u00e9m do seu valor expressivo, comprometiam realmente o futuro. Com raz\u00e3o, a autoridade (Fassur) tenta reprimir a ac\u00e7\u00e3o do profeta. Este, por\u00e9m, volta \u00e0 ac\u00e7\u00e3o com mais veem\u00eancia ainda. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conter a palavra e ac\u00e7\u00e3o que v\u00eam de Deus.

{N}20,{/}7: (7-18) \u00c9 a {C}quinta confiss\u00e3o de Jeremias{/} (cf. 11,18-12,6; 15,10-21; 17,14-18; 18,18-23). O texto fornece um depoimento original sobre o drama do minist\u00e9rio prof\u00e9tico (vv. 7-9), imposto por Deus e cumprido fielmente, mas com enorme relut\u00e2ncia do chamado. O profeta sente-se v\u00edtima de sedu\u00e7\u00e3o e s\u00f3 n\u00e3o abandona a tarefa devido ao fogo devorador que lhe habita o \u00edntimo. Deus est\u00e1 do seu lado, presente e forte (vv. 11-13). Essa certeza, por\u00e9m, n\u00e3o o livra de ro\u00e7ar o desespero e de maldizer da sua vida (vv. 14-18, trecho que inspirou Job 3).

{N}21,{/}1: (1-10) Ap\u00f3s a primeira invas\u00e3o (597 a.C.), Nabucodonosor, rei da Babil\u00f3nia, dep\u00f5e Joaquim, rei de Jud\u00e1, e coloca Sedecias no trono, como seu vassalo. Em 598 a.C. Sedecias tenta aliar-se ao Egipto para se libertar da Babil\u00f3nia. Em 588 a.C. Nabucodonosor vem e cerca Jerusal\u00e9m. O presente or\u00e1culo deve ser lido nessa situa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 um milagre poder\u00e1 salvar Jerusal\u00e9m. Jav\u00e9 agir\u00e1 contra o seu povo: a \u00fanica maneira de conservar a vida \u00e9 entregar-se ao inimigo.

{N}21,{/}11: (21,11-22,9) O alvo \u00e9 a fam\u00edlia real, os habitantes do pal\u00e1cio. A fun\u00e7\u00e3o do poder \u00e9 defender o ideal proposto pela Alian\u00e7a: promover a justi\u00e7a e defender o direito dos pobres e oprimidos. Pervertida tal fun\u00e7\u00e3o, empenhando-se a autoridade apenas nos interesses dos privilegiados, Jav\u00e9 condena e sugere aos inimigos que a destruam.

{N}22,{/}10: (10-12) Em 609 a.C., morre em combate o rei Josias. seu filho Joacaz (ou Selum) reina apenas tr\u00eas meses e \u00e9 exilado no Egipto (cf. 2Rs 23,29-34). Jeremias diz que n\u00e3o \u00e9 por Josias que se deve chorar, mas por seu filho Joacaz, que nunca mais voltar\u00e1. 

{N}22,{/}13: (13-19) No tempo do rei Joaquim, o pa\u00eds experimenta grandes dificuldades econ\u00f3micas, pois tem que pagar pesados tributos ao fara\u00f3 Necao. Entretanto, o rei Joaquim est\u00e1 preocupado em construir um luxuoso pal\u00e1cio real, mesmo que para isso tenha que explorar os oper\u00e1rios, obrigando-os a trabalhar sem receber nada. Relembrando o rei Josias, pai de Joaquim, Jeremias mostra que a fun\u00e7\u00e3o da autoridade \u00e9 administrar a justi\u00e7a e o direito, defendendo a causa dos pobres. Por isso, a sorte do rei est\u00e1 lan\u00e7ada: \u00e9 desprezado pelo povo, que certamente n\u00e3o chorar\u00e1 a sua morte.

{N}22,{/}20: (20-23) O or\u00e1culo refere-se \u00e0 tomada de Jerusal\u00e9m em 598 a.C. (cf. 2Rs 24,10-16).

{N}22,{/}24: (24-30) O rei Conias, tamb\u00e9m chamado Jeconias ou Joaquin, reinou apenas tr\u00eas meses e foi levado como prisioneiro para Babil\u00f3nia por Nabucodonosor, em 597 a.C. (cf. 2Rs 24,8; 25,27).

{N}23,{/}1: (1-8) Ao encerrar os or\u00e1culos contra a casa de David, na pessoa dos seus \u00faltimos reis, o Senhor anuncia que vai assumir a tarefa e preparar pastores decentes (v. 4); melhor, um rebento (vv. 5-6) que se identificar\u00e1 com a sua pr\u00f3pria justi\u00e7a. Ezequiel 34 relan\u00e7a o tema.

{N}23,{/}9: (9-32) Jeremias teve de se confrontar muitas vezes com falsos profetas. N\u00e3o tinham recebido chamamento divino e, feitos com as institui\u00e7\u00f5es, exerciam essa actividade por interesse e ajeitavam as mensagens ao gosto dos destinat\u00e1rios. A convers\u00e3o - o alvo do verdadeiro profetismo (v. 22) - estava fora do seu horizonte. O desvio era grave; tinha puni\u00e7\u00e3o garantida e proporcional.

{N}23,{/}33: (33-40) Trocadilho baseado no duplo significado da palavra hebraica {C}mass\u00e1{/}: or\u00e1culo e peso ou encargo. Os ouvintes riem do profeta: \u00abN\u00e3o tens por a\u00ed um peso de Jav\u00e9?\u00bb Jeremias responde: \u00abV\u00f3s sois o peso de Jav\u00e9 que vai ser atirado para longe!\u00bb

{N}24,{/}1: (1-10) Este or\u00e1culo foi pronunciado depois da primeira deporta\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (598 a.C.). Os que ficaram em Jerusal\u00e9m, incluindo os partid\u00e1rios duma alian\u00e7a com o Egipto (v. 8), acham-se inocentes e livres de perigo pois o castigo caiu sobre os deportados. Bem se enganam. O povo do futuro prepara-se no ex\u00edlio, com todos (cf. 33,1-18).

{N}25,{/}1: (1-38) O fim do s\u00e9culo VII a.C. \u00e9 o tempo dos grandes confrontos entre os imp\u00e9rios no M\u00e9dio Oriente. A Babil\u00f3nia agiganta-se e conquista a Ass\u00edria e o Egipto. Essa onda de conquistas \u00e9 vista pelo profeta como o julgamento de Deus que atinge o seu povo e todas as na\u00e7\u00f5es. Ao fundo do t\u00fanel do castigo, aparece uma luzinha: a supremacia babil\u00f3nica n\u00e3o ultrapassar\u00e1 os 70 anos (v. 11). Os vv. 30-38 s\u00e3o um canto \u00e0 grandeza de Deus, e mostram que n\u00e3o existe compromisso entre Deus e o mal.

{N}26,{/}1: (1-24) Falando em nome de Deus, o profeta tem a coragem de criticar as institui\u00e7\u00f5es mais sagradas do seu tempo: falar contra o Templo e contra Jerusal\u00e9m era uma blasf\u00e9mia. Jeremias deixa claro que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam de m\u00e1scara quando n\u00e3o se guiam pelo projecto de Deus. O povo, as autoridades civis (v. 16) e os anci\u00e3os (vv. 17-19) fazem ent\u00e3o melhor figura do que os sacerdotes e profetas (vv. 8-9 e 11). O caso de Urias (vv. 20-23) mostra o pre\u00e7o que um profeta paga por obedecer a Deus.

{N}27,{/}1: (1-22) O rei Sedecias procura fazer alian\u00e7as com os estrangeiros para se rebelar contra a Babil\u00f3nia. Jeremias percebe que tal gesto acarretaria a destrui\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds e, nessa conjuntura, aconselha que todos se submetam ao rei da Babil\u00f3nia. \u00c9 a \u00fanica forma de sobreviver, mesmo para os exilados.

{N}28,{/}1: (1-17) Hananias \u00e9 um falso profeta que recorre \u00e0 demagogia, procurando dizer o que os ouvintes {C}gostam{/} de ouvir e n\u00e3o aquilo que o povo {C}precisa{/} de ouvir.

{N}29,{/}1: (1-32) Os exilados na Babil\u00f3nia, aquando da primeira deporta\u00e7\u00e3o, baloi\u00e7avam entre o desespero e a expectativa dum r\u00e1pido regresso \u00e0 sua terra. Havia profetas que vendiam esta ilus\u00e3o. A carta de Jeremias, redigida pouco depois de 597, adverte-os de que a nova situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 para durar: \u00e9 in\u00fatil invejar a sorte dos que ficaram (vv. 16-20); a solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 organizar a vida nessas paragens (vv. 4-7), superando o nacionalismo de curta vis\u00e3o, colaborando, intercedendo mesmo pela prosperidade do povo circundante (v. 7; cf. 1Tm 2,1-2), sem esquecer que, a seu tempo, o Senhor intervir\u00e1 (vv. 10-14 e 32). Temos aqui um primeiro esbo\u00e7o do alvar\u00e1 da di\u00e1spora judia.

{N}30,{/}1: (30,1-31,22) A semelhan\u00e7a com Is 40-55 permite dar a estes dois cap\u00edtulos (30-31) o t\u00edtulo de \u00ablivro da consola\u00e7\u00e3o\u00bb. Evocam, com efeito, o futuro maravilhoso reservado ao povo de Deus, reunido \u00e0 volta de Si\u00e3o (31,6.12), a restaura\u00e7\u00e3o dos que agora est\u00e3o dispersos e sofredores. O sofrimento \u00e9 inevit\u00e1vel e necess\u00e1rio ao povo desobediente, mas o amor divino superabunda (31,3.20.32). Os or\u00e1culos que visam o reino do Norte (Israel, Efraim), destro\u00e7ado desde 722, s\u00e3o reactualizados ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. O profeta anuncia a restaura\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a: ser\u00e1 uma nova Cria\u00e7\u00e3o (31,22) em que a mulher (Israel) cativar\u00e1 o homem (Jav\u00e9). N\u00e3o \u00e9 mais Jav\u00e9 que tentar\u00e1 seduzir o seu povo; o povo \u00e9 que procurar\u00e1 seduzir Jav\u00e9.

{N}31,{/}23: (23-40) Ap\u00f3s a queda de Jerusal\u00e9m em 586 a.C., o que Jeremias anunciava para o reino do Norte torna-se actual tamb\u00e9m para o reino do Sul. Nesse momento dif\u00edcil, o profeta descortina um futuro cheio de esperan\u00e7a: Jav\u00e9 realizar\u00e1 uma {C}alian\u00e7a nova{/} com o povo. Enquanto a alian\u00e7a antiga se apoiava numa lei externa e na sua aprendizagem, a nova (vv. 31-34) compreende a iniciativa divina em perdoar os pecados (v. 34) e a interioriza\u00e7\u00e3o dos compromissos em cada um. Todos ter\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o novo, capaz de conhecer a Deus (v. 34; cf. 1Jo 2,20.27) e de viver em fraternidade. Ap 21,1-22,5 reprop\u00f5e essa utopia de uma humanidade em que todos vivem totalmente reconciliados entre si e com Deus. Sobre a alian\u00e7a nova e eterna, ver Ez 36,25-28; Is 55,3; 59,21; 61,8; Lc 22,20; 1Cor 11,23-25.

{N}32,{/}1: (1-44) Estando Jerusal\u00e9m cercada pelo ex\u00e9rcito babil\u00f3nico (588-587) e Jeremias sob vigil\u00e2ncia apertada, no interior da cidade, o profeta \u00e9 convidado por Deus a fazer uma coisa aparentemente insensata. Um parente de Anatot vem propor-lhe a compra dum terreno sobre o qual tem direito de prefer\u00eancia. O homem de Deus aceita, paga o pre\u00e7o e assina o contrato, na devida forma, na presen\u00e7a das testemunhas requeridas por lei. Sem qualquer interesse privado, a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais uma ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica carregada de sentido prof\u00e9tico: apesar das complica\u00e7\u00f5es presentes e das amea\u00e7as sobre o futuro imediato, a promessa de Jav\u00e9 n\u00e3o falha e, a seu tempo, a vida recome\u00e7ar\u00e1 em toda a sua extens\u00e3o.

{N}33,{/}1: (1-13) Jeremias v\u00ea chegar a desgra\u00e7a. Apesar de tudo, continua a afirmar que Jav\u00e9 \u00e9 fiel aoseu amor e ao seu projecto, e refar\u00e1 a vida do seu povo.

{N}33,{/}14: (14-26) A felicidade prometida por Deus compreende o restabelecimento definitivo da realeza de David e do sacerd\u00f3cio lev\u00edtico (vv. 14-22), bem como a elei\u00e7\u00e3o do povo e da descend\u00eancia dav\u00eddica (vv. 23-26).

{N}34,{/}1: (1-7) Estamos em 587 a.C. e o ex\u00e9rcito de Nabucodonosor devasta a Palestina; Sedecias, rei de Jud\u00e1, tenta revoltar-se contra o rei da Babil\u00f3nia. Jeremias considera isso uma temeridade: a \u00fanica forma de sobreviver, nesse momento hist\u00f3rico, \u00e9 submeter-se ao rei da Babil\u00f3nia.

{N}34,{/}8: (8-22) O epis\u00f3dio deu-se durante a interrup\u00e7\u00e3o do cerco \u00e0 cidade (vv. 21-22). Toda a gente que possu\u00eda escravos (v. 19), libertara-os de acordo com a prescri\u00e7\u00e3o deuteron\u00f3mica, em cerim\u00f3nia p\u00fablica. Mal o ex\u00e9rcito inimigo deixou a cidade para ir ao encontro dos eg\u00edpcios, os implicados acharam-se livres de perigo e voltam atr\u00e1s, sujeitando de novo os que haviam sido libertados. Para Jeremias, isso \u00e9 uma falsidade para com Jav\u00e9 e os irm\u00e3os: um povo que n\u00e3o \u00e9 capaz de instaurar a liberdade em suas pr\u00f3prias fronteiras, acabar\u00e1 por ser escravo de outro povo. Sobre a lei da liberta\u00e7\u00e3o de escravos, cf. nota em Dt 15,12-18.

{N}35,{/}1: (1-19) O sugestivo di\u00e1logo entre Jeremias e os recabitas equivale a uma ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, condenando a infidelidade de Jud\u00e1. O grupo recabita, apegado \u00e0 religi\u00e3o do deserto (cf. Os 2,16), hostil \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o cananeia e urbana, \u00e9 al\u00e9rgico \u00e0s culturas, nomeadamente da vinha (cf. 2Rs 10,15-16); viu-se impelido a procurar ref\u00fagio na capital, mas mant\u00e9m-se fiel \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e normas recebidas dos antepassados (vv. 8-11). Pelo contr\u00e1rio, Jud\u00e1 n\u00e3o \u00e9 capaz de ser fiel \u00e0s ordens dadas por Jav\u00e9.

{N}36,{/}1: (1-32) Em 605 a.C., o rei Joaquim acaba de se submeter a Nabucodonosor e sente-se seguro. Jeremias, impedido de falar publicamente, recorre \u00e0 palavra escrita, atrav\u00e9s do seu secret\u00e1rio Baruc. O texto mostra que a palavra prof\u00e9tica n\u00e3o fica aprisionada: chega ao povo, vai at\u00e9 \u00e0s autoridades e questiona profundamente. As autoridades podem rasgar e queimar essa palavra, mas n\u00e3o conseguir\u00e3o anular a ac\u00e7\u00e3o de Deus que ela anuncia.

{N}37,{/}1: (1-21) O texto refere acontecimentos de 587 a.C.: o ex\u00e9rcito babil\u00f3nico cerca Jerusal\u00e9m, mas \u00e9 obrigado a retirar-se diante de uma investida do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio comandado pelo Fara\u00f3 Hofra. Jeremias fora preso por um grupo nacionalista; este n\u00e3o aceitava o realismo pol\u00edtico do profeta, que via a submiss\u00e3o a Nabucodonosor como \u00fanica sa\u00edda. Interrogado pelo rei, Jeremias desafia os falsos profetas e confirma a sua pr\u00f3pria convic\u00e7\u00e3o: Jerusal\u00e9m n\u00e3o escapar\u00e1 \u00e0 domina\u00e7\u00e3o babil\u00f3nica.

{N}38,{/}1: (1-13) O profeta n\u00e3o se cala, apesar de todas as tentativas para o isolar. Preso entre os soldados, ele come\u00e7a a desencoraj\u00e1-los da luta e continua a anunciar a certeza de que Jerusal\u00e9m cair\u00e1 em poder da Babil\u00f3nia. \u00c9 descido ao fundo duma cisterna e de l\u00e1 guindado, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o dum eunuco estrangeiro, Ebed-Melec (vv. 7-13).

{N}38,{/}14: (14-28) Num \u00faltimo encontro com Jeremias, o rei Sedecias est\u00e1 dividido entre o respeito pelo profeta e a press\u00e3o dos grupos nacionalistas que querem a todo custo resistir ao ataque babil\u00f3nico. O rei procura uma solu\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria, mas Jeremias declara-a invi\u00e1vel.

{N}39,{/}1: (1-18) Jerusal\u00e9m foi cercada em 587 a.C., e caiu nas m\u00e3os do ex\u00e9rcito babil\u00f3nico em 586 a.C. A palavra de Jeremias cumpriu-se: a cidade foi incendiada, as fortalezas destru\u00eddas e o escol da popula\u00e7\u00e3o foi exilado.

{N}40,{/}1: (1-6) O antinacionalismo de Jeremias valeu-lhe a simpatia do conquistador. O profeta, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 oportunista e escolhe permanecer no meio do seu povo.

{N}40,{/}7: (7-12) Nomeado governador pelos babil\u00f3nios, o judeu Godolias procura reorganizar a vida dos pobres e demais pessoas que permaneceram em Jud\u00e1.

{N}40,{/}13: (40,13-41,18) O sucesso de Godolias atrai a rivalidade de um grupo nacionalista remanescente, que age com fanatismo, matando o governador. Era precisamente contra esse nacionalismo inconsequente que Jeremias sempre se batera.

{N}42,{/}1: (42,1-43,13) Devido aos acontecimentos em Jud\u00e1 (cf. nota anterior), os chefes temem repres\u00e1lias dos babil\u00f3nios e planeiam fugir para o Egipto. Antes disso, consultam Jeremias para ver qual \u00e9 a vontade de Jav\u00e9. Jeremias \u00e9 claro: o povo deve permanecer na sua terra, servindo o rei da Babil\u00f3nia. Apesar do seu realismo pol\u00edtico, mais uma vez o profeta n\u00e3o \u00e9 ouvido.

{N}44,{/}1: (1-30) Um grupo de judeus refugia-se no Egipto, buscando seguran\u00e7a contra a Babil\u00f3nia. Jeremias, por\u00e9m, deixa claro que essa seguran\u00e7a n\u00e3o existe: o rei da Babil\u00f3nia vir\u00e1 e arrasar\u00e1 tamb\u00e9m o Egipto.

{N}45,{/}1: (1-5) Este or\u00e1culo pessoal a Baruc, muito parecido com os endere\u00e7ados a Sedecias (34,1-7) e a Ebed-Melec (39,15-18), ficaria melhor na mesma \u00e9poca (588-586) do que no ano 605 (v. 1). \u00c9 uma esp\u00e9cie de assinatura abonat\u00f3ria do secret\u00e1rio do profeta, certamente respons\u00e1vel pelos fragmentos biogr\u00e1ficos dos cap\u00edtulos 26-44. Se Baruc alimentara aspira\u00e7\u00f5es de subir na carreira (v. 5; cf. 34,3), tudo estava acabado agora; j\u00e1 n\u00e3o era pouco ainda estar vivo. O passo \u00e9 uma preciosa s\u00edntese do zelo de Jeremias: em tempo de caos nacional, com dificuldades a aflu\u00edrem de todos os lados, o grande dom de Deus ao seu povo era mant\u00ea-lo vivo. Nesses transes, \u00e9 in\u00fatil resistir, n\u00e3o adianta fugir, menos ainda sonhar. A simples vida \u00e9 um dom inestim\u00e1vel de Deus.

{N}46,{/}1: (1-12) Na luta pela hegemonia no Pr\u00f3ximo Oriente, a decadente Ass\u00edria faz apelo ao Egipto contra a Babil\u00f3nia que emerge. As tropas do Fara\u00f3 Necao sobem pela Palestina, vencem Josias em Meguido (2Rs 23,29-30) e fracassam frente ao ex\u00e9rcito de Nabucodonosor, em Carquemis, Noroeste da Mesopot\u00e2mia, no ano 605 a.C. O Egipto foi humilhado.
  46,1-51,64: Colect\u00e2nea de or\u00e1culos dirigidos \u00e0s na\u00e7\u00f5es. Os mais antigos constavam certamente do rolo ditado em 605. O conjunto foi introduzido em 25,13-38, onde aparece uma lista de na\u00e7\u00f5es que abarca os quatro pontos cardeais, com alguma mira teol\u00f3gica: p\u00f4r em destaque a dimens\u00e3o universal da ac\u00e7\u00e3o de Deus sobre os povos. Na vis\u00e3o prof\u00e9tica, Jav\u00e9, o Deus do povo eleito, \u00e9 igualmente Rei e Juiz de toda a Hist\u00f3ria. Dirige os acontecimentos em vista da realiza\u00e7\u00e3o do seu projecto. Para tanto, move as na\u00e7\u00f5es como instrumentos e colaboradores, contando com a sua entrega fiel. Em caso de orgulho ou auto-sufici\u00eancia pertinaz, deixa de contar com elas.

{N}46,{/}13: (13-26) O texto refere-se \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o de Nabucodonosor contra o Egipto em 568 a.C.: isso n\u00e3o representou uma conquista, mas provocou alarme no pa\u00eds (cf. 43,12-13). Para Jeremias, tal acontecimento mostra a supremacia de Jav\u00e9 sobre as divindades eg\u00edpcias (vv. 15.25).

{N}46,{/}27: (27-28) Outro redactor, mais tarde, repete Jr 30,10-11, para mostrar que os judeus sofrer\u00e3o com a cat\u00e1strofe do Egipto, sem que o facto atrase a sua pr\u00f3pria restaura\u00e7\u00e3o.

{N}47,{/}1: (1-7) O or\u00e1culo \u00e9 posterior ao ano 605 a.C. No passado, os filisteus eram os inimigos tradicionais de Israel (cf. Js 13,2-3).

{N}48,{/}1: (1-47) Este longo julgamento contra Moab mostra que Israel guardou bem na mem\u00f3ria o ataque que os moabitas, por ordem dos babil\u00f3nios, fizeram contra Jud\u00e1 em 597 a.C. (cf. 2Rs 24,2).

{N}49,{/}1: (1-6) Amon \u00e9 irm\u00e3o e advers\u00e1rio de Israel (cf. Gn 19,38; 2Rs 24,2). O seu grande erro foi ocupar o territ\u00f3rio da tribo de Gad (cf. Js 13,24-28). 

{N}49,{/}7: (7-22) Edom era formado pelos distritos de Tem\u00e3 e Dad\u00e3, situados nas montanhas e, por isso, considerados invenc\u00edveis. Rival de Israel desde o in\u00edcio, Edom tornou-se particularmente odioso quando atacou Jud\u00e1 por ocasi\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Introdu\u00e7\u00e3o e notas de Abdias). 

{N}49,{/}23: (23-27) Este or\u00e1culo talvez esteja relacionado com o p\u00e2nico de Damasco pela tomada de Carquemis pelos babil\u00f3nios em 605 a.C., quando os eg\u00edpcios foram derrotados. Na \u00e9poca, Damasco era possess\u00e3o eg\u00edpcia.

{N}49,{/}28: (28-33) Hasor \u00e9 um nome dado aos \u00e1rabes semi-sedent\u00e1rios, instalados com seus rebanhos em povoados de tendas \u00e0 beira do deserto. O nome Cedar significa \u00abescuro\u00bb e evoca provavelmente a cor das tendas.

{N}49,{/}34: (34-39) Elam \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o famosa por causa dos seus arqueiros. N\u00e3o \u00e9 propriamente na\u00e7\u00e3o inimiga de Israel; os judeus exilados talvez tenham sofrido por causa da hostilidade que havia entre Elam e a Babil\u00f3nia.

{N}50,{/}1: (50,1-51,64) Dois grandes cap\u00edtulos de or\u00e1culos visando a Babil\u00f3nia encerram esta sec\u00e7\u00e3o. Na sua variedade e riqueza liter\u00e1rias, dois temas s\u00e3o repetidamente articulados: a queda da Babil\u00f3nia e a salva\u00e7\u00e3o do Israel disperso. Jeremias sempre considerou a Babil\u00f3nia como instrumento de Deus e sabia que, cedo ou tarde, ela perderia o seu dom\u00ednio. O texto deixa entrever sinais de decl\u00ednio da grande pot\u00eancia. Como Babil\u00f3nia, todas as na\u00e7\u00f5es opressoras t\u00eam os seus dias contados na Hist\u00f3ria, pois o projecto de Deus \u00e9 libertar todos os explorados e oprimidos.

{N}52,{/}1: (1-34) Este ap\u00eandice (decalcado sobre 2Rs 24,11-20; 25,1-21.27-30; Jr 39,1-7) foi acrescentado ao livro para mostrar que o profeta Jeremias estava certo quando anunciava a total submiss\u00e3o de Jud\u00e1 aos babil\u00f3nios. Para os judeus, a regalia dada ao rei Joaquim no ex\u00edlio talvez pudesse significar uma esperan\u00e7a de liberta\u00e7\u00e3o para o povo todo.

