{N}1,{/}1: A apresenta\u00e7\u00e3o do profeta \u00e9 feita de maneira breve, sem nenhuma refer\u00eancia cronol\u00f3gica; os factos se encarregar\u00e3o de desvendar as datas. Aqui, basta indicar a origem de Naum, sem deixar passar o significado do seu nome: consola\u00e7\u00e3o, reconforto. Elc\u00f3s \u00e9, provavelmente, uma cidadezinha de Jud\u00e1. N\u00ednive \u00e9 a capital da Ass\u00edria, uma das grandes da \u00e9poca.

{N}1,{/}2: (2-8) Este salmo celebra a base profunda em que se apoia a mensagem de consola\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a dirigida aos oprimidos: Deus \u00e9 Todo-poderoso, soberano a quem ningu\u00e9m resiste. Jav\u00e9 \u00e9 terr\u00edvel e vingador, sem ser mesquinho nem ego\u00edsta. Ai dos advers\u00e1rios que espezinham os seus servidores, em especial os mais fracos (cf. Dt 32,35-36; Sl 94)! O mesmo Deus tamb\u00e9m \u00e9 bondoso e sol\u00edcito (v. 7). E o v. 8 aproxima-nos do concreto: a cidade que merece ser arrasada.
  1,2-2,3: Enquanto o leigo fica \u00e0 superf\u00edcie dos acontecimentos, o fiel l\u00ea os factos \u00e0 luz de Deus: eles entram na realiza\u00e7\u00e3o do projecto de Deus. Deus projecta vida e liberdade e, ao mesmo tempo, destr\u00f3i tudo aquilo que provoca morte e escravid\u00e3o. \u00c9 por isso que Naum v\u00ea Deus como destruidor de N\u00ednive, capital da Ass\u00edria, a grande pot\u00eancia opressora da \u00e9poca. Antes de relatar os factos, o profeta apresenta Jav\u00e9 como Senhor do Mundo e da Hist\u00f3ria.

{N}1,{/}9: (9-14) Jav\u00e9, Senhor do Universo, tamb\u00e9m \u00e9 Senhor da Hist\u00f3ria; como tal, dirige os acontecimentos. Aqui, ergue-Se como juiz interpelando, ora o seu povo oprimido, ora a Ass\u00edria, encarna\u00e7\u00e3o concreta do poder opressor. Assim, \u00e9 for\u00e7a de liberta\u00e7\u00e3o (\u00ab\u00e9 bom\u00bb) e, por outro lado, for\u00e7a de aniquila\u00e7\u00e3o (\u00abvingador e cheio de ira\u00bb). N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil delimitar as v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es; mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o v. 14 visa N\u00ednive e o seu rei, talvez Assurban\u00edpal (668-630), cuja dinastia n\u00e3o foi al\u00e9m dos seus dois filhos.

{N}2,{/}1: (1-3) Naum evoca o mensageiro da boa nova, o \u00abevangelista\u00bb que anuncia a paz ao oprimido, porque o opressor, o \u00abin\u00edquo e infernal\u00bb foi derrubado. Come\u00e7a uma nova era: Jav\u00e9 vai restaurar o reino do Sul (Jud\u00e1) e o do Norte (Israel); este fora destru\u00eddo pela Ass\u00edria em 722 a.C. O profeta imagina talvez a reunifica\u00e7\u00e3o de todo o povo, tendo como capital Jerusal\u00e9m. A imagem do v. 1 aprofunda-se em Is 52,7 e acompanha o advento da salva\u00e7\u00e3o.

{N}2,{/}2: (2-4-11) Em mural de extraordin\u00e1ria beleza, Naum pinta o assalto, a confus\u00e3o e tomada de N\u00ednive. O facto aconteceu no ano 612 a.C. A grande capital n\u00e3o resistiu aos ataques do novo poder medo e babil\u00f3nico; cedeu porque \u00abJav\u00e9 estava contra\u00bb (v. 14).
  2,2-3,19: O profeta descreve de modo cinematogr\u00e1fico a queda de N\u00ednive. Para os opressores, tudo \u00e9 luto, lamenta\u00e7\u00e3o, ru\u00edna; para os oprimidos, a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 princ\u00edpio de liberta\u00e7\u00e3o e, portanto, de festa, alegria e restaura\u00e7\u00e3o. O Deus do Universo e da Hist\u00f3ria destr\u00f3i a cidade que era s\u00edmbolo de perenidade, estabilidade e firmeza. Jav\u00e9 realiza a invers\u00e3o desse modo de conceber a Hist\u00f3ria, fazendo de N\u00ednive um caso exemplar (3,6). O Magnificat exprime, com clareza e brevidade, esse agir de Deus. \u00abEle derruba do trono os poderosos e eleva os humildes\u00bb (Lc 1,5).

{N}2,{/}12: (12-14) N\u00ednive \u00e9 descrita como toca de le\u00f5es, como a grande predadora da terra. De facto, os pr\u00edncipes e ex\u00e9rcitos da Ass\u00edria tinham como emblema o le\u00e3o.

{N}3,{/}1: (1-7) Agora s\u00e3o descritos os \u00faltimos instantes de N\u00ednive: ela ser\u00e1 castigada como mulher ad\u00faltera inveterada nos costumes e na pol\u00edtica. O seu agir entre os povos era de sedu\u00e7\u00e3o e magia, fazendo com que todos aceitassem a sua corrup\u00e7\u00e3o. 

{N}3,{/}8: (8-11) N\u00ednive, capital da Ass\u00edria, ter\u00e1 a mesma sorte que Tebas, capital do Egipto, que ela havia saqueado no ano 667 e demolido em 663 a.C. Assim como Tebas era considerada indestrut\u00edvel e foi arrasada, o mesmo acontecer\u00e1 com N\u00ednive. A hist\u00f3ria dos poderosos \u00e9 uma longa sucess\u00e3o de imp\u00e9rios que se devoram entre si.

{N}3,{/}12: (12-15) N\u00ednive est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o desesperadora, sem nenhuma esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o. O tom \u00e9 sarc\u00e1stico e explora o descuido dos respons\u00e1veis na prepara\u00e7\u00e3o da defesa.

{N}3,{/}16: (16-17) A riqueza de N\u00ednive repousava sobre a multid\u00e3o de funcion\u00e1rios que recolhiam tributos das na\u00e7\u00f5es dominadas, e sobre os comerciantes que arrebanhavam para a Ass\u00edria tudo o que havia de melhor nos outros pa\u00edses. Com a sua ru\u00edna, tamb\u00e9m desaparece essa longa m\u00e3o do poder ass\u00edrio.

{N}3,{/}18: (18-19) A ironia deste canto f\u00fanebre mostra como o dom\u00ednio da Ass\u00edria era odiado por todos. O terror do mundo entrou em agonia. Na triste sorte, ainda v\u00ea a sua pr\u00f3pria derrota festejada ruidosamente pelos oprimidos.

