{N}1,{/}1: Sofonias exerce a sua actividade pouco antes de Jeremias. Sobre a situa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, cf. Introdu\u00e7\u00e3o. 

{N}1,{/}2: (2-3) Corrompendo-se, o homem \u00e9 solid\u00e1rio com toda a Cria\u00e7\u00e3o. Por isso, o julgamento de Deus \u00e9 universal, atingindo todas as criaturas.
  1,2-2,3: A perspectiva do Dia de Jav\u00e9 domina todos os or\u00e1culos, nos quais Deus denuncia a infidelidade do seu povo. \u00abDia de Jav\u00e9\u00bb \u00e9 express\u00e3o para indicar uma grandiosa interven\u00e7\u00e3o de Deus em favor do seu povo, talvez por ocasi\u00e3o de alguma dificuldade, como talvez uma invas\u00e3o estrangeira. Anunciando, por\u00e9m, que o Dia de Jav\u00e9 n\u00e3o ser\u00e1 de vit\u00f3ria e alegria, Sofonias apresenta-o como grandiosa liturgia cruenta, em que o pr\u00f3prio Deus ser\u00e1 o oficiante.

{N}1,{/}4: (4-7) Sofonias denuncia a corrup\u00e7\u00e3o existente em Jerusal\u00e9m: uns adoram divindades da natureza (Baal) e os astros; outros misturam o culto de Jav\u00e9 com o culto a Melcom, deus dos amonitas, ao qual provavelmente se ofereciam sacrif\u00edcios humanos; outros ainda s\u00e3o completamente indiferentes. Para o povo eleito, a situa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o grave que o profeta anuncia a destrui\u00e7\u00e3o total, um julgamento que se apresenta como grande sacrif\u00edcio, no qual os pr\u00f3prios id\u00f3latras ser\u00e3o as v\u00edtimas.

{N}1,{/}8: (8-9) Agora os acusados s\u00e3o os altos funcion\u00e1rios da sociedade; os pr\u00edncipes e ministros vivem no luxo, adoptam modas e cultos estrangeiros (cf. 2Mc 4,13-14); os sacerdotes observam costumes pag\u00e3os supersticiosos (\u00absaltam a soleira da porta do Templo\u00bb), mas n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos de l\u00e1 introduzir a explora\u00e7\u00e3o e a fraude. 

{N}1,{/}10: (10-11) No dia do julgamento, Jerusal\u00e9m ser\u00e1 destru\u00edda. Ningu\u00e9m conseguir\u00e1 escapar, nem sequer os mais solidamente instalados (v. 18), como os comerciantes e cambistas.

{N}1,{/}12: (12-13) S\u00e3o denunciados aqueles que se acomodam no bem-estar, entregues \u00e0 seguran\u00e7a do dinheiro, como se o Senhor n\u00e3o fosse um Deus {C}vivo,{/} acompanhante activo na Hist\u00f3ria de Israel. Ter\u00e3o a sorte prevista na maldi\u00e7\u00e3o do Dt 28,30.

{N}1,{/}14: (14-18) Esperava-se que o Dia de Jav\u00e9 fosse de interven\u00e7\u00e3o que traria vit\u00f3ria e alegria. Sofonias, por\u00e9m, mostra que ser\u00e1 um dia terr\u00edvel, pois Jav\u00e9 intervir\u00e1, sim, mas para julgar o pecado, em Jerusal\u00e9m e no mundo inteiro.

{N}2,{/}1: (1-3) O julgamento ser\u00e1 uma destrui\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel? N\u00e3o! diz o profeta. Ser\u00e1 um momento grave de chamada \u00e0 convers\u00e3o. Os ricos e senhores de si s\u00e3o intimados a converter-se (vv. 1-2). Os pobres e humildes s\u00e3o convidados a confiar em Jav\u00e9, a praticar a justi\u00e7a, a viver na humildade. Quem sabe se n\u00e3o ser\u00e3o o n\u00facleo de uma sociedade nova! Est\u00e1 aqui presente a dimens\u00e3o espiritual da pobreza ({C}anawa'{/}): despojamento de si mesmo e entrega confiante \u00e0 iniciativa divina.

{N}2,{/}4: (4-7) As cidades filisteias s\u00e3o tradicionais inimigas de Jud\u00e1. Elas ser\u00e3o destru\u00eddas em favor do \u00abresto\u00bb, como prev\u00eaem frequentemente os profetas. 
  2,4-15: Sofonias lan\u00e7a o julgamento sobre as na\u00e7\u00f5es que oprimiram Jud\u00e1 e se apropriaram de territ\u00f3rios que, por direito, pertencem ao resto, isto \u00e9, aos pobres, que s\u00e3o os herdeiros da Terra Prometida. 

{N}2,{/}8: (8-11) Amon e Moab, a Leste de Jud\u00e1, foram traidores em momentos dif\u00edceis. Por isso, ter\u00e3o o mesmo destino que Sodoma e Gomorra (cf. Gn 19,23-28); os seus territ\u00f3rios pertencer\u00e3o ao \u00abresto\u00bb fiel a Jav\u00e9.

{N}2,{/}12: (12-15) Na \u00e9poca de Sofonias, o Egipto est\u00e1 sob a domina\u00e7\u00e3o dos et\u00edopes. Portanto, \u00e9 contra o Egipto que o profeta lan\u00e7a esta amea\u00e7a. Nesse tempo, o imp\u00e9rio ass\u00edrio ainda \u00e9 senhor do M\u00e9dio Oriente; mas a sua decad\u00eancia est\u00e1 pr\u00f3xima. 

{N}3,{/}1: (1-5) Quem traiu a Alian\u00e7a foi o conjunto dos mais respons\u00e1veis em Jerusal\u00e9m: chefes, ju\u00edzes, profetas e sacerdotes. Por conseguinte, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais justi\u00e7a e o direito \u00e9 causa de mofa, n\u00e3o h\u00e1 respeito pelo pr\u00f3ximo. A infidelidade a Jav\u00e9 manifesta-se pela decad\u00eancia moral e social.

{N}3,{/}6: (6-8) A ru\u00edna das na\u00e7\u00f5es deveria servir de li\u00e7\u00e3o para Jerusal\u00e9m aprender que Jav\u00e9 julga com severidade as injusti\u00e7as e opress\u00f5es. Mas aconteceu justamente o contr\u00e1rio: dentro da cidade santa a corrup\u00e7\u00e3o aumentou cada vez mais. Toca-lhe, por isso, a triste sorte das outras na\u00e7\u00f5es.

{N}3,{/}9: (9-10) Ao julgar o pr\u00f3prio povo, Jav\u00e9 mostra-Se digno Senhor da Hist\u00f3ria, facto que tem eco junto dos outros povos. O an\u00fancio da convers\u00e3o das na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s inspira-se no Livro da Consola\u00e7\u00e3o (Is 40,55) e data provavelmente do p\u00f3s-ex\u00edlio.
  3,9-20: Apesar da terr\u00edvel perspectiva do Dia de Jav\u00e9, Sofonias anuncia tamb\u00e9m a esperan\u00e7a mediante promessas de reabilita\u00e7\u00e3o; Jav\u00e9 salvar\u00e1 e reunir\u00e1 novamente o seu povo, a partir de um \u00abresto\u00bb pobre e fiel. O projecto de Deus \u00e9 sempre a vida. O livro encerra com o j\u00fabilo e a dan\u00e7a da cidade em festa.

{N}3,{/}11: (11-13) O centro do projecto de Deus \u00e9 a alian\u00e7a com o povo pobre e fiel, germe de uma nova sociedade. Negativamente, ser pobre e fiel significa deixar a soberba e o orgulho, que levam o homem a contar s\u00f3 consigo e a praticar a injusti\u00e7a e a mentira; positivamente, significa abrir-se a Deus, praticando a justi\u00e7a e a verdade. O ideal de pobreza, de que fala Sofonias, n\u00e3o \u00e9 a mis\u00e9ria material, mas a abertura ao projecto de Deus, que traz vida e liberdade ao homem.

{N}3,{/}14: (14-18) Este trecho foi acrescentado no p\u00f3s-ex\u00edlio. Depois de terem voltado da Babil\u00f3nia, os judeus iniciaram a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. O autor v\u00ea nessa obra o perd\u00e3o dos pecados anteriores e o in\u00edcio de uma nova era para Israel.

{N}3,{/}18: (18b-20) O ex\u00edlio foi para Israel uma puni\u00e7\u00e3o pelo pecado; puni\u00e7\u00e3o que o envergonhou perante as outras na\u00e7\u00f5es. Jav\u00e9, por\u00e9m, libert\u00e1-lo-\u00e1 e reuni-lo-\u00e1 novamente, restituindo-lhe assim o bom nome a que tem direito.

