{N}1,{/}1: Mais do que autor, Salom\u00e3o \u00e9 propriamente o patrono da literatura sapiencial.

{N}1,{/}2: (2-4) O poema come\u00e7a repentinamente, no impulso da paix\u00e3o. Aqui se esbo\u00e7am os temas que ser\u00e3o desenvolvidos depois: a mulher, o homem, o corpo, a embriaguez do amor, o desejo, a posse, a contempla\u00e7\u00e3o. 

{N}1,{/}5: (1,5-2,7) Com imagens tiradas de ambiente agr\u00e1rio e pastoril, os namorados apresentam-se e elogiam-se mutuamente.

{N}2,{/}8: (8-17) Ap\u00f3s uma aus\u00eancia sentida como Inverno, o amado procura a amada, despertando, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece na Natureza com a chegada da Primavera, toda a vida e beleza do amor.

{N}3,{/}1: (1-5) A noite solit\u00e1ria faz sentir a aus\u00eancia do amado e desperta a ansiedade da procura. Ela n\u00e3o descansa, pergunta por ele aos guardas nocturnos da cidade (v. 3), n\u00e3o se importando da sua reputa\u00e7\u00e3o (5,7), at\u00e9 o encontrar.

{N}3,{/}6: (6-11) O coro descreve o cortejo em que a amada leva o amado para a casa de sua m\u00e3e. No C\u00e2ntico, os namorados s\u00e3o chamados e tratados por rei e rainha.

{N}4,{/}1: (4,1-5,1) Ap\u00f3s o cortejo nupcial, um canto de amor do esposo exalta o fasc\u00ednio e esplendor do corpo feminino, express\u00e3o da beleza espiritual e corporal, interior e f\u00edsica. A noiva aparece velada (4,1) e s\u00f3 no quarto nupcial retira o v\u00e9u; vem perfumada com aromas de origem estrangeira (v. 14); \u00e9 rom\u00e3 aberta e encarnada (v. 3; 6,7); \u00e9 \u00abminha irm\u00e3\u00bb, por influ\u00eancia eg\u00edpcia (cf. Gn 12,13) ou pelas conota\u00e7\u00f5es do termo: vizinha, amiga, amada.

{N}5,{/}2: (5,2-6,3) At\u00e9 agora, ela sonhava, dormia; aqui, acorda porque ele est\u00e1 prestes a chegar. A aus\u00eancia do amado introduz a busca e leva \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o da beleza masculina. O tema encerra com a alegria do reencontro.

{N}6,{/}4: (4-12) Novo elogio da beleza feminina. O amor transforma a pessoa amada em \u00fanica e incompar\u00e1vel. Mais do que princesa, a sua beleza ro\u00e7a de perto os matizes divinos.

{N}7,{/}1: (1-10) Dan\u00e7ando entre dois coros, a esposa \u00e9 admirada pelo amado, que faz nova descri\u00e7\u00e3o da beleza feminina, at\u00e9 ao \u00eaxtase do beijo.

{N}7,{/}11: (7,11-8,4) Envolvimento amoroso progressivo: da vinha para a rua e da rua at\u00e9 \u00e0 casa da m\u00e3e, a fim de consumar o amor, que n\u00e3o deve ser for\u00e7ado. A natureza e a mulher amada est\u00e3o entrela\u00e7adas na mesma evoca\u00e7\u00e3o descritiva.

{N}8,{/}5: (5-7) \u00c9 o cume do livro. O amor \u00e9 mist\u00e9rio insond\u00e1vel e indestru\u00edvel que une duas pessoas, superando mesmo a barreira da morte. O amor n\u00e3o pode ser comprado porque \u00e9 o dom supremo que Deus faz \u00e0 humanidade. Como diz Jo\u00e3o, "o amor vem de Deus... porque Deus \u00e9 amor'' (1Jo 4,7-8).

{N}8,{/}8: (8-14) Aditamentos posteriores. O primeiro canto \u00e9 dos irm\u00e3os tutores da irm\u00e3. Segue a resposta da irm\u00e3, dispensando qualquer protec\u00e7\u00e3o. Anote-se a paz como bem m\u00fatuo alcan\u00e7ado mediante o encontro amoroso. Conforme os vv. 11-12, quem ama conhece um valor que ultrapassa qualquer outro. O \u00faltimo di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 propriamente o fim: a aventura do amor continua...

