{N}1,{/}1: (1-22) Esmagada e escarnecida pelo inimigo, abandonada por todos, Jerusal\u00e9m grita a sua dor. A destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto do julgamento de Deus contra a cidade, que agora toma consci\u00eancia de suas culpas. Os seus aliados \u00abamantes\u00bb de outrora, hoje s\u00e3o inimigos. E o pior castigo \u00e9 a aus\u00eancia de Jav\u00e9. Si\u00e3o, em pessoa, toma a palavra (vv. 9 e 11), irrompe numa queixa sentida (vv. 12-16) e, depois, numa prece (vv. 18-22): confiss\u00e3o, esperan\u00e7a e impreca\u00e7\u00e3o.

{N}2,{/}1: (1-22) Descreve, com pormenores terr\u00edveis, a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a ru\u00edna do Templo; a sorte dos reis, sacerdotes, anci\u00e3os e crian\u00e7as. \u00c9 prov\u00e1vel que o autor seja testemunha ocular dos factos. A seguir, o poeta interpela Si\u00e3o (v. 13) para que do antro das suas ru\u00ednas, grite a Jav\u00e9 por compaix\u00e3o.

{N}3,{/}1: (1-66) Sob a imagem dum homem (o sujeito feminino predomina nas Lamenta\u00e7\u00f5es), o \u00abhomem das dores\u00bb (profeta ou povo, pouco importa!) assume a totalidade dos habitantes e incarna os sofrimentos da na\u00e7\u00e3o. A queixa pessoal abre-se em lamenta\u00e7\u00e3o colectiva (vv. 40-47), percorrendo os meandros da invas\u00e3o inimiga, da mis\u00e9ria e do desespero, para se fixar enfim nas raz\u00f5es da esperan\u00e7a: Deus \u00e9 justo e, por isso, tamb\u00e9m \u00e9 fiel, salvador, redentor e misericordioso, isto \u00e9, manifesta estremecimentos das entranhas, ternuras maternas sempre novas em cada manh\u00e3 (vv. 22-23).

{N}4,{/}1: (1-22) Ainda sob o impacto da cat\u00e1strofe, o autor mostra um novo quadro da ru\u00edna dram\u00e1tica de Jerusal\u00e9m. As pessoas importantes (v. 5), reduzidas \u00e0 mis\u00e9ria, frequentam a lixeira da cidade (cf. 1Sm 2,8; Sl 113,7; Ne 2,13); os pr\u00edncipes e consagrados vagueiam esquel\u00e9ticos e negros da fuligem (v. 7); as m\u00e3es adulteram a voca\u00e7\u00e3o para a d\u00e1diva generosa e terna (v. 10); profetas e sacerdotes falharam (vv. 13-14); a pol\u00edtica de alian\u00e7as oportunistas n\u00e3o salva (v. 17). Contudo, a esperan\u00e7a come\u00e7a a despontar: Jav\u00e9 realizou o dia da sua ira, e agora aproxima-se o tempo da gra\u00e7a.

{N}5,{/}1: (1-22) Os judeus sobreviventes dirigem a Deus esta s\u00faplica colectiva. Com o retrato realista da mis\u00e9ria, encontramos tamb\u00e9m a sinceridade do arrependimento e a firma esperan\u00e7a do perd\u00e3o. \u00c9 a grande viragem do {C}retorno {/}(v. 21), n\u00e3o decorrente da iniciativa humana (cf. 3,40), mas operado por Deus, compreendendo o {C}regresso{/} a Si\u00e3o ou fim do ex\u00edlio, bem como o {C}retorno{/} a Deus ou convers\u00e3o (cf. Is 7,3).

