{N}1,{/}1: (1-14) O texto mostra como as comunidades judaicas, que viviam em ambiente pag\u00e3o, continuaram profundamente ligadas a Jerusal\u00e9m. Os ecos duma cat\u00e1strofe nacional introduzem a ora\u00e7\u00e3o penitencial que segue.

{N}1,{/}15: (1,15-2,10) A grande ora\u00e7\u00e3o penitencial come\u00e7a com uma confiss\u00e3o nacional, feita em moldes conhecidos (cf. Sl 106; Ne 9; Dn 9,4-19). Os fi\u00e9is dispersos relembram os horrores da queda de Jerusal\u00e9m e falam da sua pr\u00f3pria dor, para confessar os seus pecados, cujo castigo o Deuteron\u00f3mio j\u00e1 anunciara (cf. Dt 28,15-68). Ao meditar sobre a sua Hist\u00f3ria, a gera\u00e7\u00e3o presente solidariza-se com as gera\u00e7\u00f5es passadas, reconhecendo os erros e o pecado; e proclama a inoc\u00eancia e a justi\u00e7a de Deus.

{N}2,{/}11: (2,11-3,8) Desabrocha uma veemente s\u00faplica, baseada na promessa que Deus fizera a Mois\u00e9s (cf. Lv 26,39-45; Dt 30,1-10), com o olhar fito na certeza da nova Alian\u00e7a (cf. Jr 31,31-34). Ap\u00f3s a confiss\u00e3o dos pecados, espera-se uma ruptura com o passado e uma abertura para a vida nova que Deus conceder\u00e1. O v. 17 evoca a antiga concep\u00e7\u00e3o acerca da morada dos mortos (cf. Is 38,18; Ecl 9,5-6), j\u00e1 superada em Dn 12,2.

{N}3,{/}9: (9-14) Qual ser\u00e1 a causa que levou Israel ao ex\u00edlio, \u00e0 dispers\u00e3o? Numa primeira exorta\u00e7\u00e3o, a busca convida o povo a tomar consci\u00eancia de que abandonou a fonte da sabedoria, o caminho de Deus que leva \u00e0 vida. N\u00e3o estranhem os fracassos.
  3,9-4,4: Um poema-medita\u00e7\u00e3o sobre a Sabedoria, aparentado a outros passos b\u00edblicos (cf. Pr 8-9; Job 28; Eclo 24; Sb 6-9), onde se faz liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei (mandamentos que d\u00e3o vida e discernimento) e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o.

{N}3,{/}15: (15-31) Quem pode alcan\u00e7ar a sabedoria que conduz \u00e0 vida e \u00e0 felicidade? Ela tem uma faceta inacess\u00edvel (cf. Job 28,12.20). Nem os reis nem os ricos, nem os artistas nem os grandes centros de ci\u00eancia, nem os gigantes primordiais (cf. Gn 6,4) conseguiram encontr\u00e1-la e tomar posse dela. Ningu\u00e9m descobriu a sua morada nem conhece o caminho at\u00e9 l\u00e1. Os vv. 24-25 interrompem o tema e ficariam melhor entre os vv. 35 e 36

{N}3,{/}32: (3,32-4,4) Bem conhecida de Deus, a Sabedoria colabora na cria\u00e7\u00e3o e foi confiada a Israel; quase se identifica com a Lei (Eclo 24). Obviamente, aqui, Lei \u00e9 mais do que o conjunto de preceitos e mandamentos; no m\u00ednimo, \u00e9 todo o Pentateuco cujo conte\u00fado constitui norma e princ\u00edpio orientador da vida. Da\u00ed o convite final (4,2-4) dirigido a Jacob: Volta \u00e0 Sabedoria! Converte-te!

{N}4,{/}5: (5-8) A voz dum profeta exorta os exilados a assumirem os motivos da deporta\u00e7\u00e3o: idolatria, culto a pessoas e coisas...
  4,5-5,9: Exorta\u00e7\u00e3o e consola\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o que assinala a situa\u00e7\u00e3o de ex\u00edlio (vv. 5-9), Jerusal\u00e9m personificada espraia a sua dor com as cidades vizinhas (vv. 9b-16), consola os filhos deportados (vv. 17-29), e recebe convite ao j\u00fabilo da boca do profeta (4,30-5,9).

{N}4,{/}9: (9-16) Na solid\u00e3o do abandono, Jerusal\u00e9m toma consci\u00eancia do pecado do seu povo, agora castigado, e partilha a sua dor com as cidades vizinhas.

{N}4,{/}17: (17-29) Jerusal\u00e9m dirige-se, agora, aos exilados, pedindo que conservem a esperan\u00e7a: a salva\u00e7\u00e3o vir\u00e1, mas \u00e9 preciso esper\u00e1-la com perseveran\u00e7a e s\u00faplica.

{N}4,{/}30: (4,30-5,9) O profeta retoma a palavra e dirige a Jerusal\u00e9m palavras de exorta\u00e7\u00e3o, muito parecidas com Is 40-55 e 60-62: ao castigo exemplar dos inimigos (4,30-35), seguir-se-\u00e3o o ajuntamento alegre e o regresso iminente dos dispersos (4,36-5,9). Est\u00e1 em causa a palavra do {C}Eterno {/}(4,8.10.14. 20.22.24.35;5,2), cujo des\u00edgnio \u00e9 imut\u00e1vel, at\u00e9 nos dons que quer dar aos humanos.

{N}6,{/}1: (1-72) O texto \u00e9 atribu\u00eddo a Jeremias; contudo, pertence provavelmente \u00e0 \u00e9poca grega. Dominado por na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s, o povo judaico corre o risco de perder a identidade nacional e religiosa, devido \u00e0 influ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es dominadoras e dos seus cultos idol\u00e1tricos. O texto \u00e9 uma s\u00e1tira, um documento apolog\u00e9tico contra os \u00eddolos, desenvolvendo temas j\u00e1 utilizados por Jeremias (10,1-16) e Isa\u00edas (44,9-20). O alvo concreto parece ser o culto babil\u00f3nico de \u00e9poca tardia. Os \u00eddolos n\u00e3o s\u00e3o deuses; o povo prometeu fidelidade a Jav\u00e9.

