{N}1,{/}1: (1-5) A primeira parte do livro aprofunda a reflex\u00e3o sobre a sabedoria e o destino humano, contrapondo a sorte dos justos e a dos \u00edmpios. Os temas cl\u00e1ssicos que ocuparam a pesquisa sapiencial (a retribui\u00e7\u00e3o adiada, o justo sofredor, o mau bem sucedido, a morte, a felicidade...) est\u00e3o aqui presentes. E \u00e0s grandes interroga\u00e7\u00f5es de fundo abre-se um horizonte novo, que obriga a rever e a recolocar as pe\u00e7as a outra luz: a imortalidade.
  1,1-15: O autor exorta \u00e0 busca da sabedoria e \u00e0 pr\u00e1tica da justi\u00e7a que \u00e9 imortal. Mais \u00e0 frente precisar\u00e1 que os justos est\u00e3o vocacionados para a imortalidade (2,22-23; 3,4-9; 5,15). Justi\u00e7a e sabedoria, sempre companheiras e unidas, s\u00e3o formas complementares duma atitude fundamental de rectid\u00e3o e encontro comungado com Deus e com os seus projectos, com os humanos e a sua vida. A morte, j\u00e1 presente nas op\u00e7\u00f5es dos \u00edmpios, marca ainda demasiadas dimens\u00f5es humanas.

{N}1,{/}16: (1,16-2,24) O texto resume a filosofia dos \u00edmpios, dos injustos. A \u00fanica dimens\u00e3o da vida \u00e9 a que existe antes da morte, sem janelas para o transcendente; h\u00e1 que gozar o mais poss\u00edvel os prazeres da vida (2,2-9). N\u00e3o os inquietam valores morais: exploram os fracos, fazem da for\u00e7a o seu direito (vv. 10-11). Perseguem o justo, cuja exist\u00eancia \u00e9 grito clamoroso (vv. 12-20) contra o seu materialista modo de viver. Enganam-se, pois Deus criou o homem (justo) para ser incorrupt\u00edvel (v. 23; cf. Gn 1,26-27), porque \u00aba justi\u00e7a \u00e9 imortal\u00bb (1,15).

{N}3,{/}1: (1-12) Sob influ\u00eancia grega, surge pela primeira vez na B\u00edblia a palavra {C}imortalidade{/}. Esta, por\u00e9m, est\u00e1 associada ao ideal israelita da justi\u00e7a: os justos viver\u00e3o para sempre, na gl\u00f3ria, com Deus; ao contr\u00e1rio, os injustos, pelo seu pr\u00f3prio procedimento, renunciam j\u00e1 \u00e0 imortalidade, j\u00e1 est\u00e3o mortos, ser\u00e3o aniquilados. Nesta perspectiva, a sobreviv\u00eancia ap\u00f3s a morte depende do modo como a pessoa vive nesta vida.

{N}3,{/}13: (3,13-4,6) Em contraste com o simplismo antigo que considerava a fecundidade e os descendentes como b\u00ean\u00e7\u00e3o divina, este autor introduz uma distin\u00e7\u00e3o que \u00e9 novidade: mais vale a mulher est\u00e9ril virtuosa do que a fecunda \u00edmpia. Est\u00e1 em causa o elogio da virtude e a condena\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a e n\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o entre a virgindade e o matrim\u00f3nio. A sobreviv\u00eancia depende sobretudo do testemunho qualificado da justi\u00e7a: a mem\u00f3ria do justo perdura entre os humanos, \u00e9 eterna junto de Deus (cf. Sl 112,6). Aqui, as uni\u00f5es ileg\u00edtimas s\u00e3o casamentos entre judeus e estrangeiros, ou situa\u00e7\u00f5es de impiedade e adult\u00e9rio (cf. 3,16; 4,3.6).

{N}4,{/}7: (7-19) Antes, os israelitas viram a longevidade como recompensa (a \u00fanica) da justi\u00e7a; a morte prematura era castigo do pecado. O autor reformula essa concep\u00e7\u00e3o, confrontando agora a morte prematura do justo com a vida longa do \u00edmpio. A longevidade deixou de ser marca infal\u00edvel da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus; pode haver raz\u00f5es para que o justo experimente a morte f\u00edsica antes do tempo. Isso n\u00e3o o afasta da vida plena.

{N}4,{/}20: (4,20-5,23) Na segunda parte do livro, o autor inspirado vai mais longe do que Pr 1-9: a Sabedoria personalizada sobe ao palco, interv\u00e9m na cria\u00e7\u00e3o e no governo do Universo, revela os des\u00edgnios de Deus, liga-se aos justos e amigos do Senhor, \u00e9 fonte de ci\u00eancia e conhecimento. A Sabedoria, aqui, ser\u00e1 pura personifica\u00e7\u00e3o po\u00e9tica ou realidade entre Deus e o mundo? Pessoa divina? A quest\u00e3o mant\u00e9m-se aberta. Muitas das suas fun\u00e7\u00f5es ou atribui\u00e7\u00f5es v\u00e3o transitar para Jesus ou para a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.

{N}6,{/}1: (1-11) Apelo aos pr\u00edncipes para que entrem na escola da sabedoria. Os soberanos t\u00eam especiais responsabilidades no exerc\u00edcio do poder que Deus lhes confiou. Deus zela pelos pobres e humildes; e pede contas criteriosas e discriminadas. Da\u00ed a diferen\u00e7a do julgamento: todos ser\u00e3o tratados com justi\u00e7a proporcional, de acordo com a repercuss\u00e3o social dos seus actos. Os poderosos ser\u00e3o julgados com rigor, porque das suas m\u00ednimas decis\u00f5es e actos dependem a liberdade e a vida de muitas pessoas.

{N}6,{/}12: (12-21) A sabedoria \u00e9 o bom senso que cresce e se aprofunda no meio da ambiguidade, no exerc\u00edcio cont\u00ednuo do discernimento sobre circunst\u00e2ncias e situa\u00e7\u00f5es. O desejo de aprender \u00e9 o ponto de partida; o ponto de chegada ultrapassa a nossa vida; \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que Se d\u00e1 a conhecer e Se debru\u00e7a sobre a humanidade.

{N}6,{/}22: (6,22-7,14) Sem mencionar o nome, \u00e9 Salom\u00e3o, o rei s\u00e1bio, quem fala. Pretende revelar a natureza e origem da sabedoria. Mas antes, relembra que nasceu igual aos outros, partilhando a \u00fanica e humilde condi\u00e7\u00e3o humana. Suplica a Deus (cf. 1Rs 4,4-14) e a sabedoria traz-lhe todos os bens e algumas novidades. Perante a Sabedoria, todos os humanos s\u00e3o iguais; cultura e riquezas podem mesmo ser obst\u00e1culos; resta pedir e acolher, porque ela \u00e9 dom de Deus.

{N}7,{/}15: (15-21) A sabedoria \u00e9 o dom de Deus que forma no homem o bom senso interior. Este permite perceber o sentido interno de todas as coisas, para produzir harmonia universal. Invoca Deus, fonte de todo o conhecimento. A enuncia\u00e7\u00e3o dos vv. 17-20 \u00e9 uma amplia\u00e7\u00e3o de 1Rs 5,12-13.

{N}7,{/}22: (7,22-8,1) A sabedoria \u00e9 apresentada aqui no mist\u00e9rio da sua origem e como participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus. Saindo de Deus, ela penetra todas as coisas, renovando de modo permanente a vida, sobretudo a dos seres humanos. O Novo Testamento continuar\u00e1 essa reflex\u00e3o, mostrando a sabedoria encarnada em Jesus, e depois identificada com o Esp\u00edrito Santo, entregue a todos os que se comprometem com Jesus e com o Pai. Deste modo, a sabedoria, com a sua ac\u00e7\u00e3o transformadora, continua presente na humanidade para levar o Universo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do projecto eterno de Deus.

{N}8,{/}2: (2-16) Para o rei, a Sabedoria foi esposa extremosa, garantia de qualidade, fonte de imortalidade, alegria de conv\u00edvio. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 sugest\u00e3o aberta: a sabedoria \u00e9, pois, companheira ideal na vida de todos, homens e mulheres, em todas as idades e circunst\u00e2ncias. A sua presen\u00e7a \u00e9 mais requerida junto daqueles que t\u00eam responsabilidades no encaminhamento da sociedade e da Hist\u00f3ria (cf. Pr 31,10-31 e nota). Notar no v. 17, a men\u00e7\u00e3o das quatro virtudes cardeais.

{N}8,{/}17: (8,17-9,18) Muito desejada, selo de imortalidade, a intimidade com a sabedoria s\u00f3 pode ser um dom de Deus (8,17-21). Da\u00ed a ora\u00e7\u00e3o dirigida ao Senhor, em nome de todos os governantes: solicita o dom da sabedoria que permita superar os limites do conhecimento humano, discernir e realizar a justi\u00e7a que Deus quer. A autoridade humana nunca deve usurpar o lugar de Deus; compete-lhe auscultar as vontades divinas, com o apoio da sabedoria, a \u00fanica que salva o homem. Em 8,19-20 e 9,15, pressente-se a influ\u00eancia da cultura filos\u00f3fica grega. \u00c9 sugestivo o paralelismo entre sabedoria e esp\u00edrito santo, verificado em 9,17.

{N}10,{/}1: (1-14) O autor passa rapidamente pela hist\u00f3ria dos antepassados, aludindo \u00e0s figuras de Ad\u00e3o, Caim, No\u00e9, Abra\u00e3o, Lot, Jacob e Jos\u00e9. A sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que a sabedoria j\u00e1 estava presente nas ra\u00edzes da humanidade e do povo de Israel, para construir o projecto de Deus na Hist\u00f3ria.
  10-19: A terceira parte do livro apresenta uma reflex\u00e3o sobre a Sabedoria na Hist\u00f3ria, tal como o povo de Deus a viveu e relatou. Evitando os nomes pr\u00f3prios, utilizando o processo alusivo e sentindo-se livre relativamente \u00e0 sequ\u00eancia dos factos, o autor percorre os acontecimentos desde as origens \u00e0 sa\u00edda do Egipto (10), para meditar longamente sobre o \u00eaxodo (11-19) e, em particular, sobre as pragas, castigo para uns e benef\u00edcio para outros. A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 entrecortada por digress\u00f5es e elabora\u00e7\u00f5es pol\u00e9micas. Em tudo se v\u00ea que a Sabedoria \u00e9 mestra da Hist\u00f3ria.

{N}10,{/}15: (10,15-11,14) O \u00eaxodo \u00e9 o acontecimento principal de toda a B\u00edblia. Arrancando com a liberta\u00e7\u00e3o, marca a origem do povo e abre-lhe novo caminho na Hist\u00f3ria. A partir da\u00ed e recorrendo sobretudo ao manancial das pragas, o autor tece uma s\u00e9rie de contrastes cujo princ\u00edpio est\u00e1 definido em 11,5: o mesmo elemento ou acontecimento \u00e9, simultaneamente, ocasi\u00e3o de correc\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o para o povo eleito (a \u00e1gua apaga a sede no deserto, cf. Ex 17,1-7), castigo e destrui\u00e7\u00e3o para os inimigos (o Nilo transformado em rio de sangue, cf. Ex 7,14-25).

{N}11,{/}15: (11,15-12,2) A vida do homem \u00e9 profundamente marcada pelo culto \u00e0 divindade que ele adora. Quem serve os \u00eddolos, sofre as consequ\u00eancias destrutivas da idolatria. O autor esbo\u00e7a a condena\u00e7\u00e3o (que retomar\u00e1 em 16,1-4) do culto dos animais. Deus, por\u00e9m, castiga com modera\u00e7\u00e3o, sempre \u00e0 espera do arrependimento. Veja-se o achado dos vv. 24-26: a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 obra do amor.

{N}12,{/}3: (3-18) Prolonga a reflex\u00e3o original sobre a ac\u00e7\u00e3o da Provid\u00eancia divina, ao aplicar o princ\u00edpio da modera\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito da conquista da terra de Cana\u00e3, outro marco importante na hist\u00f3ria deste povo. O autor amplia os desvios cananeus (vv. 4-6; cf. Dt 12, 29-341; 18,9-12); Deus procede com do\u00e7ura, por etapas, porque \u00e9 poderoso, o que constitui \u00f3ptima li\u00e7\u00e3o para o agir do seu povo.

{N}12,{/}19: (19-27) Mesmo entrando em conflito com outros projectos, o projecto de Deus vingar\u00e1. Mas isso n\u00e3o \u00e9 motivo para eliminar os outros povos ou grupos que vivam de maneira diferente. Deus quer a vida, e d\u00e1 sempre oportunidade a todos para que se convertam e participem do seu projecto. Contudo, a bondade e miseric\u00f3rdia n\u00e3o substituem a justi\u00e7a. Primeiro vem a justi\u00e7a e, quando esta produz a convers\u00e3o, entra em cena a miseric\u00f3rdia, para que a vida triunfe de facto sobre a morte. A puni\u00e7\u00e3o dos eg\u00edpcios (primog\u00e9nitos e ex\u00e9rcito no Mar Vermelho) tem raz\u00f5es hist\u00f3ricas mais que suficientes.

{N}13,{/}1: (1-9) A primeira forma de idolatria anda ligada aos astros e elementos da Natureza. Extasiados diante da ordem e a beleza do mundo, os antigos chegaram a divinizar os seres da Natureza e os fen\u00f3menos do Universo. O autor, por\u00e9m, mostra que estes s\u00e3o apenas testemunhas vis\u00edveis do Criador invis\u00edvel. Israel deu um passo em frente no conhecimento de Deus: demitizou a Natureza (cf. nota em Gn 1,1-2,4) e proclamou a presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o do Deus vivo, que vai conduzindo a humanidade para a vida.
  13,1-15,19: A refer\u00eancia ao culto de animais abre a porta a uma longa digress\u00e3o, o mais elaborado texto b\u00edblico sobre a idolatria. Vivendo em Alexandria e noutras cidades pag\u00e3s, o povo judeu era tentado a participar nos cultos idol\u00e1tricos, inerentes \u00e0s cultura grega e romana. Com bom senso, ironia e jeito apolog\u00e9tico, o autor critica a idolatria e procura preservar a f\u00e9 no Deus \u00fanico e verdadeiro.

{N}13,{/}10: (13,10-14,11) A outra forma de idolatria visada \u00e9 o culto dos \u00eddolos ou imagens, obras do engenho humano. Usando antigos textos b\u00edblicos, o autor descreve ironicamente a fabrica\u00e7\u00e3o e uso de \u00eddolos (cf. Is 44,9-17; Jr 10,3-5; Br 6; Sl 115,4-8). A t\u00f3nica \u00e9 que os \u00eddolos n\u00e3o podem fazer nada em favor do homem, porque este \u00e9 que os fabrica. O sucesso dos empreendimentos humanos n\u00e3o deve ser atribu\u00eddo aos \u00eddolos, mas \u00e0 provid\u00eancia de Deus, que age apesar dos \u00eddolos. Anote-se a fina ironia que rodeia a obra do lenhador (13,11-18) e o exemplo tirado da navega\u00e7\u00e3o (14,1-11).

{N}14,{/}12: (12-21) A palavra {C}\u00eddolo,{/} em grego, significa imagem, est\u00e1tua, isto \u00e9, reprodu\u00e7\u00e3o de alguma coisa ou pessoa. Procurando ir \u00e0s ra\u00edzes, o autor d\u00e1 a entender que essas reprodu\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas para substituir uma perda dolorosa, ou por raz\u00f5es de poder e ambi\u00e7\u00e3o. No primeiro caso, o motivo \u00e9 emocional: perpetuar a lembran\u00e7a de algum falecido. No segundo, h\u00e1 motivos pol\u00edticos e econ\u00f3micos: dar a impress\u00e3o de que o soberano exerce vigil\u00e2ncia em todos os lugares, e satisfazer a ambi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do artista.

{N}14,{/}22: (22-31) Da\u00ed a pervers\u00e3o total da vida. Trocar o servi\u00e7o do Deus vivo e libertador pelo culto aos \u00eddolos mortos tem consequ\u00eancias tr\u00e1gicas para a vida humana. Tanto a pessoa como a sociedade tornam-se escravas da mentira e da corrup\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis. Por tr\u00e1s de cada v\u00edcio h\u00e1 sempre um \u00eddolo.

{N}15,{/}1: (1-6) No meio de todos os povos que praticam a idolatria, o povo de Deus, gra\u00e7as \u00e0 sua f\u00e9 e ades\u00e3o ao Deus \u00fanico, livrou-se desses desvios. Apesar de se reconhecer pecador, \u00e9 capaz de se converter continuamente, para levar por diante a pr\u00f3pria miss\u00e3o: revelar a todos os mist\u00e9rio do Deus vivo e do seu projecto, para transformar a Hist\u00f3ria.

{N}15,{/}7: (7-13) O nada do \u00eddolo \u00e9 ilustrado atrav\u00e9s de outro exemplo: o do oleiro que, a partir do barro, se fabrica o pr\u00f3prio deus. O motivo j\u00e1 existia na B\u00edblia (cf. Is 29,16; 45,9; Jr 18,2-6; Rm 9,20-21), sublinhava a soberania de Deus sobre a fragilidade do ser humano (cf. Gn 2,7), mas aqui \u00e9 retomado com f\u00f4lego de originalidade.

{N}15,{/}14: (14-19) Recorrendo aos Sl 115 e 135, o autor ironiza a religi\u00e3o eg\u00edpcia da \u00e9poca de Mois\u00e9s e a que ainda existia no seu tempo na cidade de Alexandria.

{N}16,{/}1: (1-4) O autor retoma aqui o exerc\u00edcio ensaiado em 11,4-6, construindo, com liberdade e acrescentos, contrastes ou oposi\u00e7\u00f5es entre a perda dos eg\u00edcios e a salva\u00e7\u00e3o dos israelitas. Sem ignorar o da \u00e1gua (cf. 10,15-11,14), temos aqui o milagre das codornizes aliment\u00edcias (Ex 16,1-3) e a praga das enfadonhas r\u00e3s (Ex 7,26-8,10).

{N}16,{/}5: (5-14) Segue-se a serpente que cura os hebreus no deserto, contraposta aos gafanhotos e moscas que matam os eg\u00edpcios. \u00c9 releitura de Ex 8,12-28; 10,1-20 e Nm 21,4-9. Os erros cometidos pelo povo de Deus s\u00e3o logo castigados com finalidade pedag\u00f3gica: reconhecer o erro e converter-se, voltando novamente \u00e0 fidelidade. Os erros cometidos pelos opressores, por\u00e9m, s\u00e3o fatais.

{N}16,{/}15: (15-29) Relembra a praga da chuva de granizo (Ex 9,24-25) e o man\u00e1 (Ex 16). O autor refere livremente os factos, mostrando que a Natureza serve o projecto do Deus libertador, que castiga os injustos e Se alia aos justos. Paulo dir\u00e1 que a Cria\u00e7\u00e3o toda geme e sofre as dores de parto at\u00e9 agora... esperando com impaci\u00eancia a manifesta\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus (Rm 8,19.22). Quando, por gan\u00e2ncia, os homens desrespeitam a Natureza, esta vinga-se sem piedade. Notar que os arrebiques do man\u00e1 (vv. 20-21) s\u00e3o cria\u00e7\u00e3o deste livro.

{N}17,{/}1: (17,1-18,4) Retoma a praga das trevas (Ex 10,20-23) e o fen\u00f3meno da coluna de fogo (Ex 13,21-22; 14,24). O texto foi enriquecido com muitos pormenores, certamente elaborados por lendas e tradi\u00e7\u00f5es antigas. A escurid\u00e3o adquire tamb\u00e9m uma t\u00f3nica psicol\u00f3gica: a m\u00e1 consci\u00eancia do opressor torna-se obsessiva, e o pavor que ele experimenta diante das coisas mais simples \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o da sua injusti\u00e7a.

{N}18,{/}5: (5-19) Varia\u00e7\u00e3o bastante livre sobre a praga dos primog\u00e9nitos, a P\u00e1scoa (Ex 12) e a travessia do Mar Vermelho (Ex 14). \u00c9 o momento alto da ac\u00e7\u00e3o de Deus, libertando o seu povo para a vida e julgando o opressor, com as mesmas armas que este antes havia usado contra o povo.

{N}18,{/}20: (20-25) Evoca\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio de Nm 17,6-15. Jav\u00e9 tinha exterminado os opressores, porque estes recusavam o seu projecto. Bem cedo, o seu pr\u00f3prio povo tamb\u00e9m teve de reconhecer que Jav\u00e9 o exterminaria, caso n\u00e3o fosse coerente com o compromisso assumido. Afinal, face a Deus, os inimigos nem sempre s\u00e3o os estrangeiros.

{N}19,{/}1: (1-12) Lembra a passagem do Mar Vermelho (Ex 14). A transforma\u00e7\u00e3o do mar em caminho livre para o povo de Deus e, ao mesmo tempo, em abismo onde se afogam os inimigos, mostra que o projecto de Deus s\u00f3 \u00e9 ben\u00e9fico para quem se compromete com ele. Para os advers\u00e1rios, significa a morte. E o povo liberto passa a descobrir um mundo novo.

{N}19,{/}13: (13-17) Inesperadamente, o autor tenta justificar o castigo final dos \u00edmpios, relembrando outro crime. A hospitalidade era um dever sagrado no Oriente antigo. Os habitantes de Sodoma queriam abusar dos h\u00f3spedes de Lot (Gn 19). Pior ainda foi o Egipto que acolheu os imigrantes, mas depois transformou-os em escravos. A maior injusti\u00e7a \u00e9 abusar daqueles que ajudaram a construir a sua pr\u00f3pria grandeza.

{N}19,{/}18: (18-21) Quando o homem descobre o projecto de Deus e se compromete com Ele, toda a natureza reconhece a grandeza dessa alian\u00e7a e se apresenta para colaborar. Ali\u00e1s, o \u00eaxodo conta com uma cria\u00e7\u00e3o remodelada (vv. 6 e 8), figura dum mundo novo ao servi\u00e7o dos eleitos.

{N}19,{/}22: \u00c9 o \u00faltimo vers\u00edculo escrito nos tempos do Antigo Testamento. Nele ecoa a grande profiss\u00e3o de f\u00e9 e de esperan\u00e7a reconfortante para todos os tempos: Deus nunca abandona o seu povo.

