{N}1,{/}1: (1-2) Quanto \u00e0 indica\u00e7\u00e3o \u00abem \u00c9feso\u00bb, cf. Introdu\u00e7\u00e3o. 

{N}1,{/}3: (3-14) Paulo desenvolve um hino de louvor em forma de \u00abb\u00ean\u00e7\u00e3o\u00bb, frequente no Antigo Testamento. O louvor \u00e9 uma resposta do homem ao Deus que se manifesta atrav\u00e9s de um {C}acto de salva\u00e7\u00e3o {/}ou mediante a {C}revela\u00e7\u00e3o de um mist\u00e9rio{/}.
Deus Pai \u00e9 o sujeito e a fonte de toda a ac\u00e7\u00e3o criadora e salvadora. E tudo o que Deus Pai realiza no homem e no Mundo, f\u00e1-lo atrav\u00e9s de seu Filho Jesus Cristo: escolhe (vv. 4-5), liberta (vv. 6-7), re\u00fane tudo em Cristo (vv. 8-10), entrega a heran\u00e7a prometida (vv. 11-12) e concede o dom do Esp\u00edrito Santo (vv. 13-14).

{N}1,{/}6: A express\u00e3o \u00abpara o louvor da sua gl\u00f3ria\u00bb (cf. vv. 12 e 14) mostra que o sentido \u00faltimo da vida humana \u00e9 louvar a Deus. O louvor \u00e9, portanto, acto de consci\u00eancia: declarando Deus como o \u00fanico absoluto, o homem reconhece que as criaturas s\u00e3o relativas. O louvor \u00e9 devido somente a Deus.

{N}1,{/}9: (9-10) O {C}mist\u00e9rio{/} \u00e9 o projecto com que Deus se prop\u00f5e levar a Hist\u00f3ria \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o, reunindo em Cristo tudo o que existe.

{N}1,{/}15: (15-23) Pela f\u00e9, os crist\u00e3os possuem uma sabedoria que supera qualquer outro conhecimento: sabem que Deus manifestou em Jesus Cristo a sua for\u00e7a, destronizando todos os poderes que at\u00e9 agora aprisionam a vida, e libertando os homens para uma esperan\u00e7a nova diante do futuro. 
Nesta carta, a Igreja ideal identifica-se praticamente com o Reino e, portanto, ultrapassa meras concretiza\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Como corpo e plenitude de Cristo, ela torna-se a meta para a qual caminhamos. Paulo refere-se a uma Igreja santa, a um modelo ideal que exige convers\u00e3o cont\u00ednua da Igreja real que vive na Hist\u00f3ria.

{N}2,{/}1: (1-10) Paulo op\u00f5e duas \u00e9pocas e dois modos de viver: sem Cristo e com Cristo. Sem Cristo \u00e9 o mundo pag\u00e3o, cuja mentalidade, modo de pensar e de agir manifestam a presen\u00e7a activa do mal, que \u00e9 o ego\u00edsmo que assume formas individuais e colectivas, dividindo os homens. Com Cristo surge a nova forma de viver: o amor que gera doa\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o, atrav\u00e9s das obras que continuam a ac\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, realizando o projecto de Deus. A nova forma de viver, por\u00e9m, \u00e9 gra\u00e7a de Deus que j\u00e1 foi dada aos homens atrav\u00e9s do testemunho de Jesus Cristo. A vida crist\u00e3 \u00e9 a passagem cont\u00ednua de um modo de viver para o outro.

{N}2,{/}11: (11-22) A participa\u00e7\u00e3o de judeus e pag\u00e3os no \u00fanico povo de Deus \u00e9 sinal concreto do homem novo. A morte de Cristo derrubou o muro de separa\u00e7\u00e3o que a Lei colocava entre judeus e pag\u00e3os; surgiu assim o novo Israel, a Igreja, que se abre para todos os homens e os coloca sob uma cabe\u00e7a \u00fanica, Cristo. O Evangelho far\u00e1 cair todas as diferen\u00e7as. Por mais que surjam sociedades classistas, as suas leis e institui\u00e7\u00f5es injustas cair\u00e3o, ou derrubadas pela viol\u00eancia, ou desprestigiadas por sacrificarem os seus povos, em lugar de os ajudarem.

{N}3,{/}1: (1-13) O {C}mist\u00e9rio {/}\u00e9 o centro do an\u00fancio de Paulo, e est\u00e1 inseparavelmente ligado \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rio entre os pag\u00e3os. Esse mist\u00e9rio \u00e9 o projecto de Deus, que se realizou em Jesus Cristo e que manifesta toda a sua grandeza na Igreja, atrav\u00e9s do minist\u00e9rio de Paulo: os pag\u00e3os s\u00e3o chamados a pertencer ao povo de Deus.

{N}3,{/}14: (14-21) O Ap\u00f3stolo quer que os crist\u00e3os conhe\u00e7am profundamente a Deus e experimentem todas as dimens\u00f5es do amor de Cristo por n\u00f3s, para que o pr\u00f3prio Cristo possa habitar no cora\u00e7\u00e3o de cada um. E isso acontecer\u00e1 se os crist\u00e3os viverem uma aut\u00eantica vida comunit\u00e1ria que tenha o amor como raiz e alicerce. A realidade nova trazida por Cristo vai al\u00e9m de todo o conhecimento e s\u00f3 pode ser experimentada na viv\u00eancia do amor.

{N}4,{/}1: (1-6) O aspecto central da vida crist\u00e3 \u00e9 a unidade. Com efeito, a ac\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo unifica toda a realidade. Os crist\u00e3os devem ser exemplo vivo dessa unidade, que supera as divis\u00f5es humanas.
  4,1-16: O alicerce e raiz do amor tem como finalidade conservar a unidade do Corpo de Cristo (4,1-6). Mas unidade n\u00e3o significa uniformiza\u00e7\u00e3o, pois Deus concede dons diferentes a cada pessoa (4,7-13). Essa unidade na diversidade d\u00e1 coes\u00e3o \u00e0 comunidade para que ela n\u00e3o seja dominada por doutrinas que a despedacem (4,14-16).

{N}4,{/}7: (7-13) A diversidade dos dons que cada um recebeu de Cristo n\u00e3o pode ser fonte de divis\u00e3o, inveja e competi\u00e7\u00e3o na comunidade. Paulo relembra que a variedade de dons \u00e9 desejada por Cristo, para que cada um se coloque ao servi\u00e7o de todos. Os dons relembrados no v. 11 s\u00e3o os carismas de governo e ensino, importantes para a comunidade permanecer unida no conhecimento e no compromisso da f\u00e9.

{N}4,{/}14: (14-16) Vivendo o amor aut\u00eantico que preserva a unidade e respeita a diversidade, a comunidade torna-se capaz de discernir as falsas doutrinas e manter sempre vivo o esfor\u00e7o e a tens\u00e3o que a leva a crescer sempre mais, tornando-se a verdadeira Igreja de Cristo.

{N}4,{/}17: (17-32) Paulo convida os crist\u00e3os \u00e0 convers\u00e3o cont\u00ednua. Essa convers\u00e3o come\u00e7a no baptismo, onde o crist\u00e3o deixa o homem velho (modo de vida pag\u00e3o) para se revestir do homem novo (a justi\u00e7a que vem pela vida segundo o Esp\u00edrito). Nos vv. 25-32, Paulo d\u00e1 exemplos concretos do que significa essa passagem: da mentira para a verdade; do roubo para o trabalho honesto, que leve a partilhar com os que nada t\u00eam; da palavra inconveniente para a palavra construtiva; do comportamento ego\u00edsta para a generosidade rec\u00edproca.

{N}5,{/}1: (1-20) Paulo traz uma s\u00e9rie de exorta\u00e7\u00f5es e conselhos para que os crist\u00e3os vivam autenticamente a sua f\u00e9. Os vv. 1-2 apresentam o princ\u00edpio que rege a vida nova: imitar a Deus, vivendo o amor, como viveu Jesus Cristo. Por outras palavras, os crist\u00e3os s\u00e3o e devem viver como filhos de Deus, tendo como modelo supremo o acto de amor de Cristo na cruz, onde entregou a sua vida por todos. A vida nova compreende a renova\u00e7\u00e3o de todas as atitudes do homem: esta \u00e9 a resposta livre ao dom de Deus.

{N}5,{/}21: Este vers\u00edculo apresenta uma esp\u00e9cie de princ\u00edpio fundamental que ter\u00e1 tr\u00eas diferentes aplica\u00e7\u00f5es nos vers\u00edculos seguintes. A {C}submiss\u00e3o{/} de que fala pode ser compreendida como forma de amor, caracterizado pela humildade e doa\u00e7\u00e3o. O {C}temor de Cristo{/} apresenta a motiva\u00e7\u00e3o: assim como Cristo \u00e9 o Salvador de todos, tamb\u00e9m ser\u00e1 o juiz de todos. Este princ\u00edpio fundamental atinge a todos indistintamente. 
  5,21-6,9: Paulo analisa as tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es fundamentais da fam\u00edlia antiga: mulher-marido, filhos-pais, escravos-patr\u00f5es. N\u00e3o busca modificar o aspecto externo e jur\u00eddico dessas rela\u00e7\u00f5es, mas quer que elas se renovem a partir de dentro, para serem vividas com mentalidade nova, em coer\u00eancia com tudo aquilo que se aprendeu e se recebeu de Cristo. Para o sentido geral das exorta\u00e7\u00f5es, cf. nota em Cl 3,18-4,1.

{N}5,{/}22: (22-33) Paulo compara a rela\u00e7\u00e3o entre Jesus Cristo e a Igreja com a vis\u00e3o do matrim\u00f3nio na sociedade antiga, onde a mulher devia submeter-se inteiramente ao marido. De facto, Cristo \u00e9 chefe e salvador da Igreja, e esta deve submeter-se a Ele como seu Senhor. Numa concep\u00e7\u00e3o actual de rela\u00e7\u00e3o marido-mulher, onde existe igualdade de direitos e deveres, Paulo certamente faria outro tipo de aplica\u00e7\u00e3o.

{N}6,{/}1: (1-9) A vida \u00e9 uma renova\u00e7\u00e3o total das rela\u00e7\u00f5es, onde o respeito \u00e9 devido a todos: os pais tamb\u00e9m devem respeitar os filhos. Quanto ao relacionamento entre senhores e escravos, Paulo n\u00e3o faz uma cr\u00edtica \u00e0 estrutura social do seu tempo; por\u00e9m, salientando que todos s\u00e3o iguais perante Deus, anuncia uma transforma\u00e7\u00e3o radical das rela\u00e7\u00f5es, sejam quais forem os pap\u00e9is e os deveres sociais (cf. carta a Fil\u00e9mon e notas correspondentes).

{N}6,{/}10: (10-20) A vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta cont\u00ednua contra o mal, e as armas para o combate s\u00e3o: verdade, justi\u00e7a, testemunho do Evangelho, f\u00e9, Palavra de Deus. Para os antigos, o mal era personificado por dem\u00f3nios e for\u00e7as invis\u00edveis que dominam os homens (Principados, Autoridades, Poderes, Soberanias). Traduzindo o m\u00edtico para o hist\u00f3rico, poder\u00edamos falar de estruturas que geram ego\u00edsmo, injusti\u00e7a, \u00f3dio, opress\u00e3o e morte. 

{N}6,{/}21: (21-24) Sobre T\u00edquico, cf. Introdu\u00e7\u00e3o e a nota a Cl 4,7-9.

