{N}1,{/}1: (1-2) O clima da vida crist\u00e3 deve ser o de uma fam\u00edlia, onde todos s\u00e3o irm\u00e3os juntamente com Cristo, tendo Deus como Pai.

{N}1,{/}3: (3-8) A trilogia {C}f\u00e9-amor-esperan\u00e7a{/} define a vida crist\u00e3 na sua base, na sua concretiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e no seu dinamismo hist\u00f3rico. A vida crist\u00e3 nasce do compromisso de {C}f\u00e9{/} em Jesus Cristo, que significa aceitar a vida e ac\u00e7\u00e3o de Jesus e continu\u00e1-las entre os homens. O {C}amor{/} \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desse testemunho, atrav\u00e9s da partilha dos bens e da fraternidade, que concretizam o Reino de Deus no dia a dia da Hist\u00f3ria. A {C}esperan\u00e7a{/} \u00e9 o dinamismo que nasce do amor, alimentando a vida crist\u00e3, voltada para o futuro do Reino de Deus, isto \u00e9, para a realiza\u00e7\u00e3o plena da vida.

{N}1,{/}9: (9-12) Paulo pede o que \u00e9 mais necess\u00e1rio para a situa\u00e7\u00e3o em que os Colossenses vivem. A vontade de Deus manifestou-se na vida e ac\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, e o conhecimento dessa vontade \u00e9 a sabedoria que leva os crist\u00e3os a viver com discernimento cr\u00edtico diante das situa\u00e7\u00f5es. Esse discernimento capacita-os, fortalecendo-os para resistir activamente ao que \u00e9 poss\u00edvel enfrentar e, passivamente, ao que \u00e9 inevit\u00e1vel suportar.

{N}1,{/}13: (13-14) A introdu\u00e7\u00e3o ao hino mostra como o pecado interferiu na Cria\u00e7\u00e3o, fazendo com que a obra de Cristo se tornasse redentora mediante uma nova Cria\u00e7\u00e3o.
  1,13-20: Para animar os Colossenses a permanecerem firmes na f\u00e9, Paulo cita um hino crist\u00e3o, provavelmente usado na cerim\u00f3nia baptismal, que canta a grandeza de Cristo. Paulo serve-se desse hino para criticar qualquer doutrina que apresente como necess\u00e1rias outras media\u00e7\u00f5es salv\u00edficas, al\u00e9m da de Cristo. Cristo \u00e9 o \u00fanico mediador entre Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 Ele, atrav\u00e9s da cruz, \u00e9 capaz de reconciliar Deus com as criaturas submetidas ao pecado.

{N}1,{/}15: (15-18) O Deus invis\u00edvel e inating\u00edvel torna-Se vis\u00edvel e acess\u00edvel em Jesus, o Filho que Se encarnou no Mundo e na Hist\u00f3ria. Jesus \u00e9, portanto, o verdadeiro Ad\u00e3o (Gn 1,26s). Existindo antes de qualquer criatura, Ele torna-Se modelo, cabe\u00e7a e \u00fanico mediador do Universo criado. No hino primitivo, o termo \u00abcorpo\u00bb (v. 18) significava \u00abUniverso\u00bb; com o acr\u00e9scimo da express\u00e3o \u00abque \u00e9 a Igreja\u00bb, passou a indicar a comunidade da nova Cria\u00e7\u00e3o, da qual Cristo \u00e9 a Cabe\u00e7a. 

{N}1,{/}18: (18-20) Sendo o primeiro a ressuscitar dos mortos, Cristo \u00e9 o novo Ad\u00e3o, pois na nova Cria\u00e7\u00e3o Ele \u00e9 o Primog\u00e9nito. Assim, o poder vital de Deus torna-se acess\u00edvel aos homens atrav\u00e9s de Cristo, reconduzindo a Cria\u00e7\u00e3o \u00e0 paz. A pacifica\u00e7\u00e3o do Universo est\u00e1 na remiss\u00e3o dos pecados realizada por Cristo na cruz.

{N}1,{/}21: (21-23) Paulo come\u00e7a a aplicar o hino \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos Colossenses: eles eram pag\u00e3os e, remidos por Cristo, passaram a pertencer \u00e0 nova Cria\u00e7\u00e3o. Com a condi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, de permanecerem fi\u00e9is ao Evangelho de Cristo, do qual o Ap\u00f3stolo \u00e9 ministro.

{N}1,{/}24: (24-29) Paulo alegra-se porque o seu sofrimento confirma que ele anuncia o verdadeiro Evangelho (cf. Mc 13,5-10). O cerne da miss\u00e3o do Ap\u00f3stolo \u00e9 o mist\u00e9rio do projecto de Deus: Deus quer que tamb\u00e9m os pag\u00e3os participem na reden\u00e7\u00e3o realizada atrav\u00e9s de Cristo. A convers\u00e3o dos Colossenses, que antes eram pag\u00e3os, manifesta visivelmente esse projecto de Deus. 

{N}2,{/}1: (1-5) Paulo esfor\u00e7a-se para que os crist\u00e3os intensifiquem a viv\u00eancia do amor, e cheguem a conhecer toda a sabedoria e ci\u00eancia que h\u00e1 em Cristo. Desse modo, eles permanecer\u00e3o firmes na f\u00e9 e tornar-se-\u00e3o capazes de discernir e resistir a qualquer coisa que possa desvi\u00e1-los do Cristo anunciado pelo Evangelho.

{N}2,{/}6: (6-8) Assim como a \u00e1rvore depende da raiz e a casa depende do alicerce, os crist\u00e3os dependem da f\u00e9 em Cristo, transmitida pelo an\u00fancio do Evangelho. O crist\u00e3o deve estar vigilante para n\u00e3o ser influenciado por ideias que n\u00e3o sirvam para conhecer e viver com mais profundidade a pessoa de Cristo.

{N}2,{/}9: (9-15) Paulo continua a aplicar o hino \u00e0 vida dos Colossenses. Se Cristo \u00e9 a Plenitude de Deus (1,19), n'Ele encontra-se tudo o que \u00e9 preciso para nos relacionarmos com Deus. Cristo est\u00e1 acima de qualquer poder vis\u00edvel ou invis\u00edvel. O baptismo, que substituiu a circuncis\u00e3o, leva o crist\u00e3o a participar na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, isto \u00e9, a passar da morte para a vida em Cristo. Os vv. 13-15 retomam outro hino que celebra a vit\u00f3ria: atrav\u00e9s da morte de Cristo na cruz, Deus anulou o registo dos pecados e venceu todas as pot\u00eancias que poderiam escravizar os homens. Portanto, os crist\u00e3os agora s\u00e3o livres e n\u00e3o devem submeter-se a nada nem a ningu\u00e9m que n\u00e3o seja Cristo.

{N}2,{/}16: (16-23) Paulo d\u00e1 sentido concreto \u00e0 liberdade do crist\u00e3o. A salva\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi concedida em Cristo e, por isso, as coisas e alimentos existem para serem usados com liberdade, e n\u00e3o para serem estudados ou honrados como mediadores de salva\u00e7\u00e3o ou perdi\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo, as festas, que dependem do ciclo dos astros, n\u00e3o t\u00eam nenhum poder de dar ou tirar a salva\u00e7\u00e3o.
\u00abMorrer para os elementos do mundo\u00bb significa fazer que o mundo volte a ser simplesmente mundo: que o mundo n\u00e3o seja um sagrado opressor, uma norma de salva\u00e7\u00e3o. Aceitar Cristo como o \u00fanico sacramento, faz com que o mundo se torne relativo. Deste modo, o crist\u00e3o pode mover-se nele com plena liberdade.

{N}3,{/}1: (1-4) Paulo n\u00e3o despreza as realidades terrestres. \u00abProcurar as coisas do alto\u00bb significa descobrir a vida nova revelada em Jesus Cristo. O crist\u00e3o j\u00e1 participa na vida que Jesus vive no mist\u00e9rio de Deus. Essa participa\u00e7\u00e3o deve crescer e concretizar-se cada vez mais na Hist\u00f3ria; quando Jesus estiver plenamente manifestado atrav\u00e9s do testemunho dos crist\u00e3os, ent\u00e3o essa participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se tornar\u00e1 completamente manifestada. Estes, conhecendo a vida de Cristo, s\u00e3o capazes de discernir e criticar tudo o que n\u00e3o conduz \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o humana.

{N}3,{/}5: (5-17) Atrav\u00e9s do baptismo, os crist\u00e3os passam por uma transforma\u00e7\u00e3o radical: deixam de pertencer \u00e0 velha humanidade corrompida (homem velho) e come\u00e7am a pertencer \u00e0 nova humanidade (homem novo), que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o realizada em Cristo, o novo Ad\u00e3o, imagem de Deus (1,15). Na comunidade crist\u00e3, semente da nova humanidade, n\u00e3o se admitem distin\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a, religi\u00e3o, cultura ou classe social: todos s\u00e3o iguais e participam igualmente na vida de Cristo. A transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa pr\u00e1tica: deixar as ac\u00e7\u00f5es que visam egoisticamente os pr\u00f3prios interesses, em troca de ac\u00e7\u00f5es a servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o m\u00fatua e do bem comum.

{N}3,{/}18: (3,18-4,1) Paulo aplica \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas o princ\u00edpio enunciado no v. 17: fazer tudo \u00abem nome do Senhor Jesus\u00bb. Note-se que ele prega uma \u00fanica moral a todos (homem, mulher, crian\u00e7as, adultos, senhores e escravos): todos devem ser leais e respeitosos com os outros. Embora Paulo n\u00e3o se afaste do modo de pensar da sua \u00e9poca, a sua proposta \u00e9 um passo para que se reconhe\u00e7a a igualdade de direitos entre os homens e para que se verifiquem importantes transforma\u00e7\u00f5es sociais.

{N}4,{/}2: (2-6) Paulo convida os crist\u00e3os a rezarem e a tratarem os n\u00e3o-crist\u00e3os com amabilidade e sabedoria (sal). No contexto pol\u00e9mico da carta, esta atitude significa testemunhar e defender a f\u00e9 crist\u00e3, amea\u00e7ada por doutrinas e pr\u00e1ticas que a podem desfigurar.

{N}4,{/}7: (7-9) T\u00edquico \u00e9 provavelmente o portador desta carta e tamb\u00e9m da carta aos Ef\u00e9sios (Ef 6,21s). On\u00e9simo \u00e9 o escravo fugitivo que volta a Colossos, depois de Paulo o ter convertido \u00e0 f\u00e9 (cf. carta a Fil\u00e9mon).

{N}4,{/}10: (10-18) Aristarco, natural de Tessal\u00f3nica (Act 20,4), foi companheiro de Paulo na pris\u00e3o. Marcos \u00e9 o autor do segundo Evangelho. Sobre Jesus, o Justo, nada sabemos. \u00c9pafras, disc\u00edpulo de Paulo, foi o fundador da comunidade de Colossos. Lucas \u00e9 provavelmente o mesmo que escreveu o terceiro Evangelho e o livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos. Sobre Demas, cf. 2Tm 4,10. Sobre Ninfas nada sabemos. Arquipo \u00e9 filho de Fil\u00e9mon (Fm 2).
As cartas de Paulo eram lidas tamb\u00e9m nas comunidades vizinhas. A carta aos Laodicenses perdeu-se; alguns identificam-na com a carta aos Ef\u00e9sios. Apesar de pequenas e distantes entre si, as primeiras comunidades mantinham constante comunica\u00e7\u00e3o, testemunhando que a unidade da Igreja se deve mais a um esp\u00edrito de comunh\u00e3o, do que a uma r\u00edgida organiza\u00e7\u00e3o institucional.

