{N}1,{/}1: (1-2) A respeito de Tim\u00f3teo, cf. Act 16,1-5 e a nota correspondente.

{N}1,{/}3: (3-7) A vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 mera teoria baseada em mil especula\u00e7\u00f5es e sistemas teol\u00f3gicos, que muitas vezes parecem n\u00e3o ter outra coisa em mira al\u00e9m de deleitar o pensamento. A vida crist\u00e3 inspira-se no caminho e pr\u00e1tica de Jesus, que se resumem na viv\u00eancia do amor, isto \u00e9, na capacidade de se relacionar, respondendo a situa\u00e7\u00f5es concretas.

{N}1,{/}8: (8-11) Em \u00c9feso, alguns apresentam-se como doutores da Lei, mas transformam a Lei em especula\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas, esquecendo-se do verdadeiro papel da Lei. De facto, a Lei existe para mostrar o erro e evitar que os conflitos de interesse cheguem a n\u00edveis de destrui\u00e7\u00e3o, causando explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e morte. Para os que vivem do amor evang\u00e9lico, a Lei j\u00e1 n\u00e3o tem sentido, pois o amor \u00e9 muito mais exigente do que a Lei. A {C}s\u00e3 doutrina{/} \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, isto \u00e9, o testemunho do Ap\u00f3stolo, que orienta todo o pensamento e pr\u00e1tica dos crist\u00e3os, de acordo com o testemunho de Jesus Cristo.

{N}1,{/}12: (12-17) No meio da confus\u00e3o de ideias e interpreta\u00e7\u00f5es, \u00e9 importante voltar sempre ao sentido profundo e primeiro do Evangelho: Deus enviou Jesus ao mundo, n\u00e3o para condenar, mas para salvar os homens. A salva\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 um acto de gra\u00e7a e confirma-se como gra\u00e7a abundante porque \u00e9 oferecida gratuitamente aos pecadores, isto \u00e9, a todos aqueles que jamais poderiam merec\u00ea-la. Paulo \u00e9 um exemplo vivo do Evangelho da gra\u00e7a. O povo de Deus n\u00e3o \u00e9 formado por pessoas que nunca erraram, mas por pecadores que se convertem e s\u00e3o salvos por pura gra\u00e7a.

{N}1,{/}18: (18-20) As profecias pronunciadas sobre Tim\u00f3teo lembram a interven\u00e7\u00e3o dos \u00abprofetas\u00bb no momento da ordena\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica (cf. Act 13,1-3). \u00abEntregar a Satan\u00e1s\u00bb quer dizer exclus\u00e3o da comunidade; essa pena \u00e9 uma medida para que o culpado se arrependa e se emende (cf. 1Cor 5,5).

{N}2,{/}1: (1-8) O autor recomenda que os crist\u00e3os incluam na sua ora\u00e7\u00e3o todos os homens. \u00c9 a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica universal, impulsionada pela convic\u00e7\u00e3o de que Deus enviou o seu Filho para salvar o mundo inteiro. Ser Igreja no mundo \u00e9 testemunhar que o projecto de Deus est\u00e1 aberto a todos.

{N}2,{/}9: (9-15) Nos conselhos dados \u00e0s mulheres, \u00e9 preciso ter em mente o contexto social da \u00e9poca, que via a mulher como inferior ao homem, o ensinamento patriarcal dos mestres judeus e as preocupa\u00e7\u00f5es imediatas da carta. Afirmando que a mulher ser\u00e1 salva pela maternidade, a carta op\u00f5e-se aos falsos doutores que proibiam o matrim\u00f3nio (4,3). A recomenda\u00e7\u00e3o sobre o sil\u00eancio quer evitar os excessos de boatos e indiscri\u00e7\u00f5es. E procura impedir que a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, fruto da liberdade evang\u00e9lica, acarrete exageros.

{N}3,{/}1: (1-16) Com a multiplica\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das comunidades, surgem os primeiros esbo\u00e7os de uma organiza\u00e7\u00e3o eclesial. A respeito dos \u00abdirigentes\u00bb (em grego = {C}ep\u00edscopos{/}) e dos di\u00e1conos, cf. nota em Fl 1,1-2. \u00c9 prov\u00e1vel que algumas mulheres tenham ocupado o cargo de diaconisas (cf. Rm 16,1). Aqui n\u00e3o se pensa numa lei do celibato, mas exige-se que os candidatos a cargos eclesiais tenham s\u00f3lidas qualidades humanas.

{N}4,{/}1: (1-16) Nos \u00faltimos tempos, isto \u00e9, entre a ressurrei\u00e7\u00e3o e a segunda vinda de Cristo, multiplicam-se os mestres e doutrinas que adulteram a f\u00e9. Alguns desprezam tudo o que se refere ao corpo, condenando o matrim\u00f3nio, proibindo alimentos e pregando exageradas pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas. O crist\u00e3o, por\u00e9m, sabe acolher tudo o que Deus criou e apega-se somente a Deus e ao cumprimento da sua vontade. Aquele que tem um cargo de direc\u00e7\u00e3o na comunidade procure tornar-se modelo, tanto no comportamento como na ac\u00e7\u00e3o, perseverando na gra\u00e7a que recebeu pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os (cf. 2Tm 1,6).

{N}5,{/}1: (1-2) Numa comunidade crist\u00e3, o exerc\u00edcio de um cargo de direc\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 a ningu\u00e9m o direito de agir com aspereza e prepot\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, o exerc\u00edcio do cargo \u00e9 um servi\u00e7o que se realiza no respeito e na solidariedade com as pessoas.

{N}5,{/}3: (3-16) O texto deve ser entendido na \u00e9poca e nas condi\u00e7\u00f5es concretas da comunidade. H\u00e1 tr\u00eas esp\u00e9cies de vi\u00favas: as que t\u00eam fam\u00edlia e n\u00e3o necessitam de aux\u00edlios; aquelas que a Igreja deve assistir porque s\u00e3o \u00abverdadeiras vi\u00favas\u00bb, sozinhas no mundo; aquelas que, assistidas ou n\u00e3o pela Igreja, por esta s\u00e3o chamadas para realizar certas fun\u00e7\u00f5es oficiais, contanto que satisfa\u00e7am s\u00e9rias exig\u00eancias. A retic\u00eancia sobre vi\u00favas jovens talvez se deva a uma experi\u00eancia negativa de consagra\u00e7\u00e3o feita e depois abandonada.

{N}5,{/}17: (17-25) {C}Presb\u00edtero{/} \u00e9 uma palavra grega que significa \u00abanci\u00e3o\u00bb. Os presb\u00edteros n\u00e3o se distinguem dos dirigentes (= {C}ep\u00edscopos{/}) citados acima (3,1-7); a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 animar a liturgia e ensinar a Sagrada Escritura. Aqui s\u00e3o dadas algumas orienta\u00e7\u00f5es a respeito de pessoas que exercem cargos de autoridade dentro da Igreja; esta fun\u00e7\u00e3o \u00e9 conferida atrav\u00e9s do rito da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os. Quem a exerce tem direito a receber da comunidade o necess\u00e1rio para viver; devem ser protegidos contra qualquer cal\u00fania; e n\u00e3o \u00e9 qualquer um que pode ser escolhido. Por outro lado, a comunidade tem direito a exigir que os seus dirigentes sejam fi\u00e9is aos compromissos assumidos. 

{N}6,{/}1: (1-2a) Esta passagem n\u00e3o trata da estrutura social na \u00e9poca, mas da lealdade de vida e das rela\u00e7\u00f5es humanas dentro de uma determinada estrutura. Sobre o tema, ver notas da carta a Fil\u00e9mon.

{N}6,{/}2: (2b-10) A piedade \u00e9 a maneira pr\u00e1tica de viver que testemunha o verdadeiro seguimento do Evangelho e a \u00abs\u00e3 doutrina\u00bb que dele procede. O texto mostra como perceber claramente quando uma doutrina \u00e9 \u00abdoentia\u00bb: o desejo desenfreado de lucro, o amor ao dinheiro. Qualquer doutrina que aceite essa pr\u00e1tica percorre infalivelmente o caminho contr\u00e1rio ao Evangelho, \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, porque se fundamenta numa idolatria, que \u00e9 geradora de inveja, quez\u00edlias, blasf\u00e9mias, corrup\u00e7\u00e3o e mentira.

{N}6,{/}11: (11-16) O verdadeiro doutor \u00e9 aquele que foge da ambi\u00e7\u00e3o e vive com sobriedade. O seu principal compromisso \u00e9 com a verdade, que se manifesta no minist\u00e9rio de Cristo, relembrado nos vv. 15-16.

{N}6,{/}17: (17-19) O seguimento de Cristo est\u00e1 aberto tamb\u00e9m aos ricos, desde que estejam dispostos a converter-se: deixar a idolatria da riqueza para adorar a Deus vivo, que cria os bens para todos. Assim, os ricos s\u00e3o chamados a imitar o pr\u00f3prio Deus, tornando-se capazes de distribuir o que possuem, repartindo os seus bens com aqueles que nada t\u00eam (cf. Mc 10,17-22).

{N}6,{/}20: (20-21) No come\u00e7o do cap\u00edtulo (6,3ss) e no fim (6,20s) insiste-se na fidelidade \u00e0 {C}tradi\u00e7\u00e3o{/} (\u00abdep\u00f3sito\u00bb). O n\u00facleo fundamental da f\u00e9 \u00e9 o compromisso dos crist\u00e3os com Deus e principalmente com o seguimento de Jesus Cristo. \u00c9 neste seguimento que se manifesta totalmente o Deus vivo. Esse compromisso, por\u00e9m, incarna-se em \u00e9pocas e lugares diferentes; as doutrinas, por sua vez, exprimem essas diversas incarna\u00e7\u00f5es. A verdadeira Tradi\u00e7\u00e3o procura garantir que o n\u00facleo fundamental da f\u00e9 se concretize atrav\u00e9s dessas incarna\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. As incarna\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre relativas a determinado tempo e lugar. O conhecimento delas \u00e9 grande est\u00edmulo para que tamb\u00e9m n\u00f3s nos abramos aos desafios e apelos do nosso contexto, dando uma resposta baseados no n\u00facleo fundamental da f\u00e9, conservado e transmitido pela Tradi\u00e7\u00e3o viva.

