{C}I.  FIEL  AT\u00c9  NA  MIS\u00c9RIA{/}

{1}1{/}

{N}RETRATO DE UM HOMEM FELIZ{/}

[\u0095]_[=]_{R}_{I}1_{/}Era uma vez um homem chamado Job, que vivia no pa\u00eds 
de Hus. Era um homem \u00edntegro e recto, que temia a Deus e evitava o 
mal. {I}2_{/}Tinha sete filhos e tr\u00eas filhas. {I}3_{/}Possu\u00eda tamb\u00e9m sete 
mil ovelhas, tr\u00eas mil camelos, quinhentas juntas de bois, 
quinhentas mulas e grande n\u00famero de empregados. Job era o mais 
rico dos homens do Oriente.
{I}4_{/}Os filhos de Job costumavam fazer banquetes, um dia na casa de 
cada um, e convidavam as tr\u00eas irm\u00e3s para comer e beber com eles. 
{R}_{I}5_{/}Quando terminavam esses dias de festa, Job mandava-os chamar, 
para os purificar. Ele madrugava e oferecia um holocausto por cada 
um deles, pensando: \u00abTalvez os meus filhos tenham pecado, 
ofendendo a Deus no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. E Job fazia assim todas as 
vezes.

{N}EXISTE UMA RELIGI\u00c3O GRATUITA?{/}

[\u0095]_[=]_{I}6_{/}Certo dia, os anjos apresentaram-se a Jav\u00e9 e, entre 
eles, foi tamb\u00e9m Sat\u00e3. {I}7_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 perguntou a Sat\u00e3: \u00abDe onde 
vens?\u00bb Sat\u00e3 respondeu: \u00abFui dar uma volta pela Terra\u00bb. {R}_{I}8_{/}Jav\u00e9 
disse-lhe: \u00abReparaste no meu servo Job? Na Terra n\u00e3o existe nenhum 
outro como ele: \u00e9 um homem \u00edntegro e recto, que teme a Deus e 
evita o mal\u00bb. {R}_{I}9_{/}Sat\u00e3 respondeu a Jav\u00e9: \u00abE \u00e9 a troco de nada que 
Job teme a Deus? {I}10_{/}Tu mesmo puseste um muro de protec\u00e7\u00e3o ao 
redor dele, da sua casa e de todos os seus bens. Aben\u00e7oaste os 
seus trabalhos, e os seus rebanhos cobrem toda a regi\u00e3o. 
{I}11_{/}Estende, por\u00e9m, a m\u00e3o e mexe no que ele possui. Garanto-Te 
que ele Te amaldi\u00e7oar\u00e1 na face!\u00bb {I}12_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 disse a Sat\u00e3: 
\u00abPois bem! Faz o que quiseres ao que ele possui, mas n\u00e3o estendas 
a m\u00e3o contra ele\u00bb. E Sat\u00e3 saiu da presen\u00e7a de Jav\u00e9.

{N}A FIDELIDADE DO POBRE{/}

[\u0095]_{I}13_{/}Certo dia, os filhos e filhas de Job comiam e bebiam na 
casa do irm\u00e3o mais velho. {I}14_{/}Um mensageiro chegou \u00e0 casa de Job 
e disse-lhe: \u00abOs bois estavam a lavrar e as mulas pastavam perto 
deles. {I}15_{/}Os sabeus ca\u00edram sobre eles, mataram os empregados a 
fio de espada e levaram o rebanho. S\u00f3 eu escapei para te contar o 
que aconteceu\u00bb.
{I}16_{/}Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: \u00abCaiu um 
raio do c\u00e9u e queimou e consumiu as tuas ovelhas e pastores. S\u00f3 eu 
escapei para te contar o que aconteceu\u00bb.
{I}17_{/}Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: \u00abUm bando 
de caldeus, dividido em tr\u00eas grupos, caiu sobre os camelos e 
levou-os embora, depois de matar os empregados a fio de espada. S\u00f3 
eu escapei para te contar o que aconteceu\u00bb. 
{I}18_{/}Mal acabara de falar, quando chegou outro e disse: \u00abOs teus 
filhos e filhas estavam a comer e a beber na casa do irm\u00e3o mais 
velho, {R}_{I}19_{/}quando um furac\u00e3o veio do deserto, atingindo a casa 
pelos quatro lados, e ela desabou sobre os jovens e matou-os. S\u00f3 
eu escapei para te contar o que aconteceu\u00bb.
{I}20_{/}Ent\u00e3o Job levantou-se, rasgou as vestes, rapou a cabe\u00e7a, caiu 
por terra, [=]_{I}21_{/}e disse: \u00abNu sa\u00ed do ventre de minha m\u00e3e, e nu 
para ele voltarei. Jav\u00e9 tudo me deu e Jav\u00e9 tudo me tirou. Bendito 
seja o nome de Jav\u00e9!\u00bb
{R}_{I}22_{/}E, apesar de tudo, Job n\u00e3o pecou e n\u00e3o acusou Deus de ter 
feito alguma coisa injusta.

{1}2{/}

{N}AT\u00c9 ONDE O POBRE \u00c9 FIEL?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Certo dia, os anjos apresentaram-se a Jav\u00e9 e, entre eles, 
foi tamb\u00e9m Sat\u00e3. {I}2_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 perguntou a Sat\u00e3: \u00abDe onde vens?\u00bb 
Sat\u00e3 respondeu: \u00abFui dar uma volta pela Terra\u00bb. {R}_{I}3_{/}Jav\u00e9 disse-
lhe: \u00abReparaste no meu servo Job? Na Terra n\u00e3o existe nenhum outro 
como ele: \u00e9 um homem \u00edntegro e recto, que teme a Deus e evita o 
mal. Ele continua firme na sua integridade. E tu, a troco de nada, 
lan\u00e7aste-Me contra ele para o aniquilar\u00bb. {R}_{I}4_{/}Sat\u00e3 respondeu a 
Jav\u00e9: \u00abPele por pele! O homem d\u00e1 tudo o que tem para manter a 
vida. {I}5_{/}Estende, por\u00e9m, a m\u00e3o e atinge-o na carne e nos ossos. 
Garanto-Te que ele Te amaldi\u00e7oar\u00e1 na cara!\u00bb [=]_{I}6_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 
disse a Sat\u00e3: \u00abFaz dele o que quiseres, mas poupa-lhe a vida\u00bb. 
[\u0095]_{I}7_{/}E Sat\u00e3 saiu da presen\u00e7a de Jav\u00e9.

{N}FIDELIDADE AT\u00c9 AO FIM{/}

Sat\u00e3 feriu Job com feridas graves, desde a planta do p\u00e9 at\u00e9 \u00e0 
cabe\u00e7a. [=]_{I}8_{/}Ent\u00e3o Job pegou num caco de telha para se 
co\u00e7ar,sentado no meio da cinza. {R}_{I}9_{/}A sua mulher disse-lhe: \u00abE tu 
ainda continuas na tua integridade? Amaldi\u00e7oa a Deus e morre de 
uma vez!\u00bb {R}_{I}10_{/}Job respondeu: \u00abTu est\u00e1s a falar como louca! Se 
aceitamos de Deus os bens, n\u00e3o devemos tamb\u00e9m aceitar os males?\u00bb
E, apesar de tudo isso, Job n\u00e3o ofendeu a Deus com palavras.

{N}OS AMIGOS: SOLIDARIEDADE OU ACUSA\u00c7\u00c3O?{/}

[\u0095]_{I}11_{/}Nesse meio tempo, tr\u00eas amigos de Job ficaram a saber de 
todas as desgra\u00e7as que o tinham atingido. Eram eles: Elifaz de 
Tem\u00e3, Baldad de Su\u00e1s e Sofar de Naamat. Cada um partiu da sua 
terra e encontraram-se para com-partilhar a dor de Job e consol\u00e1-
lo. {I}12_{/}Quando o viram de longe, n\u00e3o o reconheceram, e come\u00e7aram 
a chorar. Rasgaram as vestes e lan\u00e7aram p\u00f3 sobre a cabe\u00e7a. 
{I}13_{/}Depois sentaram-se no ch\u00e3o ao lado dele, durante sete dias e 
sete noites. Vendo o enorme sofrimento de Job, n\u00e3o lhe disseram 
nenhuma palavra.

{C}II. QUEM EST\u00c1 ERRADO?{/}

{C}1.PRIMEIRO DEBATE{/}

{C}DESESPERO DE JOB{/}

{1}3{/}

{N}MELHOR N\u00c3O TER NASCIDO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job abriu a boca e amaldi\u00e7oou o dia do seu 
nascimento, {I}2_{/}dizendo: [=]_{I}3_{/}\u00abMorra o dia em que nasci e a 
noite em que se disse: "Um menino foi concebido". {R}_{I}4_{/}Que esse 
dia se transforme em trevas; que Deus, do alto, n\u00e3o cuide dele e 
sobre ele n\u00e3o brilhe a luz. {I}5_{/}Que as trevas e as sombras o 
reclamem para si, que uma nuvem o cubra e um eclipse o torne 
pavoroso. {I}6_{/}Que a escurid\u00e3o se apodere desse dia, que ele n\u00e3o se 
some aos dias do ano e n\u00e3o entre na conta dos meses. {I}7_{/}Que essa 
noite fique est\u00e9ril e fechada aos gritos de alegria. [=]_{I}8_{/}Que a 
maldigam os que maldizem o dia, os que sabem despertar Leviat\u00e3. 
{I}9_{/}Que as estrelas da sua aurora escure\u00e7am, que espere a luz que 
n\u00e3o vem, e n\u00e3o veja as p\u00e1lpebras da alvorada. {I}10_{/}Pois essa noite 
n\u00e3o fechou as portas do ventre para mim, e n\u00e3o escondeu da minha 
vista tanta mis\u00e9ria.

{N}MELHOR TER SIDO UM ABORTO{/}

[\u0095]_{I}11_{/}Porque n\u00e3o morri ao sair do ventre de minha m\u00e3e, ou n\u00e3o 
pereci ao sair das suas entranhas? {I}12_{/}Porque \u00e9 que dois joelhos 
me receberam, e dois peitos me amamentaram? [=]_{I}13_{/}Agora eu 
repousaria tranquilo e dormiria em paz, {R}_{I}14_{/}juntamente com os 
reis e governantes da terra, que constru\u00edram t\u00famulos sumptuosos 
para si, {I}15_{/}ou com os nobres que possu\u00edram ouro e encheram de 
prata os seus mausol\u00e9us. {I}16_{/}Agora eu seria um aborto enterrado, 
uma criatura que n\u00e3o chegou a ver a luz. {I}17_{/}L\u00e1 em baixo acaba o 
tumulto dos injustos, e a\u00ed repousam os que est\u00e3o esgotados. 
{I}18_{/}Com eles descansam os prisioneiros, e j\u00e1 n\u00e3o ouvem a voz do 
capataz. {I}19_{/}L\u00e1 em baixo os pequenos confundem-se com os grandes, 
e o escravo fica liberto do seu patr\u00e3o.

{N}MELHOR MORRER DO QUE VIVER ASSIM{/}

[\u0095]_{I}20_{/}Para qu\u00ea dar luz a um infeliz, e vida a quem vai viver na 
amargura? {R}_{I}21_{/}Para qu\u00ea dar luz a quem anseia pela morte que n\u00e3o 
chega, e que a procura mais do que a um tesouro? {I}22_{/}Para qu\u00ea dar 
luz a quem se alegra diante de um t\u00famulo e exulta diante da 
sepultura? {R}_{I}23_{/}Para qu\u00ea dar luz a um homem que n\u00e3o encontra 
caminho, porque Deus o cercou de todos os lados? {R}_{I}24_{/}Os solu\u00e7os 
s\u00e3o o meu alimento, e os meus gemidos transbordam como \u00e1gua. 
{I}25_{/}O que eu mais temia aconteceu-me, e o que mais me apavorava 
atingiu-me. {I}26_{/}Vivo sem paz, sem tranquilidade e sem descanso, 
em cont\u00ednuo sobressalto\u00bb. 

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}4{/}

{N}DEUS CASTIGA O INOCENTE?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abN\u00e3o sei se tu 
te aguentarias se algu\u00e9m falasse contigo. Contudo, quem poderia 
permanecer calado? {I}3_{/}V\u00ea! Ins-tru\u00edste pessoas e fortaleceste 
bra\u00e7os enfraquecidos. {I}4_{/}Com as tuas palavras, levantaste quem 
vacilava, e sustentaste joelhos que se dobravam. {I}5_{/}Pois bem! 
Hoje \u00e9 a tua vez. N\u00e3o aguentas? Perturbas-te hoje, quando tudo 
desaba sobre ti? {R}_{I}6_{/}O temor de Deus n\u00e3o era a tua confian\u00e7a, e a 
tua esperan\u00e7a n\u00e3o era um comportamento \u00edntegro? {I}7_{/}Lembra-te bem: 
Quando \u00e9 que um inocente pereceu, e quando \u00e9 que os homens rectos 
foram destru\u00eddos? {I}8_{/}Pelo que eu sei, os que cultivam injusti\u00e7a e 
semeiam mis\u00e9ria, s\u00e3o esses que as colhem. {R}_{I}9_{/}Deus sopra, e eles 
perecem; o sopro da sua ira os consome. {I}10_{/}Embora o le\u00e3o ruja e 
o leopardo tamb\u00e9m, os dentes das crias s\u00e3o quebrados: {I}11_{/}sem a 
presa, o le\u00e3o acaba por morrer, e as crias da leoa debandam.

{N}QUEM PODE TER RAZ\u00c3O DIANTE DE DEUS?{/}

[\u0095]_{I}12_{/}Escutei uma palavra fugidia, o meu ouvido percebeu o seu 
leve sussurro: {I}13_{/}numa vis\u00e3o nocturna de pesadelo, quando o 
torpor cai sobre os homens, [=]_{I}14_{/}fui tomado por um calafrio de 
terror, e todos os meus ossos estremeceram. {I}15_{/}Um vento passou 
pelo meu rosto e provocou-me arrepios por todo o corpo. 
[=]_{I}16_{/}Eu estava de p\u00e9, mas n\u00e3o vi quem era. Uma figura apareceu 
diante de mim, houve um sil\u00eancio, e depois ouvi uma voz: 
{R}_{I}17_{/}"Pode o homem ter raz\u00e3o diante de Deus? Ou pode um mortal 
ser puro diante do seu Criador? {I}18_{/}Ele desconfia at\u00e9 dos seus 
servos, e mesmo nos seus anjos descobre defeitos. {I}19_{/}Quanto mais 
nesses que moram em casas de barro e que t\u00eam alicerces sobre a 
poeira! Ser\u00e3o esmagados mais depressa do que a tra\u00e7a, 
{I}20_{/}aniquilados entre o amanhecer e a tarde. Eles perecem para 
sempre, pois ningu\u00e9m os far\u00e1 voltar. {I}21_{/}As cordas da sua tenda 
s\u00e3o arrancadas, e eles morrem sem ter aprendido a li\u00e7\u00e3o".

{1}5{/}

{N}DE ONDE VEM A DESGRA\u00c7A?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Grita, para veres se algu\u00e9m te responde. A que anjo vais 
recorrer? {R}_{I}2_{/}Porque o despeito mata o insensato, e a inveja 
causa a morte do imbecil. {I}3_{/}Vi um insensato lan\u00e7ar ra\u00edzes, e num 
momento a sua casa foi amaldi\u00e7oada. {I}4_{/}Os seus filhos est\u00e3o longe 
de prosperar, s\u00e3o esmagados sem defesa no tribunal. {I}5_{/}O faminto 
devorou-lhe as colheitas, e o sedento sugou-lhe os bens. {I}6_{/}A 
mis\u00e9ria n\u00e3o nasce do p\u00f3, e a fadiga n\u00e3o brota da terra. {R}_{I}7_{/}E o 
homem gera o seu pr\u00f3prio sofrimento, como as fa\u00falhas sobem para o 
alto.

{N}RECORRER A DEUS{/}

[\u0095]_{R}_{I}8_{/}Em teu lugar, eu recorreria a Deus, e poria a minha causa 
nas suas m\u00e3os. {I}9_{/}Ele faz coisas grandiosas e incompreens\u00edveis, e 
maravilhas sem conta: {I}10_{/}d\u00e1 chuva \u00e0 terra, e rega os campos; 
[=]_{I}11_{/}levanta os humildes, e concede prosperidade aos abatidos; 
{I}12_{/}malogra os planos do astuto, para que as manobras deste 
fracassem; [=]_{I}13_{/}apanha os espertos na ast\u00facia deles, e 
desmonta as tramas do velhaco. {I}14_{/}Em pleno dia, todos esses caem 
nas trevas, e ao meio-dia tacteiam como se fosse noite. {R}_{I}15_{/}\u00c9 
assim que Deus salva da l\u00edngua afiada o pobre, e da m\u00e3o do 
poderoso o necessitado. {I}16_{/}Deste modo, o fraco tem esperan\u00e7a, e 
a injusti\u00e7a fecha a boca. [=]_{R}_{I}17_{/}Feliz o homem a quem Deus 
corrige. Portanto, n\u00e3o desprezes a li\u00e7\u00e3o do Todo-poderoso.
{R}_{I}18_{/}\u00c9 Deus quem fere e cura a ferida, quem golpeia e cura com a 
sua pr\u00f3pria m\u00e3o. {I}19_{/}Ele \u00e9 quem te liberta de seis perigos, e no 
s\u00e9timo o mal n\u00e3o mais te atingir\u00e1. {R}_{I}20_{/}Em tempo de fome, salvar-
te-\u00e1 da morte, e na guerra proteger-te-\u00e1 do golpe da espada. 
{I}21_{/}Ficar\u00e1s a salvo do flagelo da l\u00edngua, e n\u00e3o temer\u00e1s quando a 
ru\u00edna chegar. {I}22_{/}Rir\u00e1s do desastre e da fome, e n\u00e3o temer\u00e1s os 
animais selvagens. {R}_{I}23_{/}Far\u00e1s alian\u00e7a com os esp\u00edritos do campo, 
e viver\u00e1s em paz com as feras. {I}24_{/}Ter\u00e1s prosperidade na tua 
tenda e, visitando a tua propriedade, ver\u00e1s que nada falta. 
{I}25_{/}Ter\u00e1s descend\u00eancia numerosa, e teus filhos ser\u00e3o como a erva 
do campo. {I}26_{/}Descer\u00e1s ao t\u00famulo em avan\u00e7ada velhice, como feixe 
de trigo ceifado no devido tempo.
{I}27_{/}V\u00ea bem! Observamos tudo isso, e \u00e9 coisa certa. Escuta bem, e 
bom proveito fa\u00e7as\u00bb. 

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}6{/}

{N}S\u00d3 SABE QUEM SOFRE{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {I}2_{/}\u00abSe se pudesse pesar a minha 
afli\u00e7\u00e3o, e colocar na balan\u00e7a a minha desgra\u00e7a, {R}_{I}3_{/}seriam mais 
pesadas que a areia do mar! Por isso, as minhas palavras s\u00e3o 
confusas. {R}_{I}4_{/}Trago, cravadas em mim, as flechas do Todo-
poderoso, e o meu esp\u00edrito bebe o veneno delas; os terrores de 
Deus enfileiram-se contra mim.
{I}5_{/}Acaso o asno selvagem relincha diante do feno? Ou muge o boi 
diante da forragem? {I}6_{/}Algu\u00e9m come sem sal algo que n\u00e3o tem 
gosto? Que sabor tem a clara do ovo? {I}7_{/}O que antes me causava 
nojo ao tocar, agora tornou-se a minha comida repugnante.

{N}MORRER PARA N\u00c3O SE REVOLTAR{/}

[\u0095]_{R}_{I}8_{/}Oxal\u00e1 se cumpra o que eu pedi, e Deus me conceda o que 
espero: [=]_{I}9_{/}que Ele Se digne esmagar-me, e solte a sua m\u00e3o 
para acabar comigo! {I}10_{/}Para mim, seria um consolo e, mesmo 
torturado sem piedade, eu daria saltos de alegria, por n\u00e3o ter 
renegado os decretos do Santo! {I}11_{/}Que for\u00e7as me restam para 
aguentar? E aonde espero chegar, para continuar a viver? 
{I}12_{/}Terei eu a firmeza da pedra? Porventura sou de ferro? {I}13_{/}J\u00e1 
n\u00e3o encontro apoio em mim mesmo, e todos os recursos me abandonam.

{N}O DEVER DO AMIGO \u00c9 SOLIDARIZAR-SE{/}

[\u0095]_{I}14_{/}A pessoa desesperada tem direito \u00e0 solidariedade do 
amigo, mesmo que tivesse abandonado o temor do Todo-poderoso. 
[=]_{I}15_{/}Mas os meus irm\u00e3os desiludiram-me como rios tempor\u00e1rios, 
como ribeiros que desaparecem do seu leito: {I}16_{/}no tempo do 
degelo, transbordam, e enchem-se quando a neve se dissolve; 
{I}17_{/}mas no tempo do Ver\u00e3o evaporam-se e, chegando o calor, 
desaparecem de seus leitos. {R}_{I}18_{/}Por causa deles, as caravanas 
mudam a rota, entram pelo deserto e extraviam-se. {I}19_{/}As 
caravanas de Tem\u00e3 procuram-nos, e os mercadores de Sab\u00e1 contam com 
eles. {I}20_{/}Mas a sua esperan\u00e7a \u00e9 frustrada e, ao chegar a esse 
lugar, ficam desiludidos. {I}21_{/}Assim sois v\u00f3s. Tornastes-vos um 
nada para mim, pois estais a ver algo terr\u00edvel, e sentis medo.

{N}EM QUE FOI QUE ERREI?{/}

[\u0095]_{I}22_{/}Acaso pedi que me d\u00e9sseis alguma coisa? Ou que 
oferec\u00easseis suborno do vosso bolso? {I}23_{/}Ou que me livr\u00e1sseis do 
meu advers\u00e1rio? Ou que me resgat\u00e1sseis do poder de algum tirano? 
{I}24_{/}Explicai-mo, e eu ficarei em sil\u00eancio. Fazei-me ver em que \u00e9 
que eu errei. {I}25_{/}Como seria bom ouvir palavras justas! Mas o que 
\u00e9 que provam as vossas provas? {I}26_{/}Pretendeis criticar as minhas 
palavras? As palavras do desesperado dirigem-se ao vento! {I}27_{/}V\u00f3s 
ser\u00edeis capazes de sortear um \u00f3rf\u00e3o e de vender o vosso pr\u00f3prio 
amigo. {I}28_{/}Pois bem! Olhai atentamente para mim: juro que n\u00e3o vou 
mentir diante de v\u00f3s. {I}29_{/}Voltai atr\u00e1s e n\u00e3o sejais injustos. 
Voltai atr\u00e1s, pois a minha inoc\u00eancia est\u00e1 em jogo. {I}30_{/}Acaso 
existe falsidade nos meus l\u00e1bios? Ou a minha boca n\u00e3o distingue j\u00e1 
a desgra\u00e7a?

{1}7{/}

{N}O TEMPO N\u00c3O PASSA...{/}

[\u0095]_{I}1_{/}O homem vive na Terra cumprindo um servi\u00e7o militar, e os 
seus dias s\u00e3o como os do assalariado: {I}2_{/}tal e qual um escravo, 
ele suspira pela sombra e, como o assalariado, espera pelo seu 
sal\u00e1rio. {I}3_{/}Assim, a minha heran\u00e7a s\u00e3o meses de ilus\u00e3o, e 
couberam-me noites de fadiga. [=]_{I}4_{/}Ao deitar-me, fico pensando: 
"Quando me levantarei?" A noite \u00e9 muito longa, e canso-me de me 
voltar na cama at\u00e9 \u00e0 aurora. {I}5_{/}A minha carne est\u00e1 cheia de 
vermes e feridas, e a minha pele rompe-se e supura.

{N}E A VIDA \u00c9 UM SOPRO{/}

[\u0095]_[=]_{I}6_{/}Os meus dias correm velozes como a lan\u00e7adeira, e 
consomem-se sem qualquer esperan\u00e7a. {I}7_{/}Lembra-te! A minha vida \u00e9 
um sopro, e os meus olhos nunca mais ver\u00e3o a felicidade. {I}8_{/}Os 
olhos de quem me v\u00ea, nunca mais me ver\u00e3o. Os teus olhos procurar-
me-\u00e3o, mas eu j\u00e1 n\u00e3o existirei. [=]_{I}9_{/}Como nuvem que passa e se 
desfaz, quem desce ao t\u00famulo, nunca mais subir\u00e1; [=]_{I}10_{/}nunca 
mais voltar\u00e1 \u00e0 sua casa, e a sua morada nunca mais o rever\u00e1.
{R}_{I}11_{/}Por isso, n\u00e3o ficarei calado; o meu esp\u00edrito angustiado 
falar\u00e1 e a minha alma entristecida queixar-se-\u00e1. {R}_{I}12_{/}Porventura 
sou o Mar ou o Drag\u00e3o, para me colocares morda\u00e7a? {I}13_{/}Quando 
penso que o leito me aliviar\u00e1 e a minha cama abrandar\u00e1 os meus 
gemidos, {I}14_{/}ent\u00e3o espantas-me com sonhos e aterrorizas-me com 
pesadelos. {R}_{I}15_{/}Eu preferiria morrer sufocado. Antes a morte do 
que estas dores! {I}16_{/}Eu n\u00e3o vou viver para sempre! Deixa-me, pois 
os meus dias s\u00e3o apenas um sopro.

{N}N\u00c3O \u00c9 MELHOR PERDOAR?{/}

[\u0095]_{R}_{I}17_{/}O que \u00e9 o homem, para fazeres tanto caso dele, para 
fixares a tua aten\u00e7\u00e3o sobre ele, {I}18_{/}a ponto de o examinares cada 
manh\u00e3 e o testares a cada momento? {I}19_{/}Porque n\u00e3o paras de me 
espiar, deixando-me ao menos engolir a saliva? {I}20_{/}Caso eu tenha 
pecado, o que foi que eu Te fiz? Espi\u00e3o da humanidade, porque me 
tomaste como alvo, e me transformaste em peso para Ti? {I}21_{/}Porque 
n\u00e3o perdoas o meu pecado, e n\u00e3o afastas de mim a minha culpa? 
Olha! Eu logo me deitarei no p\u00f3: Tu me procurar\u00e1s tacteando, e eu 
j\u00e1 n\u00e3o existirei\u00bb.

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}8{/}

{N}DEUS \u00c9 JUSTO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Baldad de Su\u00e1s tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abAt\u00e9 quando 
vais falar dessa maneira? As tuas palavras s\u00e3o como um furac\u00e3o. 
[=]_{R}_{I}3_{/}Pode Deus torcer o direito? Pode o Todo-poderoso 
perverter a justi\u00e7a? {R}_{I}4_{/}Se os teus filhos pecaram contra Deus, 
Ele j\u00e1 os entregou ao poder dos pr\u00f3prios crimes. {R}_{I}5_{/}Mas, se 
procurares a Deus, se suplicares ao Todo-poderoso, {I}6_{/}e te 
conservares puro e recto, Ele cuidar\u00e1 de ti e te restaurar\u00e1 na tua 
leg\u00edtima prosperidade. {I}7_{/}A tua situa\u00e7\u00e3o anterior parecer\u00e1 coisa 
pequena em compara\u00e7\u00e3o com a grandeza do teu futuro.

{N}OS INJUSTOS S\u00c3O CASTIGADOS{/}

[\u0095]_{I}8_{/}Consulta as gera\u00e7\u00f5es passadas e observa a experi\u00eancia dos 
nossos antepassados. {I}9_{/}N\u00f3s nascemos ontem e n\u00e3o sabemos nada. Os 
nossos dias s\u00e3o como sombra que passa. {I}10_{/}Os nossos 
antepassados, no entanto, v\u00e3o instruir-te e falar-te com palavras 
tiradas da sua experi\u00eancia. {R}_{I}11_{/}Porventura brota o papiro fora 
do p\u00e2ntano? Ou pode o junco crescer sem \u00e1gua? {I}12_{/}Ainda verde 
para ser colhido, ele seca antes de todas as ervas. {R}_{I}13_{/}Tal \u00e9 o 
destino de quem se esquece de Deus, e assim desaparece a esperan\u00e7a 
do injusto. {I}14_{/}A confian\u00e7a do injusto \u00e9 um fio fr\u00e1gil, e a sua 
seguran\u00e7a \u00e9 uma teia de aranha: {I}15_{/}se algu\u00e9m nela se apoia, ela 
n\u00e3o aguenta; se algu\u00e9m a ela se agarra, ela n\u00e3o o sustenta. 
{I}16_{/}Cheia de seiva ao sol, a \u00e1rvore estende os ramos por todo o 
jardim, {I}17_{/}lan\u00e7a ra\u00edzes entre as pedras e vive no meio das 
rochas, {I}18_{/}mas se for arrancada do seu lugar, este renega-a, 
dizendo: "Nunca te vi". {I}19_{/}Assim termina a sua alegre hist\u00f3ria, 
e outras plantas brotam do mesmo ch\u00e3o.
{R}_{I}20_{/}Nota bem: Deus n\u00e3o rejeita o homem \u00edntegro, nem faz alian\u00e7a 
com malfeitores. {I}21_{/}Ele encher\u00e1 de novo a tua boca de sorrisos e 
os seus l\u00e1bios com gritos de alegria. {I}22_{/}Os teus inimigos 
ficar\u00e3o cobertos de vergonha, e a tenda dos injustos 
desaparecer\u00e1\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}9{/}

{N}QUEM PODE DISPUTAR COM DEUS?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {R}_{I}2_{/}\u00abEu sei muito bem que \u00e9 assim. 
Como pode um homem ter raz\u00e3o diante de Deus? {R}_{I}3_{/}Se algu\u00e9m 
quisesse disputar com Deus, n\u00e3o Lhe responderia sequer uma s\u00f3 vez 
entre mil. {I}4_{/}Qual o s\u00e1bio ou forte que se Lhe op\u00f4s, e saiu 
ileso? {I}5_{/}Ele desloca as montanhas sem que elas percebam e, na 
sua ira, arranca-as do lugar. [=]_{I}6_{/}Ele abala os alicerces da 
terra, e as suas colunas estremecem. {I}7_{/}Ordena ao Sol que se n\u00e3o 
levante e esconde as estrelas. [=]_{R}_{I}8_{/}Ele sozinho estende o c\u00e9u, 
e caminha sobre as ondas do mar. {I}9_{/}Criou a Ursa e o Orion, as 
Pl\u00eaiades e as constela\u00e7\u00f5es do Sul. {I}10_{/}Faz prod\u00edgios insond\u00e1veis 
e maravilhas sem conta.
{I}11_{/}Passa junto a mim, e n\u00e3o O vejo. Ro\u00e7a em mim, e nem O sinto. 
{I}12_{/}Se apanha uma presa, quem Lha tirar\u00e1? Quem poder\u00e1 dizer-Lhe: 
"Que fazes?" {R}_{I}13_{/}Deus n\u00e3o reprime a sua pr\u00f3pria ira, e debaixo 
d'Ele se curvam as legi\u00f5es de Raab.

{N}DEUS \u00c9 ARBITR\u00c1RIO?{/}

[\u0095]_[=]_{I}14_{/}Muito menos Lhe poderei responder, ou escolher 
argumentos contra Ele. {I}15_{/}Mesmo que eu tivesse raz\u00e3o, n\u00e3o 
receberia resposta, e teria que implorar miseric\u00f3rdia ao meu juiz. 
{I}16_{/}Mesmo que eu O chamasse e Ele me respondesse, n\u00e3o creio que 
me desse aten\u00e7\u00e3o. {I}17_{/}Pelo contr\u00e1rio: esmagar-me-ia no furac\u00e3o, e 
sem motivo multiplicaria as minhas feridas; {I}18_{/}nem sequer me 
deixaria tomar f\u00f4lego, e encher-me-ia de amargura.
{I}19_{/}Recorrer \u00e0 for\u00e7a? Ele \u00e9 o mais forte! Recorrer ao tribunal? 
Quem O convocar\u00e1? {I}20_{/}Mesmo que eu fosse inocente, a sua boca 
condenar-me-ia; mesmo que eu fosse inocente, Ele declarar-me-ia 
culpado. {I}21_{/}Ser\u00e1 que sou inocente? J\u00e1 nem sei! Desprezo a vida. 
[=]_{I}22_{/}Garanto-vos que \u00e9 tudo a mesma coisa: Ele extermina tanto 
o inocente como o injusto. {R}_{I}23_{/}Se uma cat\u00e1strofe semeia morte 
repentina, Ele zomba da desgra\u00e7a do inocente. [=]_{R}_{I}24_{/}Ele 
entrega o pa\u00eds na m\u00e3o do injusto e fecha os olhos dos seus ju\u00edzes: 
se n\u00e3o for Ele, quem \u00e9 que o faz?

{N}SE HOUVESSE UM \u00c1RBITRO ENTRE DEUS E O HOMEM!{/}

[\u0095]_{I}25_{/}Os meus dias correm mais depressa que um atleta, e fogem 
sem ter provado a felicidade; {I}26_{/}deslizam como barcas de papiro, 
como \u00e1guia que cai em cima da presa. {I}27_{/}Se penso: "Vou esquecer 
o meu sofrimento e ficar de rosto alegre", {I}28_{/}fico com medo de 
toda a esp\u00e9cie de desgra\u00e7a, pois eu sei que Ele n\u00e3o me absolver\u00e1. 
{I}29_{/}E se sou culpado, para qu\u00ea cansar-me \u00e0 toa? [=]_{I}30_{/}Ainda 
que eu me esfregasse com sab\u00e3o, e lavasse as minhas m\u00e3os com soda, 
{I}31_{/}Tu me atirarias \u00e0 lama, e as minhas vestes teriam nojo de 
mim. {R}_{I}32_{/}\u00c9 que Deus n\u00e3o \u00e9 um homem como eu, para que eu possa 
dizer-Lhe: "Vamos comparecer juntos no tribunal". {I}33_{/}Se houvesse 
entre n\u00f3s um \u00e1rbitro, que pusesse as m\u00e3os sobre n\u00f3s dois! 
{R}_{I}34_{/}Ele afastaria de mim a vara de Deus, para que eu n\u00e3o 
enlouquecesse com o seu terror. {I}35_{/}Ent\u00e3o eu poderia falar sem 
medo; de contr\u00e1rio, n\u00e3o sou dono de mim mesmo.

{1}10{/}

{N}COMO ENTENDER ISTO?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Estou cansado da minha vida! Vou entregar-me \u00e0s queixas, 
falando com toda a amargura do meu cora\u00e7\u00e3o. {R}_{I}2_{/}Vou pedir a Deus: 
"N\u00e3o me condenes! Diz-me o que tens contra mim". {I}3_{/}Ser\u00e1 que Te 
divertes em me oprimir, desprezando a obra das tuas m\u00e3os para 
favorecer os projectos dos injustos? [=]_{R}_{I}4_{/}Acaso tens olhos de 
carne, e v\u00eas apenas como o homem? {I}5_{/}Porventura os teus dias s\u00e3o 
como os dias de um mortal, e os teus anos como os anos de um ser 
humano, {I}6_{/}para sondares a minha culpa e investigares o meu 
pecado, {I}7_{/}mesmo sabendo que n\u00e3o sou culpado, e que ningu\u00e9m me 
pode livrar da tua m\u00e3o?

{N}SER\u00c1 QUE DEUS \u00c9 S\u00c1DICO?{/}

[\u0095]_[=]_{I}8_{/}As tuas m\u00e3os formaram e modelaram todo o meu ser. E 
agora voltas-Te contra mim, para me aniquilar? {I}9_{/}Lembra-Te de 
que me fizeste do barro. Queres agora fazer-me voltar ao p\u00f3? 
{I}10_{/}N\u00e3o me derramaste como leite e me coalhaste como queijo? 
{I}11_{/}Revestiste-me de pele e carne, e teceste-me de ossos e 
nervos. {I}12_{/}Concedeste-me vida e favor, e a tua provid\u00eancia 
conservou a minha respira\u00e7\u00e3o. {I}13_{/}Contudo, alguma coisa Tu 
guardavas escondida. Agora sei que tinhas esta inten\u00e7\u00e3o: {I}14_{/}Se 
eu pecasse, Tu me surpreenderias em flagrante, e n\u00e3o deixarias a 
minha culpa sem castigo. {I}15_{/}Se fosse culpado, ai de mim! Se 
fosse inocente, n\u00e3o poderia levantar a cabe\u00e7a, pois estou cheio de 
vergonha e embriagado de mis\u00e9ria. {I}16_{/}Se levanto a cabe\u00e7a, Tu 
ca\u00e7as-me, altivo como le\u00e3o, e multiplicas as tuas proezas contra 
mim. {I}17_{/}Repetes os teus assaltos contra mim, contra mim redobras 
a tua ira, contra mim lan\u00e7as tropas descansadas.

{N}DEIXA-ME, E EU VIVEREI UM POUCO{/}

[\u0095]_{I}18_{/}Porque me tiraste do ventre materno? Eu poderia ter 
morrido, e ningu\u00e9m me teria visto. {I}19_{/}Eu seria como algu\u00e9m que 
nunca existiu, levado do ventre para o t\u00famulo. {I}20_{/}Como s\u00e3o 
poucos os dias da minha vida! Deixa-me, para que eu possa respirar 
um pouco, {R}_{I}21_{/}antes que me v\u00e1 para nunca mais voltar, para o 
pa\u00eds das trevas e das sombras da morte, {R}_{I}22_{/}para o pa\u00eds onde a 
aurora \u00e9 noite escura, onde a sombra da morte cobre a confus\u00e3o, e 
onde a claridade \u00e9 escurid\u00e3o\u00bb.

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{1}11{/}

{N}DEUS CONHECE AS PESSOAS FALSAS{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Sofar de Naamat tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abSer\u00e1 
que esse palavreado vai ficar sem resposta? O charlat\u00e3o acabar\u00e1 
por ter raz\u00e3o? {I}3_{/}O teu palavreado vai calar os outros? Vais 
zombar, sem que ningu\u00e9m te repreenda? {I}4_{/}Tu disseste: "O meu 
comportamento \u00e9 limpo. Sou puro diante dos teus olhos". {R}_{I}5_{/}Ah, 
se Deus quisesse falar, e abrir a boca contra ti! [=]_{R}_{I}6_{/}Se te 
ensinasse os segredos da sabedoria, que s\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de 
entender, ent\u00e3o saberias que Deus perdoa parte da tua culpa.
{R}_{I}7_{/}Acaso pretendes sondar o \u00edntimo de Deus, ou penetrar na 
perfei\u00e7\u00e3o do Todo-poderoso? [=]_{I}8_{/}Ela \u00e9 mais alta do que o c\u00e9u. 
O que podes tu fazer? Ela \u00e9 mais profunda que o abismo. O que 
podes tu saber? {R}_{I}9_{/}Ela \u00e9 maior que a Terra e maior que o mar. 
{I}10_{/}Se Ele vier para te prender e levar a tribunal, quem O poder\u00e1 
impedir? {I}11_{/}Ele conhece as pessoas falsas, e sem fazer esfor\u00e7o 
descobre o crime. {I}12_{/}\u00c9 mais f\u00e1cil um asno selvagem ser 
domesticado, do que um idiota criar ju\u00edzo.

{N}O REM\u00c9DIO \u00c9 CONVERTER-SE{/}

[\u0095]_{R}_{I}13_{/}Se dirigires o teu cora\u00e7\u00e3o para Deus, e para Ele 
estenderes as m\u00e3os; {I}14_{/}se te afastares da maldade, e n\u00e3o 
hospedares a injusti\u00e7a na tua tenda, {I}15_{/}ent\u00e3o poder\u00e1s levantar o 
rosto sem mancha, e n\u00e3o ter\u00e1s medo nas dificuldades. 
{I}16_{/}Esquecer\u00e1s as tuas desgra\u00e7as, ou lembrar-te-\u00e1s delas como 
\u00e1guas passadas. [=]_{I}17_{/}A tua vida brilhar\u00e1 como o sol do meio-
dia e a escurid\u00e3o ser\u00e1 para ti como a aurora. {I}18_{/}Ter\u00e1s 
tranquilidade na esperan\u00e7a e, olhando ao redor, deitar-te-\u00e1s 
tranquilo. {I}19_{/}Dormir\u00e1s sem sobressaltos, e muitos procurar\u00e3o os 
teus favores. {I}20_{/}Quanto aos injustos, os seus olhos ficar\u00e3o 
cegos, e n\u00e3o encontrar\u00e3o escapat\u00f3ria. A sua esperan\u00e7a ser\u00e1 o 
\u00faltimo suspiro\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}12{/}

{N}DEUS DESORIENTA OS S\u00c1BIOS{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: 
{I}2_{/}\u00abComo sois importantes! A sabedoria vai morrer convosco! 
{I}3_{/}Todavia, eu tamb\u00e9m tenho intelig\u00eancia, e n\u00e3o sou inferior a 
v\u00f3s. Quem \u00e9 que n\u00e3o sabe tudo isso? {R}_{I}4_{/}Eu tornei-me motivo de 
zombaria para os meus amigos, eu que gritava a Deus para ter uma 
resposta. Zombam de mim, que sou inocente e \u00edntegro. {I}5_{/}Os que 
est\u00e3o satisfeitos dizem: "Desprezo para o infeliz, empurr\u00e3o para 
quem est\u00e1 a escorregar". {R}_{I}6_{/}No entanto h\u00e1 paz na tenda dos 
ladr\u00f5es e aqueles que desafiam a Deus vivem tranquilos, pensando 
que O t\u00eam na palma da m\u00e3o.
[=]_{I}7_{/}Pergunta aos animais, que eles te instruir\u00e3o. Pergunta \u00e0s 
aves do c\u00e9u, que elas te informar\u00e3o. {R}_{I}8_{/}Pergunta aos r\u00e9pteis da 
terra, que eles te dar\u00e3o li\u00e7\u00f5es. Os peixes do mar dir-te-\u00e3o tudo 
isso. {I}9_{/}Entre todos esses seres, quem n\u00e3o sabe que foi a m\u00e3o de 
Jav\u00e9 que fez tudo isso? [=]_{I}10_{/}Nas suas m\u00e3os est\u00e1 a vida de 
todos os viventes e a respira\u00e7\u00e3o de todo o ser humano. {I}11_{/}N\u00e3o \u00e9 
o ouvido que distingue as palavras, e o paladar que saboreia os 
alimentos? {I}12_{/}Acaso os anci\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o destinados a ter 
sabedoria, e os velhos a ter prud\u00eancia?
[=]_{R}_{I}13_{/}Em Deus est\u00e3o a sabedoria e a for\u00e7a, a Ele pertencem a 
perspic\u00e1cia e a intelig\u00eancia. {I}14_{/}O que Ele destr\u00f3i, ningu\u00e9m o 
reconstr\u00f3i; se Ele aprisiona, ningu\u00e9m Lhe escapa. {I}15_{/}Se ret\u00e9m a 
chuva, tudo seca; se a manda, a terra inunda-se. {I}16_{/}Ele possui a 
for\u00e7a e a efic\u00e1cia, e d'Ele dependem tanto o enganado como o 
enganador. {R}_{I}17_{/}Torna est\u00fapidos os intelectuais, e enlouquece os 
ju\u00edzes. {R}_{I}18_{/}Despoja os reis das suas ins\u00edgnias, e amarra-os pela 
cintura com uma corda. {R}_{I}19_{/}Faz andar descal\u00e7os os sacerdotes e 
transtorna os poderosos. {I}20_{/}Tira a palavra aos oradores, e priva 
de sensatez os anci\u00e3os. {I}21_{/}Espalha desprezo sobre os 
aristocratas, e afrouxa o cintur\u00e3o dos militares. {R}_{I}22_{/}Arranca 
das trevas os segredos, e traz \u00e0 luz as coisas obscuras. 
{R}_{I}23_{/}Engrandece as na\u00e7\u00f5es, e depois arru\u00edna-as; desenvolve as 
na\u00e7\u00f5es, e abandona-as. {I}24_{/}Torna loucos os Chefes de Estado, e 
extravia-os numa confus\u00e3o sem sa\u00edda. {I}25_{/}Eles caminham \u00e0s 
apalpadelas numa escurid\u00e3o l\u00fagubre, cambaleando como b\u00eabados.

{1}13{/}

{N}CALAI-VOS! VOU PROTESTAR CONTRA DEUS{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Eu vi tudo isto com os meus pr\u00f3prios olhos, ouvi-o com os 
meus pr\u00f3prios ouvidos e compreendi: {I}2_{/}o que v\u00f3s sabeis, tamb\u00e9m 
eu o sei. N\u00e3o sou inferior a v\u00f3s. {R}_{I}3_{/}Contudo, eu quero acusar o 
Todo-poderoso, desejo discutir com Deus. {I}4_{/}V\u00f3s sois apenas 
manipuladores de mentiras, sois todos uns aut\u00eanticos charlat\u00e3es. 
{I}5_{/}Quem me dera fic\u00e1sseis calados! Seria o melhor acto de 
sabedoria! {I}6_{/}Ouvi agora a minha defesa, prestai aten\u00e7\u00e3o aos meus 
argumentos. {R}_{I}7_{/}Ou ser\u00e1 que pretendeis defender Deus com mentiras 
e injusti\u00e7as? {R}_{I}8_{/}Quereis tomar o partido de Deus e tornar-vos 
seus advogados? {R}_{I}9_{/}E se Ele vos examinasse? Ser\u00e1 que O 
enganar\u00edeis como se engana um homem? {I}10_{/}Se secretamente fordes 
parciais, Ele reprovar-vos-\u00e1 com severidade. {I}11_{/}A sua majestade 
n\u00e3o vos atemoriza? O seu terror n\u00e3o cai sobre v\u00f3s? {I}12_{/}As li\u00e7\u00f5es 
que aprendestes s\u00e3o como a cinza, e as vossas defesas s\u00e3o como o 
barro.
{I}13_{/}Calai-vos, que agora sou eu que vou falar. Agora eu vou 
falar, aconte\u00e7a o que acontecer. {I}14_{/}Vou arriscar tudo, vou 
arriscar a minha pr\u00f3pria vida. {I}15_{/}Mesmo que Ele me queira matar, 
n\u00e3o me importo; diante d'Ele vou defender o meu comportamento. 
{I}16_{/}Para mim isso j\u00e1 seria uma vit\u00f3ria, porque nenhum hip\u00f3crita 
pode apresentar-se diante d'Ele.

{N}EU SEI QUE SOU INOCENTE{/}

[\u0095]_{I}17_{/}Escutai bem as minhas palavras, prestai aten\u00e7\u00e3o ao que 
vou declarar: {I}18_{/}Eu preparei a minha defesa, e sei que sou 
inocente. {I}19_{/}Algu\u00e9m quer discutir comigo? Calar-me agora, seria 
morrer. {R}_{I}20_{/}\u00d3 Deus, assegura-me apenas duas coisas e n\u00e3o me 
esconderei da tua presen\u00e7a: {I}21_{/}afasta de mim a tua m\u00e3o e n\u00e3o me 
amedrontes com o teu terror. {I}22_{/}Depois podes acusar-me e eu Te 
responderei. Ou ent\u00e3o falarei eu primeiro, e Tu responder-me-\u00e1s 
depois. {I}23_{/}Quantas s\u00e3o as minhas culpas e os meus pecados? 
Mostra-me as minhas transgress\u00f5es e os meus pecados. {I}24_{/}Porque 
escondes o teu rosto, e me tratas como teu inimigo? {I}25_{/}Porque 
assustas uma folha que o vento leva, e persegues uma palha seca? 
{I}26_{/}Porque rediges contra mim senten\u00e7as amargas e me obrigas a 
assumir os erros da minha juventude? {I}27_{/}Porque colocas os meus 
p\u00e9s no cepo, vigias todos os meus passos e examinas todas as 
minhas pegadas?

{N}A CONDI\u00c7\u00c3O HUMANA \u00c9 FR\u00c1GIL{/}

[\u0095]_{I}28_{/}Como odre e como veste ro\u00edda pela tra\u00e7a, se desgasta 

{1}14{/}

{R}_{I}1_{/}o homem nascido de mulher: tem vida curta e cheia de 
inquieta\u00e7\u00e3o. [=]_{I}2_{/}Ele abre-se como flor, e logo murcha; foge 
como a sombra, sem parar. {I}3_{/}E \u00e9 num tal ser que fixas os teus 
olhos e o chamas ao teu tribunal? {I}4_{/}Mas quem pode tirar o puro 
do impuro? Ningu\u00e9m. {R}_{I}5_{/}Se os dias do homem j\u00e1 est\u00e3o contados e 
Tu sabes o n\u00famero dos seus meses; se lhe fixaste um limite 
intranspon\u00edvel, {I}6_{/}afasta dele o teu olhar e deixa-o em paz, de 
modo que ele possa usufruir do seu sal\u00e1rio como um empregado.
{I}7_{/}Uma \u00e1rvore tem esperan\u00e7a: mesmo que a cortem, volta a rebentar 
e os seus ramos continuam a crescer. {I}8_{/}Mesmo que as suas ra\u00edzes 
envelhe\u00e7am na terra e o seu tronco esteja amortecido no solo, 
{R}_{I}9_{/}ao cheiro da \u00e1gua ela rebenta e produz folhagem como uma 
planta nova. [=]_{R}_{I}10_{/}O homem, por\u00e9m, morre e fica inerte. Para 
onde vai o homem quando expira? {R}_{I}11_{/}As \u00e1guas do mar podem 
acabar, os rios podem baixar e secar, {R}_{I}12_{/}mas o homem que jaz, 
n\u00e3o se levantar\u00e1. O c\u00e9u passar\u00e1, e o homem n\u00e3o vai despertar, nem 
acordar do seu sono.

{N}DEUS SENTE SAUDADE DO HOMEM?{/}

[\u0095]_{R}_{I}13_{/}Oxal\u00e1 me guardasses escondido no t\u00famulo, at\u00e9 a tua ira 
passar e marcares um prazo para Te lembrares de mim! {R}_{I}14_{/}Acaso 
voltar\u00e1 a viver um homem que j\u00e1 tenha morrido? Eu esperaria todos 
os dias do meu servi\u00e7o, at\u00e9 que chegasse a hora da mudan\u00e7a de 
turno; {I}15_{/}com saudade da obra das tuas m\u00e3os, Tu me chamarias e 
eu responderia. {I}16_{/}Ent\u00e3o deixarias de controlar os meus passos e 
n\u00e3o vigiarias os meus pecados. {I}17_{/}Fecharias num saco os meus 
erros e apagarias as minhas culpas.
{I}18_{/}A montanha inclina-se e cai, a rocha move-se do seu lugar, 
{R}_{I}19_{/}a \u00e1gua corre e desgasta as pedras, a enxurrada arrasta as 
terras, e Tu destr\u00f3is a esperan\u00e7a do homem! {I}20_{/}Tu o abates e ele 
desaparece para sempre. Desfiguras-lhe o rosto e o expulsas. 
{I}21_{/}Ele n\u00e3o sabe se os seus filhos ser\u00e3o felizes; desconhece se 
os seus filhos se v\u00e3o arruinar. {I}22_{/}Ele s\u00f3 sente o tormento da 
pr\u00f3pria carne, sente o sofrimento da sua pr\u00f3pria alma\u00bb.

{C}2.SEGUNDO DEBATE{/}

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}15{/}

{N}TU EST\u00c1S A DESTRUIR A RELIGI\u00c3O!{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abAcaso um 
s\u00e1bio responde com doutrinas falsas, ou se incha com o vento 
Leste, {I}3_{/}argumentando com raz\u00f5es inconsistentes ou palavras sem 
sentido? {I}4_{/}Tu est\u00e1s a destruir a religi\u00e3o e a eliminar a 
ora\u00e7\u00e3o!{I}5_{/}As tuas culpas inspiram as tuas palavras, e usas a 
linguagem dos astutos. {I}6_{/}\u00c9 a tua pr\u00f3pria boca que te condena e 
n\u00e3o eu; as tuas palavras \u00e9 que testemunham contra ti.
{R}_{I}7_{/}Foste, porventura, o primeiro homem a nascer? Ser\u00e1 que vieste 
ao mundo antes das colinas? {R}_{I}8_{/}Acaso foste admitido no conselho 
secreto de Deus e te apropriaste da sabedoria? {I}9_{/}O que \u00e9 que tu 
sabes e n\u00f3s n\u00e3o sabemos? O que \u00e9 que tu entendes e n\u00f3s n\u00e3o 
entendemos? {I}10_{/}Entre n\u00f3s h\u00e1 anci\u00e3os de cabelos brancos, e alguns 
de n\u00f3s s\u00e3o mais velhos que o teu pai. {I}11_{/}N\u00e3o estar\u00e1s a fazer 
pouco caso das consola\u00e7\u00f5es divinas e das palavras equilibradas que 
te dirigimos? {I}12_{/}Para onde te arrasta o teu cora\u00e7\u00e3o e como 
cintilam os teus olhos {R}_{I}13_{/}quando te encolerizas contra Deus e a 
tua boca solta tais protestos! {R}_{I}14_{/}Como pode o homem ser puro, 
como pode ser inocente quem nasceu de mulher? {R}_{I}15_{/}Deus n\u00e3o 
confia nem mesmo nos seus anjos, nem o c\u00e9u \u00e9 puro aos seus olhos. 
{R}_{I}16_{/}Quanto menos o homem detest\u00e1vel e corrompido, que bebe a 
injusti\u00e7a como \u00e1gua!

{N}O INJUSTO ACABA SEMPRE MAL{/}

[\u0095]_{I}17_{/}Ou-ve-me, que vou instruir-te. Vou contar-te aquilo que 
vi, {I}18_{/}aquilo que os s\u00e1bios transmitiram sem nada ocultar, 
conforme o receberam dos seus antepassados, {I}19_{/}a quem foi dado o 
pa\u00eds, sem que nenhum estrangeiro se instalasse no meio deles.
{I}20_{/}O injusto vive em cont\u00ednuo tormento, e poucos s\u00e3o os anos 
reservados ao tirano. {I}21_{/}Gritos de terror ressoam nos seus 
ouvidos e, quando est\u00e1 em paz, \u00e9 assaltado pelo destruidor. 
{I}22_{/}N\u00e3o tem esperan\u00e7a de voltar das trevas, porque est\u00e1 destinado 
ao fio da espada; {I}23_{/}\u00e9 deitado, como pasto, aos abutres, e sabe 
que a sua ru\u00edna \u00e9 iminente. O dia tenebroso {R}_{I}24_{/}apavora-o, a 
ang\u00fastia e a inquieta\u00e7\u00e3o assaltam-no, como um rei pronto para o 
ataque. {R}_{I}25_{/}Porque ele estendeu a m\u00e3o contra Deus e desafiou o 
Todo-poderoso. {I}26_{/}Investiu contra Ele de cabe\u00e7a baixa, protegido 
por um escudo blindado, [=]_{I}27_{/}com o rosto untado de gordura e 
os m\u00fasculos dos rins bem ungidos. {I}28_{/}Ele habitar\u00e1 cidades 
abandonadas, casas desabitadas que amea\u00e7am ruir. {I}29_{/}N\u00e3o 
enriquecer\u00e1, e a sua fortuna n\u00e3o vai durar, nem poder\u00e1 levar os 
seus bens para o t\u00famulo, {I}30_{/}nem escapar\u00e1 \u00e0s trevas. A chama 
queimar\u00e1 os seus ramos e o vento arrancar\u00e1 as suas flores.
{I}31_{/}Que ele n\u00e3o confie na ilus\u00e3o que engana, porque a ilus\u00e3o ser\u00e1 
a sua recompensa. {I}32_{/}As suas folhas murchar\u00e3o antes do tempo e 
os seus ramos nunca mais ficar\u00e3o verdes. {I}33_{/}Ser\u00e1 como videira 
que \u00e9 despojada das suas uvas ainda verdes, como a oliveira 
deixar\u00e1 cair a sua flor. {R}_{I}34_{/}A descend\u00eancia dos injustos \u00e9 
est\u00e9ril, e o fogo devorar\u00e1 a tenda do homem enganador. {I}35_{/}Quem 
concebe a maldade, d\u00e1 \u00e0 luz a desgra\u00e7a, e gera no ventre a 
desilus\u00e3o\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}16{/}

{N}FALAR \u00c9 F\u00c1CIL{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {I}2_{/}\u00abJ\u00e1 ouvi mil discursos 
semelhantes. V\u00f3s sois consoladores importunos! {I}3_{/}V\u00f3s dizeis-me: 
"Ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 limite para discursos vazios? O que \u00e9 que te leva 
a responder assim?" {I}4_{/}Eu tamb\u00e9m poderia falar como v\u00f3s, se 
estiv\u00e9sseis no meu lugar. Eu afogar-vos-ia com palavras, meneando 
a cabe\u00e7a contra v\u00f3s. {I}5_{/}Confortar-vos-ia com a minha boca, ou os 
meus l\u00e1bios exprimiriam a minha compaix\u00e3o? {I}6_{/}Mas ainda que fale, 
a minha dor n\u00e3o desaparece; ainda que me cale, ela n\u00e3o se afasta 
de mim.

{N}DEUS LEVANTA-SE CONTRA MIM{/}

[\u0095]_{R}_{I}7_{/}Agora, por\u00e9m, Deus esgotou-me e destruiu toda a minha 
fam\u00edlia. {I}8_{/}Ele levanta-Se como testemunha contra mim e o meu 
caluniador acusa-me directamente. {I}9_{/}A sua ira ataca-me e 
dilacera-me, range os dentes contra mim. Os meus inimigos cravam 
em mim os seus olhos hostis. {I}10_{/}Abrem a boca para me devorar e 
esbofeteiam-me para me ultrajar, todos em massa se revoltam contra 
mim. {R}_{I}11_{/}Deus entregou-me como presa aos perversos, e deixou-me 
\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos malvados. {I}12_{/}Eu vivia tranquilo, e Ele esmagou-
me. Agarrou-me pela nuca e triturou-me, fazendo de mim o seu alvo. 
{I}13_{/}Cercou-me com os seus archeiros, atravessou-me os rins sem 
piedade, e espalhou sobre a terra o meu fel. {I}14_{/}Abriu mil 
brechas na minha carne e como guerreiro me assaltou.

{N}TENHO UMA TESTEMUNHA DE DEFESA{/}

[\u0095]_{I}15_{/}Costurei um pano de saco, a fim de cobrir a minha pele, e 
mergulhei o meu rosto no p\u00f3. {I}16_{/}A minha face est\u00e1 vermelha de 
tanto chorar, e a sombra rodeia as minhas p\u00e1lpebras, {I}17_{/}embora 
n\u00e3o haja viol\u00eancia nas minhas m\u00e3os, e a minha ora\u00e7\u00e3o seja sincera.
[=]_{I}18_{/}\u00d3 terra, n\u00e3o cubras o meu sangue, nem o meu clamor seja 
abafado. {I}19_{/}Desde agora tenho uma testemunha no c\u00e9u, e o meu 
defensor est\u00e1 l\u00e1 em cima. {R}_{I}20_{/}Ele interpretar\u00e1 as minhas queixas 
diante de Deus, enquanto diante de Deus os meus olhos derramam 
l\u00e1grimas. {R}_{I}21_{/}Que ele julgue entre o homem e Deus, como se 
costuma fazer entre as pessoas, {I}22_{/}porque o n\u00famero limitado dos 
meus anos passar\u00e1, e farei a viagem que n\u00e3o tem retorno.

{1}17{/}

{N}ONDE EST\u00c1 A MINHA ESPERAN\u00c7A?{/}

[\u0095]_{R}_{I}1_{/}A minha respira\u00e7\u00e3o perturba-se, os meus dias apagam-se, e 
o sepulcro espera-me. {I}2_{/}Estou cercado de zombarias e farto de 
provoca\u00e7\u00f5es. {I}3_{/}S\u00ea Tu o meu fiador diante de Ti mesmo, pois 
nenhum outro se empenharia em ser meu fiador. {I}4_{/}Tu fechaste-lhes 
a mente para o racioc\u00ednio e por isso n\u00e3o poder\u00e3o triunfar. {I}5_{/}S\u00e3o 
como algu\u00e9m que convida os amigos para um banquete, enquanto os 
seus pr\u00f3prios filhos morrem de fome.
{R}_{I}6_{/}Eu tornei-me motivo de esc\u00e1rnio no meio dos povos, e os 
homens cospem-me no rosto. {I}7_{/}Os meus olhos s\u00e3o consumidos pela 
tristeza, e os meus membros definham como a sombra. [=]_{I}8_{/}Ao ver 
isto os justos espantam-se, e o inocente indigna-se contra o 
injusto. {R}_{I}9_{/}Mas o justo persiste no seu caminho, e quem tem m\u00e3os 
puras redobra a coragem. {I}10_{/}Voltai todos e vinde, pois entre v\u00f3s 
n\u00e3o encontrarei nenhum s\u00e1bio. {I}11_{/}Os meus dias passam, e 
fracassam os meus projectos e os desejos do meu cora\u00e7\u00e3o. 
{I}12_{/}Transformam a noite em dia, e dizem que a luz est\u00e1 perto, 
quando j\u00e1 se aproximam as trevas. {I}13_{/}N\u00e3o espero mais nada. O 
t\u00famulo ser\u00e1 a minha casa, e nas trevas farei a minha cama. {I}14_{/}Eu 
digo ao t\u00famulo: "Tu \u00e9s meu pai". E digo aos vermes: "V\u00f3s sois a 
minha m\u00e3e e a minha irm\u00e3". {I}15_{/}Onde est\u00e1 a minha esperan\u00e7a? 
Algu\u00e9m viu por a\u00ed a minha esperan\u00e7a? {I}16_{/}Ela descer\u00e1 comigo ao 
t\u00famulo, quando juntos nos afundarmos no p\u00f3\u00bb.

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}18{/}

{N}O DESTINO DO INJUSTO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Baldad de Su\u00e1s tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abQuando \u00e9 que 
acabas com esse palavreado? Pensa bem, e depois conversaremos. 
{I}3_{/}Porque \u00e9 que nos consideras como animais e pensas que somos 
idiotas? {I}4_{/}Dilaceras-te com a tua pr\u00f3pria raiva. Ser\u00e1 que a 
Terra vai ficar desabitada por tua causa? Ou ser\u00e1 que as rochas 
v\u00e3o mudar de lugar?
{I}5_{/}A luz do injusto apagar-se-\u00e1, e o fogo do seu lar n\u00e3o brilhar\u00e1 
mais. {I}6_{/}A luz da sua tenda escurecer-se-\u00e1, e a l\u00e2mpada que est\u00e1 
sobre ele apagar-se-\u00e1. {I}7_{/}Os seus passos vigorosos ficar\u00e3o 
curtos, e os seus pr\u00f3prios projectos derrub\u00e1-lo-\u00e3o. {I}8_{/}Com os 
seus pr\u00f3prios p\u00e9s cai numa rede e caminha sobre uma armadilha. 
{I}9_{/}Um la\u00e7o o prende pelo calcanhar, e o segura firme. {I}10_{/}A 
corda est\u00e1 escondida no ch\u00e3o, e a armadilha no seu caminho. 
{I}11_{/}Os terrores rodeiam-no e amedrontam-no, perseguindo-o a cada 
passo. {I}12_{/}A sua prosperidade transformar-se-\u00e1 em carestia, e a 
desgra\u00e7a estar\u00e1 de p\u00e9 a seu lado. {I}13_{/}A doen\u00e7a devora a sua pele, 
e a peste r\u00f3i os seus membros. {R}_{I}14_{/}Ser\u00e1 arrancado da sua tenda 
na qual confiava e ser\u00e1 arrastado \u00e0 presen\u00e7a do rei dos terrores. 
{I}15_{/}Outros habitar\u00e3o na tenda que j\u00e1 n\u00e3o lhe pertence, e cair\u00e1 
enxofre sobre a sua moradia. 
{I}16_{/}Em baixo, as suas ra\u00edzes secar\u00e3o e, no alto, os seus ramos 
ser\u00e3o cortados. {I}17_{/}A sua lembran\u00e7a desaparecer\u00e1 da Terra, e o 
seu nome ser\u00e1 esquecido na vizinhan\u00e7a. {I}18_{/}Ser\u00e1 expulso da luz 
para as trevas, e exilado para fora do mundo. {I}19_{/}N\u00e3o ter\u00e1 
fam\u00edlia nem filhos entre o seu povo, e n\u00e3o deixar\u00e1 sobreviventes 
no seu territ\u00f3rio. {I}20_{/}O Ocidente espantar-se-\u00e1 com o destino 
dele, e o Oriente ficar\u00e1 horrorizado. {I}21_{/}Este \u00e9 o destino do 
injusto, a situa\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o reconhece a Deus\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}19{/}

{N}A SOLIDARIEDADE PRODUZ COMPREENS\u00c3O{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {I}2_{/}\u00abAt\u00e9 quando continuareis a 
afligir-me e a magoar-me com as vossas palavras? {I}3_{/}J\u00e1 dez vezes 
me insultastes, e n\u00e3o vos envergonhais de zombar de mim. {I}4_{/}Se eu 
tivesse errado, o erro seria problema meu. {I}5_{/}Quereis cantar 
vit\u00f3ria, lan\u00e7ando-me na cara a minha vergonha? {R}_{I}6_{/}Ficai sabendo 
que foi Deus quem violou o meu direito e me envolveu em suas 
redes.
{I}7_{/}Eu grito: "Viol\u00eancia!" E ningu\u00e9m me responde. Pe\u00e7o socorro, e 
n\u00e3o me fazem justi\u00e7a. {R}_{I}8_{/}Deus cercou o meu caminho, e n\u00e3o tenho 
sa\u00edda; Ele encheu de trevas a minha estrada. {I}9_{/}Despojou-me da 
minha honra, e tirou-me a coroa da cabe\u00e7a. {I}10_{/}Destruiu tudo ao 
meu redor, e tenho de me ir embora; arrancou a \u00e1rvore da minha 
esperan\u00e7a. {I}11_{/}A sua ira inflama-se contra mim, e Ele trata-me 
como a um seu inimigo. {I}12_{/}Os seus esquadr\u00f5es chegam em massa, 
abrem caminho at\u00e9 mim, e fazem um cerco ao redor da minha tenda.
{I}13_{/}Os meus irm\u00e3os abandonam-me, e os meus parentes tratam-me 
como a um estranho. {I}14_{/}Os vizinhos e conhecidos desapareceram, e 
os meus familiares esqueceram-me. {I}15_{/}As minhas empregadas 
tratam-me como a um estranho, como se eu fosse um desconhecido. 
{I}16_{/}Chamo o meu empregado, e ele n\u00e3o me responde, mesmo que eu 
lhe implore. {I}17_{/}A minha mulher tem nojo do meu h\u00e1lito, e os meus 
irm\u00e3os t\u00eam nojo do meu cheiro. {I}18_{/}At\u00e9 as crian\u00e7as me desprezam 
e, quando tento levantar-me, elas cobrem-me de insultos. {I}19_{/}As 
pessoas mais \u00edntimas t\u00eam horror de mim, e contra mim se voltam os 
amigos mais pr\u00f3ximos. {I}20_{/}A minha carne apodrece por baixo da 
pele, e os meus ossos desnudam-se como dentes.
{R}_{I}21_{/}Tende piedade, meus amigos, tende piedade de mim, porque a 
m\u00e3o de Deus me feriu. [=]_{R}_{I}22_{/}Porque me perseguis como Deus, e 
n\u00e3o vos cansais de me torturar?

{N}O MEU REDENTOR EST\u00c1 VIVO{/}

[\u0095]_{I}23_{/}Oxal\u00e1 escrevessem estas minhas palavras e as gravassem 
numa placa, {I}24_{/}e com cinzel de ferro e estilete fossem escritas 
para sempre na rocha: [=]_{I}25_{/}"Eu sei que o meu redentor est\u00e1 
vivo e que no fim Se levantar\u00e1 acima do p\u00f3. {R}_{I}26_{/}Mesmo com a pele 
aos peda\u00e7os e em carne viva, eu verei a Deus. {I}27_{/}Eu mesmo O 
verei, e n\u00e3o outro; eu O verei com os meus pr\u00f3prios olhos". As 
minhas entranhas queimam dentro de mim.
{I}28_{/}E se v\u00f3s disserdes: "Como vamos persegui-lo? Que pretexto 
encontraremos para o acusarmos?", {I}29_{/}temei a espada, pois a 
espada pune a injusti\u00e7a, e v\u00f3s reconhecereis que existe um juiz\u00bb.

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{1}20{/}

{N}O TRIUNFO DOS INJUSTOS \u00c9 PASSAGEIRO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Sofar de Naamat tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abOs meus 
pensamentos obrigam-me a responder, pois me sinto inquieto. 
{I}3_{/}Acabo de ouvir uma li\u00e7\u00e3o insolente, e por isso a minha raz\u00e3o 
me leva a replicar. {R}_{I}4_{/}Tu n\u00e3o sabes que desde sempre, desde 
quando o homem foi colocado sobre a terra, {I}5_{/}o triunfo dos 
injustos \u00e9 passageiro e a alegria do perverso dura apenas um 
instante? {I}6_{/}Embora a sua ambi\u00e7\u00e3o se eleve at\u00e9 ao c\u00e9u e toque com 
a sua cabe\u00e7a as nuvens, {I}7_{/}ele perecer\u00e1 para sempre como esterco, 
e os que o viam agora perguntam: "Onde est\u00e1 ele?" {I}8_{/}Ele desfaz-
se como um sonho, e n\u00e3o o encontram; ele desaparece como vis\u00e3o 
nocturna. {I}9_{/}Os olhos que o viam, n\u00e3o o ver\u00e3o mais, e a sua 
morada n\u00e3o mais o reconhecer\u00e1. {I}10_{/}Os seus filhos ter\u00e3o que 
indemnizar os pobres; as suas pr\u00f3prias m\u00e3os devolver\u00e3o as suas 
riquezas. {I}11_{/}Os seus membros ainda cheios de juventude deitar-
se-\u00e3o com ele no p\u00f3. {I}12_{/}O mal era doce na sua boca, e ele 
escondia-o debaixo da l\u00edngua; {I}13_{/}ele saboreava-o sem o engolir, 
segurando-o no c\u00e9u da boca. {I}14_{/}Pois bem! Esse alimento 
apodrecer\u00e1 no seu ventre e transformar-se-\u00e1 em veneno de cobra. 
{R}_{I}15_{/}Vomitar\u00e1 as riquezas que engoliu, porque Deus lhas arranca 
do ventre. {R}_{I}16_{/}Sugar\u00e1 veneno de serpente, e as presas da v\u00edbora 
o matar\u00e3o. {I}17_{/}Nunca mais ver\u00e1 as fontes de azeite, nem os rios 
de leite e mel. {I}18_{/}Ter\u00e1 que devolver, sem os usar, os frutos do 
seu trabalho, e n\u00e3o desfrutar\u00e1 o que ganhou no com\u00e9rcio. 
{I}19_{/}Porque explorou e desamparou os pobres, e roubou casas que 
n\u00e3o tinha constru\u00eddo. {I}20_{/}Porque n\u00e3o soube acalmar a sua cobi\u00e7a, 
n\u00e3o salvar\u00e1 nenhum dos seus tesouros. {I}21_{/}Nada escapava da sua 
voracidade e, por isso, a sua prosperidade n\u00e3o durar\u00e1. {I}22_{/}Da 
abund\u00e2ncia cair\u00e1 na mis\u00e9ria, e os golpes da desgra\u00e7a cair\u00e3o sobre 
ele. {R}_{I}23_{/}Para lhe encher o ventre, Deus enviar-lhe-\u00e1 o inc\u00eandio 
da sua ira, e sobre ele far\u00e1 chover as suas flechas. {R}_{I}24_{/}Caso 
escape das armas de ferro, uma flecha de bronze o atravessar\u00e1; 
{I}25_{/}a ponta da flecha sai brilhando das suas costas, depois de 
ter atravessado o f\u00edgado, enchendo-o de pavor. {I}26_{/}Todas as 
trevas ser\u00e3o reservadas para ele, e um fogo n\u00e3o aceso por homens 
devor\u00e1-lo-\u00e1, consumindo tudo o que resta da sua tenda. {I}27_{/}O c\u00e9u 
revelar\u00e1 a injusti\u00e7a dele e contra ele a terra se erguer\u00e1. 
{R}_{I}28_{/}Um dil\u00favio arrastar\u00e1 a sua casa, como as cataratas no dia da 
ira de Deus. {R}_{I}29_{/}Esta \u00e9 a parte que Deus reserva para o injusto, 
esta \u00e9 a heran\u00e7a que Deus lhe prepara\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}21{/}

{N}O SOFREDOR QUER SER OUVIDO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {I}2_{/}\u00abEscutai com aten\u00e7\u00e3o as minhas 
palavras. Dai-me pelo menos esse conforto. {I}3_{/}Tende paci\u00eancia 
enquanto falo. E, quando eu terminar, podereis zombar de mim. 
{R}_{I}4_{/}Estou a queixar-me de algum homem? Estou a perder a paci\u00eancia 
sem motivo? {I}5_{/}Estai atentos, e ficareis espantados e colocareis 
a m\u00e3o na boca. {I}6_{/}S\u00f3 de pensar nisso, fico perturbado, e o meu 
corpo se enche de arrepios.

{N}OS INJUSTOS VIVEM BEM{/}

[\u0095]_[=]_{I}7_{/}Porque \u00e9 que os injustos continuam vivos, e envelhecem 
cada vez mais ricos? {I}8_{/}A sua descend\u00eancia est\u00e1 segura na 
companhia deles, e eles v\u00eaem os seus filhos crescer. {R}_{I}9_{/}As suas 
casas s\u00e3o tranquilas e sem temor; o bast\u00e3o de Deus n\u00e3o os atinge. 
{I}10_{/}Os seus touros reproduzem sem falhar, e as suas vacas geram 
crias sem abortar. {I}11_{/}Eles deixam correr as suas crian\u00e7as como 
cabritos, e os seus pequenos saltam alegremente. [=]_{I}12_{/}Cantam 
ao som de c\u00edtaras e pandeiros, e divertem-se ao som da flauta. 
{I}13_{/}As suas vidas transcorrem docemente, e eles descem tranquilos 
\u00e0 sepultura. 

{N}VIVEM BEM PORQUE REJEITAM DEUS E O SEU PROJECTO{/}

[\u0095]_{R}_{I}14_{/}Eles diziam a Deus: "Passa longe de n\u00f3s, pois n\u00e3o nos 
interessa conhecer os teus caminhos. {I}15_{/}Quem \u00e9 o Todo-poderoso 
para que O sirvamos? O que \u00e9 que ganhamos rezando-Lhe?" {R}_{I}16_{/}Pois 
bem! Eles t\u00eam na m\u00e3o a felicidade, e os projectos do injusto est\u00e3o 
longe de Deus. [=]_{R}_{I}17_{/}Quantas vezes a l\u00e2mpada dos injustos se 
apaga, ou a desgra\u00e7a cai sobre eles, ou a ira de Deus os castiga 
com sofrimentos? [=]_{I}18_{/}Porventura, eles tornam-se como folha 
seca ao vento, ou como palha levada pelo furac\u00e3o? [=]_{R}_{I}19_{/}Dizem 
que Deus castiga os filhos do injusto! Ora, Ele que fa\u00e7a com que o 
injusto mesmo pague e aprenda: {I}20_{/}que veja com os seus pr\u00f3prios 
olhos a desgra\u00e7a, e beba a ira do Todo-poderoso. {R}_{I}21_{/}Pois, o que 
lhe importa a sua fam\u00edlia depois de morto, quando o tempo da sua 
vida tiver chegado ao fim?

{N}OS INJUSTOS T\u00caM VANTAGEM AT\u00c9 NA MORTE{/}

[\u0095]_{R}_{I}22_{/}Acaso poder-se-\u00e1 ensinar a ci\u00eancia a Deus? Deus governa 
no c\u00e9u. {R}_{I}23_{/}Uma pessoa chega \u00e0 morte em pleno vigor, sempre 
tranquila e pr\u00f3spera, {I}24_{/}com as ancas cobertas de gordura e com 
a medula dos ossos cheia de energia. {I}25_{/}Outra pessoa morre cheia 
de amargura, sem nunca ter provado a felicidade. {I}26_{/}Ambos se 
deitam juntos no p\u00f3, cobertos de vermes. 
{I}27_{/}Eu sei muito bem o que estais a pensar, e conhe\u00e7o os maus 
pensamentos que remoeis contra mim. {I}28_{/}Eu sei que v\u00f3s dizeis: 
"Onde est\u00e1 a casa do poderoso, onde est\u00e1 a moradia dos injustos?" 
{I}29_{/}Porque \u00e9 que n\u00e3o fazeis perguntas aos viajantes e n\u00e3o 
acreditais no que eles dizem? [=]_{I}30_{/}O perverso \u00e9 poupado no dia 
da cat\u00e1strofe, e no dia da ira consegue escapar. {I}31_{/}Quem vai 
reprovar a sua conduta? Quem lhe vai pedir contas do que ele fez? 
[=]_{I}32_{/}Ele ser\u00e1 solenemente acompanhado \u00e0 sepultura, montar\u00e3o 
guarda ao seu t\u00famulo, {I}33_{/}e a terra ser\u00e1 leve para ele. Todos os 
homens o acompanham e uma incont\u00e1vel multid\u00e3o vai \u00e0 frente dele. 
{I}34_{/}E v\u00f3s quereis consolar-me com banalidades? As vossas 
respostas s\u00e3o pura dissimula\u00e7\u00e3o\u00bb.

{C}3.TERCEIRO DEBATE{/}

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}22{/}

{N}O CASTIGO SUP\u00d5E CULPA{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 tomou a palavra e disse: {R}_{I}2_{/}\u00abAcaso pode o 
homem ser \u00fatil a Deus, uma vez que o s\u00e1bio s\u00f3 pode no m\u00e1ximo 
ajudar-se a si pr\u00f3prio? {R}_{I}3_{/}O que \u00e9 que importa ao Todo-poderoso 
se tu \u00e9s justo? O que \u00e9 que Ele ganha, se \u00e9s \u00edntegro? {I}4_{/}Ser\u00e1 que 
\u00e9 por causa da tua fidelidade que Ele te reprova, ou te convoca 
para o julgamento? {I}5_{/}N\u00e3o ser\u00e1 antes pela tua grande maldade e 
pelas tuas incont\u00e1veis culpas? [=]_{I}6_{/}De facto, tu penhoravas os 
bens dos teus irm\u00e3os e despojavas os outros at\u00e9 os deixares nus. 
[=]_{R}_{I}7_{/}Tu n\u00e3o oferecias \u00e1gua ao sedento, e negavas p\u00e3o ao 
faminto. {I}8_{/}Entregavas a terra aos poderosos, e nela se 
instalavam os privilegiados. {I}9_{/}Despedias as vi\u00favas de m\u00e3os 
vazias, e violavas o direito dos \u00f3rf\u00e3os. {I}10_{/}\u00c9 por isso que est\u00e1s 
preso nos la\u00e7os e perturbado por terrores fulminantes. {I}11_{/}A 
escurid\u00e3o n\u00e3o te deixa ver; e tu est\u00e1s coberto pela enchente das 
\u00e1guas.

{N}OS INJUSTOS S\u00c3O CASTIGADOS{/}

[\u0095]_{R}_{I}12_{/}Ser\u00e1 que Deus n\u00e3o est\u00e1 no mais alto do c\u00e9u? V\u00ea bem como 
\u00e9 alto o arco do c\u00e9u estrelado! [=]_{R}_{I}13_{/}E tu ainda dizes: "O que 
\u00e9 que Deus sabe? Ser\u00e1 que Ele \u00e9 capaz de distinguir atrav\u00e9s das 
nuvens escuras? {I}14_{/}As nuvens s\u00e3o como v\u00e9u e impedem-n'O de ver, 
enquanto Ele passeia pelo firmamento do c\u00e9u". {I}15_{/}Acaso queres 
seguir o antigo caminho por onde andaram os homens perversos, 
{I}16_{/}arrastados antes do tempo, quando a enchente de um rio lhes 
desmoronou os alicerces? {R}_{I}17_{/}Eles diziam a Deus: "Afasta-Te de 
n\u00f3s. Que pode o Todo-poderoso fazer contra n\u00f3s?" {R}_{I}18_{/}Deus tinha-
lhes enchido a casa de riquezas, e eles exclu\u00edam-n'O dos seus 
projectos perversos. {I}19_{/}Os justos agora v\u00eaem e alegram-se, e os 
inocentes zombam deles: {I}20_{/}"Acabaram-se as suas riquezas. O fogo 
devorou o que haviam ganhado!" 

{N}CONVERTE-TE, E SER\u00c1S FELIZ{/}

[\u0095]_{R}_{I}21_{/}Vamos, reconcilia-te e faz as pazes com Deus. E ser\u00e1s 
novamente feliz. {R}_{I}22_{/}Aceita a instru\u00e7\u00e3o da boca de Deus e guarda 
no cora\u00e7\u00e3o as suas palavras. {I}23_{/}Se voltares para o Todo-
poderoso, Ele te restabelecer\u00e1. Afasta a injusti\u00e7a da tua tenda, 
[=]_{I}24_{/}lan\u00e7a o teu ouro ao p\u00f3, e o ouro de Ofir entre as pedras 
do rio. {I}25_{/}Ent\u00e3o o Todo-poderoso ser\u00e1 o teu ouro, e tamb\u00e9m prata 
aos montes. {R}_{I}26_{/}Ent\u00e3o te alegrar\u00e1s com o Todo-poderoso, e 
erguer\u00e1s o rosto para Deus. {I}27_{/}Ele ouvir\u00e1 as tuas s\u00faplicas, e 
cumprir\u00e1s o que havias prometido. {I}28_{/}Far\u00e1s um projecto, que se 
realizar\u00e1, e a luz brilhar\u00e1 no teu caminho. [=]_{I}29_{/}Porque Ele 
humilha os arrogantes e salva os que se humilham. {R}_{I}30_{/}Ele 
liberta o homem inocente, e tu ser\u00e1s salvo pela pureza das tuas 
pr\u00f3prias m\u00e3os\u00bb.

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}23{/}

{N}SE EU SOUBESSE COMO ENCONTRAR A DEUS!{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {R}_{I}2_{/}\u00abAinda hoje me queixo e me 
revolto, porque a m\u00e3o de Deus agrava os meus gemidos. {I}3_{/}Oxal\u00e1 eu 
soubesse como encontr\u00e1-l'O, como chegar at\u00e9 ao seu tribunal! 
{I}4_{/}Diante d'Ele eu apresentaria a minha causa, com a boca cheia 
de argumentos. {I}5_{/}Eu saberia finalmente com que palavras Ele me 
replica, e compreenderia o que Ele me diz. {I}6_{/}Ser\u00e1 que Ele usaria 
de viol\u00eancia comigo? N\u00e3o importa. Ele ao menos teria que me 
escutar. {I}7_{/}Ent\u00e3o eu discutiria lealmente com Ele, e 
definitivamente ganharia a minha causa. {I}8_{/}Mas, se vou para o 
Oriente, Ele n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. Se vou para o Ocidente, n\u00e3o O distingo. 
{I}9_{/}Procuro no Norte, e n\u00e3o O descubro. Volto-me para o Sul, e n\u00e3o 
O vejo.

{N}DEUS FAZ TUDO O QUE QUER{/}

[\u0095]_{I}10_{/}Ele, por\u00e9m, conhece o meu comportamento. Pode colocar-me 
\u00e0 prova, e eu sairei puro como ouro. {I}11_{/}Os meus p\u00e9s seguiram as 
suas pegadas, andei pelo seu caminho e n\u00e3o me desviei. {I}12_{/}N\u00e3o me 
afastei dos seus mandamentos, e guardei as suas palavras no meu 
peito.
{I}13_{/}Ele toma uma decis\u00e3o e ningu\u00e9m pode faz\u00ea-l'O mudar. Ele faz 
tudo o que quer. {I}14_{/}Ele executar\u00e1 a minha senten\u00e7a, e outras 
coisas que tem na mente. {I}15_{/}Por isso, fico perturbado na sua 
presen\u00e7a, e sinto medo s\u00f3 de pensar, {R}_{I}16_{/}porque Deus me 
intimidou, o Todo-poderoso aterrorizou-me. {I}17_{/}Oxal\u00e1 eu 
desaparecesse nas trevas, e a escurid\u00e3o cobrisse o meu rosto.

{1}24{/}

{N}PORQUE \u00c9 QUE DEUS N\u00c3O ESCUTA OSOPRIMIDOS?{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Porque \u00e9 que o Todo-poderoso n\u00e3o marca tempos de 
julgamento, para que os seus fi\u00e9is possam presenciar as suas 
interven\u00e7\u00f5es?
[=]_{I}2_{/}Os injustos mudam os marcos, roubam rebanhos e levam-nos a 
pastar. [=]_{I}3_{/}Apoderam-se do jumento que pertence ao \u00f3rf\u00e3o, e 
penhoram o boi que \u00e9 da vi\u00fava. {I}4_{/}Empurram os indigentes para 
fora do caminho, e os pobres da terra t\u00eam que se esconder. 
{R}_{I}5_{/}Como asnos do deserto, saem para trabalhar: desde a madrugada 
v\u00e3o em busca de alimentos, e at\u00e9 \u00e0 tarde procuram o p\u00e3o para seus 
filhos. {I}6_{/}Fazem colheita em campo alheio, e rebuscam os restos 
na vinha do injusto. [=]_{I}7_{/}Passam a noite nus, sem roupa para se 
protegerem do frio. {I}8_{/}Ensopados com as chuvas das montanhas, sem 
abrigo, eles apertam-se entre as rochas. {I}9_{/}Os injustos arrancam 
o \u00f3rf\u00e3o do peito materno, e penhoram a roupa do pobre. {I}10_{/}Estes 
andam nus por falta de roupa, e famintos carregam feixes. 
{I}11_{/}Espremem azeite no lagar e, sedentos, pisam a uva nos 
tanques. {R}_{I}12_{/}Na cidade, os moribundos gemem, e os feridos pedem 
socorro. E Deus n\u00e3o faz caso da s\u00faplica deles.
{R}_{I}13_{/}Outros s\u00e3o rebeldes \u00e0 luz, n\u00e3o conhecem os caminhos de Deus, 
nem frequentam as suas estradas. {I}14_{/}De madrugada, o assassino 
levanta-se para matar o pobre e o indigente. Durante a noite, o 
ladr\u00e3o ronda, cobrindo o rosto com uma m\u00e1scara. {I}15_{/}O olho do 
ad\u00faltero aguarda o anoitecer, pensando: "Ningu\u00e9m me ver\u00e1". {I}16_{/}Na 
escurid\u00e3o, eles arrombam as casas, enquanto de dia se escondem 
aqueles que n\u00e3o querem nada com a luz. {I}17_{/}O amanhecer \u00e9 escuro 
para eles, pois est\u00e3o acostumados com o medo das trevas\u00bb.

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{N}O DESAFIO DO PECADOR{/}

[\u0095]_{I}18_{/}\u00abOs injustos fogem da luz do dia. A sua propriedade na 
terra \u00e9 amaldi\u00e7oada, e ningu\u00e9m mais passa pela sua vinha. 
{R}_{I}19_{/}Como o calor do Ver\u00e3o suga a \u00e1gua da neve, tamb\u00e9m a morada 
dos mortos suga o pecador. {I}20_{/}O ventre materno esquece-se dele, 
e os vermes adoram-no. A sua mem\u00f3ria acaba, e a injusti\u00e7a \u00e9 
cortada como se corta uma \u00e1rvore. {I}21_{/}Isto porque ele maltratou a 
est\u00e9ril sem filhos e n\u00e3o socorreu a vi\u00fava. {I}22_{/}Mas Aquele que com 
a sua for\u00e7a derruba os tiranos, aparece e tira-lhe a certeza da 
vida. {R}_{I}23_{/}Deus deixava-o apoiar-se numa seguran\u00e7a falsa, por\u00e9m 
os olhos de Deus observavam os seus caminhos. {I}24_{/}Exaltado por 
breve tempo, ele deixa de existir. Cai como a erva que se colhe, e 
murcha como as espigas. {I}25_{/}As coisas n\u00e3o s\u00e3o assim? Quem me 
poder\u00e1 desmentir, ou reduzir a nada os meus argumentos?\u00bb

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}25{/}

{N}O HOMEM \u00c9 UM VERME{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Baldadde Su\u00e1s tomou a palavra e disse: {I}2_{/}\u00abDeus tem um 
poder terr\u00edvel e mant\u00e9m a paz no alto do c\u00e9u. {I}3_{/}Poder-se-\u00e1 
contar o n\u00famero das suas tropas? Sobre quem n\u00e3o se levanta a sua 
luz? {R}_{I}4_{/}Pode o homem ter raz\u00e3o diante de Deus? Como pode ser 
puro quem nasceu de mulher? {I}5_{/}Se nem sequer a lua \u00e9 brilhante, 
nem as estrelas s\u00e3o puras, aos olhos d'Ele, {R}_{I}6_{/}quanto menos o 
homem, esse verme; o ser humano, essa larva!\u00bb

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}26{/}

{N}CONVERSA IN\u00daTIL{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu: {I}2_{/}\u00abComo sabes sustentar o fraco e 
socorrer um bra\u00e7o sem for\u00e7a! {I}3_{/}Como sabes aconselhar o ignorante 
e dar mostras de profundo conhecimento! {I}4_{/}A quem dirigiste a 
palavra? De onde vem a inspira\u00e7\u00e3o que sai de ti?\u00bb

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{N}A GRANDEZA DE DEUS{/}

[\u0095]_{R}_{I}5_{/}\u00abOs mortos estremecem debaixo do mar e os seus 
habitantes. {R}_{I}6_{/}A morada dos mortos est\u00e1 nua aos seus olhos, e o 
reino da morte est\u00e1 sem v\u00e9u. {R}_{I}7_{/}Deus estendeu o c\u00e9u sobre o 
vazio e suspendeu a terra sobre o nada. {I}8_{/}Ele prende as \u00e1guas 
nas nuvens, sem que estas se rasguem com o peso. {I}9_{/}Ele encobre a 
face da lua cheia, estendendo a sua nuvem sobre ela. 
[=]_{R}_{I}10_{/}Tra\u00e7ou um c\u00edrculo sobre a superf\u00edcie do mar, onde a luz 
faz fronteira com as trevas. {I}11_{/}As colunas do c\u00e9u abalam-se, 
assustadas com a amea\u00e7a d'Ele. {R}_{I}12_{/}Com o seu poder, Ele acalmou 
o mar e, com a sua destreza, domou Raab. {R}_{I}13_{/}O seu sopro clareou 
os c\u00e9us, e a sua m\u00e3o trespassou a serpente fugitiva. {I}14_{/}Tudo 
isso n\u00e3o \u00e9 mais do que a margem das suas obras! Delas, n\u00f3s s\u00f3 
percebemos um eco fr\u00e1gil! Quem poderia compreender o estrondo do 
seu poder?\u00bb

{C}RESPOSTA DE JOB{/}

{1}27{/}

{N}VOU AGARRAR-ME \u00c0 MINHA JUSTI\u00c7A{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Job continuou a dizer: {R}_{I}2_{/}\u00abPelo Deus vivo, que me nega 
justi\u00e7a, pelo Todo-poderoso, que me enche de amargura, 
{R}_{I}3_{/}enquanto eu puder respirar e o sopro de Deus estiver nas 
minhas narinas, {I}4_{/}os meus l\u00e1bios n\u00e3o dir\u00e3o falsidades e a minha 
l\u00edngua n\u00e3o pronunciar\u00e1 mentiras.
{I}5_{/}Longe de mim dar-vos raz\u00e3o! Vou declarar-me inocente at\u00e9 ao 
meu \u00faltimo suspiro. {I}6_{/}Vou-me agarrar \u00e0 minha justi\u00e7a, e n\u00e3o vou 
ceder. A minha consci\u00eancia n\u00e3o reprova nenhum dos meus dias. 
{I}7_{/}Que o meu inimigo seja tratado como injusto, e o meu 
advers\u00e1rio como malfeitor. {R}_{I}8_{/}V\u00f3s dizeis: Que esperan\u00e7a pode ter 
o injusto, se Deus lhe vai tirar a vida? {R}_{I}9_{/}Ser\u00e1 que Deus lhe 
vai ouvir o grito, quando sobre ele cair a desgra\u00e7a? {R}_{I}10_{/}Se ele 
se tivesse alegrado com o Todo-poderoso, ser\u00e1 que poderia invocar 
a Deus a qualquer momento? {R}_{I}11_{/}Vou explicar-vos o poder de Deus, 
e n\u00e3o vos esconderei os projectos do Todo-poderoso. {I}12_{/}Se v\u00f3s 
todos j\u00e1 observastes, porque \u00e9 que ainda vos perdeis em 
banalidades?\u00bb

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{N}O destino do injusto{/}

[\u0095]_{R}_{I}13_{/}\u00abEsta \u00e9 a sorte que Deus reserva ao injusto, a heran\u00e7a 
que os opressores recebem do Todo-
-poderoso: {I}14_{/}se tiverem muitos filhos, todos morrer\u00e3o pela 
espada, e os seus descendentes n\u00e3o ter\u00e3o que comer. {I}15_{/}Os 
sobreviventes ser\u00e3o sepultados pela peste, e as suas vi\u00favas n\u00e3o 
chorar\u00e3o por eles. {R}_{I}16_{/}O justo acumula prata como terra e 
amontoa roupas como barro. {R}_{I}17_{/}Pode amontoar! \u00c9 o justo quem as 
vestir\u00e1, e a prata \u00e9 o inocente quem a herdar\u00e1. {I}18_{/}A casa por 
ele constru\u00edda ser\u00e1 como teia de aranha, como a choupana de um 
guarda. {I}19_{/}Ele deita-se rico, mas \u00e9 pela \u00faltima vez, pois ao 
abrir os olhos n\u00e3o ter\u00e1 mais nada. {I}20_{/}De dia, os terrores 
assaltam-no, e de noite, o furac\u00e3o arrebata-o. {I}21_{/}O vento Leste 
arrasta-o para longe, arrancando-o da sua resid\u00eancia; {I}22_{/}o vento 
arrasta-o sem piedade, e ele tenta fugir do seu poder. {I}23_{/}Todos 
aplaudem a sua ru\u00edna, e por onde ele passa todos assobiam\u00bb.

{C}O MIST\u00c9RIO INSOND\u00c1VEL DA SABEDORIA{/}

{1}28{/}

{N}O LIMITE DA TECNOLOGIA{/}

[\u0095]_{R}_{I}1_{/}A prata tem as suas minas, e o ouro tem o lugar onde \u00e9 
refinado. [=]_{R}_{I}2_{/}O ferro \u00e9 extra\u00eddo da terra, e ao fundir-se a 
pedra, dela sai o bronze. {R}_{I}3_{/}O homem p\u00f5e limite \u00e0s trevas, e 
explora at\u00e9 ao extremo limite as grutas mais sombrias. {I}4_{/}Abre 
po\u00e7os em lugares inacess\u00edveis, sem apoio para os p\u00e9s, balan\u00e7ando 
suspenso longe dos homens. {I}5_{/}A terra que d\u00e1 o p\u00e3o, por baixo \u00e9 
devorada pelo fogo; {I}6_{/}as suas pedras s\u00e3o incrustadas de safiras, 
e os seus torr\u00f5es cont\u00eam pepitas de ouro.
{I}7_{/}O abutre n\u00e3o conhece esse caminho, e o olho do falc\u00e3o n\u00e3o 
consegue avist\u00e1-lo; {I}8_{/}as feras n\u00e3o o trilham, nem o le\u00e3o o 
atravessa. {R}_{I}9_{/}O homem estende a m\u00e3o contra a rocha, e revira as 
montanhas pela raiz; {I}10_{/}abre galerias na pedra, atento a tudo o 
que \u00e9 preciso; {I}11_{/}explora as nascentes dos rios, e traz \u00e0 luz o 
que est\u00e1 escondido.
[=]_{I}12_{/}A sabedoria, por\u00e9m, de onde \u00e9 tirada? Onde est\u00e1 a jazida 
da intelig\u00eancia? {R}_{I}13_{/}O homem n\u00e3o conhece o caminho para ela, 
pois ela n\u00e3o se encontra na terra dos vivos.

{N}COMO COMPRAR A SABEDORIA{/}

[\u0095]_{R}_{I}14_{/}O abismo diz: \u00abEla n\u00e3o est\u00e1 em mim\u00bb. E o mar responde: 
\u00abEla n\u00e3o est\u00e1 comigo\u00bb. {I}15_{/}Ela n\u00e3o pode ser comprada com o ouro 
mais fino, nem adquirida a peso de prata; {I}16_{/}n\u00e3o pode ser paga 
com ouro de Ofir, nem com \u00f3nix precioso ou safira. {I}17_{/}O ouro e o 
cristal n\u00e3o se igualam a ela, que n\u00e3o pode ser paga com vasos de 
ouro fino. {I}18_{/}Os corais e as p\u00e9rolas, ent\u00e3o, nem se fala; \u00e9 
melhor pescar a sabedoria do que as p\u00e9rolas. {I}19_{/}O top\u00e1zio de 
Cuch n\u00e3o se iguala a ela, nem pode ser comprada com o ouro mais 
puro.
{I}20_{/}De onde vem a sabedoria? Onde est\u00e1 a jazida da intelig\u00eancia? 
{I}21_{/}Ela est\u00e1 oculta aos olhos dos seres vivos, e escondida \u00e0s 
aves do c\u00e9u. {R}_{I}22_{/}O abismo e a morte confessam: \u00abA sua fama 
chegou aos nossos ouvidos\u00bb.

{N}S\u00d3 DEUS TEM ACESSO \u00c0 SABEDORIA{/}

[\u0095]_[=]_{R}_{I}23_{/}S\u00f3 Deus conhece o caminho para a sabedoria, s\u00f3 Ele 
sabe onde ela se encontra, {I}24_{/}pois Ele contempla os confins do 
Universo e v\u00ea tudo o que existe debaixo do c\u00e9u. [=]_{I}25_{/}Quando 
fixou um peso para o vento e definiu a medida das \u00e1guas, 
{R}_{I}26_{/}quando deu uma lei para a chuva e uma rota para o rel\u00e2mpago 
e o trov\u00e3o, {I}27_{/}ent\u00e3o Ele observou-a e avaliou-a, sondou-a e 
estabeleceu-a. {R}_{I}28_{/}E disse ao homem: \u00abA sabedoria consiste em 
temer o Senhor, e a intelig\u00eancia est\u00e1 em afastar-se do mal\u00bb.

{C}JOB APELA PARA DEUS{/}

{1}29{/}

{N}UMA VIDA DIGNA DE RECOMPENSA{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Job continuou a dizer: {R}_{I}2_{/}\u00abQuem me dera voltar aos 
tempos de outrora, aos dias em que Deus me protegia, {I}3_{/}quando a 
sua l\u00e2mpada brilhava sobre a minha cabe\u00e7a, e com a sua luz eu 
caminhava no meio das trevas! {R}_{I}4_{/}Pudesse eu reviver os dias do 
meu Outono, quando Deus era \u00edntimo na minha tenda, {I}5_{/}quando o 
Todo-poderoso estava comigo, e os meus filhos me rodeavam!
{I}6_{/}Nesse tempo, eu banhava os p\u00e9s no leite, e a rocha dava-me 
rios de azeite. {I}7_{/}Quando eu me dirigia \u00e0 porta da cidade, e me 
sentava na pra\u00e7a. [=]_{I}8_{/}ao verem-me, os jovens escondiam-se, os 
anci\u00e3os levantavam-se e ficavam de p\u00e9, {I}9_{/}os chefes deixavam de 
falar e tapavam a boca com a m\u00e3o, {I}10_{/}os pol\u00edticos emudeciam, e a 
sua l\u00edngua ficava colada ao c\u00e9u da boca.
{I}11_{/}Todos os que me ouviam elogiavam-me, e com os olhos 
aprovavam, {I}12_{/}porque eu libertava o pobre que pedia socorro e o 
\u00f3rf\u00e3o indefeso. {I}13_{/}Eu recebia a b\u00ean\u00e7\u00e3o do moribundo, e alegrava 
o cora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava. {I}14_{/}Eu vestia a justi\u00e7a como t\u00fanica, e o 
direito era o meu manto e o meu turbante. {I}15_{/}Eu era os olhos do 
cego e os p\u00e9s do coxo. {I}16_{/}Eu era o pai dos pobres, e empenhava-
me pela causa de um desconhecido. {I}17_{/}Eu quebrava o queixo do 
injusto e arrancava a presa dos seus dentes. {I}18_{/}Eu imaginava 
ent\u00e3o: "Morrerei dentro do meu ninho, e como a f\u00e9nix multiplicarei 
os meus dias. {R}_{I}19_{/}As minhas ra\u00edzes chegar\u00e3o at\u00e9 \u00e0 \u00e1gua, e o 
orvalho pousar\u00e1 nos meus ramos. {I}20_{/}A minha honra sempre se 
renovar\u00e1, e o meu arco refor\u00e7ar-se-\u00e1 na minha m\u00e3o".
{I}21_{/}Todos me ouviam com aten\u00e7\u00e3o e, em sil\u00eancio, esperavam os meus 
conselhos. {I}22_{/}Depois de eu falar, ningu\u00e9m me replicava. As 
minhas palavras gotejavam sobre eles, [=]_{I}23_{/}que esperavam por 
elas como chuvisco, e bebiam-nas como chuva da Primavera. {I}24_{/}Se 
eu brincava, n\u00e3o acreditavam, e n\u00e3o perdiam nenhuma express\u00e3o do 
meu rosto. {R}_{I}25_{/}Sentado como chefe, eu indicava-lhes o caminho, 
como rei entronizado no meio da sua escolta. Eu guiava-os, e eles 
deixavam-se conduzir.

{1}30{/}

{N}JUSTI\u00c7A PREMIADA COM MIS\u00c9RIA{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Agora, por\u00e9m, zombam de mim pessoas mais jovens que eu, 
cujos pais eu n\u00e3o deixaria entre os c\u00e3es do meu rebanho. {I}2_{/}Para 
que me serviriam os seus bra\u00e7os, sem for\u00e7as como estavam? 
{R}_{I}3_{/}Consumidos pela fome e mis\u00e9ria, eles ruminavam as ra\u00edzes do 
deserto, em sombria e desolada solid\u00e3o. {I}4_{/}Apanhavam ervas 
amargas entre os arbustos, alimentando-se com ra\u00edzes de plantas. 
{I}5_{/}Expulsos da sociedade aos gritos, como se fossem ladr\u00f5es, 
{I}6_{/}moravam em barrancos escarpados, em cavernas e grutas do 
rochedo, {I}7_{/}rugindo entre as moitas, agachados debaixo dos 
espinheiros. {I}8_{/}Gente vil, homens sem nome, expulsos do pa\u00eds!
{I}9_{/}Pois bem! Agora eu tornei-me alvo das suas zombarias e tema 
das suas piadas! {I}10_{/}Eles desprezam-me e afastam-se, e at\u00e9 se 
atrevem a cuspir-me no rosto. {R}_{I}11_{/}Deus soltou a corda do meu 
arco e humilhou-me e eles desenfreiam-se contra mim. {I}12_{/}\u00c0 minha 
direita, os patifes levantam-se, observam se estou tranquilo e 
preparam-me o caminho da destrui\u00e7\u00e3o. {I}13_{/}Desfazem o meu caminho, 
e trabalham juntos para a minha ru\u00edna, e ningu\u00e9m os det\u00e9m. 
{I}14_{/}Penetram por uma larga brecha e irrompem como tempestade. 
{I}15_{/}Os terrores caem sobre mim, a minha dignidade dissipa-se como 
o vento, e a minha felicidade desfaz-se como a nuvem.

{N}DEUS TRANSFORMOU-SE EM ADVERS\u00c1RIO{/}

[\u0095]_{I}16_{/}Agora quero desafogar-me. Os dias de tristeza oprimem-me. 
{I}17_{/}De noite, um mal penetra nos meus ossos, pois as chagas que 
me corroem n\u00e3o me deixam dormir. {R}_{I}18_{/}Deus agarra-me com 
viol\u00eancia pelas vestes e segura-me pela gola da t\u00fanica, 
{I}19_{/}atira-me para o meio da lama, e eu fico misturado com o p\u00f3 e 
a cinza.
{I}20_{/}Clamo a Ti, e Tu n\u00e3o me respondes. Eu insisto, e Tu n\u00e3o Te 
importas comigo. {I}21_{/}Tu transformaste-Te em meu carrasco, e 
atacas-me com o teu bra\u00e7o musculoso. {I}22_{/}Tu levantas-me e fazes-
me cavalgar o vento, sacudindo-me no furac\u00e3o. [=]_{R}_{I}23_{/}Eu sei 
muito bem que Tu me conduzes para a morte, para o lugar onde todos 
os seres vivos se encontram.

{N}E TUDO SEM MOTIVO{/}

[\u0095]_{I}24_{/}Quem n\u00e3o estende os bra\u00e7os quando se afunda? No desastre, 
quem n\u00e3o grita por socorro? {I}25_{/}N\u00e3o chorei com o oprimido? N\u00e3o 
tive compaix\u00e3o do indigente? {I}26_{/}Eu esperava a felicidade, mas 
veio a desgra\u00e7a; eu esperava a luz, mas veio a escurid\u00e3o. {I}27_{/}As 
minhas entranhas fervem e n\u00e3o se acalmam, dias de afli\u00e7\u00e3o me 
assaltam. {I}28_{/}Eu caminho no luto, longe do sol, e levanto-me na 
assembleia para pedir aux\u00edlio. {I}29_{/}Tornei-me irm\u00e3o dos chacais e 
companheiro dos avestruzes. {I}30_{/}A minha pele escurece e cai, os 
meus ossos s\u00e3o consumidos pela febre. {I}31_{/}A minha c\u00edtara 
acompanha o luto, e a minha flauta acompanha o pranto.

{1}31{/}

{N}PROTESTO DE INTEGRIDADE PESSOAL{/}

[\u0095]_[=]_{I}1_{/}Eu tinha feito um pacto com os meus olhos: jamais 
fixar o olhar nas jovens. {R}_{I}2_{/}E, em troca, que sorte Deus me 
reserva l\u00e1 do alto? Que heran\u00e7a o Todo-poderoso me destina l\u00e1 do 
C\u00e9u? {I}3_{/}Ser\u00e1 que a desgra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 para o criminoso, e o fracasso 
para o malfeitor? {R}_{I}4_{/}N\u00e3o v\u00ea Deus os meus caminhos e n\u00e3o conta 
todos os meus passos? {I}5_{/}Acaso caminhei com a mentira? Ser\u00e1 que 
os meus p\u00e9s correram atr\u00e1s da fraude? {R}_{I}6_{/}Deus pode pesar-me na 
balan\u00e7a da justi\u00e7a, e ent\u00e3o reconhecer\u00e1 a minha integridade. 
{I}7_{/}Se os meus passos se desviaram do caminho, se o meu cora\u00e7\u00e3o 
seguiu o capricho dos olhos, e se qualquer mancha se apegou \u00e0s 
minhas m\u00e3os, {I}8_{/}ent\u00e3o que outro coma o que semeei e arranquem 
tudo o que plantei. [=]_{I}9_{/}Se o meu cora\u00e7\u00e3o se deixou seduzir por 
mulher e se espiei pela porta do meu vizinho, {I}10_{/}que a minha 
mulher gire o moinho para um estranho e que outros se deitem com 
ela. {I}11_{/}Isso, de facto, seria um esc\u00e2ndalo, um crime digno de 
castigo. {I}12_{/}Seria um fogo que devora e consome, destruindo todos 
os meus bens.

{N}PROTESTO DE INTEGRIDADE SOCIAL{/}

[\u0095]_[=]_{I}13_{/}Se violei o direito do meu empregado ou da minha 
empregada, quando moviam processo contra mim, {R}_{I}14_{/}que farei, 
quando Deus Se levantar? Que responderei, quando Ele me 
interrogar? {R}_{I}15_{/}Quem me formou no ventre materno, n\u00e3o os formou 
tamb\u00e9m a eles? Foi o mesmo Deus que nos formou no seio materno.
{I}16_{/}Porventura neguei o que o fraco desejava, ou deixei a vi\u00fava 
consumir-se em pranto? {I}17_{/}Comi sozinho o meu peda\u00e7o de p\u00e3o, sem 
o repartir com o \u00f3rf\u00e3o? - {I}18_{/}Desde a minha inf\u00e2ncia Ele me criou 
como pai, e desde o seio materno me guiou. - {I}19_{/}Acaso vi um 
miser\u00e1vel sem roupa e algum indigente sem cobertor, {I}20_{/}sem que 
as suas costas me agradecessem, aquecidas com a l\u00e3 das minhas 
ovelhas? {I}21_{/}Se levantei a m\u00e3o contra o \u00f3rf\u00e3o, quando eu tinha 
influ\u00eancia no tribunal, {I}22_{/}que o meu ombro se desprenda do corpo 
e o meu bra\u00e7o se quebre no cotovelo. {R}_{I}23_{/}Porque o terror de Deus 
cairia sobre mim, e eu n\u00e3o aguentaria diante da sua majestade.

{N}PROTESTO DE INTEGRIDADE RELIGIOSA{/}

[\u0095]_{I}24_{/}Coloquei a minha confian\u00e7a no ouro, ou a minha seguran\u00e7a 
no metal precioso? {I}25_{/}Alegrei-me com as minhas grandes riquezas 
ou com a fortuna acumulada pelas minhas m\u00e3os? {I}26_{/}Ao ver o sol 
resplandecente e a lua clara caminhar, {I}27_{/}o meu cora\u00e7\u00e3o deixou-
se secretamente seduzir e enviei-lhes um beijo com a m\u00e3o? 
{R}_{I}28_{/}Isso seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado 
o Deus do alto.
[=]_{I}29_{/}Alegrei-me com a desgra\u00e7a do meu inimigo e exultei com a 
sua infelicidade? {R}_{I}30_{/}Ou permiti que a minha boca pecasse, 
desejando-lhe a morte com maldi\u00e7\u00f5es? [=]_{I}31_{/}As pessoas da minha 
tenda disseram: "Quem n\u00e3o se fartou na mesa dele?" [=]_{I}32_{/}O 
imigrante nunca teve que dormir na rua, porque eu abria as minhas 
portas ao viajante. {I}33_{/}N\u00e3o ocultei o meu delito como fazem 
outros homens, nem escondi no peito a minha culpa, {I}34_{/}por temor 
dos coment\u00e1rios da multid\u00e3o ou por temer o desprezo dos parentes, 
a ponto de me manter calado e fechado dentro de casa.

{N}QUE DEUS ME RESPONDA!{/}

[\u0095]_{I}35_{/}Oxal\u00e1 houvesse algu\u00e9m para me escutar! Esta \u00e9 a minha 
\u00faltima palavra. Que o Todo-poderoso me responda. Que o meu 
advers\u00e1rio escreva a acusa\u00e7\u00e3o. {I}36_{/}Eu a levarei sobre os meus 
ombros e a usarei como se fosse coroa. {I}37_{/}Eu Lhe prestaria 
contas de todos os meus passos e me apresentaria a Ele como um 
pr\u00edncipe.
[=]_{I}38_{/}Se a minha terra gritou contra mim e os seus sulcos 
choraram com ela; {I}39_{/}se comi o seu produto sem ter pago por ele, 
reduzindo \u00e0 fome aqueles que a cultivaram, [=]_{I}40_{/}que nas\u00e7am 
espinhos em vez de trigo e urtigas em vez de cevada\u00bb. 
Fim do protesto de Job.

{C}III. DEUS EDUCA ATRAV\u00c9S DO SOFRIMENTO{/}

{C}INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELI\u00da{/}

{C}1.DEUS FALA ATRAV\u00c9S DO SOFRIMENTO{/}

{1}32{/}

{N}\u00c9 PRECISO DAR UMA RESPOSTA NOVA{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Os tr\u00eas homens n\u00e3o disseram mais nada a Job, porque ele se 
considerava inocente. {R}_{I}2_{/}Todavia, Eli\u00fa, filho de Baraquel, 
natural de Buz, da fam\u00edlia de Ram, ficou indignado contra Job, 
porque este pretendia ter raz\u00e3o contra Deus. {R}_{I}3_{/}Tamb\u00e9m se 
indignou contra os tr\u00eas amigos, porque n\u00e3o acharam resposta e 
deixaram Deus em situa\u00e7\u00e3o de culpado. {I}4_{/}Eli\u00fa tinha ficado \u00e0 
espera, enquanto eles falavam com Job, porque eram mais velhos. 
{I}5_{/}Vendo, por\u00e9m, que nenhum dos tr\u00eas tinha mais respostas, ficou 
indignado.
{I}6_{/}Ent\u00e3o Eli\u00fa, filho de Baraquel, natural de Buz, come\u00e7ou a 
falar: \u00abEu sou jovem, e v\u00f3s sois anci\u00e3os. Por isso, eu estava 
intimidado e n\u00e3o me atrevia a expor-vos o meu conhecimento. {I}7_{/}Eu 
fiquei a pensar: "Que falem os anos, e a idade madura ensine a 
sabedoria". [=]_{R}_{I}8_{/}Mas quem d\u00e1 intelig\u00eancia \u00e9 um esp\u00edrito no 
homem, o sopro do Todo-poderoso. [=]_{R}_{I}9_{/}N\u00e3o \u00e9 a idade avan\u00e7ada 
que d\u00e1 sabedoria, nem \u00e9 a velhice que produz o discernimento do 
que \u00e9 justo. {I}10_{/}Por isso, pe\u00e7o que me escuteis, e eu tamb\u00e9m vou 
mostrar o que sei. {I}11_{/}Enquanto v\u00f3s fal\u00e1veis, eu esperei, e 
enquanto convers\u00e1veis prestei aten\u00e7\u00e3o aos vossos argumentos. 
{I}12_{/}Contudo, por mais que eu prestasse aten\u00e7\u00e3o, percebi que 
nenhum de v\u00f3s conseguiu refutar Job e responder aos seus 
argumentos. {R}_{I}13_{/}N\u00e3o digais que encontrastes uma sabedoria que, 
al\u00e9m de Deus, ningu\u00e9m pode refutar. {I}14_{/}Job ainda n\u00e3o discutiu 
comigo, e eu n\u00e3o vou responder-lhe com os vossos argumentos.
{I}15_{/}Est\u00e3o desconcertados e nada respondem, porque lhes faltam 
argumentos. {I}16_{/}Ser\u00e1 que devo ficar \u00e0 espera, j\u00e1 que eles n\u00e3o 
falam e n\u00e3o sabem o que responder? {I}17_{/}Pois bem! Quero tomar 
parte na discuss\u00e3o. Tamb\u00e9m eu vou mostrar o que sei, {I}18_{/}porque 
tenho muitas coisas a dizer, e elas pressionam-me por dentro. 
[=]_{I}19_{/}As minhas entranhas est\u00e3o como barris novos que o vinho 
rebenta ao fermentar. {I}20_{/}Vou falar e desafogar-me, abrindo os 
l\u00e1bios para responder. {I}21_{/}N\u00e3o vou tomar partido, nem adular 
ningu\u00e9m, {I}22_{/}porque n\u00e3o sei adular e porque o meu Criador me 
eliminaria.

{1}33{/}

{N}DEUS \u00c9 MAIOR DO QUE O HOMEM{/}

[\u0095]_{I}1_{/}E agora, Job, ouve as minhas palavras, presta aten\u00e7\u00e3o ao 
que vou dizer. {I}2_{/}Vou abrir a minha boca, e a minha l\u00edngua 
formar\u00e1 palavras com o c\u00e9u da boca. {I}3_{/}Falo de cora\u00e7\u00e3o sincero, e 
os meus l\u00e1bios falar\u00e3o claramente. [=]_{R}_{I}4_{/}Foi o sopro de Deus 
que me criou, o alento do Todo-poderoso me deu vida. {I}5_{/}Se 
puderes, responde-me; prepara-te, e argumenta contra mim. {R}_{I}6_{/}V\u00ea! 
Diante de Deus, eu sou igual a ti: tamb\u00e9m eu fui tirado do barro. 
{I}7_{/}N\u00e3o tenhas medo de mim, pois a minha autoridade n\u00e3o inibir\u00e1.
{I}8_{/}Disseste e repetiste aos meus ouvidos, e ainda escuto o som 
das tuas palavras: {I}9_{/}"Eu sou puro, e n\u00e3o tenho culpa! Sou 
inocente e n\u00e3o cometi nenhum pecado! {R}_{I}10_{/}Deus, por\u00e9m, inventa 
pretextos contra mim e trata-me como inimigo. {I}11_{/}Ele coloca os 
meus p\u00e9s no cepo e vigia todos os meus passos". {R}_{I}12_{/}Nisso eu 
digo que tu n\u00e3o tens raz\u00e3o, pois Deus \u00e9 maior do que o homem.

{N}DEUS FALA DE V\u00c1RIOS MODOS{/}

[\u0095]_{I}13_{/}Como \u00e9 que te atreves a levantar um processo contra Ele, 
dizendo que Ele n\u00e3o responde a nenhuma das tuas acusa\u00e7\u00f5es? 
{R}_{I}14_{/}Deus fala, ora de um modo, ora de outro, mas as pessoas n\u00e3o 
prestam aten\u00e7\u00e3o. {R}_{I}15_{/}Ele fala em sonhos ou em vis\u00f5es nocturnas, 
quando o torpor cai sobre o homem adormecido no leito. {I}16_{/}Ent\u00e3o 
abre o ouvido do ser humano, segredando-lhe as suas advert\u00eancias, 
{I}17_{/}para o afastar do mal e evitar que se encha de orgulho. 
{R}_{I}18_{/}Desta forma, impede que o homem des\u00e7a ao t\u00famulo e ultrapasse 
a fronteira da morte.
{R}_{I}19_{/}\u00c0s vezes, Deus tamb\u00e9m corrige o homem com o sofrimento na 
cama, quando o corpo treme sem parar, {I}20_{/}e a pessoa recusa 
comer, com nojo at\u00e9 do seu alimento preferido; {I}21_{/}quando a 
pessoa emagrece a olhos vistos e os seus ossos come\u00e7am a aparecer. 
{I}22_{/}Ent\u00e3o ela aproxima-se do t\u00famulo, e a sua vida \u00e9 entregue \u00e0 
morada dos mortos. {I}23_{/}Contudo, se a pessoa encontra um anjo 
favor\u00e1vel, um intercessor, entre outros mil, que lhe mostre o seu 
dever, {R}_{I}24_{/}que tenha compaix\u00e3o dele e diga a Deus: "Livra-o de 
baixar \u00e0 sepultura, pois encontrei um resgate para ele", 
{I}25_{/}ent\u00e3o o seu corpo de novo se tornar\u00e1 jovem, e ele voltar\u00e1 aos 
dias da sua mocidade. {R}_{I}26_{/}Ent\u00e3o suplicar\u00e1 a Deus, que o 
atender\u00e1. Deus mostrar-lhe-\u00e1 alegremente a sua face, fazendo com 
que o homem se torne justo. [=]_{R}_{I}27_{/}Esse homem contar\u00e1 aos 
outros: "Eu pequei e violei a justi\u00e7a, mas Deus n\u00e3o me castigou 
como eu merecia. {I}28_{/}Livrou-me de cair na sepultura, e agora a 
minha vida pode contemplar a luz".
{R}_{I}29_{/}Vede como Deus faz tudo isto duas e at\u00e9 tr\u00eas vezes em favor 
do homem, {I}30_{/}a fim de o tirar vivo do t\u00famulo e o iluminar com a 
luz da vida. {I}31_{/}Presta aten\u00e7\u00e3o, Job, escuta-me, fica em sil\u00eancio 
enquanto eu falo. {I}32_{/}Se tens algo a dizer, responde-me. Podes 
falar, estou disposto a dar-te raz\u00e3o. {I}33_{/}Se n\u00e3o tens nada para 
dizer, ent\u00e3o escuta-me, cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria\u00bb.

{C}2.DEUS \u00c9 JUSTO{/}

{1}34{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, dizendo: {I}2_{/}\u00abS\u00e1bios, escutai as minhas 
palavras, e v\u00f3s, doutores, prestai aten\u00e7\u00e3o. {I}3_{/}Assim como o 
ouvido distingue as palavras e o paladar saboreia os alimentos, 
{R}_{I}4_{/}tamb\u00e9m n\u00f3s podemos discernir o que \u00e9 justo e reconhecer o que 
\u00e9 bom. {R}_{I}5_{/}Job afirmou: "Estou inocente, mas Deus nega-Se a 
fazer-me justi\u00e7a. {I}6_{/}Embora esteja no meu direito, passo por 
mentiroso e, embora n\u00e3o tenha pecado, uma flecha me feriu 
mortalmente".
{R}_{I}7_{/}Quem \u00e9 grande como Job? Ele bebe sarcasmo como \u00e1gua, 
{I}8_{/}junta-se aos malfeitores e anda na companhia dos injustos. 
{R}_{I}9_{/}Ele afirma: "O homem n\u00e3o ganha nada em satisfazer a Deus".
{R}_{I}10_{/}Escutai-me, homens sensatos. Longe de Deus praticar o mal, 
longe do Todo-poderoso praticar a injusti\u00e7a! [=]_{R}_{I}11_{/}Deus paga 
ao homem conforme as suas obras e retribui a cada um conforme a 
sua conduta. [=]_{R}_{I}12_{/}Deus, na verdade, n\u00e3o age de modo injusto. 
O Todo-poderoso nunca viola o direito. {I}13_{/}Quem Lhe confiou o 
governo da Terra? Quem Lhe entregou o mundo inteiro? {R}_{I}14_{/}Se Ele 
pensasse apenas em Si mesmo e retirasse o seu esp\u00edrito e o seu 
corpo, {R}_{I}15_{/}todas as criaturas morreriam no mesmo instante, e o 
homem voltaria ao p\u00f3. {I}16_{/}Se \u00e9s inteligente, escuta-me, presta 
aten\u00e7\u00e3o ao que vou dizer. [=]_{R}_{I}17_{/}Quem \u00e9 inimigo do direito 
conseguiria governar? Atreves-te a condenar o Supremo Justo? 
{R}_{I}18_{/}Ele \u00e9 capaz de dizer a um rei: "\u00c9s um homem vil". E a um 
pr\u00edncipe: "\u00c9s um homem injusto". {R}_{I}19_{/}Deus n\u00e3o \u00e9 parcial a favor 
dos poderosos, nem favorece o rico contra o pobre, porque todos 
s\u00e3o obras das suas m\u00e3os. {I}20_{/}Eles morrem de repente no meio da 
noite, os grandes perecem e desaparecem, e o poderoso \u00e9 derrubado 
sem esfor\u00e7o humano. {R}_{I}21_{/}Porque os olhos de Deus v\u00eaem a conduta 
do homem e vigiam todos os seus passos. {I}22_{/}N\u00e3o h\u00e1 trevas nem 
sombras onde os malfeitores possam esconder-se. {R}_{I}23_{/}N\u00e3o cabe ao 
homem marcar prazo para comparecer perante o tribunal de Deus. 
{I}24_{/}Ele aniquila os poderosos sem muitos inqu\u00e9ritos e, para o 
lugar deles, nomeia outros. {R}_{I}25_{/}Deus conhece a fundo as suas 
ac\u00e7\u00f5es. Ele derruba-os numa noite, e s\u00e3o destru\u00eddos. {I}26_{/}Ele 
a\u00e7oita-os como criminosos, e prende-os em p\u00fablico, {I}27_{/}porque se 
afastaram d'Ele, e n\u00e3o seguiram os seus caminhos, {R}_{I}28_{/}fazendo 
com que o clamor dos fracos chegasse at\u00e9 Deus, e Ele ouvisse o 
clamor dos pobres. {R}_{I}29_{/}Se Deus n\u00e3o interv\u00e9m, quem poder\u00e1 
conden\u00e1-l'O? Se Ele esconde o rosto, quem poder\u00e1 v\u00ea-l'O? Todavia 
Ele cuida dos povos e das pessoas, {I}30_{/}para que n\u00e3o reine o 
perverso nem algu\u00e9m que engane o povo.
{R}_{I}31_{/}Diz apenas isto a Deus: "Enganei-me, nunca mais volto a 
fazer o mal. {I}32_{/}Ensina-me aquilo que eu n\u00e3o vejo. Se pratiquei o 
mal, n\u00e3o voltarei a faz\u00ea-lo". {I}33_{/}Ser\u00e1 que Ele deveria retribuir-
te segundo as tuas ideias, uma vez que rejeitas o seu julgamento? 
Quem deve escolher \u00e9s tu e n\u00e3o eu. Vamos, diz o que sabes. {I}34_{/}Os 
homens sensatos e os s\u00e1bios que me escutam confessar\u00e3o: {I}35_{/}"Job 
n\u00e3o sabe o que diz. As suas palavras n\u00e3o t\u00eam sentido!"
{I}36_{/}Quero que Job seja examinado at\u00e9 ao fim por causa das suas 
respostas, dignas de um descrente, {I}37_{/}porque ao pecado junta a 
revolta. Ele semeia a d\u00favida entre n\u00f3s e multiplica os seus 
protestos contra Deus\u00bb.

{C}3.DEUS N\u00c3O ATENDE OS ORGULHOSOS{/}

{1}35{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, dizendo: {R}_{I}2_{/}\u00abSer\u00e1 que pretendes ter 
raz\u00e3o, quando dizes: "Sou mais justo do que Deus?" {I}3_{/}Ou quando 
dizes: "De que me serviu, e o que \u00e9 que eu ganhei em n\u00e3o pecar?" 
{I}4_{/}Vou responder-te a ti e aos teus amigos. {I}5_{/}Olha atentamente 
para o c\u00e9u e observa as nuvens que est\u00e3o por cima de ti. {R}_{I}6_{/}Se 
pecares, que mal fazes a Deus? Se amontoas crimes, que danos Lhe 
causas? {R}_{I}7_{/}E se \u00e9s justo, o que \u00e9 que Lhe est\u00e1s a dar? O que \u00e9 
que Ele recebe da tua m\u00e3o? {R}_{I}8_{/}A tua maldade s\u00f3 pode afectar um 
homem igual a ti. A tua justi\u00e7a s\u00f3 atinge um outro ser humano como 
tu.
{I}9_{/}As pessoas gemem sob o peso da opress\u00e3o, e pedem socorro 
contra os poderosos. [=]_{R}_{I}10_{/}Mas ningu\u00e9m diz: "Onde est\u00e1 o nosso 
Deus criador, que restaura as nossas for\u00e7as durante a noite, 
[=]_{I}11_{/}que nos instrui mais do que aos animais da terra e nos 
torna mais s\u00e1bios do que as aves do c\u00e9u?" {R}_{I}12_{/}Alguns clamam, 
por\u00e9m Deus n\u00e3o responde ao orgulho dos injustos. {R}_{I}13_{/}Deus n\u00e3o 
ouve a falsidade, e o Todo-poderoso n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o a isso. 
{I}14_{/}E tu ainda te atreves a dizer que n\u00e3o O v\u00eas, que Lhe 
entregaste a tua causa, que Ele n\u00e3o interv\u00e9m com a sua 
ira,{I}15_{/}que Ele ignora o pecado. {I}16_{/}Job abriu a boca para dizer 
palavras sem sentido\u00bb.

{C}4.JUSTI\u00c7A E GRANDEZA DE DEUS{/}

{1}36{/}

{N}DEUS EDUCA PARA A JUSTI\u00c7A{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, dizendo: {R}_{I}2_{/}\u00abEspera um pouco e eu te 
instruirei, porque ainda existem outros argumentos para a defesa 
de Deus. {I}3_{/}Irei longe para buscar a minha ci\u00eancia, a fim de dar 
raz\u00e3o ao meu Criador. {I}4_{/}Os meus argumentos n\u00e3o s\u00e3o falsos; tens 
diante de ti um s\u00e1bio consumado.
{R}_{I}5_{/}Sim, Deus \u00e9 poderoso e n\u00e3o despreza o cora\u00e7\u00e3o sincero. 
{I}6_{/}Ele n\u00e3o deixa viver o \u00edmpio e faz justi\u00e7a aos pobres. {I}7_{/}N\u00e3o 
afasta os seus olhos dos justos. Pelo contr\u00e1rio, f\u00e1-los sentar em 
tronos reais e exalta-os para sempre. {I}8_{/}Quando os prende com 
correntes e os amarra com os la\u00e7os da afli\u00e7\u00e3o, {I}9_{/}\u00e9 porque Ele s\u00f3 
quer denunciar-lhes as ac\u00e7\u00f5es e pecados causados pelo orgulho. 
{R}_{I}10_{/}E assim, Deus abre-lhes os ouvidos para a correc\u00e7\u00e3o e 
aconselha-os a abandonarem a injusti\u00e7a. {I}11_{/}Se eles Lhe derem 
aten\u00e7\u00e3o e se submeterem, terminar\u00e3o os seus dias na prosperidade e 
os seus anos no bem-estar. {R}_{I}12_{/}Se n\u00e3o obedecerem, atravessar\u00e3o a 
fronteira da morte e morrer\u00e3o sem dar por isso. {R}_{I}13_{/}Os injustos, 
quando Deus os aflige, acumulam rancor em vez de pedirem aux\u00edlio. 
{I}14_{/}Perdem a vida em plena juventude e morrem entre os infames. 
{R}_{I}15_{/}Deus, por\u00e9m, salva o pobre atrav\u00e9s da afli\u00e7\u00e3o e abre-lhe os 
ouvidos por meio do sofrimento.
{I}16_{/}Ele tamb\u00e9m te quer arrancar da ang\u00fastia e levar-te para um 
lugar espa\u00e7oso e aberto, para te servir com mesa farta. {I}17_{/}Tu, 
por\u00e9m, n\u00e3o fazes justi\u00e7a contra o injusto, nem defendes o direito 
do \u00f3rf\u00e3o. {I}18_{/}N\u00e3o te deixes seduzir com presentes, nem perverter 
com ricos subornos. {R}_{I}19_{/}Porventura, no perigo, as tuas riquezas 
e posses valer\u00e3o alguma coisa diante de Deus? {I}20_{/}N\u00e3o esmagues 
pessoas estranhas, para colocar os teus parentes no lugar delas. 
{I}21_{/}N\u00e3o te voltes para a injusti\u00e7a, porque foi por causa dela que 
foste provado atrav\u00e9s da afli\u00e7\u00e3o.
{R}_{I}22_{/}V\u00ea como Deus \u00e9 sublime no seu poder! Que mestre pode 
comparar-se a Ele? {I}23_{/}Quem \u00e9 que Lhe ensina o caminho, ou pode 
acus\u00e1-l'O de injusti\u00e7a? {I}24_{/}Lembra-te de celebrar as suas obras, 
que a humanidade cantou. {I}25_{/}Todos os homens as contemplam, todos 
os mortais as admiram de longe.

{N}O SENHOR DO OUTONO{/}

[\u0095]_{R}_{I}26_{/}A grandeza de Deus supera todo o conhecimento, e o 
n\u00famero dos seus anos \u00e9 incalcul\u00e1vel. [=]_{R}_{I}27_{/}Ele faz subir as 
gotas de \u00e1gua, e transforma os seus vapores em chuva.{I}28_{/}As 
nuvens destilam e derramam a chuva que cai abundante sobre a 
terra. {I}29_{/}Quem poder\u00e1 calcular a extens\u00e3o das nuvens e a altura 
da sua tenda celeste? {I}30_{/}Ele espalha diante de Si a neblina que 
cobre a crista das montanhas. {R}_{I}31_{/}Com a chuva, alimenta os 
povos, dando-lhes comida abundante. {I}32_{/}Enche as m\u00e3os com raios e 
atira-os contra um alvo certo. {I}33_{/}O trov\u00e3o anuncia a sua 
chegada, e a sua ira acende-se contra a injusti\u00e7a.

{1}37{/}

{I}1_{/}Ao ver tudo isto, o meu cora\u00e7\u00e3o treme e enche-se de espanto. 
{I}2_{/}Aten\u00e7\u00e3o! Ouvi o trov\u00e3o da sua voz e o estrondo que sai da sua 
boca. {I}3_{/}O seu rel\u00e2mpago brilha no c\u00e9u e atinge a extremidade da 
Terra. {I}4_{/}Depois dele ressoa o trov\u00e3o. Troveja com o seu fragor e 
ningu\u00e9m pode deter os seus raios, quando se ouve o seu trov\u00e3o. 
{R}_{I}5_{/}Deus troveja com uma voz prodigiosa e realiza maravilhas que 
n\u00e3o compreendemos.

{N}O SENHOR DO INVERNO{/}

[\u0095]_{R}_{I}6_{/}Deus ordena \u00e0 neve: "Cai sobre a terra". E \u00e0 chuva 
torrencial: "Desce com viol\u00eancia". {I}7_{/}Ele interrompe a actividade 
dos homens, para que todos reconhe\u00e7am a sua obra. {I}8_{/}As feras 
entram nos seus esconderijos e permanecem nas suas tocas. {I}9_{/}O 
furac\u00e3o avan\u00e7a do Sul, e do Norte aproxima-se o frio. {R}_{I}10_{/}Ao 
sopro de Deus forma-se o gelo, e gela a superf\u00edcie das \u00e1guas. 
{I}11_{/}Ele enche as nuvens de raios e as nuvens espalham os seus 
rel\u00e2mpagos. {I}12_{/}Estas, guiadas por Ele, giram e circulam, para 
cumprir todas as suas ordens no mundo inteiro. {R}_{I}13_{/}Ele envia-as 
aos povos da Terra para os castigar ou para os beneficiar.

{N}O SENHOR DO VER\u00c3O{/}

[\u0095]_{R}_{I}14_{/}Ouve bem, Job. P\u00e1ra, e considera as maravilhas de Deus! 
{R}_{I}15_{/} Sabes como Deus dirige os rel\u00e2mpagos e os faz brilhar no 
meio das nuvens? {I}16_{/}Sabes como \u00e9 que Ele equilibra as nuvens, 
maravilhas de sabedoria consumada? {I}17_{/}Sabes porque se aquecem as 
tuas vestes, quando a terra desfalece por causa do vento sul? 
{I}18_{/}Porventura saber\u00e1s estender como Ele o firmamento e torn\u00e1-lo 
s\u00f3lido como espelho de metal fundido? {R}_{I}19_{/}Ensina-nos o que 
devemos dizer a Deus, pois n\u00e3o podemos argumentar \u00e0s escuras. 
{R}_{I}20_{/}Ser\u00e1 preciso avis\u00e1-l'O de que pretendo falar? Ser\u00e1 que Ele \u00e9 
informado quando um homem fala? {I}21_{/}Agora, escurecida pelas 
nuvens, j\u00e1 se n\u00e3o v\u00ea a luz que resplandece no c\u00e9u. No entanto, o 
vento soprar\u00e1 e varrer\u00e1 as nuvens. {R}_{I}22_{/}Do Norte chega um clar\u00e3o 
dourado, Deus envolve-Se de majestade terr\u00edvel. {I}23_{/}N\u00e3o podemos 
alcan\u00e7ar o Todo-poderoso. Ele \u00e9 sublime em poder, rico de justi\u00e7a, 
e n\u00e3o oprime ningu\u00e9m. {I}24_{/}Por isso, todos os homens O temem, e 
Ele n\u00e3o leva em conta aqueles que se consideram s\u00e1bios\u00bb.

{C}IV. O DESAFIO DE DEUS{/}

{C}1.DEUS \u00c9 O SENHOR DA VIDA{/}

{1}38{/}

{N}JAV\u00c9 FALA POR DENTRO DO SOFRIMENTO HUMANO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9, do meio da tempestade, respondeu a Job e 
disse: {I}2_{/}\u00abQuem \u00e9 aquele que obscurece o meu projecto com 
palavras sem sentido? {R}_{I}3_{/}Se \u00e9s homem, prepara-te: vou 
interrogar-te e tu responder-Me-\u00e1s.

{N}O SENHOR DA NATUREZA{/}

[\u0095]_{I}4_{/}Onde \u00e9 que tu estavas quando Eu lancei os fundamentos da 
Terra? Diz-mo, se \u00e9 que tens intelig\u00eancia para isso! [=]_{I}5_{/}Sabes 
quem fixou as dimens\u00f5es da Terra? Quem a mediu com a r\u00e9gua? 
{I}6_{/}Onde se encaixam as suas bases, ou quem foi que assentou a sua 
pedra angular, [=]_{R}_{I}7_{/}enquanto os astros da manh\u00e3 aclamavam e 
todos os filhos de Deus aplaudiam?
{R}_{I}8_{/}Quem p\u00f4s diques ao mar, quando ele irrompeu, jorrando do seio 
materno, {I}9_{/}quando lhe dava as nuvens como roupas e o enfaixava 
com espessas nuvens? {I}10_{/}Quando lhe coloquei limites com portas e 
trancas, {I}11_{/}e lhe disse: "Vais chegar at\u00e9 aqui, e n\u00e3o passar\u00e1s. 
Aqui se quebrar\u00e1 a soberba das tuas ondas"?
[=]_{I}12_{/}Alguma vez na tua vida deste ordens ao amanhecer, ou 
marcaste um lugar \u00e0 aurora, {I}13_{/}para ela agarrar as bordas da 
Terra e sacudir os injustos? {I}14_{/}Acaso deste ordens \u00e0 Terra para 
ela se moldar como a argila debaixo do sinete e tingir-se como um 
vestido, {I}15_{/}recusando a luz aos injustos e quebrando o bra\u00e7o dos 
soberbos? {R}_{I}16_{/}J\u00e1 desceste \u00e0s fontes do mar, ou passeaste pelas 
profundezas do oceano? {R}_{I}17_{/}J\u00e1 te mostraram as portas da morte, 
ou j\u00e1 viste os portais das sombras? {I}18_{/}J\u00e1 examinaste a extens\u00e3o 
da Terra? Diz-me, se sabes tudo isso!
{I}19_{/}Por onde se vai \u00e0 casa da luz, e onde \u00e9 o lugar das trevas, 
{I}20_{/}para que as leves para o seu territ\u00f3rio e lhes ensines o 
caminho para casa? {I}21_{/}Certamente deverias saber tudo isto, pois 
j\u00e1 tinhas nascido e j\u00e1 viveste muit\u00edssimos anos. {I}22_{/}J\u00e1 entraste 
nos reservat\u00f3rios da neve e observaste os dep\u00f3sitos do granizo, 
[=]_{I}23_{/}que Eu reservo para os tempos de calamidade, para os dias 
de guerra e batalha? {I}24_{/}Por onde se espalha o calor, e se 
difunde sobre a Terra o vento Leste? {I}25_{/}Quem abriu o caminho aos 
aguaceiros, e as rotas aos rel\u00e2mpagos e aos trov\u00f5es, {R}_{I}26_{/}para 
chover em terras despovoadas e no deserto, onde os homens n\u00e3o 
habitam, {I}27_{/}para que as regi\u00f5es desoladas se saciem, e fa\u00e7am 
germinar e brotar a erva? {I}28_{/}Ter\u00e1 a chuva um pai? Quem gera as 
gotas do orvalho? {I}29_{/}De que seio vem o gelo, e quem d\u00e1 \u00e0 luz a 
geada do c\u00e9u? {I}30_{/}As \u00e1guas endurecem como pedra, e a superf\u00edcie 
do lago congela-se.
[=]_{I}31_{/}\u00c9s tu que amarras os la\u00e7os das Pl\u00eaiades, ou desatas as 
liga\u00e7\u00f5es de \u00d3rion? {I}32_{/}\u00c9s tu que fazes aparecer as constela\u00e7\u00f5es 
do zod\u00edaco na sua esta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, ou guias a Ursa Maior com os 
seus filhos? {I}33_{/}Conheces as leis do c\u00e9u, ou determinas as suas 
fun\u00e7\u00f5es sobre a Terra? {I}34_{/}\u00c9s capaz de levantar a voz at\u00e9 \u00e0s 
nuvens, para que te cubram de abundantes \u00e1guas? {I}35_{/}Porventura a 
tua voz faz surgir os rel\u00e2mpagos, que te respondem: "Aqui 
estamos"? {I}36_{/}Quem p\u00f4s a sabedoria nas nuvens ou quem deu 
intelig\u00eancia aos meteoros? {I}37_{/}Quem est\u00e1 em grau de contar 
exactamente as nuvens, e quem entorna os c\u00e2ntaros do c\u00e9u, 
{I}38_{/}quando o p\u00f3 da terra se transforma em barro e os torr\u00f5es se 
amontoam?

{N}O SENHOR DOS ANIMAIS{/}

[\u0095]_{I}39_{/}Acaso \u00e9s tu que ca\u00e7as a presa para a leoa ou sacias a 
fome dos le\u00f5ezinhos, {I}40_{/}quando eles se recolhem nas tocas ou 
ficam de emboscada nas moitas? [=]_{R}_{I}41_{/}\u00c9s tu que d\u00e1s alimento ao 
corvo, quando os seus filhotes gritam a Deus e se agitam por falta 
de comida?

{1}39{/}

{I}1_{/}Sabes quando \u00e9 que as camur\u00e7as t\u00eam cria? J\u00e1 assististe ao 
parto das cor\u00e7as? {I}2_{/}Contaste os meses da sua gravidez ou 
conheces o momento do parto? {I}3_{/}Elas abaixam-se, d\u00e3o \u00e0 luz as 
suas crias e livram-se das dores. {I}4_{/}Os seus filhotes crescem e 
ficam fortes, crescem nos campos, afastam-se delas e nunca mais 
voltam.
{I}5_{/}Quem solta as r\u00e9deas e d\u00e1 liberdade ao burro selvagem, {R}_{I}6_{/}ao 
qual dei o deserto como habita\u00e7\u00e3o e a plan\u00edcie salgada como 
moradia? {I}7_{/}Ele ri-se do barulho da cidade e n\u00e3o d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos 
gritos de quem o arreia. {I}8_{/}Ele explora as montanhas em busca de 
pasto, \u00e0 procura de lugares verdes.
{I}9_{/}Ser\u00e1 que o b\u00fafalo aceita servir-te e passar a noite no teu 
est\u00e1bulo? {I}10_{/}Poder\u00e1s colocar nele uma canga, para que lavre a 
terra dos teus campos? {I}11_{/}Ele \u00e9 forte. Mas ser\u00e1 que podes 
confiar nele para fazer o teu trabalho? {I}12_{/}Podes contar com ele, 
para recolher o teu trigo e encher a tua eira?
{I}13_{/}A avestruz bate alegremente as asas, como se tivesse penas e 
plumas de cegonha. {I}14_{/}Deixa os ovos no ch\u00e3o, para os chocar na 
areia, {I}15_{/}sem pensar que algum p\u00e9 poder\u00e1 quebr\u00e1-los ou serem 
pisados por alguma fera. [=]_{I}16_{/}\u00c9 cruel com os filhotes, trata-
os como se n\u00e3o fossem seus, e n\u00e3o se importa com a sua in\u00fatil 
fadiga, {R}_{I}17_{/}porque Deus a privou de sabedoria e n\u00e3o lhe concedeu 
intelig\u00eancia. {I}18_{/}Contudo, quando se levanta batendo os flancos, 
ri-se do cavalo e do seu cavaleiro.
{I}19_{/}\u00c9s tu que d\u00e1s for\u00e7a ao cavalo e revestes de crina o seu 
pesco\u00e7o? {I}20_{/}\u00c9s tu que o ensinas a saltar como um gafanhoto e a 
relinchar com majestade e terror? {I}21_{/}Cheio de for\u00e7a, escava o 
ch\u00e3o com a pata e lan\u00e7a-se ao encontro das armas. {I}22_{/}Ele ri-se 
do medo, n\u00e3o se assusta e n\u00e3o recua diante da espada. {I}23_{/}Sobre 
ele ressoa o barulho do escudo, a lan\u00e7a faiscante e o dardo. 
{I}24_{/}Com \u00edmpeto e estrondo, devora a dist\u00e2ncia e n\u00e3o p\u00e1ra, mesmo 
que soe o clarim. {I}25_{/}Ao toque da trombeta, ele relincha; fareja 
de longe a batalha, as ordens de comando e os gritos de guerra.
[=]_{I}26_{/}Ser\u00e1 pela tua sabedoria que o falc\u00e3o levanta voo, 
estendendo as asas para o Sul? {I}27_{/}Acaso \u00e9 sob a tua ordem que a 
\u00e1guia levanta voo e constr\u00f3i o seu ninho nas alturas? {I}28_{/}Ela 
mora nos rochedos, e ali pernoita numa fortaleza de rocha 
inating\u00edvel. {I}29_{/}Do alto ela espia a sua presa; os seus olhos 
descobrem-na de longe. [=]_{I}30_{/}Os seus filhotes chupam o sangue, 
e onde h\u00e1 cad\u00e1veres ela l\u00e1 est\u00e1\u00bb.

{1}40{/}

{I}1_{/}Jav\u00e9 continuou a dirigir-se a Job,e perguntou: 
{R}_{I}2_{/}\u00abO advers\u00e1rio vai querer continuar a discutir com o Todo-
poderoso? Quem critica a Deus ir\u00e1 responder?\u00bb

{C}PRIMEIRA RESPOSTA DE JOB A DEUS{/}

{N}SIL\u00caNCIO DIANTE DO MIST\u00c9RIO{/}

[\u0095]_{I}3_{/}Ent\u00e3o Job respondeu a Jav\u00e9: {I}4_{/}\u00abSinto-me arrasado. Que 
posso eu replicar? Vou tapar a boca com a m\u00e3o. {I}5_{/}Falei uma vez e 
n\u00e3o insistirei; falei duas vezes, e n\u00e3o vou acrescentar mais 
nada\u00bb.

{C}2.DEUS TRIUNFA SOBRE O MAL{/}

{N}O GRANDE DESAFIO: DEUS \u00c9 DEUS, E O HOMEM N\u00c3O \u00c9 DEUS{/}

[\u0095]_{I}6_{/}Do meio da tempestade, Jav\u00e9 replicou a Job: {R}_{I}7_{/}\u00abSe \u00e9s 
homem, prepara-te: vou interrogar-te e responder-me-\u00e1s. 
{I}8_{/}Atreves-te a anular a minha justi\u00e7a e a condenar-Me, para te 
justificares a ti mesmo? {R}_{I}9_{/}Tens um bra\u00e7o semelhante ao bra\u00e7o de 
Deus? A tua voz troveja como a voz de Deus? {I}10_{/}Ent\u00e3o reveste-te 
de majestade e grandeza, e cobre-te de esplendor e gl\u00f3ria! 
{I}11_{/}Espalha o ardor da tua ira e, com um s\u00f3 olhar, rebaixa todos 
os orgulhosos. {I}12_{/}Humilha com o teu olhar o arrogante, e esmaga 
os injustos onde quer que se encontrem. {I}13_{/}Enterra-os todos 
juntos debaixo da terra, e amarra-os todos juntos na pris\u00e3o. 
{I}14_{/}Ent\u00e3o tamb\u00e9m Eu te louvarei, porque conseguiste a vit\u00f3ria com 
a tua pr\u00f3pria m\u00e3o direita.

{N}DEUS DOMINA A FOR\u00c7A BRUTA{/}

[\u0095]_{I}15_{/}V\u00ea o hipop\u00f3tamo que Eu criei como te criei a ti. Ele 
alimenta-se de erva como o boi. {I}16_{/}A sua for\u00e7a est\u00e1 nos seus 
rins, e o seu vigor nos m\u00fasculos do ventre. {I}17_{/}Ergue a cauda 
como um cedro e entrela\u00e7a os tend\u00f5es das coxas. {R}_{I}18_{/}Os seus 
ossos s\u00e3o como tubos de bronze, e a sua carca\u00e7a parece feita de 
barras de ferro. {R}_{I}19_{/}Ele \u00e9 a obra-prima de Deus, e s\u00f3 o seu 
Criador o pode amea\u00e7ar com a espada. {R}_{I}20_{/}Deus pro\u00edbe-lhe a 
regi\u00e3o das montanhas, onde as feras se divertem. {R}_{I}21_{/}Ele deita-
se debaixo do l\u00f3tus, e esconde-se entre os juncos do p\u00e2ntano. 
{I}22_{/}Cobre-o com a sombra o l\u00f3tus, e envolvem-no os salgueiros da 
torrente. {R}_{I}23_{/}Ainda que o rio transborde, ele n\u00e3o se assusta. 
Pelo contr\u00e1rio, fica tranquilo, mesmo que o Jord\u00e3o transborde at\u00e9 
\u00e0 sua boca. {I}24_{/}Quem poder\u00e1 agarr\u00e1-lo pela frente ou perfurar-lhe 
as narinas para lhes aplicar argolas?

{N}DEUS DOMINA O MAL QUE AMEA\u00c7A O HOMEM{/}

[\u0095]_{I}25_{/}\u00c9s capaz de pescar o Leviat\u00e3 com anzol e amarrar-lhe a 
l\u00edngua com uma corda? {I}26_{/}\u00c9s capaz de lhe furar as narinas com 
junco e de lhe perfurar a mand\u00edbula com gancho? {I}27_{/}Ser\u00e1 que ele 
viria ter contigo com muitas s\u00faplicas ou te falaria com ternura? 
{R}_{I}28_{/}Ser\u00e1 que faria uma alian\u00e7a contigo, para fazeres dele o teu 
criado perp\u00e9tuo? {I}29_{/}Brincar\u00e1s com ele como se fosse um p\u00e1ssaro, 
ou amarr\u00e1-lo-\u00e1s para as tuas filhas? {I}30_{/}Ser\u00e1 que os pescadores o 
negociar\u00e3o, ou os negociantes o dividir\u00e3o entre si? {I}31_{/}Poder\u00e1s 
crivar a sua pele com dardos ou a cabe\u00e7a com arp\u00e3o de pesca? 
{I}32_{/}Experimenta colocar a m\u00e3o em cima dele: lembrar-te-\u00e1s da 
luta, e nunca mais repetir\u00e1s isso!

{1}41{/}

{I}1_{/}V\u00ea! Diante dele, toda a seguran\u00e7a \u00e9 apenas ilus\u00e3o, pois basta 
algu\u00e9m v\u00ea-lo para ficar com medo. {I}2_{/}Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o corajoso que o 
provoque. Quem poderia enfrent\u00e1-lo cara a cara? {I}3_{/}Quem se 
atreveu a desafi\u00e1-lo, e saiu ileso? Ningu\u00e9m debaixo de todo o c\u00e9u.
{I}4_{/}N\u00e3o deixarei de descrever os seus membros, e a sua for\u00e7a 
incompar\u00e1vel. {I}5_{/}Quem lhe abriu a coura\u00e7a e penetrou pela sua 
dupla armadura? {I}6_{/}Quem abriu as duas portas da sua boca, 
rodeadas de dentes terr\u00edveis? {I}7_{/}As suas costas s\u00e3o fileiras de 
escudos, estreitamente ligados; {I}8_{/}s\u00e3o t\u00e3o unidos uns com os 
outros, que nem o ar passa entre eles; {I}9_{/}cada um \u00e9 t\u00e3o ligado 
com o outro, que ficam travados e n\u00e3o se podem separar. {I}10_{/}Os 
seus espirros lan\u00e7am fa\u00edscas, e os seus olhos s\u00e3o como a cor rosa 
da aurora. {I}11_{/}Da sua boca irrompem tochas acesas e saltam 
centelhas de fogo. {I}12_{/}Das suas narinas jorra fumo, como de 
caldeira que ferve ao fogo. {I}13_{/}O seu bafo queima como brasa, e a 
sua boca lan\u00e7a chamas. {I}14_{/}No seu pesco\u00e7o reside a for\u00e7a, e 
diante dele dan\u00e7a o terror. {I}15_{/}Os m\u00fasculos do seu corpo s\u00e3o 
compactos, s\u00f3lidos e im\u00f3veis. {I}16_{/}O seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 duro como rocha 
e s\u00f3lido como pedra de moinho. {I}17_{/}Quando ele se ergue, os her\u00f3is 
tremem e fogem apavorados. {I}18_{/}A espada que o atinge n\u00e3o penetra, 
nem a lan\u00e7a, nem o dardo, nem o arp\u00e3o. {R}_{I}19_{/}Para ele o ferro \u00e9 
como palha, e o bronze como madeira podre. {I}20_{/}A flecha n\u00e3o o 
afugenta, e as pedras da funda transformam-se em palha para ele. 
{I}21_{/}A ma\u00e7a \u00e9 para ele como estopa, e ele zomba dos dardos que 
assobiam. {I}22_{/}O seu ventre, coberto de escamas pontiagudas, \u00e9 uma 
grade de ferro que se arrasta sobre o lodo. {R}_{I}23_{/}Ele faz ferver o 
fundo do mar como caldeira, e a \u00e1gua fumegar como vasilha quente 
cheia de unguentos. {R}_{I}24_{/}Atr\u00e1s de si deixa uma esteira brilhante, 
e a \u00e1gua parece cabeleira branca. [=]_{I}25_{/}Na terra ningu\u00e9m se 
iguala a ele, pois foi criado para n\u00e3o ter medo. [=]_{R}_{I}26_{/}Ele 
confronta-se com os seres mais altivos, e \u00e9 o rei das feras 
soberbas\u00bb.

{C}\u00daLTIMA RESPOSTA DE JOB A DEUS{/}

{1}42{/}

{N}A EXPERI\u00caNCIA DO DEUS VIVO{/}

[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o Job respondeu a Jav\u00e9: {I}2_{/}\u00abEu reconhe\u00e7o que tudo 
podes e que nenhum dos teus projectos fica sem realiza\u00e7\u00e3o. {I}3_{/}Tu 
disseste: "Quem \u00e9 esse que escurece os meus projectos com palavras 
sem sentido?" Pois bem! Eu falei, sem entender, de maravilhas que 
superam a minha compreens\u00e3o. {I}4_{/}Tu disseste: "Escuta-Me, porque 
vou falar. Vou interrogar-te, e responder-Me-\u00e1s". {I}5_{/}Eu conhecia-
Te s\u00f3 por ouvir. Agora, por\u00e9m, os meus olhos v\u00eaem-Te. {I}6_{/}Por 
isso, eu retrato-me e arrependo-me, sobre o p\u00f3 e a cinza\u00bb.

{C}V. AP\u00caNDICE{/}

{N}A INTERCESS\u00c3O DO POBRE{/}

[\u0095]_{I}7_{/}Jav\u00e9 acabou de falar com Job, e dirigiu-Se a Elifaz de 
Tem\u00e3, dizendo: \u00abEstou irritado contra ti e os teus dois 
companheiros, porque n\u00e3o falastes correctamente de Mim como falou 
o meu servo Job. [=]_{I}8_{/}Portanto, pegai em sete bezerros e sete 
carneiros, e ide ter com o meu servo Job. Oferecei os animais em 
holocausto, e o meu servo Job interceder\u00e1 por v\u00f3s. Em aten\u00e7\u00e3o a 
ele, n\u00e3o vos tratarei como a vossa insensatez merece, porque n\u00e3o 
falastes correctamente de Mim, como falou o meu servo Job\u00bb. 
{I}9_{/}Ent\u00e3o, Elifaz de Tem\u00e3, Baldad de Su\u00e1s e Sofar de Naamat 
fizeram o que Jav\u00e9 lhes tinha ordenado. E Jav\u00e9 atendeu \u00e0s ora\u00e7\u00f5es 
de Job.

{N}O REGRESSO DA FELICIDADE{/}

[\u0095]_{I}10_{/}Quando Job intercedeu pelos seus companheiros, Jav\u00e9 
mudou-lhe a sorte e duplicou-lhe todas as posses. {I}11_{/}Os seus 
irm\u00e3os e irm\u00e3s e os antigos conhecidos foram visit\u00e1-lo. Almo\u00e7aram 
em sua casa, consolaram-no e confortaram-no pela desgra\u00e7a que Jav\u00e9 
lhe tinha enviado. Cada um ofereceu a Job uma soma de dinheiro e 
um anel de ouro. [=]_{I}12_{/}E Jav\u00e9 aben\u00e7oou Job, mais ainda do que 
antes. Ele possu\u00eda agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, 
mil juntas de bois e mil jumentas. {I}13_{/}Teve sete filhos e tr\u00eas 
filhas: {I}14_{/}a primeira chama-se Rola, a segunda C\u00e1ssia e a 
terceira Azeviche. {I}15_{/}Em toda a terra n\u00e3o havia mulheres mais 
belas do que as filhas de Job. E o seu pai deu-lhes uma parte da 
heran\u00e7a entre os seus irm\u00e3os.
[=]_{I}16_{/}Depois disto, Job viveu ainda cento e quarenta anos, e 
conheceu os seus filhos, netos e bisnetos. {I}17_{/}Depois Job morreu, 
velho em idade avan\u00e7ada.

