
{1}1{/}

{N}T\u00cdTULO{/}
[\u0095]_{R}_{I}1_{/}Palavras de Co\u00e9let, filho de David, rei de Jerusal\u00e9m.

{C}I. INTRODU\u00c7\u00c3O{/}

{N}A VIDA \u00c9 PASSAGEIRA{/}
[\u0095]_[=]_{I}2_{/}\u00d3 suprema fugacidade, diz co\u00e9let, \u00f3 suprema fugacidade! tudo \u00e9 fugaz! {R}_{I}3_{/}Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?

{N}A REPETI\u00c7\u00c3O PRODUZ T\u00c9DIO{/}
[\u0095]_{I}4_{/}Gera\u00e7\u00e3o vai, gera\u00e7\u00e3o vem, e a Terra permanece sempre a mesma. {I}5_{/}O Sol levanta-se, o Sol p\u00f5e-se, voltando depressa para o lugar de onde novamente se levantar\u00e1. {I}6_{/}O vento sopra para o Sul, depois gira para o Norte e, girando e girando, vai dando as suas voltas. {R}_{I}7_{/}Todos os rios correm para o mar, e o mar nunca transborda; embora cheguem ao fim do seu percurso, os rios continuam sempre a correr. {R}_{I}8_{/}Toda a explica\u00e7\u00e3o fica a meio, pois o homem n\u00e3o consegue termin\u00e1-la. O olho n\u00e3o se farta de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. {I}9_{/}O que aconteceu, de novo acontecer\u00e1; e o que se fez, de novo ser\u00e1 feito: debaixo do Sol n\u00e3o h\u00e1 nenhuma novidade. {I}10_{/}\u00c0s vezes, ouvimos dizer: \u00abVede, aqui est\u00e1 uma coisa nova!\u00bb Mas ela j\u00e1 existiu em outros tempos, muito antes de n\u00f3s. {I}11_{/}Ningu\u00e9m se lembra dos antigos, e aqueles que existem n\u00e3o ser\u00e3o lembrados pelos que vir\u00e3o depois deles.

{C}II. ONDE EST\u00c1 A FELICIDADE?{/}

{N}O CONHECIMENTO N\u00c3O RESOLVE{/}
[\u0095]_{R}_{I}12_{/}Eu, Co\u00e9let, fui rei de Israel em Jerusal\u00e9m. {R}_{I}13_{/}Resolvi pesquisar e investigar com sabedoria tudo o que acontece debaixo do c\u00e9u. Esta \u00e9 uma tarefa penosa que Deus entregou aos homens, para com ela ficarem ocupados. {I}14_{/}Ent\u00e3o examinei as coisas que se fazem debaixo do Sol, e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que tudo \u00e9 fugaz, uma corrida atr\u00e1s do vento: {I}15_{/}o que \u00e9 torto, n\u00e3o se pode endireitar; e o que falta n\u00e3o se consegue contar.
[=]_{R}_{I}16_{/}Pensei e disse a mim mesmo: \u00abFiquei maior e mais s\u00e1bio do que todos os que reinaram em Jerusal\u00e9m antes de mim, e a minha mente adquiriu muita sabedoria e ci\u00eancia!\u00bb {I}17_{/}Decidi ent\u00e3o conhe-cer a sabedoria e a ci\u00eancia, assim como a tolice e a loucura. E compreendi que tamb\u00e9m isso \u00e9 correr atr\u00e1s do vento, {I}18_{/}porque, onde h\u00e1 muita sabedoria, h\u00e1 tamb\u00e9m muita tristeza, e onde h\u00e1 mais conhecimento, h\u00e1 tamb\u00e9m mais sofrimento.

{1}2{/}

{N}O SUCESSO RESOLVE?{/}
[\u0095]_{I}1_{/}Ent\u00e3o pensei:\u00abVamos! Vou fazer-te experimentar a alegria e conhecer o prazer!\u00bb Mas conclu\u00ed que tamb\u00e9m isso \u00e9 fugaz. {I}2_{/}Do riso, eu disse: \u00abTolice!\u00bb E da alegria: \u00abPara que serve?\u00bb
{R}_{I}3_{/}Ent\u00e3o decidi entregar-me \u00e0 bebida, nessa minha busca da sabedoria, e entregar-me \u00e0 insensatez, para descobrir o que conv\u00e9m ao homem fazer debaixo do c\u00e9u, no curto tempo da vida.
{I}4_{/}Realizei grandes obras: constru\u00ed pal\u00e1cios para mim, plantei vinhas, {I}5_{/}fiz jardins e pomares com toda a esp\u00e9cie de \u00e1rvores, {R}_{I}6_{/}e constru\u00ed reservat\u00f3rios de \u00e1gua para regar as \u00e1rvores do pomar. {R}_{I}7_{/}Comprei escravos e escravas, e tive muitos criados nascidos na minha casa. Possu\u00ed muito gado, vacas e ovelhas, mais do que todos os que reinaram em Jerusal\u00e9m antes de mim. {R}_{I}8_{/}Acumulei prata e ouro, e tesouros de reis e prov\u00edncias. Arranjei cantores e cantoras e - del\u00edcia dos homens - princesas em grande n\u00famero.
{R}_{I}9_{/}Desta forma, fiquei maior e mais poderoso do que todos os que reinaram em Jerusal\u00e9m antes de mim, conservando sempre a minha sabedoria. {I}10_{/}N\u00e3o recusei nada do que os meus olhos pediam, e nunca privei o meu cora\u00e7\u00e3o de nenhum prazer. Sabia desfrutar de todo o meu trabalho, e em todo o meu trabalho foi esta a minha por\u00e7\u00e3o.
{I}11_{/}Ent\u00e3o examinei todas as obras que havia feito e o trabalho que me tinham custado. E conclu\u00ed que tudo \u00e9 fugaz e uma corrida atr\u00e1s do vento, e que n\u00e3o h\u00e1 nada de permanente debaixo do Sol. [=]_{R}_{I}12_{/}Depois examinei a sabedoria, a tolice e a insensatez, pensando: \u00abQue far\u00e1 o rei que vir\u00e1 depois de mim?\u00bb Far\u00e1 o que j\u00e1 foi feito. {I}13_{/}Ent\u00e3o percebi que a vantagem da sabedoria sobre a insensatez \u00e9 a vantagem da luz sobre as trevas. [=]_{I}14_{/}O s\u00e1bio tem os olhos abertos, e o insensato caminha na escurid\u00e3o. Mas logo notei que ambos t\u00eam o mesmo destino.
{I}15_{/}Ent\u00e3o pensei: \u00abVou ter o mesmo destino que o insensato! Para que me tornei s\u00e1bio?\u00bb E conclu\u00ed que tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz. [=]_{I}16_{/}De facto, a lembran\u00e7a do s\u00e1bio desaparece para sempre, como a do insensato. Bem depressa tudo ficar\u00e1 esquecido: o s\u00e1bio morre da mesma forma que o insensato. 

{N}TRABALHAR PARA QUEM N\u00c3O TRABALHA?{/}
[\u0095]_{I}17_{/}Fiquei com \u00f3dio da vida, porque tudo o que se faz debaixo do sol me desagradou. Tudo \u00e9 fugaz, uma corrida atr\u00e1s do vento. {R}_{I}18_{/}Detesto todo o trabalho com que me afadigo debaixo do Sol, porque devo deixar tudo para o homem que vir\u00e1 depois de mim. {I}19_{/}E quem sabe se ser\u00e1 s\u00e1bio ou insensato? De qualquer modo, ele ser\u00e1 dono de tudo o que eu fiz debaixo do Sol com a minha fadiga e sabedoria. Tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz. {I}20_{/}Ent\u00e3o fiquei com o cora\u00e7\u00e3o desesperado por causa de todo o trabalho com que me afadiguei debaixo do Sol. {I}21_{/}De facto, h\u00e1 quem trabalhe com sabedoria, conhecimento e sucesso. E depois tem que deixar os seus bens para outro que com nada se afadigou. Tamb\u00e9m isto \u00e9 coisa fugaz e grande mal.
{R}_{I}22_{/}Ent\u00e3o, que proveito resta ao homem de todo o trabalho e esfor\u00e7o mental com que se afadigou debaixo do Sol? [=]_{I}23_{/}Sim, todos os seus dias s\u00e3o dolorosos, a sua tarefa \u00e9 penosa, e nem de noite ele pode repousar. Tamb\u00e9m isso \u00e9 fugaz!

{N}A FELICIDADE \u00c9 USUFRUIR DO FRUTO DO PR\u00d3PRIO TRABALHO{/}
[\u0095]_[=]_{R}_{I}24_{/}Vede: a felicidade do homem est\u00e1 em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho. Contudo, notei que tamb\u00e9m isto vem das m\u00e3os de Deus. {R}_{I}25_{/}De facto, quem pode comer e beber, sem que isto lhe venha de Deus? [=]_{R}_{I}26_{/}A quem Lhe agrada, Deus concede sabedoria, conhecimento e alegria. Mas ao pecador Deus imp\u00f5e a pena de juntar e acumular para quem agrada a Deus. Mas tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz e uma corrida atr\u00e1s do vento. 

{1}3{/}

{N}SABER DISCERNIR OS MOMENTOS{/}
[\u0095]_{I}1_{/}Debaixo do c\u00e9u h\u00e1 momentos para tudo, e tempo certo para cada coisa: {I}2_{/}Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar as plantas. {I}3_{/}Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. {I}4_{/}Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar. {I}5_{/}Tempo para atirar pedras e tempo para apanhar pedras. Tempo para abra\u00e7ar e tempo para se separar. {I}6_{/}Tempo para ganhar e tempo para per-der. Tempo para guardar e tempo para deitar fora. {I}7_{/}Tempo para rasgar e tempo para coser. Tempo para calar e tempo para falar. {I}8_{/}Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz.

{N}VIVER O MOMENTO PRESENTE{/}
{R}_{I}9_{/}Que tira o homem de toda a sua fadiga? {R}_{I}10_{/}Observei a tarefa que Deus entregou aos homens, para com ela se ocuparem: [=]_{R}_{I}11_{/}tudo o que Ele fez \u00e9 apropriado para cada tempo. Tamb\u00e9m colocou o senso da eternidade no cora\u00e7\u00e3o do homem, mas sem que o homem possa compreender a obra que Deus realiza desde o come\u00e7o at\u00e9 ao fim. {R}_{I}12_{/}Ent\u00e3o compreendi que n\u00e3o existe para o homem nada melhor do que alegrar-se e agir bem durante a vida. {R}_{I}13_{/}E compreendi tamb\u00e9m que \u00e9 dom de Deus que o homem possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho. [=]_{R}_{I}14_{/}Compreendi que tudo o que Deus fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus fez assim para ser temido. {R}_{I}15_{/}O que existe, j\u00e1 existia; o que existir\u00e1, tamb\u00e9m j\u00e1 existiu. Deus faz voltar de novo aquilo que j\u00e1 passou.

{N}A REALIZA\u00c7\u00c3O NO MEIO DAS INCERTEZAS{/}
[\u0095]_{R}_{I}16_{/}Observei outra coisa debaixo do Sol: Em lugar do direito, encontra-se a injusti\u00e7a; e, em lugar do justo, encontra-se o injusto. {R}_{I}17_{/}E conclu\u00ed que o justo e o injusto est\u00e3o sob o julgamento de Deus, porque existe um tempo para cada coisa e um julgamento para cada ac\u00e7\u00e3o. {R}_{I}18_{/}Quanto aos homens, penso assim: Deus p\u00f5e-los \u00e0 prova, para mostrar que, em si mesmos, s\u00e3o como animais. [=]_{R}_{I}19_{/}De facto, o destino do homem e do animal s\u00e3o id\u00eanticos: do mesmo modo que morrem estes, morrem tamb\u00e9m aqueles. Uns e outros t\u00eam o mesmo sopro vital, sem que o homem tenha vantagem nenhuma sobre o animal, porque tudo \u00e9 fugaz. [=]_{I}20_{/}Uns e outros v\u00e3o para o mesmo lugar: v\u00eam do p\u00f3, e voltam para o p\u00f3. [=]_{R}_{I}21_{/}Quem pode saber se o sopro vital do homem sobe para o alto, e o do animal desce para debaixo da terra? {R}_{I}22_{/}Percebo que n\u00e3o h\u00e1 nada melhor para o homem do que alegrar-se com as suas obras, porque esta \u00e9 a por\u00e7\u00e3o que lhe cabe. De facto, ningu\u00e9m lhe far\u00e1 ver o que acontecer\u00e1 depois dele. 

{1}4{/}

{N}A OPRESS\u00c3O NEGA A VIDA{/}
[\u0095]_{I}1_{/}Examinei tamb\u00e9m todas as opress\u00f5es que se cometem debaixo do Sol. H\u00e1 o choro dos oprimidos, e n\u00e3o h\u00e1 quem os console; ningu\u00e9m os apoia contra a viol\u00eancia dos seus opressores. {I}2_{/}Ent\u00e3o proclamei os mortos, os que j\u00e1 morreram, mais felizes do que os vivos, os que ainda vivem. [=]_{I}3_{/}Mais feliz que ambos \u00e9 quem n\u00e3o nasceu ainda, pois n\u00e3o v\u00ea todo o mal que se pratica debaixo do Sol.

{N}A COMPETI\u00c7\u00c3O \u00c9 DESUMANA{/}
[\u0095]_{R}_{I}4_{/}Vi tamb\u00e9m que todo o trabalho e todo o empenho que o homem p\u00f5e nas suas obras \u00e9 fruto de competi\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz e uma corrida atr\u00e1s do vento. {I}5_{/}O insensato cruza os bra\u00e7os e consome-se. {I}6_{/}Mais vale uma s\u00f3 m\u00e3o cheia com lazer, do que as duas m\u00e3os cheias com fadiga, correndo atr\u00e1s do vento.

{N}A UNI\u00c3O FAZ A FOR\u00c7A{/}
[\u0095]_{I}7_{/}Vi ainda outra coisa vazia debaixo do Sol: {R}_{I}8_{/}um homem sozinho, que n\u00e3o tem ningu\u00e9m, nem filhos, nem irm\u00e3os. Apesar disso, n\u00e3o deixa de se afadigar, nem de se fartar com riquezas. Para quem se afadiga ele e se priva da felicidade? Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz e trabalho in\u00fatil. {I}9_{/}Mais vale estar a dois do que estar sozinho, porque dois tirar\u00e3o maior proveito do seu trabalho. {I}10_{/}De facto, se um cai, poder\u00e1 ser levantado pelo companheiro. Azar, por\u00e9m, de quem est\u00e1 sozinho: se cair, n\u00e3o ter\u00e1 ningu\u00e9m para o levantar. {I}11_{/}Se dois se deitam juntos, um poder\u00e1 aquecer o outro; mas como poder\u00e1 algu\u00e9m aquecer-se sozinho? {I}12_{/}Se um deles for agredido, os dois poder\u00e3o resistir, e uma corda tripla n\u00e3o rebenta facilmente.

{N}O VAIV\u00c9M DA POL\u00cdTICA{/}
[\u0095]_{R}_{I}13_{/}Mais vale um jovem pobre e s\u00e1bio do que um rei velho e insensato, que j\u00e1 n\u00e3o aceita conselho, {R}_{I}14_{/}mesmo que o jovem tenha sa\u00eddo da pris\u00e3o para reinar, e ainda que tenha nascido mendigo no reino. {R}_{I}15_{/}Eu vi todos os que se movem debaixo do Sol ficarem com o jovem que sucedeu ao velho rei, {I}16_{/}e que passou a chefiar imensa multid\u00e3o. Contudo, aqueles que vierem depois n\u00e3o ficar\u00e3o contentes com ele. Tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz e uma corrida atr\u00e1s do vento.

{N}COM DEUS N\u00c3O SE BRINCA{/}
[\u0095]_[=]_{R}_{I}17_{/}Quando fores ao Templo, est\u00e1 bem atento a ti mesmo: \u00e9 melhor ter \u00e2nimo disposto para obedecer, do que oferecer sacrif\u00edcios com os insensatos, que n\u00e3o percebem o mal que est\u00e3o a fazer.

{1}5{/}

[=]_{R}_{I}1_{/}Quando falares com Deus, n\u00e3o sejas precipitado, e o teu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se apresse a falar, porque Deus est\u00e1 no C\u00e9u, e tu est\u00e1s na Terra. Por isso, fala pouco. [=]_{I}2_{/}De facto, o sonho vem das muitas ocupa\u00e7\u00f5es, e do muito falar nasce a voz do insensato. [=]_{R}_{I}3_{/}Por isso, quando fizeres uma promessa a Deus, n\u00e3o tardes em cumpri-la, porque Ele n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9volo com os insensatos. Cumpre o que prometeste. {R}_{I}4_{/}\u00c9 melhor n\u00e3o fazer uma promessa, do que faz\u00ea-la e n\u00e3o cumpri-la. {R}_{I}5_{/}N\u00e3o deixes que a tua boca te leve ao pecado, nem digas ao representante de Deus que foi sem pensar. Deus ficaria irritado contra o que prometeste, e arruinaria o trabalho das tuas m\u00e3os. {R}_{I}6_{/}Quando se multiplicam sonhos e coisas passageiras, ali se multiplicam as palavras. Quanto a ti, teme a Deus.

{N}A PIR\u00c2MIDE DA INJUSTI\u00c7A{/}
[\u0095]_{I}7_{/}Se v\u00eas num Estado a opress\u00e3o do pobre, o direito e a justi\u00e7a violados, n\u00e3o te espantes com isso, pois quem est\u00e1 no alto tem sempre outro mais alto que o vigia. E, sobre os dois, h\u00e1 outros mais altos ainda. {R}_{I}8_{/}O interesse do pa\u00eds deve ser considerado no conjunto, e at\u00e9 o rei depende da agricultura.

{N}A ACUMULA\u00c7\u00c3O TRAZ DESGRA\u00c7A{/}
[\u0095]_{I}9_{/}Quem gosta de dinheiro, nunca se sacia de dinheiro. Quem \u00e9 apegado \u00e0s riquezas, nunca se farta com o rendimento. Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz. {I}10_{/}Quando as riquezas aumentam, crescem tamb\u00e9m aqueles que as devoram. Que vantagem tem o propriet\u00e1rio, al\u00e9m de saber que \u00e9 rico? {I}11_{/}Coma muito ou coma pouco, o sono do trabalhador \u00e9 agrad\u00e1vel, enquanto a fartura do rico n\u00e3o o deixa dormir. 
{I}12_{/}H\u00e1 outro mal doloroso que vejo debaixo do Sol: riquezas que o propriet\u00e1rio acumula para a sua pr\u00f3pria desgra\u00e7a. {I}13_{/}Num mau neg\u00f3cio, ele perde o patrim\u00f3nio, e o seu filho fica de m\u00e3os vazias. [=]_{I}14_{/}Nu saiu do ventre de sua m\u00e3e, e assim voltar\u00e1; e das suas fadigas n\u00e3o ganhar\u00e1 nada para levar consigo. {I}15_{/}Tamb\u00e9m isto \u00e9 um mal doloroso. Ele vai-se embora da mesma forma que veio. Que proveito tirou em se ter afadigado por nada? [=]_{I}16_{/}Ele consumiu os seus dias em trevas, entre afli\u00e7\u00f5es, abatimentos e irrita\u00e7\u00f5es.

{N}A ETERNIDADE \u00c9 INTENSIDADE DE VIDA{/}
[\u0095]_{R}_{I}17_{/}Conclu\u00ed que a felicidade para o homem \u00e9 comer e beber, usufruindo de toda a fadiga que ele realiza debaixo do Sol, durante os dias de vida que Deus lhe concede. Essa \u00e9 a sua por\u00e7\u00e3o. {R}_{I}18_{/}Todo o homem que recebe de Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua por\u00e7\u00e3o e desfrutar do seu trabalho, considere isto um dom de Deus. {R}_{I}19_{/}Deste modo, o homem n\u00e3o se preo-cupa demasiado com a sua vida fugaz, porque Deus o mant\u00e9m ocupado na alegria do cora\u00e7\u00e3o. 

{1}6{/}

{N}PIOR QUE UM ABORTO{/}
[\u0095]_{R}_{I}1_{/}Existe outro mal que observei debaixo do Sol, e \u00e9 grave para o homem: [=]_{R}_{I}2_{/}A um, Deus concede riquezas, recursos e honras, e nada lhe falta de tudo o que poderia desejar. Deus, por\u00e9m, n\u00e3o lhe permite desfrutar essas coisas, porque um estrangeiro \u00e9 que vai desfrut\u00e1-las. Isto \u00e9 coisa fugaz e sofrimento cruel. [=]_{I}3_{/}Mesmo que tivesse tido cem filhos e vivido muitos anos, se n\u00e3o encontrou satisfa\u00e7\u00e3o nos bens que possu\u00eda e nem sequer teve um t\u00famulo, garanto que um aborto \u00e9 mais feliz do que ele. {I}4_{/}De facto, o aborto veio inutilmente e foi-se para as trevas, e as trevas sepultaram o seu nome. {I}5_{/}N\u00e3o viu o Sol nem o conheceu, mas a sua sorte \u00e9 sempre melhor do que a do outro. {I}6_{/}E mesmo que o outro pudesse viver dois mil anos, mas sem poder usufruir dos bens, n\u00e3o iria para o mesmo lugar que o aborto?
{R}_{I}7_{/}Todo o trabalho do homem \u00e9 para comer e, no entanto, o seu apetite nunca fica satisfeito. {I}8_{/}Que vantagem tem o s\u00e1bio a mais que o insensato? Que vantagem tem o pobre em saber comportar-se bem na sociedade? {I}9_{/}\u00c9 melhor ver com os pr\u00f3prios olhos do que agitar-se em desejos. Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz e uma corrida atr\u00e1s do vento. 

{N}CONCLUS\u00c3O: O HOMEM PERANTE O MIST\u00c9RIO{/}
[\u0095]_{R}_{I}10_{/}O que existe, j\u00e1 recebeu um nome h\u00e1 muito tempo, e sabemos o que \u00e9 um homem: n\u00e3o pode lutar com quem \u00e9 mais forte do que ele. {R}_{I}11_{/}Muitas palavras aumentam a desilus\u00e3o. E que vantagem tira o homem disso? [=]_{R}_{I}12_{/}Quem sabe o que conv\u00e9m ao homem durante a vida, nos breves dias da sua vida passageira, na qual ele passa como sombra? Quem poder\u00e1 dizer ao homem o que vai acontecer depois dele debaixo do Sol?

{C}III. EM BUSCA DE EQUIL\u00cdBRIO{/}

{1}7{/}

{N}DISCERNIR E RESISTIR{/}
[\u0095]_{R}_{I}1_{/}Mais vale a honradez do que um bom perfume, e o dia da morte \u00e9 melhor que o dia do nascimento. {R}_{I}2_{/}\u00c9 melhor ir a uma casa onde h\u00e1 luto do que ir a uma casa onde se faz festa, pois aquele \u00e9 o fim de todo o homem e faz, desse modo, reflectir os vivos. {I}3_{/}\u00c9 melhor a tristeza do que o riso, porque, debaixo de um rosto triste, o cora\u00e7\u00e3o pode estar alegre. [=]_{I}4_{/}O pensamento do s\u00e1bio est\u00e1 na casa onde h\u00e1 luto, mas o pensamento do insensato est\u00e1 na casa onde se faz festa. {I}5_{/}\u00c9 melhor ouvir a repreens\u00e3o do s\u00e1bio do que o elogio dos insensatos, {I}6_{/}porque assim como crepita o fogo debaixo da caldeira, tal \u00e9 o riso do insensato. Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz, [=]_{I}7_{/}porque a extors\u00e3o torna insensato o s\u00e1bio, e o suborno corrompe-lhe o discernimento.

{N}O FUTURO PERTENCE A DEUS{/}
[\u0095]_{I}8_{/}Mais vale o fim de uma coisa do que o seu come\u00e7o, e a paci\u00eancia \u00e9 melhor do que a pretens\u00e3o. [=]_{I}9_{/}N\u00e3o te irrites facilmente, porque a irrita\u00e7\u00e3o abriga-se no peito dos insensatos. {I}10_{/}N\u00e3o digas: \u00abPorque \u00e9 que os tempos passados eram melhores que os de hoje?\u00bb N\u00e3o \u00e9 a sabedoria que te faz levantar essa quest\u00e3o. {I}11_{/}A sabedoria \u00e9 boa como uma heran\u00e7a, e \u00fatil para aqueles que v\u00eaem o Sol, {I}12_{/}pois vive-se \u00e0 sombra da sabedoria como se vive \u00e0 sombra do dinheiro. Mas a sabedoria \u00e9 mais vantajosa, porque faz viver quem a possui.
{R}_{I}13_{/}Procura compreender a obra de Deus, porque ningu\u00e9m endireita o que Ele encurvou. {R}_{I}14_{/}S\u00ea alegre no dia feliz, e no dia da desgra\u00e7a procura reflectir, porque um e outro foram feitos por Deus, para que o homem nunca possa descobrir nada do seu pr\u00f3prio futuro.

{N}S\u00d3 DEUS \u00c9 \u00cdNTEGRO E JUSTO{/}
[\u0095]_{R}_{I}15_{/}J\u00e1 vi de tudo nos dias da minha exist\u00eancia fugaz. Vi o justo perecer apesar da sua justi\u00e7a, e o injusto viver longamente apesar da sua injusti\u00e7a. {R}_{I}16_{/}N\u00e3o sejas demasiadamente justo, nem te tornes s\u00e1bio de mais. Para qu\u00ea arruinares-te? {I}17_{/}N\u00e3o sejas demasiadamente injusto, nem te tornes insensato. Para qu\u00ea irias morrer antes do tempo? {R}_{I}18_{/}\u00c9 bom que te apegues a uma coisa, sem abandonar a outra: o importante \u00e9 que temas a Deus, e sair-te-\u00e1s bem numa e noutra coisa.
{I}19_{/}A sabedoria torna o s\u00e1bio mais forte do que dez chefes numa cidade. [=]_{R}_{I}20_{/}N\u00e3o existe na Terra homem t\u00e3o justo que fa\u00e7a o bem sem nunca pecar. {I}21_{/}Al\u00e9m disso, n\u00e3o d\u00eas aten\u00e7\u00e3o a tudo o que se diz, e assim n\u00e3o ouvir\u00e1s o teu servo falar mal de ti. [=]_{I}22_{/}De facto, a tua pr\u00f3pria consci\u00eancia sabe que muitas vezes tamb\u00e9m falaste mal dos outros.
{I}23_{/}Examinei tudo isto com sabedoria, e pensei: \u00abVou tornar-me s\u00e1bio\u00bb. Mas a sabedoria estava longe de mim. {I}24_{/}A realidade est\u00e1 longe e \u00e9 extremamente profunda. Quem poder\u00e1 atingi-la?

{N}DEUS FEZ O HOMEM RECTO{/}
[\u0095]_{I}25_{/}Apliquei-me de novo a conhecer, a raciocinar e a pesquisar a sabedoria e a interpreta\u00e7\u00e3o das coisas, fazendo experi\u00eancia do mal, da insensatez, da tolice e da lou-cura. {R}_{I}26_{/}Ent\u00e3o descobri que a mulher \u00e9 mais amarga do que a morte, porque \u00e9 uma armadilha, o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma rede e os seus bra\u00e7os s\u00e3o cadeias. Quem agrada a Deus, conseguir\u00e1 fugir dela, mas o pecador ser\u00e1 apanhado por ela. {I}27_{/}Eis o que encontrei, diz Co\u00e9let, depois de ter comparado uma coisa com outra, at\u00e9 chegar a uma conclus\u00e3o: {R}_{I}28_{/}Pesquisei muito, e nada conclu\u00ed. Entre mil, consegui encontrar um homem, mas entre as mulheres n\u00e3o encontrei nenhuma. {R}_{I}29_{/}E cheguei \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: Deus fez o homem recto, mas o homem inventa muitas complica\u00e7\u00f5es. 

{1}8{/}

{N}SABEDORIA \u00c9 DISCERNIMENTO{/}
[\u0095]_{R}_{I}1_{/}Quem \u00e9 como o s\u00e1bio? Quem conhece a interpreta\u00e7\u00e3o das coisas como ele? A sabedoria do homem alegra-lhe o rosto e abranda-lhe a dureza da face.

{N}O LIMITE DA AUTORIDADE{/}
[\u0095]_[=]_{R}_{I}2_{/}Obedece \u00e0s ordens do rei e, por causa do juramento feito a Deus, {R}_{I}3_{/}n\u00e3o te apresses em te afastar dele, nem persistas no mal, porque o rei pode fazer o que quer. {R}_{I}4_{/}De facto, a palavra do rei \u00e9 soberana, e ningu\u00e9m lhe pode perguntar: \u00abQue fazes tu?\u00bb {I}5_{/}Quem obedece \u00e0s ordens, n\u00e3o incorre em pena alguma. A mente do s\u00e1bio conhece o tempo e o julgamento, {R}_{I}6_{/}porque para cada coisa h\u00e1 um tempo e um julgamento. Sobre o homem pesa um grande mal: {I}7_{/}ningu\u00e9m sabe qual ser\u00e1 o seu futuro. De facto, quem pode saber o que vai acontecer?
{R}_{I}8_{/}Ningu\u00e9m \u00e9 capaz de dominar a sua pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o: o dia da morte est\u00e1 fora do nosso dom\u00ednio. Da luta na vida ningu\u00e9m pode fugir; nem a maldade salva aquele que a comete.
{R}_{I}9_{/}Vi tudo isto, e reflecti sobre todas as coisas que se fazem debaixo do Sol, num tempo em que um homem domina outro homem para o arruinar.

{N}VALE A PENA SER JUSTO?{/}
[\u0095]_[=]_{I}10_{/}Vi tamb\u00e9m os injustos receberem sepultura e entrarem no repouso, enquanto que os frequentadores do lugar santo ficavam esquecidos na cidade, onde tinham feito o bem. Isso tamb\u00e9m \u00e9 fugaz.
{I}11_{/}Por n\u00e3o se executar imediatamente a senten\u00e7a contra quem praticou o mal, o cora\u00e7\u00e3o dos homens est\u00e1 sempre inclinado a praticar o mal. {R}_{I}12_{/}O pecador sobrevive, mesmo que cometa cem vezes o mal. Mas eu sei tamb\u00e9m que a felicidade \u00e9 para os que temem a Deus e se enchem de respeito na sua presen\u00e7a. {R}_{I}13_{/}N\u00e3o haver\u00e1 nenhuma felicidade para o injusto e ele n\u00e3o poder\u00e1 alongar os dias como a sombra, porque n\u00e3o teme a Deus.
{I}14_{/}Existe ainda outra desilus\u00e3o: justos que s\u00e3o tratados como se fossem injustos, e injustos que s\u00e3o tratados como se fossem justos. Penso que tamb\u00e9m isto \u00e9 coisa fugaz.
{R}_{I}15_{/}Por isso eu exalto a alegria, porque n\u00e3o existe felicidade para o homem debaixo do sol, al\u00e9m do comer, beber e alegrar-se. Esta \u00e9 a \u00fanica coisa que lhe serve de companhia na fadiga, nos dias de vida que Deus lhe concede debaixo do Sol. 

{N}O LIMITE DA SABEDORIA HUMANA{/}
[\u0095]_{R}_{I}16_{/}Apliquei-me a conhecer a sabedoria e a considerar a fadiga que se realiza sobre a Terra, pois o homem n\u00e3o conhece repouso, nem de dia, nem de noite. {R}_{I}17_{/}Observei o conjunto da obra de Deus e percebi que o homem n\u00e3o consegue descobrir tudo o que acontece debaixo do Sol. Por mais que o homem se afadigue em pesquisar, n\u00e3o chega a compreend\u00ea-la. E mesmo que o s\u00e1bio diga que a conhece, nem por isso \u00e9 capaz de a entender.

{1}9{/}

{N}APESAR DE TUDO, VALE A PENA VIVER{/}
[\u0095]_[=]_{R}_{I}1_{/}Reflecti sobre tudo isto e compreendi que os justos, os s\u00e1bios e suas ac\u00e7\u00f5es est\u00e3o nas m\u00e3os de Deus. O homem n\u00e3o conhece nem sequer o amor e o \u00f3dio, embora tudo isto se desenvolva diante dele.
{R}_{I}2_{/}Todos t\u00eam o mesmo destino, tanto o justo como o injusto, o bom e o mau, o puro e o impuro, quem sacrifica e quem n\u00e3o sacrifica. O bom \u00e9 tal qual o pecador, e quem jura \u00e9 igual a quem evita o juramento. {I}3_{/}O mal que existe em tudo o que se faz debaixo do Sol \u00e9 o facto de todos terem o mesmo destino. Al\u00e9m disso, o cora\u00e7\u00e3o dos homens est\u00e1 cheio de maldade, e a insensatez abriga-se no seu cora\u00e7\u00e3o durante todo o tempo que vivem. Depois v\u00e3o para a habita\u00e7\u00e3o dos mortos.
{R}_{I}4_{/}Enquanto algu\u00e9m est\u00e1 vivo, ainda h\u00e1 esperan\u00e7a, porque \u00e9 melhor um c\u00e3o vivo do que um le\u00e3o morto. {I}5_{/}Os vivos sabem que devem morrer, mas os mortos n\u00e3o sabem nada, nem ter\u00e3o recompensa, porque a sua lembran\u00e7a cair\u00e1 no esquecimento. {I}6_{/}O seu amor, \u00f3dio e ci\u00fame desaparecem juntamente com eles e nunca mais participar\u00e3o em nada do que se faz debaixo do Sol.

{N}VIVER O PRESENTE E AMAR{/}
[\u0095]_{R}_{I}7_{/}Portanto, vai, come o teu p\u00e3o com alegria e bebe o teu vinho com satisfa\u00e7\u00e3o, porque com isso Deus j\u00e1 foi bondoso para contigo. {I}8_{/}Que as tuas vestes sejam sempre brancas, e nunca falte perfume na tua cabe\u00e7a. [=]_{R}_{I}9_{/}Goza a vida com a esposa que amas, durante todos os dias da vida fugaz que Deus te concede debaixo do Sol. Esta \u00e9 a por\u00e7\u00e3o que te cabe na vida e no trabalho com que te afadigas debaixo do Sol. [=]_{I}10_{/}Tudo o que puderes fazer, f\u00e1-lo enquanto tens for\u00e7as, porque no mundo dos mortos, para onde vais, n\u00e3o existe ac\u00e7\u00e3o, nem pensamento, nem ci\u00eancia, nem sabedoria.
{I}11_{/}Observei outra coisa debaixo do Sol: N\u00e3o \u00e9 o mais veloz que ganha a corrida, nem \u00e9 o mais forte que vence na batalha. O p\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para os mais s\u00e1bios, nem as riquezas para os mais inteligentes, nem o favor para os mais cultos, porque tudo depende do tempo e do acaso. [=]_{R}_{I}12_{/}Al\u00e9m disso, o homem n\u00e3o conhece o dia da pr\u00f3pria morte: ele \u00e9 como os peixes, que s\u00e3o apanhados na rede, ou como os p\u00e1ssaros que caem na armadilha. Da mesma forma, o homem \u00e9 surpreendido pela desgra\u00e7a que cai sobre ele de improviso.

{N}A SABEDORIA DERROTA AS ARMAS{/}
[\u0095]_{I}13_{/}Tamb\u00e9m vi debaixo do Sol este exemplo de sabedoria que me pareceu muito importante: {R}_{I}14_{/}Havia uma pequena cidade com poucos habitantes. Um grande rei foi contra ela, cercou-a, e levantou contra ela m\u00e1quinas de guerra. [=]_{R}_{I}15_{/}Nela encontrou-se um homem, de origem pobre, mas s\u00e1bio. Com a sua sabedoria ele salvou a cidade. Contudo, ningu\u00e9m mais se lembrou desse homem pobre. {I}16_{/}Por isso, concluo que a sabedoria vale mais do que a for\u00e7a, por\u00e9m a sabedoria do pobre \u00e9 desprezada, e ningu\u00e9m d\u00e1 ouvidos \u00e0s suas palavras. {I}17_{/}As palavras calmas de s\u00e1bios s\u00e3o mais ouvidas do que os gritos de um poderoso, que fala no meio dos insensatos. {I}18_{/}Mais vale a sabedoria do que os instrumentos de guerra, mas um s\u00f3 erro pode anular muita coisa boa.

{1}10{/}

{N}A INFLU\u00caNCIA DO INSENSATO{/}
[\u0095]_[=]_{I}1_{/}Uma mosca morta estraga um frasco de perfume, e um pouco de insensatez pesa mais do que a sabedoria e a honra. {I}2_{/}O s\u00e1bio orienta-se bem, mas o insensato perde-se. {I}3_{/}Quando o insensato anda pelo caminho, falta-lhe intelig\u00eancia e pensa que os outros tamb\u00e9m s\u00e3o insensatos.

{N}CALMA E DISCERNIMENTO{/}
[\u0095]_[=]_{I}4_{/}Se a ira de um poderoso se levanta contra ti, n\u00e3o saias do lugar, porque a calma aplaca grandes erros. {I}5_{/}Vi outro mal debaixo do Sol, um erro cometido pelo soberano: {I}6_{/}o insensato ocupa os mais altos cargos e os homens de valor est\u00e3o colocados em postos inferiores. {I}7_{/}Vi escravos a cavalo, e pr\u00edncipes andarem a p\u00e9, como se fossem escravos.

{N}SABEDORIA E PRUD\u00caNCIA{/}
[\u0095]_{I}8_{/}Quem abre uma cova, nela cair\u00e1. Quem derruba um muro, uma cobra o morder\u00e1. {I}9_{/}Quem transporta pedras, com elas se magoar\u00e1, e quem racha lenha, corre perigo. {I}10_{/}Se o machado est\u00e1 rombo e n\u00e3o for afiado, ser\u00e1 preciso muita for\u00e7a; \u00e9 mais vantajoso usar a sabedoria. {I}11_{/}Se a cobra n\u00e3o encantada morde o encantador, este n\u00e3o ganha nada.

{N}O S\u00c1BIO FALA POUCO{/}
[\u0095]_{I}12_{/}As palavras do s\u00e1bio favorecem-no, mas as palavras do insensato provocam a sua pr\u00f3pria ru\u00edna. {I}13_{/}Se o in\u00edcio das palavras do insensato j\u00e1 \u00e9 insensatez, o fim do seu discurso ser\u00e1 tolice perversa. {R}_{I}14_{/}O insensato multiplica as palavras, embora o homem n\u00e3o saiba o que vai suceder, porque ningu\u00e9m lhe pode dizer o que vai acontecer no futuro. {I}15_{/}O trabalho do insensato causa-lhe fadiga, pois nem sabe ir \u00e0 cidade.

{N}TENTA\u00c7\u00c3O DOS GOVERNANTES{/}
[\u0095]_{I}16_{/}Ai de ti, pa\u00eds governado por um jovem, e cujos pr\u00edncipes se banqueteiam desde o amanhecer. [=]_{R}_{I}17_{/}Feliz de ti, pa\u00eds governado por um rei nobre, e cujos pr\u00edncipes comem \u00e0 hora conveniente para se refazerem, e n\u00e3o para se banquetearem. {I}18_{/}Pela pregui\u00e7a das m\u00e3os, o tecto desaba; e por causa de bra\u00e7os frouxos, chove em casa. {I}19_{/}Para se divertirem, fazem banquetes, e o vinho alegra a vida: o dinheiro providencia tudo. {R}_{I}20_{/}N\u00e3o digas mal do rei, nem mesmo em pensamento, e n\u00e3o digas mal do poderoso, nem dentro do teu pr\u00f3prio quarto: um passarinho poder\u00e1 ouvir, e um ser alado qualquer poderia contar o que disseste.

{1}11{/}

{N}PRUD\u00caNCIA E RISCO{/}
[\u0095]_{R}_{I}1_{/}Atira o teu p\u00e3o para a \u00e1gua, porque dias depois o encontrar\u00e1s. {I}2_{/}Reparte com sete e at\u00e9 mesmo com oito, pois n\u00e3o sabes que desgra\u00e7as te poder\u00e3o acontecer na Terra.
{I}3_{/}Quando as nuvens est\u00e3o cheias, derramam chuva sobre a Terra. Se uma \u00e1rvore cai, seja para o Sul, seja para o Norte, no lugar onde cair, a\u00ed ficar\u00e1. {I}4_{/}Quem fica a olhar para o vento, nunca semear\u00e1; quem fica a olhar para as nuvens, jamais colher\u00e1.
[=]_{R}_{I}5_{/}Assim como ignoras o caminho por onde o sopro de vida entra nos ossos, dentro do ventre da mulher gr\u00e1vida, assim tamb\u00e9m ignoras a obra de Deus, que fez todas as coisas.
{I}6_{/}De manh\u00e3, semeia a tua semente, e de tarde n\u00e3o d\u00eas descanso \u00e0 tua m\u00e3o, porque n\u00e3o sabes qual das sementes ir\u00e1 brotar, se esta ou aquela, ou se ambas ser\u00e3o boas.

{N}VIVER ENQUANTO \u00c9 TEMPO{/}
[\u0095]_{I}7_{/}Doce \u00e9 a luz, e agrad\u00e1vel para os olhos ver o sol. {R}_{I}8_{/}Se um homem viver muitos anos, procure desfrutar de todos eles; mas lembre-se dos dias sombrios, que ser\u00e3o muitos, pois tudo o que acontece \u00e9 fugaz.
[=]_{R}_{I}9_{/}Jovem, alegra-te na tua juventude e s\u00ea feliz nos dias da mocidade. Segue os impulsos do teu cora\u00e7\u00e3o e os desejos dos olhos. Contudo, sabe que Deus te vai pedir contas de todas estas coisas. {I}10_{/}Expulsa a melancolia do teu cora\u00e7\u00e3o e afasta do teu corpo a dor, porque a juventude e os cabelos negros s\u00e3o fugazes.

{1}12{/}

{I}1_{/}Lembra-te do teu Criador, nos dias da mocidade, antes que venham os dias tristes e cheguem os anos em que dir\u00e1s: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sinto prazer em nada\u00bb; {I}2_{/}antes que se escure\u00e7am o Sol e a luz, a Lua e as estrelas, e antes que voltem as nuvens depois da chuva; {I}3_{/}no dia em que os guardas da casa tremerem e os homens fortes se curvarem, quando as mulheres, uma a uma, deixarem de moer, e cair a escurid\u00e3o sobre aquelas que olham pelas janelas; {I}4_{/}quando se fechar a porta da rua e diminuir o barulho do moinho; quando se acordar com o canto dos passarinhos, e todas as can\u00e7\u00f5es emudecerem; {R}_{I}5_{/}quando se ficar com medo das alturas, e se apanhar sustos pelo caminho. Quando a amendoeira estiver em flor, o gafanhoto ficar pesado, e o tempero perder o sabor: \u00e9 porque o homem j\u00e1 est\u00e1 a caminho da sua morada eterna, e os que choram a sua morte j\u00e1 come\u00e7am a percorrer as ruas. {R}_{I}6_{/}Antes que o fio de prata se rompa e a ta\u00e7a de ouro se parta, antes que a bilha se quebre na fonte e a roldana rebente no po\u00e7o. [=]_{R}_{I}7_{/}Ent\u00e3o o p\u00f3 volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concedeu. 
{I}8_{/}\u00d3 suprema fugacidade, diz Co\u00e9let, tudo \u00e9 fugaz.

{N}CONCLUS\u00c3O: TEMER A DEUS{/}
[\u0095]_{I}9_{/}Al\u00e9m de s\u00e1bio, Co\u00e9let tamb\u00e9m ensinou a ci\u00eancia ao povo. Ele ponderou, examinou e corrigiu muitos prov\u00e9rbios. {I}10_{/}Co\u00e9let procurou encontrar palavras agrad\u00e1veis, e escrever com propriedade palavras verdadeiras. {I}11_{/}As palavras dos s\u00e1bios s\u00e3o como ferr\u00f5es, e as senten\u00e7as reunidas s\u00e3o como estacas fincadas. Umas e outras prov\u00eam do mesmo pastor. 
{R}_{I}12_{/}Al\u00e9m disso, meu filho, presta aten\u00e7\u00e3o: escrever livros \u00e9 um trabalho sem fim, e muito estudo cansa o corpo.
{R}_{I}13_{/}Fim do discurso. De tudo o que se ouviu o resumo \u00e9 este: Teme a Deus e observa os seus mandamentos, porque esse \u00e9 o dever de todo o homem. {R}_{I}14_{/}Deus julgar\u00e1 toda a obra, at\u00e9 mesmo a que estiver escondida, quer seja boa, quer seja m\u00e1.

