
I. PREVIS\u00c3O  DE  UM  
DRAMA{/}

{1}1{/}

DEUS OUVE O CLAMOR DO SEU 
POVO{/}

{I}1a_{/}No segundo ano 
do reinado do rei 
Assuero, no primeiro dia 
do m\u00eas de Nis\u00e3, Mardoqueu 
teve um sonho{/}. Mardoqueu 
era filho de Jair, filho 
de Semei, filho de Cis, 
da tribo de Benjamim{/}. 
{I}1b_{/}Era um judeu que 
vivia na cidade de Susa, 
homem not\u00e1vel, ligado \u00e0 
corte do rei{/}. 
{I}1c_{/}Pertencia ao grupo 
dos exilados que 
Nabucodonosor, rei da 
Babil\u00f3nia, tinha exilado 
de Jerusal\u00e9m, juntamente 
com Jeconias, rei de 
Jud\u00e1{/}. {I}1d_{/}O sonho foi 
assim: Gritos e tumulto, 
trov\u00f5es e terremotos, 
agita\u00e7\u00e3o sobre a Terra{/}. 
{I}1e_{/}Dois enormes drag\u00f5es 
avan\u00e7am, prontos para a 
luta{/}. Lan\u00e7am um grande 
rugido {/}{I}1f_{/}e, ao ouvi-
lo, todas as na\u00e7\u00f5es se 
preparam para a guerra, 
para o combate contra o 
povo dos justos{/}. {I}1g_{/}\u00c9 
dia de trevas e 
escurid\u00e3o, caem sobre a 
terra ang\u00fastia e afli\u00e7\u00e3o, 
tribula\u00e7\u00e3o e pavor{/}. 
{I}1h_{/}Todo o povo dos 
justos fica transtornado 
e, temendo desgra\u00e7as, 
prepara-se para morrer e 
clama a Deus{/}. {I}1i_{/}E ao 
clamor do povo brota, 
como de uma pequena 
fonte, um grande rio de 
\u00e1guas caudalosas{/}. {I}1j_{/}A 
luz e o sol levantam-se: 
os oprimidos s\u00e3o 
exaltados e devoram os 
poderosos{/}.
{I}1l_{/}Mardoqueu acordou do 
sonho e perguntou a si 
mesmo: {/}\u00abO que \u00e9 que Deus 
quer fazer?{/}\u00bb Continuou a 
reflectir nisso e ficou 
at\u00e9 \u00e0 noite procurando 
decifrar de algum modo o 
significado{/}.
A ORIGEM DO CONFLITO{/}

{I}1m_{/}Mardoqueu morava 
na corte com Bagat\u00e3 e 
Tares, dois funcion\u00e1rios 
do rei, guardas do 
pal\u00e1cio{/}. {I}1n_{/}Ouvindo a 
sua conversa e 
investigando os seus 
planos, ficou a saber que 
estavam a preparar um 
atentado contra o rei 
Assuero{/}. Mardoqueu 
informou o rei{/}. {I}1o_{/}E o 
rei interrogou os dois 
funcion\u00e1rios, que 
acabaram por confessar e 
foram condenados \u00e0 
morte{/}. {I}1p_{/}O rei mandou 
escrever uma cr\u00f3nica 
desses factos, e tamb\u00e9m 
Mardoqueu, por conta 
pr\u00f3pria, os deixou por 
escrito{/}. {I}1q_{/}Depois o 
rei colocou Mardoqueu 
como funcion\u00e1rio na corte 
e recompensou-o com 
presentes{/}. {I}1r_{/}Todavia, 
Am\u00e3, filho de Amadates, o 
agagita, tinha muito 
prest\u00edgio diante do rei e 
buscava um modo de 
prejudicar Mardoqueu e o 
seu povo, por causa dos 
dois funcion\u00e1rios do 
rei{/}.
II. AMEA\u00c7A AO PODER{/}

O BANQUETE DOS PODEROSOS{/}

{I}1_{/}Eis o que 
aconteceu no tempo do rei 
Assuero, aquele Assuero 
que reinou sobre cento e 
vinte e sete prov\u00edncias, 
desde a \u00cdndia at\u00e9 \u00e0 
Eti\u00f3pia.{I}2_{/}Nesse tempo, 
o rei Assuero reinava na 
fortaleza de Susa. {I}3_{/}No 
terceiro ano do seu 
reinado, Assuero ofereceu 
um banquete a todos os 
seus oficiais e 
ministros. Reuniram-se 
ent\u00e3o para o banquete os 
chefes do ex\u00e9rcito da 
P\u00e9rsia e da M\u00e9dia, os 
nobres e os governadores 
das prov\u00edncias. 
{I}4_{/}Assuero queria 
ostentar a riqueza e 
gl\u00f3ria do seu reino com o 
fausto magn\u00edfico da sua 
grandeza. Por isso fez 
com que o banquete 
durasse cento e oitenta 
dias.
{I}5_{/}Passados esses dias, 
o rei deu um banquete 
durante sete dias no 
jardim do pal\u00e1cio real, e 
convidou todo o povo que 
se encontrava na 
fortaleza de Susa, desde 
o maior at\u00e9 ao 
menor.{I}6_{/}Havia cortinas 
de linho fino e p\u00farpura 
violeta suspensas em 
an\u00e9is de prata e colunas 
de m\u00e1rmore, e tamb\u00e9m 
div\u00e3s de ouro e prata 
sobre um piso de mosaico 
feito de malaquita, 
m\u00e1rmore branco e 
madrep\u00e9rola.{I}7_{/}Para 
beber, havia ta\u00e7as de 
ouro, todas diferentes, e 
o vinho era abundante, de 
acordo com a liberalidade 
do rei.{I}8_{/}Bebia-se \u00e0 
vontade, como de costume, 
porque o rei tinha 
ordenado aos empregados 
de sua casa que deixassem 
cada um fazer o que 
quisesse.
O PRINC\u00cdPIO DA 
AUTORIDADE{/}

{I}9_{/}Tamb\u00e9m a rainha 
Vasti ofereceu um 
banquete \u00e0s mulheres no 
pal\u00e1cio real de Assuero. 
{I}10_{/}No s\u00e9timo dia, 
alegre por causa do 
vinho, o rei ordenou que 
Maum\u00e3, Bazata, Harbona, 
Abgata, Bagata, Zetar e 
Carcas, sete funcion\u00e1rios 
que serviam pessoalmente 
o rei Assuero, {I}11_{/}lhe 
apresentassem a rainha 
Vasti, com a coroa real, 
para exibir a beleza dela 
ao povo e aos oficiais, 
pois a rainha era muito 
bela. {I}12_{/}Ao receber a 
ordem dos funcion\u00e1rios, a 
rainha Vasti recusou 
apresentar-se. O rei 
ficou furioso, e a sua 
ira inflamou-se. 
{I}13_{/}Ent\u00e3o consultou os 
s\u00e1bios, especialistas em 
leis, pois toda a quest\u00e3o 
real devia ser tratada 
pelos peritos em 
direito.{I}14_{/}Os mais 
pr\u00f3ximos eram Carsena, 
Setar, Admata, T\u00e1rsis, 
Mares, Marsana e Mamuc\u00e3, 
os sete grandes do reino 
da P\u00e9rsia e da M\u00e9dia, que 
eram conselheiros do rei 
e ocupavam os primeiros 
postos no reino. 
{I}15_{/}Assuero perguntou: 
\u00abSegundo a lei, o que se 
deve fazer \u00e0 rainha Vasti 
por n\u00e3o ter obedecido \u00e0 
ordem do rei Assuero, 
transmitida pelos 
funcion\u00e1rios?\u00bb
{I}16_{/}Mamuc\u00e3 respondeu 
diante do rei e dos 
oficiais: \u00abN\u00e3o foi 
somente contra o rei que 
a rainha Vasti agiu mal, 
mas tamb\u00e9m contra todos 
os oficiais e todos os 
s\u00fabditos que vivem em 
todas as prov\u00edncias do 
rei Assuero.{I}17_{/}De 
facto, o comportamento da 
rainha ser\u00e1 conhecido por 
todas as mulheres, que 
desprezar\u00e3o os seus 
maridos, dizendo: "O rei 
Assuero mandou que a 
rainha Vasti se 
apresentasse, e ela 
recusou". {I}18_{/}Hoje 
mesmo, as princesas da 
P\u00e9rsia e da M\u00e9dia, que 
ficarem a saber do 
comportamento da rainha, 
coment\u00e1-lo-\u00e3o com todos 
os oficiais do rei, e 
haver\u00e1 muito desprezo e 
zombaria. {I}19_{/}Se o rei 
achar bem, proclame um 
decreto real, que seja 
inclu\u00eddo nas leis da 
P\u00e9rsia e da M\u00e9dia, e 
tenha car\u00e1cter 
irrevog\u00e1vel: que a rainha 
Vasti nunca mais se 
apresente ao rei Assuero 
e que o t\u00edtulo de rainha 
seja dado a outra, que 
seja melhor do que ela. 
{I}20_{/}Quando o decreto 
real for promulgado em 
todo o reino, todas as 
mulheres respeitar\u00e3o os 
seus maridos, tanto as 
nobres, como as do povo\u00bb.
{I}21_{/}O rei e os oficiais 
gostaram da proposta, e 
Assuero seguiu o que 
Mamuc\u00e3 tinha dito. 
{I}22_{/}Mandou cartas a 
todas as prov\u00edncias 
reais, na escrita e na 
l\u00edngua de cada povo, 
ordenando que o marido 
fosse o chefe da casa.
III. UM POVO AMEA\u00c7ADO{/}

{1}2{/}

DEUS ESCONDE-SE NA FOR\u00c7A 
DOS FRACOS{/}

{I}1_{/}Tempos depois, 
quando se acalmou, o rei 
lembrou-se de Vasti, do 
que ela fizera e do 
decreto que havia 
publicado contra ela. 
{I}2_{/}Ent\u00e3o os cortes\u00e3os 
disseram ao rei: \u00abManda 
procurar jovens solteiras 
e bonitas. {I}3_{/}O rei pode 
nomear comiss\u00e1rios em 
todas as prov\u00edncias do 
reino, e eles reunir\u00e3o 
todas as jovens solteiras 
e bonitas no har\u00e9m da 
fortaleza de Susa. Elas 
ficar\u00e3o sob os cuidados 
de Egeu, eunuco do rei, 
que lhes dar\u00e1 o 
necess\u00e1rio para os seus 
enfeites. {I}4_{/}A jovem que 
mais agradar ao rei 
substituir\u00e1 a rainha 
Vasti\u00bb. A proposta 
agradou ao rei, e assim 
se fez.
{I}5_{/}Na fortaleza de Susa 
vivia um judeu chamado 
Mardoqueu, filho de Jair, 
filho de Semei, filho de 
Cis, da tribo de 
Benjamim. {I}6_{/}Ele fora 
exilado de Jerusal\u00e9m, 
entre os que tinham sido 
deportados com Jeconias, 
rei de Jud\u00e1, por 
Nabucodonosor, rei da 
Babil\u00f3nia. {I}7_{/}Mardoqueu 
tinha criado Hadassa, que 
\u00e9 Ester, sua prima, pois 
ela era \u00f3rf\u00e3 de pai e 
m\u00e3e. A jovem era muito 
bela e atraente e, quando 
os pais dela morreram, 
Mardoqueu adoptou-a como 
filha.
{I}8_{/}Promulgado o decreto 
real, levaram muitas 
jovens para a fortaleza 
de Susa. E elas ficaram 
sob as ordens de Egeu. 
Levaram tamb\u00e9m Ester ao 
pal\u00e1cio, e deixaram-na 
aos cuidados de Egeu, o 
guarda das mulheres. 
{I}9_{/}Egeu gostou da jovem, 
e deu-lhe logo o 
necess\u00e1rio para os seus 
enfeites e comida, 
entregando-lhe sete 
escravas, todas 
escolhidas do pal\u00e1cio 
real. Depois transferiu-a 
com as escravas para um 
aposento melhor dentro do 
har\u00e9m. {I}10_{/}Seguindo as 
recomenda\u00e7\u00f5es de 
Mardoqueu, Ester n\u00e3o 
disse a qual povo ou 
fam\u00edlia pertencia. 
{I}11_{/}Todos os dias 
Mardoqueu passeava pelo 
p\u00e1tio do har\u00e9m, para 
saber como Ester se 
sentia e como a tratavam.
{I}12_{/}Conforme o 
regulamento das mulheres, 
cada jovem preparava-se 
durante doze meses para 
se apresentar ao rei 
Assuero. E este era o 
prazo para o tratamento 
de beleza: seis meses \u00e0 
base de \u00f3leo de mirra e 
outros seis meses com 
v\u00e1rios b\u00e1lsamos e cremes. 
{I}13_{/}Quando chegava o 
tempo de se apresentar ao 
rei, a jovem recebia tudo 
o que quisesse levar do 
har\u00e9m para o pal\u00e1cio 
real. {I}14_{/}Entrava no 
pal\u00e1cio \u00e0 tarde e, na 
manh\u00e3 seguinte, passava 
para um segundo har\u00e9m, 
confiado a Sasagaz, 
eunuco real encarregado 
das concubinas. Ela n\u00e3o 
voltava mais para junto 
do rei, a n\u00e3o ser que o 
rei a desejasse e a 
chamasse pelo nome.
{I}15_{/}Chegou a vez de 
Ester, filha de Abiail, 
tio de Mardoqueu, que a 
adoptara como filha, se 
apresentar ao rei. Ester, 
por\u00e9m, nada pediu. 
Contentou-se com o que 
Egeu, eunuco real 
encarregado das mulheres, 
lhe havia dado. Ester 
atra\u00eda a simpatia de 
todos os que a conheciam. 
{I}16_{/}Foi levada ao 
pal\u00e1cio real, \u00e0 presen\u00e7a 
do rei Assuero, no d\u00e9cimo 
m\u00eas, o m\u00eas de Tebet, no 
s\u00e9timo ano do seu 
reinado. {I}17_{/}E o rei 
preferiu Ester a todas as 
outras mulheres, tanto 
que a coroou e a nomeou 
rainha, em lugar de 
Vasti.
{I}18_{/}Depois disso o rei 
deu um grande banquete em 
honra de Ester, e 
convidou todos os altos 
oficiais e ministros. 
Tamb\u00e9m concedeu um dia de 
descanso a todas as 
prov\u00edncias, e distribuiu 
presentes com 
liberalidade r\u00e9gia.
ESTER INTERV\u00c9M{/}

{I}19_{/}Ester passou 
depois para o segundo 
har\u00e9m, como as outras 
jovens. {I}20_{/}Mas n\u00e3o 
disse a qual povo ou 
fam\u00edlia pertencia. 
Mardoqueu proibira-a de o 
fazer, e ela continuava a 
obedecer-lhe, como quando 
vivia com ele. {I}21_{/}Nesse 
tempo Mardoqueu era 
funcion\u00e1rio da corte. 
Ora, Bagat\u00e3 e Tares, dois 
funcion\u00e1rios do corpo da 
guarda, estavam 
descontentes e planeavam 
um atentado contra o rei 
Assuero. {I}22_{/}Mardoqueu 
ficou a saber do plano e 
informou a rainha Ester. 
Ela, por sua vez, contou 
tudo ao rei, em nome de 
Mardoqueu. {I}23_{/}Fizeram 
uma investiga\u00e7\u00e3o, e todo 
o plano foi descoberto. 
Os dois funcion\u00e1rios 
foram enforcados, e o 
acontecimento foi 
registado nos anais do 
reino, na presen\u00e7a do 
rei.
{1}3{/}

OS CI\u00daMES DOS PODEROSOS{/}

{I}1_{/}Algum tempo 
depois, o rei Assuero 
promoveu Am\u00e3, filho de 
Amadates, do pa\u00eds de 
Agag, \u00e0 mais alta 
dignidade, e concedeu-lhe 
um trono mais alto que o 
dos ministros, colegas de 
Am\u00e3. {I}2_{/}Todos os 
funcion\u00e1rios do pal\u00e1cio 
obedeciam \u00e0 ordem do rei, 
e dobrando os joelhos 
prestavam homenagem a 
Am\u00e3. Mardoqueu, por\u00e9m, 
recusou-se a dobrar os 
joelhos diante de Am\u00e3. 
{I}3_{/}Os funcion\u00e1rios do 
pal\u00e1cio perguntaram a 
Mardoqueu: \u00abPorque \u00e9 que 
desobedeces \u00e0 ordem do 
rei?\u00bb {I}4_{/}Perguntavam-lhe 
isso todos os dias, por\u00e9m 
Mardoqueu n\u00e3o fazia caso. 
Ent\u00e3o denunciaram o facto 
a Am\u00e3, para ver se 
Mardoqueu insistiria no 
seu comportamento, j\u00e1 que 
Mardoqueu lhes havia dito 
que era judeu. {I}5_{/}Am\u00e3 
comprovou que Mardoqueu 
n\u00e3o lhe prestava 
homenagem dobrando os 
joelhos, e ficou furioso. 
{I}6_{/}Mas n\u00e3o se contentou 
em vingar-se apenas de 
Mardoqueu. Como lhe 
tivessem contado a qual 
povo Mardoqueu pertencia, 
Am\u00e3 planeou destruir com 
Mardoqueu todos os judeus 
que viviam no reino de 
Assuero.
UM POVO AMEA\u00c7ADO{/}

{I}7_{/}No primeiro m\u00eas, 
que \u00e9 o m\u00eas de Nis\u00e3, no 
d\u00e9cimo segundo ano do rei 
Assuero, lan\u00e7ou-se o 
\u00abPur\u00bb, isto \u00e9, as sortes, 
na presen\u00e7a de Am\u00e3, para 
escolher o dia e o m\u00eas. A 
sorte caiu no d\u00e9cimo 
segundo m\u00eas, chamado 
Adar. {I}8_{/}Ent\u00e3o Am\u00e3 disse 
ao rei Assuero: \u00abH\u00e1 um 
povo separado, espalhado 
entre todos os povos das 
prov\u00edncias do teu reino. 
Eles t\u00eam leis diferentes 
de todos os outros, e n\u00e3o 
cumprem os decretos do 
rei. N\u00e3o conv\u00e9m que o rei 
os tolere. {I}9_{/}Se o rei 
achar bem, decrete a sua 
extin\u00e7\u00e3o, e eu entregarei 
aos funcion\u00e1rios 
trezentas e quarenta 
toneladas de prata para o 
tesouro real\u00bb. {I}10_{/}Ent\u00e3o 
o rei tirou da m\u00e3o o 
pr\u00f3prio anel e entregou-o 
a Am\u00e3, filho de Amadates, 
do pa\u00eds de Agag, inimigo 
dos judeus, {I}11_{/}e disse-
lhe: \u00abFica com o 
dinheiro, e faz desse 
povo o que achares 
melhor\u00bb.
ARBITRARIEDADE DOS 
PODEROSOS{/}

{I}12_{/}No dia treze do 
primeiro m\u00eas, os 
escriv\u00e3es do reino foram 
convocados. Conforme as 
ordens de Am\u00e3, eles 
redigiram um decreto para 
os s\u00e1trapas do rei, para 
os governadores de cada 
uma das prov\u00edncias e para 
os chefes de cada povo. O 
decreto foi redigido na 
escrita de cada prov\u00edncia 
e na l\u00edngua de cada povo. 
Foi escrito em nome do 
rei Assuero e selado com 
o anel real. {I}13_{/}A 
seguir os documentos 
foram enviados por meio 
de correios a todas as 
prov\u00edncias do reino. 
Ordenavam exterminar, 
matar e aniquilar todos 
os judeus, adolescentes e 
velhos, crian\u00e7as e 
mulheres, e saquear todos 
os seus bens no mesmo 
dia, o dia treze do 
d\u00e9cimo segundo m\u00eas, 
chamado Adar.
{I}13a_{/}Texto do decreto:{/}

\u00abO Grande Rei Assuero, 
aos governadores das 
cento e vinte e sete 
prov\u00edncias que v\u00e3o da 
India at\u00e9 \u00e0 Eti\u00f3pia, e 
aos chefes de distrito, 
seus subordinados:{/}

{I}13b_{/}Chefe de muitas 
na\u00e7\u00f5es e senhor de toda a 
Terra, eu procuro n\u00e3o 
embriagar-me com o 
orgulho do poder, mas 
governar com modera\u00e7\u00e3o e 
benevol\u00eancia, a fim de 
que os meus s\u00fabditos 
gozem sempre de uma vida 
sem sobressaltos{/}. 
Oferecendo os benef\u00edcios 
da civiliza\u00e7\u00e3o e a livre 
circula\u00e7\u00e3o dentro das 
nossas fronteiras, 
procuro estabelecer a 
paz, t\u00e3o desejada por 
todos{/}.
{I}13c_{/}Consultei os meus 
conselheiros sobre como 
poderia atingir esse 
fim{/}. Entre eles est\u00e1 
Am\u00e3, que se distingue 
pela sua prud\u00eancia, homem 
de dedica\u00e7\u00e3o sem igual, 
de fidelidade inabal\u00e1vel 
e comprovada, e cujas 
prerrogativas seguem 
imediatamente as do rei{/}. 
{I}13d_{/}Am\u00e3 informou-nos 
que entre todos os povos 
da Terra h\u00e1 um povo 
hostil, com regime 
jur\u00eddico oposto ao de 
todas as na\u00e7\u00f5es, povo que 
despreza continuamente as 
ordens reais, ao ponto de 
estorvar a pol\u00edtica 
irrepreens\u00edvel e recta 
que exercemos{/}.
{I}13e_{/}Portanto, 
considerando que esse 
povo singular, inimigo de 
todos e completamente 
diferente pela sua 
legisla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 
prejudicial aos nossos 
interesses, comete os 
piores crimes e chega a 
amea\u00e7ar a estabilidade do 
nosso reino:{/}

{I}13f_{/}Ordenamos que no 
dia catorze do d\u00e9cimo 
segundo m\u00eas, que \u00e9 Adar, 
do presente ano, todas as 
pessoas que forem 
nomeadas na carta de Am\u00e3, 
nosso chefe de governo, 
que \u00e9 como nosso segundo 
pai, sejam completamente 
exterminadas com mulheres 
e crian\u00e7as, pela espada 
de seus inimigos, sem 
piedade ou considera\u00e7\u00e3o 
alguma{/}. {I}13g_{/}Deste 
modo, lan\u00e7ando 
violentamente na 
sepultura, num s\u00f3 dia, 
estes inimigos de ontem e 
de hoje, a nossa pol\u00edtica 
poder\u00e1 prosseguir no 
futuro com estabilidade e 
tranquilidade{/}\u00bb.
{I}14_{/}O texto do decreto, 
com for\u00e7a de lei para 
todas e cada uma das 
prov\u00edncias, foi tornado 
p\u00fablico, a fim de que 
todos estivessem 
preparados para esse dia. 
{I}15_{/}Obedecendo ao rei, 
os correios partiram 
imediatamente. O decreto 
foi promulgado na 
fortaleza de Susa. E, 
enquanto o rei e Am\u00e3 se 
banqueteavam, a cidade de 
Susa sentia-se perdida.
{1}4{/}

\u00c9 PRECISO FAZER UMA OP\u00c7\u00c3O 
RADICAL{/}

{I}1_{/}Quando Mardoqueu 
soube do que estava a 
acontecer, rasgou as 
vestes, vestiu-se com 
pano de saco, p\u00f4s cinza 
na cabe\u00e7a e saiu pela 
cidade, dando gritos de 
dor. {I}2_{/}Acabou por 
chegar \u00e0 porta do pal\u00e1cio 
real, onde n\u00e3o se podia 
entrar vestido com pano 
de saco. {I}3_{/}Nas 
prov\u00edncias, \u00e0 medida que 
o decreto real era 
publicado, os judeus 
ficavam desolados: faziam 
jejum, choravam e ficavam 
de luto. O pano de saco e 
as cinzas tornaram-se a 
cama de muitos.
{I}4_{/}As escravas e eunucos 
de Ester contaram-lhe 
tudo. A rainha ficou 
angustiada, e mandou 
roupas para que Mardoqueu 
se vestisse e tirasse o 
pano de saco. Mardoqueu, 
por\u00e9m, n\u00e3o aceitou. 
{I}5_{/}Ent\u00e3o Ester chamou 
Atac, um dos eunucos 
reais que a serviam, e 
mandou-o perguntar a 
Mardoqueu o que havia 
acontecido e por que 
motivo se comportava 
assim. {I}6_{/}Atac foi 
conversar com Mardoqueu, 
que se encontrava na 
pra\u00e7a, diante da porta do 
pal\u00e1cio. {I}7_{/}Mardoqueu 
contou-lhe o que havia 
acontecido. Informou-o de 
como Am\u00e3 oferecera 
dinheiro para o tesouro 
real, em troca do 
exterm\u00ednio dos judeus. 
{I}8_{/}Tamb\u00e9m lhe entregou 
uma c\u00f3pia do decreto de 
exterm\u00ednio, publicado em 
Susa. Pediu que o 
mostrasse a Ester e a 
informasse de tudo. 
Mandou que a rainha se 
apresentasse ao rei para 
interceder em favor do 
povo. {I}8a_{/}E dizia-lhe: 
{/}\u00abLembra-te de quando 
eras pobre e eu te dava 
de comer{/}. Am\u00e3, a segunda 
pessoa do reino, pediu ao 
rei a nossa morte{/}. 
{I}8b_{/}Invoca o Senhor, 
fala ao rei em nosso 
favor, e livra-nos da 
morte{/}\u00bb.

{I}9_{/}Atac voltou e 
transmitiu a Ester tudo o 
que Mardoqueu lhe 
dissera. {I}10_{/}Ent\u00e3o Ester 
mandou este recado a 
Mardoqueu: {I}11_{/}\u00abOs 
funcion\u00e1rios do rei e a 
gente das prov\u00edncias do 
reino sabem que, por 
decreto real, qualquer 
homem ou mulher que se 
apresente ao rei no p\u00e1tio 
interno, sem ter sido 
chamado, torna-se r\u00e9u de 
morte, a menos que o rei 
lhe estenda o ceptro de 
ouro e lhe poupe a vida. 
Quanto a mim, h\u00e1 j\u00e1 um 
m\u00eas que n\u00e3o sou convidada 
a ir \u00e0 presen\u00e7a do rei\u00bb.
{I}12_{/}Mardoqueu recebeu o 
recado de Ester, {I}13_{/}e 
respondeu: \u00abN\u00e3o penses 
que podes escapar com 
vida, s\u00f3 porque vives no 
pal\u00e1cio. {I}14_{/}Se te 
calares agora, a salva\u00e7\u00e3o 
e a liberta\u00e7\u00e3o dos judeus 
vir\u00e1 de outro lugar, mas 
tu e a tua fam\u00edlia 
morrereis. Quem sabe se 
n\u00e3o te tornaste rainha 
exactamente para esta 
ocasi\u00e3o?\u00bb
{I}15_{/}Ent\u00e3o Ester mandou 
este recado a Mardoqueu: 
{I}16_{/}\u00abRe\u00fane todos os 
judeus que vivem na 
cidade de Susa, e fazei 
jejum por mim. N\u00e3o 
comais, nem bebais 
durante tr\u00eas dias e tr\u00eas 
noites. Eu e as minhas 
escravas tamb\u00e9m faremos 
jejum. Depois disso vou 
apresentar-me ao rei. Se 
for preciso morrer, 
morrerei\u00bb. {I}17_{/}Mardoqueu 
foi-se embora e fez o que 
Ester havia mandado.
A ORA\u00c7\u00c3O DE MARDOQUEU{/}

{I}17a_{/}Ent\u00e3o, 
lembrando todas as 
fa\u00e7anhas do Senhor, 
Mardoqueu, rezou assim:{/}

{I}17b_{/}\u00abSenhor, Rei Todo-
poderoso, tudo est\u00e1 
debaixo do teu poder, e 
n\u00e3o h\u00e1 quem se oponha \u00e0 
tua vontade de salvar 
Israel{/}. {I}17c_{/}Sim, Tu 
fizeste o C\u00e9u e a Terra e 
todas as maravilhas que 
est\u00e3o debaixo do 
firmamento{/}. Tu \u00e9s o 
Senhor de todas as 
coisas, e n\u00e3o h\u00e1 quem Te 
possa resistir{/}. {I}17d_{/}Tu 
conheces tudo! Se me nego 
a prostrar-me diante do 
soberbo Am\u00e3, Tu bem 
sabes, Senhor, que n\u00e3o \u00e9 
por arrog\u00e2ncia, orgulho 
ou vaidade{/}. Para salvar 
Israel, de boa vontade eu 
beijaria a planta dos 
seus p\u00e9s!{/} {I}17e_{/}Procedi 
assim para n\u00e3o colocar a 
honra de um homem acima 
da gl\u00f3ria de Deus{/}. Eu 
n\u00e3o me prostro na frente 
de ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser 
diante de Ti, Senhor, e 
n\u00e3o fa\u00e7o isso por 
orgulho{/}. {I}17f_{/}Pois bem, 
Senhor Deus, Rei, Deus de 
Abra\u00e3o, poupa o teu povo, 
pois os nossos inimigos 
tramam a nossa morte e 
desejam aniquilar a tua 
antiga heran\u00e7a{/}. 
{I}17g_{/}N\u00e3o desprezes a 
por\u00e7\u00e3o que para Ti 
resgataste da terra do 
Egipto{/}. {I}17h_{/}Ouve a 
minha s\u00faplica, tem 
piedade da tua heran\u00e7a e 
transforma o nosso luto 
em alegria, para que 
vivamos celebrando o teu 
Nome, Senhor{/}. N\u00e3o deixes 
emudecer a boca dos que 
Te louvam{/}\u00bb.
{I}17i_{/}E todos os 
israelitas clamavam a 
Deus com todas as for\u00e7as, 
porque tinham a morte 
diante dos olhos{/}.
A HONRA DE DEUS{/}

{I}17j_{/}Tomada de 
ang\u00fastia mortal, a rainha 
Ester tamb\u00e9m procurou 
ref\u00fagio no Senhor{/}. Tirou 
as vestes de luxo e 
vestiu-se com roupas de 
mis\u00e9ria e luto{/}. Em lugar 
de perfumes finos, cobriu 
a cabe\u00e7a com cinza e p\u00f3{/}. 
Desfigurou-se 
completamente, e com os 
cabelos desgrenhados 
cobriu o corpo, que antes 
costumava enfeitar{/}. E 
suplicou assim ao Senhor, 
o Deus de Israel:{/}

{I}17l_{/}\u00abMeu Senhor, nosso 
Rei, Tu \u00e9s o \u00fanico! 
Protege-me, porque estou 
s\u00f3 e n\u00e3o tenho outro 
defensor al\u00e9m de Ti, pois 
vou arriscar a minha 
vida{/}. {I}17m_{/}Desde a 
inf\u00e2ncia aprendi com a 
minha fam\u00edlia que Tu, 
Senhor, escolheste Israel 
entre todos os povos e os 
nossos pais entre todos 
os seus antepassados, 
para serem tua heran\u00e7a 
perp\u00e9tua{/}. E cumpriste o 
que lhes havias 
prometido{/}. {I}17n_{/}Pec\u00e1mos 
contra Ti, e entregaste-
nos aos nossos inimigos, 
porque ador\u00e1mos os seus 
deuses{/}. Tu \u00e9s justo, 
Senhor!{/} {I}17o_{/}Eles, 
por\u00e9m, n\u00e3o se contentaram 
com a amargura da nossa 
escravid\u00e3o{/}. 
Comprometeram-se com os 
seus \u00eddolos e juraram 
anular a palavra sa\u00edda 
dos teus l\u00e1bios e fazer 
desaparecer a tua heran\u00e7a 
e emudecer as bocas que 
Te louvam, para aniquilar 
o teu altar e a gl\u00f3ria da 
tua casa{/}. {I}17p_{/}Juraram 
abrir os l\u00e1bios dos 
pag\u00e3os para que louvem os 
seus \u00eddolos vazios e 
adorem eternamente um rei 
de carne{/}. {I}17q_{/}Senhor, 
n\u00e3o entregues o teu 
ceptro a deuses que n\u00e3o 
existem{/}. Que n\u00e3o se riam 
da nossa ru\u00edna{/}. Volta os 
seus planos contra eles 
pr\u00f3prios, e que sirva de 
exemplo o primeiro que 
nos atacou{/}. 
{I}17r_{/}Lembra-Te, Senhor, 
manifesta-Te a n\u00f3s no dia 
da nossa tribula\u00e7\u00e3o{/}. 
Quanto a mim, d\u00e1-me 
coragem, Rei dos deuses e 
Senhor dos poderosos{/}. 
{I}17s_{/}Coloca na minha 
boca palavras certas, 
quando eu estiver diante 
do le\u00e3o{/}. Muda o seu 
cora\u00e7\u00e3o para odiar o 
nosso inimigo, a fim de 
que pere\u00e7a com todos os 
seus c\u00famplices{/}. 
{I}17t_{/}Salva-nos com a tua 
m\u00e3o e vem em meu aux\u00edlio, 
pois estou sozinha e s\u00f3 
tenho a Ti, Senhor{/}. 
{I}17u_{/}Tu conheces todas 
as coisas, sabes que 
odeio a gl\u00f3ria dos 
\u00edmpios, e que o leito dos 
incircuncisos e de 
qualquer estrangeiro me 
causa horror{/}. {I}17v_{/}Tu 
conheces a minha ang\u00fastia 
e sabes que detesto o 
sinal da minha grandeza, 
que levo na minha cabe\u00e7a 
quando apare\u00e7o em 
p\u00fablico{/}. Eu detesto-o 
como trapo imundo, e n\u00e3o 
o uso fora das 
solenidades{/}. {I}17x_{/}A tua 
serva n\u00e3o comeu \u00e0 mesa de 
Am\u00e3, nem apreciou o 
banquete do rei, nem 
bebeu o vinho das 
liba\u00e7\u00f5es{/}. {I}17y_{/}A tua 
serva n\u00e3o se alegrou 
desde o dia em que mudou 
de condi\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, a 
n\u00e3o ser em Ti, Senhor, 
Deus de Abra\u00e3o{/}. {I}17z_{/}\u00d3 
Deus, mais forte que 
todos os poderosos, ouve 
a voz dos desesperados, 
liberta-nos da m\u00e3o dos 
malfeitores, livra-me do 
medo!{/}\u00bb
{1}5{/}

A FRAQUEZA DERROTAR\u00c1 OS 
PODEROSOS{/}

{I}1_{/}No terceiro dia,{/} 
quando acabou de rezar, 
Ester tirou as vestes de 
luto e vestiu-se com as 
vestes de rainha. 
{I}1a_{/}Vestida com 
esplendor, invocou o Deus 
que cuida de todos e os 
salva{/}. Tomou consigo 
duas escravas{/}. Apoiava-
se suavemente numa delas, 
com delicada eleg\u00e2ncia, 
enquanto a outra ia 
acompanhando e segurando 
a cauda do vestido{/}. 
{I}1b_{/}No auge da beleza, 
Ester caminhava 
ruborizada, com o rosto 
alegre, como se ardesse 
de amor{/}. O seu cora\u00e7\u00e3o, 
por\u00e9m, estava 
angustiado{/}. 
{I}1c_{/}Ultrapassando todas 
as portas, Ester 
encontrou-se na presen\u00e7a 
do rei{/}. Ele estava 
sentado no trono real, 
vestido com os enfeites 
majestosos das suas 
apari\u00e7\u00f5es solenes, 
resplandecendo em ouro e 
pedras preciosas, e tinha 
um aspecto terr\u00edvel{/}. 
{I}1d_{/}Ele ergueu o rosto 
incendiado de gl\u00f3ria, 
dirigiu o seu olhar, 
cheio de c\u00f3lera, \u00e0 rainha 
que, ficando p\u00e1lida, 
desmaiou e apoiou a 
cabe\u00e7a na escrava que a 
seguia{/}. {I}1e_{/}Deus, 
por\u00e9m, tornou manso o 
cora\u00e7\u00e3o do rei, que 
ansioso correu do trono e 
tomou Ester nos bra\u00e7os, 
at\u00e9 que ela se 
recuperasse, e 
reconfortou-a com 
palavras 
tranquilizadoras: 
{/}{I}1f_{/}\u00abO que foi, Ester? 
Eu sou teu esposo{/}. 
Coragem! Tu n\u00e3o vais 
morrer{/}. A minha ordem \u00e9 
s\u00f3 para os s\u00fabditos{/}. 
Aproxima-te{/}\u00bb. {I}2_{/}Ergueu 
o ceptro de ouro, pousou-
o no pesco\u00e7o de Ester, 
beijou-a e pediu: {/}\u00abFala 
comigo{/}\u00bb. {I}2a_{/}Ester 
disse-lhe: {/}\u00abSenhor, eu 
vi-te como um anjo de 
Deus e fiquei com medo de 
tanto esplendor{/}. Porque 
\u00e9s, senhor, admir\u00e1vel e o 
teu rosto \u00e9 fascinante{/}\u00bb. 
{I}2b_{/}Enquanto falava, 
Ester desmaiou{/}. O rei 
ficou perturbado e todos 
os cortes\u00e3os procuravam 
reanim\u00e1-la{/}. {I}3_{/}O rei 
perguntou-lhe: \u00abO que h\u00e1, 
rainha Ester? Diz-me o 
que desejas, e eu dar-te-
ei, nem que seja metade 
do meu reino\u00bb. {I}4_{/}Ester 
respondeu: \u00abSe parecer 
bem ao rei, venha hoje 
com Am\u00e3 ao banquete que 
para v\u00f3s preparei\u00bb. {I}5_{/}O 
rei disse: \u00abMandai 
convocar imediatamente 
Am\u00e3, para fazer o que 
Ester deseja\u00bb.
O rei e Am\u00e3 foram ao 
banquete preparado por 
Ester. {I}6_{/}Enquanto 
bebiam vinho, o rei disse 
de novo a Ester: \u00abPede-me 
o que quiseres, e eu to 
darei. Mesmo que pe\u00e7as 
metade do meu reino, t\u00ea-
la-\u00e1s\u00bb. {I}7_{/}Ester 
respondeu: \u00abO meu pedido 
e o meu desejo \u00e9 este: 
{I}8_{/}se o rei quiser 
fazer-me um favor, se 
quiser ouvir o meu pedido 
e satisfazer o meu 
desejo, venha com Am\u00e3 ao 
banquete que lhe vou 
preparar amanh\u00e3. Ent\u00e3o 
lho direi\u00bb.
{I}9_{/}Nesse dia, Am\u00e3 saiu 
alegre e de bom humor. 
Mas, quando viu que 
Mardoqueu, \u00e0 porta do 
pal\u00e1cio real, n\u00e3o se 
levantava nem se movia do 
lugar, ficou furioso 
contra Mardoqueu, 
{I}10_{/}mas con-teve-se. 
Chegando a casa, chamou 
os seus amigos e Zares, 
sua mulher. {I}11_{/}Falou-
lhes longamente do 
esplendor das suas 
riquezas, dos seus muitos 
filhos e de como o rei o 
tinha engrandecido, 
colocando-o acima dos 
seus altos funcion\u00e1rios e 
ministros. {I}12_{/}E 
acrescentou: \u00abAl\u00e9m disso, 
a rainha Ester convidou-
me somente a mim e ao rei 
para um banquete que ela 
ofereceu. E mais ainda: 
j\u00e1 estou de novo 
convidado para outro 
banquete com o rei, 
amanh\u00e3. {I}13_{/}Tudo isto, 
por\u00e9m, n\u00e3o me satisfaz, 
enquanto eu continuar a 
ver o judeu Mardoqueu 
sentado \u00e0 porta do 
pal\u00e1cio\u00bb. {I}14_{/}Ent\u00e3o a 
sua mulher Zares e os 
seus amigos propuseram: 
\u00abManda preparar uma forca 
de vinte e cinco metros. 
De manh\u00e3 pede ao rei que 
Mardoqueu seja nela 
enforcado. Depois poder\u00e1s 
ir contente para o 
banquete\u00bb. Am\u00e3 gostou da 
proposta e mandou 
preparar a forca.
IV. A LIBERTA\u00c7\u00c3O DO POVO{/}

{1}6{/}

RECONHECIMENTO E 
GLORIFICA\u00c7\u00c3O DO JUSTO{/}

{I}1_{/}Nessa noite, o 
rei n\u00e3o conseguiu dormir. 
Ent\u00e3o pediu que lhe 
trouxessem o livro dos 
Anais ou Cr\u00f3nicas. E 
leram-lho. {I}2_{/}Nele 
contava-se como Mardoqueu 
tinha denunciado Bagat\u00e3 e 
Tares, funcion\u00e1rios do 
rei e guardas da porta 
que estavam a planear um 
atentado contra a vida de 
Assuero. {I}3_{/}E o rei 
perguntou: \u00abQue pr\u00e9mio ou 
recompensa foi dada a 
esse Mardoqueu?\u00bb Os 
cortes\u00e3os que serviam o 
rei responderam: \u00abN\u00e3o lhe 
deram nada\u00bb. {I}4_{/}Ent\u00e3o o 
rei perguntou: \u00abQuem est\u00e1 
no p\u00e1tio?\u00bb Naquele 
momento Am\u00e3 estava a 
chegar ao p\u00e1tio externo 
do pal\u00e1cio, para pedir ao 
rei que mandasse enforcar 
Mardoqueu, na forca que 
ele havia preparado. 
{I}5_{/}Os cortes\u00e3os 
responderam: \u00ab\u00c9 Am\u00e3 quem 
est\u00e1 no p\u00e1tio\u00bb. O rei 
ordenou: \u00abMandai-o 
entrar\u00bb. {I}6_{/}Am\u00e3 entrou, 
e o rei perguntou-lhe: 
\u00abComo se deve tratar a um 
homem, a quem o rei quer 
honrar?\u00bb Am\u00e3 pensou: \u00abE 
quem \u00e9 que o rei vai 
querer honrar, sen\u00e3o a 
mim?\u00bb {I}7_{/}E respondeu: 
\u00abSe o rei quer honrar 
algu\u00e9m, {I}8_{/}tomem-se 
vestes reais como as que 
o rei usa, traga-se o 
cavalo que o rei costuma 
montar, e coloque-se na 
cabe\u00e7a dessa pessoa uma 
coroa real. 
{I}9_{/}Entreguem-se as 
vestes e o cavalo a um 
dos mais altos oficiais, 
e esse mesmo revestir\u00e1 
com essas vestes o homem 
a quem o rei quer honrar. 
Depois conduzir\u00e1 o cavalo 
pela pra\u00e7a da cidade, 
gritando \u00e0 sua frente: "\u00c9 
assim que deve ser 
tratado o homem que o rei 
quer honrar"\u00bb. {I}10_{/}Ent\u00e3o 
o rei disse a Am\u00e3: 
\u00abDepressa. Toma as vestes 
e o cavalo e faz tudo 
isso que acabaste de 
dizer a Mardoqueu, o 
judeu funcion\u00e1rio da 
corte. N\u00e3o omitas nenhum 
pormenor de tudo o que 
disseste\u00bb.
{I}11_{/}Am\u00e3 tomou as vestes 
e o cavalo, revestiu 
Mardoqueu e conduziu-o a 
cavalo pela pra\u00e7a da 
cidade, gritando \u00e0 sua 
frente: \u00ab\u00c9 assim que deve 
ser tratado o homem que o 
rei quer honrar\u00bb. 
{I}12_{/}Depois disto, 
Mardoqueu voltou para o 
seu posto no pal\u00e1cio, 
enquanto Am\u00e3 corria para 
casa, enfurecido e 
cobrindo o rosto. 
{I}13_{/}Contou \u00e0 sua mulher 
Zares e aos amigos tudo o 
que havia acontecido. 
Zares e seus amigos 
disseram-lhe: \u00abCome\u00e7aste 
a decair diante de 
Mardoqueu. Se ele \u00e9 de 
ra\u00e7a judaica, n\u00e3o poder\u00e1s 
nada contra ele. Pelo 
contr\u00e1rio, cair\u00e1s 
completamente diante 
dele. N\u00e3o poder\u00e1s 
defender-te dele, porque 
o Deus vivo est\u00e1 com 
ele{/}\u00bb. {I}14_{/}Ainda estavam 
a falar, quando chegaram 
os funcion\u00e1rios do rei e 
levaram imediatamente Am\u00e3 
para o banquete preparado 
por Ester.
{1}7{/}

A DESGRA\u00c7A DE AM\u00c3{/}

{I}1_{/}O rei e Am\u00e3 foram 
ao banquete da rainha 
Ester. {I}2_{/}Neste segundo 
dia, enquanto bebiam 
vinho, o rei disse 
novamente a Ester: \u00abPede-
me o que quiseres, rainha 
Ester, e eu to 
concederei. Qual \u00e9 o teu 
pedido? Dar-te-ei at\u00e9 
mesmo metade do meu 
reino\u00bb. {I}3_{/}A rainha 
Ester respondeu: \u00abSe o 
rei quiser fazer-me um 
favor, se lhe parecer 
bem, o meu pedido \u00e9 que 
me conceda a vida, e o 
meu desejo \u00e9 a vida do 
meu povo. {I}4_{/}Porque eu e 
o meu povo fomos vendidos 
para sermos exterminados, 
mortos e aniquilados. Se 
nos tivessem vendido para 
sermos escravos e 
escravas, eu ficaria 
calada, pois tal desgra\u00e7a 
n\u00e3o acarretaria preju\u00edzo 
para o rei\u00bb. {I}5_{/}Ent\u00e3o o 
rei perguntou \u00e0 rainha 
Ester: \u00abQuem \u00e9 e onde 
est\u00e1 o homem que planeia 
fazer isso?\u00bb {I}6_{/}Ester 
respondeu: \u00abO perseguidor 
e inimigo \u00e9 este perverso 
Am\u00e3\u00bb. Ent\u00e3o Am\u00e3 ficou 
apavorado diante do rei e 
da rainha. 
{I}7_{/}Enfurecido, o rei 
levantou-se, deixou o 
banquete e foi para o 
jardim do pal\u00e1cio. Am\u00e3 
ficou ali, a implorar \u00e0 
rainha pela sua pr\u00f3pria 
vida, pois compreen-dera 
que o rei j\u00e1 tinha 
decidido a sua desgra\u00e7a.
{I}8_{/}Quando o rei voltou 
do jardim do pal\u00e1cio para 
a sala do banquete, 
encontrou Am\u00e3 ca\u00eddo sobre 
o div\u00e3, onde se 
encontrava Ester. E o rei 
gritou: \u00abE tu ainda te 
atreves a violentar a 
rainha diante de mim, 
dentro do meu pal\u00e1cio!\u00bb O 
rei deu uma ordem, e 
imediatamente cobriram o 
rosto de Am\u00e3. 
{I}9_{/}Harbona, um dos 
eunucos, sugeriu ao rei: 
\u00abNa casa de Am\u00e3 h\u00e1 uma 
forca de vinte e cinco 
metros, que Am\u00e3 tinha 
preparado para Mardoqueu, 
aquele que falou em 
defesa do rei\u00bb. E o rei 
ordenou: \u00abEnforcai nela 
Am\u00e3\u00bb.
{I}10_{/}Ent\u00e3o enforcaram Am\u00e3 
na forca que ele tinha 
preparado para Mardoqueu. 
E a ira do rei acalmou-
se.
{1}8{/}

A LEI EM BENEF\u00cdCIO DOS 
HEBREUS{/}

{I}1_{/}Nesse mesmo dia, 
o rei entregou \u00e0 rainha 
Ester a casa de Am\u00e3, o 
perseguidor dos judeus. E 
Mardoqueu foi apresentado 
ao rei. Este j\u00e1 sabia, 
por meio de Ester, do 
parentesco que ele tinha 
com a rainha. {I}2_{/}O rei 
tirou o anel que tinha 
retomado a Am\u00e3 e 
entregou-o a Mardoqueu. E 
Ester confiou a Mardoqueu 
a administra\u00e7\u00e3o da casa 
de Am\u00e3.
{I}3_{/}Ester tornou a falar 
com o rei. Caiu a seus 
p\u00e9s e chorou, suplicando-
lhe que anulasse o plano 
que Am\u00e3, o agagita, tinha 
maquinado contra os 
judeus. {I}4_{/}Quando o rei 
estendeu o ceptro de ouro 
a Ester, ela levantou-se 
e, de p\u00e9 na presen\u00e7a do 
rei, {I}5_{/}continuou: \u00abSe 
lhe parecer bem, se o rei 
me quiser conceder, se o 
meu pedido lhe parecer 
justo e se est\u00e1 contente 
comigo, revogue por 
escrito o decreto que 
Am\u00e3, filho de Amadates, o 
agagita, mandou escrever 
para exterminar os judeus 
de todas as prov\u00edncias 
reais. {I}6_{/}Como poderia 
eu contemplar a desgra\u00e7a 
que atingiria o meu povo? 
Como poderia contemplar o 
exterm\u00ednio da minha 
fam\u00edlia?\u00bb
{I}7_{/}O rei Assuero 
respondeu \u00e0 rainha Ester 
e ao judeu Mardoqueu: 
\u00abV\u00f3s sabeis que dei a 
Ester a casa de Am\u00e3 e que 
mandei enforc\u00e1-lo por 
atentar contra os judeus. 
{I}8_{/}Agora, em nome do 
rei, escrevei o que 
achardes melhor para os 
judeus, e lacrai o 
decreto com o anel do 
rei. Todo o decreto 
redigido em nome do rei e 
lacrado com o seu anel \u00e9 
irrevog\u00e1vel\u00bb.
{I}9_{/}No dia vinte e tr\u00eas 
do terceiro m\u00eas, chamado 
Siv\u00e3, os escriv\u00e3es do 
reino foram convocados e, 
exactamente como ordenou 
Mardoqueu, foi redigido 
um documento destinado 
aos judeus, aos s\u00e1trapas, 
governadores e chefes das 
prov\u00edncias, para as cento 
e vinte e sete 
prov\u00edncias, que se 
estendiam desde a \u00cdndia 
at\u00e9 \u00e0 Eti\u00f3pia. O 
documento foi mandado a 
cada prov\u00edncia na escrita 
de cada uma e a cada povo 
na sua l\u00edngua, e aos 
judeus no seu alfabeto e 
l\u00edngua. {I}10_{/}Essas 
cartas, redigidas em nome 
do rei Assuero e lacradas 
com o selo real, foram 
levadas por correios 
montados em cavalos da 
estrebaria real. 
{I}11_{/}Nessas cartas o rei 
concedia aos judeus, em 
todas as cidades onde 
estivessem, o direito de 
se reunirem e defenderem, 
de exterminar, matar e 
aniquilar qualquer pessoa 
armada, de qualquer povo 
ou prov\u00edncia, que os 
atacasse, inclusive 
mulheres e crian\u00e7as, al\u00e9m 
do direito de lhes 
saquearem os bens. 
{I}12_{/}Isto aconteceria no 
mesmo dia, em todas as 
prov\u00edncias do rei 
Assuero, isto \u00e9, no dia 
treze do d\u00e9cimo segundo 
m\u00eas, chamado Adar.
{I}12a_{/}Texto do decreto:{/}

{I}12b_{/}\u00abO grande rei 
Assuero, aos s\u00e1trapas das 
cento e vinte e sete 
prov\u00edncias, que se 
estendem da \u00cdndia \u00e0 
Eti\u00f3pia, e aos que s\u00e3o 
fi\u00e9is aos nossos 
interesses{/}. Sauda\u00e7\u00f5es{/}.
{I}12c_{/}Muitos homens, 
quanto mais honrados pela 
suma generosidade dos 
benfeitores, mais se 
ensoberbecem e procuram 
n\u00e3o s\u00f3 prejudicar os 
nossos s\u00fabditos, mas, 
incapazes de moderar a 
pr\u00f3pria soberba, tramam 
armadilhas contra os seus 
pr\u00f3prios benfeitores{/}. 
{I}12d_{/}N\u00e3o s\u00f3 anulam a 
gratuidade no meio dos 
homens, mas, embriagados 
pelo elogio de quem 
ignora o bem, orgulham-se 
de fugir de Deus, que 
tudo v\u00ea, e da sua justi\u00e7a 
que odeia o mal{/}.
{I}12e_{/}De facto, muitas 
vezes, aconteceu que um 
mau conselho dessas 
pessoas, a quem foi 
confiado o controlo dos 
assuntos p\u00fablicos, tornou 
muitos daqueles que det\u00eam 
o poder correspons\u00e1veis 
por ac\u00e7\u00f5es sanguin\u00e1rias 
reprov\u00e1veis, provocando 
assim calamidades 
irremedi\u00e1veis{/}. {I}12f_{/}Com 
falsos racioc\u00ednios cheios 
de maldade, enganaram 
toda a boa f\u00e9 dos 
soberanos{/}.
{I}12g_{/}\u00c9 poss\u00edvel 
encontrar factos 
semelhantes, n\u00e3o s\u00f3 nas 
antigas hist\u00f3rias a que 
aludimos, mas tamb\u00e9m 
examinando as ac\u00e7\u00f5es hoje 
realizadas pela baixeza 
daqueles que injustamente 
det\u00eam o poder{/}.
{I}12h_{/}Para o futuro, ser\u00e1 
necess\u00e1rio assegurar, em 
favor de todos os homens, 
um reino pac\u00edfico e sem 
perturba\u00e7\u00f5es, 
{/}{I}12i_{/}fazendo mudan\u00e7as 
oportunas e julgando com 
firmeza e equidade os 
casos que acontecem sob 
os nossos olhos{/}.
{I}12j_{/}Tal \u00e9 o caso de 
Am\u00e3, um maced\u00f3nio, filho 
de Amadates, na verdade 
um estrangeiro ao nosso 
sangue e muito longe da 
nossa bondade{/}. Am\u00e3 foi 
acolhido por n\u00f3s com 
hospitalidade, 
{/}{I}12l_{/}usufruiu da 
amizade que dedicamos a 
todos os povos e chegou 
at\u00e9 a ser chamado {/}\u00abnosso 
pai{/}\u00bb e ser reverenciado 
por todos com a 
prostra\u00e7\u00e3o, como aquele 
que det\u00e9m o segundo lugar 
junto do trono do rei{/}. 
{I}12m_{/}Contudo, incapaz de 
conter o seu orgulho, Am\u00e3 
tramou privar-nos do 
poder e da vida{/}. 
{I}12n_{/}Com falsos e subtis 
artif\u00edcios, ele pediu a 
pena de morte para 
Mardoqueu, o nosso 
salvador e benfeitor 
perp\u00e9tuo, e tamb\u00e9m para 
Ester, nossa 
irrepreens\u00edvel 
companheira no trono, 
juntamente com todo o seu 
povo{/}. {I}12o_{/}Deste modo, 
ele pensava isolar-nos e 
passar o poder dos persas 
para os maced\u00f3nios{/}.
{I}12p_{/}N\u00f3s, por\u00e9m, achamos 
que os judeus, condenados 
ao exterm\u00ednio por esse 
criminoso, n\u00e3o s\u00e3o 
malfeitores{/}. Pelo 
contr\u00e1rio, eles vivem 
segundo leis 
just\u00edssimas,{/} {I}12q_{/}s\u00e3o 
filhos do Deus Alt\u00edssimo, 
excelso e vivo, que, em 
nosso favor e dos nossos 
antepassados, dirige o 
reino do modo mais 
florescente{/}.
{I}12r_{/}Portanto fareis bem 
se n\u00e3o obedecerdes ao 
decreto enviado por Am\u00e3, 
filho de Amadates, porque 
o seu autor foi enforcado 
diante das portas de 
Susa, com toda a sua 
fam\u00edlia{/}. Deus, Senhor de 
todos os acontecimentos, 
fez recair imediatamente 
sobre ele o castigo que 
merecia{/}.
{I}12s_{/}Colocai em p\u00fablico 
c\u00f3pias desta carta, e 
permiti que os judeus 
continuem a seguir 
livremente os seus 
costumes{/}. Al\u00e9m disso, 
dai-lhes apoio para se 
defenderem de todos 
aqueles que os atacarem 
no dia da persegui\u00e7\u00e3o, 
isto \u00e9, no dia treze do 
d\u00e9cimo segundo m\u00eas, 
chamado Adar{/}. 
{I}12t_{/}Porque Deus, Senhor 
de todas as coisas, 
transformou esse dia 
tr\u00e1gico em dia de alegria 
para o povo escolhido{/}. 
{I}12u_{/}Quanto a v\u00f3s, 
judeus, celebrai com toda 
a solenidade esse dia 
memor\u00e1vel, entre as 
vossas festas{/}. Assim, 
hoje e no futuro, seja 
ele uma lembran\u00e7a da 
salva\u00e7\u00e3o para n\u00f3s e para 
os amigos dos persas, e 
uma lembran\u00e7a da 
destrui\u00e7\u00e3o para os nossos 
inimigos{/}.
{I}12v_{/}Toda a cidade e 
prov\u00edncia que n\u00e3o seguir 
estas disposi\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 
devastada a ferro e 
fogo{/}. Nenhum homem 
viver\u00e1 nela e at\u00e9 os 
animais e p\u00e1ssaros a 
evitar\u00e3o{/}\u00bb.
{I}13_{/}O texto do decreto, 
com for\u00e7a de lei para 
todas e cada uma das 
prov\u00edncias, tornar-se-ia 
p\u00fablico, para que os 
judeus estivessem 
preparados, a fim de se 
vingarem dos seus 
inimigos nesse dia. 
{I}14_{/}Os correios montaram 
cavalos reais e partiram 
rapidamente para 
executarem a ordem do 
rei, enquanto o decreto 
era imediatamente 
promulgado na fortaleza 
de Susa.
{I}15_{/}Mardoqueu saiu da 
presen\u00e7a do rei com 
vestes reais, de cor 
violeta e branca, uma 
grande coroa de ouro e um 
manto de linho e de 
p\u00farpura vermelha. Toda a 
cidade de Susa saltava de 
alegria. {I}16_{/}Para os 
judeus foi um dia de luz 
e alegria, festa e 
triunfo. {I}17_{/}Em todas as 
prov\u00edncias e em todas as 
cidades, aonde chegava a 
ordem do decreto real, os 
judeus alegravam-se com 
banquetes e festas. 
Muitos do pa\u00eds se 
tornaram judeus, porque o 
temor dos judeus caiu 
sobre eles.
{1}9{/}

O EXTERM\u00cdNIO DOS 
PERSEGUIDORES{/}

{I}1_{/}No dia treze do 
d\u00e9cimo segundo m\u00eas, 
chamado Adar, quando se 
devia executar o decreto 
do rei, no dia em que os 
inimigos dos judeus 
esperavam destru\u00ed-los, 
aconteceu o contr\u00e1rio: os 
judeus \u00e9 que destru\u00edram 
os seus inimigos. {I}2_{/}Os 
judeus concentraram-se 
nas suas cidades, em 
todas as prov\u00edncias do 
rei Assuero, para atacar 
os que maquinavam a sua 
destrui\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m lhes 
ofereceu resist\u00eancia, 
porque o temor dos justos 
caiu sobre toda a 
popula\u00e7\u00e3o. {I}3_{/}Os chefes 
das prov\u00edncias, os 
s\u00e1trapas, os governadores 
e funcion\u00e1rios reais 
apoiaram os judeus, 
porque tiveram medo de 
Mardoqueu. {I}4_{/}De facto, 
Mardoqueu ocupava um alto 
cargo no pal\u00e1cio, e a sua 
fama espalhava-se por 
todas as prov\u00edncias. 
Mardoqueu tornava-se cada 
vez mais poderoso.
{I}5_{/}Os judeus passaram a 
fio de espada todos os 
seus inimigos, matando e 
exterminando. Fizeram dos 
inimigos o que quiseram. 
{I}6_{/}S\u00f3 na fortaleza de 
Susa, os judeus mataram e 
exterminaram quinhentos 
homens, {I}7_{/}incluindo 
Farsandata, Delfon, 
Esfata, {I}8_{/}Forata, 
Adalia, Aridata, 
{I}9_{/}Fermesta, Arisai, 
Aridai, Jezata {I}10_{/}e os 
dez filhos de Am\u00e3, filho 
de Amadates, o 
perseguidor dos judeus. 
Mas n\u00e3o praticaram o 
saque.
{I}11_{/}No mesmo dia, 
comunicaram ao rei o 
n\u00famero de v\u00edtimas na 
fortaleza de Susa. {I}12_{/}E 
o rei disse \u00e0 rainha 
Ester: \u00abS\u00f3 na fortaleza 
de Susa, os judeus 
mataram e exterminaram 
quinhentos homens e os 
dez filhos de Am\u00e3. O que 
ter\u00e3o feito nas outras 
prov\u00edncias do reino? Pede 
o que quiseres e dar-to-
ei. Se queres mais alguma 
coisa, ser-te-\u00e1 
concedida\u00bb. {I}13_{/}Ester 
respondeu: \u00abSe parecer 
bem ao rei, conceda que 
os judeus de Susa possam 
prorrogar o cumprimento 
do decreto at\u00e9 amanh\u00e3 e 
que enforquem os 
cad\u00e1veres dos dez filhos 
de Am\u00e3\u00bb. {I}14_{/}O rei 
ordenou que assim fosse 
feito: prorrogou o 
decreto em Susa, e 
enforcaram os cad\u00e1veres 
dos dez filhos de Am\u00e3. 
{I}15_{/}Assim, os judeus de 
Susa concentraram-se 
tamb\u00e9m no dia catorze do 
m\u00eas de Adar e mataram 
mais trezentos homens, 
sem contudo praticar o 
saque. {I}16_{/}Os judeus das 
outras prov\u00edncias do 
reino tamb\u00e9m se 
concentraram para se 
defender, eliminando os 
inimigos. Mataram setenta 
e cinco mil advers\u00e1rios, 
mas n\u00e3o praticaram o 
saque.
{I}17_{/}Assim foi o dia 
treze do m\u00eas de Adar e no 
dia catorze descansaram, 
transformando-o em dia de 
festa. {I}18_{/}Os judeus de 
Susa reuniram-se nos dias 
treze e catorze; no dia 
quinze descansaram, 
transformando-o em dia de 
festa. {I}19_{/}\u00c9 por isso 
que os judeus do campo, 
que vivem nas aldeias, 
fazem do dia catorze do 
m\u00eas de Adar um dia de 
alegria, banquete e 
festa, e trocam 
presentes. {I}19_a{/}Para os 
judeus das grandes 
cidades, o dia festivo \u00e9 
o dia quinze do m\u00eas de 
Adar, quando mandam 
presentes aos seus 
vizinhos{/}.
TODO O POVO FESTEJA A 
LIBERTA\u00c7\u00c3O{/}

{I}20_{/}Mardoqueu 
registou por escrito 
todos estes 
acontecimentos. Depois 
mandou cartas a todos os 
judeus que viviam nas 
prov\u00edncias do rei 
Assuero, pr\u00f3ximas ou 
distantes, 
{I}21_{/}ordenando-lhes que 
todos os anos celebrassem 
os dias catorze e quinze 
do m\u00eas de Adar, 
{I}22_{/}porque nesses dias \u00e9 
que os judeus se livraram 
dos seus inimigos, e 
nesse m\u00eas a sua tristeza 
foi transformada em 
alegria e o seu luto em 
festa. Ele insistia para 
que os judeus festejassem 
esse dia, fazendo 
banquetes, trocando 
presentes e fazendo 
donativos aos pobres.
{I}23_{/}Os judeus, que j\u00e1 
haviam come\u00e7ado a 
praticar tudo isto, 
aceitaram o que Mardoqueu 
lhes pedia. {I}24_{/}De 
facto, Am\u00e3, filho de 
Amadates, o agagita, 
perseguidor de todos os 
judeus, tinha planeado a 
morte deles e lan\u00e7ado o 
\u00abPur\u00bb, isto \u00e9, as sortes, 
para os eliminar e 
destruir. {I}25_{/}Mas quando 
Ester se apresentou ao 
rei, este ordenou, com 
documento escrito, que a 
perversa trama de Am\u00e3 
contra os judeus reca\u00edsse 
sobre ele pr\u00f3prio, e que 
ele e seus filhos fossem 
enforcados. {I}26_{/}Por 
isso, estes dias 
receberam o nome de 
\u00abPurim\u00bb, da palavra 
\u00abpur\u00bb. Conforme o texto 
desta carta, e de acordo 
com o que haviam 
presenciado e sabido por 
not\u00edcias, {I}27_{/}os judeus 
assumiram para si 
pr\u00f3prios, para os seus 
descendentes e todos os 
que a eles se reunissem, 
o compromisso inviol\u00e1vel 
de todos os anos 
celebrarem estes dois 
dias, conforme este 
documento e nas datas 
fixadas. {I}28_{/}Estes dias 
s\u00e3o lembrados e 
celebrados de gera\u00e7\u00e3o em 
gera\u00e7\u00e3o, em cada fam\u00edlia, 
prov\u00edncia e cidade. S\u00e3o 
os dias dos \u00abPurim\u00bb, que 
nunca desaparecer\u00e3o do 
meio dos judeus, e a sua 
lembran\u00e7a jamais morrer\u00e1 
entre os seus 
descendentes.
{I}29_{/}A rainha Ester, 
filha de Abiail, e o 
judeu Mardoqueu 
escreveram, exigindo o 
cumprimento da segunda 
carta sobre os dias dos 
\u00abPurim\u00bb, {I}30_{/}e enviaram 
cartas a todos os judeus 
das cento e vinte e sete 
prov\u00edncias do reino de 
Assuero. Com palavras de 
paz e fidelidade, 
{I}31_{/}ordenaram a 
observ\u00e2ncia destes dias 
dos \u00abPurim\u00bb na data 
certa. Assim lhes 
ordenaram o judeu 
Mardoqueu e a rainha 
Ester, e os pr\u00f3prios 
judeus o assumiram para 
si e seus descendentes, 
acrescentando algumas 
cl\u00e1usulas sobre jejuns e 
s\u00faplicas. {I}32_{/}Deste 
modo, o decreto de Ester 
fixou as normas para 
celebrar os dias dos 
\u00abPurim\u00bb, e ficou 
registado por escrito. 
{1}10{/}

DEUS OUVIU O CLAMOR DO 
SEU POVO{/}

{I}1_{/}O rei Assuero 
imp\u00f4s tributo aos 
habitantes do continente 
e das ilhas. {I}2_{/}Acerca 
das suas vit\u00f3rias 
militares e do relato 
pormenorizado da 
dignidade a que o rei 
elevou Mardoqueu, podem 
ser consultados os Anais 
do reino da M\u00e9dia e da 
P\u00e9rsia: {I}3_{/}\u00abO judeu 
Mardoqueu era o primeiro 
a seguir ao rei Assuero. 
Foi um homem considerado 
pelos judeus e amado 
pelos seus muitos 
compatriotas, porque 
procurava o bem do seu 
povo e se preocupava com 
a prosperidade da sua 
na\u00e7\u00e3o\u00bb.
{I}3a_{/}Mardoqueu comentou: 
Estas coisas aconteceram 
por obra de Deus{/}. 
{I}3b_{/}Lembro-me do sonho 
que tive sobre estes 
factos, e nenhum deles 
foi omitido: {/}{I}3c_{/}a 
pequena fonte que se 
torna rio, a luz que se 
levanta, o sol e a \u00e1gua 
abundante{/}. O rio \u00e9 
Ester, que o rei desposou 
e constituiu rainha{/}. 
{I}3d_{/}Os dois drag\u00f5es, 
somos eu e Am\u00e3{/}. {I}3e_{/}As 
na\u00e7\u00f5es s\u00e3o aquelas que se 
coligaram para destruir o 
nome dos judeus{/}. {I}3f_{/}O 
meu povo \u00e9 Israel, 
aqueles que invocaram a 
Deus e foram salvos{/}. 
Sim, o Senhor salvou o 
seu povo, o Senhor 
libertou-nos de todos 
esses males{/}. Deus 
realizou sinais e 
prod\u00edgios, como nunca 
houve entre as na\u00e7\u00f5es{/}. 
{I}3g_{/}Por isso, Ele 
estabeleceu duas sortes: 
uma para o povo de Deus, 
e outra para as na\u00e7\u00f5es{/}. 
{I}3h_{/}Essas duas sortes 
realizaram-se no devido 
momento e no dia 
estabelecido do 
julgamento diante de 
Deus, e em todas as 
na\u00e7\u00f5es{/}. {I}3i_{/}Deus 
lembrou-Se do seu povo e 
fez justi\u00e7a \u00e0 sua 
heran\u00e7a{/}. {I}3j_{/}Os dias 
catorze e quinze do m\u00eas 
de Adar ser\u00e3o celebrados 
com assembleia, alegria e 
contentamento diante de 
Deus, em Israel, seu 
povo, por todas as 
gera\u00e7\u00f5es e para sempre{/}\u00bb.
{I}31_{/}No quarto ano de 
Ptolomeu e de Cle\u00f3patra, 
Dositeu, sacerdote e 
levita, e seu filho 
Ptolomeu, trouxeram a 
presente carta sobre os 
{/}\u00abPurim{/}\u00bb. Eles 
consideraram-na aut\u00eantica 
e traduzida por Lis\u00edmaco, 
filho de Ptolomeu, que 
era da comunidade de 
Jerusal\u00e9m{/}.
